O reposicionamento político da burguesia e o roubo do material em Tancos 10-2018
Se a nível político, a burguesia nacional, considerada no seu todo, e que de tradições democráticas pouco ou nada tem, vem manifestado predilecção por formas de poder musculado, e quando necessário abertamente repressivo, se está a criar novos instrumentos políticos, está também a deitar mãos a outros mais eficazes embora mais tradicionais: o poder judicial, com a rápida judicialização da política, sendo o caso “Sócrates” o mais simbólico e ilustrativo; o poder policial, com os corpos policiais dirigidos por oficiais e chefes abertamente nazis, bem expresso pelo caso da Cova da Moura em que são acusados de violência e de racismo 18 agentes da PSP, já referido pela Comissão Europeia contra o Racismo e a Intolerância, que não hesita em acusar a hierarquia da PSP e a Inspeção-geral da Administração Interna de serem tolerantes ao racismo, pedindo inclusivamente que “a polícia pare de relativizar a violência contra negros e ciganos”; as próprias autoridades reconhecem que a PSP se encontra infiltrada por militantes de organizações de extrema-direita. Ora, as forças armadas, principal pilar da dominação burguesa, um instrumento de classe por excelência, não pode ser deixado ao deus dará, e uma solução governativa mais musculada terá de garantir a sua incondicional adesão, o caso do putativo roubo do material dos paióis de Tancos, que afinal veio a saber-se que não passa de munições fora de prazo de validade, pode enquadrar-se na disputa pelo controlo das forças armadas, mais do que uma arma de arremesso para fragilizar o governo do Costa com a demissão do ministro da Defesa, já apelidado de “Azerelho”, uma analogia com a “geringonça”; e, mais ainda, transformando-o no verdadeiro criminoso, há quem o aponte já como arguido, será a subjugação do poder civil ao poder militar, o que contraria o tal “estado de direito”.
Os ataques ao governo via Tancos, a constante e persistente exigência da demissão de Azeredo Lopes quer pela extrema-direita quer uma certa extrema-esquerda, não estão desligados da aversão às figuras do Costa, do Azeredo e do Rovisco por parte da extrema-direita dentro das forças armadas que, no exército, se centra e se exprime através da Associação dos Comandos. Este sector do exército ainda não engoliu o sapo de alguns dos seus oficiais terem sido acusados de homicídio, pela morte de dois instruendos em plena instrução, nunca houve história do poder civil ter afrontado de forma tão frontal o poder militar e um poder militar que se considera elite. Uma “elite” que tem servido de tropa de choque nas incursões imperialistas por parte da UE em África, na Europa e no Extremo Oriente, os ditos “compromissos internacionais do país”, fruto da política de subserviência dos governos portugueses aos interesses dos grandes grupos económicos representados pela UE e pelos EUA. Esta tropa completamente inútil para a defesa do país, um corpo, como todas as forças armadas da burguesia em geral, parasitário, não produtivo e que tem no seu comando oficiais que, alguns deles, pelos menos (e conhecemos a realidade por dentro), deveriam ser sujeitos a tratamento psiquiátrico, considera-se, dizíamos, um estado dentro de estado, não sujeita às leis do país. Não deixa de ser curioso e até caricato ouvir da boca de alguns oficiais frases do género “interesse superior da nação”, “interesse nacional”, versões democráticas do velho lema “tudo pela Nação, nada contra a Nação”, ou “honra”, “limitei-me a cumprir ordens”, como se essa gente não estivesse obrigada a respeitar as leis e a Constituição da República, como qualquer cidadão comum. Não esqueçamos que foram os comandos a tropa de choque que foi utilizada em 25 de Novembro de 1975 para pôr os operários e o povo na ordem, acabando com o valente susto apanhado pela nossa burguesia, e será dentro dessa lógica que esta mesma tropa será de novo utilizada para respaldar um qualquer salvador da pátria que venha a vencer as eleições, como está a acontecer no Brasil, porque os votos por si só não aguentam por muito tempo um ditador no poder. E já a antever mais do que a esconjurar o que poderá aí vir, o PR Marcelo não é inocente, no seu discurso de 5 de Outubro, ao dizer que “não há verdadeira democracia sem direitos do homem e liberdade”, que, referindo-se ao antes do 25 de Abril, “porque os regimes de poder pessoal são incompatíveis com a renovação dos mandatos, logo ali se descortinava o fim do fim da ditadura”, apesar da conciliadora “não há verdadeira democracia sem atenção a entidades estruturantes como as Forças Armadas”... [ler mais]
Bolsonaro e o fascismo do século 21 (Fábio Palácio) 10-2018
«Em contexto de avanços da extrema-direita, cujo paradigma é a eleição de Donald Trump, um debate ganha força: pode-se, em casos como esse, falar em fascismo? Que relação haveria entre os movimentos autocráticos na Europa do século 20 e as tendências de ultradireita que irrompem no século 21, impulsionadas por uma das mais graves crises econômicas da história?
O ex-presidente venezuelano Hugo Chávez, morto em 2013, costumava evocar a ideia loquaz de um “socialismo do século 21”. Embora mobilizador, o termo teve sempre algo vago. No que consistiria, afinal, um modelo de socialismo para o novo século? Que aproximações e distanciamentos guardaria em relação às disposições clássicas do mesmo projeto político?
Indagações semelhantes são dirigidas, hoje, a movimentos e atores do lado inverso do espectro ideológico. Em contexto de avanços da extrema-direita, cujo paradigma é a eleição de Donald Trump, um debate ganha força: pode-se, em casos como esse, falar em fascismo? Que relação haveria entre os movimentos autocráticos na Europa do século 20 e as tendências de ultradireita que irrompem no século 21, impulsionadas por uma das mais graves crises econômicas da história?
A depressão econômica conduz a uma situação curiosa. Embora contribua para a denúncia do que o Nobel de Economia J. Stiglitz chama de “fundamentalismo de mercado”, a crise fortalece em todo o mundo, paradoxalmente, as políticas de austeridade. Também fomenta falsas soluções — muitas delas com apelo à violência — e respostas defensivas como o ódio, a intolerância, a xenofobia e o racismo.
A ascensão de Jair Bolsonaro é o Brasil nesse panorama. Sua candidatura à Presidência é filha dileta da crise — não só a econômica, mas também a correlata crise política que se abate sobre o Brasil desde 2013. Como Trump, Bolsonaro projeta-se explorando uma situação descrita como falência da democracia, resultado do esgarçamento das instituições políticas, capturadas pelo poder econômico, distanciadas da população, afundadas na corrupção e na burocracia.
Num quadro de esvaziamento da política, o candidato neoconservador desdenha das mediações partidárias, como se vê logo em sua aliança. Prefere as mediações de cunho midiático, facilitadas pelas novas possibilidades abertas com as redes sociais. Vai conseguindo, dessa maneira, transformar em força eleitoral o próprio descrédito para com os partidos e a política.
Se tiver êxito, não terá sido a primeira vez que acontece. Nos primórdios do século 20, na Itália — país que conserva importantes paralelos com o Brasil —, a nomeação de Benito Mussolini como primeiro-ministro resultou de grave crise do regime liberal. O pensador italiano Antonio Gramsci — um dos primeiros a refletir sobre a gênese e os significados da experiência fascista — situa as origens da crise política italiana na Primeira Grande Guerra. Esta, por sua vez, teria raízes na crise econômica, que já era latente antes do Crash de 1929. “Todo o após-guerra é crise, com tentativas de remediá-la que às vezes têm sucesso neste ou naquele país […] A própria guerra é uma manifestação da crise”, ... [ler mais]
Relações internacionais: a calma antes de que tempestade? (Thierry Meyssan) 10-2018
«Todas as questões internacionais estão suspensas das eleições legislativas norte-americanas. Os partidários da antiga ordem internacional apostam numa mudança de maioria no Congresso e numa destituição rápida do Presidente Trump. Se o hóspede da Casa Branca lá se mantiver, os protagonistas da guerra contra a Síria terão que admitir aí a sua derrota e encontrar outros campos de batalha. Pelo contrário, se Donald Trump perde as eleições, o conflito na Síria será imediatamente relançado pelo Reino Unido.
O período actual, que se estende do anúncio da resposta russa à destruição do seu Ilyushine-20 até às eleições legislativas norte-americanas de 6 de Novembro, é incerto. Todos os protagonistas da guerra na Síria esperam para saber se a Casa Branca poderá prosseguir a sua política de ruptura com a ordem internacional actual ou se o Congresso passará para a oposição e iniciará imediatamente um processo de destituição do Presidente Trump.
As origens da guerra
Agora está claro que o projecto inicial dos Estados Unidos, do Reino Unido, de Israel, da Arábia Saudita e do Catar não será concretizado. Tal como os da França e da Turquia, duas potências que entraram na guerra contra a Síria mais tardiamente.
Devemos lembrar-nos, não da maneira como recordamos o início dos acontecimentos, mas daquilo que descobrimos depois a este propósito. Enquanto apresentavam as manifestações de Daraa como uma «revolta espontânea» face à «repressão de uma ditadura», sabemos hoje em dia que elas haviam sido longamente preparadas .
Além disso, devemos cessar de acreditar que todos os membros de uma Coligação, que se unem para atingir um mesmo objectivo, partilham a mesma estratégia. Qualquer que seja a influência de um ou de outro, cada Estado conserva a sua própria história, os seus próprios interesses e seus próprios objectivos de guerra.
Os Estados Unidos prosseguem estratégia do Almirante Arthur Cebrowski de destruição das estruturas estatais do Médio Oriente Alargado [2]. Apoiam-se no Reino Unido o qual, por si, põe em prática a estratégia de Tony Blair visando colocar os Irmãos Muçulmanos no poder na região [3]. E, em Israel, o qual retomava a estratégia de Oded Yinon [4] e David Wurmser [5] visando o domínio regional. As armas foram colocadas, com antecedência, pela Arábia Saudita na mesquita Omar [6] e o Catar inventou a história das crianças a quem se havia arrancado as unhas
À época, a Arábia Saudita não buscava, nem impor uma nova política à Síria, nem sequer derrubar o seu governo. Riade pretendia exclusivamente interditar a um não-sunita ser o Presidente da mesma. Por uma estranha evolução histórica, os wahhabitas, que há dois séculos consideravam como hereges tanto os sunitas como os xiitas, e apelavam ao extermínio de todos eles se não se reconvertessem, colocam-se hoje como defensores dos sunitas e aniquiladores de xiitas... [ler mais]
Quando a violência é precisa (Brais Loureiro) 10-2018
«“A burguesia recorre às armas quando vê perigar os seus privilégios, o que induze a pensar que se a classe obreira nom se formula o problema em termos semelhantes, teremos ocasiom de presenciar muitas matanças e poucas revoluçons”. Argala
Há pouco mais dumha década, os representantes das mais altas instituiçons políticas do Estado ainda repetiam invariavelmente a mesma mensagem: enquanto houver violência nom negociaremos, mas sem violência todo é negociável. A mensagem fazia alusom ao direito de autodeterminaçom do povo basco e à exigência do Governo de que ETA abandona-se a luita armada. O tempo demonstrou que a mensagem era um engano. ETA abandonou as armas e nom se negociou nenhum referendo em Euskal Herria.
Em Catalunha, logo vários de anos de mobilizaçons multitudinárias e apesar das surras indiscriminadas que a Policia Nazional e a Guarda Civil infligiram o 1-O, a reaçom do povo catalám foi totalmente pacífica, sem violência. E o Governo tampouco sentou a negociar.
Espanha nunca vai negociar um referendo que faça perigar a sua integridade territorial, apenas quere manter a legitimidade do uso da violência. Também da violência subjetiva mais explicita, além da violência sistémica e da violência simbólica que já exerce.
A resistência do povo catalám
A passada noite, quando se cumpria o primeiro aniversário do referendum do 1-O, registraram-se numerosos enfrentamentos entre os Comités de Defesa da República e os Mossos d´Esquadra. As pessoas manifestantes concentravam-se arredor do Parlament e a policia autonômica carregou violentamente contra elas chegando a disparar pelotas de goma e provocando abundantes feridos. O delito das manifestantes foi berrar consignas e pegar colantes nas portas do Parlament.
Hoje, a pesar de a violência provir unicamente dos Mossos, tanto a burguesia catalá como a burguesia espanhola condenam e criminalizam aos CDR, porque a fim de contas, a luita pola independência da Republica catalá também é umha questom de classe.
Os feitos acontecidos nas últimas horas começam a deslindar mais nitidamente dous bandos. Por um lado estám os que levam tempo vendendo fume e os que realmente luitam por umha república independente. Num lado estám os Torra e os Rufián que condenam “qualquer imagem de violência” mas ao mesmo tempo dirigem aos Mossos contra os do outro bando, a classe trabalhadora que sofre a repressom. Quando Rufián dize que “o processo democrático que vive Catalunha é pacífico, nenhuma imagem de violência representa ao independentismo”, está a justificar as agressons dos Mossos. Este discurso pacifista deixa desamparado a quem opta pola resistência, pois o que estám a fazer os CDR é apenas um ato de resistência, é defender o que legitimamente decidiu o povo catalám. Nom é que os CDR quiseram recorrer à violência, pois de querê-lo já o teriam feito há tempo, mas é a única saída que Espanha e o Capital lhes deixam. Aguardemos que os membros do CDR nom esqueçam as palavras do histórico militante abertzale arriba citadas... [ler mais]
Poço sem fundo ou Bancos vs Funcionários Públicos 09-2018
Enquanto os professores, os enfermeiros, os estivadores, os estudantes do Porto, os taxistas lutam pela resolução dos seus graves problemas, e graves porque envolvem a própria saúde e sobrevivência, não sendo por acaso o elevado nível de stress apresentado entre os diversos elementos destas profissões, os bancos continuam na especulação e no esbulho da riqueza produzida pelos trabalhadores através das diversas ajudas por parte do estado, agora pela mão do governo PS/Costa. A CGD foi recapitalizada em 3,9 mil milhões de euros pelo governo do Costa, numa antecipação de possível privatização na próxima legislatura, e que irá fazer disparar o défice orçamental em dois pontos percentuais, para os 3% do PIB. As ditas “ajudas” (na prática, um autêntico roubo) concedidas pelo estado à banca nacional ascendem a quase 20 mil milhões de euros, dados confirmados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). A factura começou logo em 2008 com o BPN, a seguir foi o BES, o Banif logo de imediato e o Montepio é, por enquanto, o último de forma indirecta. A lista não ficará por aqui, na justa medida em que os banqueiros têm memória curta, inversamente proporcional à arrogância e à cupidez, como acabamos de ouvir da boca de um deles que “há uma percepção negativa sobre os banqueiros” e “não há qualquer bolha imobiliária”, fazendo lembrar o tempo que antecedeu o colapso do banco do DDT, amigo pessoal do PR Marcelo, que em plena liberdade vai gozando com o pagode. Uma maior e mais grave crise económica se avizinha e que servirá de pretexto para novas e mais duras medidas de austeridade a lançar sobre os trabalhadores e o povo português. (...)
O governo do PS segue, em linhas gerais, a política do governo anterior, respeitar os ditames de Bruxelas e as “recomendações” do FMI, garantir os lucros do grande capital internacional: o que está bem presente na luta dos taxistas que reivindicam a alteração conhecida “lei Uber”, que é uma luta pela sobrevivência (e onde se assiste a um comportamento esquizofrénico do PCP, que vem para a rua colocar-se ao lado dos taxistas, mas simultaneamente apoia a geringonça); o que também está presente na questão da prospecção de petróleo na costa algarvia, com o governo a contestar em tribunal uma decisão judicial que contraria as pretensões da Galp e da ENI, mostrando que, não estando apenas contente em estar ao serviço do grande capital estrangeiro, é um partido que ama a corrupção. A causa das petrolíferas é a causa dos governantes socialistas, o que é para perguntar a quanto montam as luvas e prebendas? Talvez não seja uma mera coincidência o facto da ministra do Mar ter sido assessorada por um gestor da Galp Energia, que antes fora assessor de imprensa de Manuel Pinho no Ministério da Economia e depois transitou para o tacho na Galp Energia, e ser ainda sócia da presidente dos portos de Lisboa, Setúbal e Sines, que ela própria nomeou em Maio de 2016; portos, onde os estivadores lutam por melhores salários e por dignas condições de trabalho. O Costa e o PS, apesar do papel de lacaios do grande capital e de agentes activos de corrupção, parecem estar com sorte, se se confirmar que o roubo do material de guerra dos paióis de Tancos foi uma encenação, e uma encenação feita por encomenda, como na altura defendemos, ainda correm o risco de ganhar as eleições legislativas de 2019 com maioria absoluta, recebendo votos tanto da direita como da esquerda que não se cansaram de acusar o governo de grave negligência e de pedir a demissão do ministro da Defesa. A oposição, ou dita “oposição”, então, só poderá queixar-se de si mesma... [ler mais]
A greve dos estivadores e a radiografia do país portuário 09-2018
«Discriminação ilegal pela via salarial em função da opção sindical
Sendo o trabalho nos portos uma actividade sujeita a grandes flutuações, essa mesma procura irregular de mão-de-obra é satisfeita, nos seus picos de procura, com o recurso a trabalho suplementar bem como o recurso excessivo a trabalho precário, o qual será analisado no ponto seguinte. Resulta, assim, que os salários auferidos nos portos incorporam uma parte significativa de rendimentos provenientes de trabalho suplementar. Nos portos de Leixões e do Caniçal, as empresas discriminam os trabalhadores em função da sua opção sindical tendo os salários dos sócios do SEAL descido para cerca de metade daquilo que auferiam antes de se terem sindicalizado no SEAL, tendo sido aumentados os salários daqueles que se encontram filiados nos sindicatos locais, quer em termos de retribuição fixa quer pela atribuição aos mesmos de todo o trabalho suplementar. Para impedirem os nossos sócios de aceder a trabalho suplementar, as empresas do porto de Leixões recrutaram nos últimos meses quase duas centenas de trabalhadores precários, para substituírem os nossos sócios, os quais, mesmo tendo apenas sido contratados em Março deste ano pela ETP local (GPL), têm já rendimentos muitíssimo mais elevados do que os seus companheiros que estão filiados no SEAL. Também no porto do Caniçal o acesso ao trabalho suplementar dos estivadores profissionais, nossos sócios, é vedado por mecânicos, electricistas e outros profissionais que trabalham nas oficinas de outras empresas dos mesmos sócios/accionistas/gerentes das empresas de estiva que operam no porto para, normalmente, após um turno de trabalho na profissão que exercem diariamente virem render os estivadores profissionais sócios do SEAL, e apenas estes. Esta discriminação grosseira, em função da opção sindical, foi denunciada há mais de um ano através de um Manifesto público. Passado todo este tempo, nenhuma entidade inspectiva actuou no sentido de alterar esta situação de contornos absolutamente ilegais.
Precariedade extrema alastra pelos portos portugueses
Existem estivadores precários que trabalham continuamente no porto de Setúbal há mais de 23 anos, os quais ultrapassam frequentemente 30 turnos por mês, mas, todos os dias, no final de cada turno, estão despedidos. Segundo um estudo que realizámos, baseados em dados oficialmente fornecidos pelas empresas, referentes ao período de 1 de Janeiro de 2016 ao dia 30 de Junho de 2017, um conjunto de 93 trabalhadores precários poderiam ter sido efectivos porque a sua ocupação teria sido regular e permanente. Mesmo perante o reconhecimento expresso da situação pelas empresas, o ACT de Setúbal não descobriu traços de qualquer irregularidade e nada faz. Os trabalhadores precários de Setúbal representam 900% dos trabalhadores efectivos. Nos portos de Leixões e do Caniçal representam “apenas” 200%... [ler mais]
A greve dos enfermeiros 09-2018
«Inicia-se hoje mais uma greve dos enfermeiros, será por dois dias, 20 e 21 de Setembro, e será para defender algumas reivindicações a saber: uma nova carreira que igualize todos os enfermeiros CTFP e CIT, consagre a categoria de enfermeiro gestor, valorize o enfermeiro especialista, aumente o início e o topo da grelha salarial, inclua medidas compensatórias de penosidade e consagre os 35 anos de serviço e 57 anos de idade para a aposentação.
Sabemos que o governo do PS, chefiado por Costa e beneficiando do apoio parlamentar do BE e do PCP, tem gasto com o sector privado da saúde cerca de 3 mil milhões de euros por ano, seja pelas PPP's, convenções, ADSE e IPSS, etc., e em 2017 perdeu negligentemente 1100 milhões de euros em “erros, infracções financeiras e comparticipações irregulares”, como indica o relatório da Inspecção-geral de Finanças, no entanto, perante as reivindicações dos professores para contagem de todo o tempo em que a carreira esteve congelada, diz que não há dinheiro, seria no máximo uns 600 milhões de euros, para os enfermeiros, que será uma quantia menor, a resposta é a mesma.
