A verdadeira face desta democracia de opereta ou os hipócritas cá do sítio 11-2019
Este caso de jovem mãe que já foi condenada por uns e absolvida por outros, por razões diversas mais igualmente hipócritas, revela à saciedade que este regime de democracia de opereta é uma fraude por permitir que após 45 anos da dita “revolução dos cravos” possa acontecer, com a agravante, desenrolando-se debaixo dos olhos de toda a gente. A fotografia que mostra o local onde terá acontecido o “crime” é também significativa, um conjunto de tendas de campismo, fornecidas eventualmente por alguma organização ligada à igreja católica, e situado em torno de um quiosque abandonado, onde se venderia jornais, revistas e livros: a miséria está na rua ao pé do abandono da cultura. Os pobres e o saber são objectos da mesma atitude de desprezo pelas elites e pelo regime. A criança, ao que parece, vai ser entregue à Misericórdia, que irá receber cerca de 900 euros por mês - uma caridade que também é negócio!
No país que tem cerca de 10 mil pessoas a viver na rua, em situação de completo abandono, e desses 2500 estão na capital, que é apresentada com uma das principais atracões turísticas da Europa, não admira que a urgência pediátrica de um dos mais importantes hospitais da grande Lisboa fique encerrada todas as noites ou onde se tenha demolido um dos mais modernos quartéis de bombeiros, que terá custado 12 milhões de euros, para que um hospital privado, de propriedade chinesa, pudesse alargar as suas instalações, ou meter mais 700 milhões de euros num banco resultante de uma mega-fraude, cujos responsáveis abertamente criminosos se encontram em liberdade, e entregue a fundo especulativo americano, pouco ou nada nos poderá surpreender. Primeiro estão os negócios e os lucros de capitalistas e grupos económicos estrangeiros e, na maior parte das vezes, as comissões dos políticos que permitem tais crimes; estes sim são crimes cometidos contra o povo português. Temos um PS e um primeiro-ministro que se dizem “socialistas” mas que governam sempre a favor da burguesia e do capital – uns pulhas!
O governo do Costa/PS vai aumentar o salário mínimo nacional (SMN) para os 750 euros até ao final do mandato, hipoteticamente 2023, e, eventualmente, o salário médio, que um destes dias será mínimo, já se encontra em negociação com os patrões em sede da famigerada Concertação Social, deparando-se com a reticência destes, como não poderia deixar de ser. Os patrões esclavagistas nacionais, liderados por um ex-militante do PS e rico à custa de fortuna herdada, não querem abrir os cordões à bolsa e propõem que os referidos aumentos saiam dos fundos de Compensação do Trabalho (370 milhões de euros) que, por natureza, são para garantir o pagamento de indemnizações aos trabalhadores; ou seja, os trabalhadores podem ser aumentados mas têm de ser eles a pagar. Eis o farisaísmo, a hipocrisia e o cinismo elevados à potência máxima, com a inteira colaboração do governo que, nesta questão, como em todas as outras relacionadas com os interesses dos patrões, não governa, limita-se a cumprir ordens. Um regime político que permite isto, não é nem democrático nem de direito, é uma farsa... [ler mais]
Golpe de Estado en Bolivia para profundizar el saqueo capitalista (Cecilia Zamudio) 11-2019
Se consumó el Golpe de Estado contra el gobierno de Evo Morales en Bolivia. Ahora se viene lo más terrorífico contra el pueblo boliviano, particularmente contra la clase trabajadora, contra las organizaciones campesinas e indígenas de base, contra el pensamiento crítico, contra toda persona que se oponga al saqueo capitalista, a la depredación de la naturaleza, a la explotación. Se viene el fundamentalismo católico declarado y el racismo abyecto, la misoginia más brutal y la nostalgia del tiempo de las cruzadas (lo vienen anunciando las acciones y proclamas de los golpistas); se viene la intensificación del saqueo del Litio, del gas, de la plata, del oro, del estaño, del hierro, de los manantiales y demás riquezas naturales, se viene mayor explotación contra las y los trabajadores, hambre y exterminio contra el pueblo, montañas y ríos capitalizados por un puñado de multinacionales y latifundistas.
(...)
La burguesía local y transnacional quería quitarse a Evo de en medio para profundizar los niveles de saqueo capitalista: no toleraba ya a un gobierno que no estuviera dispuesto a serle funcional al 100%. Evo no colectivizó los medios de producción, es decir la economía boliviana no fue socialista, sino que siguió siendo capitalista. De haber hecho cambios estructurales, de haber colectivizado los medios de producción, se hubiera fortalecido Bolivia frente a las pretensiones imperialistas; y la burguesía boliviana, profundamente explotadora y hostil a todo lo que no sea gobernar Bolivia como si las y los trabajadores fueran su servidumbre semi esclavizada, no se hubiera quedado enroscada en el poder económico, mediático e incluso institucional. Es el debate de fondo que este tipo de tragedias ponen de manifiesto: los límites del Reformismo y la necesidad de cambios estructurales, revolucionarios. Es el debate que Rosa Luxemburgo ya planteaba en «Reforma o Revolución» y que la Historia, una y otra vez, se encarga de poner de manifiesto. El Reformismo es tolerado por la burguesía un tiempo, incluso le puede llegar a ser funcional en ciertas circunstancias, en tanto que le «quita presión a a olla» de las tensiones sociales inherentes a las injustas relaciones de producción del Capitalismo. En el caso de Bolivia, es innegable que el gobierno de Evo aportó grandes avances, pero también era totalmente vulnerable a la voluntad de la burguesía al no haberse producido la profundización revolucionaria.
El Golpe de Estado llevaba tiempo fraguándose desde Washington. El pueblo boliviano llevaba semanas enfrentando el ataque del fascismo: la burguesía boliviana y transnacional, en su pretensión de tumbar al presidente Morales y su gobierno, con la finalidad de poder incrementar los niveles de saqueo capitalista contra el pueblo y la naturaleza, desató hordas mercenarias e incentivó el mayor odio racista. Linchamientos contra personas indígenas y contra las personas electas perpetrados por todo el país por los paramilitares fascistas (mujeres vejadas, desnudadas, la alcaldesa Patricia Arce secuestrada, embadurnada de pintura roja, trasquilada y golpeada, dirigentes sindicales torturados y obligados a «pedir perdón» de rodillas por apoyar a Evo, comunicadores alternativos a la falsimedia amarrados a árboles, ancianas indígenas agredidas por vestir sus trajes tradicionales). La herramienta fascista de la burguesía perpetró numerosos atentados, incendios de sedes de las organizaciones campesinas e indígenas, incendios de casas de miembros del gobierno. La herramienta mediática de la burguesía participó de la desestabilización, mediante manipulación y falsimedia a nivel nacional e internacional. Uno de los pilares de la manipulación que infundió la burguesía a través de sus medios, fue el fomento intensificado del odio racista, avivando un incendio que lleva siglos: el racismo ha sido fomentado como mecanismo de control social, en un país en el que el colonialismo europeo dejó su huella marcada en sangre e injusticia social, un país cuya población es sin embargo de mayoría indígena... [ler mais]
Assim mataram Paulinho Guajajara (Thiago Domenici e Vasconcelo Quadros) 11-2019
«“A luta continua, não vamos parar. Mesmo que ele [Paulo Paulino] tenha morrido, mesmo que outros morram, enquanto tiver indígenas, enquanto tiver guerreiros, a luta vai continuar”, disse Laércio Guajajara ao cineasta Taciano Brito e à liderança indígena, Fabiana Guajajara. Ambos estiveram com ele entre sexta e sábado, após o indígena receber alta do hospital na cidade de Imperatriz do Maranhão.
À Pública eles contaram que Laércio, ferido, correu 10 quilômetros para escapar da emboscada que, na última sexta-feira à tarde, matou o indígena Paulo Paulino Guajajara, 26 anos, conhecido como “Lobo mau”. Os dois indígenas foram emboscados por cinco madeireiros dentro do território indígena Araribóia, no Maranhão.
Eles haviam partido da aldeia Lagoa Comprida, norte da TI, na região de Bom Jesus das Selvas, a 100 km do município de Amarante, para caçar. Naquele dia, eles não estavam fazendo o trabalho de guardiões da floresta, um grupo formado por mais de uma centena de indígenas que monitora o território Araribóia, onde vivem também os povos Awa-Guajá, para combater a retirada ilegal de madeira e focos de incêndio.
Segundo Laércio, a caça era para que eles próprios pudessem se alimentar e levar para a família. “Paulino tem um filho pequeno”, diz o cineasta, que está finalizando o documentário Iwazayzar – Guardiões da Natureza, sobre a batalha dos Guajajara para proteger seu povo, a terra sagrada, e seus parentes, os Awá Guajá.
Antes da caça, os dois indígenas buscaram água num lago — “a água deles tinha acabado e eles foram limpar uma cacimba para vir uma água nova. E foram tirando bota, tirando colete, essas coisas para depois ir caçar”, conta Taciano. “Eles já estavam nesse processo e o Laércio ouviu um barulho no mato, algo se mexendo, que ele achou que fosse alguma caça, um porcão do mato”. Foi quando cinco homens armados saíram da mata. “Começaram a atirar, numa distância não muito longe, e aí ele [Laércio] foi tentando se esconder, mas foi atingido no braço e, quando se deu conta, que olhou pro lado, o Paulino já tinha sido alvejado no rosto e já estava no chão”, diz Taciano. “Ele ainda tentou puxar o Paulino pra perto dele mas viu que ele já estava morto. Ele ainda ficou mais um tempo ali tentando se esconder, e o pessoal atirando até que ele correu para tentar fugir e foi atingido nas costas”... [ler mais]
A violência política sexual: no Chile, mulheres como butim de guerra 11-2019
«Após semanas de mobilizações em todo o Chile, foram denunciados centenas de casos de violações de direitos humanos por parte do Estado chileno e das forças militares e policiais do país. Entre esses tipos de violações, há a violência política sexual praticada contra mulheres e dissidências sexuais, com crimes como estupros e abuso sexual, humilhação, desnudamentos forçados, apalpos e ameaças de estupros.
“Minha colega jornalista e eu nos obrigaram a ficar nuas e agachadas”, diz Estefani Carrasco, jornalista de La Estrella em Arica, logo após ser presa por Carabineros do Chile. Este é um dos testemunhos de mulheres que denunciaram publicamente a violência sexual realizada por agentes do Estado. Até agora, 18 são as queixas de violência sexual registradas pelo Instituto de Direitos Humanos (NHRI) no contexto das manifestações sociais e da repressão promovida pelas forças militares e de segurança no Chile nos últimos dias.
Testemunhos como os de Estefani denunciam a violência política sexual exercida nos corpos das mulheres e dissidentes sexuais nas últimas semanas. Compreende-se a violência política sexual como uma violação da integridade corporal e sexual, variando de abuso sexual e estupro a toque, desnudamento em detenção, humilhação com base no sexo e / ou orientação sexual da pessoa, ameaças de estupro, entre outras formas de violência praticadas por agentes do Estado e que não são tipificadas como um crime específico em nosso país. Segundo a integrante da Associação de Advogadas Feministas do Chile (ABOFEM), Verónica del Pozo, as queixas que receberam em grupo são de um total de 35 vítimas, das quais quatro são homens e cinco pertencem à comunidade LGTBIQ +. O restante refere-se a mulheres adultas e adolescentes... [ler mais]
Carta de Paris: 50 anos da execução de Marighella e a farsa da ''traição'' dos dominicanos (Leneide Duarte-Plon) 11-2019
«Na noite de 4 de novembro de 1969, o sinistro delegado Sérgio Fleury executou o líder revolucionário Carlos Marighella, fundador da Ação Libertadora Nacional (ALN) na Alameda Casa Branca, em São Paulo. Marighella estava desarmado e foi metralhado ao se aproximar de um fusca, onde o delegado colocara dois dominicanos, Ivo e Fernando, que haviam confirmado o encontro.
Marighella foi vítima de uma armadilha montada por Fleury, depois de ter sequestrado no Rio e torturado barbaramente aqueles frades, próximos do revolucionário. Na madrugada do dia 4, a «operação batina branca», dirigida por Fleury, invadira o convento das Perdizes e prendera outros frades, entre eles, Tito de Alencar Lima.
Logo depois da execução de Marighella, cujo corpo foi colocado dentro do carro depois de morto para compor a narrativa das fotos que a imprensa receberia, os órgãos de segurança da ditadura começaram uma sórdida campanha, bombardeando a mídia com «fake news», atribuindo aos dominicanos uma suposta « traição ». Eles teriam traído o antigo aliado, dando informações que permitiram a morte de Marighella.
O que hoje chamamos de «fake news» sempre existiu.
Os regimes totalitários desde sempre utilizaram a mentira para justificar invasões de territórios, prisões de dissidentes políticos ou mesmo para convencer a população que uma reforma traz benefícios quando, na verdade, representa perda de direitos. No Brasil de hoje, a mentira (fake news) é o combustível de toda ação governamental.
Na época da ditadura não era diferente.
No nosso livro «Um homem torturado, nos passos de frei Tito de Alencar », lançado em 2014, Clarisse Meireles e eu reconstituímos o episódio da prisão dos dominicanos e da mentira de Estado, que se impôs através dos órgãos de imprensa da época. Com seu abjeto editorial «O beijo de Judas», o jornal O Globo extrapolou todos os limites, mente e distorce os fatos, do início ao fim.
Todos os jornais ajudaram a ditadura a impor a farsa da «traição dos dominicanos», escamoteando as atrozes torturas de que foram vítimas Ivo, Fernando e os outros frades. Afinal, o general-presidente Garrastazu Médici não garantia a todos que não havia tortura no Brasil? Quem ousava desmentir o ditador, a não ser brasileiros exilados e pessoas como Dom Helder Camara, em conferências na Europa?... [ler mais]
Bolivia: Un Cristo contra el indio (Juan Carlos Zambrana Marchetti) 11-2019
«En 1961, Estados Unidos desplegaba una poderosa campaña anticomunista en la región, que incluía propaganda, represión y la utilización de la fe cristiana. A pesar de que, en Santa Cruz, el comunismo era políticamente inexistente, esa campaña sirvió para reprimir al campesino que luchaba por integrarse a una sociedad de blancos que lo rechazaba. Eso desató una larga confrontación entre las milicias civiles del Movimiento Nacionalista Revolucionario (MNR), defensoras de la revolución de 1952, y las de la extrema derecha (Unión Juvenil Cruceñista), que al carecer de poder político se había reinventado como “cívica”.
El centro de la capital cruceña era el reducto inexpugnable de la élite que había estigmatizado como “elemento menos deseable de la sociedad” a la clase plebeya que vivía fuera del segundo anillo, marginada, pero luchando por ingresar. En medio de esa batalla, llegó a Santa Cruz una celebridad de nivel internacional, el cardenal Richard James Cushing, estadounidense, arzobispo de Boston, muy bien conectado con la clase alta bostoniana, amigo tan cercano de la familia Kennedy, que había celebrado el matrimonio de John y le había tomado el juramento presidencial.
El Cardenal era un conocido anticomunista, que llegó para celebrar un congreso eucarístico a partir del 9 de agosto de 1961, e inaugurar el monumento al Cristo Redentor, ubicado en plena vía pública, justo en la intersección del segundo anillo de circunvalación y la carretera al norte, donde estaban las colonias de campesinos “collas” que habían sido relocalizados del altiplano como mano de obra para la industria agropecuaria.
El Cristo daba la espalda al norte y protegía a la clase citadina, que se adjudicaba la cruceñidad, pero la protección, en el mundo carnal de los mortales, fue proporcionada por las Fuerzas Armadas, las cuales habían tomado previamente la ciudad de Santa Cruz y la habían declarado zona militar. El general René Barrientos Ortuño fue nombrado jefe departamental interino del MNR, en sustitución del doctor Luis Sandóval Morón, quien había sido llamado a La Paz. Los “indeseables” de Sandóval no ofrecieron resistencia, se quedaron en la periferia y en esas condiciones de exclusión y desigualdad se inauguró el congreso eucarístico y se entregó el monumento a la clase alta de Santa Cruz. Una semana después, el Gobierno todavía retenía a Sandóval en La Paz, y a los “indeseables” de Santa Cruz fuera del centro de esa ciudad... [ler mais]
Um Governo gordo para o emagrecimento do povo português 10-2019
Assembleia da República está no segundo dia do debate do programa do governo PS/Costa, um debate que o governo quer que seja “digno” e numa casa, que dizem ser da “democracia”, que não uma “tabacaria”. O Costa não gostou do tom nem dos assuntos levantados pelo chefe da outra parte do bloco central de interesses, fugiu-lhe, outra vez, o tique para o autoritarismo quando se sente acossado, não escondendo que o seu programa não passa do mais do mesmo. Se um dos opositores foi mais agressivo, a chefe de outro partido da oposição não teve rebuço em manifestar a sua inteira receptividade para o acasalamento geringonço e o líder de uma das outras muletas apoiantes do anterior governo fez questão em manifestar-se manso nas críticas ao programa governamental.
As prioridades apresentadas pelo PS no governo são ao mesmo tempo vagas, ao contrário da linguagem em que são redigidas, e demagógicas porque o governo e o PS sabem bem que não são para ser cumpridas no sentido literal das ditas, a sua política será a de satisfazer os interesses da burguesia nacional rentista e obedecer aos ditames de Bruxelas, como ficou bem patente na aceitação das críticas feitas ao putativo “esboço” (será mais do que isso) da proposta de Orçamento de Estado para 2020, que terá apresentado riscos de “desvio significativo” face às regras europeias, tanto no défice estrutural como na despesa; Bruxelas exigiu de imediato que fossem feitos acertos de 1,4 mil milhões através de novas medidas austeritárias. As prioridades de reduzir as desigualdades sócio-económicas entre os portugueses, inverter a tendência demográfica, combater as alterações climáticas e a corrupção, são boas intenções que ficam exactamente por aí.
A distribuição do rendimento pouco ou nada tem a ver com o crescimento económico. Se há diferenças de riqueza entre os portugueses ou entre as diversas classes sociais em Portugal, isso deve-se ao sistema de produção e de distribuição dos rendimentos, nada tem a ver com o crescimento do PIB. E quando se fala de “crescimento económico”, está-se a fazer referência é ao aumento dos lucros das empresas, ou seja, à concentração do capital nas mãos de um pequeno punhado de capitalistas – nada mais. Neste momento 0,1% da população mundial, os muito ricos, possui 30% da riqueza global, ou seja, tanto quanto os 50% da população mais pobre. É esta tendência que se verifica em Portugal, com a previsão do crescimento do número de ricos nos próximos anos. Manter-se-á a crescente divergência da distribuição do rendimento nacional e a continuação dos baixos salários, que continuarão a ser baixos em média mesmo com a subida propagandeada pelo governo do SMN para os 750 euros até ao fim da legislatura; montante ainda longe da média europeia dos 850 euros ou dos 900 euros da vizinha Espanha. Sem salários dignos e sem perspectivas no horizonte de uma carreira profissional estável, nenhum jovem estará disposto a ficar no país ou a constituir família... [ler mais]
Jorge de Sena (1919-1978) 10-2019

NO PAÍS DOS SACANAS

Que adianta dizer-se que é um país de sacanas?
Todos os são, mesmo os melhores, às suas horas,
e todos estão contentes de se saberem sacanas.
Não há mesmo melhor do que uma sacanice
para poder funcionar fraternalmente
a humidade de próstata ou das glandulas lacrimais,
para além das rivalidades, invejas e mesquinharias
em que tanto se dividem e afinal se irmanam.

Dizer-se que é de heróis e santos o país,
a ver se se convencem e puxam para cima as calças?
Para quê, se toda a gente sabe que só asnos,
ingénuos e sacaneados é que foram disso?

Não, o melhor seria aguentar, fazendo que se ignora.
Mas claro que logo todos pensam que isto é o cúmulo da sacanice,
porque no país dos sacanas, ninguém pode entender
que a nobreza, a dignidade, a independência, a
justiça, a bondade, etc., etc., sejam
outra coisa que não patifaria de sacanas refinados
a um ponto que os mais não são capazes de atingir.
No país dos sacanas, ser sacana e meio?
Não, que toda a gente já Ee pelo menos dois.
Como ser-se então nesse país? Não ser-se?
Ser ou não ser, eis a questão, dir-se-ia.
Mas isso foi no teatro, e o gajo morreu na mesma... [ler mais]
Apoyar la lucha del pueblo catalan, un deber de las y los comunistas (Sugarra) 10-2019
«No dudamos en apoyar pueblo de Catalunya y por ello, llamamos a participar en todas las movilizaciones que con ese motivo se convoque en Euskal Herria.
La sentencia del Tribunal Supremo por la que condena a un total de 100 años de cárcel a los dirigentes nacionalistas catalanes y que se hizo público el pasado 14 de octubre, ha puesto en evidencia, por si hubiera alguna duda, la verdadera catadura de la “democracia” burguesa española.
Afortunadamente, como cabía esperar, la respuesta del pueblo catalán ha sido inmediata. La amplísima movilización de rechazo, se inició nada más haber tenido conocimiento de la sentencia. También en Euskal Herria se ha dejado sentir la repulsa a esta agresión injustificable contra un derecho básico de todos los pueblos y naciones, como es el DERECHO DE AUTODETERMINACIÓN. 
Independientemente de cuál sea, en estos momentos, el carácter de clase (burgués o pequeño burgués) de la dirección del movimiento popular, a pesar de que la clase obrera catalana no se encuentre todavía en condiciones de encabezar la lucha por la liberación nacional; los y las comunistas no podemos encontrar en ello un pretexto para inhibirnos y no apoyar la lucha por la autodeterminación de Catalunya.
Porque eso es, precisamente, lo que hacen los chauvinistas de todo tipo, desde los socialdemócratas de viejo y nuevo cuño, hasta algunos autodenominados “comunistas”, que tratan de justificar su defensa de la sacrosanta “unidad de España” en base a un pretendido “internacionalismo proletario” que, curiosamente les lleva a cerrar filas contra el movimiento popular catalán y con ello a situarse en el mismo bando que la derecha neofascista española.
De ahí que los y las comunistas vascas no dudemos en apoyar con toda decisión al hermano pueblo de Catalunya y por ello, llamamos a participar en todas las movilizaciones que con ese motivo se convoque en Euskal Herria... [ler mais]
Declaração final do XXI EIPCO 10-2019
«O 21º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários aconteceu novamente na Turquia, após quatro anos, desta vez em Izmir, sob a responsabilidade mútua do KKE e do TKP. Os 137 participantes, representando 74 partidos de 58 países, expressam sua gratidão comum a ambos os partidos por assumirem essa responsabilidade.
Este ano é o centésimo aniversário da fundação do Komintern. Testemunhamos inúmeras situações que nos provam repetidas vezes a importância da solidariedade e das lutas conjuntas dos partidos comunistas, assim como a união dos esforços revolucionários para a superação do capitalismo como um sistema mundial destrutivo e sem futuro.
Milhões de pessoas em todo o mundo veem seus direitos atacados e estão passando por um agravamento dos problemas – pobreza, desemprego, refugiados e migração; todos os quais são resultados de um sistema social historicamente ultrapassado. A intensificação das contradições de classe e as rivalidades interimperialistas são resultantes do desenvolvimento baseado nos critérios de garantia de lucro para os monopólios e exploração.
A contradição trabalho x capital está se aprofundando, juntamente com o caráter opressivo e agressivo explorador do capitalismo, e são as classes trabalhadoras que arcam com o fardo, como sempre.
A competição, as zonas de guerra e as tensões estão aumentando, como consequência da agressão imperialista. As crescentes ações militares, agressões, operações de desestabilização, sanções e bloqueios são promovidas pelas potências imperialistas, com o protagonismo dos EUA e das outras poderosas forças capitalistas da União Europeia. A pressão da OTAN sobre os Estados membros para expandir seus gastos militares, aumentar as despesas com armas nucleares e pesquisas espaciais para fins militares, planejando estabelecer um “exército europeu”, com exercícios e treinamentos militares, não visa criar segurança e paz no mundo, mas sim promover os interesses dos monopólios e impor o domínio imperialista aos povos do planeta... [ler mais]
O Programa Do Governo Para A Educação (Paulo Guinote) 10-2019
«Reestruturação da carreira docente com o objectivo de reduzir escalões acessíveis à generalidade dos docentes e reservando o topo (provavelmente restrito aos órgãos de chefia como o Arlindo publicou, de forma prematura, há uns meses) para uma minoria ainda mais escassa do que a prevista nos tempos dos titulares com justificações falaciosas como a seguinte, em que “estáveis” tem o significado de “estagnadas” anos a fio no mesmo escalão e “de desenvolvimento previsível” significa apenas que a progressão salarial será mais demorada e menor, com mecanismos de estrangulamento a manterem-se ou a agravar-se, pois “imprevisível” é estar agora anos à espera que desbloqueiem vagas para que quem cumpriu tudo possa progredir. Quem “instabilizou” a carreira foram os governantes do sector com as suas medidas. E reparem que o modelo de progressão nas “carreiras especiais” é apresentado como inibidor de se premiar a subserviência, desculpem, a excelência. 200 milhões de euros por ano é muito dinheiro? A sério?
O debate em torno das carreiras da Administração Pública é inevitável. As progressões na Administração Pública custam todos os anos 200 milhões de euros. Deste valor, quase 2/3 é gasto em carreiras especiais em que o tempo conta no processo de progressão, e que cobre cerca de 1/3 dos trabalhadores do Estado.
Este desequilíbrio deve ser revisitado. O aumento desta despesa não pode continuar a limitar a política salarial na próxima década e a impedir uma política de incentivos na Administração Pública que premeie a excelência e o cumprimento de objetivos predefinidos.
(…)
Não é possível pensar na concretização de políticas públicas de educação alheadas de profissionais com carreiras estáveis, valorizadas e de desenvolvimento previsível... [ler mais]
TKP: Seguimos o caminho de Lenine 10-2019
«O 21º Encontro de Partidos Comunistas e Operários é convocado no centenário da fundação da Internacional Comunista, uma organização cuja importância histórica para o movimento comunista é incontestável.
A Internacional Comunista foi fundada em uma época em que os bolcheviques pensavam que o processo iniciado com a Revolução de Outubro de 1917 continuaria em outros países e que a classe trabalhadora chegaria ao poder em pelo menos parte da Europa. Nesse sentido, a Internacional Comunista não era uma organização de solidariedade ou recomendações. A Internacional Comunista foi fundada para estabelecer a vontade comum, um centro revolucionário que o proletariado precisava para dar o golpe mortal ao capitalismo. Nesse sentido, não há erro em chamar a Terceira Internacional de Partido Mundial.
Camaradas, o poder que a Internacional Comunista alcançou em pouco tempo pode nos confundir. No entanto, embora tenhamos começado em março de 1919, não esqueçamos que a Internacional Comunista foi fundada com recursos extremamente escassos, que as delegações que vieram de diferentes países ao Congresso fundador não tinham muito poder de representação e que a maioria dos partidos membros não tinham muito peso em seus próprios países. Se deixarmos de lado os bolcheviques, que tomaram o poder na Rússia apenas um ano e meio antes, a Internacional Comunista foi fundada por partidos ou grupos com pouca efetividade.
No entanto, agiram com grande afirmação, entusiasmo, determinação e otimismo. A profunda crise em que o capitalismo estava caindo e a mobilização de milhões de proletários diante dessa crise foram suficientes para os comunistas. Eles se concentraram em sua missão e responsabilidade histórica em oposição às suas fraquezas e estavam convencidos de que a burguesia poderia ser derrotada e será derrotada. Dessa maneira, os Partidos Comunistas que foram fundados com a ajuda dos bolcheviques não apenas se tornaram uma força importante em pouco tempo e lutaram para levar a classe trabalhadora ao poder, em certos casos, mas também tiveram sucesso, mesmo que fosse por pouco tempo. Hoje, ninguém deve acusar as tentativas revolucionárias da Hungria, Eslováquia, Alemanha e outros países de aventureiras. Aqueles que lutaram pelo poder revolucionário permaneceram fiéis à filosofia fundadora da Internacional Comunista e falharam por várias razões... [ler mais]
XXI EIPCO: O lema do "Manifesto Comunista" ainda é oportuno: “proletários de todos os países, uni-vos!” (Discurso do Secretário Geral do KKE) 10-2019
«A análise leninista do imperialismo, a teoria do desenvolvimento desigual e do fraco “elo” em um país ou grupo de países e as tarefas de cada partido comunista com base nessa teoria, a própria experiência histórica do século passado, levam inequivocamente à conclusão de que o campo da luta nacional permanece dominante sem que isso seja finalmente interpretado como uma renúncia à necessidade de coordenação e a elaboração de uma estratégia e atividade conjuntas dos comunistas em todo o mundo. É uma necessidade que está ganhando importância ainda maior, uma vez que a internacionalização capitalista assumiu formas superiores, não apenas no campo da economia, mas também no nível político, também através da formação de organizações interestatais internacionais e regionais da OTAN, da UE, do FMI, etc.
Nosso Partido, desde sua fundação, está comprometido com os princípios do internacionalismo proletário. Por 100 anos, ele lutou de forma consistente e não abandonou esses princípios. Como uma seção da Internacional Comunista, ele recebeu grande ajuda em sua formação como Partido de Novo Tipo. Ao mesmo tempo, sofreu as consequências negativas dos problemas de imaturidade teórica e também de oportunismo que surgiram no Movimento Comunista Internacional, mas nunca negou a necessidade de uma estratégia única no movimento comunista contra o imperialismo, para o socialismo. Não teorizou na direção errada experiências negativas. Nunca cometemos o erro de justificar nossos erros ou deficiências, passando responsabilidades para outras pessoas, fora de nós, mesmo que as opções e decisões internacionais nos afetassem negativamente.
Em particular, certas questões que têm a ver com aspectos da estratégia do Movimento Comunista, nas décadas anteriores, nos fornecem lições valiosas para o presente e devem ser discutidas no movimento comunista, porque de vários lados existem opiniões ideológicas e formulações equivocadas que muitas vezes foram colocadas em prática e fracassaram, levando o movimento revolucionário à derrota e ao revés, finalmente alcançando sua extrema expressão contrarrevolucionária. Gostaria de abordar essa questão um pouco mais especificamente, em breve, sem dar, é claro, alguma prioridade a nenhuma delas... [ler mais]
Chile: uma nova revolução dos centavos (Manuel Riesco) 10-2019
«Bem, a Terceira Revolução dos Centavos começou. É grande e vamos ver no que vai dar. As anteriores, em 1949 e 1957, se espalharam muito rapidamente. E tiveram um grande impacto, especialmente a segunda, que revogou a lei amaldiçoada e estabeleceu a cédula eleitoral única, que abriu caminho para os grandes eventos da década seguinte.
Um grande protesto contra o transporte público era inevitável, o estranho é que ele não explodiu antes. É uma tortura diária para milhões de trabalhadores, para cujo fim o sindicato do Metrô deu o slogan preciso: estatizar o Transantiago e iniciar imediatamente o grande plano de cobrir a cidade com corredores exclusivos, além de acelerar as novas linhas de metrô.
O sistema político deve dimensionar a magnitude do descontentamento acumulado por décadas. Isto não se resolve com repressão ou remendos, tentando reprimi-lo nas circunstâncias atuais apenas o agrava. A Oposição deve considerar aderir como está fazendo com as 40 horas, para apoiar decisivamente o protesto, exigir o fim da repressão e rejeitar a ideia de legislar reformas tributárias e previdenciárias que apenas agravam os abusos. Mas há pouco que eles possam fazer com o protesto, porque o slogan “que todos se vão” será ampliado e com razão. Somente trabalhadores, estudantes e organizações sociais em geral podem liderá-lo.
Todo o sistema político, começando com o presidente, faria bem em lembrar as palavras do ex-presidente Arturo Alessandri ao promulgar a Constituição de 1925: “Não há exceção na história à lei que leva os povos à hecatombe, quando adiam as reformas necessárias”. Em vez disso, o governo descreveu milhões de manifestantes como criminosos, decretou o estado de emergência. Na noite da eclosão da revolta, eles deixaram o centro da cidade livre para os manifestantes, como fez o general Gamboa, chefe da praça em 1957, que retirou a polícia, abriu as prisões e depois atirou nas pessoas. O presidente anunciou que vai “tapar os ouvidos com cera” para não ouvir. Isso pode isolá-lo de maus conselhos, mas também do clamor do povo. Agora é tarde demais, eles estão enfrentando o maior surto popular que a capital viveu.
A Terceira Revolução dos Centavos continua sua marcha acelerando o ritmo. Em seu primeiro dia, Santiago ficou paralisado, o caçarolaço abrangeu toda a cidade, incluindo pela primeira vez bairros ricos. O protesto durou da noite para o dia, como não ocorria desde os anos 80. Incendiaram o arranha-céu da companhia de energia da capital, que acabara de aumentar as tarifas de forma abusiva... [ler mais]
PCPE: Abaixo a repressão na Catalunha! 10-2019
«O Secretariado Político do PARTIDO COMUNISTA dos POVOS da ESPANHA (PCPE) e o Comitê Executivo do PARTIDO COMUNISTA do POVO da CATALUNYA (PCPC), diante da decisão do Supremo Tribunal em que foram julgados vários líderes políticos e sociais catalães, DECLARAM:
A sentença, conhecida hoje, é outra expressão da profunda crise do poder burguês no Estado espanhol atual. Como sempre, na história do domínio da burguesia, o atual bloco de poder responde com repressão às divergências políticas que questionam seu atual domínio. Nesse caso, implementando o aparato judicial, a serviço da ditadura da classe dominante.
Esta sentença não resolverá de maneira alguma o problema da alta instabilidade política que a oligarquia espanhola enfrenta, seu sistema político parlamentar e a monarquia Bourbon. Novamente, a repressão será mostrada como uma prática desesperada que, longe de resolver qualquer problema, apenas aumentará suas dimensões.
A instrumentalização que os diferentes poderes estabelecidos fazem do Supremo Tribunal, a filtragem intencional da sentença, a renúncia de uma sentença por rebelião e a vergonhosa manipulação mediática desta questão pelos principais meios de propaganda ligados ao poder, também não resolvem nenhum aspecto do problema. Seus promotores não serão capazes de esconder ou ocultar a repressão aos direitos do povo catalão e suas legítimas aspirações nacionais. As declarações imediatas à notificação da sentença, por parte dos partidos do bloco do poder, mostram a sintonização dos agentes políticos em sua submissão aos interesses da oligarquia... [ler mais]
XXI EIPCO: A luta pela paz e o socialismo continua! (Documento do Partido Comunista da Venezuela) 10-2019
«O 21º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários ocorre em tempos de maiores ameaças aos povos e à classe trabalhadora do mundo. Como consequência do aprofundamento da crise geral do sistema capitalista em sua fase imperialista, intensifica-se a feroz competição entre capitais monopolistas pelo controle de matérias-primas, fontes de energia, desenvolvimentos técnico-científicos e mão de obra qualificada e batata, dos mercados ampliados, das rotas de comercialização de mercadorias e zonas geoestratégicas.
A deterioração da hegemonia econômica dos monopólios estadunidenses é expressa em uma política cada vez mais agressiva e hostil do governo dos EUA. Essa política consiste no uso do poder militar dos EUA, do protecionismo e da ainda maior preponderância na economia mundial, para obter pela força vantagens que não podem mais ser alcançadas pelo livre mercado, em virtude da defasagem competitiva de seus monopólios.
Nessa estratégia se inscreve sua política de confrontação no campo comercial, científico-técnico, militar, político e cultural com a República Popular da China; bem como as sanções contra a Rússia, o Irã e até as tarifas impositivas estabelecidas sobre as mercadorias da própria União Européia.
A agressividade imperialista se revela no aumento das políticas de interfervenção, ocupações e invasões militares, promoção de guerras locais e civis e aplicação de sanções ilegais e unilaterais contra países e povos.
A região mais afetada pela violência imperialista continua sendo o Oriente Médio. A guerra no Iraque, Síria e Iêmen, as agressões persistentes do Estado sionista de Israel contra a Palestina, Síria, Líbano e Iraque e a disseminação de conflitos por toda a região desde o surgimento do estado islâmico demonstram a intensa luta interimperialista e intercapitalista pelo controle dos recursos e oportunidades geoestratégicos oferecidos por essa região.
O Partido Comunista da Venezuela expressa sua solidariedade para com o povo da Síria e da Palestina, vítimas da feroz agressão imperialista e sionista. Da mesma forma, condenamos a guerra imperialista selvagem contra o povo iemenita e as intenções de dividir seu território.
O Plano imperialista para a América Latina e o Caribe.. [ler mais]
Tirem as mãos da Síria! (TKP) 10-2019
«Há cerca de oito anos, começaram as manifestações antigovernamentais na Síria. Essas manifestações logo se transformaram em um levante armado e confrontos em certas cidades. Então, juntamente com o envolvimento de forças estrangeiras, começaram a guerra civil e a ocupação das potências imperialistas lideradas pelos EUA.
Naquela época, os planos do imperialismo estadunidense para o Oriente Médio estavam em vigor. O governo do AKP (Turquia) estava mais do que ansioso por desempenhar o papel de ator principal nesses planos. Os Estados Unidos e o AKP começaram a armar e treinar vários grupos contra o governo de Assad, na Síria. A OTAN, a MIT (Agência Nacional de Inteligência da Turquia) e a CIA se reuniram na Síria. Gangues jihadistas foram equipadas com as armas mais modernas. Exércitos foram estabelecidos além dessas gangues. A Turquia assumiu a responsabilidade pelo treinamento desses exércitos. Como se isso não bastasse, foram realizadas reuniões em Antália e Istambul com os representantes dessas quadrilhas. Os membros das gangues receberam salários da Turquia. O AKP, além de interferir nos assuntos internos do nosso vizinho, a Síria, assumiu o papel de provocar diretamente uma guerra civil naquele país. No entanto, o processo não se desenrolou como previsto pelos EUA e pelo AKP. O povo da Síria resistiu contra a ocupação imperialista e as gangues reacionárias.
Por outro lado, o povo da Síria pagou um preço muito alto nesses oito anos. A Síria perdeu centenas de milhares de membros de seu povo. Milhões foram deslocados. Foram submetidos à escuridão medieval em meados do século XXI. Em algumas regiões, os moradores foram submetidos à barbárie e ao fanatismo mais selvagens... [ler mais]
TUDO O QUE VOS ESCONDEM SOBRE A OPERAÇÃO TURCA «FONTE DE PAZ» (Thierry Meyssan) 10-2019
«A unânime comunidade internacional multiplica as condenações sobre a ofensiva militar no Rojava e assiste, impotente, à fuga de dezenas de milhar de Curdos perseguidos pelo exército turco. Entretanto ninguém intervêm, considerando que um massacre é provavelmente a única saída possível para restabelecer a paz, tendo em conta a irresolúvel situação criada pela França e os crimes contra a humanidade cometidos pelos combatentes e os civis curdos.
Todas as guerras implicam um processo de simplificação: só há dois lados num campo de batalha e todos devem escolher o seu. No Médio-Oriente, onde existe uma quantidade incrível de comunidades e de ideologias, este processo é particularmente terrível uma vez que nenhuma das particularidades destes grupos encontra já espaço de expressão e todos devem aliar-se a outros que detestam.
Quando uma guerra termina, todos tentam apagar os crimes que cometeram, voluntariamente ou não, e por vezes fazer desaparecer os aliados incómodos que desejam esquecer. Muitos tentam reconstruir o passado para se atribuírem a si mesmos o papel de bons. É exactamente a isto que assistimos hoje com a operação turca «Fonte de Paz» na fronteira com a Síria e as reações inacreditáveis que ela suscita.
Para compreender o que se passa, não basta saber que toda a gente mente. É preciso também descobrir o que cada um esconde e aceitá-lo, mesmo quando se constata que aqueles que admirávamos até agora são, na realidade, os malandros.
Se acreditarmos na comunicação europeia, poderemos pensar que os malvados Turcos vão exterminar os bonzinhos Curdos, que os sábios Europeus tentam salvar apesar dos covardolas Norte-Americanos. Ora, nenhum destes quatro poderes joga o papel que se lhes atribuí.
Primeiro, convêm recolocar o evento actual no contexto da «Guerra contra a Síria», da qual ele não passa de uma batalha, e no contexto do da «Remodelagem do Médio-Oriente Alargado», do qual o conflito na Síria não passa de uma etapa. Por ocasião dos atentados do 11 de Setembro de 2001, o Secretário da Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, e o seu novo director de «Transformação da Força», o Almirante Arthur Cebrowski, adaptaram a estratégia do Pentágono ao capitalismo financeiro. Eles decidiram dividir o mundo em duas zonas: aquela que seria a da globalização económica e a outra que seria vista como uma simples reserva de matérias-primas. Os exércitos dos EUA seriam encarregados de suprimir as estruturas de estado nesta segunda região do mundo a fim de que ninguém pudesse resistir a esta nova divisão do trabalho. Eles começaram pelo «Médio-Oriente Alargado»... [ler mais]
XXI Encontro Internacional dos Partidos Comunistas e Operários (XXI EIPCO): Avançar a luta anticapitalista e anti-imperialista (PCB) 10-2019
«Em nome do Partido Comunista Brasileiro saúdo a todos a os partidos comunistas e operários presentes nesse XXI EIPCO, em especial os Partidos Comunistas da Turquia e da Grécia, que, além do exemplo de luta, firmeza ideológica e coerência política que apresentam, assumiram a organização deste encontro. Saudamos também especialmente o 70º aniversário de fundação da República Popular da China.
A conjuntura mundial revela incertezas quanto ao desenvolvimento do capitalismo no futuro próximo, com a possibilidade de manutenção de taxas de crescimento baixas nos Estados Unidos e na Europa ou de início de recessão. Na esfera política, a abertura do processo de impeachment contra o presidente Trump pode representar uma redução da força dos EUA no plano internacional, o que, dentre outros efeitos, tende a aliviar a pressão sobre a Venezuela, e reforça a candidatura democrata à presidência que, se vitoriosa, não alterará a natureza imperialista do Estado americano, mas poderá abrir algum espaço para maior organização e luta da classe trabalhadora em seu país.
Na Europa o Movimento Comunista enfrenta uma ofensiva ideológica da extrema-direita, materializada com a recente aprovação da resolução que criminaliza o comunismo no Parlamento Europeu. A recente derrota eleitoral da direita na Espanha, em Portugal e em outros países não significou a vitória da esquerda socialista e comunista, mas sim o desgaste das políticas neoliberais e a retomada de movimentos populares em defesa dos direitos dos trabalhadores, o que tem levado setores da classe dominante a buscar novos arranjos de poder político que possam “suavizar” os efeitos do liberalismo sem abrir mão dele, em sua essência, com o oferecimento de crescimento econômico, novas políticas compensatórias e concessões localizadas de retomada de alguns direitos.
Esse quadro se assemelha na América Latina, em que se destaca o caso da Argentina, onde a iminente vitória do Peronismo, com Fernandez e Cristina, representa a derrota do ultraliberalismo de Macri, que levou o país a uma grave crise econômica e social. Essa mudança ajuda a isolar mais ainda o governo de direita brasileiro de Bolsonaro e a fortalecer as conquistas do processo Bolivariano na Venezuela... [ler mais]
Governo PS/Costa II, evolução na continuidade e… o povo continua a pagar 10-2019
É conhecido o novo governo que de “novo” somente tem o nome. Algumas caras novas que vêm do aparelho por promoção ou do círculo de amigos do partido, diversos carreiristas e arrivistas, embora sejam apresentados como “independentes”, um deles, por sinal, militante ainda há pouco tempo do PSD, o que poderá ter algum significado. Um outro, advogado de negócios, com a pasta da Economia já pôs os patrões a saltitar de contentes. É mais do mesmo, um governo aparentemente não geringonço, os parceiros escaldados pelo resultado eleitoral disponibilizam-se para affair pontual ou quanto muito uma união de facto serial que é, ao cabo e ao resto, uma união entre todos os deputados honrados da nação. O PS/Costa irá negociar todos os apoios com todos e com cada partido em separado e caso a coisa corra mal facilmente se apresentará como vítima e desencadeará eleições antecipadas, a fim de alcançar a maioria absoluta tão desejada. A situação económica do país nos próximos tempos levará a grandes dramatismos parlamentares, e não só.