Não entrando em linha de conta com os muitos milhões de euros que se pagam para umas PPP´s que à luz da Constituição até são ilegais, para as rodoviárias são no total 18 mil milhões de euros, ou para a despesa e juros da dívida pública, cerca de 9 mil milhões de euros todos os anos, o problema nem estará na falsa questão da falta de dinheiro, o busílis é político, há que pagar pouco aos funcionários públicos, colocá-los em situação precária, daí a introdução dos CIT's, levá-los a uma competição entre si pelo baixo salário, e fazer que cada um trabalhe por dois, que é o que se vê em todos os serviços e instituições do SNS com falta gritante de enfermeiros, médicos e auxiliares. É esta a forma de oferecer mão-de-obra barata ao sector privado, porque os salários no público são sempre uma referência para o privado e havendo um grande exército de mão-de-obra de reserva a pressão para o abaixamento dos salários será constante... [ler mais]
Víctor Jara, um crime que ainda se chora no Chile 09-2018
«Às vezes move levemente o canto de seus lábios para desenhar um sorriso, enquanto o olhar permanece ausente: chama-se Joan Turner, a viúva de Víctor Jara.
Tem 91 anos e todos a conhecem no Chile como Joan Jara. É a mãe de Amanda, a filha que inspirou Víctor Jara a compor umas de suas mais belas e reconhecidas canções, antes de ser cruelmente torturado pela ditadura de Augusto Pinochet.
Confinado no Estádio Chile depois do golpe de estado de 11 de setembro de 1973, sofreu torturas pelo simples fato de professar ideias de esquerda, pois era militante do Partido Comunista. Era mestre, dramaturgo, cantor e compositor.
Cinco dias mais tarde, foi assassinado na instalação esportiva que hoje leva seu nome. Queimaram-no com cigarros, cortaram-lhe a língua e esmagaram seus dedos. Depois, recebeu 44 tiros e foi jogado em um matagal ao lado do Cemitério Metropolitano.
Havia seis cadáveres, um era de Víctor Jara.
Te Recuerdo Amanda, Plegaria a un Labrador, El Derecho de Vivir en Paz, entre outras, são canções que têm acompanhado a América Latina nestes 45 anos de ausência de Jara.
Cantava, escrevia poemas, foi professor, ator e diretor teatral. Seu pecado foi abraçar a causa da Unidade Popular do presidente Salvador Allende no Chile.
Em um dos muros do Museu da Memória, está registrado aquele que foi o último poema de Jara:
Somos cinco mil 
Somos cinco mil aquí.
En esta pequeña parte de la ciudad.
Somos cinco mil.
¿Cuántos somos en total
en las ciudades y en todo el país?
Somos aquí diez mil manos
que siembran y hacen andar las fábricas.
¡Cuánta humanidad
con hambre, frío, pánico, dolor,
presión moral, terror y locura!
Seis de los nuestros se perdieron
en el espacio de las estrellas.
Un muerto, un golpeado como jamás creí
se podría golpear a un ser humano.
Los otros cuatro quisieron quitar
se todos los temores,uno saltando al vacío,
otro golpeándose la cabeza contra el muro,
pero todos con la mirada fija de la muerte.
¡Qué espanto causa el rostro del fascismo!
Llevan a cabo sus planes con precisión artera sin importarles nada.
La sangre para ellos son medallas.
La matanza es acto de heroísmo.
¿Es éste el mundo que creaste, Dios mío?
¿Para esto tus siete días de asombro y trabajo?
En estas cuatro murallas sólo existe un número que no progresa.
Que lentamente querrá la muerte.
Pero de pronto me golpea la consciencia
y veo esta marea sin latido
y veo el pulso de las máquinas
y los militares mostrando su rostro de matrona lleno de dulzura.
¿Y Méjico, Cuba, y el mundo?
¡Qué griten esta ignominia!
Somos diez mil manos que no producen.
¿Cuántos somos en toda la patria?
La sangre del Compañero Presidente
golpea más fuerte que bombas y metrallas.
Así golpeará nuestro puño nuevamente.
Canto, que mal me salescuando tengo que cantar espanto.
Espanto como el que vivo, como el que muero, espanto.
De verme entre tantos y tantos momentos del infinito
en que el silencio y el grito son las metas de este canto.
Lo que nunca vi, lo que he sentido
y lo que siento hará brotar el momento... ... [ler mais]
O governo patriótico e de esquerda e a divisão do saque 09-2018
Parece que já está decidido pelos partidos apoiantes do governo PS/Costa, os professores ficam de fora das negociações do Orçamento de Estado de 2019, assim, não haverá impedimento à sua aprovação, pode o PR Marcelo/Sidónio ficar descansado e até os chefes das centrais patronais que o quinhão do saque está assegurado. Bruxelas e FMI não se cansam de mandar recados, os tais “critérios de convergência” serão respeitados e a aplicação das 35 horas a todos os trabalhadores da administração pública e o descongelamento das carreiras incluindo professores serão para se fazerem devagar e devagarinho sem dor de molde a não “furar as previsões”. O Costa previu tudo, o PCP e o BE estão pelos ajustes e os outros dois partidos também não levantam problemas de maior, entretidos que estão a lamber as feridas internas ou a sonhar com a geringonça das direitas encostadas.
Perante cenário tão consensual, perfeitamente natural que o secretário do PCP tenha dito recentemente que a geringonça terá valido a pena, e foi ainda mais longe, admitiu a possibilidade de o partido ir para o governo, a contagem do tempo dos professores não será obstáculo; reafirmou, desse modo os professores podem esperar sentados até que o tempo que reivindicam seja realmente contado (o FMI até é contra!); e será importante, diz o Jerónimo, “dar mais força ao PCP" nas próximas legislativas, porque "sempre que o PS foi governo, incluindo com maioria absoluta, não houve uma política de esquerda"; ou seja, o PS para ser de esquerda tem que ter o PCP por perto, mesmo que, no caso, se borrife para um sector importante dos trabalhadores assalariados do estado. Seguindo o raciocínio, a “resposta estrutural aos problemas do país não se faz com o governo do PS nem com a sua actual política, amarrado às opções de política de direita", mas sim, ao que se depreende, amarrado às políticas de “esquerda” do PCP e, eventualmente, do BE. Assim, mantenha-se o capitalismo mas com o PCP no governo, para a sua boa gestão, e o proletariado e demais trabalhadores permaneçam na situação de exploração, o capitalismo um dia cairá de podre! Com esta política, a burguesia nacional, já para não falar nas outras representadas por Bruxelas e FMI, esfrega as mãos de contente.
Os representantes do patronato não se fizeram esperar. O Saraiva, depois de enfiar no charco a sua empresa Metalúrgica Luso-Italiana (herdado do “padrinho” Mello por um escudo) e promover o despedimento colectivo, ferrando o calote de 4,1 milhões de euros à banca, incluindo, como não podia deixar de ser, a CGD, prometendo pagar o que deve em 10 anos (o homem só goza!), vem agora reivindicar para a sua classe de parasitas a descida do IRC e o pagamento pela Segurança Social da formação profissional dos trabalhadores, que é da competência e obrigação exclusiva das empresas. E, como deve-se pisar sempre em ramo verde, o outro sicário, da CCP, vai ainda mais longe: a Segurança Social deve pagar, para além da formação profissional, também os aumentos salariais, razão avançada pelo homenzinho é o “peso dos baixos salários no sector (outro a gozar, só pode!), e um desconto de 10% na TSU. Estas medidas, segundo tal gente, devem ficar já inscritas no próximo Orçamento, mostrando a quem não quer ver que os empresários indígenas são empreendedores e de sucesso à custa dos dinheiros públicos. Não ó por acaso que o Tribunal de Vila Nova de Famalicão decretou há pouco tempo a "liquidação e encerramento" da Associação Industrial do Minho, considerada completamente irrecuperável pela assembleia de credores que ficaram a arder em 12 milhões de euros, sendo um dos maiores credores (vejam lá se adivinham?!)... a CGD. E é esta política que o PCP quer dar aval com a sua geringonça em upgrade “governo patriótico e de esquerda”... [ler mais]
Fortalecer a luta do movimento comunista, pelo seu reagrupamento revolucionário 09-2018
«O Partido Comunista da Grécia e o Partido Comunista do México recusam qualquer apoio ou tolerância a governos de gestão burguesa. A experiência recente tanto na Europa como na América Latina confirma o papel antipopular da social-democracia, velha e nova, revela que a política dos chamados governos “de esquerda e progressistas” foi um veículo para a promoção da rentabilidade dos monopólios, a preparação e implementação de duras medidas antipopulares e a perpetuação da exploração do homem pelo homem.
Os dois partidos lutam contra o chamado socialismo “do século XXI” que não tem nada a ver com os princípios do socialismo; é uma versão da gestão burguesa que causou danos ao movimento operário e leva-o ao seu desmantelamento.
Os nossos partidos estão a confrontar decisivamente a social democracia e o oportunismo, os centros internacionais e regionais com os quais se coordenam e colaboram, como o Partido da Esquerda Europeia e o Foro de São Paulo.
O Partido Comunista da Grécia e o Partido Comunista do México colocam todos os seus esforços para que se inicie um debate essencial com o objetivo de que o Movimento Comunista Internacional supere suas contradições, os problemas que geram a estratégia das chamadas “etapas de transição” que são um beco sem saída. A aproximação de amplas massas operárias e populares imaturas não se faz através do esquema de uma etapa de transição alternativa senão através de uma linha de luta anti-monopolista-anti-capitalista consequente através do poder operário e do socialismo-comunismo. Há que dar um passo significativo adiante para que a estratégia do MCI corresponda ao carácter da nossa época, que é a época de transição do capitalismo para o socialismo; a luta pelo socialismo deve deixar a sua marca na atividade diária dos comunistas, na sua atividade de vanguarda para a organização da luta da classe operária para todos os seus problemas, para que se superem as perigosas falsas ilusões do chamado caminho parlamentar para o socialismo. A participação em instituições tais como o parlamento burguês deve servir à necessidade de informação e agitação de massas do povo.
O Partido Comunista da Grécia e o Partido Comunista do México lutam contra a UE e o NAFTA, que são uniões do capital hostis aos interesses populares, da mesma forma que todas as uniões interestatais que se baseiam nas relações de produção capitalistas. Rejeitam a associação estratégica entre a UE e a América Latina e os acordos bilaterais de livre comércio. Lutam contra a NATO e sua expansão, contra as bases militares estrangeiras... [ler mais]
PER UN ONZE DE SETEMBRE I UN PRIMER D'OCTUBRE ON CONVERTIM LA PROTESTA EN AUTO-ORGANITZACIÓ (CUP) 09-2018
«Davant del repte democràtic i antirepressiu que representen les properes jornades del '11 de setembre i del 1er d'octubre des de la CUP Exterior, considerem que ara més que mai el que cal és un canvi de rumb del Govern per a abandonar l'autonomisme i posar el focus en com construïm una república sobirana on tothom hi tingui cabuda, amb drets socials garantits i que serveixi els interessos de les persones treballadores.
Per a la CUP-CC, la nostra aposta política per aquest curs passa pel desenvolupament de mesures que garanteixin i dignifiquin les condicions d'existència de les classes populars i l'exercici del dret a l'autodeterminació del poble català. Així, la tasca cupaire anirà encaminada a fer un seguiment polític de les accions que impulsa el Govern de la Generalitat per tal que “no tanquin per dalt, allò que vam obrir per baix” la tardor passada, i en la participació a les mobilitzacions populars per exigir l'exercici del dret d'autodeterminació. Igualment, la CUP-CC, continuarà fent propostes, com ja ha vingut fent des de l'inici de la legislatura, perquè la consecució de la República es pugui fer a partir de l'exercici de la sobirania als carrers, als municipis i al Parlament.
La lluita a l'exterior continua: per la llibertat dels presos polítics i el retorn de les persones exiliades. Auto-organització!!!
Els i les catalanes a l'exterior som a l'avantguarda de la necessària internacionalització de la denúncia dels abusos policials i judicials que pateix el poble de Catalunya. Ens hem organitzat impulsant la creació de CDRs (Comitès de Defensa de la República) a molts països i ciutats del món, amb la participació a les ANC exteriors, creant comitès o coalicions de solidaritat amb Catalunya amb ciutadans d'arreu del món, influint activament en casals catalans i en múltiples altres formes d'organització. Cal ser constants i pacients en reforçar pacíficament totes les formes d'auto-organització a l'exterior, en mantenir la millor coordinació possible i en mostrar la plena solidaritat, tant amb els presos polítics i exiliats que ens imposen les decisions judicials espanyoles, com en la solidaritat amb aquells membres dels CDRs o de qualsevol altra organització a qui l'estat vulgui perseguir o reprimir.
Les jornades al voltant de l'11 de setembre i del 1er d'octubre han de servir per a reforçar aquesta solidaritat i la nostra auto-organització. A més de 65 ciutats arreu del món hi haurà manifestacions, concentracions, festes culturals, concerts i altres esdeveniments per a exigir la llibertat dels presos polítics i el lliure retorn de les persones exiliades (el nombre de les quals no para de créixer). Busca on pots anar i participar a https://catalansalmon.com/diada... [ler mais]
Quem quer relançar a guerra na Síria? (Thierry Meyssan) 09-2018
«Sete anos após o início da guerra contra a Síria, por interpostos jiadistas, os partidários da sua destruição querem relançá-la. Ora, eles sofreram uma derrota clara no terreno onde a população, tendo hesitado por um instante, escolheu apoiar massivamente a República. Esta tentativa de fazer voltar a guerra ao seu início apenas se pode compreender por ter avançado o seu objectivo.
A pequena Hala (seis anos) foi escolhida pelo MI6 para anunciar um novo ataque químico, atribuído ao «regime» sírio, contra a população civil de Idlib.
Criado em Janeiro de 2018 em Washington, sob a presidência de David Satterfield, o «pequeno grupo» tinha por objectivo relançar o projecto Rumsfeld-Cebrowski de destruição das estruturas estatais do Médio Oriente, em geral, e da Síria em particular. Ele incluía inicialmente a Arábia Saudita, os Estados Unidos, a França, a Jordânia e o Reino Unido (estando sub-entendido que os países árabes membros não seriam destruídos à curto prazo).
Secreta aquando da sua criação, esta entidade tornou-se progressivamente pública quando a ela se uniram a Alemanha e o Egipto. Ela parece ter-se tornado mais razoável e buscar agora uma saída honrosa da crise. Assim, encetou contactos com o grupo de Astana (Irão, Rússia, Turquia).
No entanto, o Reino Unido foi relançado o projecto contra a Síria preparando uma operação de falsa bandeira em Kafr Zita. Para isso especialistas da sociedade Olive foram enviados ao local e armas químicas foram encaminhadas para a província de Idlib. Os Capacetes Brancos raptaram 44 crianças. O MI6 previa sacrificá-las e atribuir o seu assassínio a um ataque químico do Exército Árabe Sírio contra os «rebeldes»... [ler mais]
Deixar queimar, deixar morrer (Christian Ingo Lenz Dunker) 09-2018
«Está aberto ao público e à visitação geral esse novo monumento que são as ruínas do Museu Nacional. Junto com as ruínas da UERJ e do Hospital Universitário da USP elas formam parte do novo patrimônio histórico nacional, obra final dessa política que agora tenta se reeleger com DEM, PSDB, PMDB e quejandos.
O incêndio no Museu Nacional do Rio de Janeiro é o símbolo e a realização material do governo Temer, mas também de uma forma de vida que parece ter chegado ao seu ápice, exibindo-se em todo seu poder e sua glória. Em setembro de 2018 o museu queimou 90% de seu patrimônio histórico ali acolhido.
Os Afrescos de Pompéia resistiram à erupção do Vesúvio no século 1 a.c., mas não resistiram a este novo jeito “administrativo” de governar que consiste em simplesmente não repassar verbas destinadas para um determinado fim. Como em Pompéia e Herculano, a escolha é seletiva e anônima, pois em meio à engrenagem negocial quem lembrará que o ministro da Cultura Sérgio Sá Leitão veio a ocupar um Ministério antes extinto? Ou que o cargo de presidente do Instituto Nacional de Museus estava vago há dois anos? O corte desproporcional de recursos, mesmo em comparação com outras áreas, reduzidos à metade nos últimos cinco anos, torna este um incêndio criminoso.
Trata-se de um procedimento análogo ao que ocorre com o discurso da corrupção. Se alguém desvia verbas para outros fins, ainda que dentro do interesse público, isso caracteriza um crime; mas se alguém suspende o repasse de verbas para as universidades, como é o caso da UFRJ, mantenedora do Museu Nacional, isso é sentido apenas como “contenção de gastos”. É isso que significa redução do tamanho do Estado: deixar queimar a cultura, deixar morrer as pessoas. Sua realização material mais imediata é deixar queimar nossos bens simbólicos e depois lamentar a tragédia como se fosse outro que a tivesse levado a cabo. Está aberto ao público e à visitação geral esse novo monumento que são as ruínas do Museu Nacional. Junto com as ruínas da UERJ e do Hospital Universitário da USP elas formam parte do novo patrimônio histórico nacional, obra final dessa política que agora tenta se reeleger com DEM, PSDB, PMDB e quejandos. Bolsonaro, um dia depois do incêndio, diz que não há nada a fazer e que vai extinguir o Ministério da Cultura. Fica claro que não se trata apenas de limitação ocasional, mas de uma política afirmativa contra o que os museus simbolizam: memória e reflexão, cultura e estudo, crítica e pensamento. Quando apenas três partidos têm propostas para a cultura isso se torna ainda mais evidente... [ler mais]
O Costa, o PS e a rentrée 2018 09-2018
Fim da silly season com os incêndios e a vitória-de-ninguém-ter-morrido, os comboios da CP que não andam por estarem avariados e não haver ninguém capaz de os reparar, o trabalho temporário que não pára de crescer com Portugal a ganhar a medalha de bronze na Europa, Costa manda suspender a publicação da lista dos políticos que embolsam subvenções vitalícias alegando a famigerada protecção de dados, a Fenprof já diz que “se não for com este Governo, será com o seguinte” que todo o tempo será contado para a progressão na carreira para os professores em garantia de que a paz social é um dado adquirido embora disfarce com a promessa de mais “lutas” para Outubro, a conscrição terá de ser reintroduzida porque qualquer dia as forças armadas nacionais não terão efectivos e há que garantir a soberania nacional e promover o sentimento de patriotismo, dizem em coro a UE e o PCP. E o PS e o Costa deram formalmente o pontapé de saída para a tri-campanha eleitoral 2019 e o presidente/rei Marcelo a banhos no país profundo (já lembra o outro no Pulo do Lobo) dá a bênção ao facto (ele faz o mesmo desde o 1º dia que foi para Belém com vista ao 2º mandato) e despreocupa-se com a sorte do Orçamento de estado de 2019, por outro lado e discretamente vai apoiando a reorganização da direita trauliteira nas forças armadas ao condecorar o fundador da associação de comandos na véspera da sua morte, já antes o proxeneta político Sr. Lopes anunciara o partido Aliança para “enfrentar o Costa”.
E o Costa é um ponto, é o mínimo que se pode dizer, com a bazófia de que em mil dias o país "mudou para melhor", o desemprego desceu, o salário mínimo aumentou, não diz que todos os outros continuam congeladas de maneira que daqui a algum tempo mais de metade dos trabalhadores estará com salário mínimo, a pobreza reduziu, perora o Costa, contraditado pela subida do número de beneficiários do RSI, aumento de investimento na saúde e na educação, o que colide com a entrega de 3 mil milhões aos tubarões do sector privado e com a não colocação de professores, com o aumento das pensões, em mísera meia dúzia de euros que não dará para beber mais uma bica por dia, e, como não poderia deixar de ser, a da “imprescindibilidade do PS” na formação de um governo “de esquerda” e “progressista” em Portugal. É para desabafar que quem lhe disse que o PS era de “esquerda”, sabendo-se onde, com que dinheiro e por quem foi fundado, enganou-o bem enganado. Ora, o Costa é esperto e sabe com que linhas se cose. O Costa quer pressionar os privados a aumentar os salários, se não fosse piada, poderíamos entender como feia provocação, porque quem devia mandar é o primeiro-ministro e se não manda é porque é mandado, então, é lacaio, aumente ele os salários de toda a função pública e obrigue ao respeito da contratação colectiva no privado e revogue todas as alterações ao Código do Trabalho feitas sob o pretexto da crise e verá os salários dos trabalhadores do sector privado a subir. O Costa é, sim, e sabe-o bem, que é um grande sacripanta e mentiroso... [ler mais]
PCB apresenta plataforma política pelo Poder Popular 08-2018
«Por que o PCB apoia, nas eleições, a frente política e social liderada por um sem teto e uma indígena?
Primeiro porque temos uma política amadurecida de construção de frentes políticas de esquerda como condição fundamental para reconstruir um novo rumo para o Brasil. Segundo porque a candidatura Boulos-Guajajara nasceu a partir de baixo e representa uma união avançada não só dos partidos políticos de esquerda mas também dos movimentos sociais, com perspectiva de se manter unida para além das eleições.
Para compreender nossa decisão, é fundamental avaliarmos que vivemos uma conjuntura instável, incerta e complexa tanto em nível nacional quanto internacional. O aprofundamento da crise sistêmica do capitalismo, das disputas interimperialistas e o acirramento da luta de classes intensificam os ataques aos direitos sociais, políticos e democráticos da classe trabalhadora em todo o mundo. No Brasil, na América Latina e em diversos países, crescem movimentos e partidos de extrema direita e fascistas cada vez mais como opções políticas viáveis para os grandes monopólios administrarem a barbárie capitalista.
Em nosso país, para dar continuidade ao programa ultraliberal, antipopular e antinacional do governo golpista, setores reacionários da classe dominante brasileira cada vez mais apostam e simpatizam com a candidatura de extrema direita. Em tempos de crise e disputas no andar de cima, o programa do grande capital no Brasil está claro, independente dos candidatos: radicalização na retirada de direitos trabalhistas, reforma da previdência, privatização de empresas estratégicas e recursos naturais, desnacionalização econômica, entrega do pré-sal para grandes petrolíferas internacionais, subordinação aos interesses dos EUA no continente, restrição das liberdades democráticas, criminalização dos movimentos populares e intolerância aos direitos das mulheres, negros e LGBTs.
Por outro lado, ainda prevalecem no campo popular e progressista ilusões quanto ao caráter reacionário e entreguista da classe dominante brasileira, cujos projetos desembocam em candidaturas de conciliação que não enfrentam os interesses e privilégios históricos da burguesia brasileira. Na atual quadra histórica, em especial após o golpe jurídico parlamentar de 2016, a mensagem da Casa Grande é clara para o conjunto dos explorados: não há mais espaço para conciliação e tolerância. A prisão arbitrária do ex-presidente Lula é o grande símbolo desta mensagem... [ler mais]
Imperialismo financeiro: Grécia saqueada (Jack Rasmus) 08-2018
«Esse mês, agosto de 2018, marca o 'fim' do 3º 'resgate' da dívida da Grécia, 2015-18. Se se pudesse acreditar nas mídia-empresas europeias e norte-americanas, a Grécia estaria recuperada e teria saído do 'resgate', da crise da dívida e da depressão criada pela crise e pelo 'resgate'. Mas nada mais fake, que essa versão jornalística.
A Grécia agora apenas trocou um conjunto de credores, por outro. No primeiro 'resgate' em 2010 foram principalmente os bancos privados da Europa, credores da dívida grega. No segundo 'resgate', as instituições do estado pan-europeu (às vezes chamadas "A Troika": Comissão Europeia, Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional) entraram em ação e garantiram empréstimos para que a Grécia 'resgatasse' seus credores privados. De fato, a Grécia nunca nem viu o dinheiro. A Troika pagou os investidores privados e efetivamente transferiu sua dívida para os balanços da Troika. A Grécia teve de fazer pagamentos ainda maiores – dessa vez para a Troika. A Troika então, pagou os bancos (estudos do German Institute mostram que 95% de todos os pagamentos de dívidas gregas à Troika foram repassados pela Troika para bancos do norte da Europa). A Troika assim serviu como gângster 'coletor de dívidas' a serviço dos banqueiros.
A recessão em duas etapas da Eurozona dos anos 2011-13 exacerbou ainda mais a dívida da Grécia, obrigou o país a tomar mais empréstimos em 2015-18 para pagar a dívida que a Troika assumiu em 2012-15 (e que foi contraída para pagar a dívida privada de 2010). Em 2012 a Grécia endividou-se e ainda mais em 2015-18 para financiar e pagar as dívidas que fez em 2010. Cada vez que se assinou novo contrato de empréstimo, a dívida foi 'rolada'. Sejam pagos pela Troika, ou diretamente, os pagamentos sempre acabaram nos bancos privados europeus.
Agora a mídia vive de 'noticiar' que a Grécia estaria emergindo dessa nova dívida sempre crescente, para pagar pela dívida passada. Mas não é verdade. Única mudança é que agora a Grécia pode tomar empréstimos (quer dizer, fazer novas dívidas), novamente, de investidores privados, como antes de 2012. Agora a Grécia fará empréstimos do setor privado (especuladores de bolsa, fundos 'hedge' e outros abutres capitalistas) para pagar à Troika a dívida antiga... [ler mais]
Silly season 2018: o incêndio da serra de Monchique e as férias de uns tantos 08-2018
A estação já vai a meio, os dirigentes dos diversos partidos do establishment foram a banhos e os sindicatos mandaram os trabalhadores para férias, está muito calor para lutas, e o nosso primeiro Costa do PS acaba de visitar Monchique no rescaldo do incêndio que destruiu 27 mil hectares de floresta. Números ainda longe dos de 2003, 70 mil hectares, era primeiro-ministro o incontornável Durão Barroso, mas já o maior incêndio na Europa, isto pouco mais de dois meses após uma outra visita do Costa para ver como era feita a prevenção e sensibilização da população contra incêndios. Ao que parece o sistema falhou, no entanto, uma “falha” muito ao jeito dos interesses dos empresários dos fogos e de um mais que certo reordenamento capitalista da floresta, seja para o turismo, como afirma o Costa, ou para as celuloses que têm recebido ajudas estatais e europeias cinco vezes superiores para a plantação do tal “petróleo verde” em detrimento de outras espécies, autóctones e próprias do clima mediterrânico, mas de menor rentabilidade. Pouco tempo antes do incêndio que devastou mais uma vez a serra de Monchique, a Navigator levou a cabo uma operação mediática sobre a qualidade do “eucalipto de Monchique” e reflorestação da serra, será a eucaliptização não a 73% mas 100%. O tempo o dirá.
Quanto a incêndios, também parece que ninguém aprendeu com as tragédias vivida em 2003, 2016 e 2017, a começar pelas populações locais. Os 10 milhões de euros rapidamente prometidos pelo governo irão anestesiar as mentes das pessoas, com o fim de arrebanhar mais uns votos para as eleições que vêm para o ano, a direita bem tenta diabolizar o governo; agora, não foram as mortes mas a aparente brutalidade da GNR na evacuação das pessoas renitentes em querer salvar os haveres, ou do desvio das ajudas pelos autarcas da cor do partido do governo da região de Pedrógão. Mas as sondagens são teimosas e as últimas davam vitória clara ao PS, que terá roubado votos quer ao PSD quer ao BE, com a PCP/CDU a descer e o CDS praticamente estacionado (+0,5%). Depois da “grande vitória” de não ter morrido ninguém neste incêndio, PSD e CDS não sabem o que fazer para atacar o governo, e o escândalo do vereador do BE na câmara de Lisboa que fez pior do que aqueles que sempre criticou, mostrando que o BE não passa de um partido da pequena-burguesia urbana defensor do capitalismo, o Costa deve estar neste momento a esfregar as mãos de contente, tendo para mais beneficiado de uma entrevista em primeira página do jornal do militante nº1 do PSD e da complacência do PR Marcelo que, desta vez, não correu logo ao local do crime para “não atrapalhar”. O importante é que o Orçamento de Estado para 2019 tenha a aprovação garantida, com ou sem mortes na serra... [ler mais]
Dias de agosto... Blas Infante... Moncho Reboiras (Andoni Baserrigorri) 08-2018
«Nestes dias de agosto ardente, de verao, som muitas as datas que temos as e os internacionalistas nessa agenda que nom finaliza jamais, que deve de ser revista, voltada a ler e, ainda mais, nom nos esquecermos.
Temos de destacar entre esses nomes dous militantes soberanistas, independentistas, revolucionários que forom assassinados polo franquismo e o fascismo espanhol. Um quando apenas dava começo este franquismo a que fazemos referência, mais um quando agonizava e preparava já essa transiçom-armadilhada, que nos presenteou 40 anos mais de franquismo.
O mencionado alçamento nacional foi sobretodo cruel na Andaluzia. Fôrom milhares os jornaleiros e jornaleiras assassinadas. Junto a eles trabalhadores de diferentes setores, referentes da cultura nacional andaluza (como esquecermos Federico García Lorca, ainda numha valeta esquecida em Granada) e até populaçom civil em debandada que foi metralhada e assassinada nas estradas de Málaga, enquanto fugia dos crimes já conhecidos do fascismo-falangismo.
Mas, neste caso, vamos nomear Blas Infante, porque era a esperança da ressurreiçom da Andaluzia autêntica, a dos povos brancos, a do cante jondo, a que nom esquecia o seu pasado glorioso antes da invasom de 1492... Blas, ao situarmo-lo na sua época, falava com claridade dos eixos nos quais tem de ser baseada a verdadeira liberdade dos povos... a soberania, o direito à independência e um regime social afastado do capitalismo. Ainda que nom fosse certamente comunista, temos de conhecê-lo nos anos em que tivo que viver e era mais partidário dum socialismo libertário.
Umha pessoa semelhante em bastantes aspetos a James Conolly, o autêntico herói e referente da Irlanda dessa época, embora houvesse mais uns aspetos que os diferenciavam.
Era um perigo para Espanha, assim o afirmárom os seus carrascos e assim era de jeito efetivo, um perigo para essa Espanha monárquica, aniquiladora dos povos, corrupta e capitalista que vimos padecendo há já mais de 80 anos... é assim que foi passado polas armas.
É motivo de vergonha que o seu assassino inteletual, a víbora Queipo de Llano, ainda nos dias de hoje ocupe um lugar de honra na história oficial desta Espanha a que nos estamos a referir. É por isto a obrigaçom das e dos internacionalistas de fazermos umha lembrança e continuar a insistir nessa Andaluzia que segue sem ser submetida, trabalhadora, militante, revolucionária...nom a que nos vendem nos meios de comunicaçom do sistema.
Moncho Reboiras é mais um mártir que queremos nomear. Este sim, comunista, antifascista, antifranquista, combativo... militante da UPG, que nesses anos era a referência revolucionária para o povo trabalhador galego... [ler mais]
Contra O Arianismo (Cosmético) Militante 08-2018
«Antes de se flexibilizar é preciso não pisar o campo das epistemologias e nem todos têm sensibilidade e formação para tal. Isso exige grande bagagem teórica ao nível científico e histórico-filosófico, por isso flexibilizar é como pisar um campo de minas. Nessa questão, como noutras, nunca devemos “colocar sapateiros a tocar rabecão”. Devemos é colocar os sapateiros, com todo o mérito, a fazer os bons sapatos e os músicos, com todo o mérito, a tocar rabecão.
Quando às elites reinantes (por ciclos de 4 anos visivelmente, embora existam as elites silenciosas transversais) começam sempre por nos dizer que a escola de hoje está mal…que os alunos não gostam dela. No entanto, esquecem-se que a escola é e sempre foi um campo de confronto geracional que ensina a ler, escrever e contar. Já foi mais, é certo. Hoje há mais tolerância,  menos rigidez e o peso da tradição é menor…
Não nos podemos esquecer que a seguir à flexibilização de certeza que vão querer acabar com os exames que, nesta altura, a meu ver, são muitos, mas considero que tem de existir alguns, talvez só 2 no 4º, no 6º, no 9º e no 12º ano e nada de provas de faz de conta, como as de aferição.
Também não nos podemos esquecer que a seguir à flexibilização vão querer que a escola seja um mero festival de flores folclóricas e que vão querer que os conhecimentos passem a terceiro plano nos critérios de avaliação. Ou seja, vão pretender valorizar as atitudes e as capacidades em detrimento dos conhecimentos. Só que ninguém desenvolve capacidades e atitudes a partir do NADA, ou do éter. Os conteúdos continuam a fazer falta, os conhecimentos são a forma mais objetiva de avaliar alguém, apenas porque as atitudes são de avaliação subjetiva e os valores também são relativos. Além disso, também as capacidades só se podem medir com grande dose de relativismo, pois se até o conhecimento científico É RELATIVO! É só ler Karl Popper, ou Thomas Kuhn, referindo apenas dois, mas há mais pessoas discretas com muito mérito. Basta olhar para as escolas para sabermos que na humanidade assim é. Bons professores e bons alunos não são showoff porque são sólidos e não precisam de iludir ninguém.
Como vamos avaliar as capacidades? Tem que haver conhecimentos na base do desenvolvimento dessas capacidades. Ou será que cada escola decidirá que capacidade vai desenvolver? Se assim fosse talvez no colégio se optasse por desenvolver a capacidade de investir na bolsa e na escola do bairro se optasse pela capacidade de “abrir” portas. Pois se cada escola puder flexibilizar com o material humano que tem e de forma a ir ao encontro dos interesses do seu público alvo! LoL (“laughing out loud”).
E já pensaram que talvez se esteja mesmo a caminhar para a tal uniformização?... [ler mais]
Unidade sim! Mas com quem e qual programa? (Luís Fernandes) 08-2018
«Sendo assim, nestas próximas semanas, ainda marcadas por conversas entre as organizações, convenções partidárias e cálculos eleitorais, será comum a aparição de apelos, gritos ou, utilizando uma expressão da moda, a “construção de uma narrativa” em prol unidade das forças progressistas e de esquerda contra as candidaturas de extrema direita e direita. Uma jogada previsível, mas um tanto curiosa. Tendo em vista que o objetivo de uma chamada desse tipo, sem proposta de programa, nome e ações práticas comuns, soa como mais uma chamada desesperada de quem está olhando para as eleições não como uma tarefa de resistência, unidade e luta para eleger quadros combativos e populares, mas apenas um mero cálculo para se enquadrar na nova cláusula de barreira da era golpista, aprovada pelo indefectível senhor Eduardo Cunha.
Por isso os comunistas do PCB seguem propondo e construindo a mais ampla frente social na prática cotidiana contra a agenda econômica e social da ofensiva reacionária da grande burguesia e do imperialismo. É preciso lutar amplamente pela liberdade dos 23 ativistas de junho de 2013, pela liberdade de Lula e seu direito de ser candidato, contra a reforma trabalhista e da previdência, pela revogação da PEC de congelamento dos gastos públicos, em defesa do pré sal e da Petrobrás, pela valorização do salário mínimo, etc.
No entanto, uma frente política e eleitoral, ainda mais ao se propor a ser um polo para reconstruir o país na direção dos interesses populares e da classe trabalhadora, deve-se nortear ao menos por um programa mínimo, valorizando as experiências passadas e criticando-as na perspectiva de superá-las. Como, por exemplo, será possível garantirmos e avançarmos na conquista de direitos sem enfrentar, controlar e taxar o capital financeiro? Como será possível fazer reforma agrária e priorizar a agricultura familiar conciliando com o agronegócio? Como será possível desenvolver a ciência, educação e novas tecnologias no país conciliando com a dependência ao processo de reprimarização de nossa economia? Como será possível colocar as massas populares no centro programático se aliando às antigas oligarquias políticas? Como será possível governar para os trabalhadores sem canais de democracia direta e ficando refém de um congresso rodeado de corruptos, máfias e reacionários? Será possível defender a liberdade religiosa, os direitos das mulheres, negros e LGBTs conciliando com candidaturas e partidos ligados ao fundamentalismo religioso? Como será possível realizar a democratização dos meios de comunicação mantendo isenções e privilégios dos grandes oligopólios midiáticos? Como será possível combater a seletividade política do poder judiciário conciliando com o populismo penal?... [ler mais]
Causa Galiza chama a acumular forças por volta de “respostas de país” e do Processo Trevinca (Joám Garcia Costa e Jorge Paços) 07-2018
«Quando se cumprem 50 anos da recuperaçom do Dia da Pátria na clandestinidade, e 99 desde que as Irmandades da Fala decidissem a celebraçom da jornada nacional, os sectores mais conscienciados do nosso povo volvêrom ocupar as ruas da nossa capital para situar na sua centralidade as históricas demandas de soberania. Embora a palavra de orde ‘independência' sona com força em espaços sociais e políticos cada vez mais diversos, foi a convocatória de Causa Galiza a que pujo com maior nitidez a ideia de ruptura sem ambages com Espanha para umha mudança substancial.
Como cada ano os actos arredor do Dia da Pátria começarom na véspera com as mobilizaçons protagonizadas pola mocidade e a já tradicional cadeia humana pelas presas. Porém os actos políticos centrais concentravam-se hoje, dia 25, e decorrêrom baixo umha discreta pressom das forças policiais, com dúzias de unidades de intervençom desdobradas, polícia à paisana pouco ostentosa, e um helicóptero vigilando a zona velha da cidade.
A Alameda foi o clássico ponto de arranque das duas principais citas nacionalistas do dia. No campo independentista, apesar dos reiterados chamamentos de Causa Galiza para tentar dar umha resposta colectiva e de país ante a grave crise na que nos encontramos, a falta de adessom por parte doutras organizaçons obrigou a umha convocatória em solitário para o Dia da Pátria, seguindo o modelo de passados anos. (...)
O acto rematou na Praça do Toral onde se deu leitura a um manifesto político a cargo de Diego Santim, militante galego recém saído da prisom ; nele exprimiu-se a situaçom de disjuntiva na que se encontra o país, entre continuar com o « contrato lixo » que supom o actual Estatuto de Autonomia dentro do Estado Espanhol, ou a opçom da ruptura democrática com o pleno exercício do direito de autodeterminaçom.
Finalizava o manifesto com três ideias muito claras: a necessidade de dar umha resposta colectiva como povo e além de siglas ante a crise actual, para o qual Causa Galiza se pom a disposiçom do país com um ciclo de conversas com agentes sociais e políticos desde o mês de Setembro; o impulso a partir de Outubro do processo Trevinca, baseado em assembleias abertas para a reflexom e a actualizaçom de diagnósticos nacionais, visando um processo para a acumulaçom de forças independentistas; e também a reclamaçom do fim da dispersom e a posta em liberdade das presas políticas galegas, num contexto de crescente legitimidade das teses em favor do reagrupamento, relacionado com a conjuntura política catalá e basca e um possível abrandamento penitenciário... [ler mais]
Mandela: um legado contraditório (Ruy Braga) 07-2018
«Fora da prisão, Mandela liderou a negociação estabelecida com o Estado fascista que sepultou o apartheid racial. O empenho pacificador demonstrado durante a transição democrática garantiu-lhe o prêmio Nobel da Paz de 1993. Por isso, pode parecer fácil escrever sobre ele. Bastaria, por exemplo, elogiar sua sublime disposição de perdoar os opressores brancos. Aliás, é exatamente isso que tem feito toda a imprensa mundial. No entanto, gostaria de destacar um outro ângulo, ou seja, o projeto político que, ao sair da prisão, ele afiançou. No final dos anos 1980, tão logo o Partido Nacional, com o domínio dos africânderes no governo, percebeu que iria ser derrotado pela resistência mais ou menos inorgânica de toda a sociedade civil sul-africana, iniciou-se um processo de negociação entre os fascistas e o maior partido anti-apartheid, isto é, o Congresso Nacional Africano (ANC). Ao longo de alguns poucos anos, o pacto social que deu origem à nova África do Sul foi urdido.
Conforme os termos do acordo, as tradicionais classes dominantes brancas manteriam o domínio e a propriedade de todos os setores econômicos estratégicos, transferindo progressivamente para o ANC o controle do aparelho de Estado. Enquanto os ativos financeiros das principais empresas do país migravam para Londres em um avassalador movimento de fuga de capitais que acentuou a dominação econômica branca, o Partido Comunista Sul-Africano (SACP), o Congresso dos Sindicatos Sul-Africanos (Cosatu) e o ANC formavam a coalizão conhecida como “Aliança Tripartite” que se transformou em uma poderosa máquina eleitoral, criando as condições para o estabelecimento de uma durável hegemonia alicerçada na “fusão” das principais forças anti-apartheid com o aparelho estatal.
Assim, sedimentou-se, em 1996, um modelo de (sub-)desenvolvimento capaz de combinar uma agenda neoliberal conhecida como “Growth, Employment and Redistribution” (GEAR) com algumas reformas pontuais cujo produto mais saliente foi a exacerbação das desigualdades de raça, de gênero e de classe social.1 A partir de então, privatizações, cortes de gastos estatais e moderação salarial, combinaram-se com, por exemplo, a incorporação dos negros ao sistema público de saúde… O apartheid racial foi substituído por um apartheid social alimentado pela exploração da maioria dos trabalhadores negros. Mandela foi o grande fiador desta “revolução passiva”. Apenas um negro educado vivendo em um país dominado por brancos, um príncipe xhosa vivendo em um país de maioria zulu, um líder mundialmente admirado vivendo em um país carente de aceitação internacional, poderia dirigir este processo...[ler mais]
O estado da nação e o orçamento de 2019 07-2018
No discurso que fez no debate sobre o Estado da Nação, e que demorou mais de 40 minutos, Costa foi claro: a política de austeridade branda que tem seguido até aqui é para continuar em 2019. E, sabendo de que encostou às cordas os outros dois partidos da coligação, é para pegar ou largar, já que ele assume por inteiro os “dois lados da lua” (o bom e o mau das medidas aplicadas até agora) e não apenas o lado bom. O caminho para a maioria absoluta nas eleições legislativas do ano que vem está lançado, com a inanição da oposição, com a direita a desenterrar de novo a questão do “roubo” das armas de Tancos (ao que parece encomenda feita de dentro e pela direita para arranjar dificuldades ao governo), irá ser o tema para a silly season, e com a dita esquerda a suspender a greve dos professores, que, segundo ela, irá continuar lá para Setembro ou Outubro. Na prática, quer dizer que o Orçamento para 2019 já está antecipadamente aprovado, o PR Marcelo pode ficar descansado não terá que dissolver o Parlamento, e as eleições estarão ganhas. A maioria absoluta é que será outra história.