O governo PS/Costa II será um governo ainda mais fiel representante e executor dos interesses e vontades da nossa burguesia rentista e inútil, sempre encostada ao Orçamento do Estado, bem como um servil lacaio dos ditames de Bruxelas, obedecendo aos critérios das contas públicas, com o “esboço” (será mais do que isso) do OE para 2020 já entregue e à espera da aprovação dos burocratas ao serviço da imperialista Alemanha. Se o FMI reviu em alta a projecção para Portugal, um crescimento de 1,9%, mais 2 décimas do que em Julho, a verdade é que também prevê um abrandamento até 2024, apenas 1,6% em 2020 e 1,5% no final do período considerado. Situação que, na realidade, deverá ser mais grave (não será uma profecia da desgraça), já que o mesmo FMI considera que a economia mundial está a abrandar de forma sincronizada, ou seja, é global, com um crescimento de apenas 3% ao ano, com os países mais desenvolvidos a entrar em estagnação, apenas 1,7%. As razões não serão exactamente as apontadas por aquele organismo do capitalismo internacional, a guerra comercial entre os EUA e a China ou outras disputas internacionais, por exemplo, entre o Japão de a Coreia do Sul, mas as contradições inerentes da economia capitalista, entre a necessidade de acumulação e concentração capitalista e os limites dos mercados, entre eles, o poder de compra dos cidadãos, estes cada vez mais empobrecidos.
A economia portuguesa é uma economia capitalista, agravada pelo facto de ser subsidiária de economias europeias mais fortes, indo directamente a reboque da economia dos nuestros hermanos, com um aparelho produtivo semi-destruído e envelhecido, por força da entrada da UE e das imposições orçamentais que impede novos investimentos por parte do estado e que, por sua vez, iria dinamizar o investimentos pelo lado dos capitalistas nacionais mais activos, e como tal será sempre uma economia completamente dominada pelos interesses dos bancos e do capital financeiro em geral, com o papel do estado, ou melhor, do governo de turno que o gere, a passar para domínio público a dívida dos privados, sejam bancos ou outras empresas privadas. As prioridades do governo vão ser: aumentar, em termos absolutos, a dívida pública, apesar de ligeira descida em termos percentuais do PIB; privatizar, embora parcial ou disfarçadamente, o que ainda seja privatizável, e os dinheiros da segurança social continuam a ser um petisco apetecível para bancos e fundos financeiros; os salários dos funcionários e as pensões dos reformados continuarão a ser um alvo potencial para cortes, nominais ou reais através da inflação – são alertas feitos ainda há pouco pelo Conselho das Finanças Públicas (CFP), que não partilha do mesmo optimismo do governo... [ler mais]
La movilización en todo los Países Catalanes. El único camino es el ejercicio del derecho de autodeterminación (Endavant) 10-2019
«Ante la sentencia que condena a casi 100 años de prisión parte de la anterior presidenta del parlamento y el anterior gobierno autonómicos y los dirigentes de lo ANC y Òmnium, Endavant OSAN queremos hacer las siguientes valoraciones:
La sentencia es un nuevo montaje judicial para lanzar un mensaje amenazante contra el independentismo y demostrar hasta donde llega el poder del estado y  donde este es capaz de usarlo y de saltarse sus propias leyes. Y es, a la vez, una nueva demostración de la debilidad de un estado que, ante sus enormes contradicciones, solo tiene como salida reforzar su carácter autoritario y demostrar un golpe más que el estado español, como proyecto nacional y de clase, es irreformable.
Esta represión ha vivido hoy un nuevo episodio de una larga historia. El estado español solo ha podido sostener su proyecto nacional y de clase a través de un represión sistemática y generalizada contra todas aquellas personas que han osado cuestionar los cimientos sobre los cuales este estado se estaba construyendo.
Esta represión, ahora y aquí, no se ciñe solo a las nueve personas condenadas hoy en prisión. La sentencia de hoy tiene relevancia por quién son las personas condenadas, pero como sentencia de represión política es una más en esta oleada represiva que nuestro pueblo hace dos años que sufre: son también los otros presos políticos, las personas que han tenido que marchar al exilio y los centenares de personas encausadas en procesos judiciales derivados de las movilizaciones de estos últimos dos años... [ler mais]
Equador: diante da crise, rebelião popular! (PCP) 10-2019
«Saudamos o levante popular no Equador, ao mesmo tempo em que repudiamos com força a histórica atitude das patronais imperialistas e pró-imperialistas, responsáveis por agudizar os níveis de exploração e total indiferença para com a justiça social, em total detrimento das maiorias trabalhadoras que tudo produzem e que devem suportar o roubo diário da classe exploradora.
A crise política, econômica e social que vive hoje o Equador não pode ser entendida unicamente na raiz da imposição de medidas econômicas ordenadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) ao governo equatoriano de Lenin Moreno, como contrapartida à aprovação de um empréstimo de 4 bilhões e 200 milhões de dólares para se implementar por meio de um programa econômico de três anos. A saturação da classe trabalhadora equatoriana deve ser entendido como resultado dos sucessivos ataques aos direitos adquiridos através de históricas lutas, direitos que foram progressivamente pisoteados pelo aprofundamento da crise capitalista, uma crise que não é apenas econômica e financeira, mas também ecológica e – sobretudo – civilizatória.
O governo de Lenin Moreno anunciava há cinco dias a eliminação dos subsídios e a redução do gasto público, o que provocou automaticamente o aumento do combustível e, por conseguinte, de todos os bens, principalmente do preço dos alimentos.
Esta medida antipopular se soma à avalanche de medidas antioperárias impulsionadas pelo Executivo, a exemplo dos milhares de desempregados no setor público, da falta de emprego, da precarização do trabalho, da corrupção institucionalizada, do desmantelamento das escolas do milênio e do denominado “Sumak kawsay” ou bem viver, em língua quechua, recordando uma vez mais ao povo que, quando o capital entra em crise, somente conhece uma saída, e essa é a de avançar sobre os direitos da classe trabalhadora em seu afã de garantir o processo de acumulação... [ler mais]
A China, Hong Kong e a esquerda de que a direita gosta (Mário Maestri) 10-2019
«O projeto de Lei de extradição foi retirado, mas as manifestações prosseguiram ainda mais furiosas, desde então sem pauta de exigência, a não ser as fantasiosas reivindicações de independência do paraíso fiscal e bancário ou de sua volta ao status de colônia inglesa. Bandeiras estadunidenses e inglesas são levantadas nas manifestações, enquanto bandeiras chinesas são queimadas. Líderes do movimento conversam com políticos yankees e britânicos e foram recebidos por Trump. 
As manifestações mantêm-se por mais de meio ano. Elas dificultam a vida em Hong Kong e melaram a cuidadosamente organizada celebração dos 70 anos da Revolução Chinesa. Centros administrativos e o aeroporto internacional foram ocupados; mobiliário urbano, foi destruído; a polícia tem sido atacada, mesmo em seus quartéis; o valor da moeda local tem caído. Porém, jamais foi realizada repressão forte, que pusesse fim ao movimento, por parte das autoridades locais ou do governo chinês, que tem o direito legal de fazê-lo.
Hong Kong é peça central da partida de xadrez que o imperialismo estadunidense joga contra a China. Desde 1997, promoveram-se manifestações pela “democracia”, esperando que, ao espalharem-se pelo continente, contribuíssem para a ruína do poder central e para a explosão da unidade nacional chinesa, como aconteceu na URSS, em 1990. O imperialismo sonhava com a retomada do movimento reprimido há trinta anos, na Praça da Paz Celestial. Esperava uma “revolução de veludo” de olhos puxados, falando mandarim. Uma explosão hoje mais do que improvável, devido ao atual avanço econômico do país.
Porta-avião yankee
Atualmente, com as manifestações em Hong Kong, o imperialismo procura sobretudo comprovar a inviabilidade da aplicação da proposta chinesa de “um pais, dois sistemas” em Taiwan. Pois, se ela se efetivar, constituirá uma terrível e irremediável derrota para os Estados Unidos. A uns 180 km da costa chinesa, a ilha de Formosa tem mais de 23 milhões de habitantes em uma extensão territorial pouco menor do que a do Estado do Rio de Janeiro.  Mais de 95% da população da ilha é etnicamente chinesa... [ler mais]
Restauração Capitalista na China (Francisco Martins Rodrigues) 10-2019
«Acenar com os tremendos êxitos económicos da China e debater, como insistem em fazer alguns no campo da esquerda, se o regime chinês ainda cabe ou não no conceito de socialismo, se é um “socialismo de mercado”, ou um “socialismo com mercado”, susceptível de vir a sofrer uma evolução positiva, dado que o poder continua nas mãos do Partido Comunista – é uma utopia que dá a medida do abastardamento a que chegou ao longo do último século a noção de socialismo.
Aquilo a que se tem assistido na China ao longo da última década é ao florescimento com espantosa velocidade de uma classe capitalista apostada em expropriar os bens públicos por todos os meios possíveis – Yiching Wu chama-lhe mesmo “capitalismo gangster”.
Os mecanismos de mercado, introduzidos para criar algumas aberturas controladas na vida social, pôr a elite governante ao abrigo da insatisfação popular pela despolitização das decisões socioeconómicas, e assim ganhar tempo para enfrentar a competição capitalista global, vieram a transformar-se numa alavanca poderosa da transformação dos detentores do poder em proprietários de capital. Com a conversão em massa dos bens públicos em capital privado, nas mãos dos que controlam o poder político, a imensa riqueza apropriada e acumulada durante as décadas anteriores está a ser lançada no circuito da produção e distribuição capitalista.
E o facto de as alavancas centrais da economia continuarem estatizadas não é garantia de qualquer controle sobre os apetites da nova classe burguesa – pelo contrário, torna ainda mais virulenta a sua ofensiva. As prerrogativas burocráticas não são, ao contrário do que se supõe, antagónicas com o mercado mas coexistem com ele, reforçando-se mutuamente. O chamado neoliberalismo beneficia, no contexto da China, desta proliferação de grupos de interesses dentro do próprio Estado.
Denunciar estas práticas apenas como casos pontuais de corrupção no seio do Estado “socialista” é minimizar o seu significado político e histórico. O crescimento imparável da economia chinesa desde que adoptou as “reformas de mercado” conduz inexoravelmente para um desenvolvimento capitalista, à custa de tremendos custos sociais e políticos: desemprego crescente, exploração intensificada, degradação dos serviços de saúde e educação, explosão da dívida do governo e preços instáveis.
Estamos perante uma grande transformação social, perante uma brutal acumulação capitalista primitiva levada a cabo pelos detentores do poder burocrático e pelas suas redes de influências... [ler mais]
O Che e a economia mundial (Rémy Herrera) 10-2019
«As investigações quanto ao pensamento de Ernesto Che Guevara sobre a economia são numerosas, mas raras são aquelas que abordam a sua dimensão respeitante à economia mundial [1] . De facto, este aspecto é frequentemente deixado de lado, relegado a um plano secundário em relação às posições que ele exprimiu a propósito da política internacional e portanto também compreendido – até mesmo manipulado, tanto para opô-lo artificialmente a Fidel Castro como para virá-lo contra a URSS.
O Che não era economista (de formação académica); talvez tenha sido isto que lhe permitiu pensar tomando vias heterodoxas, recolocar em causa verdades estabelecidas em economia, aventurar-se em reflexões originais e corajosas na época. A realidade das suas responsabilidades no seio da direcção da revolução cubana (comandante militar, dirigente do Banco Central, ministro da Indústria, ...) obrigou-o a articular, nesta dimensão internacional, a dimensão nacional das questões estudadas. Seu pensamento sobre a política internacional não pode ser separado daquele sobre a economia mundial.
Comecemos por um ponto crucial: o Che apoia-se, nos seus raciocínios, sobre o aparelho teórico-prático do marxismo-leninismo. Ele era, agrade-se ou não, comunista. Mas ele manifestou muito cedo uma certa inquietação face à insuficiência do socialismo realmente existentes para desenvolver seus próprios mecanismos económicos para reforçar a sua posição na competição que lhe impunha o sistema capitalista, dominante à escala mundial. Ele disse certa vez: "pertenço pela minha formação ideológica ao campo dos que pensam que a solução para os problemas do mundo encontra-se atrás da cortina de ferro". Mas não hesita em criticar a utilização não crítica de relações mercantis e monetárias no quadro das reformas postas em acção na URSS na década de 1960 – como igualmente também o fez Fidel, por exemplo, no seu discurso do 6º aniversário da revolução cubana (1965). É nesta óptica que é preciso interpretar os apelos lançados pelo Che aos países socialistas para apoiarem os países do Terceiro Mundo e para formarem em conjunto uma frente comum, a fim de modificar as relações de forças mundiais em favor do bloco progressista, em particular para fornecer aos países que acederam à independência os meios de disporem de um escudo de protecção face à agressividade do imperialismo... [ler mais]
Manifiesto Descolonicémonos: 12 de Octubre Nada Que Celebrar 2019 10-2019
«Cada 12 de octubre, parece que estuviéramos en un sueño extraño. Vemos aviones de combate en el cielo, desfiles militares en las avenidas, banderas en los balcones, gritos en las calles, programas en la televisión celebrando el Día de la Hispanidad, y no nos sentimos parte de esta película rancia que parece una nueva edición de Gran Hermano o el Cuento de la Criada.
Lo sentimos porque no olvidamos que el 12 de octubre de 1492 representa el inicio del mayor genocidio de la historia con más de 80 millones de seres humanos asesinados y al menos 20 millones esclavizados. 527 años después, continuamos reivindicando nuestras ancestralidades, afirmando cotidianamente la resistencia, la vida y el amor frente a las políticas de muerte y odio producidas por la colonización. Levantando la acción colectiva comunitaria como forma de organizarnos; aprendiendo y continuando el legado de los pueblos que se reconocen como parte de la Madre Tierra.
Y nos preguntan, ¿¡por qué seguir insistiendo si ya han pasado 5 siglos!? La respuesta es simple, porque este modo de colonización que pone a Europa como centro y modelo, se mantiene.
El saqueo continúa con la complicidad de las empresas extractivistas y de los Estados derivados de la colonización. Mientras, los pueblos originarios mantienen viva su forma de estar en el mundo y resisten protegiendo la naturaleza siendo acorralados, exterminados, criminalizados, ninguneados y silenciados. Ni siquiera las alarmas sobre el ecocidio en la Amazonía, Africa y Oceanía parecen servir para detener el avance de este supuesto desarrollo.
Por su parte, Europa cierra sus fronteras racistas, imponiendo leyes de inmigración inhumanas, manteniendo a nuestras hermanas que trabajan como empleadas domésticas en regímenes de esclavitud, aumentando campos de concentración mal llamados Centros de Internamiento de Extranjeros, convirtiendo el Mediterráneo en la mayor fosa común de la historia. Todo esto en el marco de una ideología machista, tránsfoba y homófoba, que sataniza la diversidad sexual presente en los pueblos originarios... [ler mais]
Tempo de lamber as feridas 10-2019
O nosso primeiro Costa, actual e futuro primeiro-ministro, indicado pelo PR Marcelo, que não perdeu na tarefa premente, já procede aos contactos para geringonça 2.0, possivelmente uma mega-geringonça sem papel escrito. Várias hipóteses se colocam na mesa: geringonça PS/BE com a família bloquista a ocupar algumas secretarias de estado; geringonça mais alargada, incluindo PAN e/ou Livre; geringonça bloco central, com o PSD, nada de contra-natura e partindo do princípio que Rio aguenta a oposição interna; em todas estas hipóteses lá estará o PCP, sem papéis assinados, a apoiar pontualmente medidas e OE's, meio fora e meio dentro, tal está escaldado com o resultado das eleições, o segundo partido que mais deputados e votos perdeu em termos percentuais. Será mais do mesmo quanto a programa político de austeridade suave sobre os trabalhadores e o povo, e a chantagem já foi lançada, ou será assim ou haverá eleições daqui a dois anos; então, sim, talvez se obtenha a tão ambicionada, e embora não abertamente expressa, maioria absoluta para que Costa fique enfim com as mãos totalmente livres.
Nos entrementes, os partidos vão lambendo as feridas e tentar esquecer o desaire que, em diversos graus, atingiu todos os partidos do poder, uns mais do que outros. Se o PSD perdeu as eleições, ainda poderá alcançar geringonça a duo; o PS, embora tenha ganho as eleições, coisa que geralmente acontece quando se está no governo e a economia não descamba e o povo não se inquieta, mas longe da maioria absoluta. BE perde muitos votos mas não perde deputados e mantém posição para até participar em governo, poderá acontecer-lhe o que acabou por acontecer ao Syriza na Grécia, mas desta vez em companhia do PS que, inevitavelmente, será uma questão de tempo, imitará o congénere Pasok. Acontecerá logo a pretexto da crise do capitalismo europeu e global, que se anuncia pela estagnação industrial das principais potências económicas e da especulação imobiliária que atingiu já um grau quase inimaginável. O segundo governo PS/Costa terá um fim fácil de prever – tal como o resultado destas eleições.
A grande preocupação de “toda a gente”, desde o PR Marcelo aos partidos da esquerda parlamentar que andaram com o governo às costas para boa prossecução do objectivo, e disso fazem alarde, é a sacrossanta “estabilidade”. Ainda há pouco, o pouco sagaz secretário-geral da CGTP repetiu a lenga-lenga tão causadora de ansiedade entre as nossas elites: «a estabilidade económica e social não é compatível com a política laboral de direita»; melhor dizendo: dêem-nos umas migalhas que nós garantimos a paz social. Curiosamente, a nossa estimável elite económica e social também partilha da mesma angústia: “A nível social, económico, político e, sobretudo, governativo, há uma palavra comum nos apelos de quase todos os empresários: estabilidade” (Jornal de Negócios, 09/Outubro/2019). Indubitavelmente que o governo PS/Costa nº2, à semelhança do nº1, é governo de inteira confiança da burguesia nacional e de Bruxelas, pese toda a desconfiança instintiva que muitos burgueses sentem em relação ao rótulo de “socialista” ou de “comunista”... [ler mais]
PC do Equador: total repúdio ao pacotaço neoliberal! 10-2019
«Diante do decreto presidencial de aplicação imediata da reforma econômica implantada em 1º de outubro do presente ano de 2019, o Partido Comunista do Equador manifesta seu absoluto repúdio ao conteúdo reacionário e antipopular do decreto que pretende jogar sobre as costas do povo equatoriano todo o peso da grave crise econômica pela qual atravessa o país, tendo ainda por consequência a entrega das receitas fiscais e econômicas aos empresários e às oligarquias nacionais.
Com o pior descaramento, o Presidente Moreno inicia suas decisões econômicas com a suposta contribuição especial dos empresários em um lapso de três anos por um valor de 300 milhões de dólares, sob o argumento de que este valor irá para a seguridade, à educação e à saúde. Ninguém poderá lhe pedir explicações caso não cumpra esta proposta, pois ele já não estará na Presidência ou o dinheiro será devolvido, anulado como foram os quase 5 bilhões dólares perdoados em favor dos empresários meses atrás. O mesmo sucede com o valor agregado cujo imposto também se absolve.
A eliminação do subsídio aos combustíveis causa um aumento no valor da gasolina e do diesel que objetivamente encarecerá todos os produtos, especialmente os de primeira necessidade, que se transportam diariamente pelas estradas e ruas de nosso país. Grande parte dos veículos são de propriedade de médios e pequenos comerciantes, que serão prejudicados em seus ganhos, e os valores das mercadorias serão repassados ao povo consumidor. Sendo esta decisão de imediata aplicação, isto significa que o povo começará a pagar desde 03 de outubro a diferença dos empresários, que terão três anos e talvez muito mais. Termina com as tarifas tributárias aos empresários e abunda em benesses para o setor privado, como o pagamento antecipado dos impostos.
Nestas condições, ninguém poderá, na realidade, se converter em empreendedor, como ironicamente afirma o Presidente. Os bônus são uma máscara para encobrir a agressão econômica contra os trabalhadores e o povo em geral.
A ameaça das reformas trabalhistas é um fato esperado das mãos da maioria patronal e corrupta da Assembleia Nacional. Os ataques aos direitos que este governo empresarial pretende surrupiar diminuem na prática o salário mínimo vital, reduzem as férias a 15 dias e tentam enganar com a ideia de que as medidas criarão novas fontes de trabalho, quando na prática têm provocado mais desocupação a centenas de milhares de trabalhadores, tanto do setor público quanto do privado.
Os direitos dos trabalhadores demitidos, salários, indenizações e outros direitos não são respeitados pelas autoridades do trabalho, que permitem que os patrões burlem descaradamente seus ex-empregados e ex-trabalhadores. As ordens do plano econômico do FMI são cumpridas rigorosamente pelo governo de Moreno e seus ministros, em prejuízo de todo o povo... [ler mais]
Comunistas italianos repudiam falsificação histórica 10-2019
«O secretário geral do Partido Comunista, Marco Rizzo, rasgou a moção que busca equiparar o comunismo ao fascismo.
Os comunistas italianos disseram “foda-se” à União Europeia no sábado, quando milhares de pessoas de toda Itália se reuniram em Roma contra a perigosa moção anticomunista aprovada pelo parlamento europeu no mês passado.
O secretário geral do Partido Comunista, Marco Rizzo, bradou seu pronunciamento enquanto rasgava uma cópia da resolução que iguala o comunismo ao fascismo, recebendo a aplausos das multidões reunidas na Piazza Santi Apostoli, na capital italiana.
Ele condenou a moção que pretende reescrever a história com a alegação de que o pacto Molotov-Ribbentrop de 1939 havia causado a segunda guerra mundial. A resolução também clama pelo apagamento de todos os memoriais do “totalitarismo” em toda a Europa, incluindo aqueles dedicados ao Exército Vermelho.
“Mas sem o Exército Vermelho”, ele disse à multidão, “estaríamos todos falando alemão hoje”, relembrando aos manifestantes que foram as forças do comunismo que derrotaram o fascismo na Europa.
Rizzo alertou que a legislação está sendo usada pela UE de forma a justificar os estados membros a proibirem partidos comunistas e símbolos comunistas.
Os únicos beneficiários dessa legislação seriam a extrema direita, que está crescendo em toda a UE, alertou Rizzo.
A moção foi apresentada pelo grupo de direita do Partido Popular Europeu, mas muitos eurodeputados de países com experiências recentes envolvendo o fascismo votaram contra a moção, incluindo o conservador partido Nova Democracia, da Grécia.
Apesar da natureza reacionária da resolução, ela obteve o apoio de vários partidos socialdemocratas – a maioria dos eurodeputados trabalhistas britânicos votou a favor.
A manifestação também foi convocada para se opor ao novo governo de coalizão da Itália, composto pelo populista de direita Movimento Cinco Estrelas e pelo neoliberal Partido Democrático... [ler mais]
‘Clima'? Siga o dinheiro! (F. William Engdahl) 10-2019
«Clima. Quem diria? A próprias megaempresas e megabilionários por trás da globalização da economia mundial ao longo das últimas décadas, cuja ânsia para garantir alto valor para as ações e forte redução de custos causaram tantos danos ao nosso meio ambiente, seja no mundo industrial seja em economias subdesenvolvidas da África, Ásia, América Latina, são hoje financiadores chefes de movimentos ‘de base', de “descarbonização”, da Suécia à Alemanha e aos EUA e para além. São surtos de consciência culpada? Ou podemos estar diante de agenda mais profunda, da financialização do ar que se respira e muito mais?
Independente de que alguém acredite nos perigos do CO2 e riscos de o aquecimento global criar a catástrofe global de um aumento de 1,5 a 2 graus Celsius na temperatura média nos próximos 12 anos, sempre vale a pena examinar quem está promovendo a atual torrente de propaganda e de ativismo ‘climático'.
Vários anos antes de Al Gore e outros decidirem usar uma jovem sueca para ser o rosto do pôster que promove ação ‘climática' urgente, ou nos EUA a convocação de Alexandria Ocasio-Cortez para compelta reorganização da economia em torno de um New Deal Verde, os gigantes da finança já cerebravam esquemas para canalizar centenas de bilhões de dólares em fundos futuros para investimentos em sua empresas, quase sempre imprestáveis ‘de clima'.
Em 2013, depois de anos de cuidadosa preparação, um empresa imobiliária sueca, Vasakronan, lançou o primeiro papel ‘de clima', a ser comercializado em bolsa, a primeira “Ação Verde”. Na sequência vieram outros, dentre os quais Apple, SNCF e o grande banco francês Crédito Agrícola [fr. Credit Agricole]. Em novembro de 2013, a empresa Tesla, de Elon Musk, então afundada em problemas, lançou o primeiro seguro escorado em patrimônio solar. Hoje, segundo algo que circula sob o nome de Iniciativa de Ações Climáticas [ing. Climate Bonds Initiative, já são mais de $500 bilhões que circulam sob a forma de papéis verdes negociados em bolsa, os Green Bonds. Os criadores desse tipo de papel dizem que seu objetivo é conseguir uma grande fatia dos $45 trilhões de ativos gerenciados globalmente e que assumiram o compromisso nominal de investir em “projetos amigos do clima” [ing. climate friendly]”.
Bonnie Prince Charles, futuro monarca do Reino Unido, com o Banco da Inglaterra e a finança da City de Londres, promoveram “instrumentos financeiros verdes”, liderados pelos Green Bonds, para redirecionar planos de aposentadoria e fundos mútuos no rumo de projetos verdes. Ator chave na conexão entre instituições financeiras e a Agenda Verde é o conhecido presidente do Banco da Inglaterra Mark Carney. Em dezembro de 2015, o Conselho de Estabilização Financeira (CEF) do Banco de Compensações Internacionais [ing. Bank for International Settlements' Financial Stability Board (FSB)], então presidido por Carney, criou a Força-tarefa sobre Informações Financeiras Relacionadas ao Clima [ing. Task Force on Climate-related Financial Disclosure (TCFD)], para assessorar e aconselhar “investidores, instituições de crédito e seguradoras sobre riscos relacionados ao clima.” Sem dúvida, um ‘foco' bem esquisito para banqueiros presidentes de bancos centrais... [ler mais]
Miles de personas se movilizaron en Catalunya con consignas de «ni olvido, ni perdón» y «lo hicimos y ganamos» 10-2019
«Manifiesto de los CDR en el segundo aniversario del 1-O:
Los CDR han difundido un comunicado este martes con motivo del segundo aniversario del 1-O en la que piden acabar con las «acusaciones» y construir «juntas» la república. «Basta acusaciones, bastante señalarnos. Sabemos construir juntas. Lo hemos demostrado un montón de veces», apuntaron los comités, que han apostado por «continuar alturas» y estar «dispuestos no sólo a no dar un paso atrás, sino a hacer un decidido paso adelante «. «Nacimos para defender un referéndum. Crecimos para defender una república, seremos quien hará temblar el enemigo y ganar, no tengáis ninguna duda. Los CDR recuerdan que el Estado es una «bestia malherida, dispuesta a manchar ferozmente aunque saberse perdedora de la batalla».
Los comités han defendido que cada uno construya república «desde su papel»: los que se manifiestan, los que cortan carreteras, los que asisten a asambleas y los que cargan carteles y pancartas en el coche. «Desde no permitir que se lleven nadie más, hasta conseguir que todo el mundo vuelva a casa libre», indicaron.
Los CDR recuerdan que este martes hace dos años que dos millones de personas votaron pero también que «más de 700.000 vieron secuestrado su derecho de votar». «Hoy hace dos años que culminàvem más de 300 años de lucha con un referéndum que defendimos de la violencia desatada del Estado», han continuado.
Los comités han apuntado que se cumplen dos años de la «palizas de la represión policial», una represión que no es nueva, han dicho, pero que «ha ido en aumento». En este punto, destacaron que hay 16 personas en prisión y personas en el exilio por trabajar en política, por ser de un CDR o simplemente por cantar. A esto le han sumado los cientos de personas encausadas por «poner urnas, por cortar carreteras o vías, por defenderse de la persecución del estado español».
A pesar de «propuestas e iniciativas diversas», los CDR han reivindicado que los une un objetivo común, que es construir una república. «Por eso sabemos que lo volveremos a hacer, las veces que sea necesario», advirtieron... [ler mais]
O apodrecimento do regime 10-2019
As alterações ao Código de Trabalho entram em vigor em plena campanha eleitoral, são gravosas para quem é obrigado a vender a sua força de trabalho e não possui outro recurso para poder sobreviver; os patrões esfregam as mãos de contentamento com esta medida que foi aprovada unicamente com os votos do partido do governo, o PS, com a abstenção dos partidos formalmente de direita (por desnecessário votar a favor!) e votos contra dos apoios de marcha do governo, PCP e BE; posição que não prejudicou nem a dita aprovação e muito menos a continuidade do governo. Só por esta, o governo PS/geringonça deveria ser derrubado, mas tal não aconteceu por pura cobardia daqueles dois partidos que se arrogam de “esquerda” (parlamentar).
O descontentamento dos trabalhadores, inevitável à medida que se agravam as suas condições de vida, e a “falta de confiança” (grande preocupação do ex-PR Sampaio), que progressivamente irão sentindo em relação a um regime que para se afirmar prometeu rodos de democracia e de salários condignos, promessa reforçada com a adesão de Portugal à então CEE, mais cedo ou mais tarde conduzirão ao seu apodrecimento.
Este estado de espírito que inicialmente se traduz por uma maior abstenção em actos eleitorais, mais tarde conduzirá ao surgimento de “populismos em qualquer lugar”, incluindo Portugal, e anunciados há pouco por guru internacional e que atemorizou políticos, comentadores e jornalistas arregimentados, mas é a História que nos diz e, entre nós, a experiência da I República não é assim tão longínqua.
Acontecimentos, como o já célebre “roubo das armas de Tancos” e a reacção dos diversos órgãos de poder da República e dos partidos que a sustentam, revelam bem que, em termos objectivos, o regime estará a entrar em estado de putrefacção, e, relembrando o que aqui já afirmámos, o actual PR, monárquico e beato convicto, armando-se as mais das vezes em rei Sidónio e um dos principais candidatos a salvador da Pátria, será ele, à semelhança do padrinho em relação ao regime anterior, que marcará o fim deste regime saído do 25 de Abril.
O ambiente de reflorescimento de populismos e fascismos por essa Europa fora é a aprovação ainda há poucos dias pelo Parlamento Europeu que tanto o nazismo como o comunismo são os responsáveis pela segunda guerra mundial, equiparando-os, numa torpe revisão da História e de simultânea desculpabilização do nazismo. É, ao fim e ao cabo, o encobrimento da cooperação que houve entre as ditas “democracias” europeias, incluindo os EUA, e o nazismo em ascensão... [ler mais]
Caretas fuera: la Unión Europea aprueba una moción que equipara nazismo y comunismo 10-2019
«El Parlamento Europeo ha aprobado una resolución que equipara el comunismo y el nazismo. No hay necesidad de muchas palabras para definir esta infamia, que ofende a la inteligencia, la ética, la historia y los sentimientos de millones de personas, muchas de los cuales perdieron la vida, no solo entregándola en la lucha contra el III Reich durante la II Guerra Mundial, sino incluso para permitir que la eurocámara fuera una realidad. (Nota: Os deputados do PS votaram a favor)
SOLO 66 EURODIPUTADOS/AS VOTARON EN CONTRA DE ESTA RESOLUCIÓN QUE INSULTA LA MEMORIA DE LOS MÁS DE 27 MILLONES DE CIUDADANOS QUE, SOLO EN RUSIA, DIERON SU VIDA POR DERROTAR AL NAZISMO, SALVANDO AL MUNDO DE LA OPRESIÓN BRUTAL DEL III REICH
Al parecer, para este organismo continental, la batalla de Stalingrado fue solo un episodio marginal y Auschwitz fue liberado por los soldados estadounidenses, como en “La Vita é Bella“, la manipuladora película de Roberto Benigni.
Se aprueba, de forma sucia y anti histórica, una resolución que hiede a anticomunismo reaccionario, eurofascista y en última instancia, falsa y ridícula, como el general enloquecido de la película “Doctor Strangelove”, más conocida en España como “Teléfono rojo: volamos hacia Moscú”.
Ante ese desatino, la pregunta que debemos formularnos es: ¿Por qué?
El anticomunismo en Europa ha sido siempre protegido y promovido en los medios de comunicación, valorado social y políticamente como “correcto”, pero esta votación demuestra que la mayoría de esos/as eurodiputados/as jamás creyeron en la lucha contra el totalitarismo, sino que preferían “ese lado”, antes que pertenecer a las filas del marxismo-leninismo.
Socialistas y derechistas, unidos en una misma propuesta. PSOE Y PP piensan de la misma forma.
Los chalecos amarillos, en Francia, están siendo víctimas de la represión “democrática y europeísta”, y antes que ellos los griegos, los españoles, polacos, británicos, catalanes y millones de trabajadores en toda Europa... [ler mais]
KKE: abrindo caminho para o novo, para o socialismo 10-2019
«Todo o jovem que sente aversão à barbárie de hoje tem seu próprio lugar em nossa luta, olhando para a mudança, para a nova sociedade de que precisamos. Porque, afinal, como o poeta de vanguarda da revolução, Vl. Maiakovsky escreveu: “Nós – cada um de nós – seguramos as correias de transmissão do mundo”.
Amigos e camaradas,
Dois meses após as eleições, não é exagero dizer que o ND assumiu apaixonadamente o controle, determinado a completar as pontas soltas das medidas antipopulares que o SYRIZA deixou para trás. Provando que as medidas antipopulares são infinitas, continuam a sobrecarregar o povo de novos encargos, porque isso é exigido pelos “lucros sagrados” dos grandes empreendedores, pela intensificação da exploração, pela abertura de novos campos para o “investimento”.
Do chamado “estado executivo”, ou seja, um estado que serve ao crescimento capitalista explorador, até a nova “lei do desenvolvimento” que abole os acordos coletivos setoriais, promove outro golpe nos direitos sindicais e concede, de maneira provocadora, novos privilégios aos grupos empresariais. Desta forma, o ND dá lições sobre políticas de classe.
Os novos planos de repressão ao movimento trabalhista e popular em que o ND está trabalhando, com os anúncios sobre a flagrante intervenção do Estado e dos empregadores nos sindicatos, provam que a política hostil ao povo anda de mãos dadas com a repressão e o terrorismo dos capitalistas, a fim de estabelecer um “silêncio mortal” nos locais de trabalho e de estudo.
O ND é um partido que serve ao capital, um típico partido burguês. Sua capacidade de projetar esse tipo de governo ainda mais autoritário e reacionário tornou-se tão facilmente possível porque quatro anos de governo do SYRIZA o precederam. Em resumo, o ND caminha sobre o tapete vermelho que o SYRIZA lhe estendeu.
Quem difamava os valores e ideais de esquerda? Quem minou cada tipo de radicalismo? Quem legalizou os memorandos, a UE, restaurou a OTAN e o imperialismo dos EUA? Quem finalmente cancelou os reflexos positivos que existiam no povo e permitiu que o ND aparecesse implementando a estratégia de que o capital precisa? Não há área em que o SYRIZA não tenha estabelecido as bases para o governo do ND implementar sua política reacionária”.
Os fatos são numerosos e “teimosos”:
As facilitações de Mitsotakis para o capital são adicionadas às respectivas iniciativas de Tsipras, como a redução de impostos sobre os dividendos. Os ataques do ND aos direitos sindicais e aos acordos de negociação coletiva seguem a lei de “ataque à greve” do SYRIZA. A privatização de três pilares da previdência social proclamada pelo ND vem completar a “lei da guilhotina” de Katrougalos (ex-ministro do governo SYRIZA).
O perigoso acordo estratégico dos EUA, que está sendo aprimorado pelo ND e prevê que novas bases militares sejam colocadas sob o controle dos EUA, já foi introduzido pelo SYRIZA. Quanto ao meio ambiente, o governo do SYRIZA deu um passo adiante nos crimes ambientais nas áreas de Elliniko (Attica) e Skouries (Chalkidiki), bem como no novo aterro sanitário em Fili, que sufocará todo o oeste da Ática no lixo... [ler mais]
La Delegación del Gobierno prohíbe el acto de homenaje a los últimos fusilados del franquismo que iba a realizarse en Iruñea 09-2019
«El acto de recuerdo organizado por Ahaztuak se iba a celebrar a las 18.30 en la Plaza del Ayuntamientode Iruñea y ha sido prohibido tras unu informe policial en el que se indica que en el cartel «aparecen las fotos de cinco terroristas» y que la convocatoria supone «un menosprecio y humillación a las víctimas y sus familiares».
Como cada año, este también, desde Ahaztuak 1936-1977 habían convocado, a las 18:30 en la plaza del Ayuntamiento de Iruñea, un acto de homenaje a los cinco luchadores antifascistas que fueron asesinados por la dictadura franquista el 27 de Septiembre de 1975 y, junto a ellos, a todas las personas asesinadas y represaliadas.
Y, como el año pasado, la Delegación del Gobierno español lo vuelve a prohibir. «Siguen anclados en el pasado, aplicando las mismas prácticas. Después de 44 años nos topamos, una vez más, con aquella dictadura», denuncian desde Ahaztuak.
En base a un informe de la Jefatura Superior de Policía de Iruñea, prohíben la concentración por ser una convocatoria que viene acompañada de un cartel, en el que aparecen las fotos de los 5 militantes antifranquistas asesinados el 27 de septiembre de 1975 a quienes se quiere homenajear. La Policía española afirma que esta convocatoria supone «un menosprecio y humillación a las víctimas y sus familiares», y que pudiera ser constitutivo de «un delito de enaltecimiento del terrorismo».
«En 2017 realizamos el homenaje y no hubo ningún problema. ¿Alguna víctima o familiar se sintió ofendida? Este año, como el pasado, en el cementerio de Derio, en el de Zarautz y en el de Gasteiz, desde Ahaztuak, con el mismo formato propagandístico, organizamos homenajes con total normalidad. ¿Qué sucede, las víctimas y familiares en Nafarroa tienen una sensibilidad especial? ¿En esto también. Navarra es cuestión de Estado?», se preguntan desde Ahaztuak.
«El modelo impuesto en la reforma política del estado español, tuvo como finalidad, ni más ni menos, que la impunidad sobre los crímenes y actos de genocidio cometidos. El problema es que, lo que para unos es reivindicación y apología de la lucha antifascista, para otros y para la Delegación del Gobierno español en Navarra sigue siendo «la realización de una concentración que favorecería el comportamiento de los terroristas”, critican... [ler mais]
Paz vs clima (Peter Koenig) 09-2019
«Será que esses jovens ocidentais, a maioria dos quais quadros da elite, passaram por lavagem cerebral, de tal modo que não sabem ver que o mundo tem outras prioridades, por exemplo, pôr fim às matanças em guerras lançadas e instigadas pelos EUA em todo o planeta?
Como é possível que nada tenham a dizer sobre seus irmãos e irmãs jovens na Síria, no Iêmen, na Palestina, no Iraque, no Sudão, no Afeganistão e em muitos outros locais de conflitos e pobreza extrema, que estão sendo mortos a torto e a direito pela máquina de matar dos EUA-OTAN, pela fome, por doenças relacionadas à guerra, e por estados vassalos dos EUA, pelas próprias nações das quais vêm os jovens ricos, para protestar contra mudanças no clima, mas NÃO para protestar contra a guerra? Quando acordarão para a realidade? Talvez nunca, ou só quando já for tarde demais – quando também eles já estiverem sendo bombardeados pelas guerras criadas e mantidas pela ganância sem fim dos neoliberais.
Será que esses jovens sabem que essas guerras e conflitos, combatidas diretamente ou por forças de EUA-OTAN que guerreiam por procuração e já mataram entre 20 e 25 milhões de pessoas depois da 2ª Guerra Mundial, e entre 12 e 15 milhões só a partir de 11/9?
Fazer parar esse morticínio é mais importante e urgente do que ‘militar' a favor de interromper uma mudança que a arrogante espécie humana não tem meios para interromper, pela suficiente razão de que o clima muda sempre, há 4 bilhões de anos da existência da Mãe Terra.
Mas é típico da arrogância da humanidade [da classe que governa o país e as matanças] crer e, sobretudo, induzir as massas a crer que nós – de fato, que eles! – teriam o poder de influenciar o clima da Mãe Terra. E quem fala de Mãe Terra fala de Universo, porque tudo está conectado, e se quisermos examinar bem de perto, temos de considerar nosso sol, que tem enorme influência sobre o clima, muito mais do que gostamos de admitir, nosso sol, fonte da vida na terra, somado à água. Esses são os bens a proteger. E temos de trabalhar pela PAZ.
Gritar e clamar por algo para cujo encaminhamento a humanidade nada pode fazer é perda de energia, sim, mas também é modo eficaz de desviar as atenções para bem longe da questão real: Como fazer parar a guerra e construir a PAZ mundial.
Mas ainda que se pudesse influenciar o clima, assumamos por um instante que pudéssemos mudar o rumo do clima, – você, Greta e os jovens das 6ªs-feiras – e talvez também você, Mr. Guterres – sabem que essas guerras que matam milhões de pessoas são as maiores geradoras de CO2 e de gases de efeito estufa, muitas vezes maiores que outras causas ‘climáticas'. Falar de paz é apontar o dedo diretamente contra o complexo militar EUA/OTAN... [ler mais]
Os portugueses, o SNS e as mentiras do Costa em tempo de eleições 09-2019
São os 40 anos do Serviço Nacional de Saúde (SNS), o Primeiro Costa jura que defende o que o seu partido criou, mais por força das circunstancias do que por inscrição no seu ADN programático, a ministra da Saúde desunha-se em plantar “oliveiras do SNS”, ao mesmo tempo que encabeça a lista pelo distrito de Coimbra, o Rio dos Pópós acusa o mais directo concorrente de “esconder as contas do SNS”, PCP e BE ufanam-se da hipotética paternidade da nova Lei de Bases da Saúde, assim como de outras “benesses” para os trabalhadores, mas não da aprovação de 4 Orçamentos de Estado e do agravamento da legislação do Trabalho.
Contudo, a realidade objectiva vai muito para além das verdades virtuais de cada um dos partidos na luta frenética pelo acesso ao pote. Recentemente, relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que Portugal é um dos três países europeus em que a despesa em saúde pública diminuiu entre 2000 e 2017, não deixando de assinalar que as desigualdades em saúde se mantiveram ou agravaram na Europa. As cativações na Saúde são uma realidade iniludível que Costa e o seu Centeno (parece que Rio tem outro) não conseguem esconder, à semelhança da dívida pública cujo montante não tem cessado de crescer, apesar de diminuir em termos percentuais do PIB, tal como os juros que nunca são referidos.
A mesma OMS não se escusa a concluir que a na Europa (o tão incensado farol da civilização e dos direitos humanos) os progressos em matéria de equidade em saúde estão “em ponto morto”, ou seja, nos 53 países da região europeia da organização as desigualdades em saúde permanecem as mesmas ou até se agravaram. Afirma que o leque de políticas que aponta para estimulo do crescimento económico e desenvolvimento sustentável fosse aplicado haveria uma redução de 50% das desigualdades em saúde e representaria um aumento de 0,3% a 4,3% do PIB – mantendo o modelo económico capitalista, saliente-se. Só que em tempo de crise profunda e prolongada do capitalismo, em particular na União Europeia, aquelas medidas acabam por ser inexequíveis.
Há menos dinheiro para a Saúde por diversas razões: por imposição de Bruxelas, há que respeitar as disposições do Pacto Orçamental; por opção abertamente política de favorecer os negócios dos privados degradando os serviços públicos, degradação essa que servirá de pretexto justificativo. Assim se explica que o número de cirurgias tenha aumentado em 2018, atingindo o valor mais alto de sempre, com quase 595.000 doentes operados no SNS, mas um crescimento que se deveu sobretudo ao recurso aos privados e sector social, portanto, na realidade fora do referido SNS – Relatório Anual de Acesso aos Cuidados de Saúde nos Estabelecimentos do SNS e Entidades Convencionadas relativo a 2018... [ler mais]
A fraqueza da ilusão democrática: um ensaio político não sentimental (Jones Manoel) 09-2019
«A democracia em sua versão liberal parlamentar, tida apenas como uma competição eleitoral regular entre partidos semelhantes, passou a ser o sinônimo da única democracia possível e aceitável. O revezamento sistemático do poder entre partidos da classe dominante, liberais ou conservadores, socialdemocratas ou neoliberais, que executam basicamente o mesmo programa e garantem que “não há alternativa”.
Nesse cenário, os poucos que se atreviam a debater os limites da democracia burguesa – agora não mais adjetivada como tal – eram logo tachados de autoritários ou totalitários. Três noções são fundamentais para a hegemonia do consenso conservador em torno da democracia burguesa. A primeira (talvez a que se mantém mais sólida nos dias atuais) é que a esquerda revolucionária (sobretudo os comunistas) seria antidemocrática, violadora dos direitos humanos e que sacrifica no altar da igualdade social as liberdades individuais. Como consequência disso, as experiências de transição socialista, chamadas em linguagem jornalística de “países” ou “governos” comunistas, se resumiriam a regimes autoritários ou totalitários – e a crítica/denúncia do “stalinismo” evidentemente desempenha um papel central nessa narrativa.