O Costa do PS garante que o próximo Orçamento do Estado “é, em primeiro lugar, um orçamento de continuidade”, uma linha que diz ser de “recuperação de rendimentos” dos trabalhadores e de “manutenção do descongelamento de carreiras e no aumento das pensões”, o que não passa de uma meia verdade. Estas reversões do muito que foi retirado ao rendimento dos trabalhadores e dos aposentados não são nada comparado com o montante que nos foi extorquido e facilmente anuladas pela inflação, cujo valor as estatísticas oficiais tentam esconder. É uma autêntica provocação comparadas com o que é oferecido aos grandes capitalistas, incluindo banqueiros, nacionais e estrangeiros. Não chegam a migalhas para calar as bocas, mais da dita oposição de esquerda do que propriamente aos trabalhadores, comparado com: os 100 milhões de euros anuais de prejuízos com o ex-BPN; os 10 milhões de euros entregues ao grupo GPS para novos contratos de associação (o governo diz que não há alternativa!), grupo que foi acusado há pouco tempo pelo Ministério Público de corrupção, burla, peculato, falsificação de documento e abuso de confiança por se ter abotoado indevidamente com 30 milhões de euros púbicos; 1000 milhões de euros entregues às centrais eólicas, uma escandalosa prenda às empresas de energia dada pelo governo anterior, mas mantida pelo actual governo PS/Costa; aumento de 300 milhões de euros para despesas com a defesa (1,36% do PIB, 2 728 milhões) entre 2017 e 2018 e promessa, perante imposição da administração Trump, de mais 1000 milhões até 2024, perfazendo a meta dos 2% do PIB (mais de 4 mil milhões de euros); mais 800 milhões de euros para o Novo Banco, que poderá ir até aos 1000 milhões, através do Fundo de Resolução; e, aqui é que bate o ponto, aumento contínuo da dívida pública que vai já nos 250 mil milhões de euros, ou seja, 125,7% do PIB, e que em termos percentuais o governo espera que desça para 122,2% do PIB, contando, é claro, com o aumento deste. Após 16 anos de reinado do euro, que mais não é que o marco com outro nome, a dívida pública aumentou de 75 mil milhões de euros para 250 mil milhões, para salvar os bancos nacionais privados, criados no tempo do cavaquismo, e os bancos da Europa central em igual falência, nomeadamente, alemães, franceses, belgas e holandeses... [ler mais]
UE: Bancos salvam a crise e acabam com a Grécia (F. William Engdahl) 07-2018
«Com fanfarras, no final de Junho, os 19 ministros das finanças da zona do euro na UE anunciaram o fim da crise da dívida grega, que se arrasta por oito anos e levou toda a estrutura do euro à convulsão mais profunda que o sistema conheceu até hoje. Infelizmente, é nada. Só profunda, completa encenação. Os ministros da União Europeia recusaram-se a cancelar a dívida do estado grego. Em vez disso, encenaram uma capitalização destrutiva dos juros da dívida existente, semelhante ao que Washington fez à América Latina nos anos 1980s. É perfeitamente justificável que todos nos perguntemos o que está realmente acontecendo.
Pelo esquema recém inventado, estendeu-se o vencimento dos empréstimos por dez anos. Afastado o risco de a dívida ser cancelada, os ministros da Eurozona concordaram com prorrogar por dez anos o cumprimento da maior parte das prestações ainda a serem pagas dos empréstimos existentes, sobre uma dívida pública que continua equivalente a 180% do PIB, ou 340 bilhões de euros, apesar de cortes e reformas. A União Europeia emprestou mais 15 bilhões de euros (17,5 bilhões de EUA-dólares) como dívida nova, para 'facilitar' os pagamentos agora devidos.
Como parte do acordo, o FMI e o governo-amigo-da-UE de Alexis Tsipras entenderam-se em torno de ainda mais 'austeridade' [é ARROCHO. "Austeridade" é racionalizar gastos para preservar o realmente indispensável, sem nenhum desperdício; "austeridade" não é cortar comida da mesa dos pobres, para pagar banqueiros: isso é ARROCHO (NTs)]. Mais 'austeridade' no caso da Grécia significa mais impostos sobre os mais pobres e mais cortes nas aposentadorias até o final do ano... [ler mais]
A NATO, em expansão e cada vez mais cara, alastra-se pela Europa (Manlio Dinucci) 07-2018
«A NATO - criada em 1949, seis anos antes do Pacto de Varsóvia, baseada formalmente no princípio defensivo estabelecido pelo Artigo 5 - foi transformada numa aliança que, de acordo com o “novo conceito estratégico”, compromete os países membros a “liderar operações de resposta a situações de crise não previstas no artigo 5.º, fora do território da Aliança”. Segundo o novo conceito geoestratégico, a Organização do Tratado do Atlântico Norte estendeu-se às montanhas afegãs, onde a NATO está em guerra há 15 anos.
O que não mudou, na mutação da NATO, foi a hierarquia dentro da Aliança. É sempre o Presidente dos Estados Unidos que nomeia o Comandante Supremo Aliado na Europa, que é sempre um general dos EUA, enquanto os Aliados se limitam a ratificar a sua escolha. O mesmo aplica-se aos outros comandos chave. A supremacia dos EUA fortaleceu-se com a ampliação da NATO, pois que os países do Leste europeu estão mais vinculados a Washington do que a Bruxelas.
O próprio Tratado de Maastricht, de 1992, estabelece a subordinação da União Europeia à NATO, da qual fazem parte 22 dos 28 países da UE (com a Grã-Bretanha de saída da União). O mesmo estabelece no artigo 42.º, que “a União respeita as obrigações de alguns Estados Membros, que consideram que a sua defesa comum se efectue através da NATO, no âmbito do Tratado do Atlântico Norte”. E o protocolo n. 10 sobre a cooperação estabelecida pelo art. 42 salienta que a NATO “continua a ser a base da defesa” da União Europeia. A Declaração Conjunta sobre a Cooperação NATO/UE, assinada em 10 de Julho em Bruxelas, na véspera da Cimeira, confirma esta subordinação: “A NATO continuará a desempenhar a sua função única e essencial como pedra angular da defesa colectiva para todos os aliados, e os esforços da UE também fortalecerão a NATO” [1]. A PESCO e o Fundo Europeu para a Defesa, sublinhou o Secretário-Geral Stoltenberg, “são complementares e não alternativas à NATO”. A “mobilidade militar” está no centro da cooperação NATO/UE, consagrada na Declaração Conjunta. Igualmente importante é a “cooperação marítima NATO/UE no Mediterrâneo, para combater o tráfico de migrantes e, assim, aliviar o sofrimento humano”... [ler mais]
Generosidade seletiva (Elaine Tavares) 07-2018
«Tenho lido nas redes sociais alguns comentários sobre a questão dos meninos da Tailândia que ficaram presos numa caverna. Durante semanas o mundo esteve com os olhos lá naquele longínquo lugar. Uma corrente de bons pensamentos e desejos de salvação. Pessoas de mais de 40 países, profissionais de mergulho e de salvamento, para lá foram, no intuito de tirar com vida todos os meninos e o professor. Foi uma corrente do bem mundial. Duvido que alguém tenha ficado imune. E ontem, quando finalmente todos saíram vivos da cova, o planeta inteiro respirou aliviado. É certo que um mergulhador morreu na batalha. E ficará na memória de todos como um herói. Saman Kunan é seu nome, inscrito para sempre no coração daquele grupo que vivenciou o terrível drama. 
Terminado o resgate surgem as perguntas: e por que o mundo não se comove com a situação dos meninos e meninas presas nos Estados Unidos? Por que não se comove com a tragédia das crianças palestinas, presas e assassinadas todos os dias? Por que não se comove com os jovens negros que caem nas comunidades de periferia do Brasil, sob o fogo do estado? Por que não se comove com as crianças que vivem em zona de guerra? 
Também me pergunto sobre isso. Por quê? 
Arrisco um palpite. As crianças na Tailândia sofreram um revés da sorte. Uma tragédia provocada por ninguém. Entraram na caverna e veio a chuva, e o inesperado aconteceu. Não havia quem culpar. Nem mesmo o professor. As cavernas são visitadas cotidianamente, poderia ter acontecido com qualquer um.  
Já as demais crianças sobre as quais clamamos, não. Essas tem sua história construída pela mídia e pela ideologia. Os palestinos não são crianças, são terroristas. As crianças latinas presas nos EUA não são crianças, são filhas de criminosos, logo, criminosas também. Os meninos negros nas periferias são ladrões e bandidos em potencial. E as crianças nas guerras estão tão distantes, são estatísticas. Não têm nome nem sobrenome...[ler mais]
Governo PS com as contas baralhadas 06-2018
A greve dos professores às avaliações está a incomodar seriamente o governo PS/Costa, está a estragar-lhe as contas para uma possível maioria absoluta em 2019 e atrapalhar os dois apoios parlamentares, um, que sente ser cada vez mais difícil controlar uma greve e continuar a manipular os trabalhadores no sentido de lhes sacar mais tarde o voto, Jerónimo não conseguiu conter o quase desespero em público, e, o outro, numa de pose de estado, acha que contar o tempo integral e respectivo pagamento imediato aos professores é questão que tem de ser melhor ponderada. A reacção do governo perante uma classe sem disposição a ceder, por já calejada em experiências anteriores de muitas promessas e outras tantas traições, é clara e vale por muitos discursos: “As greves estão a pôr em causa o direito à educação” – Secretário de Estado da Educação dixit . Ou será mais o governo, porque o PS ainda deve estar bem lembrado de que foi por ter escolhido os professores como alvo a abater para fazer avançar a reforma neo-liberal em Portugal que perdeu as eleições legislativas de 2011. A ameaça de instituir os serviços mínimos ou uma possível requisição civil não tem assustado os professores.
Os apoiantes não oficiosos do governo dito “socialista” já puseram as mãos à cabeça logo que viram que os professores estavam firmemente dispostos a lutar pelos seus mais que sentidos e justos direitos, com a velha ameaça chantagista, lançada pelo PCP durante o PREC quando traía miseravelmente as greves dos trabalhadores: “vem aí o fascismo!”. Agora, é o argumento de que os professores querem dar pretexto ao PR Marcelo, entretanto agastado com os chiliques na cidade dita “dos arcebispos” em tempo de romaria do S. João, para dissolver a Assembleia da República e convocar antecipadamente eleições com eventual benefício dos partidos da direita e deixarem que os partidos da oposição se aproveitem de uma reivindicação mais que justa e sincera, tal como aconteceu recentemente com a luta dos enfermeiros “picados” pelos sindicatos da UGT e da bastonária cavaquista arvorada em dirigente sindical. É o desespero de causa de quem sente o terreno a fugir debaixo dos pés. Os professores, a exemplo dos restantes trabalhadores, vão aprendendo com a experiência e procuram criar outras organizações, por si controladas, e não pelos burocratas sindicais do regime, experiências que também correm o risco de poderem falhar a curto prazo, mas como na investigação científica é com tentativas e erros sucessivos que se vai progredindo. Parar é que é morrer
A argumentação do governo é cada vez mais igual à do seu antecessor, já não consegue manter o disfarce que até tem utilizado para esconder que o seu propósito é defender os negócios do capital ou a burguesia indígena nas suas operações de saque aos trabalhadores e garantir o cumprimento estrito dos tais “compromissos” internacionais, ou seja, seguir os ditames de Bruxelas e da Troika – o governo PS/Costa (e apêndices) é o governo do PSD/PP/Coelho/portas sem a Troika.... [ler mais]
No Brasil: Por uma escola pública, classista e democrática! 06-2018
«Vivemos um período de crise econômica mundial do capitalismo. Nesse contexto, os governos têm desferido ataques aos direitos conquistados historicamente pela classe trabalhadora, como vivenciamos aqui no Brasil, com a aprovação da contrarreforma trabalhista, a lei das terceirizações e a ameaça da contrarreforma da previdência. Entretanto, esta também é uma conjuntura marcada pela brava resistência dos trabalhadores e dos setores oprimidos em nosso país e em inúmeros países do mundo.
(...)
Levando em conta o cenário acima, nossos desafios para o próximo período são: ampliar as lutas em defesa de Educação pública, estatal, gratuita, laica, universal, com gestão pública e democrática e com qualidade na perspectiva da classe trabalhadora; recusar e enfrentar a tática da conciliação de classes, pois a história recente demonstrou que ela é incapaz de atender às reivindicações dos/as trabalhadores/as e da juventude; não nos enganarmos na tarefa política dando centralidade ao processo eleitoral na expectativa que este gere efetivas mudanças sociais que suplantem a sociabilidade vigente; atualizar a proposta de Plano Nacional de Educação da sociedade brasileira (1996); ampliar a participação das entidades e dos movimentos em torno do ENE, fortalecendo um espaço de aglutinação e construção de uma agenda comum de lutas; ampliar, especialmente em nossos locais de atuação, a mobilização e resistência contra as Organizações Sociais na Rede Municipal de Ensino de Florianópolis; repudiar e denunciar a participação das federações da indústria na agenda educacional por imporem a subordinação da educação à lógica do capital, como a FIESC no projeto “Movimento Santa Catarina pela Educação”; ampliar as lutas pela realização da auditoria da dívida pública já, com a suspensão imediata de seu pagamento, pois é a principal forma de transferência direta de recursos do fundo público ao capital financeiro; denunciar e lutar pelo rompimento dos contratos e parcerias existentes entre as secretarias de educação e organismos privados, como a do BID e a do Grupo Educacional Augusto Cury com a Secretaria Municipal de Educação de Florianópolis e a do Instituto Ayrton Senna com a Secretaria de Estado da Educação de Santa Catarina...[ler mais]
Carta Aberta Ao Ministro da Educação 06-2018
«Excelência,   
A presente Carta Aberta serve de meio de contacto da Comissão Representativa da Iniciativa Legislativa de Cidadãos (ILC) para Consideração Integral do Tempo de Serviço Docente, constituída por 8 docentes, e que já congregou na plataforma eletrónica da Assembleia da República mais de 75% (15000) das assinaturas necessárias para que a sua iniciativa seja considerada Projeto de Lei e debatida no Parlamento como tal, abrindo um processo legislativo sobre essa matéria.
Contactamos, por este meio, Vossa Excelência, e convidamo-lo a que se junte a um grupo cada vez mais numeroso e seja mais um cidadão a validar a proposta de resolução, por via parlamentar e legal, do problema mais delicado que enfrenta no Seu Ministério, assinando no site do Parlamento (instruções de assinatura em https://www.youtube.com/watch?v=dSQ_V44kx74), com base nos seguintes aspetos:
1. Há o precedente notável e louvável de um Ministro do atual Governo (do Ministério da Ciência e do Ensino Superior) que, perante um documento com as justas reivindicações, muito semelhantes às que deram origem à ILC, de um setor dependente do seu ministério, o assinou com plena consciência, explicitando as suas razões publicamente.
2. No caso de Vossa Excelência, como o Ministério das Finanças o vem impedindo de resolver o problema supracitado, por via negocial com os sindicatos (como se viu no episódio publicamente constrangedor que protagonizou no início desta semana), a via parlamentar será, no nosso entender, mais eficaz, pois quem aprova a despesa, antes do Ministro das Finanças, é a Assembleia da República.
3. As propostas são justas e exequíveis: os docentes trabalharam 9 anos, 4 meses e 2 dias, tendo-lhes sido retiradas as legítimas expetativas legais à progressão de carreira, no período de suspensão, à semelhança de todos os funcionários públicos. A suspensão mantem-se ainda hoje, em contradição flagrante com o que o Governo afirma, desde há 3 anos (isto é, desde o início da legislatura): que a austeridade findara e o governo teria, entre os seus objetivos, a reparação das injustiças passadas;
4. O Governo prometeu resolver o problema e pode até ter usado linguagem arrevesada e ardilosa, tendo em vista poder agora negá-lo (como tentou fazer esta semana). Mas, no tocante a  Vossa Excelência, pessoa que reputamos de honesta e franca, cremos que não nos pretendeu enganar com palavras dúbias e que assume a intenção de lutar radicalmente pelos professores (conforme proclamou publicamente em entrevista).
5. Lutar radicalmente pelos professores é lutar pelas suas condições de vida e salário, como elemento essencial para melhoria do sistema de ensino português... [ler mais]
Israel matou 3000 crianças palestinas desde o ano 2000 06-2018
«Segundo informações da página web Middñe East Monitor (MEM) citando um informe recentemente publicado pelo Ministério de Informação Palestino, as forças de guerra israelenses mataram, nos últimos 17 anos, mais de 3000 crianças, além de deixar feridos mais de 13.000 menores de idade.
As cifras também indicam que, no total, detiveram mais de 12.000 crianças — atualmente são mantidos encarcerados cerca de 300 —, das quais 95 % foi vítima de agressões e torturas nos interrogatórios.
O número de crianças palestinas detidas pelas forças israelenses parece crescer, já que, após o início da Segunda Intifada (levante popular), em outubro de 2015, foram detidas mais de 2000 crianças em um ano, enquanto que a cifra habitual era, anualmente, de cerca de 700 crianças presas.
Por outro lado, as estatísticas mostram um severo aumento na quantidade de crianças palestinas que se veem obrigadas a trabalhar (um aumento de cerca de 40.000 desde 2011 até 2017), o que se atribui em grande parte às consequências da agressão militar israelense de 2014 à Faixa de Gaza e ao bloqueio imposto a este enclave costeiro.
Quase 20.000 crianças palestinas que formam parte do mercado de trabalho, conforme revela o informe, trabalham nos assentamentos agrícolas israelenses e ganham um terço do salário mínimo estabelecido pelo regime de Tel Aviv, além de haver abundantes registros de abusos a menores palestinos nas ditas fazendas...[ler mais]
Guerra económica ou «guerra absoluta»? (Jean-Claude Paye) 06-2018
«Globalmente, a oposição entre a maioria do Partido Republicano e os Democratas repousa no antagonismo de duas visões estratégicas, tanto a nível económico como militar. Estes dois aspectos estão intimamente ligados.
Para a Administração Trump, a recuperação económica é central. A questão militar põe-se em termos de apoio a uma política económica proteccionista, como um momento táctico de uma estratégia de desenvolvimento económico. Essa táctica consiste em desenvolver conflitos locais, destinados a frenar o desenvolvimento de nações concorrentes, e a afundar projectos globais opostos à estrutura imperial dos EUA, tais como, por exemplo, o da nova Rota da Seda, uma série de «corredores» ferroviários e marítimos devendo ligar a China à Europa, associando a Rússia. Os níveis, económico e militar, estão estreitamente ligados, mas, contrariamente à posição dos Democratas, permanecem distintos. O objectivo económico não é confundido com os meios militares implementados. Aqui, a recuperação económica da nação norte-americana é a condição que permitirá evitar ou, pelo menos, postergar um conflito global. A possibilidade de desencadear uma guerra total torna-se um meio de pressão destinado a impor as novas condições norte-americanas dos termos de troca com os parceiros económicos. A alternativa que se oferece aos competidores é a de permitir aos EUA reconstituir as suas capacidades ofensivas ao nível das forças produtivas ou de ser envolvido rapidamente numa guerra total.
A distinção, entre objectivos e meios, presente e futuro, já não aparece na abordagem dos Democratas. Aqui, os momentos estratégico e tático são misturados. A fusão total destes dois aspectos é característica do esquema de «guerra total», de uma guerra livre de qualquer controle político e que apenas obedece as suas próprias leis, as da «ascenção aos extremos».
Em direcção a uma guerra «absoluta»?
A consequência da capacidade do Partido Democrata em bloquear um relançamento interno nos EUA é que, se os EUA renunciam a desenvolver-se, o único objectivo que resta será o de impedir, por todos os meios, entre os quais a guerra, os concorrentes e os adversários de o fazer. No entanto, o cenário já não é mais o das guerras limitadas da era Bush ou Obama, de uma agressão contra potências médias já enfraquecidas, tais como o Iraque, mas, antes o da «guerra total», tal como foi pensada pelo teórico alemão Carl Schmitt, quer dizer, um conflito que implica uma mobilização completa dos recursos económicos e sociais do país, tal como os de 14-18 e 40-45.
Entretanto, a guerra total, pela existência da arma nuclear, pode adquirir uma nova dimensão, a da noção, desenvolvida por Clausewitz, de «guerra absoluta»... [ler mais]
Por que as massas caminham sob a direção de seus algozes? A psicologia de massas do fascismo ontem e hoje (Mauro Iasi) 06-2018
«O psicólogo marxista Wilhelm Reich (1897-1957) escreveu o livro Psicologia de massas do fascismo em 1933 (o estudo se estendeu de 1930 até 1933), no contexto da ascensão do nazismo na Alemanha. O autor se refugiou em Viena, depois Copenhagen e Oslo, onde iniciou seus estudos sobre as couraças e depois do que denominou de “energia vital”, levando-o a teoria do “orgon”. Desde 1926 acumulava divergências com Freud, com o qual trabalhou como assistente clínico e, em 1934, seria expulso da Sociedade Freudiana e da Associação Psicanalítica Internacional, sairia da Noruega em direção aos EUA, onde seria também perseguido com a acusação de “subversão”. Acabou preso em 1957 e morreu no mesmo ano na prisão. Toda sua obra, incluindo livros e material de pesquisa, foram queimados por ordem judicial nos EUA em 1960.
Ainda que possamos questionar as teorias reichianas fundadas na teoria do “orgon” e a relação que esperava estabelecer entre “soma e psiquismo”, temos que ter muito cuidado ao tratar as considerações que esse importante autor tece sobre o fascismo e o caráter das massas analisados na obra citada. Em vários aspectos, considero que as reflexões de Reich sobre o tema podem ser extremamente úteis em nossos tumultuados dias, principalmente pelas questões que levanta, mais do que pelas respostas que encontra.