Se o principal problema das experiências de transição socialista foi a ausência de democracia e o autoritarismo dos Partidos Comunistas, é necessário compreender a importância do valor em si da democracia. Aqui entramos na segunda noção. Os anos 1980 e 90 marcaram processos muito importantes: o fim do apartheid na África do Sul e o término de várias guerras de libertação nacional em África, a saída de cena do ciclo de ditaduras militares do grande capital na América Latina e a legalização/desarmamento de agrupamentos político-militares revolucionários na América Central. Nesses processos, já numa correlação de forças política e militar em âmbito mundial desfavorável e com a hegemonia neoliberal consolidada, vários ex-revolucionários das mais diversas matizes, aceitaram que não se tratava de pôr termo à dependência, ao subdesenvolvimento e às democracias burguesas, mas recuperar ou criar uma democracia liberal burguesa.
O desenrolar histórico é, por si só, expressivo, e podemos abordar rapidamente como exemplo o caso da África do Sul. O regime pós-apartheid, dirigido Nelson Mandela e seu partido (Congresso Nacional Africano), garantiu a vigência de uma igualdade jurídico-formal, mas a segregação étnico-racial nos seus vários determinantes (geográfico, econômico, cultural, social e político) não só se manteve, como foi ampliada. Em suma, na democracia pós-apartheid na África do Sul, mantém-se intacto o Estado racialista.
O complemento necessário desse violento desarme político e teórico é o banimento da tematização do imperialismo, do colonialismo e da máquina de guerra operante em todos os cantos do planeta, mas em especial na periferia do sistema – a terceira noção desse consenso democrático. A derrota do movimento comunista no século XX foi acompanhada da derrota da revolução anticolonial que marcou a América, a África e a Ásia (revolução que politicamente teve várias expressões, como o movimento terceiro-mundista, o nacionalismo revolucionário e a fusão entre patriotismo e marxismo, como na Revolução Coreana e Chinesa); o imperialismo, nos anos 90, retoma uma ofensiva neocolonial de proporções assustadoras e, justamente nesse momento, some de cena a reflexão sobre o imperialismo, o colonialismo e o complexo industrial-militar... [ler mais]
Brasil, um Chile silencioso (Mário Maestri) 09-2019
«O programa da Unidade Popular era extremamente avançado. Entre outras iniciativas, propunha a nacionalização do cobre, a estatização do sistema bancário, a ampliação da reforma agrária. Respondendo à sabotagem da produção e à atividades golpistas, os trabalhadores promoveram vasta ocupação de usinas, fábricas e fazendas. No Sul, os camponeses mapuches reconquistavam as terras perdidas nos séculos e décadas anteriores. Os sem-teto ocupavam terrenos urbanos para construir suas moradias. Logo, surgiram embriões de conselhos operários reunidos territorialmente em fábricas ocupadas [os cordões industriais]. O governo da Unidad Popular limitou-se a legalizar e tentar por travas às ocupações que punham sob controle popular grande parte da economia do país.
Em 9 de outubro de 1972, o imperialismo yankee financiou vasta e longa greve de caminhoneiros, que deveria anteceder a queda do governo. Os grevistas patronais tiveram que interromper a paralisação pois o controle do país pelo mundo do trabalho radicalizara-se, tornando os patrões realidade disfuncional. Com o ensaio de golpe do dia 29 de junho de 1973, o Tanquetazo, milhares de indústrias foram tomadas, tremulando sobre elas bandeiras vermelhas. Soldados, marinheiros, carabineiros se prepararam para a marchar com a população. Golpistas assustados e certos da derrota procuraram refúgio nas embaixadas.
Situação revolucionária: Abria-se situação revolucionária no país, na qual os trabalhadores poderiam ter aplastado o golpismo praticamente sem derramamento de sangue. A população diante do palácio da Moneda pediu a Salvador Allende que fechasse o congresso. Ele se negou a fazê-lo, em nome do respeito àquela instituição, já totalmente a serviço do golpe. O país estava literalmente nas mãos dos trabalhadores. O imperialismo não tinha qualquer possibilidade de intervir no país, pois se encontrava acuado no Vietnan, de onde se retiraria, com o rabo entre as pernas, com a libertação de Saigon, em 1º de maio de 1974.  
No mundo social, tudo que não avança, retrocede. Pouco mais de dois meses mais tarde, às seis horas da manhã de 11 de setembro, o golpe iniciava em Valparaíso. As 6:30, o Palácio da Moneda, no centro de Santiago, já era atacado por terra e pelo ar. Após se encerrar no Palácio com sua destemida guarda pessoal e alguns fiéis armados, Salvador Allende proferiu um último e poético discurso, no frigir dos ovos, uma verdadeira rendição antes do combate iniciar, conclamando a população a não resistir.
A população e trabalhadores ficaram literalmente descorçoados. Núcleos preparados para resistir ao golpe assumiram posição defensiva, sendo aplastados isoladamente ou se desmobilizaram. No Pedagógico, junto a centenas de estudantes decididos a participar da resistência, ficamos como baratas tontas, sem saber para onde ir, o que fazer.  Entretanto, as tropas decididamente golpistas eram poucas. Havia poucos dias, centenas de milhares de manifestantes haviam ocupado as ruas da capital em defesa da Revolução Chilena. Eram muitos os praças, os suboficiais e os mesmo oficiais legalistas e allendistas que atenderiam a uma conclamação à luta. A conjuntura terrivelmente propícia de junho se perdera, mas a possibilidade da vitória, com breve guerra civil, era grande... [ler mais]
PCV: política revolucionária contra a crise e o imperialismo 09-2019
«O Partido Comunista da Venezuela (PCV) exortou o governo nacional a implementar “uma política revolucionária contra a crise capitalista e a agressão imperialista”. Um aspecto central disso deve ser “o protagonismo da classe trabalhadora e do povo trabalhador da cidade e do campo na tomada de decisões, na condução política do processo bolivariano e no controle de toda a cadeia de produção, distribuição e comercialização de bens e serviços de consumo de massa pela população”.
Carlos Aquino, membro do Birô Político do PCV, expressou a preocupação dos comunistas diante da grave deterioração do poder de compra do povo. “Há mais de um ano, o Executivo nacional assumiu o compromisso de que o salário mínimo e as pensões seriam equivalentes a meio petro – com um preço referencial de 60 dólares por petro, de acordo com o preço estimado de um barril de petróleo -, e essa promessa não foi cumprida; mas, mesmo que fosse cumprido, o mesmo não seria suficiente para cobrir as necessidades básicas dos trabalhadores e de sua família”, disse Aquino.
Por isso, expôs o dirigente, o PCV reivindica que se cumpra o que estabelece a Constituição da República: “que os trabalhadores recebam um salário suficiente para cobrir a cesta básica e que ela seja atualizada regularmente”. O PCV questionou a inação do governo nacional em atacar o alto custo de vida, expresso nos incessantes aumentos de preços, “deixando mãos livres para os capitalistas em detrimento da renda salarial dos trabalhadores”. Nesse contexto, o Partido Galo Vermelho exige do Executivo o estabelecimento de um controle real de preços, publicando o preço de venda ao público (PVP) em cada produto e facilitando os mecanismos de controle pelos trabalhadores e pelo povo... [ler mais]
Amores assolapados 09-2019
Como também é única a penitência a que são obrigados os trabalhadores em tempo de final de férias que, talvez não ocasionalmente, é o tempo da rentrée dos ditos partidos do sistema na demagogia e no engano do eleitor: os trabalhadores da fábrica têxtil Remate & Silhueta, na Maia, ao regressarem de férias encontraram-na de portas fechadas, são 60 trabalhadores no desemprego e com salários em débito; os trabalhadores da Soares da Costa têm dez meses de salário em atraso (60 milhões, incluindo indemnizações) e com o PER (Processo Especial de Revitalização) a não ser cumprido desde Outubro de 2018, numa clara manobra de encerramento da empresa por parte dos acionistas – são cerca de 1200 trabalhadores sujeitos ao despedimento e à reforma antecipada.
A companhia aérea irlandesa Ryanair, alegando incumprimento de serviços mínimos – que foram impostos pelo governo PS/Costa numa atitude de subserviência ao capital estrangeiro – prepara-se para despedir 12 tripulantes. Esta empresa sempre desrespeitou o país, o povo e a legislação ainda em vigor: são cada vez mais os passageiros que se queixam da empresa não passar facturas com número de contribuinte, mesmo depois de a situação ter sido denunciada há mais de dois anos e sem a Autoridade Tributária (AT) ter feito alguma coisa para reposição da legalidade. Atitude que até se compreende atendendo ao facto da mesmíssima AT ter desistido de cobrar 125 milhões à Brisa, em 2017, quando António Vitorino era Presidente da Assembleia-geral da empresa. A promiscuidade de dirigentes e ex-dirigentes do PS entre administração pública e empresas privadas é por si só exemplo de como o PS fomenta a corrupção.
Quando professores, estivadores, enfermeiros e motoristas entraram em greve em defesa das suas mais que justas reivindicações, para além da calúnia levaram em cima com a requisição civil que, caso não fosse acatada, acarretaria para os “infractores” coimas e prisão; ao que se saiba, nenhum accionista daquelas empresas, apesar de infringirem gravemente a legislação do país, não foram minimamente molestados, quanto mais enfiados na prisão como bem merecem. Mais uma vez se confirma que o governo “socialista” do senhor Costa, levado ao colo pelo PCP e BE, dois ardorosos apaixonados pelo capitalismo e pelo PS, é um governo dos patrões; de alma e coração.. [ler mais]
O Inferno Em Que Transformaram A Minha Profissão (Maria de Fátima Patranito) 09-2019
«Há mais de uma década que a carreira docente tem sido constantemente sujeita a ataques de políticos incompetentes, arrogantes, difamadores e sem escrúpulos, pouco preocupados com a escola que é de todos, com as condições de trabalho de docentes e não docentes, homens e mulheres que, em algum momento da sua vida, ousaram dizer que gostavam de trabalhar com crianças e jovens.
Particularmente, os professores têm sido alvo de ataques diversos, difamação, insultos, bodes expiatórios de insucessos de sucessivas reformas nunca avaliadas, de vontades políticas de políticos e partidos sem agenda para a Educação, tema de conversa de café e de outros espaços públicos por gente que não faz a mínima ideia do que é ser professor em Portugal e no inferno em que, sobretudo desde o ministério de Sócrates/Maria de Lurdes Rodrigues, transformaram a nossa vida. Recentemente, até fomos usados para inventar uma crise política! A Comunicação Social e os seus “comentadores” de cartilha encomendada, têm ajudado a disseminar o ódio por uma classe que devia ser respeitada e acarinhada por todos. Escusado será dizer que nunca tivemos ou temos direito ao contraditório, nos diversos meios de comunicação social, sobretudo nas televisões pública e privadas.
Com a carreira congelada durante 9 anos, 4 meses e 2 dias, com cortes salariais e sonegação dos subsídios de férias e de Natal durante o período da “crise” (2009-2014), que representaram muitos milhões de “poupança” para o Estado (que necessitava de injetar muitos milhões em bancos privados cujas administrações praticaram atos fraudulentos e levaram à sua falência e continuam impunes), com vários entraves à progressão dos docentes integrados na carreira que são colocados no 1º escalão sem que se tenha em conta todo o tempo de serviço prestado até essa altura, com a necessidade de abertura de vagas (abertas pelo ME) para aceder ao 5º e ao 7º escalão, com cotas (de acordo com regras impostas pelo ME) para a atribuição de Muito Bom e Excelente, com muitos dos docentes a receberem salários de miséria (alguns levam para casa 900 euros e muitos têm de os repartir entre duas rendas de casa pois estão deslocados a muitas dezenas ou até centenas de km de casa, combustível ou transportes públicos, alimentação e outras despesas inerentes a quem está afastado da sua residência), uma proletarização que tem acontecido com a conivência de sindicatos afetos às duas centrais sindicais, por motivos diversos e por falta de agenda política, por interesses pessoais e por afastamento da escola, durante décadas e décadas, dos vários sindicalistas e, em simultâneo, negociadores... [ler mais]
Enfermagem: uma carreira made OE e de agrado das chefias 09-2019
«O governo sempre manifestou, desde o início, uma explicita má-fé, que foi acompanhada pelas administrações da maior parte das instituições do SNS: pela não contabilização correcta e atempada dos pontos para progressão remuneratória; pela aprovação do Decreto-Lei nº27 de Abril de 2018, com retroactividade a partir de Janeiro, que deveria sair em 2017 a fim de os enfermeiros puderem actualizar a sua inscrição na Ordem; situação esta que foi exigida só em Agosto pelas administrações (CHUC, por exemplo) permitindo que estas beneficiassem de uma irregularidade pela qual também eram responsáveis; a não divulgação das listas de enfermeiros especialistas elaboradas pelas chefias em 2017, isto é, antes da publicação do Decreto-Lei, mas só depois, já com o facto consumado (O CHUC só agora publicou as listas dos enfermeiros consoante a data de inscrição ou actualização na Ordem, coisa que deveria ter feito em 2017!);
é notório não só a má-fé como todo o desprezo votado pelo governo aos sindicatos durante todo o processo (mais visível na não correcção das já referidas “injustiças relativas”), bem como o ódio dispensado a toda a classe dos enfermeiros. Foi o ataque pérfido contra as suas lutas, principalmente as greves cirúrgicas – atitude completamente diferente quando se trata de greves feitas pelos médicos ou pelos juízes. Foi o decretar da requisição civil, medida que faz inveja a qualquer governo de direita ou de extrema-direita. Esta política de ataque e de desconsideração de toda uma classe, um dos pilares fundamentais do SNS, só foi possível porque houve sindicatos, seguindo agenda partidária particular, que andaram, e continuam a andar, com o o governo do PS e do Costa ao colo.
O Costa, em entrevista recente dada ao Expresso, foi claro: “o país não pode estar refém das carreiras especiais da função pública”. E o PS, tempo antes, já dera a conhecer o seu programa eleitoral para as próximas eleições de 6 de Outubro, não deixando margem para dúvidas em relação às carreiras da administração pública, já que estas “custam todos os anos 200 milhões de euros e, deste valor, quase dois terços é gasto em carreiras especiais em que o tempo conta no processo de progressão” e “uma realidade que cobre cerca de um terço dos trabalhadores do Estado”, então há que desfazer o “desequilíbrio” e “limitar a política salarial na próxima década”, estabelecendo “uma política de incentivos na administração pública que premeie a excelência e o cumprimento de objetivos pré-definidos”. Só que a “excelência” e o “cumprimento de objetivos” serão sempre definidos pelas chefias... [ler mais]
Portugal nas mãos do sionismo: Lisboa, a Nova Jerusalém? 09-2019
«Em 2015, os governos de Espanha e Portugal aprovaram leis para permitir que descendentes de judeus sefarditas requeiram cidadania e passaporte. Quatro anos depois, ficamos sabendo que a imprensa israelense proclamara que “milhões” de judeus israelenses podiam requerer cidadania portuguesa.
Adiante, o artigo israelense [orig. hebraico, aqui retraduzido, do inglês ao português, NTs] é imagem clara da psique israelense. Segundo o artigo, 2.200 israelenses solicitam, a cada mês, a cidadania portuguesa, não porque sejam admiradores entusiastas de Portugal, sua cultura, história, idioma, legado universal, nem porque planejem viver lá nem, Deus os livre!, conviver com os locais, mas principalmente por causa das excelentes oportunidades oferecidas pelo mercado imobiliário português. Aparentemente, a única exigência a que um israelense tem de atender, para obter a cidadania portuguesa é ser aprovado pela comunidade de judeus portugueses.
O artigo mostra quadro perturbador, de mentalidade profundamente parasitária. Segundo o artigo de Real Invest israelense, “há milhões de cidadãos israelenses qualificados para receber passaporte português”
Curioso é que israelenses, que veem como justo o próprio direito de retornar a Portugal ou Espanha depois de uns poucos séculos, não vejam que palestinos, que ainda guardam as chaves das próprias casas que lhes foram roubadas em Jafa, Lod e Haifa, e que possuem títulos de propriedade, não possam voltar para a própria terra deles.
Além disso, se esses “milhões de israelenses” são sinceros na intenção de obter cidadania portuguesa e retornar a Portugal, o conflito Israel/Palestina deve ser resolvido em semanas.
Infelizmente, o mais provável é que a pacífica terra portuguesa seja convertida numa nova Palestina.
E fica-se a conjecturar onde estará localizada a nova Gaza para todos os refugiados indígenas portugueses que se recusem a se deixar conter na nova terra outra vez prometida para judeus ... [ler mais]
A devastação da Amazônia e os interesses imperialistas (André Acier) 09-2019
«A 83 años de su fallecimiento a manos de criminales, su legado sigue vivo en el pueblo que lo recuerda.
Madrugada del 17 al 18 de agosto de 1936. Cuatro prisioneros son llevados por los golpistas fascistas hasta la carretera que va de Víznar a Alfacar. Allí las balas hacen diana y tras el estruendo caen abatidos dejando una serena noche de verano. Podría ser una historia de tantas que se repitieron a lo largo de tres años de Guerra Civil, pero es el relato del asesinato en Granada del maestro Dióscoro Galindo, los banderilleros anarquistas Francisco Galadín y Joaquín Arcollas, y de Federico García Lorca, el poeta español más celebrado del siglo XX y símbolo de todos los desaparecidos que todavía hoy, 82 años después, permanecen en una fosa común.
Federico fue el poeta que cantó a la muerte y sin embargo no llegó a temer la suya durante los primeros compases de la Guerra Civil, tanto fue así que rechazó los ofrecimientos de México y Colombia para exiliarse. La idea de que era candidato a ser parte de un pelotón de fusilamiento no le rondó hasta unas semanas después del estallido del conflicto.
Lorca se trasladó a Granada a comienzos de aquel verano, a la Huerta de San Vicente en la que la familia pasaba los veranos. Pensaba que era un sitio seguro hasta que fue amenazado por afines al bando nacional. En ese momento buscó refugio en la casa de su amigo poeta y falangista Luis Rosales, hermano de José Rosales, destacado líder de Falange.
Sin embargo, una delación provocó su traslado a la sede del Gobierno Civil. Allí pasó las últimas 48 horas de sus 38 años de vida. Un espacio de tiempo que los hermanos Rosales y Manuel de Falla intentaron aprovechar para convencer al Gobernador Civil, José Valdés, para que liberara a Federico. Pero este tenía órdenes claras desde Sevilla. El general Queipo de Llano le había dado una premisa clara sobre lo que había que hacer con Lorca: “Dadle café, dadle mucho café”.
La muerte de García Lorca es la herida aún abierta de la España de nuestros días, que llora la desaparición de un genio universal. Sin ocultar su apoyo al Frente Popular y su defensa a los desfavorecidos, fue pasado por las armas en su Granada natal bajo la patraña de ser un espía al servicio de Moscú. Pero lo cierto es que los verdaderos motivos se encontraban en que era acusado de “masón”, “socialista” y de ejercer “prácticas de homosexualismo”, según un informe realizado por la policía en 1965 que reconocía al bando golpista como autor del asesinato. Además, a pesar de ser hijo de un señorito, no era bien visto por la burguesía granadina, a la que el poeta tachó como la “peor de España”. Tampoco ayudó su estrecha amistad con el socialista Fernando de los Ríos. Federico era una persona incómoda para el bando nacional... [ler mais]
Os partidos da burguesia vão pondo as barbas de molho 08-2019
As últimas notícias são esclarecedoras e não deixam margem para dúvidas: “A produção industrial caiu 2,6% na zona euro em Junho, face ao mesmo mês do ano passado, e 1,9% no conjunto da União Europeia, tendo Portugal registado a segunda maior queda, de 5,6%” – revela o Eurostat – e foi o “segundo maior recuo, a par da Croácia, com uma queda de 5,6% em ambos os casos, apenas superada por aquela verificada na Alemanha (-6,2%) ”.
E mais: em Maio, a produção industrial em Portugal já conhecera recuos, mas ligeiros, de 0,5% na comparação anual (abaixo da média da zona euro, de -0,8%), e de 0,4% na comparação mensal (enquanto na zona euro progredira 0,8%). E “no final de 2018 os salários reais encontravam-se ao nível de 1999, apesar do PIB real por trabalhador, no mesmo período, ter crescido 15%”. “A quebra anual da produção alemã foi a maior dos últimos 9 anos, registando-se uma surpreendente redução de 1,5% em Junho face ao mês anterior”.
Os alarmes já soaram e a situação não deixa de ser alarmante, daí os partidos, apenas para falar do que se passa na tenda lusa, todos eles, os do arco da governação e os parlamentares terem começado a usar uma linguagem mais cautelosa, com especial destaque para o PS governamental, chegando o chefe a alugar parte substancial das páginas do “Expresso”, o veículo de propaganda por excelência do fundador nº1 do PPD/PSD, a fim de destilar a demagogia e, por outro lado, demonstrar que ainda é a melhor opção para fazer frente a uma maior crise económica que se avizinha.
O ataque aos trabalhadores esteve sempre presente, professores, enfermeiros e motoristas foram o cepo das “marradas”, enfatizando a afirmação de que “o país não pode estar refém das carreiras especiais”. Foi um governo auto-proclamado “socialista”, embora na prática nunca o tenha sido e nem na génese, que teve o condão de mostrar a quem não queria ver que o estado é um estado de classe, um estado burguês e capitalista para opressão e exploração do povo que trabalha e que as leis existentes podem ser contornadas sem a necessidade de as rever, como acabou de acontecer com a greve dos motoristas: a PGR dá apoio jurídico ao governo, as forças militares e policiais são usadas como fura-greves e os serviços mínimos decretados são máximos. O PS fez com que em Portugal, na prática, não haja direito à greve, como em qualquer regime de ditadora militar, tendo tido o carinho de toda a classe dominante e sob o alto patrocínio do presidente-rei Marcelo... [ler mais]
El inmarcesible genio de los economistas (Luis Casado) 08-2019
«Así, según The Economist, los problemas actuales estarían ligados a las malas prácticas de algunos perversos empresarios (eso… ¿existe?) que los sitúan en posición indebidamente ventajosa de cara a sus nobles y caballerosos competidores.
John Kenneth Galbraith, en la primera mitad del siglo XX, le quitó las legañas a la comunidad financiera yanqui mostrándole que lo que la teoría negaba, existía en la realidad y no poco: los monopolios, los duopolios y los oligopolios que se distribuyeron América y el mundo. Economistas, periodistas, parlamentarios, gobernantes y otras gentes de bien, abrieron los ojos espantados.  What?! How can it be possible to have such monsters out there?
Afortunadamente en la era luminosa de nuestra no menos luminosa modernidad ya no hay ni monopolios, ni duopolios, ni oligopolios, ni siquiera colusiones, y aun menos prácticas financieras de dudosa moralidad que pudiesen arrojar el velo de una sospecha, o las tinieblas de una fantasmagórica sombra, sobre los virtuosos actores del libre mercado.
La nota de The Economist intenta, tal vez, infiltrar subrepticiamente la duda en las mentes de quienes se aprendieron de memoria el Credo capitalista de nuestros días, nowadays Creed, ese que nos llevará al paraíso en la Tierra. O bien, esta es otra teoría, echarle la culpa del desastre a una falta de capitalismo, como no hace mucho la URSS y los socialismos reales culpaban de todo a la insuficiencia de socialismo.
Resumiendo, todo iba bien, –casi puse deputamadre–, hasta que algunos malvados cometieron el ilícito (digo, para utilizar la lengua del circo chilensis) que consiste en cagarse en la libre competencia estableciendo ventajas ilegítimas, situaciones de renta, carteles, oligopolios, colusiones y otras maniobras que perturban el natural y muy eficiente funcionamiento de los mercados con la eficacia que les es tan propia y consustancial... [ler mais]
O papel social dos Correios e a defesa da Soberania Nacional 08-2019
«Em meio a uma ofensiva política neoliberal, de caráter autoritário e subserviente aos interesses estrangeiros, as primeiras entidades a serem atacadas são aquelas que têm um papel estratégico para o país e que fazem parte da força que impulsiona a soberania nacional.
A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos do Brasil, conhecida popularmente como Correios, exerce um papel importante político, econômico e social para milhões de brasileiros e que está correndo o risco de ver uma das empresas de maior credibilidade nacional ser entregue ao mercado financeiro internacional, destruindo uma estatal com uma trajetória de 355 anos de serviços prestados.
A maioria da população desconhece o papel fundamental dos Correios. Não sabe, por exemplo, que ela é responsável pela distribuição dos livros pelo MEC e que é responsável pela operação logística para a realização do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), sem falar da distribuição das urnas durante todos os níveis de eleições municipais e gerais em todo o Brasil.
Não é percebido pela população que o “Banco Postal” (parceria entre os Correios e o Banco do Brasil) é importante para o acesso a maioria dos municípios brasileiros onde não existem agências bancárias e que acabam movimentando a economia local. Principalmente nas cidades mais afastadas dos grandes centros, já que os Correios estão presentes em todos os 5.570 municípios do país.
Sem esquecer que os Correios também fortalecem as campanhas do Ministério da Saúde e realizam a entrega de remédios em vários postos de saúde e vacinação. Desempenhando um papel singular para a prevenção contra doenças, nas campanhas do leite materno e no tratamento e combate a doenças através da distribuição de folhetos, cartazes e o importante apoio logístico... [ler mais]
Federico García Lorca, una herida abierta bajo suelo andaluz (José Luis Escalante) 08-2019
«A 83 años de su fallecimiento a manos de criminales, su legado sigue vivo en el pueblo que lo recuerda.
Madrugada del 17 al 18 de agosto de 1936. Cuatro prisioneros son llevados por los golpistas fascistas hasta la carretera que va de Víznar a Alfacar. Allí las balas hacen diana y tras el estruendo caen abatidos dejando una serena noche de verano. Podría ser una historia de tantas que se repitieron a lo largo de tres años de Guerra Civil, pero es el relato del asesinato en Granada del maestro Dióscoro Galindo, los banderilleros anarquistas Francisco Galadín y Joaquín Arcollas, y de Federico García Lorca, el poeta español más celebrado del siglo XX y símbolo de todos los desaparecidos que todavía hoy, 82 años después, permanecen en una fosa común.
Federico fue el poeta que cantó a la muerte y sin embargo no llegó a temer la suya durante los primeros compases de la Guerra Civil, tanto fue así que rechazó los ofrecimientos de México y Colombia para exiliarse. La idea de que era candidato a ser parte de un pelotón de fusilamiento no le rondó hasta unas semanas después del estallido del conflicto.
Lorca se trasladó a Granada a comienzos de aquel verano, a la Huerta de San Vicente en la que la familia pasaba los veranos. Pensaba que era un sitio seguro hasta que fue amenazado por afines al bando nacional. En ese momento buscó refugio en la casa de su amigo poeta y falangista Luis Rosales, hermano de José Rosales, destacado líder de Falange.
Sin embargo, una delación provocó su traslado a la sede del Gobierno Civil. Allí pasó las últimas 48 horas de sus 38 años de vida. Un espacio de tiempo que los hermanos Rosales y Manuel de Falla intentaron aprovechar para convencer al Gobernador Civil, José Valdés, para que liberara a Federico. Pero este tenía órdenes claras desde Sevilla. El general Queipo de Llano le había dado una premisa clara sobre lo que había que hacer con Lorca: “Dadle café, dadle mucho café”.
La muerte de García Lorca es la herida aún abierta de la España de nuestros días, que llora la desaparición de un genio universal. Sin ocultar su apoyo al Frente Popular y su defensa a los desfavorecidos, fue pasado por las armas en su Granada natal bajo la patraña de ser un espía al servicio de Moscú. Pero lo cierto es que los verdaderos motivos se encontraban en que era acusado de “masón”, “socialista” y de ejercer “prácticas de homosexualismo”, según un informe realizado por la policía en 1965 que reconocía al bando golpista como autor del asesinato. Además, a pesar de ser hijo de un señorito, no era bien visto por la burguesía granadina, a la que el poeta tachó como la “peor de España”. Tampoco ayudó su estrecha amistad con el socialista Fernando de los Ríos. Federico era una persona incómoda para el bando nacional... [ler mais]
O mais amplo apoio à greve por tempo ilimitado! Resistir à requisição civil! 08-2019
A greve dos motoristas de matérias perigosas e mercadorias vai no terceiro dia, uma luta por salários reais condignos, contra os actuais salários miseráveis, contra os horários prolongados, que podem ir até às 60 horas semanais, por melhores condições de trabalho. O objectivo terá sempre de passar pela reivindicação das 35 horas semanais, sete horas diárias e dois dias de descanso semanal e por diminuição da idade para a reforma, atendendo ao elevado grau de penosidade e à responsabilidade deste tipo de trabalho.
Uma luta que terá de ser persistente e extremamente corajosa, atendendo aos ataques descabelados que está a ser sujeita desde o primeiro minuto do seu anúncio. Uma operação de intoxicação de opinião pública para a virar contra os motoristas, demonizando-os de “irresponsáveis” e de “terroristas”, provocadores do “caos” e, não estando certo de toda a agitação e propaganda, a requisição civil preventiva foi decretada a pedido dos patrões da Antram e a pretexto de não cumprimento dos “serviços mínimos” que, no caso, são mais que máximos – uma lei promulgada pelo governo de Vasco Gonçalves, Decreto-lei n° 637/74 de 20 de Novembro.
Este comportamento simultaneamente arrogante e cobarde, do governo e do primeiro Costa, mostra bem o pânico em que se encontra a burguesia quando vê quebrada a tão acarinhada “paz social” e ameaçada a sua economia do lucro e de acumulação capitalista, assente na exploração dos trabalhadores e, como acontece neste sector, de exploração desenfreada assente em salários efectivos baixos e horários extremamente prolongados, condições perfeitamente desumanas, típicas do início da revolução industrial do início do século XIX.
Esta greve e a posição do governo PS/Costa têm o condão de desmascarar, e em pouco tempo, um série de mentiras que, nos últimos 40 anos, foram e continuam a ser fartamente difundidas e inculcadas na cabeça dos trabalhadores e do povo quanto à bondade do regime e de quem o gere em nome do povo... [ler mais]
Solidariedade com os motoristas de matérias perigosas e de mercadorias 08-2019
«Para: XXI Governo da República Portuguesa e ANTRAM - Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias
CONTRA A MISÉRIA DOS SALÁRIOS E A ANULAÇÃO DO DIREITO À GREVE 
Os signatários deste comunicado manifestam o seu apoio aos motoristas de matérias perigosas e mercadorias porque 
• Os trabalhadores continuam a auferir salários miseráveis quando os seus congéneres europeus trabalham menos e ganham muito mais; 
• Os portugueses continuam a ser obrigados, em nome da austeridade e da produtividade da economia nacional, a cumprir horários de trabalho prolongados, em turnos abusivos, quando nos países da chamada Europa desenvolvida a semana de trabalho tem vindo a ser reduzida; 
• A ANTRAM, associação patronal dos motoristas, quer continuar a explorar os motoristas e restantes trabalhadores ao seu serviço com baixos salários e más condições de trabalho; continua a ignorar -tal como o Governo - um conjunto de ilegalidades denunciadas pelos trabalhadores de desrespeito pelo pagamento das contribuições devidas, mantendo parte dos pagamentos de salários através de subsídios que, assim, não são contabilizados para a reforma, acidente ou baixa dos trabalhadores, realidade que saqueia não apenas os motoristas mas também a generalidade dos contribuintes; 
• Ninguém pode ficar indiferente aos dias de trabalho extenuantes e riscos associados ao trabalho dos motoristas, estratégico e especializado, pago com um salário base de 700€ mensais, muito perto do salário mínimo, com o qual ninguém consegue sobreviver com dignidade. 
• Os objectivos dos motoristas são justos e os meios de exercer o direito à greve são totalmente legítimos e devem ser defendidos por todos os portugueses, ainda mais agora que a definição de serviços mínimos generalizados a 100% constitui, de facto, a anulação do direito à greve... [ler mais]
“É urgente politizar a luta comum!” (Ivan Pinheiro) 08-2019
«Para enfrentar os efeitos da crise, que impactam negativamente a taxa de lucro e a reprodução do capital, as burguesias vêm adotando medidas que afetam de forma dramática os interesses dos trabalhadores e das camadas populares, como o arrocho salarial, a destruição de direitos trabalhistas, previdenciários e sociais, o saque ao orçamento e ao patrimônio público, uma pauta que acirra as contradições entre o capital e o trabalho e, por conseguinte, a luta de classes.
É duro termos de reconhecer que, em âmbito mundial, essa ofensiva se dá num momento em que o reformismo predomina em relação às forças revolucionárias e que a hegemonia do capital é de tal ordem que sua máquina de propaganda chega a convencer parcelas da classe trabalhadora a aceitar o discurso da “responsabilidade fiscal” como forma de garantir seus empregos, atuais ou futuros, ainda que com menos direitos.
Para tentar levar a efeito essas medidas, o estado burguês precisa restringir as liberdades democráticas conquistadas e fortalecer seu aparato de repressão, a fim de intimidar e conter as lutas em defesa dos direitos ameaçados. Medidas e leis repressivas vêm sendo adotadas na maioria dos países, em graus diferenciados, a depender das necessidades e possibilidades das suas classes dominantes, da cultura política do país e da correlação de forças.
Entretanto, nem sempre a burguesia precisa se valer de alternativas de extrema-direita, simplesmente porque já exerce uma confortável hegemonia política e cultural em todos os principais poderes e instituições, estatais ou sociais, de fato e de direito. Na grande maioria de países, a melhor forma de dominação continua sendo a velha e ilusória democracia burguesa, um instrumento flexível para administrar a vigência e o grau das chamadas liberdades democráticas e cuja principal arma são as eleições periódicas, que lhe conferem legitimidade e legalidade.
Arrisco dizer que os atuais governos mais notórios de extrema direita não eram as opções prioritárias dos setores hegemônicos das respectivas classes dominantes. Venceram na margem de erro de cada eleição. Na Itália, Polônia e Hungria, exemplos mais visíveis, o que pesou mais na eleição de candidatos de extrema-direita foi o discurso contra os imigrantes, alimentado por um nacionalismo xenófobo. O mesmo fator resultou num crescimento da ultradireita nas recentes eleições do Parlamento Europeu. No Brasil, Bolsonaro só passou a ser apoiado pelo capital depois que ficou claro que nenhum dos seus candidatos mais confiáveis (Alckmin, Meirelles, Amoedo) iria para o segundo turno, pois o objetivo, em razão da crise, era descartar a conciliação de classe petista... [ler mais]
A tortura de Julian Assange desmascarada (Nils Melzer) 08-2019
«Sei que é possível que todos creiam que estou a enganar-me a mim mesmo. Como pode a vida numa embaixada, com um gato e um skate ser considerada tortura? Foi exatamente o que pensei quando Assange pediu proteção ao meu gabinete. Como a maioria das pessoas, eu tinha sido inconscientemente intoxicado pela incessante campanha de difamação realizada ao longo dos anos. Foi preciso uma segunda batida à minha porta para chamar a minha atenção, tanto eu relutava a ouvir. Mas logo que examinei os fatos deste caso, o que encontrei encheu-me de repulsa e incredulidade.
É verdade que, sim, claro que cheguei a acreditar que Assange tivesse, sim, cometido crime de estupro! Até que descobri que jamais houve sequer acusação contra ele, por ofensa sexual. 
Fato é que, pouco depois de os EUA terem encorajado os seus aliados a encontrar razões para processar Assange, os procuradores suecos informaram a imprensa local de que ele era suspeito de ter violado duas mulheres. Curiosamente, as próprias mulheres nunca afirmaram ter sido violadas, nem tencionavam apresentar queixa por crime inexistente. Imaginem! Além disso, o exame forense de um preservativo apresentado como prova, alegadamente usado e rasgado durante a relação sexual com Assange, não revelou nenhum DNA presente, nem o de Assange, nem o da mulher ou de qualquer outra pessoa. Vá-se entender! Uma mulher chegou mesmo a dizer que só queria que Assange fosse testado para o HIV, mas que a polícia estava "muito animada para lhe pôr as mãos em cima". Outra vez, vá-se entender! Desde então, Suécia e Grã-Bretanha fizeram tudo o que estava ao seu alcance para impedir Assange de responder àquelas acusações sem, simultaneamente expor-se ao risco de extradição para os EUA e, por conseguinte, a um simulacro de julgamento seguido de condenação a pena de prisão perpétua. O último refúgio de Assange havia sido a Embaixada do Equador.
OK, pensei comigo, Assange deve ser hacker! Mas logo descobri foi que todas as revelações que Assange distribuiu foram-lhe vazadas livremente, sem que jamais houvesse qualquer acusação de ter, ele mesmo, hackeado qualquer computador. Na verdade, a única suposta acusação de hackingcontra Assange trata de tentativa mal sucedida de hackear uma senha, tentativa que, se bem sucedida, poderia ter ajudado sua fonte a encobrir as próprias pistas. Em suma, uma cadeia especulativa e inconsistente de eventos isolados. Mais ou menos como tentar processar um motorista que tentou exceder o limite de velocidade, mas falhou porque seu carro não era suficientemente potente.
Pois bem, pensei comigo, pelo menos podemos ter a certeza de que Assange é espião russo, que interferiu nas eleições americanas e que causou mortes por negligência! Mas quanto a isso, só descobri que Assange repetidas vezes publicava informações verdadeiras de interesse público sem qualquer quebra de confiança, dever ou lealdade. 
Sim! Assange denunciou crimes de guerra, corrupção e violações, mas não confundamos segurança nacional com impunidade governamental... [ler mais]
Quem quer liquidar a Rede Voltaire? 08-2019
«Desde há 8 anos, a Rede Voltaire (Réseau Voltaire) não consegue abrir conta bancária num país ocidental. Seja onde for, depois de se ter conseguido um acordo, temos sido informados que a nossa conta é recusada pelo Banco Central do país, sem qualquer motivo. Tudo se passa como se existisse uma lista negra internacional, confidencial, partilhada pelos Bancos centrais.
Temos, no momento, que reembolsar os custos assumidos pelo alojamento e manutenção do "site" durante os últimos anos, ou seja 48.000 euros.
Acontece que um sistema de Fundo Comum foi criado em França por uma filial do Crédit mutuel Arkéa para recolher dinheiro, o sítio internet Leetchi. Em Junho último, este sítio foi bloqueado pela justiça Francesa, depois de ele ter tomado a decisão de fechar uma colecta de fundos em favor do boxeur Christophe Dettinger, acusando-o de não querer pagar as suas despesas na justiça, antes de utilizar a receita para pagar eventuais multas, o que é ilegal — O Sr. Dettinger é acusado por ter golpeado, com as mãos nuas, os gendarmes que usando equipamento completo anti-motins empurravam uma mulher durante uma manifestação dos Coletes Amarelos.
Surgiu então, logo a seguir, um segundo sistema de Fundo Comum, Le Pot Commun. Outro sistema em todos os pontos idêntico ao precedente. O seu sítio internet é uma cópia integral do anterior, levando a pensar que é controlado pela mesma firma. Há duas semanas, solicitamos-lhe que organizasse uma colecta. Ele aceitou o nosso pedido e os dados administrativos que lhes dirigimos. Ora, assim que lhes demos ordem para transferir o dinheiro já recolhido para uma conta bancária, aberta expressamente para este fim, deixou de nos responder. Em 25 de Julho, ele mostrava que a ordem tinha sido registada, mas não concretizada. Escrevemos-lhe várias vezes mas não nos respondeu nunca. Subitamente, a 1 de Agosto, fechou a nossa colecta e enviou uma mensagem aos nossos doadores anunciando que os ia reembolsar pretensamente «a seu pedido»... [ler mais]
Barrar todos os processos anticomunistas! (Kostas Papadakis) 08-2019
«Kostas Papadakis, eurodeputado do KKE, fez uma intervenção sobre os processos anticomunistas na Polônia e na Ucrânia, num debate com a comissária Vera Jourová na Comissão das Liberdades Civis, Justiça e Assuntos Internos do Parlamento Europeu (LIBE), denunciando as inaceitáveis respostas da Comissária a questões relevantes encaminhadas pelo Grupo do KKE no Parlamento Europeu e o interesse hipócrita da UE em “direitos humanos”.
“Senhora Comissária, numa pergunta recente sobre a posição da Comissão Europeia perante o processo inaceitável e anticomunista contra o Partido Comunista da Polônia, o seu jornal e o seu conselho editorial tentaram responder alegando que a Comissão ‘reconhece que alguns Estados Membros se adotou uma legislação que proíbe a utilização de símbolos do passado comunista' e que ‘a Comissão, no seu âmbito, sempre se comprometeu firmemente […] com a memória dos regimes totalitários'. ‘Cada Estado-Membro', disse você, ‘encontrou sua própria abordagem para lembrar sua história'.
Mrs. Jourová, a equiparação do comunismo ao monstro fascista é a-histórica e insubstancial. O que você disse em relação ao totalitarismo não tem fundamento, porque, acima de tudo, fascismo e democracia burguesa têm uma base econômica comum, que é a propriedade capitalista. Ao contrário, no socialismo, riqueza e poder estão nas mãos do povo.
Ao mesmo tempo, a UE está fazendo um barulho na Polônia pela ‘situação no setor da Justiça', que expressa as crescentes contradições dos grandes interesses dentro da UE e dá total cobertura às leis anticomunistas e aos processos anticomunistas no mesmo país.
O que você também tem a dizer sobre o fato de que, em 16 de julho, o Tribunal Constitucional da Ucrânia impôs uma proibição ao Partido Comunista da Ucrânia? É hipócrita dizer que não tem qualquer responsabilidade sobre os Estados-Membros ou outros países, uma vez que a UE apoia e financia campanhas com conteúdos anticomunistas e não históricos, como o programa ‘Europa para os Cidadãos' nos Estados-Membros.
Acontece que a UE usa os ‘direitos humanos' e ‘liberdades políticas' como uma ferramenta para intervenções e para proteger os interesses a que serve. Aparece como um ‘defensor dos direitos humanos' supostamente sensível e desinteressado, intervindo nos assuntos internos dos Estados em toda a extensão do mundo. Aplaude e põe a sua marca na escalada do anticomunismo em vários Estados-Membros, o que acompanha a intensidade da sua política antipopular e contra os trabalhadores. Ao mesmo tempo, procura manchar as conquistas do socialismo na consciência dos trabalhadores. Conquistas que os povos experimentaram e ainda relembram com altos índices de aprovação, como mostram as pesquisas nesses países, apesar de toda a lama e calúnia... [ler mais]
O Estado, Pirómanos, Lacaios e Corruptos 08-2019
Começou a dita “silly season”, onde não se passa nada de relevante e onde por vezes se passa tudo, que é o que está acontecer em período onde se conjugam várias épocas: a época dos incêndios, a época de plena campanha eleitoral, a época de acabar de encher o saco antes que a mama se acabe, a época de mostrar servilismo e serviço feito perante os amos europeus e americanos.
Os incêndios continuam e continuam em sítios onde há pouco tempo aconteceram incêndios medonhos, parece que nada se aprendeu, partindo do princípio que havia interesse em aprender alguma coisa para os evitar. Está mais de provado e comprovado que os incêndios são uma actividade económica que dá lucro a alguém e, como tal, é para ser fomentada. Com estes governos e com este modelo económico está provado que não há volta a dar, e por muito que opinem os peritos e paineleiros sobre a falta de meios e de ordenamento ou gestão da floresta, numa zoada que dura há quarenta anos.
Contudo, a época dos incêndios deste ano teve uma virtude, mostrou, mais uma vez e para quem ainda tivesse dúvidas, como funciona o PS quando está no governo quanto à gestão dos dinheiros públicos: os kits anti -fogo foram adjudicados directamente a familiares de governantes socialistas. Nada de novo, nem de especial, o facto tomou maior proporção, tal como o fogo em restolho seco, por estarmos em franca altura eleitoral, de imediato os partidos da direita ansiosos por retomar o pote deram o alarido, nada que eles já não tivessem feito.
BE e PCP guardaram de Conrado o silêncio e, logo que lhes foi solicitado, apoiaram a alteração da lei para facilitar estas negociatas com o Estado, lei que irá entrar em vigor só a partir de Outubro… para permitir mais transparência. A actual embora estando em vigor nunca foi respeitada, mas todos os partidos do poder não se cansam de afirmar que vivemos num “estado de direito”. Deve-se ser um direito para os amigos e outro para os inimigos, ou seja, o povo que trabalha e, contra a sua vontade, os vai sustentando.
Claro que, e numa de alterar as leis ao jeito da ocasião, o governo já se prepara para alterar a lei da greve na medida em que há trabalhadores recalcitrantes e que se obstinam em lutar pelos seus direitos e contra a exploração de que são vítimas, as mais das vezes uma sobre-exploração. Foram os enfermeiros que teimaram nas greves cirúrgicas, depois vieram os motoristas de matérias perigosas, que pareciam ter ido no engodo de uma melhoria salarial, mas como não se deixaram enganar pelo palavreado falacioso do governo PS, estão a levar em cima com uma campanha medonha para colocar a opinião pública contra eles e ao mesmo tempo favorável a uma alteração de uma lei, já de si bastante restritiva, que não poderá ser outra senão a proibição pura e simples da greve... [ler mais]
A dívida pública brasileira (PCB) 08-2019
«A ideia de que o Brasil está em crise é constantemente repetida. No que consiste esta crise? Nós do PCB oferecemos uma pequena contribuição sobre o problema; desta vez, nesse texto, especificamente sobre o impacto da dívida pública na vida dos trabalhadores.
Em primeiro lugar, a existência da dívida não significa que os recursos contraídos foram gastos em favor do povo brasileiro. Normalmente, o endividamento do Estado origina-se de investimentos que estimularam ou estimulam a acumulação do capital, sendo que parte deste endividamento, a maior parte, é constituída pelos juros pagos sobre os empréstimos.
Entre os anos 50 e 70 o Estado Brasileiro endividou-se porque investiu na construção de ferrovias, rodovias, companhias siderúrgicas, expansão das redes de eletrificação, comunicações, etc. O capitalismo se consolidou no Brasil graças a tais investimentos, que as empresas privadas não queriam fazer, porque era reduzida a perspectiva de lucros imediatos. Posteriormente, quando as empresas se tornaram rentáveis, e os lucros poderiam se reverter em benefícios para o povo, foram privatizadas a preços de banana pelos governos tucanos.
O governo FHC, principal responsável por esta política, alegava que os recursos das privatizações seriam usados para o pagamento da dívida pública, deixando o governo livre para efetivar gastos sociais. Seja porque os recursos obtidos com as privatizações foram ridículos, seja porque são elevadíssimos os juros pagos aos banqueiros, a dívida pública não foi amortizada e os investimentos sociais jamais foram feitos... [ler mais]
A exploração das mulheres possibilita os baixos salários de toda a classe trabalhadora (Marina Machado) 08-2019
«As mulheres são historicamente associadas a empregos que têm a ver com o cuidado dos outros. Somos responsáveis em nossa sociedade – remunerados ou não – pela educação dos filhos, pelo cuidado dos idosos, dos doentes, da limpeza, da cozinha, etc. Com esta condição imposta por tanto tempo, somos incapazes de desenvolver outros múltiplos aspectos que compõem nossa humanidade. Como isso contribui para a exploração de toda a classe trabalhadora?
A capacidade de gerar vida, isto é, de engravidar, paradoxalmente, nos torna as primeiras a ser demitidas ou dificulta a obtenção de um emprego formal. Há muito mais informalidade no trabalho feminino. Uma parte considerável das mulheres trabalhadoras domésticas são contratadas apenas por palavra, com maior risco de serem demitidas e com salários mais baixos. Porque somos mulheres, continuamos a receber menos do que os homens pelo mesmo trabalho. E o outro elemento desta divisão sexual do trabalho, que é o que dá a base do mencionado acima, tem a ver com o papel atribuído por excelência às mulheres por serem responsáveis pela reprodução da vida de todas as pessoas. É algo que o sistema precisa para nos manter vivos e renovados, a fim de voltar a vender a nossa força de trabalho no mercado, para continuar a nos explorar: o trabalho de cuidar.
O salário mínimo é baseado no custo do conjunto de bens necessários para reproduzir a capacidade de um trabalhador de vender sua força de trabalho, que é conhecida como a cesta básica da família. Em outras palavras, o cálculo do salário é feito com base no que é necessário para o trabalhador comprar para viver, isto é, em uma base comercial. Mas o que as pessoas podem comprar com o salário atual não é suficiente para reproduzir a vida. Para isso é necessário um trabalho adicional que é o trabalho de cuidado, comumente chamado de trabalho doméstico. Quando um trabalhador recebe um salário e compra comida no mercado, antes de ser consumido, é necessário cozinhá-lo. O mesmo vale para a limpeza da casa, criação dos filhos, lavagem das roupas, planejamento dessas tarefas. Estas são tarefas geralmente realizadas por mulheres e esta realidade foi socialmente construída como um valor ético que garante ser o nosso dever, o nosso papel. Nós mulheres trabalhamos por muito menos remuneração, mas por muitas mais horas. Precisamos trabalhar em casa depois do dia normal, adicionando assim muito mais horas do que o trabalho médio de qualquer homem... [ler mais]
Ha muerto Chelo, la última guerrillera gallega antifranquista 08-2019
«Ha muerto Consuelo Rodríguez López, la última guerrillera gallega antifranquista. Qué día ha elegido para dejar este mundo: un 18 de julio. El de 1936 empezó a redactarse la esquela de casi toda su familia. Un hermano en zona sublevada se pasó al Ejército republicano y la negra sombra se cernió sobre sus padres. Los legionarios llamaron a la puerta y se los llevaron, ella a rastras: “Non me soltes, miña filla, non me soltes”. Te has quedado sin padres, le espetó una vecina. “Cando me acheguei, o único que vin foi un charco de sangue”, recordaba Chelo. “Sei que morreron abrazados”.
El ser humano, valga el oxímoron, acostumbra a llamar desastre a un fenómeno natural, pero la tragedia es nacer en Soulecín, un lugar de una parroquia de O Barco de Valdeorras. Que fusilen a tus padres. Que cuatro de tus cinco hermanos varones se echen al monte y corran la misma suerte. Que sólo sobrevivas tú y Antonia, primero enlaces y luego guerrilleras: ancha es Castilla, frondosa es Galicia. Que sólo ellas y su hermano mayor puedan contarlo: de una familia de nueve, quedaron tres. Ellas, presas, maquis, exiliadas.
Chelo murió, decimos nosotros, aunque dejando atrás la pizarra de O Barco y el carbón del Ponferrada la gente dice Chelo ha muerto, como si siguiese viviendo, que es lo suyo. Si hubiese fallecido, el óbito le sobrevino lejos de aquella cuna republicana, mecida por la amistad de la progenie con el maestro comunista. Concretamente, en Ile de Ré, al sur de la Bretaña, adonde huyó tras abrazar por última vez a Arcadio Ríos, minero de Siero. Al jefe de la II Agrupación de Guerrillas León-Galicia le daba tanta vergüenza decírselo que usó como enlace al Liebre: “Chelo, me gustas mucho”, le dijo Abelardo Macías en la madriguera mientras señalaba a un Arcadio feliz, enamorad... [ler mais]
O Estado, a Nação e o SNS 07-2019
Portugal, com um governo que se diz de “esquerda”, é um dos países europeus onde a fatia do total que os mais bem pagos levam para casa é mais alta, 40% do total dos salários, uma situação que os sindicatos não explicam, já que quando defendem aumentos salariais reivindicam sempre a mesma percentagem para todas as categorias remuneratórias. Aliás, uma tendência de empobrecimento de disparidade de rendimentos entre trabalhadores que se acentua cada vez mais em todo o mundo, onde os cerca de 650 milhões de trabalhadores, isto é, 20% dos que auferem salários mais baixos, ficam com menos de 1% da remuneração mundial, precisando assim de trabalhar mais de 300 anos para garantir o mesmo que os mais bem pagos recebem num só ano. No entanto, PCP e BE, num processo de auto-ilusão vêm para a praça pública reivindicar a autoria da putativa “restituição dos rendimentos dos trabalhadores” – com certeza que estão a referir-se aos seus deputados que levam todos os meses para casa 5 mil euros limpinhos (mais de 8 vezes o SMN ilíquido).
Se em Portugal há dois países, e a nação não é toda a mesma, o Estado não é uma instituição neutra pairando sobre as classes ou os diferentes países, é um instrumento de classe cuja função é de garantir a transferência da riqueza do trabalho para o capital, e instrumento de repressão, mantendo a lei e a ordem, quando os cidadãos que produzem a riqueza se lembram de reivindicar aquilo que é seu, a riqueza e os direitos. Assim se compreende o que é apresentando como “falhas” ou “erros de gestão” pelos considerados “órgãos de informação”, mas que não passam de meios de propaganda, fazedores muitas das vezes das ditas “fake news”, os tradicionais boatos, que dizem tanto combater, mas que não passa de mais uma prova da boa gestão feita pelo governo de turno dos lucros dos capitalistas: os 30 mil milhões de euros que “fugiram” de Portugal, entre 2016 e 2018, em plena gestão costista/socialista, para off-shores, não foi um lapso mas uma transferência permitida pela União Europeia e que faz parte da essência do capitalismo, a livre circulação de capitais.
Aconteceu com a fuga dos 30 mil milhões de euros, “apenas” 15% do PIB nacional, como aconteceu e acontece com outras transferências de riqueza do trabalho para o capital desde do 25 de Abril, só para considerar o período de existência da nossa tão badalada democracia, até aos dias de hoje, com todos os governos e para não chocar as boas consciências, arranjam-se pretextos aparentemente humanitários e com a devida cobertura legal. Por exemplo, o Estado, ou seja, o governo PS/Costa, não controla, e parece que não se preocupa muito com o assunto, os 4 mil e 232 milhões de euros que concedeu, através de várias entidades públicas, em benefícios e subvenções, quer em apoio financeiro ou quer em apoio patrimonial, a mais de 70 mil entidade só no ano de 2017, com somente 25% desse valor declarado ao fisco. É bom lembrar que o Orçamento de Estado para aquele ano, assim como todos os outros nesta legislatura, foi aprovado com os votos do BE, do PCP e dos Verde, para além como é óbvio dos do PS, e que aquela situação, como não poderia deixar de ser, foi apontada pela comunicação social como uma “falha” encontrada pela Inspecção-Geral de Finanças (IGF). Dizer que esta foi uma forma encapotada de subsidiar as clientelas políticas e comprar alguns votos é logo apontada pelos corruptos mais descuidados que se deixam apanhar, como acabou de acontecer com um dos caciques do PSD que prudentemente se refugiou em Estrasburgo, uma cabala política ou atentado ao carácter... [ler mais]
A União Europeia avaliza a nomeação de quatro altos funcionários (Thierry Meyssan) 07-2019
«Em princípio, foi decidido pelos Estados Unidos, a Alemanha e a França, antes das eleições para o Parlamento Europeu, que o Presidente da Comissão seria o alemão Manfred Weber. Este havia-se comprometido a fazer cessar os trabalhos de construção do gasoduto Nord Stream 2 e a limitar a compra de hidrocarbonetos russos pela União em benefício do gás dos EUA, muito mais caro a produzir e a transportar.
Para adormecer os eleitores europeus, uma intensa propaganda assegurara que o Presidente da Comissão iria ser eleito de acordo com uma «regra democrática»: seria o cabeça de lista do mais importante grupo parlamentar eleito. E não havia dúvida de que seria Manfred Weber como Líder dos Conservadores (EPP). É claro que esta regra jamais foi democrática uma vez que democrático teria sido designar uma pessoa apoiada, não por um grupo parlamentar, mas sim por uma maioria. No entanto, a imprensa e os candidatos repetiram esta incongruência, conscientes de que a União não passa de um logro.
Ora, no último momento, a França voltou atrás no seu compromisso. O Presidente Emmanuel Macron pretextou que o seu grupo parlamentar (ALDE, entretanto tornado Renew Europe) tinha alcançado um claro avanço e assim exigir um dos quatro postos dos altos cargos mais importantes. Assim, ele fez com que Manfred Weber fosse insultado pela cabeça de lista do seu partido, Nathalie Loiseau, que o qualificou de «ectoplasma» e vetou a sua nomeação. No fim, ele próprio propôs um novo candidato alemão, Ursula von der Leyen, uma vez que a designação da francesa Christine Lagarde para a chefia do Banco Central Europeu tinha sido confirmada.
Estas duas mulheres ocuparão pois os dois postos mais importantes, enquanto o belga Charles Michel presidirá o Conselho de Chefes de Estado e de Governo — assim como o da eurozona — e o espanhol Josep Borrell será o Alto Representante para os Negócios Estrangeiros e para a Política de Segurança. Estas duas funções são puramente formais. A Presidência do Conselho consiste unicamente em dar a palavra aos oradores e em representar a União no estrangeiro. O Alto Representante é o porta-voz de uma política que todos sabem de antemão ser fixada em Washington e não em Bruxelas... [ler mais]
KKE lutará contra governo antipovo, defendendo os trabalhadores 07-2019
«O partido que prevaleceu nas eleições foi o conservador Nova Democracia, com 39,8% dos votos, e ficou evidente a insatisfação popular com o governo do SYRIZA, que obteve 31,5% dos votos.
No novo parlamento também entrou o KINAL, que é a continuação da antiga social democracia da Grécia, com 8,1%, o partido nacionalista-racista “Solução Grega”, com 3,7% e o partido social democrata MERA25, com 3,4% dos votos. Em contrapartida, os outros 16 partidos que participaram das eleições, incluindo a organização criminosa fascista “Aurora Dourada”, que regrediu significativamente em votos, acumulando 2,9%, não superaram o mínimo eleitoral obrigatório de 3%.
Imediatamente após o anuncio do resultado, Dimitris Koutsoumpas, Secretário Geral do Comitê Central do KKE, fez a seguinte declaração:
“Agradecemos a todas e a todos que votaram no KKE e especialmente aos que deram esse passo pela primeira vez. Também aqueles que cooperaram com o KKE nesta batalha eleitoral, participando de suas listas, ainda que pertencessem a outras correntes políticas no passado, continuando a luta junto do KKE de modo similar às eleições europeias. Damos as boas vindas aos milhares de membros, quadros, amigos do Partido e à KNE – Juventude do Partido – que deram seu melhor esforço para fortalecer o KKE.
No dia seguinte, encontrará novas forças no caminho do contra ataque, no caminho da luta de classes.
As condições eleitorais, assim como das eleições europeias de um mês atrás, refletem uma nova correlação entre os partidos burgueses, com o predomínio do Nova Democracia sobre o SYRIZA e, portanto, a mudança no governo, mas sem mudança substancial de política, ao mesmo tempo em que se fortalece a bipolaridade, mas também com uma tendência geral ao conservadorismo.
Nas eleições se marcou uma legítima insatisfação popular com o governo do SYRIZA, que nos últimos anos implementou uma política antipopular, continuando o trabalho dos governos do Nova Democracia e do PASOK. Contudo, é negativo que uma parte do povo tenha escolhido as opções antipopulares mais antigas já comprovadas, como o Nova Democracia. A covardia e a calúnia dos valores socialistas do SYRIZA desmobilizaram as pessoas radicais de esquerda, afetando negativamente o movimento operário e popular... [ler mais]
Acuerdo Mercosur-UE: rumbo a la subordinación económica (Sergio Martín-Carrillo) 07-2019
«Teniendo en cuenta el contenido del acuerdo Mercosur-UE, sólo el bloque europeo parece tener motivos reales para celebrarlo.
La semana pasada se anunció la firma del acuerdo comercial entre el Mercosur y la Unión Europea (UE). Esto se produce tras más de 20 años de negociaciones en las que, en muchas ocasiones, pareció que no se avanzaba debido a las grandes resistencias que el acuerdo tenía en amplios sectores de la población. Sin embargo, en los últimos años se aceleraron las tratativas. La búsqueda de un rápido acuerdo entre ambos bloques es resultado más de la necesidad de enviar un mensaje político que de la negociación y eliminación de las resistencias que existían ante el acuerdo.
Desde el lado mercosureño, el impulso se ha dado principalmente desde Argentina, con el afán de Mauricio Macri de intentar dar una supuesta buena noticia en el plano económico y que le permite patear la pelota hacia adelante diciendo que “ahora sí, gracias a este acuerdo, la lluvia de inversiones está próxima a llegar.” Se trata de una de los últimos tiros de Macri para intentar llegar con posibilidades a la contienda electoral de este año, aunque las encuestas, como la propia realizada en CELAG[1], no son esperanzadoras para sus intereses. El Brasil de Jair Bolsonaro también ha apostado finalmente por el acuerdo, imponiéndose la visión ultraliberal del Gabinete económico por sobre la visión nacionalista de parte del sector militar.
Por su lado, la Unión Europea, en crisis por el Brexit y la pérdida del poder protagónico en la esfera internacional en favor de China y Estados Unidos, necesita posicionarse como el gran bloque que sigue apostando de manera fuerte por la globalización neoliberal ante las orientaciones nacionalistas y proteccionistas de algunos de los principales actores de la esfera internacional. Además, al igual que Macri, el brazo ejecutivo de la Unión Europea dominado por los conservadores está próximo a acabar su mandato, y en los próximos días podría confirmarse que la Presidencia de la Comisión Europea pasará, por primera vez en los últimos 15 años, a un socialdemócrata... [ler mais]
O estado que isto chegou! 07-2019
Parafraseando Salgueiro Maia, chefe militar do 25 de Abril desprezado pela camarilha que assumiu as rédeas do poder após o 25 de Novembro de 1975, a quem foi recusado uma pensão pelos serviços prestados ao país pelo então primeiro-ministro Cavaco Silva, pródigo em pensões aos ex-pides, é mesmo para dizer quando olhamos para o que se passa actualmente no país: ao estado que esta merda chegou!
Enquanto o salário mínimo nacional (SMN) é de 600 euros e a média salarial ronda os 900 euros (ambos ilíquidos), os membros da Comissão Executiva da TAP (empresa 50% pública), responsáveis pelos 118 milhões de euros de prejuízo em 2018, trataram de atribuir a 180 pessoas da empresa, incluindo os próprios, 1.171 milhões de euros em prémios e o Conselho de Administração da CGD (banco público), constituído por 8 elementos, vai receber uma remuneração de 655.297 euros em bónus relativamente a 2017 pelo seu “bom desempenho”, que consistiu em aumentar as comissões e reduzir os juros dos depósitos, muitos dos cidadãos terão que pagar ao banco para lhes guardar o dinheiro, uma mera contabilidade de merceeiro.
E a Assembleia da República, o órgão supremo da democracia, aprovou, com uma “estranha” maioria (já que juntou PCP e CDS), o aumento do vencimento dos juízes e conselheiros que passarão a ganhar mais que o primeiro ministro. Não é de estranhar que agora os magistrados do Ministério Público, quando está para aprovação o seu estatuto, liderados pela ex-procuradora Vidal, venham a terreiro acusar os partidos de quererem instrumentalizar a Justiça e, armados em justiceiros, lançar a campanha contra a corrupção, subentendendo-se que serão os partidos os principais responsáveis pela chaga do regime, fazendo lembrar o que se passou recentemente, e que ainda se está a passar, no Brasil. Quando a tão badalada democracia se esvai pelo descrédito e inoperância quanto aos problemas do povo, outros poderes mais autocráticos se levantam, demonstrando que o estado se mantém como garantia última do poder burguês e capitalista. Com a contradição de quem levanta a bandeira do combate à corrupção tem um historial de protecção da mesma quando se trata da sua área política.
Enquanto o salário mínimo nacional (SMN) é de 600 euros e a média salarial ronda os 900 euros (ambos ilíquidos), o governo PS/Costa aprova rendas de casa “acessíveis” de 1.150 euros por um T2 em Lisboa e de 1.000 euros no Porto. E a dívida pública atinge em Maio o montante histórico de 252,4 mil milhões de euros, o que representa um aumento de 200 milhões de euros em relação ao mês de Abril. E o Banco de Portugal prevê que o PIB per capita (riqueza por pessoa) fique próximo de 60% da média da zona euro em 2021, um valor mais baixo que no início da entrada no euro… e para inverter o declínio sugere medidas para aumentar produtividade (!?), onde não inclui o aumento geral dos salários... [ler mais]
Chegou a hora da Revolução Brasileira - Crítica à ideologia da industrialização e do crescimento econômico (Jones Manoel) 07-2019
«Como bem colocou Lênin, em ‘O Estado e a revolução', só se consegue reformas por meio da luta revolucionária. No capitalismo dependente, em particular, essa assertiva leninista é mais precisa ainda: só é possível lograr reformas estruturais dentro de um processo de transição socialista.
Desde o processo de libertação do colonialismo espanhol, instaurou-se na América Latina uma controvérsia sobre a dependência. Intelectuais, políticos, partidos, movimentos populares e instituições de pesquisa acadêmica refletem há décadas sobre os motivos do “atraso” latino-americano, as condições de vida do seu povo e as soluções para superar os problemas vividos. Existe, tanto na América Latina como um todo, como no Brasil em particular, um riquíssimo material com diferentes leituras da realidade e propostas de intervenções de acordo com os confrontos históricos de cada momento e os interesses das classe e dos grupos que permeiam essas formulações.
Na sociedade dividida em classes, nenhuma formulação teórica com expressões de massa é separada da luta de classes. É parte da luta de classes uma encarniçada batalha pela direção moral, política e intelectual da sociedade – isto é, das diversas classes, frações e grupos sociais –, e essa direção é obtida por meio de uma economia política que combina de forma estratégica a coerção e o consenso. Os dominados, tendencialmente, estarão amoldados à ordem dominante porque as próprias formas sociais capitalistas produzem isso: o fetichismo da mercadoria e alienação são complexos sociais típicos e inseparáveis do capitalismo.
Contudo, o capitalismo é permeado de contradições, e o amoldamento à ordem do capital precisa ser construído e reproduzido ao mesmo tempo em que é reposto pela base material própria das relações sociais e das relações de produção existentes. Nesse processo, as classes e frações de classe atuam concretamente por meio de suas expressões políticas (como partidos ou movimentos), aparelhos ideológicos e intelectuais que funcionam como produtores de uma hegemonia político-cultural sobre a sociedade e tornarão o interesse particular de uma classe, ou bloco de classe, como o interesse geral, universal... [ler mais]
A Europa na estratégia nuclear do Pentágono (Manlio Dinucci) 06-2019
«General da Infantaria da Marinha, Joseph Dunford, Presidente da Comissão Conjunta dos Chefes do Estado-Maior, concedeu os diplomas aos alunos da Universidade da Defesa Nacional, em 13 de Junho de 2019. Aproveitou a oportunidade para assegurar que “É aos oficiais generais que compete conduzir a mudança, num mundo incerto”.
Os Ministros da Defesa da NATO (de Itália, Elisabetta Trenta, M5S, de Portugal, João Gomes Cravinho) foram convocados para reunir em Bruxelas, em 26 e 27 de Junho, a fim de aprovar as novas medidas de “dissuasão” contra a Rússia, acusada, sem qualquer prova, de ter violado o Tratado INF.
Fundamentalmente, irão alinhar-se com os Estados Unidos que, retirando-se definitivamente do Tratado, em 2 de Agosto, preparam-se para instalar na Europa, mísseis nucleares de alcance intermédio (entre 500 e 5.500 km) com base no solo, semelhantes aos da década dos anos 80 (os Pershing II e mísseis de cruzeiro) que foram eliminados (juntamente com os SS-20 soviéticos) pelo Tratado assinado em 1987 pelos Presidentes Gorbachev e Reagan.
As principais potências europeias, cada vez mais divididas dentro da UE, reúnem-se na NATO sob o comando USA para apoiar os seus interesses estratégicos comuns.
A mesma União Europeia - da qual 21 dos 27 membros fazem parte da NATO (assim como faz parte a Grã-Bretanha, de saída da UE) - rejeitou nas Nações Unidas, a proposta russa de manter o Tratado INF. Sobre uma questão de tal importância, a opinião pública europeia é deixada, deliberadamente, no escuro pelos governos e pelos principais meios de comunicação mediática. Assim, não se avisa sobre o perigo crescente que paira sobre nós: aumenta a possibilidade que, um dia, se venha a usar armas nucleares.
Confirma-o, o último documento estratégico das Forças Armadas dos EUA, “Nuclear Operations” (11 de Junho), redigido sob a direcção do Presidente do Estado Maior reunido. Dado que “as forças nucleares fornecem aos EUA a capacidade de atingir os seus objectivos nacionais", o documento salienta que as mesmas devem ser “diversificadas, flexíveis e adaptáveis” a “uma ampla gama de adversários, ameaças e contextos”... [ler mais]
Socialismo democrático ou social-democracia envergonhada? (Pedro Marin) 06-2019
«Vemos, portanto, que o socialismo democrático do qual falam Ocasio Cortez e Bernie Sanders nada têm de socialismo. Trata-se de propostas democráticas, no mínimo, ou social-democratas, no máximo. O socialismo é, por excelência, a ideia de que o “o conceito de capital como sociedade deva ser abolido”. Os socialistas não querem “resgatar” ou “dar sustentação” ao capital; essa é a tarefa autodeclarada dos social-democratas, que assegurando “direitos econômicos básicos” pretendem “racionalizar o capital”. Tomemos as palavras de Keynes, expoente da social-democracia, em carta para o presidente Roosevelt, na qual defendia o New Deal que tanto inspira Bernie Sanders:
“Se você falhar, a mudança racional será gravemente prejudicada pelo mundo, deixando a ortodoxia e a revolução para lutar contra ela.”
Tomemos agora as palavras de Lênin, em “A Ditadura Democrática Revolucionária do Proletariado e do Campesinato”:
“Subjetivamente, Jaurès queria salvar a república, entrando para isso numa aliança com a democracia burguesa. As condições objetivas desta ‘experiência' consistiam em que a república em França era já um fato e nenhum perigo sério a ameaçava; em que a classe operária tinha toda a possibilidade de desenvolver uma organização política de classe independente e utilizou insuficientemente esta possibilidade sob a influência, em parte, por conta da farsa parlamentar de seus líderes; que de fato a história apresentava já à classe operária as tarefas da revolução socialista, da qual os Millerands afastaram o proletariado com a promessa de minúsculas reformas sociais. […] Quanto mais nós conquistarmos agora, quanto mais energicamente defendermos o que foi conquistado, tanto menos poderá ser retirado em consequência da inevitável reação futura, tanto mais breves serão estes intervalos de reacção, tanto mais fácil será a tarefa para os lutadores proletários que nos seguem. E aqui surgem pessoas que querem de antemão, antes da luta, medir com precisão, a metro, “à Ilovaiski”, o modestíssimo pedaço das conquistas futuras, pessoas que antes da queda da autocracia, mesmo antes do 9 de Janeiro, tiveram a ideia de meter medo à classe operária da Rússia com o espantalho da horrível ditadura democrática revolucionária! E aspiram estes medidores ao nome de sociais-democratas revolucionários…“
A razão para Sanders e Cortez falarem em “socialismo democrático” ao invés de social-democracia, e de posarem de radicais (“radical significar ir à raiz do problema” – palavras de Ocasio Cortez) quando são por definição reformistas, é simples: os primeiros dois adjetivos são mais bonitos em um momento de crise e de agravamento da luta de classes do que os dois últimos. E essa postura marketeira, por incrível que pareça, parece florecer como radical e revolucionária, como “nova” (de quantas coisas novas não falou Brecht?) inclusive em mentes que rejeitam o “New Deal” brasileiro dos governos petistas, por reconhecerem nele, acertadamente, não o socialismo – mas um capitalismo reformado; não a radicalidade que corta a árvore podre – mas o desejo de aparar seus galhos para dar ao tronco mais vitalidade; não a vitória – mas a derrota... [ler mais]
Causa Galiza denuncia a detençom de independentistas galegos e reclama a sua liberdade imediata 06-2019
«Neste passado fim de semana, a repressom política volveu-se fazer violentamente presente para a comunidade independentista galega cobrando-se a detençom dos militantes Joám Manuel Sanches, Miguel Garcia Nogales, Assunçom Lousada Camba e Antom Garcia Matos, submetidos nestes momentos à aplicaçom da Ley Antiterrorista e, como noutras ocasions, aos traslados a Madrid a instalaçons policiais sob condiçons de absoluta impunidade para os seus captores.
Do mesmo jeito, também, os principais meios de difusom do regime espanhol figérom o seu unánime e inapelável juízo mediático, que estigmatiza e condena como noutras ocasions as pessoas detidas seguindo as diretrizes da Guardia Civil. Perante este cenário dramático, esta organizaçom política modesta em dimensons mas firme em conviçons quere pôr sobre a mesa, à vista da opiniom pública independentista e nacionalista, e da opiniom pública do País, umha série de questons, opinions e avaliaçons reclamando a vossa atençom para as mesmas:
1. Em primeiro lugar, exigimos ao Governo espanhol, à Audiencia Nacional e à Guardia Civil a suspensom das medidas antiterroristas de que som objeto nestes momentos as quatro pessoas detidas, exprimimos a nossa profunda preocupaçom polo facto de que podam ser maltratadas ou torturadas durante a incomunicaçom de que som objeto e reclamamos a imediata posta em contacto com os seus advogados, advogadas e familiares, a sua liberaçom e o retorno para a Galiza.
2. Denunciamos a cumplicidade da prática totalidade dos meios de difusom com a Oficina de Prensa de la Guardia Civil. Mais umha vez, demonstrárom a subordinaçom mais canina aos ditados do instituto militar e a sua conversom em meros divulgadores da versom policial. A vulneraçom de todos os códigos deontológicos da profissom jornalística impom-se de novo impudicamente para amparar a repressom política numha prática que a sociedade galega deverá avaliar com atençom... [ler mais]
Solidaridade internacionalista a Angeles Maestro! 06-2019
«O Tribunal Nacional nega a rejeição do caso contra Angeles Maestro e mais duas companheiras, acusadas de enviar fundos para o povo palestino, e promove a abertura de um Sumário Ordinário por colaboração com organizações terroristas.
O Juizado nº 6 da Audiência Nacional encarregado do caso contra Angeles Mestre e as duas companheiras acusadas de financiamento de terrorismo foi organizado por ordem de um auto disposto no dia 10 de junho de 2019 negando a suspensão do caso e dando “continuidade ao procedimento pelos trâmites do Sumário Ordinário, levando em conta as penalidades do crime a que lhes é atribuído”. As penalidades previstas no Código Penal incluem entre dois e dez anos de prisão e multas de três vezes os valores enviados.
A acusação se baseia nas duas campanhas de angariação de fundos destinados à solidariedade para com o povo palestino, através de uma conta bancária de que era titular Angeles Mestre e duas companheiras autorizadas. Estas campanhas aconteceram em 2014 e 2015, anos em que Israel promoveu ataques militares contra o povo palestino, causando milhares de mortos e feridos e destruição generalizada de casas, escolas e hospitais. Tais eventos foram relatados no documentário “Gaza”, recentemente premiado com um Goya.
Em sua declaração ao Supremo Tribunal realizada no último dia 05 de fevereiro, Angeles Mestre assumiu total responsabilidade pela realização de tais campanhas visavam o envio de fundos – em valores modestos como 5.300 euros em 2014 e 3.085 em 2015 – para ajudar a reconstrução de escolas e hospitais. O cumprimento deste objetivo foi confirmado por meio de um documento oficial da Autoridade Nacional Palestina apresentado perante o Juizado... [ler mais]
Apetites insaciáveis: Trump e Israel preparam roubo do século 06-2019
«A ideia do plano de paz entre Israel e a Palestina apareceu no alvorecer da presidência de Donald Trump. Apenas o presidente dos Estados Unidos e alguns de seus assessores conhecem todo o seu conteúdo.
Este plano está na mesa há muito tempo. E parece claro que não foi combinado com o lado palestino. Durante a reunião de maio de 2017 entre Trump e o líder palestino, Mahmud Abas, o último se opôs veementemente ao projeto. Entre os palestinos, há temores de que o acordo faça com que seu estado desapareça. E eles não estão exatamente entusiasmados com a ideia.
Tendo em conta as cláusulas do acordo, será extremamente difícil convencer as autoridades palestinas a assinar o documento. No lugar de argumentos convincentes, os EUA e seus aliados tentam impor sua visão ao lado palestino por meio de chantagens, confirmou o analista internacional Juan Luis González Pérez em seu comentário ao Sputnik.
O “acordo do século” também envolve a renúncia à criação de um estado palestino como tal nas fronteiras legal e internacionalmente reconhecidas, acrescentou González Pérez. Nesse sentido, é muito improvável que esse acordo venha a se concretizar.
“Um plano tão arrumado para o lado israelense nunca poderia ser aprovado por nenhum líder palestino. Se um deles cedesse às pressões e decidisse aprová-lo, ele seria imediatamente removido de sua posição para sempre. É absolutamente inaceitável e eu diria mesmo ilegal”, disse ele... [ler mais]
Praça da Paz Celestial, 1989: A história revisitada (Godfree Roberts) 06-2019
«1989 foi um ano muito incomum: o 40º aniversário da fundação da República Popular, o 70º aniversário do Movimento Quatro de Maio, o centenário da Segunda Internacional Comunista e o bicentenário da Revolução Francesa. A URSS estava se desintegrando, e a Reforma e Abertura de Deng, dizia Orville Schell,[1] “empurrou a sociedade chinesa para a marcha ré, esmagando o país em uma forma de capitalismo desregulado que fez os EUA e a Europa parecerem quase socialistas em comparação”. As radicais reformas de preços de mercado provocaram uma grande inflação e uma inquietação popular, estudantil e operária.
Elizabeth Perry escreveu: “A Revolução Cultural deixou uma marca significativa nos protestos populares na China pós-Mao. Repertórios de ação política coletiva popularizados durante a Revolução Cultural – como cantar canções revolucionárias, marchas, comícios e greves de fome – tiveram um grande impacto no movimento de protesto de 1989. O espectro assombrado da Revolução Cultural também teve um impacto crucial na interpretação daquele movimento pelo governo Deng – e, portanto, na reação a ele. Mais de três décadas após a China ter se aventurado no caminho da mercantilização capitalista, a realidade sombria da desigualdade socioeconômica, degradação ambiental, demissões maciças de trabalhadores de empresas estatais, evisceração de proteções sociais, corrupção oficial desenfreada, apropriação ilícita de bens públicos e a exploração do trabalho migrante rural levou ao desmoronamento do amplo, mas frágil, consenso sobre a direção e a racionalidade das reformas pós-Mao que dominaram as discussões intelectuais chinesas dos anos 1980”. Segundo Suzanne Pepper, a Reforma e Abertura – até onde as pessoas comuns podiam ver na época – eram desastres, e o que faltava para acender o fogo do protesto[2]:
“Com as múltiplas crises econômicas e políticas de 1988 e 1989, as consequências da década de reforma de Deng Xiaoping para, pelo menos, o ensino superior, podem ser melhor categorizadas como uma grande tragédia para todos os envolvidos. A década de Deng começou com grande festa, grandes esperanças e a reversão total das prioridades da Revolução Cultural... [ler mais]
Dia 14/06: vamos parar o Brasil! 06-2019
«Nas grandes manifestações de 15 e 30 de maio, estudantes e trabalhadores da educação, juntamente com vários outros segmentos populares, foram às ruas contra os cortes na educação e a radicalização da aplicação das políticas neoliberais pelo governo Bolsonaro. As mobilizações, que incluíram paralisações, passeatas e expressivos atos públicos em mais de duzentas cidades em todo o Brasil, focaram as reivindicações na defesa da Educação e da Ciência, na melhoria de condições de funcionamento das Universidades e dos Institutos Federais, na liberdade de cátedra e na valorização dos profissionais do ensino.
Mas havia muito mais coisa em jogo, afinal o caráter antipopular do atual governo é de tal monta que é difícil listar todos os seus descalabros. Em menos de seis meses, além de aplicar as medidas que visam destruir a educação pública, Bolsonaro e seus asseclas detonaram a política de valorização do salário mínimo, liberaram o uso de agrotóxicos, fizeram regredir a fiscalização contra os agressores do meio ambiente, ampliaram as perseguições e ataques a sindicalistas, ativistas, professoras e professores e estimularam a invasão de territórios indígenas e quilombolas por fazendeiros, tudo isso para favorecer os patrões, banqueiros, latifundiários e monopólios capitalistas. Como se não bastassem tantos ataques, a iniciativa de liberação do porte de armas evidencia a intenção de facilitar a ação criminosa das milícias nas cidades e dos grandes proprietários no campo.
Sob o comando do núcleo ultraliberal dirigido por Paulo Guedes, o governo avança com a agenda de privatizações, alienação do patrimônio público brasileiro, entrega das nossas riquezas naturais, enquanto cresce de forma vertiginosa o desemprego e pioram ainda mais as condições de vida e trabalho da imensa maioria da população. Junto a esses ataques aos direitos da classe trabalhadora e de todo o povo, que foram duramente conquistados com muita luta na história desse país, vem o projeto de desmonte da previdência pública, com o propósito de proporcionar mais lucros ao grande empresariado e ao sistema financeiro
Uma das justificativas para aprovar a dita Reforma é o suposto rombo da Previdência Social, divulgado como algo que vai desajustar a economia e colocar em risco a manutenção do sistema. Porém, os cálculos apresentados não são baseados na realidade e buscam esconder que o real motivo do projeto é a criação de um mercado para atuação das empresas privadas que desejam abocanhar os volumosos recursos do dinheiro público. E nada se fala sobre a dívida das 50 maiores empresas sonegadoras da previdência, que chega a 450 bilhões de reais!... [ler mais]
Tiananmen 30 anos depois: o massacre que não foi (Brian Becke) 06-2019
«Há 30 anos atrás, todos os meios de comunicação dos EUA, juntamente com o então presidente Bush e o Congresso americano, estavam agitando uma histeria em larga escala e atacando o governo chinês pelo que foi descrito como o massacre de milhares de estudantes não violentos e “pró-democracia” que ocupavam a Praça Tiananmen – ou Praça da Paz Celestial – por sete semanas.
A histeria gerada acerca do “massacre” da Praça Tiananmen foi baseada em uma narrativa fictícia sobre o que realmente aconteceu quando o governo chinês finalmente esvaziou o local dos manifestantes em 4 de junho de 1989.
A demonização da China foi altamente eficaz. Quase todos os setores da sociedade americana, incluindo a maior parte da “esquerda”, aceitaram a narrativa imperialista sobre o que aconteceu.
Na época, a contagem oficial do governo chinês foi imediatamente descartada como propaganda falsa. A China informou que cerca de 300 pessoas morreram em confrontos no dia 4 de junho e que muitos dos mortos eram soldados do Exército de Libertação do Povo. A China insistiu que não houve massacre de estudantes na Praça Tiananmen e, de fato, os soldados removeram os manifestantes da praça sem qualquer disparo. [1]
O governo chinês também afirmou que soldados desarmados que entraram na Praça Tiananmen nos dois dias anteriores a 4 de junho foram incinerados e linchados, com seus cadáveres pendurados em ônibus. Outros soldados foram queimados vivos quando veículos do exército foram incendiados, sendo impedidos de abandonarem seus carros, e muitos outros foram seriamente agredidos por violentos ataques de vândalos.
Essas contas eram verdadeiras e bem documentadas. Não seria difícil imaginar com que violência o Pentágono e as agências policiais dos EUA teriam reagido se o movimento Occupy Wall Street, por exemplo, tivesse incendiado soldados e policiais, roubado suas armas e os linchado enquanto o governo removia os manifestantes dos espaços públicos.
Em um artigo de 5 de junho de 1989, o Washington Post descreveu como os combatentes antigoverno estavam organizados em formações de 100 a 150 pessoas. Eles estavam armados com coquetéis molotov e barras de ferro para se defrontarem com o Exército de Libertação do Povo (ELP), que, até dois dias antes de 4 de junho, ainda estava desarmado.
O que aconteceu na China, que tirou a vida dos opositores do governo e dos soldados em 4 de junho, não foi um massacre de estudantes pacíficos, mas uma batalha entre soldados do ELP e destacamentos armados do chamado “movimento pró-democracia”... [ler mais]
Quem domina o presente (Ramos de Almeida) 06-2019
«A BBC denomina-o como o “dia decisivo”. A enviada da Antena 1 à Normandia lembrou o dia que foi “o princípio do fim da segunda guerra mundial”. O Diário de Notícias menciona-o como o dia que “marcou a reviravolta na Segunda Guerra Mundial e o princípio do fim da ocupação nazi”. O El Pais sublinha a coincidência da visita de Donald Trump, Emmanuel Macron e Justin Trudeau que "acompanham a rainha Isabel II (...)  para celebrar “a batalha que mudou o curso da história".  João Carlos Espada no Observador usa o “o épico desembarque na Normandia das tropas aliadas britânicas” para desenvolver toda uma análise sobre os aliados de hoje.
As operações mediáticas são igualmente operações militares. A contrainformação não é apenas aquilo que pode ser considerado facknews. Nestes dias, assistimos - sem notar - a mais uma dessas operações, de remontagem dos cenários da forma que mais se ajeita a quem está - hoje! - a fazer a História. Muito à laia da velha máxima de George Orwell: "Quem domina o passado, domina o futuro. E quem domina o presente, domina o passado". 
Na verdade, a reviravolta na segunda guerra não se deu na Normandia, mas na União Soviética. E é pena como a história dos vencedores - de alguns vencedores - passa na cabeça dos jornalistas como faca quente por manteiga.
Dois terços dos efectivos alemães deslocados para a frente leste foram lá derrotados. Mesmo no campeonato de mortos na guerra, a Europa ocidental fica muito atrás da URSS, precisamente devido ao atraso na abertura dessa segunda frente na Europa.
A correspondente da Antena 1 lembrou que existe um canto dos Estados Unidos doado pelo Estado francês, para albergar os dez mil mortos caídos em defesa da Europa. Mas se os Estados Unidos perderam cerca de 300 mil homens desde a sua entrada no conflito em 1941, e a Inglaterra cerca de 375 mil, a União Soviética viu desaparecer cerca de um décimo da sua população (uns 27 milhões de habitantes). A guerra arrasou cerca de 70 mil cidades e aldeias, seis milhões de casas, 98 mil quintas, 32 mil fábricas, 82 mil escolas, 43 mil bibliotecas, seis mil hospitais, milhares de quilómetros de estradas e caminhos de ferro. Para os povos que constituíram a URSS, a guerra tornou-se num sentimento politizado de orgulho nacional... [ler mais]
A necessária reunificação do movimento comunista (S Sudhakar Reddy) 06-2019
«A reunificação do movimento comunista na Índia é essencial para deter a marcha do fascista RSS-BJP (aliança de direita, unindo o Rashtriya Swayamsevak Sangh – Partido Patriótico Nacional – e o Bharatiya Janata Party – Partido do Povo Indiano) e a ofensiva direitista em todos os aspectos da vida humana em nosso país. Isso pode aumentar a unidade das forças democráticas seculares no país que, juntamente com a esquerda unificada, podem desempenhar um papel decisivo nos próximos dias, com Narendra Modi e o BJP de volta ao poder com maioria ampliada. A convocação nesse sentido foi dada na reunião de dois dias da Executiva Nacional do Partido realizada na sua sede central, Ajoy Bhavan, Nova Delhi, em 27 e 28 de maio de 2019.
A reunião que discutiu em detalhes os resultados da Eleição Geral de 2019 e o desempenho do partido chegou à conclusão de que a derrota da esquerda na eleição é um revés muito grande e resultou em um desafio sem precedentes para o nosso partido. Nosso partido só conseguiu obter a representação de Tamil Nadu em entendimento com o DMK (Dravida Munnetra Kazhagam, partido existente no Estado de Tamil Nadu, nascido a partir de uma dissidência do antigo Partido da Justiça), sob a liderança de M K Stalin. O Partido Comunista Indiano (Maoísta) também teve a seu crédito um número igual de dois assentos de Tamil Nadu e um assento de Kerala. Toda a esquerda está reduzida a cinco assentos no novo Parlamento, que é a menor representação da esquerda desde a independência.
O quadro e as fileiras de esquerda estão naturalmente desapontados e infelizes. Embora a vitória e a derrota sejam normais nas eleições, a perda de votos em grande parte abalou não só o partido inteiro, mas até mesmo nossos apoiadores e simpatizantes. É motivo de grande preocupação que a erosão da votação tradicional da esquerda seja muito alta em Bengala Ocidental e uma grande parte dela tenha ido para o BJP. É muito alarmante. O voto da esquerda foi reduzido de 25% para 7% em Bengala. Em Kerala, enquanto a UDF (United Democratic Front – Frente de União Democrática) obteve 39%, a LDF (Left Democratic Front – Frente Democrática de esquerda) obteve 27%, o que também é uma grande derrota. O aspecto mais perturbador é o fato de estarmos perdendo representação em estado após estado, exceto em Kerala e Bengala. No total, o PCI obteve 35,76184 votos, o que é inferior aos 42,00,000 votos de 2014... [ler mais]
As mãos desmedidas do grupo Bilderberg (e os lacaios portugueses) - Manlio Dinucci 06-2019
«Durante muitos anos, muitas falsidades foram escritas sobre o Grupo Bilderberg. No entanto, a partir de documentos, é possível ter uma visão fidedigna. Muitos pesquisadores asseguraram-no através de um trabalho longo e difícil. Não é um governo global, mas uma rede de influência, composta pela CIA e pelo MI6 para apoiar a NATO.
Três italianos foram convidados este ano para a reunião do grupo Bilderberg, realizada em Montreux, na Suíça, de 30 de Maio a 2 de Junho. Ao lado de Lilli Gruber, a apresentadora televisiva do La7, agora convidada permanente do Bilderberg, foi convidado outro jornalista: Stefano Feltri, Vice-Director do ‘Fatto Quotidiano', dirigido por Marco Travaglio. O "terceiro homem" escolhido pelo Bilderberg é Matteo Renzi, senador do Partido Democrata, antigo Presidente do Conselho.