O autor coloca da seguinte maneira o problema. Se assumirmos que a compreensão da sociedade realizada por Marx esteja correta – isto é, que o desenvolvimento da sociedade capitalista e suas contradições leva à possibilidade de sua superação revolucionária (o que implica a conformação do proletariado como um sujeito consciente de sua tarefa histórica) –, a questão que se coloca é como compreender o comportamento político de amplos setores da classe trabalhadora que efetivamente estão servindo de base para a reação política que emergia com o fascismo...[ler mais]
O PS e algumas realidades incontornáveis 06-2018
O PS fez o seu congresso onde revelou, para quem ainda tivesse dúvidas, ao que anda na realidade, o que é que o move; e o que o faz mexer é a ânsia de bem servir o patronato e o capitalismo. É o chefe que o afirma: “o PS é o partido que melhor governa a economia e as finanças públicas". E mais ainda, para os mais cépticos, conseguiu (diz ele) “virar a página da austeridade sem sair do euro; na verdade, não se saiu do euro porque foi necessário manter a austeridade, e a página não foi virada, simplesmente maquilhou-se a dita com pequeníssimas concessões em relação ao roubo descarado que foi perpetrado até final de 2015, e que ainda se mantém. A austeridade segue agora, e nem será por muito mais tempo porque nova crise virá aí, em dose suave.
E a prova cabal e mais recente de que o PS é um instrumento dócil nas mãos dos capitalistas nacionais é o facto de ter sido aprovado, a nível da concertação social, e em breve no Parlamento, as alterações à lei laboral com a perpetuação da precariedade, contratos a prazo e baixos salários, e uso e abuso dos estágios e períodos experimentais, já com o acordo prévio do BE, mantendo todas as reformas feitas ao Código do Trabalho até agora sob a argumentação da crise.
E foi no Congresso que o PS relança a sua campanha eleitoral, já em marcha franca, dirigindo-se à juventude com mais uma tida “questão fracturante”, a eutanásia, que teve para já o condão de empurrar para o mesmo lado, apesar do chumbo parlamentar de que todos estavam à espera, as forças mais reaccionárias da sociedade portuguesa, colocando lado a lado a hierarquia católica ultramontana, que ridiculamente chegou a agitar o perigo de genocídio, a múmia quer passou por Belém, o ex-chefe pafioso e o PCP, mais preocupado em manter o seu eleitorado da província e de idade mais avançada, que, diga-se de passagem, é a sua principal base social de apoio, do que propriamente afirmar a sua “visão humanista” da vida.
O PS marcou pontos, levantou uma questão fracturante, mostrou ser um partido moderno, que se preocupa com a juventude e não ficou com o ónus da aprovação da eutanásia, a iniciativa não passou de uma manobra de marketing, e vai tentar chegar à maioria absoluta, embora não o admita. Contudo não consegue esconder que não passa de um conjunto de homens de mão do capital, como também ficou provado com a história das incompatibilidade do ministro Siza Vieira e do beija-mão à fräuhlein Merkel que veio visitar o seu protectorado à beira-mar plantado... [ler mais]
Copa do Mundo na Rússia, 2018: EUA detestam ser postos à margem de grandes eventos (MK Bhadrakumar, Asia Times) 06-2018
«Eventos esportivos são grandes ocasiões para projetar "soft power". Adolf Hitler realizou os Jogos Olímpicos de Berlin em 1936 para projetar a imagem de uma Alemanha benigna, amante da paz. Todo o ocidente acorreu a participar, sem qualquer reserva.
Mas quando se trata da Rússia, o legado dos dois eventos lá realizados vem envolto em controvérsia política – os Jogos Olímpicos de Verão de 1980 em Moscou e os Jogos Olímpicos de Inverno de 1994 em Socchi.
Em 1980, o ocidente liderado pelos EUA boicotou o evento, em protesto contra a intervenção dos soviéticos no Afeganistão. E em 1994, o ocidente roubou os holofotes dos Jogos Olímpicos de Inverno em Sochi, depois da mudança de regime na Ucrânia, que gerou uma cascata de sanções dos EUA e da União Europeia contra a Rússia.
Mas Vladimir Putin é confesso homem dos esportes, e a Rússia vê-se agora como anfitriã do evento esportivo mais charmoso do planeta – a Copa do Mundo de Futebol da FIFA 2018, de 14/6 a 15/7.
Moscou deve ter respirado aliviada, porque dessa vez não há boicote ocidental e três equipes europeias são de fato as favoritas para levar o troféu, com as casas de aposta prevendo a vitória de Alemanha (9/2), França (11/2) e Espanha (7/1). O presidente francês Emmanuel Macron disse em São Petersburgo semana passada que planeja visitar novamente a Rússia, se a França chegar à final.
Contudo, a grande questão é se Washington admitirá que Putin se beneficie de uma Copa do Mundo bem-sucedida. Os russos devem estar roendo unhas, sem tirar os olhos, ansiosos, de Síria e Ucrânia. Da Síria, pode vir qualquer tipo de 'evento', de qualquer lado – um ataque terrorista, algum ataque humilhante contra algum interesse russo importante ou algum movimento mais alucinado dos militares norte-americanos ativos na Síria. Mas a probabilidade é baixa.
A Rússia está em alerta máximo e está cobrindo atualmente os pontos cruciais na Síria. Em semanas recentes, grandes aviões russos de carga têm sido vistos entregando grandes quantidades de armas. Em termos políticos também, os alinhamentos na Síria são de tal ordem que é altamente improvável qualquer arrufo mais grave, ali, entre Rússia e o ocidente...[ler mais]
Dez previsões de Karl Marx que definem o século XXI 05-2018
«Cada vez que ressoam os alarmes de uma crise econômica, disparam-se as vendas dos livros de Karl Marx. E é que poucos como este pensador alemão do século XIX, perceberam o funcionamento do capitalismo e suas consequências para a humanidade.
Ainda que a maquinaria hegemônica tente anular as análises de Marx e decretar a morte das ideias às quais dedicou sua vida, o marxismo resiste a prova do tempo e confirma sua validez, não só como método para entender o mundo, mas também como ferramenta para transformá-lo.
Completando-se se dois séculos após o seu nascimento, o semanário Granma Internacionalpartilha dez previsões de Karl Marx que estão marcando o ritmo do século XXI.
A CONCENTRAÇÃO E CENTRALIZAÇÃO DO CAPITAL
No livro O Capital, sua obra de topo, Marx define o método de reprodução das riquezas no capitalismo e prevê a tendência de se concentrar e centralizar.
Se o primeiro aspeto se refere à acumulação da mais-valia — o extra do trabalho dos operários, que é apropriado pelo proprietário — o segundo termo consiste no aumento do volume do capital, em consequência da mistura de vários capitais em um, quase sempre pelo resultado das falências ou as crises econômicas.
As implicações desta análise são demolidoras para os defensores da capacidade da “mão cega do mercado” para distribuir as riquezas.
Tal como previu Marx, uma das características do capitalismo no século XXI é a crescente diferença entre ricos e pobres. Segundo o último relatório da Oxfam, 82% da riqueza mundial gerada durante 2017 ficou nos bolsos de 1% mais rico da população, entretanto 50% mais pobre — 3.7 bilhões de pessoas — não recebeu nada deste crescimento.
A INSTABILIDADE DO CAPITALISMO E AS CRISES CÍCLICAS
O filósofo alemão foi um dos primeiros que percebeu que as crises econômicas não eram erros do sistema capitalista, mas sim uma das suas características intrínsecas.
Ainda hoje se tenta vender uma ideia bem diferente.
Contudo, desde a queda da bolsa de 1929 até a crise dos anos 2007 e 2008, há uma clara linha de comportamento que seque as diretrizes traçadas por Marx. Daí que, inclusive, os magnatas de Wall Street terminem apelando às páginas de O Capital para acharem algumas respostas.
A LUTA DE CLASSES
Talvez uma das ideias mais revolucionárias do marxismo fosse sua compreensão de que “a história de todas as sociedades até hoje, é a história da luta de classes”, como se lê no Manifesto Comunista, escrito por Karl Marx e Friedrich Engels, no ano 1848.
Essa tese pôs em crise o pensamento liberal. Para Marx, o Estado capitalista é mais uma ferramenta da classe hegemônica para dominar o resto, ao tempo que se reproduzem seus valores e sua própria classe.
Século e meio depois, ainda se estão travando as lutas sociais entre 1% que segura as rédeas do poder e os outros 99%... [ler mais]
Denunciar las injusticias no es delito 05-2018
«Pues en el Estado español hay muchos cantantes y raperxs que nunca pisarán la cárcel por sus canciones, sino por denunciar en éstas las injusticias sociales, el bochornoso despilfarro de los Borbones a costa del erario público y sus oscuros negocios con el genocida Estado Saudí, la desatención sanitaria y el exterminio de lxs presxs políticxs, las torturas de las fuerzas represivas en cuarteles y comisarías, la ejecución de inmigrantes en aguas del Mediterráneo, y por señalar a lxs culpables de las numerosas lacras que padecemos la clase obrera y trabajadora y los amplios sectores populares.
El régimen que padecemos es enemigo de la cultura popular y el arte, como demostró asesinando a los poetas Miguel Hernández y Lorca, entre otrxs. Sobre todo, cuando es utilizado como herramienta de lxs oprimidxs para crear conciencia y denunciar los abusos del poder. Dicho arte popular, crítico y reivindicativo, puede contener mensajes más ambíguos o más afilados y explícitos. Es por estos últimos, y por tomar partido por lxs oprimidxs, y hacer suyos sus padecimientos, por lo que estos raperos ván a pasar varios años en prisión. Por ese mismo motivo, todo verdadero demócrata debe prestarle su solidaridad y exigir su libertad y la de todxs lxs presxs políticxs.
En la misma línea debemos situar a lxs numerosxs tuiterxs, humoristas, actores/actrices, escritorxs, artistas gráficxs, periodistas de medios alternativos que, por realizar obras satíricas, humor negro, denunciar la brutalidad policial, etc…han sido censuradxs, multadxs o encarceladxs.
Sin embargo, lo más significativo es que dicha falta de libertad de expresión no afecta a todxs por igual, como nos quieren hacer creer.
Mientras a nosotrxs nos procesan por contar chistes de fascistas como Carrero Blanco o por denunciar al régimen y sus políticas profundamente anti-obreras y anti- populares de sus gobiernos de turno, elementos como el “Rambo del Bierzo” u organizaciones como el “Frente Antisistema de Valencia”, que poseen armas de guerra, lanzan amenazas de muerte y vierten su ideología nazi-fascista, son absueltxs. Por lo tanto, no se trata de que en el Estado español no haya libertad de expresión, o de que tal artista se haya “excedido” en su mensaje, es que en este Estado siempre nos tenemos que “moderar” lxs mismxs, de tal forma que si criticas a la Monarquía serás procesadx por injurias a la Corona, si denuncias a un explotador serás procesadx por amenazas y si te posicionas a favor de las presas políticas y sus organizaciones revolucionarias serás condenadx por enaltecimiento del terrorismo...[ler mais]
A História Russa do Dia-V (ou a História da Segunda Guerra Mundial poucas vezes Ouvida no Ocidente) - Michael Jabara Carley 05-2018
«A cada 9 de Maio, a Federação Russa celebra o seu mais importante feriado nacional, o Dia da Vitória, "den´pobedy". Nesse dia, em 1945, o Marechal Georgy Konstantinovich Zhukov, Comandante da 1ª Frente Bielorrussa, que atacara Berlim, recebeu a rendição Alemã incondicional. A Grande Guerra Patriótica durara 1418 dias de inimaginável violência, brutalidade e destruição. Desde Stalingrado, do norte do Cáucaso e da periferia noroeste de Moscovo até às fronteiras ocidentais da União Soviética, a Sebastopol no sul, Leningrado e as fronteiras com a Finlândia, no norte, o país fora devastado. Uns estimados 17 milhões de civis, homens, mulheres e crianças haviam morrido, embora ninguém jamais saiba os números exactos. Aldeias e cidades foram destruídas; as famílias foram dizimadas sem restar ninguém para lembrá-las ou chorar a sua morte.
Dez milhões, ou mais, de soldados Soviéticos morreram na luta para expulsar o monstruoso invasor Nazista e finalmente ocupar Berlim, no fim de Abril de 1945. Os mortos do Exército Vermelho ficaram sem enterro em milhares de lugares ao longo das rotas para o ocidente ou em valas comuns anónimas, não tendo havido tempo para identificação adequada e enterro. A maioria dos cidadãos Soviéticos perdeu membros da família durante a guerra. Ninguém escapou sem ser afectado.
A Grande Guerra Patriótica começou às 3h30 do dia 22 de Junho de 1941, quando a Wehrmacht Nazista invadiu a União Soviética, ao longo de uma frente estendendo-se do Báltico ao Mar Negro com 3,2 milhões de soldados Alemães, organizados em 150 divisões, apoiadas por 3.350 tanques, 7.184 peças de artilharia, 600.000 camiões, 2.000 aviões de guerra. Forças Finlandesas, Italianas, Romenas, Húngaras, Espanholas, Eslovacas, entre outras, acabaram por se juntar ao ataque. O Alto-comando Alemão calculou que a Operação Barbarossa levaria apenas 4 a 6 semanas para acabar com a União Soviética. No Ocidente, as Inteligências militares dos EUA e da Inglaterra estavam de acordo. Além disso, que força tinha conseguido bater a Wehrmacht? A Alemanha Nazista era o colosso invencível. A Polónia havia sido esmagada em poucos dias. A tentativa Anglo-Francesa de defender a Noruega fora um fiasco. Quando a Wehrmacht atacou a ocidente, a Bélgica apressou-se a desistir da luta. A França colapsou em poucas semanas. O Exército Britânico foi expulso de Dunquerque, nu, sem armas ou camiões. Na Primavera de 1941, a Jugoslávia e a Grécia desapareceram em questão de semanas, com pouco custo para os invasores Alemães.
Onde quer que a Wehrmacht avançasse na Europa, era um passeio... até aquele dia em que os soldados Alemães atravessaram as fronteiras Soviéticas... [ler mais]
1968: A greve geral e a revolta estudantil na França (Peter Schwarz) 05-2018
«É provável que não haja um evento histórico que tenha chamado tanto a atenção do público quanto o aniversário dos levantes de 1968. Nas últimas semanas, centenas de artigos, entrevistas, documentários e filmes foram lançados sobre os protestos estudantis e sobre as lutas operárias que ocorreram naquele ano. Certamente, na Alemanha, o aniversário teve mais cobertura do que qualquer outro a que se compare.
Como se explica este interesse pelos eventos de 1968?
A resposta tem menos a ver com o passado do que com o presente e o futuro. O ano de 1968 não foi caracterizado apenas por meras “revoltas estudantis” que balançaram os EUA, Alemanha, França, Itália, Japão, México e muitos outros países. Ele foi o prelúdio da maior ofensiva da classe trabalhadora internacional desde o fim da Segunda Guerra. Esta ofensiva durou sete anos, assumindo em diversas ocasiões formas revolucionárias, forçando a renúncia de governos, trazendo abaixo ditaduras e abalando o sistema de dominação burguesa em suas bases.
Isto foi mais visível na França, onde em maio de 1968 dez milhões de trabalhadores tomaram parte em uma greve geral, ocuparam fábricas e levaram o governo do General Charles de Gaulle a ficar de joelhos. Em 1969, as chamadas greves de setembro aconteceram na Alemanha, e a Itália sofreu um “outono quente” de confrontos industriais. Os EUA presenciaram imensas passeatas do movimento de direitos humanos contra a guerra e rebeliões em guetos urbanos. Na Polônia e Tchecoslováquia – a Primavera de Praga – trabalhadores se revoltaram contra a ditadura stalinista. Nos anos 70, ditaduras de direita foram derrubadas na Grécia, Espanha, e Portugal. Durante o mesmo período, o exército americano sofreu uma derrota humilhante no Vietnã.
O pano de fundo destes eventos era a primeira crise profunda da economia capitalista desde a Segunda Guerra. Em 1966 uma recessão abalou a economia mundial. Em 1971, o governo americano quebrou o lastro existente entre o dólar e o ouro, despindo, assim, a base do sistema monetário inaugurado em Bretton Woods em 1944, que havia estabelecido os moldes para o boom do pós-guerra. Em 1973, a economia mundial afundou-se ainda mais na recessão... [ler mais]
2019, o Orçamento, a Campanha & Companhia 05-2018
Estamos em plena campanha eleitoral. Costa desdobra-se em entrevistas e faz o seu jogo, “o dinheiro é pouco”, dá para reposicionar os funcionários públicos em mais um escalão, não dá para subida dos salários, já que é necessário contratar mais trabalhadores para o estado e, subentende-se, continuar a combater o desemprego, deixando assim os partidos do apoio parlamentar a nadar em seco. O BE ficou sem palavras e o PCP enfiou os pés pelas mãos, misturando aumentos salariais com ajudas à banca; e, entre eles, digladiam-se a fim de se saber quem foi afinal o autor da revindicação das 35 horas semanais, consigna que, na prática, tem ficado meramente nas palavras. E, mais ainda, o presidente-rei veio a terreiro, coisa corriqueira, avisar que haverá eleições antecipadas se o Orçamento de Estado de 2019 não for aprovado. O nosso primeiro-Costa segue a mesma linha, se houver chumbo do OE e eleições antecipadas, o ónus ficará para os autores da situação de crise. A dita “esquerda parlamentar”, encontrando-se entalada, lá vai dando uma de esquerda com a convocação de umas greves que acabam antes de começar, como bem ficou patente na greve dos trabalhadores da saúde que foi adiada lá para Junho e dos trabalhadores do Metro de Lisboa que, mal tendo sido agendada, foi suspensa na sequência de “uma reunião com a tutela”, sem nada se ter obtido de concreto; estão em causa a contratação de mais trabalhadores (coisa que o Costa até parece defender para a administração pública, parece!) e aumentos salariais, e aqui é que estará o problema, é que aumentando os funcionários públicos, Costa dá sinal claro para o aumento geral dos salários no sector privado, assunto que não está no contrato que se estabeleceu para a formação deste governo minoritário e que ainda não inspira confiança suficiente à nossa burguesia e aos mandantes de Bruxelas.
Costa ufana-se de ter “reposto” os salários, por eliminação da sobretaxa do IRS, e o horário das 35 horas, e ter descongelado as carreiras em suaves prestações de molde a apanhar a data das eleições legislativas e, desse modo, garantir mais uns milhares de votos, contrapondo que se fosse o PSD, nada disto teria acontecido e que os cortes quer nos salários quer nas reformas seriam para continuar. O homem joga os seus trunfos, contando com a vitória fácil e – por que não? – com a maioria absoluta, já que o PSD com a sua nova direcção não apresenta alternativas de fundo. Nos próximos tempos, e segundo a previsão no Programa de Estabilidade, são garantidos para os trabalhadores da administração pública 350 milhões de euros – é o rebuçado eleitoral. O Costa do PS, contudo, não diz, que a partir de 2020, com o fim da compra de dívida pública pelo BCE aos bancos privados, o que tem sido uma excelente fonte de receitas para os ditos, e pelo arrefecimento da economia capitalista, que já se está a começar a sentir, depressa se voltará à austeridade pura e dura. E regressará o discurso oficial de Bruxelas, tal como está a acontecer no vizinho estado espanhol, de que o défice das contas públicas existente é devido aos “elevados salários” e ao “gasto excessivo” com a Saúde, a Educação e a Segurança Social. E, atenção!, Costa já referiu que a austeridade ainda não acabou. E os “opositores” são compreensivos, Rio não exige a demissão do governo, a propósito da má prestação do titular da pasta da Saúde, não estará nos seus princípios, diz o homem, e o BE e PCP, apesar dos arrotos reivindicativos, vão respeitando a paz social... [ler mais]
A persistente validade e vitalidade do marxismo (José Maria Sison) 05-2018
«Eu presumo que a melhor forma de nós celebrarmos o 200º aniversário de Karl Marx é estudando sua obra e a importância de seus ensinamentos revolucionários para a história social da humanidade e para a conjuntura atual, considerando a persistência da validade e da vitalidade de seu ensino.
Nós fizemos uma crítica renovada do capitalismo e do capitalismo monopolista; esforçamo-nos para revigorar o movimento revolucionário do proletariado e demais classes populares para dar um fim à monstruosidade que se tornou o capitalismo monopolista e concretizar a fase de transição ao comunismo, o socialismo. Como Marx há muito nos dissera, a questão é transformar o mundo.
Com 26 anos, Marx abraçou totalmente a causa comunista do proletariado em 1844. Esse foi o ano em que ele publicou seus Manuscritos Econômicos Filosóficos, onde ele apontou para o processo desumano do capitalismo, através do qual a classe capitalista aliena do proletariado dos produtos de seu trabalho, e deste modo, acumula capital. Este é o trabalho “morto” não remunerado que é usado para dominar e explorar o trabalho vivo nos ciclos de produção e exploração capitalista posteriores.