O grupo Bilderberg, constituído formalmente em 1954, por iniciativa de “cidadãos eminentes” europeus e americanos, foi na verdade criado pela CIA e pelo serviço secreto britânico MI6 para apoiar a NATO contra a URSS [1]. Após a Guerra Fria, manteve a mesma função de apoio à estratégia USA/NATO.
Às suas reuniões são convidados a participar todos os anos, quase exclusivamente da Europa Ocidental e dos Estados Unidos, cerca de 130 representantes do mundo político, económico e militar, dos meios de comunicação mediática de destaque e dos serviços secretos, que participam formalmente a título pessoal. Reúnem-se à porta fechada, cada ano num país diferente, em hotéis de luxo blindados por sólidos sistemas de segurança militar. Não é admitido nenhum jornalista ou observador, nem é publicado qualquer comunicado. Os participantes estão sujeitos à regra do silêncio: não podem sequer revelar a identidade dos oradores que lhes forneceram certas informações (perante a proclamada “transparência”).Só sabemos que este ano falaram principalmente da Rússia e da China, de sistemas espaciais, de uma ordem estratégica estável, do futuro do capitalismo. As presenças mais destacadas eram, como de costume, as dos Estados Unidos... [ler mais]
Julian Assange: Carta do cárcere 06-2019
«Obrigado, Gordon. Você é um bom homem.
Fui isolado de toda capacidade para preparar a minha defesa: nem laptop, nem internet, nunca, nem computador, nem biblioteca, até agora, mas mesmo que eu obtenha acesso [à biblioteca] será apenas por meia hora, junto com todo mundo, uma vez por semana. Apenas duas visitas por mês e leva semanas para conseguir [inserir] alguém na lista de chamada, e é uma sinuca (Catch-22) conseguir que os seus pormenores sejam examinados pela segurança. Além disso, todas as chamadas exceto com o advogado são gravadas, têm um teto de 10 minutos e só podem ser realizadas numa janela limitada de 30 minutos em cada dia, no qual todos os prisioneiros disputam o telefone. Quanto ao crédito? Apenas algumas libras por semana e ninguém pode ligar pra cá.
E do outro lado da disputa judicial? Uma superpotência que vem se preparando por nove anos com centenas de pessoas e incontáveis milhões investidos no caso. Estou indefeso e conto contigo e com outros de bom caráter para salvar minha vida.
Estou intacto, embora esteja literalmente cercado de assassinos. Mas os dias em que eu podia ler, falar e organizar para me defender, para defender meus ideais e o meu povo estão acabados até que eu esteja livre! Todos os demais devem tomar o meu lugar.
O governo dos EUA, ou melhor, aqueles elementos lamentáveis que odeiam a verdade, a liberdade e a justiça, querem trapacear a fim de obter minha extradição e morte ao invés de permitir que o público ouça a verdade, pela qual ganhei os maiores prêmios de jornalismo e pela qual fui nomeado sete vezes para o Prêmio Nobel da Paz.
A verdade, em última instância, é tudo o que temos.
J. P. A.... [ler mais]
Sobre os resultados das eleições europeias (Rémy Herrera) 06-2019
«Regressemos antes ao essencial, isto é, à vitória da extrema-direita em França. Por que razão ganhou? Porque razão beneficia de um apoio crescente entre as classes populares que, tendo em vista o seu gosto pronunciado pela mestiçagem, não parecem racistas? Numerosas causas, trabalhando a sociedade em profundidade por um longo período, de natureza socio-económica, ideológica, mesmo psicológica, poderiam ser mobilizadas. Especificando que as nossas hipóteses dizem respeito a um tema: que o racismo é uma doutrina intrinsecamente de direita e visceralmente secretada pelo pensamento burguês a fim de dividir as classes dominadas; que as classes populares não são geneticamente mais estúpidas do que as outras e assim – ainda que manipuladas pelos media – , não são menos capazes de identificar o seu interesse de classe; e que largas componentes destas mesmas classes laboriosas estão hoje disponíveis para uma mudança social radical, prontas para uma “saída do sistema” (certas partes das classes médias parecendo também na iminência de se deslocar para o mesmo campo). Arrisquemo-nos a avançar uma dessas causas, entre outras, importante naquilo que diz respeito à esquerda. Mas tabu. Ei-la: mais e mais segmentos das classes laboriosas dão o seu apoio à extrema-direita porque a julgam – erradamente - como mais capaz de lhes dar respostas aos inúmeros sofrimentos que os afligem e aos medos que os assombram. Medo face ao desemprego, à precarização, à degradação social, medo face à abertura das fronteiras e à perda da soberania nacional, medo finalmente face à imigração. Tudo ao mesmo tempo, como diz o outro. Porque eles pensam também – justamente neste caso – que a maioria das organizações partidáriaa da esquerda, tal como funcionam actualmente, com as suas contradições, as suas divisões, as suas hesitações, as suas deficiências, renunciaram (ou deixaram de ter capacidade) a defendê-los.
As forças da esquerda não estão encostadas à parede, estão no fundo da parede. Da parede capitalista. Ou elas finalmente entendem que não haverá saída da crise capitalista senão pela saída do próprio sistema capitalista, ou o país (e a Europa com ele) seguirá inelutavelmente a via que os EUA acabam de empreender, a do acesso ao poder de uma extrema-direita. Como é o caso nos seus dois aliados indefectíveis que são Israel e a Arábia Saudita. E muito recentemente do Brasil, onde JairBolsonaro é um produto fatal do fracasso do reformismo. Portanto, sair do capitalismo surge como o imperativo absoluto de todos os verdadeiros progressistas. Ambientalistas incluídos, é claro, e em primeiro lugar, que devem tomar consciência de que se trata de uma questão de vida ou de morte, que a alternativa fundamental permanece mais do que nunca a de socialismo ou barbárie. Se 88 milhões de europeus vivem em condições inaceitáveis de pobreza, uns privados de emprego, outros lançados à competição entre trabalhadores, todos vendo os seus direitos eliminados, é porque a lei da selva do capitalismo o impõe. Se o “Estado francês” - para nomear aquilo em que está em vias de se tornar – vende a retalho o melhor da indústria nacional (entre 1.000 exemplos possíveis, o ramo de energia da Alstom à General Electric. .. que despede 1.000 assalariados em Belfort), foi porque fez a escolha de abdicar face aos diktates de Bruxelas e à ditadura do grande capital globalizado.Se os migrantes procuram alcançar as costas da Europa – e é devido recebê-los e tratá-los dignamente –, é porque a miséria e a guerra os impelem a fazê-lo, arriscando as suas vidas, porque o capitalismo saqueia as suas sociedades e porque o imperialismo que gera os faz sofrer conflitos criminosos.Se a crise climática provoca tanta devastação é porque nenhum limite é colocado à loucura e a rapacidade dos exploradores. É preciso arrancar de nós essa espiral destrutiva... [ler mais]
Capitalismo, Sionismo y Genocidio: Palestina descuartizada (Cecilia Zamudio) 06-2019
«Entre bombardeos, muertes de física hambre y cinismo sigue la tortura contra Palestina. Naciones Unidas anuncia una crisis humanitaria en la que un millón de personas están en riesgo de quedarse sin alimento en Gaza[1] y en la que las amputaciones debido a las agresiones israelíes y la precariedad sanitaria aumentan de manera trágica; Europa sigue apuntalando al régimen de Israel (con cabildeo, fondos e inclusión en todos sus festivales[2] para hacerle así propaganda a su régimen predilecto en Oriente Medio); Israel sigue aduciendo, en cinismo extremo, que lo que perpetra es «preventivo» y «defensivo».
Israel, apuntalado por EEUU y la UE, es el ocupante y gendarme para garantizar el saqueo capitalista en toda la región. De manera recurrente, cada cierto tiempo, Israel desata sus bombarderos sobre el pueblo palestino: toneladas de bombas que se suman a los francos tiradores, al bloqueo, a los arrasamientos de casas de familias palestinas, a los encarcelamientos masivos, a las desapariciciones forzadas, a la privación de agua, al robo de tierras, etc.
El sionismo israelí perpetra un genocidio: miles de niñas y niños palestinos, miles de personas, quedan fragmentadas de dolor y esquirlas por los bombardeos israelíes, miles de muertes estampadas en la Historia del Capitalismo y del sionismo, estampadas en la complicidad europea y estadounidense, en la manipulación mediática y en el silencio que arropa a los genocidas.
El Estado de Israel sigue alienando a los niños israelíes desde muy pequeños, les martillea la teoría racista del sionismo desde las escuelas, para convertirlos en futuros soldados de odio y exterminio, legitimadores de la barbarie con enajenantes diatribas supremacistas y religiosas. A los niños israelíes, el Estado sionista les organiza constantes «visitas militares». Incluso los invitan a firmar y dibujar sobre los misiles, a escribir «dedicatorias» sobre las bombas [3] que luego harán volar por los aires a los niños palestinos, a los niños libaneses, descuartizando sus cuerpitos y sus sueños. Esos son los niveles de alienación para sustentar la barbarie... [ler mais]
Eleições europeias, um fraco arranque para as legislativas 05-2019
Quanto aos resultados em si, não se pode dizer que o PS tenha tido uma grande vitória, como se vangloria o candidato e o chefe Costa, foi a vitória esperada, sabe a pouco e como sinal para as próxima legislativas não prevê uma vitória por maioria absoluta. Não deixará de ser uma vitória já que as legislativas de 2015 não foram ganhas, será um avanço e que faz pensar em descartar-se dos dois idiotas úteis que foram e são o BE e o PCP, outras soluções para a aprovação do Orçamento de Estado – documento fundamental que define a política e consagra a distribuição do produto do saque da riqueza pública pelos diversos interesses e cliques instalados – estão a ser estudadas, atendendo a esperada mudança de correlação de forças dentro do Parlamento, palco principal da encenação de democracia.
Os partidos da oposição PSD e CDS mais não colheram o que semearam, atacaram o governo naquilo que fez de mau como de menos mau, incluindo o que eles fizeram quando estiveram no governo, esqueceram-se que o voto também se compra; desta vez, foi a dita “recuperação de rendimentos “ dos trabalhadores, que na Função Pública não ultrapassou os 2%, quando o congelamento das carreiras implicou uma redução de rendimento que chegou aos 20%. No tempo do Cavaco ministro das Finanças, governo de Sá Carneiro, este, em vez de desvalorizar o escudo, valorizou-o em 30% para ganhar as eleições ao PS, provocando depois um agravamento do estado da economia, o que exigiu a intervenção do FMI, entretanto também debelado pelos dinheiros que vieram da então CEE. Aposta-se no imediato, conta-se com a amnésia de grande parte do eleitorado, utiliza-se os meios de propaganda, os putativos OCS e demais analistas e paineleiros. O objectivo é manter o PS no governo enquanto conseguir impor a política de maior exploração aos trabalhadores sem que estes se revoltem.
Com o PS tem sido a política da cenoura, quando deixar de resultar, então será a vez da direita pura e dura. Para a qual a burguesia se está a preparar com a proliferação de partidos de extrema-direita, levados ao colo não só pela Comunicação Social, mas até pela própria Igreja Católica (ICAR) que, num impulso espontâneo, aconselhou o povo a neles votar, tendo posteriormente recuado por reconhecer a precipitação e o PS ainda servir para a encomenda. E são as polícias cujo poder e meios estão a ser reforçados, com agentes abertamente nazis a ser benevolamente “condenados” com o branqueamento do seu racismo e ódio pelos trabalhadores e elementos pobres do povo. E o aparelho judicial, com juízes que não mostram sequer o mínimo pudor quanto às suas ideias autoritárias, patriarcais, anti-género; pelo contrário, fazem alarde porque sabem que contam com a impunidade por inamovíveis – poder judiciário que não foi beliscado sequer com o 25 de Abril, uma última reserva do poder burguês pronto a actuar como se viu recentemente no Brasil, não sendo por acaso que Sérgio Moro é convidado pela segunda vez em curto período de tempo para palestrar, em Portugal, as suas ideias retrógradas e anti-democráticas. O governo prepara-lhes aumento salarial para que fiquem a ganhar ainda mais que o primeiro-ministro. Como se constata, o PS tem sido sempre o incubador do fascismo... [ler mais]
KKE emerge como uma consistente força de resistência 05-2019
No dia 26 de maio, foram realizadas eleições triplas na Grécia: Parlamento Europeu, eleições regionais e municipais.
O KKE conseguiu reeleger os dois deputados que tinha no Parlamento Europeu, acumulando 257.360 votos ou 5,5% (com 83% da integração).
Além disso, as cédulas da coligação “Comício do Povo” passaram para o 2º turno nos 5 Municípios que tinham candidatos a prefeito comunistas, enquanto nas regiões e municípios em geral, o “Comício do Povo” aumentou significativamente o número de membros eleitos para os legislativos municipais.
O registro do descontentamento popular nas eleições está levando o partido governante a anunciar eleições nacionais antecipadas para o final de junho.
Em sua declaração aos meios de comunicação de massa, Dimitris Koutsoumpas, Secretário Geral do CC do KKE, observou o seguinte a respeito dos resultados das eleições:
“Antes de tudo, gostaríamos de agradecer a todos aqueles que responderam ao apelo do KKE para unir forças com ele. Todos os que nos prestigiaram, participando das eleições apoiando o Partido, mas também todos aqueles que, em condições difíceis, foram às urnas e votaram no KKE nas eleições para o Parlamento Europeu e no “Comício do Povo” nas eleições municipais e regionais. Gostaríamos de agradecer especialmente a todos que deram esse passo pela primeira vez, aos jovens que deram seu primeiro voto ao nosso partido.
Acima de tudo, a batalha das eleições europeias, mas também a das eleições locais, teve características que, na verdade, se referem a eleições nacionais.
Os resultados eleitorais registram mais uma alternância antipovo entre SYRIZA e ND, isto é, entre os dois maiores partidos que representam os interesses do capital, da UE e da OTAN.
Confronto, polarização, falsas promessas, dilemas extorsivos, especialmente entre os dois partidos do bipolarismo, criaram um clima que afetou os estratos populares que ainda não acreditam em sua própria força, deixando-a inexplorada.
Como todos sabem, o KKE – desde o primeiro momento – enfrentou todas as batalhas eleitorais com critérios políticos uniformes em todas as pesquisas. Como dissemos em muitas ocasiões, a UE dá diretrizes antipopulares, os governos as implementam, as autoridades municipais e regionais as especificam, dentro de um quadro institucional asfixiante que foi criado de forma conjunta por todos os outros partidos que governaram... [ler mais]
KKE para las elecciones al Parlamento Europeo 05-2019
«1) En Grecia, este 26 de mayo se caracteriza por una "triple batalla electoral" para las elecciones europeas, regionales y locales. Es bien sabido que las elecciones para el Parlamento Europeo están generalmente lejos de movilizar al pueblo y, por lo tanto, los niveles de participación siguen siendo muy bajos. El KKE, incluso como partido representado en el Parlamento Europeo, siempre se ha opuesto firmemente a las ilusiones sobre el carácter de la UE, un centro imperialista que sirve a los intereses de los monopolios europeos. ¿Cuál es el significado de las elecciones europeas para el KKE?
Respuesta: El sistema político burgués toma medidas cada vez, reajustándose, para facilitar la manipulación de los trabajadores y poner nuevos obstáculos al esfuerzo del KKE. No celebran las elecciones europeas junto con las elecciones locales por razones de "economía" de recursos financieros públicos. Sin embargo, el KKE proclama hoy que nuestro pueblo ha probado todas las "soluciones" que se encuentran dentro de los muros de la UE y del modo de producción capitalista. La gestión socialdemócrata – de la vieja y de la nueva socialdemocracia de SYRIZA, y cada tipo de recetas "neoliberales", "conservadoras" y "euroescépticas" sirven al sistema de explotación capitalista y la dictadura de los monopolios. Es por eso que todos los promotores de este sistema han tomado y están tomando medidas duras contra los pueblos,  que llevan al enriquecimiento de los grandes grupos monopolistas a expensas de nuestros derechos.
Todos los trabajadores que entienden los bloqueos que el sistema capitalista crea para su vida tienen una opción hoy: apoyar la propuesta del KKE de retirada de la UE, con el poder en las manos del pueblo, independientemente si esté de acuerdo con todo lo que propone el KKE. Tenemos una gran responsabilidad frente a nosotros: demostrar que una parte importante de la clase obrera, de las capas populares y de la juventud que viene de ellos no acepta el camino de sentido único de la UE, condena esa unión reaccionaria de los monopolios y el sistema de explotación podrido que ella apoya. ¡Mostremos a los trabajadores de todos los países que la lucha por la retirada de la UE, con el poder y la economía en manos de los trabajadores, para Grecia, la Europa del socialismo, se fortalece!... [ler mais]
“Dívida”: a questão ocultada nas eleições europeias (UndebtedWorld Collective) 05-2019
«Os cidadãos da União Europeia são chamados a votar essa semana para o Parlamento Europeu. Não é parlamento real, e lhe faltam as vias para vir a ser parlamento real, porque todas as decisões importantes são tomadas por membros não eleitos da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu, também conhecido como “o Banco Central mais mal administrado do mundo”.
Essas eleições capturam contudo o estado de espírito geral de exasperação contra políticas em curso. Partidos Conservadores e de extrema Direita ganharam assentos, o que reflete o ceticismo que se alastra quanto ao rumo econômico da UE e o nenhum benefício que assegura às pessoas comuns. A esquerda ‘mainstream’ infelizmente não olha esses problemas e pagará o preço da omissão.
Conservadores de modo geral culpam o bode expiatório mais fraco: os refugiados, os imigrantes, as mulheres e os pobres, ao mesmo tempo em que prometem salvar a classe média do massacre que lhe faz o grande capital. Criam falsas esperanças de reformas fáceis, e jamais denunciam a exploração inerente ao sistema atual. 
Mas a história mostra que pequenos proprietários só conseguem resistir ao estrangulamento se se unem, numa só causa, com os trabalhadores e com os pobres, e se perdem o medo de lutar.
A economia parece mais frágil a cada dia. De modo geral, o PIB nominal da Eurozona estagnou, tendo encolhido 12% nas seis maiores economias no período 2008-2017. A União Europeia permanece indiferente às necessidades dos povos, ao mesmo tempo em que corre a satisfazer até os mais mínimos desejos das grandes empresas. Mas nem assim o Alívio Quantitativo [ing. Quantitative Easing] e outros esquemas capitalistas de compadrio promovidos pelo BCE, como as Parcerias Público-Privadas (PPPs) ou novas Operações de Refinanciamento de Longo Prazo (ing. Targeted Long-term Refinancing Operations (TLTRO-III) conseguem salvar o dia.
Donald Trump declara com todas as letras que “pouco me importa a Europa”, mostrando que os EUA consideram o continente europeu como pouco mais que bando de estados vassalos. Em todos os países a desigualdade cresce, as grandes empresas governam, os oligarcas impõem o que queiram. A França liberal exibe o mais abjeto autoritarismo contra os Coletes Amarelos. A Itália caça refugiados. Direitos e renda dos trabalhadores são continuadamente erodidos em todos os lugares, e a mulher trabalhadora é atingida com especial violência... [ler mais]
Todo el crecimiento de la deuda pública en la UE desde 1995 corresponde a intereses (Juan Torres López) 05-2019
«La oficina estadística europea, Eurostat, publicó el mes pasado los últimos datos oficiales sobre la deuda pública en la Unión Europea.
A finales de 2018, la deuda total acumulada por los gobiernos de los 28 país miembros sumaba 12,7 billones de euros y el de los países de la UE(19) 9,86 billones. En el primer caso, fueron 136.000 millones más que en 2017 y en el segundo 99.000 millones, es decir, que creció más o menos un 1% anual (datos aquí ).
Por otro lado, la cantidad pagada por los gobiernos en concepto de intereses en 2018 fue de 293.983,2 millones de euros en la UE(28) y de 213.177,5 millones en la UE(19). datos aquí .
Pero lo más interesante es comparar el aumento de la deuda pública europea con la suma pagada por intereses a lo largo del tiempo.
Según los datos históricos de Eurostat, desde 1995 - año en que comienzan a proporcionarse datos para la UE(19) - hasta 2018, la deuda total aumentó en 5,79 billones de euros y durante esos años se pagaron 6,4 billones de euros en intereses. Es decir, el 110,6%. Lo que significa que no sólo la totalidad del crecimiento que ha tenido la deuda pública europea en los últimos 18 años, sino incluso un poco más, corresponde al pago de intereses.
En España, ese porcentaje ha sido menor pero también muy elevado. En el mismo periodo, la deuda pública aumentó en 877.503 millones de euros y se pagaron un total de 569.592 millones de euros en intereses, lo que representa el 64,9% del incremento de nuestra deuda pública.
Dicho de otra manera: si los gobiernos europeos hubieran tenido acceso a la financiación del Banco Central Europeo, que crea el dinero de la nada y puede prestarlo, por tanto, sin interés, la deuda pública europea no constituiría ningún tipo de problema para los gobiernos... [ler mais]
O verdadeiro capitalista português e o seu agente de negócios 05-2019
A semana que passou foi fértil em acontecimentos políticos. Os professores foram mais uma vez enrolados, desta vez também pelos partidos da putativa oposição, após o Costa (e PS) ter ameaçado com a demissão caso a lei da contagem de tempo fosse aprovada, PSD e CDS fizeram logo marcha-atrás e o BE e PCP na sua mediática “firmeza” ajudaram a geringonça. Os partidos da oposição ao colaborarem nesta farsa revelam sua verdadeira face, são pilares do establishment, defendem a continuação da austeridade, agora mais mitigada, querem os trabalhadores, em particular os funcionários públicos, debaixo da canga, são serventuários de Bruxelas, que impõe as políticas financeiras ao país, e de uma elite nacional, constituída por uma corja de parasitas que enriquece à custa do erário público. Esta gente, para além de gozar com a nossa cara, trata como idiotas os inúteis dos “representantes da Nação” – as imagens da audição a Joe Berardo, que ferrou o calote de 960 milhões de euros à banca, salva com os dinheiros públicos, na segunda comissão de inquérito  (fantoche) à Caixa Geral de Depósitos, são por si só mais que elucidativas. Para quem tivesse dúvidas, e nem seria preciso ver o programa televisivo satírico sobre o tema, ficará agora ciente de que em Portugal temos um primeiro-ministro poltrão, um chefe de oposição troca-tintas e uns deputados perfeitamente imbecis. Depois venham queixar-se dos populismos e de que a extrema-direita está a crescer.
A não contagem de todo o tempo para a carreira dos professores, a continuação na prática do congelamento as carreiras de todos os trabalhadores da função pública (a luta dos enfermeiros e a resposta do governo são o melhor exemplo), cujos salários são sempre uma referência para o sector privado, enquadra-se na estratégia seguida desde há muito, não só a partir do início da crise que serviu mais como pretexto, de fazer vergar os trabalhadores, mostrar-lhes que não vale a pena lutar, que as suas reivindicação são irrealistas e os esforços são irresponsáveis. E o partido que, até agora, melhor tem conseguido aplicar esta política tem sido o PS, pela máscara que ainda consegue manter de “socialista” e pela base social mais ampla englobando um sector importante de trabalhadores que se deixam iludir com mais algumas parcas migalhas. Quando o PS não conseguir cumprir com este papel será de imediato corrido do poder e terá, inclusivamente, a existência em risco.
Contudo, à medida que o povo persevera na sua luta o PS vai deixando cair a máscara ao usar os mesmos métodos de um qualquer governo de direita, manipulando a opinião pública contra quem luta, estivadores, enfermeiros, professores, motoristas de matérias perigosas e o que mais aí venha. O Costa, para além da mentira e da manipulação, não tem engulho de lançar a intimidação e a repressão quando vê que do outro lado não há medo. A sindicância à Ordem dos Enfermeiros e os processos aos enfermeiros grevistas comprovam que à medida que a luta dos trabalhadores avança se esbate a distância entre o governo da geringonça PS/BE/PCP e um governo de extrema-direita mais soft . Processo este que se tem vindo a desenvolver, especialmente agora contra os professores, e beneficiando do maior dos silêncios do PR Marcelo, o mais populistas de todos os políticos, encerra já em si o germe do mais abjecto populismo – o Costa se continuar como primeiro-ministro, é ele que chocará os ovos do fascismo... [ler mais]
Intelectuais franceses manifestam apoio aos “coletes amarelos” e repudiam a política de Macron: Nous accusons! 05-2019
«Face à la dérive autoritaire du gouvernement, un très large collectif d'universitaires et de membres de la société civile s'insurge contre la «criminalisation» de toute personne s'opposant «à ses lois et à ses politiques funestes» et contre une «violence d'État» servie par l'usage d'armes de guerre. Ils appellent l'ensemble des citoyens «à se joindre au mouvement social».
Depuis le 17 novembre 2018, plusieurs centaines de milliers de citoyens et citoyennes expriment leur inquiétude face à un pouvoir sourd à leurs revendications. Ils trouvent la force et le courage de prendre la parole en disant haut et clair qu'ils en ont assez et ne subiront plus les effets des politiques néfastes qui depuis plusieurs décennies pillent impunément leur travail et les biens communs.
Les voix des gilets jaunes ont permis de mettre à nu les mensonges et les pseudo-justifications « scientifiques » données par le pouvoir et la meute de ses courtisans pour couvrir l'ampleur et l'importance de la prédation. Leur soulèvement a montré le vrai sens d'une politique qui a sciemment organisé le transfert des biens laborieusement accumulés par 95 % de la population vers les 5 % des couches les plus aisées. Leur force a été de faire prendre conscience de la duplicité d'un pouvoir, osant se féliciter d'avoir multiplié par quatre les énormes richesses détenues par une infime minorité. Avec la grande majorité des Français.es, nous nous sommes reconnu.e.s dans la prise de conscience des gilets jaunes. Chacun.e de nous a pu constater que, dans tous les secteurs de la société, nous étions confronté.e.s aux effets des mêmes politiques qui tendent à aggraver constamment les inégalités sociales.
D'emblée, les demandes et les attentes de changement nées avec ce soulèvement populaire ont été clairement développées. Elles se sont aussitôt heurtées à un pouvoir qui n'a cessé d'en ignorer le contenu pour en affadir la portée déstabilisante. Ce fut d'abord le silence assourdissant d'un président et de sa cour, murés dans leur palais. Ce fut ensuite la tentative de duper la foule avec les fausses promesses et les petites aumônes concédées en faisant encore payer les moins aisés et les services publics. Ce fut aussi la mise en place d'un simulacre de consultation d'où l'on avait très savamment extirpé toute possibilité d'interaction et de débat. Ce fut, surtout, la décision claire et réfléchie d'empêcher par tous les moyens l'expression publique des demandes et des revendications... [ler mais]
Manifesto – Pela Verdade dos Factos 05-2019
«Como Professores, membros da comunidade educativa e autores de diversos espaços de discussão sobre educação, temos opiniões livres e diversificadas.
Porém, não podemos ficar indiferentes quando está a ser orquestrada uma tão vil e manipuladora campanha de intoxicação da opinião pública, atacando os professores com base em falsidades.
Tais falsidades, proferidas sem o devido contraditório, por membros do Governo e comentadores, deveriam ser desmontadas com factos e não cobertas ou reforçadas pelo silêncio da comunicação social, que deveria estar mais bem preparada para que a opinião pública fosse informada e não sujeita a manobras de propaganda.
Serve este manifesto para repor a verdade dos factos:
O Governo, pelo Ministério da Educação, a 18 de novembro de 2017, assinou um acordo com os sindicatos de professores, onde se comprometeu a recuperar todo o tempo de serviço. É, por isso, falso que essa intenção seja uma conspiração da oposição ou resulte de uma ilusão criada pelos sindicatos de professores.
A recuperação total do tempo de serviço também foi proposta pelo PS. O PS, em dezembro de 2017, recomendou a total recuperação do tempo de serviço, conforme se pode verificar no diário da república (Resolução da Assembleia da República n.º 1/2018). É, por isso, falso que o PS nunca apoiou a recuperação integral do tempo de serviço congelado.
Os valores apresentados pelo Governo sobre o custo da recuperação do tempo de serviço docente são falsos. Foi prometida há perto de um ano uma comissão para calcular os custos reais e até hoje não conhecemos o resultado do seu trabalho. Os números reais que estimamos, líquidos, rondam os 50 milhões de euros anuais, caso se opte pela solução da Região Autónoma da Madeira, de recuperar os 9 anos, 4 meses e 2 dias, no prazo de 7 anos. O Governo já apresentou por diversas vezes contas inflacionadas, com totais baseados em médias erróneas. Um grupo de professores verificou-as e constatou, segmentando os dados, a sua falsidade (https://guinote.wordpress.com/2019/01/21/as-nossas-contas/). Ora, uma mentira dita muitas vezes nunca se transformará em verdade... [ler mais]
A União Europeia, no momento e no futuro (Thierry Meyssan) 05-2019
«Os cidadãos da União Europeia, que deverão eleger o seu parlamento a 25 e 26 de Maio, aprestam-se a fazer a pior escolha. Observando os seus problemas imediatos, eles hesitam entre as diversas prioridades. Mas, se pelo contrário, analisassem um extenso período da sua história, eles compreenderiam a origem dos seus problemas sociais, económicos e políticos e, sem qualquer dúvida, decidiriam de forma diferente.
Na sequência da Segunda Guerra Mundial, em 1947, o Embaixador George Kennan concebeu a política de contenção (containment) [1] e o Presidente Harry Truman formou as instituições de segurança nacional (CIA, Comité conjunto permanente dos Chefes de Estado-Maior, Conselho Nacional de Segurança) [2].
Washington e Londres viraram-se então contra Moscovo (Moscou-br), o seu anterior aliado. Cogitaram criar uma nacionalidade anglo-saxónica comum e decidiram incorporar a Europa Ocidental ao seu estandarte criando para isso os «Estados Unidos da Europa», sob o seu controlo.
Tratava-se para eles de estabilizar a parte que ocupavam da Europa Ocidental, face à Europa Oriental ocupada pelos Soviéticos. Beneficiaram do apoio das burguesias, particularmente daquelas que haviam colaborado com o Eixo nazi, assustadas pela nova legitimidade dos partidos comunistas, principais forças vitoriosas ao lado da União Soviética.
Eles apoiaram-se no sonho de um alto-funcionário francês, Louis Loucheur: juntar-se à gestão do carvão e do aço necessários às indústrias de armamento da Alemanha e da França, de tal modo que não mais pudessem guerrear-se entre si [3]. Isto deu origem à CECA (Comunidade Europeia do Carvão e do Aço), antecessora da União Europeia.
No contexto da guerra entre as duas Coreias, Washington decidiu rearmar a Alemanha Ocidental face à de Leste. De modo a que os Estados Unidos da Europa em formação pudessem gerir um exército comum, mas não se atrevessem a transformar-se numa força independente e permanecessem sob controle anglo-saxão, foi criada a União da Europa Ocidental (UEO). Ela ficou responsável pela política externa e de defesa comum... [ler mais]
Guerra en Venezuela (Marcelo Zero) 05-2019
«La gran pregunta que todos se hacen en el momento es si habrá o no una guerra en Venezuela.
Bueno, en primer lugar, hay que considerar que EEUU ya está en guerra con Venezuela. Una guerra híbrida, no convencional, pero una guerra.
Estados Unidos está haciendo todo en Venezuela. Además del embargo comercial y financiero, que ya ocasionó la muerte de al menos 40 mil personas, confiscaron oro y otros activos de Venezuela en el exterior, promovieron actos de sabotaje que llevaron a apagones, instituyeron un títere ridículo (Guaidó) para intentar derribar a Maduro mediante un golpe, articuló el aislamiento diplomático y político de nuestro vecino, hacen presión para que los militares abandonen el gobierno constitucional, promueven una gran campaña de desinformación sobre Venezuela para criminalizar a Maduro y al régimen bolivariano, etc.
La cuestión no es, por lo tanto, si Estados Unidos entrará en guerra con Venezuela, sino si la actual guerra híbrida escalará hacia una guerra militar  en estricto sentido.
Para intentar responder a esta pregunta, tenemos que tener en cuenta dos grandes factores.
El primero hace a la nueva geoestrategia de EEUU para América Latina. Ellos quieren implantar, a hierro y fuego, si es necesario, la Nueva Doctrina Monroe, según la cual nuestra región tiene que ser, de nuevo, un espacio de influencia exclusiva de los Estados Unidos. Un «patio trasero», como dicen los hispanos.
En ese nuevo escenario, no habría lugar para países que tengan políticas externas independientes y relaciones más profundas con China y Rusia, por ejemplo, rivales geopolíticos y geoeconómicos de EEUU. Así, el derrocamiento del Gobierno Maduro es esencial para la agenda de EEUU en la región, pues Caracas tiene hoy relaciones bastante estrechas con esos rivales de EEUU y practica una política exterior muy independiente, aunque jamás haya dejado de proveer su petróleo al gigante norteamericano. Vale añadir que el gobierno de Bolsonaro, bien sometido que es, ya amenaza salir del BRICS y abandonar programas chino-brasileños...[ler mais]
Encontro dos Partidos Comunistas da América do Sul 05-2019
«Em Montevideu, em Abril de 2019, os Partidos Comunistas da América do Sul, inspirados nas lutas dos comunistas sul-americanos, que se encontraram pela primeira vez na Primeira Conferência dos Comunistas Sul-americanos, em 1929, e proclamando-nos seus seguidores como aqueles comunistas herdeiros dos Povos Indígenas, de Artigas, Bolívar, Sucre, San Martin, Gaspar Rodriguez de Francia, Hidalgo, Miranda, O'Higgins e Mariátegui, Recabarren, Agosti, Ponce, Prestes, Arismendi, Allende, Chávez e Fidel Che Guevara, cujos exemplos de luta nos inspiram, declaram:
1. A situação actual do mundo é marcada pela crise geral do capitalismo especulativo financeiro, impulsionado pelos estados imperialistas, gerando uma ordem concentradora e excludente, sustentada através de guerras de rapina, procurando se apropriar dos recursos naturais e do produto de trabalho de biliões de pessoas, impedindo qualquer possibilidade de soberania e desenvolvimento independente. Isto se materializa por meio da imposição de mecanismos comerciais e financeiros como o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional, entre outros, assegurando o domínio global de suas empresas transnacionais, que se apropriam do excedente dos países menos desenvolvidos, inserindo-os no processo de globalização de uma forma subordinada, perpetuando a primarização das nossas economias, o que também gera uma desindustrialização do aparelho produtivo de nossos países, depredando a natureza e ameaçando a existência do planeta e a sobrevivência dos seres humanos.
2. Na América Latina vivemos em um perigoso processo de declínio político e social do campo popular, o que permitiu o retorno do neoliberalismo ainda mais agressivo do que em fases anteriores, como mostram os governos do Chile, Argentina e Paraguai, incluindo-se o surgimento de governos de ultradireita, como no Brasil e na Colômbia, configurando todos eles uma contraofensiva imperialista e neocolonialista com as oligarquias locais a serviço do imperialismo norte-americano, e os erros e falhas de forças políticas de esquerda, populares e progressistas, que devem ser analisados criticamente para serem corrigidos e para que seja retomada a ofensiva.
3. Esses governos e outros, reunidos no Grupo de Lima, pretendem acabar com os mecanismos de soberania, com parcerias de integração e complementares, com a cooperação solidária como objectivo, substituindo-os por meros acordos comerciais a serviço das transnacionais, como a proposta do PROSUR recentemente lançada. Estamos particularmente preocupados com a liquidação da Unasul, a paralisação da CELAC e a estagnação dos espaços políticos do Mercosul e a retracção da OEA ao papel de mero ministério de colônias dos Estados Unidos, liderada por Luis Almagro, transformado em fantoche norte-americano, expulso por unanimidade da Frente Ampla do Uruguai... [ler mais]
Viva o primeiro de Maio! 05-2019
«Já no século passado os trabalhadores de todos os países resolveram celebrar anualmente este dia, o Primeiro de Maio. Isso foi em 1889, quando, no Congresso de Socialistas de Todos os Países, realizado em Paris, os trabalhadores resolveram proclamar, precisamente neste dia, primeiro de Maio, quando a natureza está acordando de seu sono de inverno, quando as matas e morros estão vestindo seus mantos verdes e os campos e os prados estão adornando-se com flores, quando o sol brilha mais calorosamente, quando a alegria do renascimento enche o ar e a natureza se entrega à dança e à alegria – eles resolveram proclamar, abertamente e em alta voz a todo o mundo, precisamente neste dia, que os trabalhadores estão trazendo a primavera à humanidade e sua libertação das correntes do capitalismo, que essa é a missão dos trabalhadores, de renovar o mundo com base na liberdade e no socialismo.
Toda classe tem seus próprios festivais. A nobreza introduziu seus festivais, e neles proclama seu "direito" de roubar os camponeses. A burguesia tem os seus festivais e em suas datas "justificam" seu "direito" de explorar os trabalhadores. O clero também tem seus festivais, e neles elogia o sistema existente sob o qual os trabalhadores morrem na pobreza enquanto os ociosos nadam na luxúria.
Os trabalhadores, também, precisam ter seus festivais, e neles devem proclamar: trabalho universal, liberdade universal, igualdade universal de todos os homens. Este festival é o Primeiro de Maio.
É isso o que os trabalhadores resolveram fazer já naquela data, em 1889.
Desde então o grito de guerra dos trabalhadores pelo socialismo tem ecoado cada vez mais alto nos encontros e passeatas no primeiro de Maio. O oceano do movimento operário se expande mais e mais, se espalhando para novos países e estados, da Europa e da América à Ásia, África e Austrália. No curso de apenas algumas décadas, a previamente débil associação internacional dos trabalhadores se tornou uma poderosa irmandade internacional, que mantêm congressos regulares e une milhões de trabalhadores em todas as partes do mundo. O mar de fúria proletária está subindo em ondas gigantescas, e avança cada vez mais ameaçadoramente contra as cidadelas cambaleantes do capitalismo. A grande greve dos mineiros recentemente deflagrada na Grã-Bretanha, na Alemanha, na Bélgica, na América, etc., uma greve que colocou medo nos corações dos exploradores e dos governantes de todo o mundo, é um claro sinal de que a revolução socialista não está distante... [ler mais]
45 anos depois, uma democracia pútrida e umas celebrações rançosas 04-2019
Realizaram-se as comemorações dos 45 anos do 25 de Abril, houve discursos na Assembleia da República, como é da praxe, e manifestação pela Avenida da Liberdade abaixo, como também é da tradição, com a particularidade de todos os partidos da geringonça irem de braço dado e em vivas à “democracia” e à “liberdade”. Trabalhadores, governantes e deputados, uns alegremente explorados, outros de sorriso na boca a pensar no pote, e ainda uns terceiros, embora não estando presentes, esfregando as mãos de contentes porque os negócios vão de vento em popa. E estes, sim, os que ganham verdadeiramente com o 25 de Abril: por exemplo, um Berardo a rir-se com 900 milhões de euros no bolso; um Soares dos Santos que, não pagando impostos sequer por não ter a sede das empresas no país, pretende que os trabalhadores portugueses trabalhem até aos 69 anos e, com algum jeito, até aos 80; ou um Oliveira e Costa que, tendo sido condenado a 14 anos de prisão por ser o principal responsável pela falência do BPN e paga pelo povo em mais de 7 mil milhões de euros, vai gozando sossegadamente a velhice sem bater com os costados na prisão; ou ainda um Ricardo Salgado que, indo alegremente passar férias à Suíça, goza com a cara do povo português, tardando que se faça justiça, caso isso venha alguma vez acontecer. E, acima de tudo, Bruxelas vela que nesta praia ocidental tudo decorra em conformidade, ou seja, o protectorado pague em dia as contas, só em serviço da dívida pública são mais de 8 mil milhões anuais, e cumpra com o dito “tratado orçamental” (garantia do não desenvolvimento do país) para gáudio dos bancos do centro da Europa.
E, como seria de esperar, Costa e PS, como bons lacaios que são, e entendendo que esta seria uma excelente forma de comemorar o 25 de Abril, de vésperas e a correr apresentaram o famigerado Programa de Estabilidade, o último da legislatura, e o Programa Nacional de Reformas, tão o gosto de Bruxelas e do directório Alemanha/França, numa clara continuação de perda de soberania do país, de aumento das desigualdades sociais e económicas no seio da sociedade portuguesa, de estagnação e até de retrocesso económico; ou seja, exactamente no sentido inverso ao que deveria ser feito, mas que corresponde ao projecto da burguesia nacional, satisfeita em estar inserida dentro da cadeia do capitalismo global, recebendo em troca as migalhas deixadas pelo repasto da exploração do povo português levada a cabo pelos grandes grupos económicos e bancos internacionais que nos vão invadindo. A ida quase urgente do PR Marcelo à China expressa bem a ganância das elites nacionais em diversificar as suas formas de financiamento, isto é, de dependência e subjugação, não se importando com a cor e o cheiro do dinheiro, com a ideologia ou os tais “direitos humanos”, estes mais usados por questões de imagem política, desde que seja o povo a pagar a factura, melhor dizendo, embarque alegremente na exploração. Porque este regime de democracia de opereta saído do 25 de Abril é mesmo isso: ser o povo a consentir na sua exploração... [ler mais]
Contas A Sério (Maurício Brito) 04-2019
«Os resultados a que chegámos:
De uma forma resumida, podemos afirmar que a despesa do Estado rondaria os 300 milhões de euros – metade do valor que o governo apresenta. E que se falarmos numa solução como a encontrada na Madeira, ou seja, diluída em 7 anos, não chega a 50 milhões de euros (acumulativos) anuais.
Como explicar essa diferença:
Para isso seria fundamental entender como chegou o governo aos números que apresenta. A verdade é que os cálculos que alicerçam esse repetido valor de 600 milhões nunca foram apresentados. Nem mesmo o grupo de trabalho, pretensamente criado pelo governo no ano passado para produzir uma estimativa rigorosa dos custos das progressões, apresentou quaisquer resultados até ao momento. Vários grupos parlamentares já solicitaram as contas ao governo e, até agora, nada. De qualquer forma, acreditamos que a diferença se justifica, fundamentalmente com a apresentação por parte do governo de valores ilíquidos, englobando despesas e receitas nas mesmas contas.
Qual a explicação para nunca terem sido apresentadas as contas pelo governo:
Acreditamos que pelo facto de não ser possível chegar a esses números afirmando que se tratam exclusivamente de despesa. Os 600 milhões englobam valores que entram nas receitas do Estado, logo, que não podem ser apresentados como despesa. E também pelo facto de não interessar ao governo dizer que uma solução como a aplicada na Madeira acarretaria uma despesa líquida anual que não chegaria, sequer, a 50 milhões de euros. O que seria da credibilidade de um governo que afirmou vezes sem conta que o estado gastaria mais de 600 milhões de euros anualmente se tivesse que assumir que uma solução faseada acarretaria num acréscimo anual inferior a 50 milhões líquidos, ou seja, um valor 11 vezes inferior ao que sempre apresentou? Por isso afirmamos que a argumentação da sustentabilidade das contas públicas é, nesta matéria, um escandaloso logro... [ler mais]
Capitalização no Chile: miséria e desnacionalização (Leonardo Wexell Severo Felipe Bianchi Santiago) 04-2019
«É um sistema que existe em muito poucos países, cujo pilar contributivo para a aposentadoria está calcado, exclusivamente, em contas individuais, o que é um paradigma.
Alguns países, não muitos, privatizaram parte de seus sistemas de Previdência, mas são bem diferentes do sistema chileno, no qual 100% das contribuições feitas pelos trabalhadores e trabalhadoras vão para contas individuais.
Este sistema do Chile está fracassado. E este fracasso está se estendendo aos poucos países que, de 1981 até hoje, privatizaram parcialmente ou totalmente seus sistemas de Previdência. Isto é demonstrado no último informe da OIT: de 30 países que privatizaram parcial ou totalmente seus sistemas nas últimas três décadas, 18 voltaram para um sistema público devido ao completo fracasso da privatização.
No Chile, o fracasso é ostensivo. A maioria das pensões que se pagam são inferiores ao salário mínimo. São aposentadorias mais baixas que as de pessoas que se aposentaram quatro ou cinco anos atrás, porque o sistema simplesmente não permite que os cidadãos tenham uma realidade parecida à de quando contribuíam enquanto trabalhavam.
A promessa era de que as pessoas teriam uma taxa de retorno de até 80%. Ou seja, as pessoas teriam uma aposentadoria no valor de 80% do seu último salário. Na prática, o que acontece no Chile é que as pessoas aposentadas recebem menos de 20% deste valor, pois a rentabilidade fica com as AFP.
96% do PIB nas mãos dos especuladores
O sistema de Previdência chileno fracassou para os aposentados, pois entrega pensões miseráveis, mas é um tremendo êxito para os grandes grupos econômicos nacionais e internacionais que recebem esse fluxo de dinheiro.