Foi também em 1844 que Marx iniciou sua parceria e camaradagem vitalícia com Engels, cujo trabalho As Condições da Classe Trabalhadora na Inglaterra o impressionara profunda e imensamente. Ele e Engels concordaram em colaborar na pesquisa e no trabalho teórico, em conexão com o movimento político das classes trabalhadoras.
O Marxismo como a teoria da Revolução Proletária
Marx formulou a teoria da Revolução Proletária na estrada do desenvolvimento da civilização. Ele extraiu dos campos mais avançadas de conhecimento de sua época as três fontes constitutivas do marxismo: a filosofia materialista, economia política e a ciência social (socialismo utópico). Ele usou estes campos como armas integrais do proletariado, pela sua conscientização de sua condição e para libertarem-se a si mesmos e ao resto da humanidade... [ler mais]
Jerusalén, la Nakba y Eurovisión (Tania Lezcano) 05-2018
«El 14 de mayo, Israel asesinó a 60 personas en la frontera con Gaza e hirió a más de 2.700. Mientras tanto, Estados Unidos inauguraba su embajada en Jerusalén, lo que abre un importante conflicto internacional. ¿Cuál es la relación entre Jerusalén, la Nakba («catástrofe» palestina) y Eurovisión?
Dos imágenes. Dos imágenes tomadas el mismo día, el 14 de mayo de 2018, en Palestina. Dos imágenes, sin embargo, muy diferentes. En una, personajes relevantes de la política estadounidense e israelí inauguran en Jerusalén la embajada de Estados Unidos, recién trasladada desde Tel Aviv, en un acto de gran pomposidad. En la otra imagen, un hombre palestino lleva a un compañero en brazos, huyendo de las balas israelíes en Gaza. Y es que, en un mismo día, Israel asesinó a 60 palestinos e hirió a más de 2.700 en la frontera con Gaza. Allí, alrededor de 40.000 personas se concentraron ayer para protestar precisamente contra esta acción de Donald Trump. Pero, ¿por qué?
Hace apenas unos días, Israel ganaba el festival de Eurovisión. Aunque parezca irrelevante e inconexo, nada más lejos de la realidad. Al ganar, la cantante israelí, Netta Barzilai, dijo claramente: «Gracias. Amo a mi país. ¡La próxima vez, en Jerusalén!» Al primer ministro, Benjamin Netanyahu, le faltó tiempo para felicitar a la cantante en un tuit: «Netta, has traído mucho respeto al Estado de Israel. ¡El próximo año en Jerusalén!»
Como es lógico, la victoria de Israel en el festival —por muy valiente que sea la letra de la canción— no es casualidad, precisamente el año en que Trump decide romper con una situación que ni los líderes más conservadores del pasado se han atrevido: reconocer oficialmente Jerusalén como capital de Israel. Y precisamente el año en que se cumplen, para Israel, 70 años de su creación. Y, para Palestina, 70 años de la Nakba («catástrofe»), el inicio de la expulsión del pueblo palestino y que aún continúa. Pero, ¿por qué tanto revuelo? Recordemos... [ler mais]
“No entanto ela se move”: comunismo como movimento real (Iuri Tonelo) 05-2018
«Ao definir comunismo como “movimento real” Karl Marx e Friedrich Engels buscavam expressar dois pontos decisivos: que o comunismo não era uma ideia acabada de um gênio isolado e nem um ato de vontade arbitrária.
O comunismo é expressão material da formação do proletariado e o desenvolvimento de sua atividade coletiva, e na medida em que avança historicamente esse desenvolvimento, choca-se profundamente contra os pressupostos (exploração do trabalho) e relações materiais da sociedade existente. Um choque que só pode levar ou à manutenção dessas relações através de acirrar as contradições ou ao aniquilamento desses pressupostos, ou seja, ao questionamento da sociedade de cima a baixo, à revolução social.
Mas os objetivos comunistas não se restringem a revolução socialista: essa é uma primeira etapa, decisiva, do processo de emancipação dos trabalhadores, mas esse processo só pode se dar em escala internacional, a partir de uma revolução que começa na esfera nacional, se estende a dimensão internacional e termina na arena mundial. Apenas dessa forma a humanidade pode colocar no seu horizonte, além de destruir o Estado capitalista e as relações de exploração do trabalho - objetivos imediatos da revolução social - almejar também criar condições societais em que se extinga a divisão de classes na sociedade, o Estado sob qualquer forma, o valor, o dinheiro, todas as formas de opressão - desenvolvendo as forças produtivas em abundância, em harmonia com os objetivos da humanidade e da natureza, criando condições para que se libere a humanidade de todas as travas e que possamos realmente alçar como bandeiras da sociedade comunista mundial os dizeres que Karl Marx retoma em 1871, segundo o qual “De cada um segundo suas capacidades, para cada um segundo suas necessidades”.
Tendo isso em vista, o comunismo desenvolveu uma teoria, uma concepção científica e dialética de mundo que oferece ao proletariado um instrumento no sentido de sua emancipação: o marxismo. Está é, portanto, a teoria da revolução proletária, ou seja, uma concepção do mundo, uma crítica da economia política, uma política e uma estratégia socialistas que melhor correspondem a antinomia expressa no seio da sociedade burguesa, entre as forças produtivas e as relações de produção. A rigor, a única concepção teórica que não optou por conciliar o irreconciliável ou se partidarizar pelas visões de mundo funcionais a classe dominante: o marxismo só foi possível a partir do momento em que o proletariado começou a surgir como resposta política à contradição da sociedade capitalista...[ler mais]
Nossa resistência frente ao Nakba (Hassan Felix) 05-2018
«Em árabe, a palavra para desastre é "Al-Nakba" e tem o significado específico de "desgraça, catástrofe ou calamidade", mas com o artigo "al" no árabe seria "A Calamidade", o desastre ou a catástrofe máxima, o referente. Além disso, em sua raiz etimológica, significa "algo que cai", é por isso que esta palavra deriva de "ombro", que cai acima dos ombros e não pode mais suportar, e isso também significa desviar-se de um caminho. Esse sentido metafórico nos ajuda a entender que Nakba é "um peso que caiu sobre os ombros e não pôde continuar a durar". 
O desastre para os povos colonizados é uma circunstância histórica envolvidos pelo infortúnio, pela sobrevivência e na luta pela resistência. A expulsão de 80% da população palestina de suas terras através da violência sionista em 1948 (uma invasão oficializada pela ONU) foi possível devido a um plano político militar baseado em massacres e destruição em massa de cidades, aldeias e bairros. Esse plano ficou conhecido como "Plano Dalet", que, segundo historiadores como Walud Khaludi e Illan Papé, buscou a expulsão dos palestinos para a construção do Estado de Israel.
Estas operações de demolição de aldeias em toda a Palestina histórica e a expulsão violenta de seus habitantes, assim como assassinatos, foram conduzidas pelas Brigadas terroristas de Yitzhak Rabin, que mais tarde tornou-se primeiro-ministro e, na arena internacional, foi condecorado com o Prêmio Nobel da Paz. O reconhecimento de personagens violentas por autoridades e governos coloniais tem sido uma prática através da qual os poderes legitimam massacres e saques.
São 70 anos desde o início oficial da Nakba (pois esta catástrofe precede 1948) e as políticas de assentamentos ilegais israelenses, demolições de casas, a expulsão dos palestinos de suas legítimas terras e as mudanças toponímicas e geográficas continuam. Como Moshe Dayan (Ministro da Defesa de Israel em 1967) reconheceu: "não há vila, cidade ou cidade em Israel que hoje não tenha um nome hebraico, que anteriormente não possuía um nome árabe (...) devemos reconhecer que nosso país foi construído sobre os árabes "... [ler mais]
El 9 de mayo inspira a los pueblos y les enseña creer en su fuerza (KKE) 05-2018
«La Segunda Guerra Mundial, tal como la Primera, fue el resultado de una gran agudización de las contradicciones y de los antagonismos entre los Estados capitalistas por la nueva división del mundo. Un factor determinante que agudizó aún más las contradicciones interimperialistas fue la existencia de la URSS (Unión de Repúblicas Socialistas Soviéticas). El objetivo común de los Estados capitalistas, fascistas y no fascistas, fue aplastar el primer Estado obrero en el mundo, la URSS.
Hoy, 73 años después del final de la II Guerra Mundial, de nuevo los antagonismos imperialistas se están agudizando en todo el mundo, particularmente en nuestra región, centrándose en los recursos energéticos y las rutas de transporte de energía. Esto queda en evidencia en las decenas de guerras locales y regionales, las intervenciones imperialistas, con los pueblos siendo las víctimas, y con miles de refugiados y desarraigados. Se confirma que cuando las contradicciones de los monopolios por el control de los mercados y su rentabilidad no se pueden resolver mediante "guerras comerciales", medidas antipopulares, y compromisos frágiles en el marco de una "paz" imperialista, se resuelven a través de la guerra imperialista. Los pueblos deben estar atentos, fortalecer su solidaridad, la lucha común, ya que está creciendo el riesgo de una guerra más generalizada, incluso con la implicación de Grecia.
El gobierno SYRIZA-ANEL tiene grandes responsabilidades, porque está arrastrando el país aún más profundamente en esta masacre, a favor de los intereses del gran capital local, continuando la política de los anteriores gobiernos antipopulares de la ND y del PASOK. Ha convertido al país en un punto de partida de la OTAN, ha avanzado a la modernización y expansión de las bases de EE.UU. y de la OTAN en Grecia, participa en la pugna por la distribución del "botín".
La contribución de la Unión Soviética a la Victoria Antifascista y a la derrota del nazismo-fascismo fue grande, con más de 20 millones de personas muertas, mientras que los países capitalistas que ganaron la I Guerra Mundial ofrecían una ayuda importante a la Alemania nazi para utilizarla como una fuerza para derrotar la Unión Soviética.
Las batallas victoriosas del Ejército Rojo demostraron la superioridad del sistema socialista, del poder obrero, las ventajas de la socialización de los medios de producción y de la planificación central de la economía. Gracias a estas ventajas, la Unión Soviética pudo convertirse en una potencia económica poderosa y crear un ejército popular combativo... [ler mais]
KARL MARX 200 ANOS (Ricardo Costa - PCB) 05-2018
«Marx e Engels foram procurados por dirigentes que buscavam um novo caminho para o movimento operário e defendiam a reorganização da Liga, sob bases programáticas diferentes das até então predominantes. Joseph Moll, em nome da “Autoridade Central da Liga dos Justos”, já havia estabelecido contatos, em janeiro de 1847, com a intelectualidade revolucionária espalhada pela Europa, ocasião em que se encontrou com Marx em Bruxelas e Engels em Paris, resultando daí o ingresso de ambos na Liga dos Justos. Foi então convocado um congresso para os meses de maio e junho daquele ano, que deveria contar com a participação de seguidores daquelas ideias em diversos países. No congresso realizado em Londres, Engels presente, foi aprovada a conversão da Liga dos Justos em Liga dos Comunistas.
Um segundo congresso foi convocado, especificamente para tratar da reestruturação da Liga e de suas propostas programáticas. Ampla discussão foi travada entre seus membros até que, novamente em Londres, delegados de vários países europeus reuniram-se, entre 29 de novembro e 08 de dezembro de 1847, e incumbiram Marx e Engels, eleitos para a direção central da Liga, de redigirem o manifesto do programa, o qual ficou pronto em janeiro do ano seguinte. Os primeiros três mil do Manifesto do Partido Comunista, em alemão, foram publicados em Londres, em fevereiro de 1848.
O Manifesto representou, no plano teórico-político, uma marcante viragem histórica: é nele que se apresentava, de maneira inédita, um projeto social organicamente integrado a uma perspectiva de classe, trazendo para a cena política o proletariado, que começava a se organizar de forma autônoma. Até então, frequentemente as demandas dos segmentos vinculados ao trabalho apareciam indistintas dos projetos burgueses, misturadas à aspiração revolucionária da igualdade, da fraternidade e da liberdade, palavras de ordem dos movimentos que atuaram na Revolução Francesa, sob a liderança da burguesia
No século XIX, o avanço do capitalismo e da luta de classes expunha mais claramente o antagonismo entre capital e trabalho, desnudando os limites do mundo burguês, no qual a liberdade se restringia à livre concorrência no mercado, a igualdade se esgotava na formalidade jurídica, e a fraternidade se resolvia apenas na retórica e no moralismo. No momento em que começava a se dar a ruptura do bloco histórico que havia destruído a ordem feudal, o projeto comunista do Manifesto apresentava-se como aspiração à construção de uma nova sociedade, em que “o livre desenvolvimento de cada um é a condição para o livre desenvolvimento de todos”... [ler mais]
1º DE MAIO 2018: CARA A FOLGA XERAL NA GALIZA 05-2018
«"Era umha demanda de boa parte da base social do sindicalismo galego, e praticamente do conjunto das organizaçons independentistas: a CIG decidiu-se finalmente à convocatória dumha greve geral nacional, no ano em que se cumpre umha década do conhecido crack financeiro, que levara à maior vaga de curtes sociais dos últimos tempos." Depois da jornada de luta do 1º de Maio.
1º DE MAIO 2018: CARA A FOLGA XERAL NA GALIZA (Galiza Nova):
"Non hai alternativas… no capitalismo!
Este 1º de maio contra o goberno, a UE e a patronal. Todas á rúa pola Folga Xeral!
Neste 1 de maio dende Galiza Nova chamamos a mocidade traballadora galega a participar das mobilizacións convocadas pola Confederación Intersindical Galega.
As actuais políticas do Partido Popular no Estado Español e na Xunta, están batendo con forza entre a mocidade. O desemprego en Galiza continúa a empeorar batindo récords históricos. Porén, o problema real reside na precarización dos contratos. Os contratos temporais ou a tempo parcial seguen a aumentar, é dicir, que a gran maioría das traballadoras que actualmente accede a un posto de traballo faino durante un mes, unha semana ou mesmo días. Mentres, moitas mozas vense obrigadas a coller as maletas e emigrar, ao non teren unha alternativa real na nosa terra.
Desde Galiza Nova, esiximos a posta en marcha de políticas protudivas que garantan os nosos dereitos, como son a eliminación das Empresas de Traballo Temporal, a eliminación das horas extra e redución da xornada laboral a 35 horas, ou a inmediata derrogación das reformas laborais aplicadas polo PSOE e o PP. Apostamos por unha Galiza que sexa capaz de producir postos de traballo dignos e estábeis para a mocidade, garantindo a independencia das mozas e o seu futuro na nosa terra.
É por iso que dende Galiza Nova apostamos pola convocatoria dunha folga xeral na Galiza, apoiando a campaña a prol da súa convocatoria que está a levar a cabo a CIG. A folga xeral é o instrumento da clase traballadora para conquistar os seus dereitos a través da mobilización e a loita na rúa, para conquistar un futuro mellor... [ler mais]
A tentativa de depuração da obra de Marx (Gabriel Henrique) 05-2018
«"Dá-se com a doutrina de Marx, neste momento, aquilo que, muitas vezes, através da História, tem acontecido com as doutrinas dos pensadores revolucionários e dos dirigentes do movimento libertador das classes oprimidas. Os grandes revolucionários foram sempre perseguidos durante a vida; a sua doutrina foi sempre alvo do ódio mais feroz, das mais furiosas campanhas de mentiras e difamação por parte das classes dominantes. Mas, depois da sua morte, tenta-se convertê-los em ídolos inofensivos, canonizá-los por assim dizer, cercar o seu nome de uma auréola de glória, para “consolo” das classes oprimidas e para o seu ludíbrio, enquanto se castra a substância do seu ensinamento revolucionário, embotando-lhe o gume, aviltando-o.” (Lênin, O Estado e a Revolução, 1917).
Estas palavras de Lênin, que estão presentes no começo de “O Estado e a Revolução” nunca foram tão atuais e verdadeiras; a obra de Marx, desde há algum tempo, tem sido alvo de “depuração” por parte das classes dominantes de todos os países. Trata-se da tentativa de enfatizar o aspecto “atual” da obra de Marx, sempre deixando claro que o caminho revolucionário, apontado por ele, de superação do capitalismo, foi um caminho fracassado.
Em O Capital, sua obra mais importante, Marx coloca que o capitalismo se baseia na existência de milhões de despossuídos, que por não terem meios de produção têm de vender sua força de trabalho àqueles que são detentores privados destes meios de produção, os capitalistas. Ora, ao estabelecer essa relação formal de venda da força de trabalho, por meio de um contrato firmado entre ambas as partes, o capitalista, como comprador, passa a dispor do consumo dessa força de trabalho, de modo que ele faz o trabalhador trabalhar mais do que necessita para repor o salário firmado em contrato, em uma determinada parte de seu tempo de trabalho ele trabalha de graça para o patrão, essa é a mais-valia.
Neste mesmo livro, na “lei geral da acumulação capitalista”, Marx constata que, no capitalismo, ao mesmo passo que se segue a criação de riqueza, se segue a criação de miséria. Haverá sempre uma massa de trabalhadores supérfluos às necessidades do capital e sujeitos ao pauperismo mais gritante, trata-se dos desempregados; aos trabalhadores que conseguem se empregar a exploração crescente, seja em extensão ou intensão, será a tônica, por mais velada que esteja... [ler mais]
1º de Maio: Dia Internacional de Luta e de Unidade contra o Capital 05-2018
«O sindicalismo reformista fez esquecer que o dia 1º de Maio foi instituído universalmente como o Dia dos Trabalhadores, para assinalar a bravura, a coragem e heroicidade dos operários norte-americanos de Chicago que, no dia 1 de Maio de 1886, deram a sua vida pela jornada das 8 horas diárias, até aí eram forçados a trabalhar 13 horas, que ousaram enfrentar a repressão, alguns foram baleados e outros mais tarde executados pela burguesia. Pergunte-se aos trabalhadores que têm incorporado, e irão incorporar as manifestações obedientes da CGTP ou da UGT no dia de hoje, como nasceu esta data e temos a certeza que menos de 10% saberão responder correctamente, ou, questione-se algum dirigente de qualquer uma das centrais sindicais se está disposto a dar a vida pela classe e temos a certeza que as respostas ainda serão em menor número. É a conciliação e o oportunismo no seu melhor. E é com esta triste realidade que o governo PS/Costa, como lídimo executante dos interesses do capital, conta para aplicar o programa de mais exploração para quem trabalha. A moção de estratégia (“Geração 20/30”) que Costa irá apresentar no próximo Congresso do partido enquadra-se nesta linha de recuperação da economia nacional (capitalista) sob o manto enganador de “combate às desigualdades, desafio demográfico, alterações climatéricas e sociedade digital”.
O 1º de Maio é internacionalista, os operários não têm pátria porque a globalização capitalista torna cada vez mais homogéneas e semelhantes as suas reivindicações. No vizinho estado espanhol, entre os diversos povos e trabalhadores de diferentes nacionalidades, luta-se por reivindicações comuns. Luta-se pela defesa do sistema público de aposentações e contra os cortes nas pensões, ajustadas entre as UGT e CCOO no governo do PSOE e aprovadas durante o actual governo do PP. Luta-se contra o desemprego e o trabalho precário. Luta-se contra a denominada “Lei da Mordaça” que criminaliza a actividade política e social e a livre expressão de opinião. Luta-se pela subida do salário mínimo e da reforma social para os 1000 euros. E, em algumas nacionalidades, luta-se abertamente pela independência, o que não é contraditório, na medida em que se luta pela república e pelo socialismo e porque antes da revolução cada classe operária tem de ajustar contas com a sua burguesia. Luta-se pela igualdade entre géneros, nomeadamente salarial e fim da violência machista. Luta-se pela solidariedade entre povos, em particular com os povos do Médio Oriente e todos os que são vítimas da agressão imperialista. Reivindicações abertamente políticas e aponta-se a rua como local privilegiado de luta.
Em Portugal, luta-se oficialmente para quê ou porquê? A palavra “luta” é praticamente um termo esquecido ou banalizado. Aqui as duas centrais sindicais, uma mais envergonhada do que a outra, defendem a paz social, a defesa do governo, arrepelam-se só de pensar que o governo seja demitido, estão de acordo com o Orçamento de Estado, do qual mamam algumas migalhas directamente ou através dos partidos que as patrocinam e controlam, e não irão dificultar a aplicação do dito “Programa de Estabilidade 2018/22”. Não questionam a permanência de Portugal na UE. Estão com o establishment e aplaudem o capitalismo, do qual exigem simples moralização. O local de luta (ou pretensa "luta" porque não querem outra) para esta gente, rendida às delícias da democracia burguesa saída do 25 de Abril, não são as ruas ou as fábricas e empresas, mas a estrebaria de São Bento...[ler mais]
La única lucha que se pierde es la que se abandona 04-2018
«Pensamos que la mejor respuesta a la deriva oportunista de la Izquierda Abertzale Reformista ya la dio hace más de 50 años el primer militante de ETA que murió en combate, luchando con las armas en la mano contra la dictadura fascista y genocida del general Francisco Franco, y más allá de este objetivo táctico, combatiendo por la Liberación Nacional y Social del Pueblo Trabajador Vasco y a favor de la Revolución Socialista Vasca. Estamos hablando, evidentemente, de Txabi Etxebarrieta.
No tenemos nada que añadir a sus palabras, publicadas para el Primero de Mayo de 1967. La sinceridad, clarividencia y firmeza revolucionarias que muestran hablan por sí solas. Quien quiera leer el texto en su integridad lo puede hacer en: José María Lorenzo Espinosa, “Txabi Etxebarrieta, armado de palabra y obra.”, páginas 249-257. Editorial Txalaparta. 1993.