Por quê? Pois hoje em dia, as AFP estão administrando cerca de 220 bilhões de dólares, o equivalente a cerca de 75% de toda a economia chilena, ou seja, do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Se somarmos a isso os recursos administrados pelas companhias de seguro, que oferecem outra modalidade de aposentadoria, estamos falando de cerca de 96% do PIB chileno – um montante administrado pelas AFP e pelas companhias de seguro. Os bancos nacionais e internacionais, grandes grupos econômicos, repassam cerca de 42% desse dinheiro ao estrangeiro. É um processo de acumulação por expropriação... [ler mais]
A caderneta e o comunismo (Elaine Tavares) 04-2019
«Mas, tirando isso há que aclarar algumas coisas. Primeiro: não, os militares não nos salvaram do comunismo. Porque o que estava em curso com o governo João Goulart não era comunismo. No máximo um nacionalismo reformista que poderia chegar a um capitalismo de estado, com grande participação popular. Jango era um fazendeiro, apegado a sua classe, ainda que tivesse grande sensibilidade social. O golpe se deu não pelo comunismo que poderia vir, mas pelo que o império sempre considerou o mal maior: o nacionalismo de esquerda. Ou seja, essa ousadia de querer ser autônomo, soberano, de ditar as regras em favor do povo. O Brasil não seria uma Cuba. Infelizmente, não. 
Outra coisa importante: quem inventou o golpe não foram os militares. Eles apenas operacionalizaram aquilo que a elite nacional e o império apavorado queriam, que era acabar com a ameaça nacionalista. Então, se tiver de agradecer a alguém pelo Brasil de fome, de pobreza, de atraso, de subdesenvolvimento, não agradeça só aos militares, mas à elite dominante também. 
Segundo: o comunismo não é um mundo sombrio, cheio de filas e cadernetas. Essa imagem, criada a partir da realidade cubana e agora venezuelana não representa o comunismo. Cuba tem vivido esses anos todos de libertação sob um bloqueio comercial. Ou seja, o país não consegue comprar coisas nos outros países, mesmo que tenha recursos para isso. Os países que negociam com Cuba sofrem pressões dos Estados Unidos. Então, entendam. Não é o comunismo que provoca filas ou cadernetas. É o bloqueio! 
A mesma coisa acontece na Venezuela, que só uma pessoa muito desinformada ou formada pelo uatizapi, pode ver como comunismo. A Venezuela é um país capitalista bem normalzinho, com um governo nacionalista. De novo temos aí o nacionalismo, o verdadeiro temor do império. E o que é o nacionalismo: é pensar no país primeiro. “America First”. Por que todos acham isso bonitinho no discursos de Trump, e no de Chávez, Maduro ou Jango, ou Fidel é um absurdo comunista? 
Terceiro: o comunismo é um modelo de organização da vida no qual as pessoas trabalham e recebem conforme suas necessidades. Então, se uma família tem cinco filhos, receberá para dar dignidade aos cinco filhos. Se tiver um, receberá para um. Os velhos são amparados, as crianças também. O trabalho não é exploração, é construção solidária da riqueza coletiva. É o reino da liberdade. Ninguém precisa passar fome. A economia é planejada em função das pessoas, e não para enriquecer meia dúzia de empresas e famílias. Então, porque as pessoas temem o comunismo? Porque a ideologia inventa coisas como essa, da caderneta, das filas, sem contar a verdade toda... [ler mais]
Venezuela: a ameaça imperialista e o risco da guerra (Euclides Vasconcelos) 04-2019
«Quase dois anos atrás, por ocasião da realização do Amazonlog17, escrevi um texto [3] alertando para o papel que o Estado brasileiro, já naquele momento, passava a cumprir no processo de pressão contra a Venezuela. Pela primeira vez na história, tropas dos Estados Unidos participaram de um exercício militar na nossa Amazônia, ao lado de outros países, entre eles o Peru e a Colômbia, além de observadores de outras nações. Definido nos meios de comunicação do Exército e do Ministério da Defesa como um exercício logístico de preparação para situações de crise humanitária, é um elemento para clarificar qual seria o papel do Brasil, hoje, num cenário de guerra próximo de nossas fronteiras.
No fim de 2017 a situação na Venezuela era outra, assim como no Brasil. Aqui, ainda sob o governo Temer, o Estado brasileiro passara a empreender uma série de medidas diplomáticas visando ao isolamento cada vez mais profundo do país, como foi a sua suspensão do Mercosul. Dando um salto temporal, com a eleição de Jair Bolsonaro e a escolha para o Ministério das Relações Exteriores de um homem que defende uma guerra no nosso continente, integrante de um grupo com apoio maciço dos EUA, que vem pressionando cada vez mais o governo brasileiro para usar a força contra a Venezuela. Por ora, esse grupo vem sendo barrado por um segundo, este composto por boa parte dos generais da ativa, dos quais falaremos mais à frente.
No texto apontei, em linhas gerais e bastante simplificadas, três dos modus operandi dos EUA para a mudança de regime nos países que contrariam seus interesses. O primeiro, de financiamento da oposição interna e/ou estímulo a manifestações violentas orientadas para a derrubada de um governo. O segundo, a organização de uma coalizão de países vizinhos cuja postura seja agressiva contra o país alvo. Uma guerra econômica, diplomática e, em casos extremos, uma agressão militar. Por fim, o terceiro recurso seria a agressão direta e aberta pelos próprios EUA contra o país alvo. Os três caminhos não são excludentes e onde foram aplicados o foram de maneira mesclada. Na Venezuela não seria diferente. Desde há algum tempo está em curso a organização da coalizão latino-americana, tendo sua formalização na criação do Grupo de Lima... [ler mais]
O martírio de Julian Assange (Chris Hedges) 04-2019
«A prisão, nesta quinta-feira, de Julian Assange, desmente todo o discurso sobre o Estado de Direito e a liberdade de imprensa. As ilegalidades praticadas pelos governos do Equador, da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos na captura de Assange são sinistras. Elas pressagiam um mundo em que as acções internas, abusos, corrupção, mentiras e crimes – inclusive os de guerra – praticados por Estados corporativos e pela elite governante global serão escondidos do público. Elas pressagiam um mundo em que aqueles que mantêm coragem e integridade para expor o abuso de poder serão caçados, torturados, submetidos a julgamentos farsescos e condenados a penas perpétuas, em confinamento solitário. Elas pressagiam uma distopia orwelliana em que a informação é substituída por propaganda, banalidades e distracção. A prisão de Assange, temo, marca o início oficial do totalitarismo corporativo que ameaça definir nossas vidas.
Sob que lei o presidente equatoriano, Lenin Moreno, liquidou de forma caprichosa os direitos de Julian Assange ao asilo, como refugiado político? Sob que lei Moreno autorizou a polícia britânica a entrar na embaixada equatoriana – que tem status diplomático de território soberano – para prender um cidadão equatoriano naturalizado? Sob que lei a primeira-ministra Theresa May ordenou que a polícia britânica agarrasse Assange, que nunca cometeu um crime? Sob que lei o presidente Donald Trump pediu a extradição de Assange, que não é cidadão norte-americano e cuja organização noticiosa não está situada em território dos Estados Unidos?
Estou certo de que advogados governamentais estão, agora, praticando os contorcionismos que se tornaram regra nos Estados corporativos, servindo-se de argumentos legais para estripar direitos por meio de decisões no Judiciário. É assim que temos o direito à privacidade, mas nenhuma privacidade. É assim que temos eleições “livres” financiadas por dinheiro corporativo, narradas por uma mídia corporativa condescendente, tudo sobre férreo controlo corporativo É assim que temos um processo legislativo em que lobistas das corporações escrevem as leis, e políticos contratados pelas empresas as votam. É assim que temos o direito ao devido processo judicial sem nenhum processo devido. É assim que temos governos – cuja responsabilidade fundamental é proteger os cidadãos – que ordenam e executam o assassinato de seus próprios cidadãos (como o clérigo Anwar al-Awlaki e seu filho de 16 anos, mortos por ordem de Barack Obama). É assim que há uma imprensa legalmente autorizada a publicar informação secreta vazada, e um editor numa cela na Inglaterra, aguardando extradição para os Estados Unidos, e uma autora de denúncias, Chelsea Manning, numa cela norte-americana... [ler mais]
A coisa vai acabar mal! 04-2019
As sondagens mostram uma aproximação entre o PSD e o PS depois de se ter revelado a promiscuidade familiar no seio do governo PS/Costa, situação aliás muito semelhante à existente nos governos do PSD/Cavaco, no último dos quais havia 15 casos de parentesco, onze de marido/mulher, mostrando à evidência e desde há muito que o país tem sido governado por duas famiglia napoletana , aparentadas entre si e que tem dividido o pote sem concorrência na prática, considerando o CDS como simples apêndice do PSD já que possuem a mesma base social de apoio. O familygate socialista serviu de mais um pretexto para o actual presidente, uma espécie mista de duquesa de Mântua e de Sidónio, dar apoio ao seu partido de origem e ser apresentado, como é já habitual, como quem manda no país e no governo, preparando a opinião pública para um Bonapartismo à portuguesa num dia destes.
Os tempos estão de feição, ao mesmo tempo que o governo incha o peito de ter levado o défice das contas públicas quase a zero, não explicando bem como o fez, à custa de quase ausência de investimento público, e da diminuição do desemprego, não explicando igualmente que mantém a precariedade e instituiu os salários miseráveis, o FMI alerta, embora de forma manipuladora e capciosa, que a economia portuguesa ainda não está suficientemente preparada para enfrentar uma nova e mais violenta crise que aí se avizinha. Altura boa para experimentar o fascismo suave à portuguesa e para a qual candidatos não faltam. E a situação não deixa de ser deveras preocupante: "A economia portuguesa fechou o ano passado com um endividamento igual a 716,1 mil milhões de euros, embora menos 700 milhões do que no ano anterior, segundo o Banco de Portugal, em percentagem do PIB baixou de 368,4% para 357%", o que é muito. Deste modo se vê que a dívida privada, da qual ninguém fala, é “apenas” o dobro da dívida pública, que tem aumentado à medida que a primeira vai diminuindo, e mesmo assim esta quase nada.
Por outro lado, a carga fiscal ficou no ano passado em 35,4% do PIB, depois de no ano anterior ter atingido 34,4%, ou seja, aumentou em termos relativos e não apenas absolutos, não porque a economia cresceu, como se ufana o Costa, mas por ter sido à custa do aumento do IRS (1.225.3 milhões de euros) e do IVA (1.040.4 milhões de euros), este o imposto mais injusto porque taxa da mesma forma tanto os ricos como os pobres, com mais 4.329.8 milhões de euros no total. E até o Ronaldo das Finanças europeu se admirou com a receita fiscal ter passado 2.050 milhões de euros acima do inicialmente previsto. Ora, toda agente sabe que é a subida insustentável dos impostos sobre os trabalhadores e o povo que desencadeia as revoluções e faz cair regimes e impérios. Mas parece que os dois apoiantes do governo, que já se preparam para entrar directamente no pote no próximo governo, não sabem disso e assim vão já treinando no seu oportunismo político e de traição aos interesses do povo, declarando em plena campanha eleitoral para as próximas eleições que até não são contra o euro e a União Europeia e um deles inclusivamente jura que nunca defendeu a saída do país daquilo que já se reconhece como o IV Reich... [ler mais]
REDH: ¡LIBERTAD INMEDIATA PARA JULIAN ASSANGE! 04-2019
«La Red de Intelectuales, Artistas y Movimientos Sociales en Defensa de la Humanidad expresa su más solidario respaldo al periodista Julian Assange, destacado miembro de la REDH, quien ha dedicado su vida a la defensa de los derechos humanos, la libertad de expresión y el acceso a la información de interés público. Por sus extraordinarias contribuciones ha sido galardonado por The Economist, Amnistía Internacional UK, Premio Ars Electrónica, Premio Sam Adams, Medalla de Oro de la Fundación Sydney para la Paz -por su coraje excepcional e iniciativa en la defensa de los derechos humanos-, personaje del año 2010 elegido por lectoras/es de la revista Time, entre otros.
Expresamos honda preocupación por el proceder del gobierno ecuatoriano que, violando la institución del asilo, ha entregado a Julian Assange al gobierno británico, con un altísimo riesgo de extradición a Estados Unidos donde su vida corre peligro.  Rechazamos los pretextos utilizados por el gobierno de Ecuador para justificarse, tales como la acusación de haber “intervenido en asuntos internos de otros Estados”, e incluso de una presunta intromisión en “intentos de desestabilización de Ecuador” imputada a Wikileaks.
Nos preocupa que el gobierno de Lenín Moreno aduzca precautelar la protección nacional, “evitar que el país se convierta en un centro de delitos informáticos”, mientras que, como parte de una acción que deja nefastos precedentes, él mismo emitió en 2018 un Protocolo Especial de Visitas, Comunicaciones y Atención Médica, que sometió al asilado a una serie de restricciones de sus libertades fundamentales y coartó su derecho a la comunicación, suprimiendo hasta el acceso a la conectividad, a la información y a la expresión.
Recordamos que los siete años de asilo de Julian Assange –convertidos en reclusión en los dos últimos- obedecen a persecución política, a represalia por la difusión de materiales que Wikileaks liberó y difundió, al amparo de la transparencia de la información. Las informaciones y datos sobre política internacional y geopolítica, pusieron en evidencia crímenes de guerra y prácticas injerencistas de los gobiernos de varios países y grupos de poder, principalmente de los  Estados Unidos, país que aspira a lograr una pronta extradición y juzgamiento... [ler mais]
Palestina: marcha de um milhão em Gaza no Dia da Terra 04-2019
«Foram reportadas inúmeras pessoas feridas e, até agora, um morto, dentre os milhares de palestinos que marcharam até as fronteiras orientais da Faixa de Gaza sitiada, neste sábado, dia 30 de março, em comemoração ao Dia da Terra e como protesto e recordação ao primeiro aniversário da “Grande Marcha do Retorno”. A imponente manifestação foi convocada pelo Comitê Nacional para Romper o Bloqueio.
“A Grande Marcha de Retorno” teve início em 30 de março de 2018, por milhares de habitantes de Gaza, que exigiram o direito de retorno como refugiados à sua pátria original, agora na atual Israel.
Desde o início da manhã, as barracas de comida, as cadeiras sob as tendas e os vendedores de rua tentaram retomar a atmosfera festiva com a qual começaram há um ano esses protestos, que se repetem semanalmente diante da cerca de separação, para exigir o retorno dos refugiados e o fim do bloqueio israelense, imposto à Faixa desde 2007, quando o Hamas assumiu o poder.
No entanto, a repressão brutal do invasor sionista não demorou, e dois palestinos ficaram gravemente feridos no leste da Cidade de Gaza, quando as forças israelenses lançaram bombas de fogo e bombas de gás lacrimogêneo para reprimir os manifestantes.
O Ministério da Saúde palestino em Gaza informou que um palestino de 13 anos de idade foi ferido na cabeça com uma bala de aço revestida de borracha em Khan Younis. Um palestino foi morto na manhã de sábado por tiros israelenses quando estava se manifestando na fronteira entre a Faixa de Gaza e Israel, horas antes de os protestos em massa começarem.
Mohamed Saad, de 20 anos, foi morto em decorrência dos ferimentos de bala na cabeça a leste da Cidade de Gaza, informou em comunicado o Ministério da Saúde do Hamas, o movimento islâmico que ocupa o poder na Faixa de Gaza. Segundo os manifestantes na área, quando foi atingido, ele estava a mais de 100 metros da cerca que separa a Faixa de Gaza de Israel, durante uma manifestação noturna. Sua morte aconteceu pouco depois.
Na manhã do dia 30, dezenas de ambulâncias foram mobilizadas e transferidas para hospitais de campanha instalados próximos aos cinco pontos de protesto, nos quais uma participação massiva era esperada após a oração do meio-dia... [ler mais]
KKE: 20 anos dos bombardeios da OTAN na Iugoslávia 04-2019
«Nestes dias se completam 20 anos dos bombardeios da OTAN na Iugoslávia e dois meses da verificação do acordo de Prespes pelo Parlamento grego. Dois eventos diferentes, um “de guerra”, que causou a morte de mais de 3 mil e quinhentas pessoas ( ¾ dos quais eram civis e 400 eram crianças), e outro, um acordo de “paz” transacional , como se está apresentando. Sem dúvida, estes dois eventos estão estreitamente conectados a um vínculo forte: os planos da organização imperialista da OTAN. Uma organização criminosa que pode projetar e executar golpes militares, bombardeios de países, desmembramento de estados, bombardeios civis e envenenamento de terras com bombas de urânio empobrecido e outros crimes contra os povos, ao mesmo tempo em que se apresenta como um … “pacificador”.
A OTAN faz este papel de “pacificador” para promover os seus sistemas de armas e seu poder militar, como ocorreu na Iugoslávia em 1999, ignorando o “direito internacional” e o Conselho de Segurança da ONU, ou na Líbia em 2011 (desta vez com a aprovação do Conselho de Segurança da ONU), como em outros tempos, promovendo acordos transacionais, a exemplo do acordo Prespes, que leva seu selo.
Como nas guerras na Iugoslávia e na Líbia, na Síria explora-se a participação da Grécia na OTAN e a concessão de bases dos EUA/OTAN, que operam como bases de guerra, de modo que o acordo Prespes se torna um “trampolim” para a promoção dos mesmos interesses.
O KKE, em 1999, foi pioneiro na luta do povo grego contra a intervenção imperialista na Iugoslávia, e hoje também está constantemente lutando contra acordo Prespes, que traz o selo da OTAN e transforma nosso país – graças ao governo de “esquerda” do SYRIZA – em uma enorme base militar dos EUA / OTAN.
Os vínculos do país com a OTAN têm que passar pelo critério do voto
Durante as deliberações da Conferência do Partido da Organização de Ática, o Secretário-Geral do KKE, Dimitris Koutsoubas, tomou a palavra. Em seu discurso, D. Koutsoubas, apontou, entre outros... [ler mais]
55 anos depois: basta de retrocessos! (Ricardo Costa) 04-2019
«O Brasil do final da década de 1950 e início dos anos 1960 vivenciava uma crise de consolidação e de crescimento do capitalismo no país, resultante do próprio processo de acumulação acelerado pelo modelo econômico implantado por Juscelino Kubitschek. O Estado brasileiro garantiu a infraestrutura necessária ao pleno desenvolvimento capitalista, com a montagem recorde dos setores mais dinâmicos da estrutura industrial brasileira, capitaneados, dentre outras, pelas empresas automobilísticas, de construção naval e mecânica pesada, majoritariamente controladas por capitais multinacionais. A expansão capitalista era obtida com o aumento da produtividade industrial, com a incorporação de novas tecnologias facilitada pela abertura ao capital estrangeiro e o aprofundamento da exploração da força de trabalho.
Se esta política foi capaz de promover um alto grau de desnacionalização da economia brasileira, ao mesmo tempo não significou contradição aberta com os interesses dos capitalistas nacionais, pois propiciou a formação de um núcleo de empresas associadas aos grupos multinacionais instalados no Brasil. Esse quadro acabou projetando a burguesia brasileira associada ao capital internacional a uma posição de destaque dentre as demais frações da classe dominante que compunham o Estado no chamado “pacto populista”, até então mantido com base no equilíbrio entre elas. Os setores mais dinâmicos da burguesia brasileira queriam distância de qualquer projeto nacionalista que, de um lado, rejeitasse ou limitasse a presença do capital estrangeiro no país e, de outro, favorecesse ou não impedisse a mobilização crescente da classe trabalhadora e das massas populares por seus direitos.
Ao mesmo tempo, o desenvolvimento do capitalismo requeria uma nova onda de expansão produtiva, com o aprofundamento do processo de concentração de capital, a ser implementado por meio da expulsão do mercado das empresas menos poderosas e, portanto, menos competitivas. Logo, estava se dando uma crise de superacumulação do capital ou de superprodução, típica da fase monopolista do capitalismo. No início da década de 1960, a existência de um governo como o de João Goulart, identificado com propostas desenvolvimentistas nos marcos de um “capitalismo nacional autônomo” e que, em função de suas origens históricas, era obrigado a dialogar com as lideranças sindicais, significava claramente um obstáculo às pretensões da grande burguesia integrada de forma subalterna ao capital internacional, disposta, então, a tomar de assalto o poder de Estado, para fazer valer plenamente seus interesses... [ler mais]
Moçambique e os efeitos da devastação capitalista no clima mundial (Alexandre Costa) 04-2019
«Neste ano já tivemos enchentes devastadoras associadas a eventos extremos aqui mesmo no Brasil (com impacto bastante severo em nossas megacidades, Rio e São Paulo), nos EUA (com enormes danos e prejuízos em Minnesota e Nebraska).
Mas, como em tantas outras ocasiões, eventos similares produzem impactos maiores – e um número bem maior de mortes – quanto mais pobres e vulneráveis forem os países e as comunidades sobre os quais eles se abaterem.
Como antes nas Filipinas, em Serra Leoa, etc., a tragédia, que finalmente parece chamar a atenção do mundo, veio na forma do Ciclone Tropical Idai, que se formou a partir de uma depressão tropical no Canal de Moçambique, entre o sudeste do continente africano e Madagascar. Três países pobres (Malawi, Zimbabwe e particularmente Moçambique) foram duramente castigados, com o número impressionante de 1,7 milhão de pessoas afetadas e, no momento em que escrevo, mais de 700 mortes confirmadas.
Aqui me sinto obrigado a fazer uma confissão sobre como têm-me incomodado os memes, tweets, textinhos e eventuais textões que batem na tecla “não tem ‘ajuda humanitária' em Moçambique porque lá não tem petróleo”. Não é que eu discorde de maneira absoluta da ideia. Pelo contrário, entendo o sentido. É feito um contraponto ao cinismo dos governos ultradireitistas de EUA e Brasil no caso da Venezuela, em que a tese da “ajuda humanitária” certamente escondia outra agenda. Só que a repetição do meme expõe os limites de como muitas pessoas estão encarando a tragédia.
A primeira questão é que o petróleo é trazido à baila de forma totalmente deslocada. Moçambique foi vítima sim, do petróleo. Não daquele que em tese poderia haver em seu subsolo (mas que pelo visto realmente não há), mas daquele que fora tirado do subsolo de outro lugar, queimado e despejado na atmosfera como CO2. De uma vez por todas, é necessário que caia a ficha: o aquecimento global, ao elevar a temperatura dos oceanos tropicais e aumentar a capacidade da atmosfera em armazenar vapor d'água, está produzindo e produzirá cada vez mais tempestades extremamente severas e mortífera... [ler mais]
Em Abril, greves mil! 03-2019
Enquanto os trabalhadores se manifestam, fazem greves, em suma, exprimem o seu descontentamento, o governo PS do Costa retira da cartola da ilusão eleitoralista, e para desespero da oposição da direita, os passes sociais, apresentando-os como que uma “revolução”, uma medida quase “socialista”, defensora dos interesses dos trabalhadores e do povo que não têm outra alternativa senão a utilização diária dos serviços de transporte colectivos, privados e públicos, em estado de degradação acelerada e, as mais das vezes, sem horários e percursos adequados. Mais uma demagogia cujo objectivo é financiar, de forma enviesada, as empresas privadas do sector e os municípios – uma mistificação muito semelhante ao apoio das rendas, da electricidade ou da comparticipação dos medicamentos e tratamentos, que ficariam muito mais baratos se fosse o estado a fornecê-los directamente ao cidadão.
A campanha eleitoral encontra-se ao rubro, as sondagens não cessam e as últimas dão maioria ao PS, nas próximas legislativas, com vantagem folgada sobre o PSD, mas, e aqui é que o diacho da porca torce o rabo, muito longe da tão almejada maioria absoluta. Perante este cenário que não deixa de ser positivo, o PS e o Costa vão arrotando arrogância, aparentemente não se deixando intimidar com as múltiplas greves em marcha ou em preparação porque sabem, e apesar da vontade incontida dos trabalhadores de lutar pelas suas mais que sentidas reivindicações, que os promotores das ditas são gente de confiança, porque todos eles se querem aproveitar dos trabalhadores com o fito de arrebanhar mais uns votos. Não deixa de saltar aos olhos a estratégia sumamente oportunista dos partidos muletas do governo, em particular o PCP que aposta tudo nas greves que tenta manipular e nas pequenas devoluções aos trabalhadores do muito que lhes foi roubado a pretexto da crise e da intervenção da malfadada troika.
O líder parlamentar do PCP, João Oliveira, não esteve com rodeios e foi suficientemente claro ainda há dois ou três dias, na “Grande Entrevista” da RTP3 (e diz-se o PCP discriminado nos órgãos de comunicação/propaganda da burguesia!) ao chamar para o seu partido os pretensos louros da aprovação de algumas medidas do governo e que foram favoráveis aos interesses dos trabalhadores, género “equiparação das reformas dos pedreiros ao regime dos mineiros, o combate à precariedade (!?) e o aumento das pensões” ou a gratuitidade dos manuais escolares, sublinhando que “cada voto que foi dado à CDU contou para todos os avanços que foram conseguidos”, garantido, e caso a estratégia do engano resultar, que o PCP “assumirá qualquer responsabilidade, inclusivamente governativa”. Ou seja, o PCP revela sem rebuço a sua inteira disponibilidade para gerir os negócios e os interesses dos capitalistas e da União Europeia a troco de mais umas migalhas distribuídas pelo povo – o importante é que também tenham acesso ao pote. Claro que tudo feito em prol do “povo e dos trabalhadores”!... [ler mais]
A liberdade capitalista é só encenação (Rob Larson) 03-2019
«Para John Stuart Mill, o princípio básico do gozo de direitos era que "o único objetivo para o qual o poder pode exercer-se corretamente sobre qualquer membro de uma comunidade civilizada, contra a vontade dele, é impedir o dano a outros.” O filósofo Isaiah Berlin, adiante, descreveu essa ideia como "liberdade negativa" ou ser livre de coerção. Berlin também sugeriu uma "liberdade positiva" – liberdade para fazer coisas diferentes, não apenas "ser livre das escolhas de outros". Em vez de perguntar "Que centros de poder me controlam,” a liberdade positiva pergunta "O que sou livre para fazer com as oportunidades e recursos do mundo?”
A visão filosófica tradicional do capitalismo é que embora não ofereça "liberdade positiva" de acesso a uma porção justa da produção mundial de bens, o capitalismo oferece "liberdade negativa" da tirania econômica, deixando consumidores e trabalhadores livres para escolher entre vários itens. É a visão de Friedman e Hayek, e eles insistem em que esse seja o tipo certo de liberdade. Muitas gerações de defensores do capitalismo concordaram.
Mas qualquer revisão realista da economia de mercado mostra quadro muito diferente: o capitalismo limita os dois tipos de liberdade, a liberdade positiva e também a liberdade negativa. O capitalismo favorece uma acumulação monstro de poder privado, ao concentrar a riqueza individual e ao blindar completamente o controle que as empresas exercem sobre os mercados(além de destruir sem piedade os sistemas ambientais e, assim, qualquer possibilidade de liberdade para futuras gerações). O capitalismo não fracassa apenas ao não garantir "liberdade positiva" de acesso a fatia justa da economia; fracassa também ao não proteger a "liberdade negativa" contra os jogos de poder da propriedade corporativa do 1%.
Quando GM e Ford decidiram desertar de cidades como Detroit e Flint, mudando-se para cidades e países mais pobres, negaram à sua antiga força de trabalho qualquer liberdade positiva para gozar dos enormes ganhos da indústria — ganhos que os próprios trabalhadores geraram. 
Quando a indústria farmacêutica de Martin Shkreli aumentou o preço de uma droga patenteada necessária à manutenção da vida, de $13,50 para $750, efetivamente impedindo que pessoas acometidas daquela específica doença tivessem acesso à medicação, empurrou esses doentes para a miséria ou para a bancarrota –, o que configura assustadora restrição da liberdade negativa. 
Quando a empresa Amazon organizou um concurso para decidir que cidade dos EUA seria abençoada com a construção de sua nova sede, e prefeitos em todo o continente abriram mão de bilhões criando novas isenções de impostos e jogando fortunas aos pés da empresa, a empresa Amazon acumulou para si poder monstro sobre o destino de milhões de pessoas – o que expôs, perfeitamente a nu, o quanto as decisões capitalistas de investimentos podem limitar dramaticamente a liberdade humana... [ler mais]
Greenwashing? As Marchas Verdes esquecem o “factor guerra” (Nazanín Armanian) 03-2019
«Depois da grande acção mediática de 15 de Março com a sua Marcha Popular pelo Clima, é oportuno chamar a atenção para a colossal omissão aí feita: ao sistema responsável não apenas pela degradação ambiental mas por retirar dela chorudos lucros; e ao historial de guerras e agressões imperialistas que devastaram e continuam a devastar o planeta. A mobilização pelo clima só poderá ser verdadeiramente útil se for capaz de incorporar essas duas questões fundamentais.
Em 15 de Março, dia da Marcha Popular pelo Clima, dezenas de milhares de jovens de vários países, seguidores da estudante sueca Greta Thunberg, expressaram a sua indignação pela indiferença dos líderes mundiais face à mudança climática. Desde Agosto do ano passado Greta, de 16 anos, manifesta-se todas as sextas-feiras em frente ao parlamento sueco pedindo mais empenho na luta contra a alarmante deterioração dos oceanos e dos glaciares.
Surpreendente (ou não) que, enquanto activistas ambientalistas com a dimensão da hondurenha Berta Cáceres ou do professor iraniano Kavous Emami - que foram mortos pela sua luta contra os poderes que tiram benefício da destruição do meio ambiente - a adolescente sueca seja apresentada como líder da luta para salvar o planeta. Segundo a Global Witness em 2017 pelo menos 207 activistas ambientais foram assassinados em 22 países. Um ano antes haviam sido outros 200, mais oito do que em 2015.
Desconhece-se a razão por que ela, oriunda de um dos principais vendedores de armas do mundo, e seus fãs preocupados com o CO2 que se infiltra nos seus pulmões, não tenham incluído o “Não à guerra” e aos negócios que giram em torno da indústria de armamento nas suas reivindicações para salvar o maltratado planeta. É incompreensível que tenham muito medo de respirar ar contaminado, mas não da ameaça real de uma guerra nuclear que mataria milhares de milhões de seres vivos e causaria um duro e prolongado sofrimento aos sobreviventes. Há um ano Trump rompeu o acordo nuclear com o Irão, e no mês passado fez o mesmo com o acordo com a Rússia, enquanto mandava investir 1,2 milhões de milhões de dólares para construir novas bombas atómicas, com o fim de que “o mundo seja mais seguro“... [ler mais]
Em Memória da Comuna (Lenine) 03-2019
«Passaram-se 40 anos desde que se proclamou a Comuna de Paris. Seguindo o costume, o proletariado francês honrou com comícios e manifestações a memória dos homens da revolução de 18 de março de 1871. No final de maio voltará a levar coroas de flores às tumbas dos communards fuzilados durante a terrível ?semana de maio?e a jurar diante daquelas tumbas que lutará com firmeza até lograr o triunfo completo de suas idéias, até dar por cumprida a obra por eles legada.
Por que, pois, não só o proletariado francês, senão o de todo o mundo rende homenagem aos homens da Comuna como a seus precursores? Qual é a herança da Comuna?
A Comuna surgiu de maneira espontânea, ninguém a preparou de modo consciente e sistemático. A funesta guerra com a Alemanha, os sofrimentos do assédio, o desemprego operário e a ruína da pequena burguesia; a indignação das massas contra as classes superiores e as autoridades que haviam demonstrado uma incapacidade absoluta; a surda efervescência no seio da classe operária, descontente de sua situação e ansiosa por um novo regime social; a composição reacionária da Assembléia Nacional, que fazia temer os destinos da república foram as causas que concorreram com outras muitas para impulsionar a população parisiense para a revolução do 18 de março, que pôs de improviso o poder nas mãos da Guarda Nacional, em mãos da classe operária e da pequena burguesia, que havia aderido aos operários.
Foi um acontecimento histórico sem precedentes. Até então, o poder estivera, em geral, nas mãos dos latifundiários e dos capitalistas, quer dizer, de seus mandatários, que constituíam o chamado governo. Depois da revolução de 18 de março, quando o governo do senhor Thiers fugiu de Paris com suas tropas, sua polícia e seus funcionários, o povo ficou dono da situação e o poder passou para as mãos do proletariado. Porém, na sociedade moderna, o proletariado, avassalado no econômico pelo capital, não pode dominar na política se não rompe as cadeias que o atam ao capital. Daí que o movimento da Comuna deveria adquirir inevitavelmente um matiz socialista, quer dizer, deveria tender ao aniquilamento do domínio da burguesia, da dominação do capital, à destruição das próprias bases do regime social contemporâneo.
Em seu início tratou-se de um movimento heterogêneo e confuso ao extremo... [ler mais]
PCs da América Central e do México se reúnem e denunciam o imperialismo 03-2019
«Realizou-se em El Salvador, nos dias 1, 2, 3 de março de 2019, a VI Reunião de Partidos Comunistas da América Central e do México. O encontro propiciou uma rica troca de informações sobre a situação política e os enfrentamentos da classe trabalhadora na região. Em sua declaração final, os participantes prestaram uma homenagem aos 100 anos da Internacional Comunista por sua contribuição para a construção dos Partidos Comunistas e sua qualificação para a luta de classes.
Os partidos presentes rejeitaram e condenaram enfaticamente o processo de interferência imperialista nas nações soberanas e contra os povos da região, especialmente o povo venezuelano, uma agressão que “promove e financia a tentativa de golpe, a autoproclamação de Juan Gerardo Guaidó como ‘presidente encarregado', a desagregação econômica, a intervenção militar e o roubo de bens, violando a soberania e autodeterminação do povo venezuelano”. O Encontro expressou seu apoio incondicional e sua solidariedade ao povo e à classe trabalhadora da Venezuela, que “resiste ao intervencionismo imperialista dos EUA, da União Europeia e dos governos subordinados ao imperialismo, como o caso do Grupo de Lima”. Os Partidos Comunistas exigem “respeito ao processo bolivariano, seu governo eleito pela vontade popular e sua autodeterminação, acossado pela administração do governo dos Estados Unidos e da União Europeia” e expressaram sua solidariedade para com o Partido Comunista da Venezuela e as forças anti-imperialistas que estão na vanguarda da luta pela defesa da soberania. Os partidos presentes decidiram intensificar a luta anti-imperialista em solidariedade ao povo venezuelano.
Foi condenada também a política de agressão contra o povo da Nicarágua pelo governo dos Estados Unidos, que “usa a mesma estratégia que foi colocada em prática na Venezuela para derrubar o governo”. O Encontro decidiu, ainda, apoiar qualquer iniciativa destinada a fornecer uma solução política para o conflito sem qualquer tipo de interferência imperialista e reiterou sua solidariedade com a Revolução Cubana, “que continua sendo sabotada pelo bloqueio econômico, pela ameaça imperialista e por sua interferência”.
O Encontro chamou a atenção para o fato de que a agressão imperialista em nossos dias é sempre precedida por campanhas que enfatizam falsas notícias e distorcem a verdade. A mídia pró imperialista contribui, segundo a resolução do Encontro, para a criminalização das expressões comunistas, operárias, revolucionárias e progressistas e dos protestos dos trabalhadores... [ler mais]
Repressão, pobreza e guerra: 5 anos do golpe fascista na Ucrânia (Greg Butterfield) 03-2019
«Cinco anos se passaram desde que o governo Obama ajudou a derrubar o presidente eleito da Ucrânia em Fevereiro de 2014 e instalou em seu lugar uma ditadura de extrema-direita leal a Washington. Hoje, o governo Trump está tentando realizar um regime similar na Venezuela.
Nos anos 1990, a dissolução da União Soviética e a restauração capitalista causaram enormes dificuldades à classe trabalhadora na Ucrânia e em todas as ex-repúblicas soviéticas.
O que trouxeram estes últimos cinco anos ao povo ucraniano?
Atualmente, os trabalhadores estão mais pobres que nunca graças às medidas de austeridade do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, cujos empréstimos mantém o atual regime de pé.
Os preços dos serviços e aquecimento estão no teto. Mais e mais pessoas, especialmente jovens trabalhadores, são forçados a migrar para outros países em busca de trabalho.
As privatizações aceleraram, com companhias do agronegócio e energia dos EUA e da Europa Ocidental entre as maiores beneficiárias. Energoatom, a empresa que supervisiona empresas nucleares na Ucrânia, conseguiu um financiamento de Washington para construir uma instalação de armazenamento de lixo nuclear – amplamente vista como um precursor para transformar o centro e o leste da Ucrânia num depósito de lixo tóxico da OTAN após a Alemanha rejeitar tal honra.
Quem supervisionou essas “reformas” brutais? Ninguém menos que o vice-presidente democrata Joe Biden, que serviu como um virtual governador colonial da Ucrânia de 2014 até 2016. Hoje, Biden é cogitado como um possível adversário “progressista” de Donald Trump em 2020. Repressão desenfreada
A atividade sindical independente é reprimida, assim como as organizações de trabalhadores.
O Partido Comunista da Ucrânia, uma das maiores organizações políticas do país, não pode estar nas urnas para as eleições presidenciais desta primavera, apesar de uma lei proibir completamente o partido ainda estar sob apelação. Seus símbolos são proibidos e seus apoiadores, mesmo os idosos, enfrentam ataques violentos quando se reúnem em público... [ler mais]
Lamento intimista de um cidadão professor português roubado (Luis Braga) 03-2019
«Os episódios desonestos no parlamento, sindicatos e comunicação social à volta e contra a ILC do tempo de serviço docente fizeram-me descrer da Democracia. Dos deputados, do parlamento e dos sindicatos. O impacto pessoal, na minha visão particular, do que se passou é muito profundo. Deixei de acreditar na capacidade de o sistema político e social português se regenerar sem um movimento social que ultrapasse o institucionalismo vigente. Em termos pessoais, essa visão é todo um novo horizonte de vida.
A ILC é um projeto generoso e corajoso de muitas pessoas, que muito me honra que tenham depositado em mim confiança para os representar em vários momentos.
No vídeo do que disse no parlamento creio que se vê essa desilusão pessoal e até emoção pessoal, por trás do esforço de fazer bem o papel que me atribuíram.
Uma visão de vida
Sou oriundo de uma família de professores de que sou a 4ª geração. Ao escolher a profissão, julgava que me daria estabilidade financeira suficiente e o conforto razoável de um trabalho intelectual estimulante. Não queria ser rico. Mas queria viver medianamente e com conforto. E ter uma profissão respeitada. Estou a pensar seriamente mudar de vida, no médio prazo que seja.
E quem me vir a dizer isto ainda vai estranhar: sou professor do quadro, fui diretor, estou colocado na escola da minha colocação definitiva no centro de uma cidade e estou na carreira. Tenho aquilo que tanta gente quer no grupo docente. Há quem tenha mais razões de queixa. Mas tudo é o “homem e sua circunstância”…
Sou o exemplo de alguém que sabe que tem algum talento para outras coisas (e já viveu muito bem dele) e que se fartou do que fazem à educação nacional. A imoralidade tem limites e quem a sofre placidamente partilha da imoralidade dos que a criam. O que vou fazer com estas constatações pessoais ainda medito…
O meu lauto salário e rendimentos….
Ganho 1250 euros líquidos por mês, ao fim de 23 anos de profissão (e não falemos da formação e currículo, para não ter ainda mais a sensação que andei a desperdiçar a vida). É muito mau que, quem forma jovens, acumule a desilusão de que, fazer isso (esforçar-se, estudar e formar-se), é desperdiçá-la.
Mesmo com as batotas que o Governo anda a fazer, estando agora no 3º escalão, já devia receber 1300 euros líquidos mensais desde Setembro. Só em dezembro chegaremos aí.
Com os 9 anos recuperados, ganharia, a partir do momento em que isso acontecer, 1380 euros mensais líquidos.
E os 1380 euros são sem direito a receber nada do que ficou perdido no passado. 1380 euros para futuro. Portanto a discussão dos 9 anos integrais significa para mim um aumento mensal futuro de 180 euros (que não compensa a perda de milhares durante a última década).
E aumentar-me é um problema terrível para os que enchem a boca com a necessidade de “ter os melhores professores no sistema”.
Este, que não será dos piores, daqui a pouco vai-se embora porque ganhará juízo. E não devo ser o único. Há maneiras de ganhar mais. E há muito mundo. Implica risco, mas não há que ter medo do risco.
O outro, pelo menos, não era hipócrita…. Saiam da vossa zona de conforto. E se se sair da área do desconforto?
O caso de roubo dito de forma simples
Devolver 2 anos e uns trocos, de uma perda de 9 anos, não é devolver nada.
É roubar. E quem rouba é ladrão.
E quem é ladrão não pode governar.... [ler mais]
8 de março: dia da mulher trabalhadora e revolucionária (Cecilia Zamudio) 03-2019
«No dia 8 de março se comemora a luta da mulher trabalhadora, revolucionária. A comunista Clara Zetkin propôs a comemoração na Conferência das Mulheres Socialistas de 1910, para honrar a luta das mulheres contra a exploração capitalista. É lembrado o assassinato, pelas mãos da grande capital, de 129 trabalhadoras queimadas vivas em uma fábrica cujos donos haviam fechado as portas (nos EUA). Comemora-se a luta pela justiça social, a luta contra o patriarcado e o capitalismo, cujos mecanismos se articulam perfeitamente.
O dia 8 de março foi escolhido como data eminentemente revolucionária pelos acontecimentos de 8 de Março de 1917 na Rússia czarista: milhares de mulheres foram às ruas exigindo seus direitos, contra a exploração e a guerra que a burguesia impunha ao povo. Elas foram grandemente responsáveis por desatar a Revolução de Outubro. Com a Revolução Socialista, as mulheres conquistaram direitos econômicos, sociais, sexuais e reprodutivos: o direito de voto para todas as mulheres (e não apenas para os proprietários, como na Grã-Bretanha), direito ao divórcio, ao aborto, direitos plenos ao estudar e ao trabalho, à moradia, saúde e educação, etc. Todos esses direitos ainda são motivo de muita luta na grande maioria dos países capitalistas.
As mulheres somos a parte mais atacada da classe explorada. Somos vítimas das guerras imperialistas, dos saques capitalistas que empobrecem regiões e países inteiros, das privatizações e precarizações e também somos vítimas do machismo promovido incessantemente pela mídia e por toda a indústria cultural do capitalismo. Porque o capitalismo se sustenta fragmentando e dividindo a classe explorada: por essa razão, a indústria cultural do capitalismo constantemente dissemina paradigmas de discriminação como o machismo e o racismo.
Somos as trabalhadoras exploradas, estudantes, artistas, desempregadas e aposentadas que estamos sendo privadas de uma vida decente, às vezes até mesmo de alimentação, habitação, acesso à saúde, acesso à educação, etc. Somos privadas de condições dignas de trabalho e remuneração pelos capitalistas que extraem a mais-valia do nosso trabalho. Somos mães cujo trabalho doméstico não é reconhecido; vivemos em situação extremamente precária, sem pensão.
Somos as mulheres migrantes forçadas a padecer as piores explorações: nas fábricas maquiladoras; nas fazendas do agronegócio, sendo borrifadas de veneno; na prostituição, condenadas à exploração ou a ser coisificadas e saqueadas como “barrigas de aluguel”. Nós somos as meninas estupradas e forçadas a dar à luz. Somos designadas pelo sistema a ser o alvo das frustrações aberrantes que o capitalismo provoca e da misoginia que promove. Por isso cresce de forma galopante o feminicídio: porque a mídia banaliza a tortura e toda a discriminação alienante funcional ao capitalismo, porque a violência exercida de forma estrutural arrasta seu ódio contra nós. Somos vítimas do capitalismo e de sua barbárie, vítimas do machismo que o próprio capital promove, mas também somos lutadoras e mulheres revolucionárias... [ler mais]
“Ditadura” venezuelana deixa golpista solto, “democracia” espanhola tem centenas de presos políticos 03-2019
«Em sua campanha de manipulação e mentiras, a imprensa imperialista veicula uma forte propaganda contra o governo da Venezuela, afirmando que trata-se de uma “ditadura” que reprime a oposição. Prova disso, segundo essa propaganda, seria que o autoproclamado presidente, Juan Guaidó, estaria ameaçado de prisão.
Mas Guaidó continua livre para conspirar abertamente contra o governo legítimo de Nicolás Maduro, convocando greves, articulando a direita golpista, organizando grupos armados e pedindo inclusive uma intervenção militar imperialista contra seu próprio país. Se comparada a outros países capitalistas, a Venezuela pode ser considerada o país mais democrático do mundo.
Neste artigo, vamos comparar a Venezuela com a Espanha, um país imperialista tratado por toda a imprensa como “democrático”. No entanto, é um dos mais antidemocráticos do mundo, uma verdadeira ditadura mascarada, especialmente quando se trata da repressão contra os países dominados e incorporados pela Espanha, como a Catalunha, o País Basco e a Galiza. Em todos esses casos há dezenas (ou mesmo centenas, como veremos) de presos políticos, condenados somente por lutarem pela independência.