“… Euskalerria, los vascos, no somos dueños de nuestros propios destinos. Nuestro pueblo no puede desarrollar su personalidad, no tiene en sus manos las fuerzas políticas, socioeconómicas y culturales. (…)
Por esta razón, al ser abertzales, aparecemos como internacionalistas. Al mismo tiempo que combatimos la opresión y que laboramos en pro de la existencia vasca, luchamos a favor de otros pueblos oprimidos y en contra de los que los avasallan. Esto es que en la medida que somos abertzales somos internacionalistas. ¿Por qué? Porque negamos el status quo actual, porque no aceptamos las actuales estructuras. Constatamos que todos los opresores del mundo son idénticos: el colonialismo y el imperialismo son consecuencias del sistema imperialista
Nuestros amos y señores son los Estados francés y español. Todos sabemos que ambos son capitalistas y que por favorecer a sus intereses encadenan a Euskalerria. En la lucha por el establecimiento del socialismo en toda la tierra, ocupamos nosotros un puesto bien determinado: liquidar la fuerza de los estados capitalistas francés y español, incluidos ciertos capitalistas de apellido vasco que con ellos colaboran.
Por esta razón, Aberri Eguna y el Primero de Mayo son idénticos para ETA. Precisamente porque denunciamos la realidad de nuestros días, no nos es permitido hacer diferencias entre estos dos acontecimientos, diciendo que uno es el día de la patria (Euskadi), y el otro, el día de los trabajadores. No. Nuestra lucha es única, así como uno es el pueblo que sufre la opresión. Nuestra meta es la libertad y el desarrollo de los vascos, del pueblo trabajador vasco... [ler mais]
25 de Abril: O proletariado incapaz de aproveitar a crise de poder (Francisco Martins Rodrigues) 04-2018
«O milhom de pessoas nas ruas no 1º de Maio de 74 indicou a força do sentimento democrático no povo, mas também a sua menoridade.
A propósito da ditadura de Salazar, fala-se sempre na PIDE, no campo de concentraçom do Tarrafal, no partido único, na Censura. Di-se menos que ela foi durante décadas apoiada e aceite nom só pola grande burguesia mas pola massa da pequena burguesia e por extensos sectores dos empregados e operários. De outro modo seria impossível umha ditadura manter-se quase meio século no poder com um nível de repressom relativamente baixo (e quando digo “baixo” nom estou a minimizar os crimes do salazarismo mas a pô-los em comparaçom com o franquismo, por exemplo). Isto nada tem de estranho: num país de capitalismo atrasado e patriarcal, é fácil um regime autoritário impor umha “uniom nacional” em torno da ideia da estabilidade e da ordem, abafando as vozes contrárias.
A deslocaçom do sentimento popular contra o regime foi lenta: foi preciso umha luita esgotante e isolada dos sectores operários mais avançados, primeiro os anarquistas, depois e sobretudo os comunistas, com o seu árduo trabalho subterráneo de esclarecimento; foi preciso despertar as grandes massas para a política através das candidaturas oposicionistas de personalidades conservadoras (1949, 1958); mas foi preciso sobretudo a guerra colonial estender-se ano após ano com a perspectiva da derrota à vista – para o movimento contra a ditadura ganhar boa parte da populaçom. Só nos últimos cinco anos, quando o regime, gasto, se abeirava do fim, por nom ser capaz de sair da ratoeira das guerras coloniais, se generalizárom as greves e a oposiçom à ditadura se estendeu a camadas mais vastas da pequena burguesia e do semiproletariado, da Igreja, até de parte da alta burguesia.
Daí o consenso universal em torno do golpe dos capitáns, que leva tanta gente a maravilhar-se com esta revoluçom sem tiros e sem sangue. Esquecem que os cravos em Lisboa fôrom possíveis graças aos tiros e ao sangue dos guerrilheiros africanos.
E por quê, durante décadas, os “democratas”, como eram chamados, hesitárom em passar à acçom? Porque receavam o vazio de poder. Tinham mais medo do povo do que do fascismo. Os 16 anos da I República tinham mostrado como era difícil manter a ordem neste país, nom por o proletariado ser especialmente forte mas por a burguesia ser fraca... [ler mais]
Quarenta e quatros anos de democracia a rodos 04-2018
O 25 de Abril já vai na meia-idade, não faltando muito para entrar na terceira idade, e, muito ao gosto da direita nacional pós-moderna e herdeira directa do fascismo, a revolução já terá perdido o “r”, mantendo a evolução para uma social-democracia de fachada que tem como base e orientação o neo-liberalismo, ou seja, o capitalismo mais desbragado. As consignas que ficaram famosas nos tempos revolucionários de “paz, pão, habitação, saúde, educação” ficaram por realizar em grande parte, salve-se contudo as ditas “democracia” e liberdade”, cinzentas, burguesas para consumo popular. A social-democracia made “PS/Costa/BE/PCP” mitiga a situação e tenta dar outra cor às comemorações deste ano da “revolução dos cravos”. A paz social vendida pelo PCP/CGTP continua garantida. As recordações do PREC não passam de uma melancólica nostalgia, o povo há muito que não vem para a rua exigir uma revolução e não apenas uma mudança de figuras. Iremos a assistir ao PR Marcelo sobrinho do outro, de cravo na lapela, juntamente com os deputados que auferem em média e em termos líquidos mais de oito vezes o salário médio de um trabalhador, dar vivas ao 25 de Abril. A todo o momento esta ópera bufa descambará num fascismo suave, logo que apareça o salvador aguardado.
Passados 44 anos de tremendo susto para as elites nacionais, a “estabilidade” é a principal palavra de ordem. Estabilidade nos partidos dos establishment, estabilidade na política na divisão do saque, estabilidade na economia em geral e estabilidade social, sem fracturas, sem agitações não previstas e controláveis. Para o governo PS/Costa, o recem-apresentado, e já enviado aos amos de Bruxelas para homologação ainda antes de ser aprovado na Assembleia da República, “Programa de Estabilidade” assume uma importância primordial porque, nas palavras governamentais, dá “continuidade à estratégia de política económica e orçamental definida no Programa de Governo” no sentido de um “crescimento económico inclusivo, com coesão social e consolidação sustentável das contas públicas, em benefício das gerações actuais e futuras”. Ou, em português corrente, tomem lá umas migalhas porque a austeridade é para continuar. Uma espécie de “evolução na continuidade” marcelista. O regime saído do 25 de Abril assume diversos aspectos muito semelhantes aos que o regime fascista apresentou no seu período derradeiro que, pelas contradições e fraquezas, já anunciava o seu fim próximo... [ler mais]
Capitalismo: um sistema mórbido (Afonso Costa) 04-2018
«O capitalismo é um sistema moribundo que insiste em sobreviver. Para tanto, emprega as mais nefastas ações como genocídios, assassinatos, roubos, golpes, mentiras, destruição do meio ambiente.
O imperialismo – a fase superior do capitalismo, como definiu Lênin – produziu as maiores mortandades da história. Assim foram com a Comuna de Paris, a primeira e a segunda guerras mundiais, as bombas atômicas no Japão, os bombardeios na Coreia do Norte e no Vietnã, os massacres na África, a criação de Israel no meio da Palestina, a Arábia Saudita, as ditaduras na América do Sul e Central, na África, a ‘Primavera Árabe', entre tantas outras.
Os golpes políticos e as interferências nos processos eleitorais de um número sem conta de países superam qualquer teoria da conspiração – expressão criada pela CIA para descaracterizar as denúncias sobre sua nefasta ingerência. Na América, na África, na Ásia, na Europa e na Oceania, ou seja, nos cinco continentes, a mão do imperialismo se fez e se faz presente, sempre em detrimento dos povos e da democracia.
As consequências são dramáticas: cerca de um bilhão de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza – isso pelo estúpido conceito da ONU, que estabelece apenas cinco dólares por dia (cerca de R$ 16,50, menos de R$ 500,00 mensais) como suficientes para estar fora da pobreza. São centenas de milhões de crianças passando fome, outros tantos de desabrigados, ainda outros na mais extrema miséria, inclusive nos EUA, principal país imperialista.
O capital cumpriu seu papel na primeira e na segunda revolução industrial no desenvolvimento da produção e superação do sistema feudal. Há mais de um século, entretanto, está totalmente superado, representando um entrave ao desenvolvimento da humanidade. Sua contradição intrínseca de baixos salários e manutenção de um exército de mão de obra de reserva (o desemprego) em contradição com sua necessidade crescente de lucro já deu o que tinha que dar. Não há mais espaço para tal ambiguidade, que cria uma desigualdade socioeconômica sem par e coloca em risco a própria sobrevivência da humanidade e do planeta como o conhecemos...[ler mais]
Declaração emitida pelos Patriarcados de Antioquia e todo o Oriente para os Ortodoxos gregos, Ortodoxos sírios e Católicos greco-melquitas 04-2018
«Nós, os Patriarcas: João X, Patriarca Ortodoxo grego de Antioquia e todo o Oriente, Inácio Afrodis II, Patriarca Ortodoxo sírio de Antioquia e todo o Oriente, e José Absi, Patriarca Católico greco-melquita de Antioquia, Alexandria e Jerusalém, condenamos e denunciamos a brutal agressão que ocorreu esta manhã contra o nosso precioso país, a Síria, pelos EUA, a França e Reino Unido, sob alegações de que o governo Sírio usou armas químicas. Levantamos as nossas vozes para afirmar o seguinte:
Esta brutal agressão brutal é uma clara violação das leis internacionais e da Carta da Nações Unidas, porque é um ataque injustificado a um país soberano, membro da ONU.
Causa-nos grande dor que este assalto venha de países poderosos aos quais a Síria não causou qualquer dano de nenhuma forma.
As alegações dos EUA e outros países de que o Exército Sírio está a usar armas químicas e que a Síria é um país que possui e usa este tipo de arma, é uma alegação que é injustificada e não é sustentada por evidências suficientes e claras.
O momento desta injustificada agressão contra a Síria, quando a Comissão Internacional Independente de Inquérito estava prestes a iniciar o seu trabalho na Síria, prejudica o trabalho desta comissão.
Esta brutal agressão destrói as hipóteses para uma solução política pacífica e leva à escalada e a mais complicações.
Esta agressão injusta encoraja as organizações terroristas e dá-lhes força para continuar no seu terrorismo.
Apelamos ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para desempenhar o seu intrinseco papel em trazer a paz, mais do que contribuir para a escalada de guerras
Apelamos a todas as igrejas nos países que participaram na agressão, a cumprir os seus deveres Cristãos, de acordo com os ensinamentos do Evangelho, e a condenar esta agressão e a chamar os seus governos a comprometerem-se com a proteção da Paz Internacional... [ler mais]
Libertad presas y presos políticos! 04-2018
«Los CDRs de Catalunya se dirigen a las republicanas y republicanos de todos los pueblos del estado español en el 14 de abril Los  CDRs de Catalunya se dirigen a las republicanas y republicanos de todos los pueblos del estado español en el 14 de abril, día  en el que se celebrarán numerosas manifestaciones  por […]
Los CDRs de Catalunya se dirigen a las republicanas y republicanos de todos los pueblos del estado español en el 14 de abril
Los  CDRs de Catalunya se dirigen a las republicanas y republicanos de todos los pueblos del estado español en el 14 de abril, día  en el que se celebrarán numerosas manifestaciones  por la República, señalando que la represión que se abate sobre su movimiento es la misma que recae sobre otras personas en el resto del Estado y llamando  luchar conjuntamente contra el Régimen del 78.
¡NO PASARÁN!
Queridos y queridas republicanas del Estado Español, Hoy es 14 de abril, el dia de la República. Cuando hablamos de República, esta siempre viene acompañada de firmes ideales sociales y solidarios. Nadie quiere la República para seguir igual… la queremos para avanzar: para quitarnos la Realeza de encima y hacer tambalear este régimen que nos oprime, el régimen del 78 y del “atado y bien atado”.
Así es también en Catalunya. Desde los CDR no compartimos la República Catalana desde un nacionalismo excluyente. Creemos en la República por los mismos valores que vosotras: para avanzar en los derechos sociales y tejer una solidaridad, de igual a igual, entre los pueblos del Estado Español. Y nuestra propuesta no es sencilla: i acabar con el régimen del 78, opresor de TODOS los pueblos del Estado Español y de TODA la clase trabajadora... [ler mais]
Em Abril, águas mil... 04-2018
Nos últimos dias, o dito espaço mediático tem sido inundado com questões futebolísticas, uma forma hábil embora gasta de entreter o reviralho, enquanto o governo vai navegando em modo Bruxelas/UE, ou seja, vai aplicando uma austeridade branda, indolor, com o povo anestesiado com as ligeiras reversões do que lhe foi retirado em plena época de troika/governo pafioso. Os trabalhadores terão visto os seus rendimentos acrescidos cerca de 3%, valor nominal, entre 2016 e 2017, mantendo-se o custo da mão-de-obra em Portugal ainda abaixo da média europeia. A título de referência, deve-se salientar que entre 2008, início da crise, e 2013 foram retirados 3,6 mil milhões de euros aos salários e entregues 2,6 mil milhões ao Capital. A dívida pública subiu para os 246 mil milhões de euros em Fevereiro, mais 2,4 mil milhões do que em Janeiro, embora em termos relativos tenha estado em queda por força do aumento (anémico) do PIB. Uma dívida que o povo não deve pagar porque não é nem foi contraída para seu benefício. Esta política de austeridade está bem patente na previsão do défice das contas públicas deste ano que se prevê que fique nos 0,7%, bem abaixo dos 1,1% previsto inicialmente, aquando do apoio do BE e do PCP ao Orçamento de Estado de 2018. Esta obsessão pelo défice, e imposta por Bruxelas/Alemanha, tem tramado os partidos da coligação parlamentar que não sabem como descalçar a bota: ser ao mesmo tempo apoio e oposição e sem penalização em termos eleitorais. É que a campanha eleitoral já começou.
São várias as obsessões do governo PS/Costa: é o defice, Centeno vai se assumindo já mais como funcionário de Bruxelas/Eurogrupo do que ministro português das Finanças (veja-se o caso da pediatria do Hospital de S. João, que a direita tem explorado até mais não); é a dívida pública, embora o governo diga o contrário, que é para manter sem que o povo se revolta contra o seu pagamento e simultaneamente garantir a confiança dos tais investidores estrangeiros que porfiam em esfolar o boi duas vezes; é salvar a banca, com mais injecção de dinheiros públicos de forma directa, Banco Novo, ou indirecta, Montepio, o que faz ascender a conta global nestes anos de austeridade em 17,1 mil milhões (desde 2007), quase 9% do PIB a preços actuais. Em relação ao banco do estado, CGD, os créditos mal parados são varridos para os bolsos do contribuinte não se investigando quem e como os enfiou na carteira e não se exigindo a sua devolução. É a impunidade descarada no malbaratar dos dinheiros públicos, ao mesmo tempo regateia-se meia dúzia de milhões de euros para a Cultura, como se esta fosse quase uma chaga que se tem de suportar para calar a boca ao povo. Para a burguesia e os seus partidos do arco da governação, a cultura, o conhecimento, a ciência são um desperdício, o povo quer-se ignorante e pouco reivindicativo... [ler mais]
A prisão de Lula continua o golpe de 2016 "made in USA" (Achille Lollo) 04-2018
«Para a burguesia brasileira e logicamente para as excelências da Casa Branca e de Wall Street, a provável candidatura de Lula nas eleições de outubro sempre foi um grande problema, já que os partidos da direita moderada e os que representam os setores mais conservadores não têm um candidato, de âmbito nacional, capaz de contrariar a popularidade de Lula.
Ao mesmo tempo, a direita, com o fracasso econômico do governo de Michel Temer, não tem nenhuma proposta programática para acabar com a desastrosa crise econômica que paralisou o Brasil. Por esta razão, Lula, ex-metalurgico e ex-presidente, além de receber o apoio dos setores populares, que durante os governos do PT receberam inúmeros benefícios, também receberia o voto de uma parte da classe média que, embora não seja "petista", reconhece que Lula é o único que fez reformas sociais verdadeiramente universais.
A pressa do juiz de Curitiba, Sergio Moro, e dos três juízes do TRF-4 de prender Lula, tem outras motivações. De fato, se o ex-presidente permanece livre até os juízes de o TSJ analisar os dois últimos recursos da defesa, Lula pode iniciar a campanha eleitoral do PT e até vencê-la no primeiro turno. Diante disso, o principal instituto de pesquisas do Brasil, " Data Folha ", anunciou, em 5 de abril, que Lula tinha 43% das intenções de voto, e que com o passar do tempo elas teriam aumentado, apesar do linchamento da "TV Globo ".
É importante lembrar que o regulamento eleitoral estabelece que os juízes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), analisam a validade das candidaturas somente após o fechamento das inscrições, isto é no dia 10 de agosto e tendo tempo para decidir até 17 de setembro. Ou seja, apenas vinte dias antes de 7 de outubro, quando 141 milhões de brasileiros irão às urnas para definir os dois vencedores do primeiro turno... [ler mais]
Sudáfrica: El legado de Winnie Madikizela (1936-2018) (Marelise van der Merwe) 04-2018
«Winnie Mandela, una luchadora infatigable contra el apartheid, que no se dio vuelta después del triunfo de los negros, murió el pasado 2 de abril a la edad de 81
“Los años de prisión me endurecieron”, dijo Winnie Madikizela de sí misma. “Tal vez si se me hubiera dado un momento para aguantar y esperar al siguiente golpe, mis emociones no serían tan romas. Cuando sucede todos los días de tu vida, cuando el dolor se convierte en una forma de vida, ya no se puede sentir miedo. Ya no hay nada que temer. No hay nada que el gobierno no me haya hecho. No hay ningún tipo de dolor que no haya conocido”.
Es quizás esta idea la que mejor explica sus complejidades. Alternativamente venerada y vilipendiada, se convirtió en un icono de la lucha contra el apartheid que era a veces - quizás eufemísticamente - tan conocido como mal entendido. Sin duda, se discutió lo que ella representaba; sin embargo, nunca perdió su lugar en el altar de los iconos de la lucha.
Nació Nomzamo Winifred Zanyiwe Madikizela en el pueblo de Mbongweni, Bizana, en el Transkei (hoy parte del Cabo Oriental). La cuarta de ocho hijos, Winnie era hija de dos profesores. Su primer duelo fue sólo con nueve años, cuando su madre, Gertrudis, murió. Después de la muerte de Gertrudis, enviaron a los hermanos a vivir con diferentes parientes, la primero de las muchas pérdidas y separaciones en la vida de Winnie. (...)
Es poco probable que la relación de Nelson y Winnie se rompiera por razones puramente personales, había indicios de su diferencia de puntos de vista políticos después de 1990. “Mandela nos defraudó”, dijo Winnie de las negociaciones para poner fin al apartheid. “Llegó a un acuerdo nefasto para los negros. Económicamente, estamos todavía fuera. La economía es en gran medida 'blanca'. Cuenta con algunas fichas negras, pero muchos de los que dieron su vida en la lucha han muerto sin recompensa. No le puedo perdonar que fuera a recibir el [Premio de la Paz en 1993] Nobel con su carcelero [FW] De Klerk. De la mano. ¿Cree que De Klerk lo liberó por bondadoso? No tuvo más remedio. Los tiempos le obligaron, el mundo había cambiado, y nuestra lucha no fue flor de un día, fue sangrienta para decir lo suave y hemos dado ríos de sangre. He intentado mantenerla viva con todos los medios que disponía”.
Para los [muchos, sobre todo los pobres] desilusionados con la Sudáfrica post-apartheid, voces como la de Winnie fueron cruciales. Si Nelson fue un icono de la contención, Winnie encarna lo que se había dejado sin decir. "No lo siento. Nunca lo sentiré. Haría todo lo que hice de nuevo si tuviera que hacerlo. Todo”, dijo, añadiendo:“Ahí esta la farsa de la Comisión de la Verdad y Reconciliación. Él [Mandela] nunca debería haber aceptado. ¿De qué sirve la verdad? ¿En que ayuda a nadie saber dónde y cómo sus seres queridos murieron o están enterrados? Que el obispo Tutu, que lo convirtió todo en un circo religioso, viniese aquí”. En cierto modo, se adelantó al discurso de los Economic Freedom Fighters de Malema [partido político de izquierda de Sudáfrica fundado en 2013 por antiguos miembros del Congreso Nacional Africano desengañados con el rumbo neoliberal que tomó el ANC.]... [ler mais]
A política estrangeira de Theresa May (Thierry Meyssan) 04-2018
«A 13 de Novembro último, Theresa May aproveitava o discurso anual do Primeiro-ministro na Câmara Municipal (Prefeitura-br) de Londres para dar um vislumbre sobre a nova estratégia britânica, após o Brexit. O Reino Unido pretende restabelecer o seu Império (Global Britain) promovendo, para isso, o livre comércio mundial com a ajuda da China e para tal afastando a Rússia das instâncias internacionais com a ajuda dos seus aliados militares: os Estados Unidos, a França, a Alemanha, a Jordânia e Arábia Saudita.