Catalunha
Por encabeçarem o referendo de 1º de outubro de 2017, a procuradoria espanhola pediu 25 anos de prisão para o ex-presidente do governo da Catalunha, Oriol Junqueras, e entre sete e 17 anos de prisão para outros líderes indepedentistas: Jordi Cuixart, Jordi Sánchez, Carme Forcadell, Dolors Bassa, Jordi Turull, Joaquim Forn, Raül Romeva e Josep Rull. Todos eles estão em prisão preventiva, enquanto que Carles Puigdemont (então presidente do governo catalão) se encontra exilado na Bélgica para não ser preso.
Aquele referendo, que contou com grande apoio popular, foi brutalmente reprimido pelo governo central espanhol. A Guarda Civil e a Polícia Nacional atacaram violentamente os catalães, tentando impedi-los de votar. Centenas de pessoas foram presas, outras tantas feridas gravemente. Houve a ameaça de enviar o exército para afogar em sangue o processo de independência, quando Puigdemont declarou a República, após vitória do “Sim”. Então, seguiu-se a onda de prisões e perseguição aos separatistas, e até hoje a situação está tensa na Catalunha. Obviamente, isso não é o tratamento dado por uma “vigorosa democracia”, como a propaganda imperialista diz que a Espanha é.
Em outubro do ano passado, os partidos de direita PP e Ciudadanos sugeriram colocar os partidos independentistas CUP, ERC e PDeCAT na ilegalidade, por não terem condenado a suposta violência cometida por grupos separatistas no aniversário de um ano do referendo. Eles solicitaram a modificação da lei de partidos.
A legislação espanhola proíbe a opinião sobre o uso de violência política. Ou seja, não se pode defender as ações realizadas pelos grupos que lutam pela independência de seus países nem contra o ditador fascista Francisco Franco, mas se pode defender as torturas e execuções cometidas pelo franquismo, como fazem hoje os partidários do VOX... [ler mais]
100 anos da III Internacional: comunismo é liberdade! (PCP) 03-2019
«100 anos atrás, em 2 de março de 1919, o Primeiro Congresso da Internacional Comunista começava em Moscou. Daquele momento até hoje o mundo mudou muito. Vivemos em tempos de altíssimos níveis de desintegração social, de dificuldades de relacionamento entre as pessoas e de intensificação da violência e da luta de classes. Tempos em que o desenvolvimento tecnológico e científico nunca antes visto é capaz de gerar alimentos para toda a humanidade, mas é também capaz de destruí-los, já que se organiza de acordo com os interesses do capital. É por isso que nós tomamos como nossas as palavras de Lênin, quando dizemos que somente ao nos livrarmos da escravidão capitalista seremos verdadeiramente livres.
O Partido Comunista Paraguaio honra e aprecia os esforços de proletários e proletárias de todo o mundo para constituir uma expressão material na perspectiva da unidade de poder como foi o Komintern. Prova disso foram as 21 condições para fazer parte da organização, que foi criada no Segundo Congresso em julho de 1920. Estas incluem a necessidade de romper com a socialdemocracia, para construir o poder do proletariado, a organização dos trabalhadores em sindicatos, cooperativas, conselhos de trabalhadores, conselhos de trabalhadores, etc., e de defender o direito dos povos contra o imperialismo colonial.
Os monopólios imperialistas, expressão do mais alto grau de concentração de mercados, cresceram exponencialmente desde 1919 até hoje. Há quase 152 anos, Marx conseguiu identificar a tendência do capital à concentração e à centralização, tendências que hoje podem ser apreciadas muito melhor do que quando Lênin descreveu a fase imperialista do capitalismo.
No entanto, a articulação e integração da classe operária e dos seus partidos comunistas e operários teve contratempos, tanto porque o capitalismo tem aperfeiçoado seus aparatos de controle e dominação cultural, bem como por conta de erros no próprio movimento comunista internacional. Assim, é fundamental, para resolver o problema do internacionalismo proletário, o desenvolvimento de uma estratégia revolucionária multilinear que, pelo seu conteúdo geral, é internacional e, por suas peculiaridades e formas específicas, seja nacional.
É extremamente importante entender que a tarefa não é apenas “organizar” os trabalhadores. O proletariado e o campesinato pobre, assim como a maioria da sociedade, são organizados pelos monopólios, pelos empregadores, pelo capital. A tarefa é disputar essa organização, destruir a casca dura alienante – chave para a competição entre os proletários, a maioria dos trabalhadores – para criar uma nova forma de organização, que supere a geração da exploração humana, a fim de desenvolver a estratégia para o poder operário, camponês e popular... [ler mais]
Toda solidariedade ao povo da Venezuela! Abaixo o golpe imperialista! (PCB) 03-2019
«O imperialismo foi parcialmente derrotado no último dia 24 de fevereiro, quando os golpistas não conseguiram implementar a estratégia da “ajuda humanitária” e invadir o país para derrubar Maduro e destruir o processo bolivariano. O circo montado pelo governo Trump, através da farsa da “ajuda humanitária”, expediente utilizado pelos EUA em outros países, como o Iraque, a Líbia e a Síria, para justificar a invasão militar e a espoliação das riquezas naturais, no caso da Venezuela evidencia ainda mais a hipocrisia deste “auxílio”, pois as dificuldades vividas hoje pelo povo venezuelano são decorrentes em grande parte do bloqueio econômico promovido pelos Estados Unidos e seus aliados.
A atual escalada de ataques do imperialismo estadunidense e de seus aliados à Venezuela inclui medidas de bloqueio de recursos financeiros em bancos norte-americanos, confisco de ouro depositado no Banco da Inglaterra, boicote à importação de alimentos e medicamentos, forte ofensiva ideológica na mídia internacional contra o governo de Maduro, além de movimentações militares de posicionamento de tropas norte-americanas em bases militares no Caribe. No plano interno, é evidente a presença de “militantes” financiados via Miami para sabotar o regime.
A escalada se dá no momento em que a extrema-direita chega ao poder no Brasil, em que o neoliberal Macri segue governando na Argentina, em que a direita mais beligerante volta ao governo da Colômbia e em que o conservadorismo e as forças fascistas crescem em vários países europeus, governando em alguns deles.
A ação presente se soma a muitas outras que vêm sendo empreendidas contra o processo bolivariano, que, desde o primeiro governo de Chávez, promove reformas populares, coloca a Venezuela no campo anti-imperialista e a retira do papel de fornecedor de petróleo barato aos Estados Unidos, rompendo prática adotada pelos governos anteriores há décadas. Assim, o combate ideológico ao governo bolivariano é resultante da clara intenção dos Estados Unidos de retomar o controle sobre as gigantescas reservas petrolíferas e também as de ouro da Venezuela.
A escalada atual é também uma ação direta de Trump, que, ao promover o reposicionamento dos Estados Unidos na economia e na cena política internacional – com o reforço do protecionismo e das posições contrárias a qualquer agenda progressista, como na esfera ambiental – busca manter seus aliados conservadores e reacionários internos com o incremento de ações externas que combinam as estratégias de guerra hibrida com a intimidação e agressão militar, como vem sendo o padrão da postura internacional dos EUA nas últimas décadas, predominante nos casos do Afeganistão, Iraque, da Líbia, Síria e outros... [ler mais]
Luta pelo Comunismo: 100 anos de patrimônio político (Kemal Okuyan, Secretário Geral do Partido Comunista da Turquia) 03-2019
«Há cem anos, 54 delegados, dos quais 35 com direito de voto, se reuniram em Moscou. Tinham o desejo de libertar a humanidade da exploração, dar um golpe fatal a um sistema social marcado pela desigualdade e injustiça, unir as lutas pelo comunismo que eram levadas a cabo em cada país em uma só força, divulgar a disposição da classe operária russa, já no poder desde 1917, à Europa e a todos os povos do mundo. O encerramento se deu em 2 de março de 1919.
Na verdade, pode-se dizer que “há exatamente cem anos”… O congresso constituinte da Internacional Comunista ia se reunir em 15 de fevereiro. A Internacional Comunista, a organização da qual centenas de milhares de pessoas se sentiam orgulhosas, por serem militantes num posto de trabalho ou em uma greve, na barricada ou nas masmorras da Gestapo, na tribuna do parlamento ou num campo de concentração… Ia ser fundada em 15 de fevereiro, se os bandos contrarrevolucionários, sob as ordens dos governos reacionários que responderam aos levantes da classe trabalhadora com o terror branco, não tivessem feito todo o possível para impedir que os delegados chegassem a Moscou.
De toda maneira, não puderam evitar que se fundasse o Komintern, nem que a família dos partidos comunistas, embora pequenos e impotentes (exceto o russo) se convertesse em um dos fatores determinantes da luta de classes.
O Komintern, até o ano de 1943, quando sua existência terminou, se dedicou a lutas difíceis e obteve grandes êxitos. No mesmo período também houve derrotas, com resultados trágicos para o Komintern e os partidos membros. Sem dúvida, o que dizemos é válido para todas as fases de nossa história comum depois da fundação da Internacional Comunista. Hoje, enquanto abraçamos orgulhosamente esta história com todos os seus momentos corretos e erros cometidos, também saudamos a todos os militantes de nossa luta digna, particularmente aqueles que têm dado suas vidas pelo objetivo do comunismo.
No período no qual o Komintern foi fundado, os que pensavam que o capitalismo já não tinha muito tempo para sobreviver constituíam a maioria. Nem mesmo os mais cuidadosos podiam imaginar que o capitalismo seguiria existindo como um sistema mundial depois de um século. Hoje, nós que perseguimos o caminho estabelecido pelos companheiros que mostraram a decisão de fundar o Partido Mundial em 1919 miramos o passado com nossa fé inquebrantável no fato de que a burguesia será derrotada e perguntamos: “por que a vitória tardou tanto?... [ler mais]
PS agente do grande capital ou o grande amor do Costa 03-2019
O Exemplo do bom lacaio que não hesitou em reprimir a greve dos estivadores do Porto de Setúbal a mando dos patrões alemães da Volkswagen que, como se ficou a saber posteriormente, não ficaram satisfeitos com a falta de celeridade na resolução dos problemas que levaram à greve, e exigindo agora “estabilidade”, governativa e social, para não comprometer o investimento feito em Portugal. E o espírito de lambe botas não tem limites com o ministro da Economia a querer responsabilizar os trabalhadores do Porto de Setúbal pela diminuição do PIB, em relação às expectativas do governo, de 2%. A economia capitalista portuguesa (eufemisticamente, “Portugal”) cresceu menos devido ao “comportamento das exportações no final do ano”, o PIB aumentou 2,1% em 2018, inclusivamente menos 0,7 pontos percentuais do que em 2017. E a culpa é dos trabalhadores... porque não se deixaram explorar. A ser verdade, é prova mais do que cabal que um pequeno número de trabalhadores firmemente dispostos a lutar consegue muito, faz tremer a economia dos patrões, e revela que a economia dita “nacional” mais não é que um prolongamento da economia capitalista alemã, ou seja, a burguesia nacional mais não passa de uma burguesia rentista e subsidiária e o governo um agente de negócios do grande capital europeu. E mais ainda, o capitalismo encontra-se em recessão, a crise não acabou, entrou somente em letargia para despertar em breve e com mais acutilância.(...)
Pelo outro lado, e por cá, o Costa vai dando muitos milhões de mão beijada à burguesia indígena, como ficou bem atestado pela atribuição da “maior obra ferroviária dos últimos 100 anos” (assim foi classificada pelo Governo a ligação ferroviária do porto de Sines à fronteira de Elvas) a empresas acusadas e até condenadas por roubarem o Estado. A Infraestruturas de Portugal foi lesada em milhares de euros, mas após a acusação já entregou quase dois milhões em empreitadas por ajuste directo a cinco empresas, a saber, Somague, Mota-Engil, Comsa, Vossloh e Teixeira Duarte, acusadas pela Autoridade da Concorrência de terem combinado apresentar propostas com valores acima do limite, em 2014 e 2015, durante um concurso público para a manutenção da ferrovia, e de, noutro concurso, as mesmas empresas terem repartido os lotes entre si para que ninguém fosse excluído, ou seja, um verdadeiro cambalacho. E há um secretário de Estado, João Galamba, um ex-blogger que não tem feito outra coisa senão fazer pela vida, a pedir aos cidadãos da Guarda para recompensarem os investimentos da EDP na região consumindo mais energia: “Continuem a consumir. Consumam mais.” Com certeza que o homem, quando sair do governo e se deixar da política, terá garantido um bom emprego na eléctrica chinesa. São assim os dirigentes do PS, gente corrupta que ao mesmo tempo que vão tratando da vidinha aviam os recados aos capitalistas, tratando-lhes bem dos negócios. O PS não passa de uma corja, Tanto lá fora como cá dentro.
E, ainda por cá, o Conselho de Estado reuniu-se esta sexta-feira com a directora-geral do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, numa manifestação de puro e abjecto servilismo. FMI, organismo de contornos mafiosos cujo objectivo é espoliar os povos e os estados através da dívida soberana, e abrir os mercados nacionais à exploração por parte dos grandes grupos económicos. Lagarde, figura pouco recomendável, que foi condenada, em 2016, pela Justiça francesa, por negligência em desvio de dinheiros públicos; convite feito à semelhança de outros poucos recomendáveis, Mario Draghi ou Jean Claude Juncker, pelo PR Marcelo. Presidente que não é de todos os portugueses, mas somente daqueles a quem faz o frete: a bajulação à máfia que (des)governa o estado de Angola já fez com que a Mota-Engil – a empresa que dá emprego a ex-governantes, Jorge Coelho (que já agradeceu a Marcelo, na TVI, apoiando-o como Presidente), o seu primo Paulo Portas, o seu colega de televisão Lobo Xavier, mas também Valente de Oliveira, Seixas da Costa ou até o filho de António Guterres – tenha já obtido uma carteira de obras em Angola no valor de 800 milhões de euros. PS/Costa e PR Marcelo são fracos perante a burguesia, alemã, angolana, nacional, qualquer uma que dê suborno, mas fortes (aparentemente) com os trabalhadores, com os enfermeiros que levaram com a requisição civil em cima, com os estivadores que foram reprimidos (civilizadamente) pela polícia, com os professores que já foram ameaçados pelo PR a aceitar a proposta do governo ou então nada terão.... [ler mais]
Quando o PS e Mário Soares eram financiados por Mu' Ammar el Kadhafi (por Rui Mateus) 03-2019
«No PS, entretanto, assistia-se a uma penetração galopante do Partido Comunista em virtude da ausência do seu secretário-geral. Salgado Zenha, então a única possível alternativa ao secretário-geral, era igualmente membro do Governo, responsável pela pasta da Justiça. Para satisfação do PC «o Partido foi, desde o início, relegado para segundo plano» e Tito de Morais «assegurava quase sozinho o funcionamento» do PS, na sua primeira sede nacional. E se a visita ao Palácio de Belém lembrara ao sueco Sten Andersson «uma cena tirada de um velho filme de piratas», a sede do Partido Socialista na Rua de S. Pedro de Alcântara onde «reinavam», em crescente incompatibilização, Manuel Tito de Morais e Manuel Serra, fazia lembrar uma cena tirada de um saloon de um velho filme do far west ! O tesoureiro do Partido era um dos fundadores presentes em Bad Munstereifel, Carlos Carvalho, que usava como método de contabilidade a acumulação de papelinhos soltos, onde ia depositando números e com os quais passava recibos. Método aliás legado aos seus sucessores. Diplomatas e delegações estrangeiras eram recebidas nos corredores e nas escadas. Manuel Serra, Aires Rodrigues e Fernando Oneto, acompanhados dos seus «seguranças», andavam numa «lufa-lufa» à procura de indícios dos «golpes de estado» que a imprensa anunciava com antecedência, enquanto toda a gente berrava ao mesmo tempo, como se para afastar de vez os velhos fantasmas que ainda ali habitavam. O PS tinha assentado praça no edifício da sede da Comissão de Censura do Governo de Marcello Caetano! No meio de toda aquela barafunda, a única pessoa que parecia controlar minimamente a situação era a Maria do Carmo Maia Cadete, coordenadora do secretariado nacional.
Mário Soares ia, entretanto, aproveitando algumas das suas viagens enquanto ministro dos Negócios Estrangeiros para angariar alguns fundos para o Partido Socialista. Mas, apesar de alguns contributos iniciais dos partidos sociais-democratas escandinavos, do SPD e de uma campanha de angariação de fundos lançada na Holanda pelo PVDA (Partido Trabalhista) e pelo seu dinâmico secretário para as relações internacionais, Harry van den Berg, os apoios financeiros estavam longe de ser o que muitos imaginavam e se insinuava. Segundo consegui apurar, o movimento sindical norueguês deu pela primeira vez ao PS, em Maio de 1974, «após visita a Oslo de Francisco Ramos da Costa», cem mil coroas norueguesas. E demonstrando os seus bons contactos internacionais e capacidade de angariação de fundos, também o PSD da Dinamarca forneceria cinquenta mil coroas «enviadas através do Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa». No dia 29 de Julho, após um encontro com Bernt Carlsson, fui informado de que o partido sueco tinha atribuído à sede do PS cem mil coroas, para além do apoio que enviaria preferencialmente para as organizações locais e regionais do Partido. Também ofereceria uma rotativa «Solna offset» nova que, contudo, só chegaria ao PS em 1975 (mas que se tornaria imprescindível para imprimir cartazes e autocolantes a cores) além de cerca de 78 000 coroas entregues em mão na sede. E, tanto quanto sei, a Fundação Friedrich Ebert doaria pelo menos meio milhão de marcos alemães através da Fundação António Sérgio, primeira das fundações do PS. Mas, como muitos dos donativos, sobretudo os mais pequenos, eram feitos em mão pelas delegações que vinham a Portugal ver a «Revolução» e como nada era aparentemente contabilizado – prática a que os partidos portugueses rapidamente se habituariam – é praticamente impossível saber ao certo os montantes exactos que na totalidade o PS receberia dessa «solidariedade» internacional... [ler mais]
El "socialismo pragmático" del Gobierno portugués que tanto gusta a la COPE y a la banca (PCOE) 02-2019
«Que una radio fascista como la COPE y un banquero elogien al Gobierno socialdemócrata portugués es buen indicativo de que se trata de un Gobierno nocivo y criminal para la clase obrera, plegado a los intereses de la banca y de los monopolios.
Para el portavoz de la oligarquía fascista española Carlos Herrera, las medidas del gobierno luso son “sensatas”. En la misma tónica, el banquero portugués Antonio Ramalho, CEO de Novo Banco, ha afirmado que el “gobierno socialista, con apoyo de la izquierda, ha mantenido totalmente el pragmatismo de las instituciones”.
Según el banquero, Portugal vive una “historia fenomenal” protagonizada por un Ejecutivo en el que se encuentran “socialistas pragmáticos”. Asimismo, se ha labrado una “gran unidad entre el presidente de la República de Portugal y el primer ministro”, lo que, según Ramalho, es “más importante para el país que la izquierda o la derecha“.
La “historia fenomenal” que ha vivido el pueblo portugués es en realidad la aplicación de medidas austericidas impuestas por la troika (Comisión Europea, Banco Central Europeo y Fondo Monetario Internacional) y continuadas por el Gobierno “pragmático” del Partido Socialista (PS) de Antonio Costa, en coalición con la supuesta “extrema izquierda” del Partido Comunista de Portugal (PCP), del Partido Ecologista-Verdes (PEV) y del Bloco de Esquerda (BE), homólogos lusos del oportunismo español de Podemos-IU-PCE.
Tal ha sido el entusiasmo que ha suscitado el “milagro” portugués en los monopolios europeos, que el ministro de Finanzas, Mário Centeno, doctor de la Escuela de Negocios de la Universidad de Harvard y reputado liberal partidario de una gran flexibilidad del mercado laboral, fue elegido presidente del Eurogrupo. El ex ministro de Finanzas alemán Wolfgang Schäuble lo ha definido como el “Ronaldo del Ecofin“.
El “milagro portugués”, que según Carlos Herrera ha permitido convertirse en “un foco atractivo para muchos inversores”, está basado en la flexibilización y abaratamiento de la mano de obra y en ventajas para los empresarios y para la oligarquía financiera... [ler mais]
Partidos Comunistas da América do Sul repudiam intervenção na Venezuela 02-2019
«#TrumpManosFueradeVenezuela
Os Partidos Comunistas abaixo assinados repudiam com veemência qualquer tentativa de de intervenção militar na República Bolivariana da Venezuela.
Repudiamos também o bloqueio e o confisco de recursos que os Estados Unidos impuseram à Venezuela com a cumplicidade dos governos que aderem às políticas neocolonialistas do imperialismo.
São os mesmos que rapidamente avalizaram a tentativa de Guaidó, títere das políticas intervencionistas, de autoproclamar-se “presidente encarregado”, com a intenção de legitimar os ataques contra a República Bolivariana da Venezuela.
Com a desculpa de fazer entrar na Venezuela uma suposta “ajuda humanitária”, o governo dos Estados Unidos e seus seguidores na região ameaçam com um ataque que só causaria morte e destruição para o povo venezuelano com graves consequências para a paz em toda a América Latina e o Caribe.
Os comunistas nos manifestamos pelo irrestrito apoio à soberania dos povos, contra qualquer intervenção estrangeira em nossos países e seguimos lutando para que América Latina e Caribe sejam territórios de paz.
– Não à intervenção militar na Venezuela e em qualquer país da Nossa América! – América Latina e Caribe de paz!... [ler mais]
Venezuela obtém vitória, mas não se pode baixar a guarda (Carlos Aznárez) 02-2019
«Finalmente o que ocorreu é o que vem sofrendo o Império e seus aliados frente ao chavismo em todas as últimas contendas, sejam as diplomáticas ou amparadas em um belicismo verbal mais que irritante: voltaram a fracassar. Não puderam com o povo nem o governo legítimo encabeçado por Nicolás Maduro. Nem na zona fronteiriça com a Colômbia nem na que limita com o Brasil, tampouco na rota marítima. Não lograram mobilizar os 600 mil (sic) que havia anunciado Guaidó e que se converteram neste sábado 23F num pequeno grupo agressivo de malandros pagos que montaram algumas poucas mas violentas guarimbas (arruaças) e vários falsos positivos.
Assim ocorreu com o incidente matinal do roubo dos caminhões na ponte que leva a Cúcuta, e que terminou com a deserção de um grupo ínfimo de guardas que não apenas se passaram para o lado inimigo como também mostraram um perfil criminoso. Os covardes destruíram dezenas de cercas que fechavam o lugar, ferindo pelo impacto uma camerógrafa chilena e uma leal policial bolivariana. Do outro lado, foi possível observar a cumplicidade dos policiais de Iván Duque, que os ajudavam ostensivamente. Enquanto isso, dois dos líderes das guarimbas deste sábado, o deputado direitista José Antonio Olivares e um de seus asseclas chamado Vilca Fernández festejavam a façanha.
Mais tarde, se repetiu a farsa ao tentar fazer entrar alguns poucos caminhões com a famosa “ajuda”. De pronto, ao passar pela ponte foram incendiados por um grupo de guarimberos que incendiaram os veículos com gasolina enquanto eram filmados e fotografiados por muitos repórteres. Mas, como os meios de comunicação hegemônicos são a tropa avançada e violenta do envenenamento massivo, inventaram outra notícia mentirosa, acusando o chavismo de gerar esse ataque. Mais ainda: contaram que eram os integrantes da Guarda Nacional Bolivariana, que estavam situados a grande distância dos acontecimentos, os culpados dessa torpe ação.
O que não disseram é que os malandros “contratados” pela oposição ligada a Guaidó e protegidos pela polícia colombiana (aí estão os vídeos nas redes como prova) se perderam enormemente porque as coisas não saíram bem e não lhes pagaram os “honorários” pactuados. Daí que uma turba de encapuzados e outros com a cara descoberta pregaram uma boa surra nos “contratadores”. É o caso do deputado Olivares, a quem um grupo distribuiu uns bons tapas na cara e na cabeça ao grito de “ladrões, paguem o que prometeram”... [ler mais]
Arnaldo Matos: Isto é tudo um putedo! 02-2019
«Costa e o PS, aliás, foram o bombo da festa de Jerónimo e seus oportunistas durante os últimos quarenta dias e quarenta noites da campanha eleitoral.
Bem denunciámos nós aos operários e a todo o povo trabalhador que o conceito de governo patriótico e de esquerda, salivado na boca de Jerónimo, além de ser uma contradição nos termos, se destinava apenas a enganar papalvos.Na verdade, não tinham ainda arrefecido nas urnas os votos obtidos para um governo patriótico e de esquerda, depois de uma campanha em que Jerónimo atacou forte e feio António Costa e o PS como um baluarte da Tróica em Portugal, e eis que o caudilho social-fascista do PCP, esquecendo tudo o que havia imputado ao PS e a António Costa, enquanto “líder de um partido de direita, se prostra de joelhos diante do até agora reaccionário Costa e do PS de direita, implorando-lhes, pelas alminhas, que aceitem formar um governo do PS, com eles, revisionistas do PCP, e com elas, as meninas oportunistas do Bloco, venham eles e elas a ser ministros do Governo de Costa ou não venham a ser mais nada do que bengalas parlamentares do reaccionário António Costa e do PS, partido de direita.
E eis como, em menos de oito dias, a ideologia política oportunista do PCP e do BE consegue transformar o objectivo de luta por um governo patriótico e de esquerda num governo patriótico e de direita.
Ora um governo do PS e de António Costa não pode ser outra coisa senão um governo da Tróica e do capital alemão. Basta ler o programa político com que o PS de António Costa se apresentou ao eleitorado há oito dias.
Como é que o PCP e o Bloco podem apoiar um governo desta natureza? E que diferença existe entre o governo da Tróica, conduzido por Costa ou pela coligação de direita e de extrema-direita? Que política de esquerda é esta que se propõem o PCP e o Bloco, ao apoiarem o governo de António Costa e do PS?
Política de esquerda esta? Isto não é política de esquerda. Isto é tudo um putedo!
E é contra este putedo todo que se têm de erguer o povo trabalhador, a classe dos operários e os verdadeiros comunistas.
Qualquer que seja o governo que saia da Assembleia da República eleita no sufrágio do último domingo, seja da coligação Coelho/Portas, seja o do arco governativo Coelho/Portas e Costa, seja o governo de Costa com o apoio directo ou apenas parlamentar dos revisionistas do PCP ou das meninas oportunistas do Bloco, qualquer desses três governos é um governo da Europa Alemã, do capital germânico, da Tróica, de Ângel Merkel e de Schäuble, mas nunca um governo do povo português, nunca um governo ao serviço da classe operária e dos trabalhadores.
E fiquem sabendo: qualquer desses governos terá sempre, apesar da miséria que impõe aos portugueses, o grande mérito de abrir os olhos aos proletários e ao povo: só a revolução proletária, só o comunismo acabará com a exploração do homem pelo homem... [ler mais]
La locura del muñeco guiado y su ventriloco (Gustavo MATIZ) 02-2019
«Solo La ignorancia loca del guerrerista, que no se inmuta con la barbarie del raponazo sobre territorios ricos de paz y recursos naturales, puede atreverse a la insensatez de la guerra, llamando a rendirse a los patriotas que claman la SEGUNDA Y DEFINITIVA INDEPENDENCIA para esa América Nuestra.
“Desde 1825 Estados Unidos, el santanderismo continental y la Santa Alianza europea -que sigue viva- se coaligó para anular el proyecto de Bolívar. Nada ha cambiado. Los representantes de los Estados Unidos en Lima y Bogotá, Tudor y Harinson, conspiraban con Santander y la aristocracia de Lima para derrocar a Bolívar. Sus objetivos eran: Dividir y desmoralizar al ejército libertador. Desmembrar a Colombia. Asesinar a Bolívar y a Sucre, y abolir la obra política y legislativa Bolivariana”.  Ivan Marquez Jefe de la comisión Plenipotenciaria de Paz FARC
Pareciera que desde entonces el tiempo se hubiese congelado, y con ello, la visión y el sueño del Padre de Nuestra América. Pues hoy, el autodenominado “Grupo de Lima” liderado por el supremacista de Washington con el santanderismo de Colombia,  y algunos gobiernos europeos, luchan para derrocar al presidente constitucional de Venezuela, Nicolás Maduro, pero buscando al mismo tiempo borrar de nuestra historia a Bolívar para enterrarlo definitivamente en el olvido. Le temen a su proyecto que sigue vivo, y por eso en Colombia, desde hace rato, ya no se enseña historia patria en los planteles educativos.
Corresponde entonces la respuesta soberana del movimiento social y político de Venezuela y Colombia, con sus liderazgos, que contienen la fuerza arrolladora del cambio, juventud, mujeres, políticos honrados, militares y policías virtuosos que aun anidan en su corazón el legado de Bolívar, Es la hora, ha llegado el momento de reúnir sus fuerzas, que constituyán la potencia transformadora capaz de construir el futuro soñado y delineado por Simón Bolívar en el Congreso de Angostura: es decir  su persistente empeño por la unidad de los pueblos como escudo de nuestro destino, que es el disfrute de la mayor suma de felicidad posible y justicia social, Seamos ya Territorio y canto de paz, Seamos ya todas y todos en unidad de acción, trinchera de resistencia a los embates  neo-coloniales.  Y que se alce en torbellinos desde el suelo el grito !!  ALTO  !! STOP U.S.A. OFF AGRESSION!!! CESE EE.UU. DE AGREDIR MILITARMENTE A NUESTRA AMERICA Y EL CARIBE.!!... [ler mais]
Carta enviada à Mesa Nacional do Bloco de Esquerda por um conjunto de militantes que pediram a desvinculação do partido 02-2019
«Camaradas,
conscientes de que pouco resta do projeto original do Bloco de Esquerda de ser uma força política em alternativa à sociedade existente, resolvemos deixar o partido no qual militámos ativamente até agora.
Sem arrependimentos, mas também sem ilusões, este é o momento da clarificação política entre uma esquerda com um projeto radical para a sociedade e outra paliativa em que o resultado da sua ação é a integração no sistema que deveria combater. O capitalismo não se reformará com a gradualidade de medidas parcelares que, por mais justas que sejam, não evitam o aprofundar das crises, a exclusão e o agravamento das desigualdades inerentes a um sistema de dominação que tem a propriedade privada, o mercado e a finança como suas principais forças motoras.
O socialismo não será um projeto retórico que esquece a razão estratégica na sua prática, que ignora que cada ganho institucional só terá razão de ser se contribuir para o aprofundar da consciência da exploração e dos seus responsáveis, se lançar luz sobre a origem das desigualdades e de quem as promove, se apontar formas que disputem poder ao estado.
Resolvemos deixar o Bloco porque não podemos ignorar o caminho de institucionalização dos últimos anos que transformaram o partido, de instrumento de luta política, num fim em si mesmo. O taticismo de decisões, o jogo da comunicação na sua forma burguesa, a ausência de qualquer ativismo local inserido numa estratégia de construção do partido, a progressiva ausência de pensamento crítico acompanhada pela hostilização da divergência interna e profundo sectarismo com outras forças de esquerda, transformaram o Bloco de Esquerda num projeto reformista centrado na sua própria sobrevivência. Uma sobrevivência quase sempre determinada através da influência eleitoral projetada em cada momento. É esse taticismo que justifica a posição tíbia a propósito dos incidentes recentes no Bairro da Jamaica no Seixal ou o desconforto sentido por ter sido um seu militante e assessor, Mamadou Ba, que protagonizou a denúncia de serem as forças policiais responsáveis por um racismo sistémico dirigido contra africanos e afrodescendentes dos bairros pobres. Ao ocultar esse racismo sistémico das forças de segurança e dos agentes do Estado, o Bloco coloca-se no lado errado do combate antirracista e perde espaço junto de uma geração que perdeu o medo e que trava os combates decisivos do nosso tempo. É ainda esse taticismo que faz o Bloco abdicar de posições claras e de agir em conformidade como no caso da questão da renegociação da divida externa que era central e incontornável com o governo anterior, agora transformada em mero pormenor retórico que não perturba o apoio a um governo que perpetua a austeridade... [ler mais]
PCV: “Temos um povo e uma juventude prontos a defender a soberania e as conquistas sociais” 02-2019
«Em colectiva de imprensa realizada em 11 de Fevereiro, com a camarada Janohi Rosas, Secretária Geral do Conselho Central da Juventude Comunista da Venezuela e membro do Comitê Central do PCV como porta-voz, o Birô Político do PCV comunicou o que segue:
– O PCV e a Juventude Comunista da Venezuela comemoram o feito heróico da Batalha da Vitória, ocorrida em 12 de fevereiro de 1814. Jovens estudantes e seminaristas liderados por Jose Félix Ribas e soldados da cavalaria comandados por Vicente Campo Elías derrotaram os realistas assegurando um triunfo à causa da segunda República.
– Quem tentar interromper o curso do processo bolivariano ameaçando a classe trabalhadora, através de um golpe de estado imperialista, por meio da guerra não convencional, lhes avisamos que aqui há um povo e uma juventude dispostos a defender a soberania e as conquistas populares e não pretendemos retroceder. Dizemos, ainda, como há 205 anos: “Não podemos optar entre vencer ou morrer. O necessário é vencer!”.
– A Assembleia Nacional em desacato novamente viola a Constituição, através da aprovação do “Estatuto” que adoptou, estabelecendo um governo de transição por um ano e a designação de poderes. Isto não está de acordo com os parâmetros democráticos, contemplados na legislação venezuelana. Devemos salientar que há um golpe de estado em curso, numa clara violação à constituição da República Bolivariana da Venezuela, o que desmascara os sectores reaccionários em sua agenda voltada a promover o golpe de estado imperialista em nosso país.
– Rechaçamos as decisões e tentativas de ingerência nos assuntos internos da Venezuela por parte do Grupo de Contacto Internacional que desrespeita a vontade do povo venezuelano, que elegeu Nicolás Maduro como presidente da República Bolivariana da Venezuela. Repudiamos também aqueles que pretendem investir de legalidade a proclamação de Juan Guaidó como “presidente de transição”... [ler mais]
O Estado burguês na forma burlesca (Mauro Luis Iasi) 02-2019
“Se há um idiota no poder é porque os que o elegeram estão bem representados.” Barão de Itararé
Marx estava convencido de que o fetichismo da mercadoria constituía a base real daquilo que Hegel entendia como uma das dimensões da alienação: o estranhamento, esse processo pelo qual as objetivações humanas se distanciam daqueles que as criaram e se voltam contra ele como uma força hostil que os controla.
Marx dedica o primeiro capítulo de O capital à mercadoria, elemento a partir do qual ele iniciará sua odisseia de crítica da economia política em busca do ser do capital. O item final deste capítulo crucial apresenta justamente “O caráter fetichista da mercadoria e seu segredo”. Mas onde estaria esse segredo? Quando vemos os elementos que se revelam na análise da mercadoria não vemos nada de misterioso. A mercadoria seria um objeto que, por um lado, possui propriedades que satisfazem determinadas necessidades humanas (valor-de-uso), e que por outro, pode ser trocada por outras mercadorias, revelando, como substância desse valor-de-troca, seu valor, isto é, uma determinada quantidade de trabalho humano abstrato socialmen coisas. É preciso tomar todo o cuidado para, de tão envolvidos no fetichismo, não acreditarmos que nossas objetivações (econômicas ou políticas) realmete necessário.
Entretanto, as mercadorias ganham vida: vão ao mercado – servem de equivalência que revela o valor das outras – se relacionam e se voltam contra seus produtores como uma objetivação que os controla ao invés destes as controlarem. O ponto final desse estanho processo é sintetizado pelo autor em uma frase genial: uma relação entre seres humanos que “assume, para eles, a forma fantasmagórica de uma relação entre coisas” (O capital, Livro I, p. 147). As objetivações humanas ganham vida e se voltam de forma hostil contra aqueles que as criaram.
Marx estava convencido desde cedo que esse fenômeno, estudado por exemplo por Feuerbach no que diz respeito à religião, também se apresentava nos processos políticos e no Estado. Isto é, as relações e a sociabilidade entre os seres humanos se projetam em objetivações políticas e jurídicas e em formas de consciência que se distanciam produzindo relações que se voltam contra os seres humanos, relações que fogem do controle dos produtores e acabam por dominá-los.
Hoje vivemos uma conjuntura política na qual esse fenômeno se revela em sua pureza. A vida política enlouqueceu e o espelho político se assemelha mais àquelas casas de espelhos dos parques de diversão nas quais as imagens refletidas se apresentam distorcidas e burlescas.
Há, no entanto, uma sutileza na frase de Marx que dificilmente recebe a devida atenção. Notem que o texto afirma que essas relações (no caso, as mercantis) assumem “para eles”, a forma de uma relação entrente ganharam vida própria e nos controlam. As mercadorias que se fetichizam continuam, obrigatoriamente, tendo que ser produzidas por seres humanos que se reificam. Da mesma forma, as objetivações políticas estranhadas precisam ser “produzidas” por seres humanos, ainda que estes tenham obliterado sua humanidade na condição reificada. Caso contrário, acabaríamos atribuindo a forma burlesca das instituições políticas a qualquer dimensão metafísica, seja o destino, seja um suposto caráter nacional que nos condena a não ser um país sério.
A forma política do Estado brasileiro e seu atual caráter burlesco se apresentam como a forma socialmente necessária que deve ser compreendida tendo por base o fetichismo da mercadoria e os interesses de classe que daí derivam. Essa não é uma tarefa fácil, uma vez que não se trata de uma determinação linear que vai do solo econômico às formas políticas. Se assim fosse, estaríamos lidando com uma equação simplória e sem nenhuma utilidade prática: a base é a forma capitalista da produção de mercadorias que se expressa na forma de um Estado burguês... [ler mais]
Podem a Venezuela e os seus vizinhos sobreviver à guerra que se anuncia? (Thierry Meyssan) 02-2019
«Se a minha análise for exacta — e de momento, tudo parece confirmá-la —, é preciso preparar-se para uma guerra não apenas na Venezuela, mas em toda a Bacia das Caraíbas. A Nicarágua e o Haiti estão já desestabilizados.
Esta guerra será imposta a partir do exterior. Ela não já não visará derrubar governos de esquerda em proveito de partidos de direita, mesmo que as aparências sejam à partida enganadoras. A lógica dos acontecimentos não fará distinção entre uns e outros. Pouco a pouco, toda a sociedade será ameaçada, sem distinção de ideologia ou de classe social. Identicamente, será impossível aos outros Estados da região manter-se afastados da tempestade. Mesmo aqueles que creem proteger-se servindo de base traseira às operações militares acabarão parcialmente destruídos. Assim, e a imprensa raramente fala disso, cidades inteiras foram arrasadas na região de Qatif, na Arábia Saudita, muito embora este país seja o principal aliado de Washington no «Médio-Oriente Alargado».
Com base nos conflitos dos Grandes Lagos de África e no Médio-Oriente Alargado, esta guerra deverá desenrolar-se por etapas. 
 Em primeiro lugar, destruir os símbolos do Estado moderno, atacando as estátuas e museus consagrados a Hugo Chávez. Isso não faz vítimas, mas mexe com as representações mentais da população. 
 Depois encaminhar armas e remunerar combatentes para organizar manifestações que descambarão. A imprensa fornecerá, após um surto de explicações inverificáveis, um rol sobre crimes imputados ao Governo contra os quais manifestantes pacíficos se levantaram. É importante que os polícias acreditem ter sido alvo de disparos da multidão e que a multidão acredite ter sido visada por tiros da polícia porque o objectivo é semear a divisão. - A terceira etapa será montar atentados sangrentos um pouco por todo o lado. Para isso muito poucos homens são necessários, basta ter duas ou três equipas circulando pelo país. 
 Só então é que será útil enviar para o terreno mercenários estrangeiros. Durante a última guerra, os Estados Unidos enviaram para o Iraque e para a Síria pelo menos 130 000 estrangeiros, aos quais se juntaram120 000 combatentes locais. Tratou-se de exércitos muito numerosos embora mal preparados e treinados.
É possível conseguir defender-se uma vez que a Síria o conseguiu. Várias iniciativas devem ser tomadas com urgência: 
 Desde logo, por iniciativa do General Jacinto Pérez Arcay e do Presidente da Assembleia Constituinte, Diosdado Cabello, oficiais superiores do Exército venezuelano estudam as novas formas de combate (guerra de 4ª geração). Mas, delegações militares devem ir à Síria para constatar, por si mesmas, como as coisas se passaram. É muito importante porque estas guerras não se parecem com as precedentes. Por exemplo, mesmo em Damasco a maior parte da cidade está intacta, como se nada se tivesse passado, mas vários bairros estão totalmente devastados, como em Estalinegrado após a invasão nazi. Isso pressupõe técnicas de combate particulares. 
 É essencial estabelecer a unidade nacional de todos os patriotas. O Presidente deve aliar-se à oposição nacional e fazer entrar alguns dos seus líderes para o seu Governo. O problema não é saber se apreciamos ou não o Presidente Maduro: trata-se de lutar sob o seu comando para salvar o país. 
 O exército deve formar uma milícia popular. Já existe uma na Venezuela, com quase 2 milhões de homens, mas ela não está treinada. Por princípio, os militares não gostam de confiar armas a civis, mas só os civis podem defender o seu bairro, do qual eles conhecem todos os habitantes. - Grandes obras devem ser realizadas para proteger os edifícios do Estado, do exército e dos hospitais.
Tudo isso deve ser feito com urgência. Estas medidas demoram a concretizar e o inimigo já está quase pronto... [ler mais]
Contra a requisição civil dos enfermeiros decretada pelo governo PS/Costa 02-2019
A primeira reacção que se teve logo que se soube da intenção por parte do governo em querer decretar a requisição civil dos enfermeiros, alegando-se a irredutibilidade de continuarem com a greve às cirurgias em alguns centros hospitalares, foi de imediato repúdio. Um conflito entre trabalhadores e patrão e sendo o patrão o próprio estado, que vive à custa dos impostos dos trabalhadores, em principio deveria ser resolvido de forma sensata, atendendo para mais que o partido que está no governo até se diz “socialista”, e para ter formado governo foi necessário o apoio dos outros dois partidos que se reivindicam de “esquerda” e do “comunismo”, com cedência especial por parte do lado formalmente mais forte, que é o governo. Mas não foi o que aconteceu, a requisição civil foi decretada com a complacência dos dois partidos que suportam o governo no Parlamento.
O entendimento do primeiro-ministro Costa é o de armar-se em vítima e acusar os sindicatos do mal que ele sofre, a irredutibilidade, com a já fastidiosa argumentação de que não há dinheiro e da injustiça que seria para as outras categorias profissionais aceitar todas as reivindicações dos enfermeiros, chegando ao ponto de lhes atribuir má-fé por quererem ganhar tanto como os médicos (uma ousadia imperdoável!), não conseguindo esconder que estará um mãozinha da Ordem dos Médicos por detrás da decisão de lançar a requisição civil sobre os enfermeiros. Uma decisão tomada poucas vezes durante os quarenta e poucos anos que esta democracia de faz de conta leva de existência e que os próprios governos de direita têm alguma relutância em tomar. Na questão de reprimir os trabalhadores, o Costa é mais papista que o Papa.
Devemos ver qual o papel e a missão que o PS assumiu aquando da formação de governo, sabendo-se que nem sequer ganhara a eleições. O papel foi o de apaziguador da contestação social, um autêntico bombeiro da luta de classes, acolitado, dentro do possível, pela CGTP/PCP e pelo BE, que anseia em substituir-se ao PS logo que este impluda, como já aconteceu na Grécia, e com a missão de levar a bom porto a política imposta por Bruxelas e pela troika de austeridade, a fim de salvar da falência os principais bancos europeus, através do serviço da dívida soberana, e da crise do capitalismo em geral, com a vantagem de ser ele, PS, o partido em melhores condições de o fazer devido à sua maior base social de apoio, enquanto o partido de direita por excelência, o PSD, vai arrumando a casa. O PS logo aceitou o encargo já que também se encontrava em jogo a sua própria existência; mas, diga-se em abono da verdade, com ou sem política de direita aplicada enquanto governo, a sua esperança de vida é assaz curta.
Após percebermos o contexto em que se desenrola a luta dos enfermeiros, que, depois de mais de três anos de promessas do governo PS de que os seus rendimentos, bem como dos restantes trabalhadores da administração pública e do privado, estariam a ser repostos, os enfermeiros constatam que no final do mês levam para casa cerca de 200 euros, em média, a menos do que levavam em 2008, antes da famigerada crise, que foi mais um pretexto do que uma causa da perda de rendimentos dos trabalhadores. A diferença salarial seria bem maior caso a carreira não tivesse sido congelada e tivessem progredido quer na anterior quer na dita nova, que instituiu o grau de “doutor”. Neste momento, e se o governo não mentisse com todos os dentes e ao querer fazer-se amigo de quem trabalha, os enfermeiros já teriam sido recolocados em categoria onde deveriam estar, caso nunca tivesse havido congelamento da carreira, e o aumento dos 400 euros agora reivindicados não chegaria para pagar o prejuízo. Tudo o mais, para além deste ponto, não passa de conversa da treta... [ler mais]
Las nueve razones de EEUU para declarar la guerra a Venezuela (Nazanín Armanian) 02-2019
«Big Stick o “Gran Garrote” es el nombre puesto por el presidente Roosevelt a la incipiente política imperialista de EEUU para América Latina: lo había sacado del dicho africano que reza “habla suavemente y lleva un gran garrote, así llegarás lejos“. La propia experiencia de Washington en las últimas décadas y en todo el planeta ha mostrado cuán erróneo es este concejo.
Mientras los venezolanólogos nos informan sobre las causas internas de la actual crisis de este país, el interés mostrado por las potencias mundiales (quienes ignoran la gravísima situación humanitaria de Sudán, Yemen o Congo) indica que existen razones complementarias. Que Donald Trump y sus aliados se preocupen por las libertades en Venezuela mientras tienen magníficas relaciones con el reino del terror saudí revela la estafa de sus “valores democráticos”. EEUU y Europa consideran enemigos a aquellos estados que resistan a sus pretensiones colonizadoras. Si la verdad siempre es la primera víctimade todas las guerras, ¿cuál es la de Venezuela?
Las “razones” de EEUU:
1. Recursos naturales: Venezuela posee la reserva de oro más grande del mundo, además de diamantes, hierro, cobre, aluminio, la bauxita, coltán, uranio, gas; un patrimonio natural extraordinario y también mucha agua dulce, aunque la joya de su corona es el petróleo: Venezuela es el dueño del 24% de las reservas de la OPEP, unos 301.000 millones de barriles, por encima de Arabia Saudí que posee el 21%. Decía el general nazi Adolf Galland que el principal motivo de la derrota de su país en la Segunda Guerra Mundial fue no tener gasolina para sus aviones: la toma de Stalingrado tenía el objetivo de acceder al petróleo de Azerbaiyán (hoy socio de Israel y la OTAN). Los aliados ganaron, entre otros motivos, porque tenían petróleo. Hoy, EEUU busca esta materia desesperadamente: la producción ha ido disminuyéndose hasta 115.000 barriles por día en las reservas de Texas, Oklahoma o Dakota.
Venezuela ya intentó en 1960 salvar su industria del expolio de las “Siete Hermanas” angloestadounidenses que dominaban el mundo del Oro Negro, fundando la OPEP. Hoy, produce 1.245.000 barriles al día (en 2000 fueron 3,4 millones) de los que 600.000 son enviados a EEUU.
2. La presencia de China y Rusia: El destituido secretario de Estado Rex Tillerson afirmaba en el febrero del 2018 que respaldaría un golpe militar en Venezuela, mostrando su preocupación por los “excesivos lazos económicos de la región con China”, país que es el mayor acreedor de Venezuela, le siguen EEUU y Gran Bretaña. Los bancos chinos han prestado más dinero a los países latinoamericanos que el Banco Mundial. Beijing planea invertir, por ejemplo, 40.000 millones de dólares en la conexión férrea bioceánica Atlántico-Pacífico (al que Brasil de Bolsonaro se ha opuesto). También ha firmado unos 700 acuerdos de cooperación por el valor de 70.000 millones de dólares en materias de petrolera, minera, alta tecnología (para los satélites Venesat-1), entre otras; le ha otorgado 65.000 millones de dólares en concepto de préstamos, a cambio de recibir petróleo. La empresa petro-química estatal china Sinopec planea invertir 14.000 millones de dólares en el gran yacimiento de la Faja Petrolífera del Orinoco, en cooperación con la rusa Rosneft, la italiana Eni y la española Repsol. [ler mais]
Índia: gigantesca manifestação comunista depois da massiva greve geral 02-2019
«Centenas de milhares de pessoas se concentraram no domingo passado (dia 03/02), em uma manifestação convocada pelo partido Frente das Esquerdas
Centenas de milhares de pessoas se concentraram no domingo passado nas ruas de Bengala Ocidental em uma concentração organizada pelo partido Frente das Esquerdas, uma coalizão de partidos formada pelo Partido Comunista, o Partido Socialista Revolucionário, o Bloco Marxista Adiante e o Partido Comunista Revolucionário, entre outros.
“A exitosa manifestação em Kolkata foi possível graças à dedicação de todos os camaradas e ao apoio massivo da poulação de Bengala Ocidental, que está sofrendo com as políticas opressivas do governo central do Partido Popular da Índia (BJP) e do governo estadual de All India Trinamool Congress (TMC)”, publicou nas redes sociais Sitaram Yechury, líder do Partido Comunista da Índia. “Devemos expulsar ambos os governos para que o povo receba o que merece”, assinalou. A Frente das Esquerdas de Bengala Ocidental governou este estado desde 1977 até 2011.
A manifestação se realizou um mês depois de uma greve geral de trabalhadores à qual aderiram mais de 100 milhões de pessoas. O governo do primeiro ministro Narendra Modi enfrentou três greves gerais em apenas cinco anos de mandato. A mobilização acontece também às vésperas das próximas eleições gerais do país, que se celebrarão em maio deste ano... [ler mais]
FSM condena a intervenção contra a República Bolivariana da Venezuela 02-2019
«A Federação Sindical Mundial (FSM), representando 95 milhões de trabalhadores dos cinco continentes e o movimento laboral de classe de todo o mundo rejeita firmemente a tentativa de golpe contra o governo legítimo da República Bolivariana da Venezuela.
Essa interferência, orquestrada pelo governo dos EUA, pela NATO e pela UE e executada pelos representantes das multinacionais e dos monopólios no país, constitui uma violação flagrante das mais elementares regras do direito internacional e da soberania da Venezuela. Para a FSM, é um direito inalienável de cada povo decidir por si próprio, sem intervenções externas, o seu presente e o seu futuro.
Ao mesmo tempo, a FSM reafirma, como já o fez em várias ocasiões, a sua solidariedade com o povo venezuelano, com a classe operária e as organizações do país nossas filiadas, perante esta ameaça imperialista. Além disso, apelamos ao povo venezuelano para que rejeite as manobras dos imperialistas e dos seus lacaios na região e condene os planos dos assassinos dos povos.
Continuaremos a apoiar a classe operária venezuelana, para o aprofundamento do processo bolivariano, até a abolição da exploração do homem pelo homem, rumo a um novo mundo, sem guerras e sem a barbárie imperialista. Este é o único caminho para repelir os planos dos imperialistas.
Viva a solidariedade internacionalista!... [ler mais]
Portugal: Pobreza e lacaios 02-2019
Portugal, segundo a imprensa do regime, será o segundo país onde o trabalho precário mais subiu na Europa. Os contratos precários terão aumentado em 1,8 pontos percentuais, entre 2008 e 2017, embora tenha havido uma redução do peso relativo do trabalho precário (contratos até 3 meses) de 0,7, entre 2011 e 2017. A realidade é que há mais de 130 mil contratos instáveis, de curta duração e com salários baixos (Eurostat). Em contrapartida, a fortuna dos multimilionários cresceu 12% em 2018, a um ritmo de 2200 milhões de euros por dia, enquanto a riqueza da metade mais pobre da população mundial (3800 milhões de pessoas) reduziu 11%, revela um relatório publicado pela Oxfam.
Se o “nosso primeiro” Costa (do PS) está obcecado com a Madeira, o “nosso presidente” Marcelo está apaixonado pelo Papa; ambos em empolgante campanha eleitoral. Este ainda mais que o primeiro, apesar das eleições serem só para 2022, e tendo afirmado em 2014, quando era apenas “comentador político”, que um presidente (da República) não se deve recandidatar, no entanto, anunciou a sua recandidatura, aproveitando a bênção do Papa (não há fotografia com o homem de joelhos) e gabando-se de ter metido a cunha para a realização em Portugal da próxima reunião mundial da juventude católica (JMJ). Para quem é presidente de uma República laica, esta atitude de pura beatice e abjecta bajulação não deixa de ser abaixo de cão.
O número de mortes por acidentes de trabalhou em Portugal voltou a aumentar em 2019, 131 trabalhadores; ou seja, um aumento de 10% (12 óbitos) face a 2017. E apesar do número de acidentes graves ter diminuído de 382 (em 2017) para 337 (em 2018), este continua a ser um número elevado e aparentemente injustificado. Regista-se que a maioria dos acidentes de trabalho mortais acontecem aos sábados, com particular incidência nas indústrias transformadoras e da construção civil. E há razões para isso: crescimento da precariedade laboral e desinvestimento das empresas na segurança, segundo os sindicatos; e as ditas “novas formas” de trabalho, segundo alguns sociólogos, que incluem o trabalho precário, a intensificação do ritmo de trabalho e um contexto muito grande de rotatividade de turnos, o que, por sua vez, tem um impacto profundo na saúde e na qualidade de vida dos trabalhadores.
O Costa, o primeiro do governo do PS, acolitado pelo BE e PCP/PEV, alinhou pela UE e pelo EUA na ingerência na república independente e soberana da Venezuela, à cata de alguma migalha que caia do saque do petróleo e outras riquezas daqueles país e da sobre-exploração do seu povo. O ministro da defesa nacional já prometeu o envio de tropas e o ministro dos negócios estrangeiros afiançou que não há golpe de estado naquele país sul-americano que ousou enfrentar o imperialismo norte-americano. Posições que não deixam de ser coerentes com um governo que mantém no estrangeiro mais de 800 militares, das forças armadas e da GNR, na Republica Centro Africana, Mali, Kosovo, Iraque, Afeganistão, por exemplo, enquadradas pela Nato e em aberta operação de agressão e de pilhagem desses países. São ainda os tiques de antiga potência colonizadora que a nossa burguesia não consegue esconder e que os partidos, mesmo aqueles que se dizem de “esquerda” (a bem comportada e responsável), não se importam de levar à prática. A questão da Venezuela, em véspera de ser mergulhada num banho de sangue e no caos, à semelhança da Líbia ou da Síria, mostra que Costa e Marcelo não passam de dois serventuários e lacaios do imperialismo e do capitalismo internacional, em termos políticos, uns completos bandidos... [ler mais]
Venezuela: La cadena de mando está clara y Guaidó teme pasar de héroe a mártir necesario (Álvaro Verzi Rangel) 02-2019
«La cadena de mando está clara: los halcones de Washington mandan, Juan Guaidó y los cómplices del Grupo de Lima acatan, prontos para la repartija del botín venezolano. Todo esto con un ataque mortal por redes sociales y medios hegemónicos, para crear el imaginario colectivo de que se está liberando a un pueblo sometido.
Por eso es necesario montar actos de calle, “patriotas” dispuestos a todo para salir del “tirano”, construir una epopeya para que la Unión Europea y Gran Bretaña decidan respaldar al usurpador Guaidó, a que el 4 de febrero puedan lograr acuerdos concretos en la reunión del cómplice Grupo de Lima. Pese a sus previsibles fracasos diplomáticos, EEUU necesitaba articular a los diferentes actores en cada espacio regional e internacional.
Ahora avanza con hechos consumados y necesitan mayor consenso para dar los próximos pasos económicos, políticos, militares. ¿Avanzar con Rusia y China en contra? ¿Avanzar contra Citgo, empresa de la estatal venezolana Pdvsa donde Rusia cuenta con casi la mitad de las acciones?
“Los estamos esperando, estamos esperando a los violentos, los mercenarios, y a quienes pretendan meterse en Venezuela”, afirmó Vladimir Padrino López, ministro de Defensa. “Esto es un asedio, un libreto, estuvimos viendo el formato que se aplicó en Libia y vemos los mismos actos progresivos que se han generado”, añadió.
“La situaci´pon está lista y cuando EEUU lo desee va a comenzar la guerra en Ven ezuela” pronosticaba en mayo de 2017 el analista francés Thierry Meyssan en un video. Luis Almagro, secretario general de la Organización de Estados Americanos (OEA), dirigió este martes un mensaje a los venezolanos y les aseguró “No están solos; la democracia volverá al país. Nunca hemos estado tan cerca como ahora”.
Mercenarios, paramilitares, “asesores” israelíes para la ocupación de territorios y desestabilización interna. Y la “ayuda humanitaria” que la oposición dice que hará entrar al país –seguramente con un escenario montado con diplomáticos y ONGs, cámaras de televisión-, posiblemente desde la frontera con Colombia, con el resguardo de paramilitares y bandas criminales a los que es tan afecto el gobierno de Bogotá... [ler mais]
Enfermeiros: 2019, um ano cheio de dias de greve 01-2019
«“Enfermeiros marcam mais 45 dias de greve. Exigem subida do salário-base de 1200 para 1600 euros e categoria de especialista com 2700 euros”, foram as parangonas do incontornável CM ainda antes do Natal. A greve, convocada pelos sindicatos filiados na UGT, seria a partir da segunda semana de Janeiro. No entanto houve reunião com a ministra, apesar de não ter havido acordo, disse também o CM, a greve (a dita cirúrgica) acabou por ser suspensa.
Mas a outra de 4 dias, prevista para os dias 8 a 11 de Janeiro, convocada pelos sindicatos (Sindepor e a ASPE), foi mesmo desconvocada... para “ demonstrar abertura para a realização de negociações com o Ministério da Saúde e mostrar que não querem prejudicar a população”. A tal de “cirúrgica 2” manter-se-ia e iria ocorrer entre 14 de Janeiro e 28 de Fevereiro. Parece que irá começar só a partir de Fevereiro.
Entretanto o SEP (CGTP), ou seja, a concorrência (que considerou a greve cirúrgica de “populista”), convocou e levou a cabo a greve na semana que passou - “uma greve de todos os enfermeiros para todos os enfermeiros", cujos "objectivos centrais" se prendem com "duas grandes questões": a correcta contabilização dos pontos para efeitos de descongelamento das progressões e o encerramento da negociação da carreira.
A greve de 22 a 25 de Janeiro foi realizada de forma rotativa, um dia por cada região de saúde do país, acabando, na realidade, por ser apenas e um só dia. E foi apenas nos turnos da manhã e da Tarde. Uma greve suave, sem dor, nem para os enfermeiros nem para o patrão (estado/governo PS). Contudo, as negociações fizeram antes, durante e depois, atendendo ao teor dos comunicados sindicais.
Para o dia 30 de Janeiro está marcada uma reunião de “negociação suplementar” para que seja contabilizado todo o percurso dos enfermeiros que foram reposicionados nos 1.200 euros, para que "não sejam penalizados duas vezes", não deixou o SEP de vincar. Assim, como reclama "a justa e correcta contagem de pontos para todos os enfermeiros independentemente do vínculo contratual"... [ler mais]
Análises lacrimejantes sobre a “extrema-direita” e a verdade sobre o papel da “esquerda governante” (Elissaios Vagenas) 01-2019
«Recentemente, realizaram-se em Nicósia os chamados “Dias de Estudo”, organizados pelo parlamentar de “Esquerda” no Parlamento Europeu, chamado Esquerda Europeia/Esquerda Verde Nórdica (GUE/NGL). Como se sabe, o KKE abandonou este grupo em 2014 uma vez que ele é – no essencial – o “braço” da estrutura oportunista do chamado “Partido da Esquerda Europeia” (PEE). O KKE, na Europa, coordena a sua ação com os 30 Partidos Comunistas e Operários que participam na “Iniciativa Comunista Europeia”.
Voltando ao recente evento – os “Dias de Estudo” do GUE/NGL –, vale a pena observar a declaração do vice-presidente do Parlamento Europeu e chefe da representação do SYRIZA, Dimitris Papadimoulis, que introduziu o tema “A extrema-direita na UE. A resposta da Esquerda”.
Por parte do GUE/NGL é ousado, obviamente, organizar uma discussão “sobre a luta contra a extrema-direita” e, para apresentar este tema, entender-se com o representante do SYRIZA que, de há quatro anos a esta parte, governa conjuntamente com o partido de extrema-direita Gregos Independentes (ANEL).
As causas do fenómeno e o silêncio culpado da “esquerda governante”
Na sua intervenção, o representante do SYRIZA considerou que a causa do aparecimento da extrema-direita é o “neoliberalismo que aumentou as desigualdades” na nossa sociedade.
Para dizer a verdade, é interessante ler estas palavras do representante de um partido de governo que, durante a sua governação de quatro anos, implementou medidas mais duras do que aquelas que os anteriores governos social-democratas e de “direita” tinham atirado para as costas do povo, carregando-o com medidas adicionais para aumentar os lucros das grandes empresas. Esta política antipopular que foi implementada pelo governo de “esquerda” do SYRIZA também conduziu a que 46,3% da população viva abaixo do nível de pobreza.
Realmente, como podem as “lágrimas” do SYRIZA a respeito do fascismo e da extrema-direita compatibilizar-se com as excursões a Kastellorizo dos seus representantes no parlamento, em conjunto com a “Aurora Dourada” nazi? Então, como pode o seu governo convidar representantes da Aurora Dourada para festas e  cerimónias? Por que não tomou o governo de “esquerda” todas as medidas para concluir o julgamento de dezenas de chefes da AD que decorrem há cinco anos, quando os réus foram acusados de assassinato e outros crimes graves... [ler mais]
Portugal: Vinte anos de vassalagem, um futuro de escravidão 01-2019
Parece que o euro já existe há 20 anos, talvez por isso e em laia de comemoração que se assiste à saída do Reino Unido, melhor dizendo da Inglaterra, o resto são países subjugados e que à menor oportunidade se desligarão, realidade que Bruxelas (Alemanha/França) não deixará de ter em conta (o problema da fronteira da Irlanda da Norte funciona como punição pela ousadia). Como também o “acordo”, que Bruxelas quer impor e que a grande maioria do povo inglês repudia bem como parte dos partidos burgueses, e caso venha a acontecer, será a vacina contra futuras saídas, atendendo às condições draconianas que encerra. Em Portugal, em vésperas de eleições para o Parlamento Europeu, que pouco ou nada risca, o Costa do PS, em adiantada e empolgada campanha eleitoral, verberou que “é necessário dar força ao PS” porque a União Europeia se vê “atacada pelo vírus do proteccionismo”, numa clara alusão ao Brexit. É a posição clara, sem qualquer ambiguidade, de um lacaio e de um vendido ao grande capital financeiro europeu.
Se há uma parte da burguesia indígena que beneficiou da entrada do país na CEE e na constituição da União Europeia como uma entidade política e não meramente económica (Tratado de Lisboa), declaradamente o IV Reich, pese a disputa com a França, a grande maioria do povo trabalhador português empobreceu, e mesmo o capitalismo nacional passou a uma posição de maior dependência, daí alguns economistas burgueses (João Ferreira do Amaral ou Ricardo Paes Mamede) manifestaram a sua tristeza pelo acontecimento desolador.
E os números são como a prova do algodão: no 3º trimestre de 2018, 950.000 trabalhadores (26,2% do total) recebiam mensalmente menos de 600 euros e 2.342.500 trabalhadores portugueses (64,7% levavam para casa menos de 900 euros por mês (Inquérito ao Emprego do INE). E mais: se em 2001, 49,7% da riqueza criada (medida pelo PIB) reverteu para os trabalhadores sob a forma de remunerações, em 2017, essa percentagem já só era de 44,3%, por sua vez, uma ligeira subida em relação ao fim do governo pafioso Coelho/Portas que era apenas 43,7%. Ao fim de 20 anos de euro e de União Europeia, temos um povo mais pobre e um país mais desigual.
É esta realidade que os partidos do dito “arco da governação” irão tentar iludir e os partidos da sustentação governamental actual irão minimizar, a fim de ocultar o seu oportunismo e cobardia políticos de não ousar, de forma firme e sem peias, reivindicar a saída da União Europeia. Sair do euro não chega. Todos os partidos do establishment nacional estão neste momento com suores frios sobre o real resultado da saída da Grã-Bretanha, se será sem acordo, na Primavera ou lá para o Verão. Porque sabem que a seguir vai a França (que tem um acordo secreto de preferência com a Grã-Bretanha após a saída, o que vai contra os princípios da União), depois vai a Itália, e a posição dos países do Sul, os tais pigs, ficará insustentável... [ler mais]
100 anos do assassinato de Rosa Luxemburgo (Valerio Arcary) 01-2019
«Foi há cem anos. Já se disse que o silêncio é a maior das represálias. O aniversário deve ocorrer sem maior repercussão. No dia 15 de Janeiro de 1919, no calor da crise revolucionária que permanecia aberta depois da revolução de novembro de 1918 que derrubou o Kaiser, Rosa Luxemburgo foi assassinada, ao lado de Karl Liebknecht. A reabilitação teórica e política de Rosa está ainda por ser feita diante dos olhos da nova geração. Mas enquanto existir uma esquerda que tenha paixão revolucionária Rosa Luxemburgo estará viva.
Desde o 9 de Janeiro, Berlim era uma cidade em estado de sítio. Rosa e Liebknecht sabiam que estavam encurralados, e que o cerco se apertava. Há vários dias viviam em permanente mudança de endereços. Até que a delação levou as milícias paramilitares ao seu esconderijo.
O perigo de um confronto mais sério, e até de guerra civil, tinha feito os trabalhadores recuarem, inseguros diante da divisão irreconciliável dos partidos que reconheciam ainda como os seus. O governo Ebert/Sheidemann (uma coalizão do SPD e do USPD, os dois partidos operários mais influentes, conhecidos como majoritários e independentes, levados ao poder pelo “fevereiro” alemão que derrubou a monarquia), estava inflexível na determinação de destruir a dualidade de poderes que, sobretudo em Berlim, ameaçava a estabilidade do regime, e prenunciava uma nova vaga revolucionária. O perigo de um Outubro alemão, verdadeiro ou ilusório, tinha estado no ar. (...)
Nesse ínterim, a repressão contra os spartakistas se abatia de forma impiedosa. O cerco se apertava. Refugiados, nos dias 12 e 13, em uma residência no bairro operário de Neukölin, Rosa e Liebknecht mudaram-se, no 14, para um apartamento “respeitável” de um distrito de classe média em Wilmersdorf. Suas cabeças estavam oficiosamente a prêmio, com uma substantiva recompensa oferecida por empresários de extrema direita, provavelmente com a anuência de Scheidemann. Foram presos às nove horas da noite, ainda na presença de Pieck, um dirigente do comitê central, que tinha acabado de lhes trazer documentos pessoais falsos, para facilitar a saída de Berlim.
Como os Freikorps os encontraram nunca se soube. Foi, provavelmente, casual. Talvez algum vizinho a tenha identificado pela famosa deficiência na perna. Foram levados até o Hotel Eden, onde estava instalado, provisoriamente, o quartel general de uma das divisões para-militares na parte central de Berlim. Sabiam que não seria uma prisão como outras, e que seriam severa e brutalmente interrogados. Mas, desta vez, seus destinos já estavam traçados. Primeiro Liebknecht e depois Rosa foram duramente atingidos por coronhadas na cabeça e, depois, levados para fora do Hotel, colocados dentro de um carro e, em seguida, fuzilados, à queima roupa: Liebknechet arrastado para fora do carro para simular uma fuga, foi baleado pelas costas. Rosa recebeu o tiro na nuca, ali mesmo. O corpo de Luxemburgo foi lançado nas águas do canal Landwehr, de onde foi resgatado somente em Março. Ali foi colocada uma placa, ao lado de uma das pontes, para honrar a sua memória. Rosa, a alemã, a judia-polonesa, a internacionalista, a vermelha, morreu na Berlim que tanto amou, assassinada pela fúria fascista que, em 1933, chegaria ao poder, para mergulhar a Europa no maior genocídio da história... [ler mais]
Coimbra: A SOFIA VAZIA (Carlos Fiolhais) 01-2019
«Jorge de Sena, que faria 100 anos em 2019, escreveu sobre a Sofia um poema satírico inserto no livro Dedicácias. Não a poeta Sophia, que foi exactamente sua contemporânea (também faria cem anos este ano) e com quem ele manteve correspondência. Mas sobre a rua da Sofia em Coimbra. O engenheiro civil, feito poeta, romancista e crítico literário, refere a Rua da Sofia como símbolo do provincianismo cultural português. O poema começa assim “Sabe de Hegel, de Sartre, de fenomenologia, / mas andou na rua da Sofia”, terminando ”Não há filosofia/ que salve quem andou na rua da Sofia.” Se Sena vivesse agora e passeasse como eu fiz nestes dias natalícios pela rua da Sofia, na Baixa coimbrã, ficaria ainda mais ácido. A Rua da Sofia, tal como está, não é apenas o símbolo do provincianismo cultural, é o símbolo do provincianismotout court. É uma rua triste, abandonada, parada no tempo, que simboliza bem, até por estar no centro urbano, o abandono e a paragem no tempo da cidade. Por inacção municipal Coimbra tem estado a andar para trás, cada vez mais provinciana. Refiro-me à província a preto e branco do tempo da outra senhora, pois não quero ser injusto para a actual província.  A província noutros sítios já não é o que era. Nem é preciso sair da região Centro para concluir isso: basta ir a Aveiro e a Viseu, como eu também fiz no Natal, para tirar as devidas conclusões.
Bem pode a auto-estrada anunciar que Coimbra é “Universidade, Alta e Sofia – Património da Humanidade” que o património da Sofia está sem o mínimo cuidado. Os edifícios dos antigos colégios, com as igrejas, lá estão onde sempre estiveram, alguns desde o século XVI, mas, por falta de foco e atenção, não há visitantes. O jornalista do Público Camilo Soldado escreveu em 23/6/2018, quando passaram cinco anos desde a inscrição da Universidade de Coimbra na lista da UNESCO: “Não há um único sinal, nem uma única inscrição, a indicar que quem passa pela rua de Coimbra desenhada a partir do modelo da Sorbonne, em Paris, está a caminhar por uma zona que foi classificada Património da Humanidade.” E acrescentou: “Não há visitantes, mas também não há o que visitar.” Passaram-se seis meses e continua a não haver visitantes. Também não há comércio dinâmico, nem restauração decente. Um restaurante chamado “Cova Funda” tem o nome bem apropriado para o buraco em que os mais recentes edis meteram a Baixa da cidade. A Baixa, por causa da construção da “Avenida Central”, que se devia chamar “Beco Central,” ficou, de facto, uma ruína e a Sofia não passa de uma das artérias sem vida de uma cidade degradada. O presidente que queria um aeroporto internacional (já voou!) não é capaz sequer de cuidar de uma simples rua que vai dar à Câmara.
Tinha que ser assim? Não tinha. Bastava que a Câmara Municipal, a Universidade e outras partes interessadas tivessem um plano para aquela rua, que é como quem diz um plano para a Baixa. Bem podem falar em valorizar Coimbra, que a Sofia documenta bem a desvalorização de que Coimbra de tem sido alvo... [ler mais]
França-Portugal: “Não basta vestir o colete, para ser Colete Amarelo” (Luis Casado) 01-2019
«Quem define a agenda? Os Coletes Amarelos. O governo gostaria de falar sobre a reforma das pensões e o aumento da idade para aposentadoria. A extrema-direita gostaria de falar só de imigração. Conversa fiada... Quem impõe os temas são os Coletes Amarelos: poder de compra, distribuição da riqueza criada com o esforço de todos, poder popular, referendo de iniciativa cidadã, revalorização das aposentadorias, imposto sobre grandes fortunas, redução do IVA... Enquanto isso, aparecem aqui e ali uns coletes cor de cocô de ganso... Uma nota de Luis Casado.
A massa de reivindicações adiadas, negligenciadas, ignoradas, desprezadas, descartadas é tal, que os Coletes Amarelos despertam múltiplas e variadas vocações.
Os policiais encarregados de reprimir as manifestações, cansados de trabalhar milhões de horas extras não remuneradas, dos horários impossíveis, de um serviço ingrato e de terem os capacetes apedrejados, ameaçaram mudar de calçada e vestir um colete amarelo. A insurreição policial muito curta, rapidamente apaziguada com aumentos salariais generosos e pagamento de horas extras, foi chamada de “Faróis Azuis”.
Os professores, que durante décadas viram deteriorarem-se as suas condições de trabalho e padeceram reformar inacreditáveis, as quais conseguiram a façanha de arruinar um excelente sistema de educação pública gratuito e secular, anunciaram a criação do movimento “Lápis Vermelhos”.
O terceiro ato dos Coletes Amarelos já contou com a colaboração dos “Coletes Verdes”, movimento ecológico que promove a transição na matriz energética, para pôr fim ao uso indiscriminado de combustíveis fósseis.
Coincidentemente, os prefeitos renunciam às dezenas (há quase 38 mil....). Muitos ameaçam não voltar a se candidatar: após um longo ciclo de descentralização iniciado com Mitterrand em 1981, Macron reduz o financiamento local, deixando os municípios à míngua... [ler mais]
PCV: Construir o Sindicalismo Classista! 01-2019
«A debilidade do movimento sindical classista se deve, entre outras causas, a fatores estruturais da atual economia, como o aumento do número de pequenas empresas sem a presença sindical; o crescimento do desemprego; a terceirização de serviços a outras empresas menores, atomizando e desregulando a força de trabalho; a privatização de empresas públicas com demissões e terceirização de empregos e o crescimento da «economia informal», que dificulta a organização coletiva e perjudica as condições sociais e laborais dos trabalhadores.
Também influi o desprestígio dos sindicatos burocratizados e patronais, que reduzem suas reivindicações ao econômico, dentro dos límites do capitalismo, convertendo-se em agentes do sistema. Outro elemento daninho são os «sindicatos de centro de trabalho» que, desvinculados do resto da classe trabalhadora, se concentram nas reivindicações dos trabalhadores de uma empresa ou instituição.
Se a isso tudo somarmos a carência de planejamentos e princípios consequentes, a debilidade conceitual e programática de muitos dirigentes e organizações sindicais, é compreensível que, apesar de suas lutas heróicas, os trabalhadores da cidade e do campo não logrem manter e estender suas conquistas.
Por isso, é necessário un movimento sindical de classe organizado com fins próprios, para a tomada de consciência, de compromisso social e político, para defender os interesses coletivos populares e para promover o avanço até a construção de uma sociedade justa e igualitária... [ler mais]
PC da Índia: greve geral foi grande vitória dos trabalhadores 01-2019
«Partido Comunista da Índia (PCI) avaliou como vitoriosa a recente greve geral que paralisou mais de 200 milhões de trabalhadores – de um total de cerca de 520 milhões, dos quais apenas 7% têm vínculo formal de trabalho -, em todo o país, por dois dias. A paralisação, realizada nos dias 8 e 9 de janeiro, foi convocada por 10 das maiores centrais e afetou os setores bancário, de seguros, energia elétrica, petróleo, mineração, aviação e educação, entre outros. Muitas estradas e ferrovias ficaram paralisadas.
Para o PCI, o sucesso da greve geral representou um grande golpe nas políticas antipopulares e antitrabalhistas do governo do partido Bharatiya Janata – BJP – Partido do Povo Indiano, um partido de direita com origens nacionalistas, liderado por Narendra Modi. Nesse ano haverá eleições no país e Modi disputará um segundo mandato.
Os sindicatos vêm exigindo medidas concretas para coibir o aumento dos preços de mercadorias essenciais, a criação de novos empregos, salário mínimo de 18.000 rúpias (200 dólares aproximadamente) e aposentadorias de no mínimo 6.000 rúpias para todos, o fim das privatizações, a garantia de cobertura universal de seguridade social e a restauração de um plano previdenciário para servidores públicos. A oposição a um projeto de lei que dá ao governo poderes arbitrários para o reconhecimento de entidades de classe, sem estabelecer critérios claros sobre o processo, foi também uma forte motivação para o movimento.
Para os comunistas indianos, o governo de Narendra Modi deve ler com atenção as mensagens escritas nos muros, que falam da forte oposição popular – de funcionários e trabalhadores de todos os setores, incluindo bancos, finanças, defesa e outros, às políticas neoliberais de seu governo. O Partido Comunista da Índia, em nota divulgada em 10 de Janeiro por seu Secretariado Nacional, exige que o governo desista de prosseguir com suas políticas econômicas neoliberais antitrabalhadores e que as que as justas demandas da classe trabalhadora sejam atendidas pelo governo... [ler mais]
Campanha permanente 01-2019
Não será exactamente o amor pela “democracia que muito custou a pôr de pé” ou a indignação pela “condenação de um de cada cinco portugueses à pobreza e à fatalidade de termos Portugais a ritmos diferentes”, que faz mover o único chefe de estado de um país da União Europeia que foi assistir à tomada de posse do Salazar brasileiro, abraçando-o como “irmão”, mas o medo de que a grande maioria do povo eleitor vote “errado” nas próximas eleições; ou seja, medo de alguma alternativa mais revolucionária ou simplesmente o virar de costas a actos que não têm alterado a sua situação de miséria e de crescente horizonte desigual.
É com a mesma cantilena de sereia de apaziguamento social que o cardeal patriarca de Lisboa interveio na sua habitual homilia de início de ano, sublinhando o pedido feito pelo papa Francisco para que haja mais participação cívica para “melhorar as coisas”. “Façamos paz!”, é a palavra de ordem da hipocrisia da sacristia católica e do monárquico que foi eleito presidente da laica República de Portugal. No entanto, houve alguém que não se conseguiu conter nas palavras seráficas do cardeal e falou com o coração a sair-lhe pela boca, pedindo uma “cidadania atenta, activa e criativa” para não deixar a política em “mãos sujas”, porque se, no ano que findou, “saímos do lixo financeiro... tomámos consciência de que continuámos a atolar-nos no lixo da corrupção” e, indo mais longe, “também está nas nossas mãos e nas nossas decisões uma mudança séria e a sério”. Foi o bispo auxiliar de Braga, Nuno Almeida, não deixando por mãos alheias o apelo à extrema-direita, no bom estilo do fundamentalismo da ICAR: venha um Bolsonaro português!
Entre o apelo à paz social dentro do pântano da democracia burguesa e o chamamento ao fascismo, o Costa e o PS lá vão andando, serpenteando entre os pingos da sentida e mais que justa contestação social, independentemente da manipulação tentada por terceiros, em direcção à vitória nas eleições legislativas de Outubro e, pela lógica, para o Parlamento Europeu e, com alguma sorte, das regionais da Madeira. Costa jamais obterá maioria absoluta, não pelos incêndios de 2017, não pelo furto do material de Tancos, não pelo colapso da estrada de Borba, não pela queda do helicóptero do INEM, mas “somente” pela não contagem do tempo dos professores, pelo desprezo pelos enfermeiros, pelo ataque aos trabalhadores da administração pública em geral, que continuam a auferir menos 20% do que auferiam há 10 anos e que deveriam progredir nas carreiras com contagem de todo o tempo em que viram os seus rendimentos a andar para trás. Pela continuada diminuição dos rendimentos, em termos reais, de todos os trabalhadores assalariados e dos pensionistas, realidade escamoteado pelo discurso de triunfalismo enganoso – até ao fim de 2017 havia já 950 mil trabalhadores precários e as mulheres ganham em média menos 226 euros do que os homens.
O Costa defende os ricos e os poderosos e ajoelha-se perante eles. Em vez de aprovar um aumento geral de salários para o sector privado, pelo respeito pela contratação colectiva e pela revogação das alterações ao Código do Trabalho, feitas a pretexto da crise e da intervenção da Troika, o Costa e o PS vêm pedinchar aos ditos empresários para “recrutarem e valorizarem a carreira dos seus quadros” a fim de tornarem as empresas “competitivas”. Em vez de acabar com a precariedade, dando o exemplo dentro da administração pública, ainda a fomenta, fica pelo pedido aos patrões como se estes fossem alguma instituição de caridade. Em vez de fazer pungentes declarações de intenção numa hipotética e salvífica política de "equilíbrio" para a pretensa eliminação do défice e de redução da dívida (a primeira imposta como exigência e a segunda fomentada por Bruxelas, tendo aumentado para os 251,48 mil milhões de euros em Novembro). Continuando na União Europeia, não haverá qualquer hipótese de desenvolvimento económico, mesmo do ponto de vista capitalista. O euro, que acaba de fazer 20 anos que foi criado, ou melhor, a outra denominação do marco alemão, é o principal instrumento do empobrecimento do povo português e de enriquecimento da burguesia alemã e, em menor grau, de uma parte da burguesia indígena. Não há outra saída para o povo português se não a saída da União Europeia e o repúdio da dívida pública ilegítima e odiosa... [ler mais]
Proletariado e pequena burguesia (Francisco Martins Rodrigues) 01-2019
«Lenine não se cansara de denunciar como os mencheviques, sob frases sonoras acerca da «acção revolucionária do proletariado», negavam a este o papel de condutor do processo revolucionário e lhe reservavam um papel vistoso mas subalterno de motor ao serviço da burguesia liberal, uma vez que o punham a lutar «na vanguarda» das reivindicações políticas dessa burguesia.
Preparar a revolução, dissera Lenine, é em última análise levar o proletariado a diferenciar-se como classe face a todos os partidos burgueses. A independência política do proletariado não depende apenas da existência de um partido operário. Ela depende da capacidade de o seu partido «lhe revelar, pela teoria e pela prática, todas as facetas da burguesia e da pequena burguesia».
Era justamente essa revelação das «facetas da burguesia e da pequena burguesia» que Dimitrov suprimia quando calava o papel contra-revolucionário por elas desempenhado no ascenso do fascismo, quando inventava um alinhamento revolucionário da social-democracia e dos partidos pequeno-burgueses para justificar um bloco com essas forças, quando recuperava os valores da Democracia e da Nação. A pretexto de melhor isolar o fascismo, comprometia de facto toda a possibilidade de diferenciação do proletariado como classe e retirava toda a capacidade revolucionária à política de frente popular. Não são as frases sobre a «actividade revolucionária da classe operária» que podem anular este facto.
«Somos um partido da classe», «um partido revolucionário», mas estamos prontos às acções comuns com as outras classes e os outros partidos; temos um objectivo final revolucionário, mas estamos prontos a lutar em comum pelas tarefas imediatas; temos métodos revolucionários de luta, mas estamos dispostos a apoiar os métodos de luta dos outros partidos».
Com esta formulação, tipicamente centrista, do discurso de encerramento do congresso, Dimitrov tentou fazer crer que o proletariado podia pôr-se ao serviço das reivindicações da pequena burguesia sem renunciar à defesa dos seus próprios interesses revolucionários, adoptar os métodos reformistas de acção das outras classes sem desistir dos seus próprios métodos revolucionários de luta, apoiar a liberalização do regime burguês sem abandonar a luta pela revolução.
Isto era uma falsificação completa do leninismo. Lenine considerava necessários todos os compromissos e manobras tácticas, lutas por reformas, etc., apenas desde que favorecessem em cada momento a elevação da consciência revolucionária do proletariado, a sua preparação para o combate decisivo. Lenine não tinha dúvida sobre «a necessidade, a necessidade absoluta da vanguarda do proletariado, da sua parte consciente, do partido comunista, manobrar, fazer acordos e compromissos com os diversos grupos de proletários, os diversos partidos de operários e pequenos empresários». Mas, acentuava, «a questão está em saber aplicar esta táctica de modo a elevar e não baixar o nível da consciência geral do proletariado, o seu espírito revolucionário, a sua capacidade de lutar e de vencer»... [ler mais]
Brasil: Por um 2019 de muita luta e resistência! 01-2019
«Há pouco mais de 40 anos, em outubro de 1978, era promulgada emenda constitucional que revogava as medidas discricionárias impostas pelo Ato Institucional nº 5, que aprofundava, tornando-a ainda mais violenta, a bárbara repressão inaugurada pelo golpe empresarial-militar de 1964.
Hoje estamos novamente diante de um cenário de ameaças às ainda insuficientes garantias democráticas instituídas após as intensas lutas travadas pelos movimentos populares, partidos de esquerda, ativistas pelos Direitos Humanos e todos(as) aqueles(as) que se mobilizaram em defesa das liberdades democráticas, pelos direitos políticos e sociais, além de que fossem abertos processos para julgar e punir as barbaridades e crimes cometidos nos tempos da ditadura, a exemplo do que se tentou fazer através da Comissão Nacional da Verdade.
Mais uma vez na história da sociedade brasileira, tempos sombrios e desafiadores flertam com um passado recorrente de violência, repressão e perseguições políticas. Inspirando-se na truculência e na arbitrariedade dos aparatos de repressão dos tempos da ditadura e utilizando-se de métodos fascistas com base na intolerância política e ideológica, grupos conservadores liderados pelo presidente eleito Jair Bolsonaro promovem factoides nas redes sociais para desviar o foco da opinião pública das medidas que o novo governo pretende adotar no Brasil, promovendo uma onda ainda mais brutal de expropriações das riquezas nacionais, privatizações e ataques aos direitos da classe trabalhadora, a serviço dos interesses dos grandes capitalistas e do imperialismo.
O governo Bolsonaro representa o marco de um novo ciclo da dominação burguesa no Brasil. Inserido no contexto de acirramento das disputas interimperialistas e ofensiva dos EUA, o bolsonarismo conjuga uma pauta econômica ultraliberal com o reacionarismo que se manifesta em setores da sociedade brasileira. Trata-se de um novo tipo de fascismo, alinhando características tradicionais deste fenômeno político do século XX, com outras características particulares.
Convergente com as políticas de Bolsonaro, uma expressiva bancada foi eleita para o Congresso Nacional e as Assembleias Legislativas dos estados, o que torna a escalada do fascismo mais ampla do que a catastrófica eleição presidencial e intensifica o grau de repressão à classe trabalhadora e o desmonte das políticas e serviços públicos como parte de sua agenda. Além disso, uma série de governadores eleitos compõe o mesmo campo político neofascista e buscarão desenvolver ações na mesma linha de avanço das privatizações, desmonte dos serviços públicos e ataques aos direitos sociais... [ler mais]
Índia: a grande revolta camponesa (Rohini Mohan) 01-2019
«Sufocados pelos bancos e surpreendidos pelas mudanças climáticas, eles exigem um novo modelo agrícola. São centenas de milhões – mas a mídia convencional finge que não existem
Potteeswaran, um produtor de arroz, contou que estava segurando os crânios de Murugesan e Laxmi, um casal originário da cidade de Trichy, no estado sulino de Tamil Nadu, que se matou devido a um empréstimo bancário que não pode pagar. “Quando o banco tomou suas terras, eles não viram outra solução”, disse Potteeswaran.
Em abril de 2017, mais de 150 camponeses de Tamil Nadu mantiveram-se sentados por quase um mês na região de Jantar Mantar, em Délhi, capital da Índia. Eles sentaram-se nus, segurando os ossos dos vizinhos que haviam cometido suicídio e carregando ratos e grama mortos em seus dentes.
“Em 2016, Tamil Nadu viu sua pior chuva em 140 anos”, disse Aiyyakannu, que liderou o protesto dos agricultores. “Queríamos simbolicamente envergonhar os nossos líderes.” Eles voltaram desta vez com gente de cinco distritos do delta do rio Kaveri, devastados pelo ciclone Gaja.
Dezenas de milhares de camponeses marcharam por Delhi, capital da Índia, na última semana de novembro. Eles vieram em trens e ônibus de todo o país, e passaram uma noite fria em um centro de convenções chamado de Ramayana, onde se dramatiza, uma vez por ano, o poema épico de mesmo nome. No dia seguinte, com os estômagos meio cheios de roti e chá, doado pelos templos sikhs e as associações de estudantes de Delhi, foram até a Rua do Parlamento. Em uma cidade sufocada por ar irrespirável, eles falaram em oito idiomas sobre colheitas fracassadas, chuvas irregulares e suas vidas precárias.
(...)
Insegurança alimentar, endividamento, escassez de água e rendimentos deprimidos compõem a história de quase todo camponês. Ramsingh Bharadwaj havia viajado por 36 horas a pé, de ônibus e finalmente de trem, partindo região central da Índia – rica em carvão – para exigir títulos de terra para sua comunidade de moradores de florestas nativas, que plantam e criam gado. “À medida que as minas de carvão se expandem, perdemos a floresta e nosso acesso a tudo o que resta”, disse ele. Em seu telefone, mostrou-me uma foto de sua colheita de lentilha, coberta de pó preto de carvão.
A mudança climática afeta sobretudo os camponeses mais pobres. Karu Manjhi, uma idosa dalit de Bihar, preparou uma pergunta para o primeiro-ministro Modi: “O que você acha do fato de um agricultor em seu país não poder alimentar seus próprios netos nem com uma refeição por dia?” Os dois netos e três netas de Manjhi comem arroz com lentilhas aquosas na escola pública, porque ela não tem condições de cultivar alimentos nutritivos em sua área de um hectare, agora dividida entre dois filhos (63% das terras agrícolas pertencem a agricultores marginais que possuem menos de 1 hectare). “Todos nós cultivamos apenas uma variedade de arroz porque é para esse que o governo garante um preço. Uma inundação repentina e tudo está podre”... [ler mais]