Retrospectivamente, todos os elementos do que hoje vemos foram abordados nesse discurso, mesmo que não o tivéssemos compreendido de imediato.
Voltemos atrás por um instante. Em 2007, o Presidente russo, Vladimir Putin, intervinha na Conferência de Segurança de Munique. Ele observava que o projecto de mundo unipolar subscrito pela OTAN era por essência anti-democrático e apelava aos Estados europeus para se dessolidarizarem dessa fantasia norte-americana. Sem responder a esta observação de fundo sobre a ausência de democracia nas relações internacionais, a OTAN denunciou então a vontade da Rússia de enfraquecer a coesão da Aliança afim de melhor a ameaçar. - No entanto, um perito britânico, Chris Donnelly, afinou depois essa retórica. Para enfraquecer o Ocidente, a Rússia estaria a tentar deslegitimar o seu sistema económico e social sobre o qual se funda o seu poderio militar. Este seria o móbil oculto das críticas russas, nomeadamente através dos seus media. Salientemos que Donnelly não responde mais do que a OTAN à observação de fundo de Vladimir Putin, mas, afinal porque é que se iria debater a democracia com um indivíduo que se suspeita a priori de autoritarismo?
Eu penso que, ao mesmo tempo, tanto Donnelly está certo na sua análise como a Rússia no seu objectivo. Com efeito, o Reino Unido e a Rússia são duas culturas diametralmente opostas (...)
Dois meses após a sua intervenção no banquete do Lord Mayor, o Chefe de Estado-Maior de Sua Majestade, o General Sir Nick Carter, pronunciava, a 22 de janeiro de 2018, um discurso muito importante, inteiramente consagrado à guerra vindoura contra a Rússia, onde ele se baseava na teoria de Donnelly . Tirando lições da experiência síria, ele descrevia um inimigo dotado de um novo arsenal, extremamente poderoso (isto dois meses antes do Presidente Putin revelar o seu novo arsenal nuclear  br> Ele afirmava a necessidade de dispôr de tropas terrestres mais numerosas, de desenvolver o arsenal britânico e de se preparar para uma guerra onde a imagem passada pelos média seria mais importante do que as vitórias no terreno.
No dia seguinte a essa conferência-choque no Royal United Services Institute (o “think-tank” da Defesa), o Conselho de Segurança Nacional anunciou a criação de uma unidade militar para a luta contra a «propaganda russa» ... [ler mais]
El largo asesinato de Martin Luther King (Paul Street) 04-2018
«A medida que se acerca el 50 aniversario de la muerte violenta del Dr. Martin Luther King (el 4 de abril de 1968), es previsible escuchar en los medios de comunicación de EEUU más y más detalles reales y supuestos de su asesinato físico (o tal vez de su ejecución). Pero nada se dirá sobre el asesinato moral, intelectual e ideológico subsiguiente y continuo de King.
Me refiero a la narrativa neo-macartista convencional, exculpatoria, sobre Martin Luther King que se repite cada año con ocasión de la fiesta nacional que lleva su nombre. Este retrato aburguesado y difuminado de King como un reformista liberal moderado que quería poco más que unas cuantas reformas básicas de derechos civiles en el sistema supuestamente bueno y decente de EEUU, es decir, como un leal reformador que estaba agradecido a los líderes de la nación por hacer finalmente cambios nobles. Este año tampoco fue la excepción.
Las conmemoraciones oficiales no dicen nada sobre el Dr. King que estudió a Marx con simpatía a una edad temprana y que dijo en sus últimos años que “si queremos alcanzar la igualdad real, los Estados Unidos tendrán que adoptar una forma modificada de socialismo”. Borran al King que escribió que “el verdadero problema que hay que afrontar” más allá de cuestiones “superficiales” es la necesidad de una revolución social radical.
Han eliminado al King que habló en la Canadian Broadcasting Corporation (CBC) a finales de 1967 para reflexionar sobre lo poco que había conseguido la lucha por la liberación de los negros más allá de algunos pequeños cambios en el Sur de EEUU. Deploró “el freno del avance limitado del progreso” que los negros y sus aliados habían alcanzado “por la resistencia blanca [que] ha puesto al descubierto el racismo latente que [todavía] está profundamente arraigado en la sociedad estadounidense” (...)
“Si el humanismo está fuera del sistema [capitalista],” dijo King en CBC cinco meses antes de su asesinato (o ejecución), “los negros han revelado la naturaleza del despotismo y tendrá lugar una lucha mucho mayor por la liberación. Los Estados Unidos están ante el desafío sustancial de demostrar que se pueden abolir no sólo los males del racismo, sino también el flagelo de la pobreza y los horrores de la guerra…"
No hay la menor duda de que King se refería al capitalismo cuando hablaba del “sistema” y la “naturaleza del despotismo”. Esto es evidente en la mejor obra sobre King, la biografía épica de David Garrow, ganador del premio Pulitzer, Bearing the Cross: Martin Luther King, Jr. and the Southern Christian Leadership Council (Harper Collins, 1986)... [ler mais]
A Mulher e o Trabalho Doméstico (Larissa Gouveia* e Paula Santos) 04-2018
«“Dizer que a doméstica prega a luta de classe é mentira. Mas que a doméstica vive a luta de classe, vive! Toda hora, todo dia! Agora se você chegar com essa palavra ‘luta de classe', a doméstica vai dizer que não conhece a luta de classe. Mas no dia-a-dia você está vivendo a luta de classe. Isso é direto na carne”. (CARVALHO, 1982, p. 59)
A citação acima foi retirada do livreto ‘'Só a gente que vive é que sabe: depoimento de uma doméstica.'' Nele, Dona Lenira Maria de Carvalho, uma camponesa do interior de Alagoas, relata sobre sua vida como mulher nordestina que migra para outro estado em busca de melhores condições de vida e sustento, empregada como trabalhadora doméstica na capital de Pernambuco nos anos 1950; posteriormente, no período da Ditadura civil-militar, encontra na Juventude Operária Católica (JOC) o despertar da militância se vendo enquanto parte de uma classe. Dona Lenira descreve os pesares que é ser uma mulher pobre numa sociedade patriarcal, a desvalorização do trabalho doméstico e da trabalhadora doméstica até mesmo dentro de nossa classe, pela divisão do trabalho doméstico como trabalho improdutivo, as dificuldades de organizar sua categoria e a importância de se enxergar no outro e entender que a organização de todos os trabalhadores numa perspectiva de mudança radical da sociedade é essencial para a libertação das pessoas que sofrem com as desigualdades sociais.
Acreditamos que todos conseguem ter a percepção do quanto o trabalho doméstico é desvalorizado e de como a trabalhadora é historicamente precarizada no nosso país, que tem raízes escravagistas que refletem a desigualdade e mantém na base da pirâmide social aquelas que foram relegadas ao espaço doméstico e ao trabalho braçal. Entretanto, precisamos trazer a tona algumas questões que elucidam fatos por vezes ignorados. Para entender como a mulher foi socialmente empurrada para o espaço privado e do lar, necessitamos entender como foi constituída a sociedade dividida em classes, já que a base da mesma é o patriarcado e a propriedade privada.
Engels (1984) analisou como viviam as sociedades primitivas, relatou como se desenvolveram os tipos de família e convivência entre a comunidade, a partir da organização social. Nos tempos primórdios, a primeira forma de organização social foi gregária. A partir da necessidade de criar seus meios de subsistência, surgiu-se o trabalho, possibilitando extrair da natureza o essencial à vida. As mulheres trabalhavam igualmente com os homens, e a tarefa de criar os filhos também era coletiva. Tudo o que era produzido por um era distribuído para os outros, não existindo, assim, produção excessiva...[ler mais]
Masacre en Gaza: ¡No callaremos, pongamos fin a la impunidad israelí! 04-2018
En el Día de la Tierra, el 30 de marzo, miles de mujeres, hombres y niños palestinos pacíficos, esperanzados y desarmados se reunieron en las fronteras de Gaza para la Gran Marcha del Retorno.
Gran Marcha del Retorno, Gaza, Palestina
Los informes iniciales indican que al menos 16 palestinos han sido asesinados, y más de 1.400 personas resultaron heridas a consecuencia de los disparos de las Fuerzas de Ocupación israelíes contra la multitud con munición real y gases lacrimógenos.
Esta acción pacífica, no partidista, se celebra cada año el 30 de marzo para poner en evidencia una injusticia que los palestinos experimentan todos los días: la pérdida de sus tierras por la ocupación colonial ilegal. En la tradición de Gandhi y Martin Luther King, la población palestina se manifestó de forma no violenta en su propia tierra en un intento por corregir una grave injusticia y se encontraron con disparos de francotiradores.
En la Resolución 194 (1949) de la ONU, la Asamblea General de las Naciones Unidas resolvió claramente que “los refugiados que deseen regresar a sus hogares y vivir en paz con sus vecinos deberían poder hacerlo en la fecha más cercana posible”. https://www.unrwa.org/content/resolution-194
La sociedad civil palestina planea continuar sus acciones pacíficas todos los días, hasta el 15 de mayo, el día en que el pueblo palestino conmemora la Nakba (catástrofe) y el día en que el gobierno de los EE. UU. planea trasladar su embajada a Al-Quds / Jerusalén.
La Coalición de la Flotilla de la Libertad (Freedom Flotilla Coalition), compuesta por organizaciones de la sociedad civil de catorce países, entre ellas Rumbo a Gaza, condena la matanza por parte del gobierno israelí del pueblo palestino mientras ejercía su legítimo derecho a protestar contra ocupación ilegal y el derecho universal a la libertad de movimiento. Una vez más, las Fuerzas de Ocupación Israelíes (IOF) han demostrado su desprecio por la vida humana: no se les debe permitir hacerlo con impunidad. Los responsables de estos crímenes de guerra deben ser llevados ante la justicia... [ler mais]
O país mais desigual da Europa e o governo PS-comité-de-negócios-do-grande-capital 03-2018
O papel de bombeiro de luta de classes, de apaziguador social, de tão agrado do presidente-rei Marcelo, desempenhado pelo PS no governo (parece que este foi o papel reservado ao PS pós 25 de Abril e reforçado depois do golpe de 25 de Novembro de 1975) fica bem patente na folha de cálculo que põe numa coluna os rendimentos do capital e na outra os do trabalho. Em relação a esta última coluna é fácil de ver que os salários dos trabalhadores (cada vez mais simples assalariados, cuja única fonte de subsistência é a venda da sua força de trabalho), diminuíram em termos reais e em média mais de 10% desde 2010; contudo, na primeira coluna, os lucros das principais empresas não deixaram de subir, por exemplo, as 16 empresas do principal índice da Bolsa de Lisboa tiveram lucros de mais de 3,5 mil milhões de euros só no ano passado, ou seja, mais 380 milhões que no ano anterior. Nesse mesmo ano, 2017, os salários médios ficaram estagnados apesar do salário mínimo ter beneficiado um aumento de 5%. O PCP ficou bastante pesaroso pelo facto de o PS se juntar aos partidos abertamente do grande capital no chumbo das propostas que apresentara juntamente com o BE (o apêndice decorativo do PEV não conta) para alteração da legislação laboral, especificamente em relação a convenções colectivas de trabalho, adaptabilidade e banco de horas, não deixando de manifestar a sua esperança de o PS ainda vir um dia destes, não se sabe quando, para o lado dos trabalhadores e da esquerda. Coisa que nunca esteve no genoma do partido criado na Alemanha com os dinheiros da social-democracia teutónica; parece que ainda não houve ninguém que esclarecesse esta tão dramática questão a Jerónimo de Sousa.
Ao mesmo tempo que os partidos anexos da coligação suam as estopinhas para se demarcarem do PS e não perderem votos nas próximas eleições de Outubro de 2019, o governo segue de vento em popa na sua saga de garantir que os lucros do capital sejam garantidos. Por exemplo, a empresa que paga ao seu presidente executivo 2,29 milhões de euros, mais 15% em relação a 2016, viu os lucros crescerem 16%, para 1.113 milhões de euros, em 2017; contudo, só pagou 10 milhões de euros de IRC, beneficiando de um bónus de 438 milhões de euros. Esta quantia daria para construir os hospitais de Évora, do Seixal e de Sintra, e ainda sobravam 180 milhões. Como se pode constatar, os factos valem por mil palavras e ainda há umas boas almas que se questionam por carga de água o PS não tem maneira de enveredar pelo bom caminho. A razão é simples, nunca lhe esteve no sangue, da mesma maneira que não está no ADN do capitalismo deixar de visar o lucro nem parar o seu processo de acumulação e de concentração. Nos entrementes, o povo paga uma das electricidades mais caras da Europa e o governo, como é expectável (a não ser pelos tolos da políticas), não tem maneira de repor o IVA nos 6%, acabando com os 23%; claro que isto não acontecerá pela razão de que o PS no governo é tão ladrão como a administração da EDP, possuem ADN semelhante... [ler mais]
A rotina de violência policial em Acari, denunciada por Marielle 03-2018
«“Só vamos embora quando tiver dois ou três corpos no chão!”. “Viemos tocar o terror”, gritavam os policiais do 41° Batalhão da Polícia Militar (BPM) na manhã do dia 10 em uma incursão à comunidade de Acari, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A favela foi cercada por três caveirões. Em meio tiros para o alto, na direção das pessoas, os policiais invadiram casas, quebraram portões e fotografaram a identidades de moradores apavorados.
“Foi desesperador e durou o dia inteiro. Ninguém conseguia sair de casa. Eram muitos homens, muita violência”, relata uma integrante do Coletivo Fala Akari, que conversou com a CartaCapital sob condição de anonimato. “Eles não queriam saber se a pessoa era bandido ou trabalhador, falavam que iam matar quem aparecesse. E também disseram que de noite não ia ter baile”.Dias antes, na segunda-feira, 5, dois jovens foram assassinados, denunciam os moradores. Os corpos só foram retirados um dia depois, pelos próprios habitantes quando então puderam ser velados.
As operações em Acari foram denunciadas em pela vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada a tiros na quarta-feira (14), junto com seu motorista, Anderson Gomes, na região central do Rio de Janeiro. Ela escreveu em sua página do Facebook: “Precisamos gritar para que todos saibam o que está acontecendo em Acari neste momento.
O 41° Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro está aterrorizando e violentando moradores do Acari. Nessa semana, dois jovens foram mortos e colocados em um valão. Hoje a polícia andou pelas ruas ameaçando os moradores. Acontece desde sempre e com a intervenção ficou pior. Compartilhem essa imagem nas suas linhas do tempo e na capa do perfil”.
A integrante do Coletivo Fala Akari relatou que a operação do dia 10 foi uma das muitas incursões que o Batalhão vem fazendo na comunidade. “Elas acontecem a qualquer hora”. Nas madrugadas, acorda-se ao som de tiros, e às vezes nem há tempo de moradores soltarem fogos, forma de comunicação utilizada para informar que a PM está na comunidade... [ler mais]
Direito à Saúde: a crítica sempre actual de Marx à desigualdade (Stéphane Barbas) 03-2018
A formidável película de Raoul Peck, O Jovem Marx, reaviva o interesse pelo pensamento de Marx e convida à sua (re)leitura.Desde a crise de 2008, com as ameaças que ela apresentou ao planeta, o capitalismo já não é visto como o fim da História. O interesse pelo marxismo se estende também a terrenos como o da medicina e da saúde, incluindo aqueles que estão a léguas de distância dos círculos militantes. A revista The Lancet, antiga e prestigiada revista de medicina britânica, publicou em um recente número, uma contribuição de seu director de redacção, Richard Horton, sob o título «Medicina e Marx» (vol. 390, 4 Novembro de 2017).
O autor assinala que, em que pese o descrédito provocado pela queda da União Soviética, o pensamento de Marx é de uma actualidade irrefutável. O aniversário de nascimento de Marx, que será comemorado em 5 de Maio de 2018, será um momento propício para avaliar de novo seus apontamentos. As ideias marxistas voltam a impregnar o debate político, em particular sobre os problemas de saúde, aos quais o capitalismo e os mercados são incapazes de responder.
As privatizações, o poder das elites médicas, a crença eufórica nos progressos técnicos, o capitalismo filantrópico, as tendências neo-imperialistas da política sanitária mundial, as enfermidades inventadas por laboratórios ou a exclusão e estigmatização de populações inteiras são alguns dos problemas aos quais o marxismo pode aportar uma análise crítica.
O marxismo constitui também um chamado à luta por valores como o da igualdade social, o fim da exploração e para lutar contra a saúde considerada como mais uma mercadoria. O crescimento das desigualdades em escala planetária confere sua verdadeira anualidade ao debate sobre os pontos mencionados. Tal como demonstra o epidemiólogo inglês Richard Wilkinson, não é necessário ser marxista para apreciar o que a medicina pode ainda aprender de Marx... [ler mais]
8 de Março – Luta da Mulher na sociedade patriarcal 03-2018
No estado espanhol, em todos os países que ainda fazem parte dele, e nos diversos países da América Latina, incluindo Brasil, povo falante de português, as mulheres saíram à rua, em número de muitos milhões, reivindicando uma posição de igualdade de género dentro da luta de classes pelo fim da sociedade burguesa, patriarcal e exploradora. Pelo fim da capitalismo. É dentro deste combate mais geral que se enquadra a luta de todas as mulheres, com as mulheres trabalhadoras em primeira linha. Ao contrário de concepções revisionistas, muito espalhadas pela esquerda que se diz revolucionária, a emancipação da mulher é de toda a mulher, porque a mulher burguesa, embora possuindo um posição melhor que a mulher trabalhadora assalariada, é também discriminada dentro da sua classe, relegada para um posição de subalternidade. A revolução socialista não só traz a emancipação da classe operária mas assim como de toda a humanidade, de todo o ser humano independentemente do seu estrato social. É no mínimo estranho que muitos dos revolucionários indígenas não tenham apoiado esta greve com a alegação de que era “feminista”, não conseguindo assim esconder os seus complexos e preconceitos de pequenos patriarcas, concepções próprias da pequena-burguesia social-democrata. Outras greves feministas se façam, pelo fim do capitalismo e da sociedade patriarcal!
«La organización cifra en 600.000 personas la participación en la manifestación de Barcelona y 500.000 en la de Madrid.
Manifestaciones multitudinarias han inundado las calles de las ciudades del Estado con la participación de centenares de miles personas que se han echado a la calle con lemas como “Paramos para cambiarlo todo“, “Si las mujeres paramos, se para el mundo” o “Vivas, libres y unidas por la igualdad“.
El termómetro de la movilización lo ha dado la masividad de las manifestaciones: la organización cifra en 600.000 personas la de Barcelona y 500.000 en Madrid (200.000 en Barcelona según la Guardia Urbana, 170.000 en Madrid según la Delegación del gobierno… cifras sin duda cortas teniendo en cuenta algunas de las fuentes). Entre los aspectos más destacados de la jornada hay que subrayar la gran presencia de jóvenes.
Un día internacional de la mujer trabajadora en que el movimiento feminista y el sindicalismo alternativo han llamado a una huelga general en apoyo de las reivindicaciones de igualdad social de la mujer y contra la violencia machista, forzando al sindicalismo oficial de CCOO y UGT a plantear un paro simbólico de 2 horas. Donde mayor incidencia ha tenido la huelga ha sido en el movimiento estudiantil, la administración pública y el transporte“... [ler mais]
O bloco central da gatunagem e da corrupção 03-2018
Com a nova direcção do PSD/PPD em funções, e sob o santo beneplácito do dito supremo magistrado da nação, o PS reconsidera publicamente a sua verdadeira natureza e vocação, mostrando-se aberto a "conversar" sobre dois temas de primordial importância para a burguesia nacional e correlativos grupos de interesses locais: descentralização e próximo quadro de fundos comunitários. São muitos milhões que têm de ser bem distribuídos pelas clientelas. E é muito mais forte o que os une do que aquilo que os possa separar ocasionalmente: o assalto ao pote. BE e PCP estão preocupados com a putativa deriva de direita do PS, e Jerónimo não se coíbe de afirmar coisa do género: "o PS é incapaz de se afirmar como partido de esquerda". O homem é tolo e não percebe nada de política ou então continua a bater na tecla da social-democracia, com melhorias no quadro do capitalismo e da democracia burguesa, os operários, talvez, num dia de são nunca à tarde, deixarão de ser explorados; ou seja, se não é tolo é burro reaccionário (claro que falamos em termos políticos e sem ofensa para os burros). O principal partido do capital em Portugal não quer apenas ser informado das decisões do governo, quer participar nelas; ora, isto poderá querer dizer que a aliança PS/BE/PCP pode estar por um fio, desfazer-se ainda antes de Outubro de 2019. Ao contrário do apregoado internamente e dos estudos de organismos internacionais, a paz social que se vive no país não passa de uma paz podre.
Se Portugal é considerado o terceiro país mais seguro do mundo, ele é simultaneamente visto como um país mais corrupto do que a média europeia, ou seja, de acordo com o Índice de Percepção da Corrupção, fica em 29.º lugar (com Nova Zelândia em 1.º e a Dinamarca em 2.º lugar), entre os 180 países e territórios avaliados. Mais precisamente, Portugal é visto como tendo administrações públicas das mais corruptas do mundo, o que significa que a classe política no poder é das mais corruptas e que a burguesia nacional enferma do mesmo grau de corrupção, numa relação dialéctica entre corruptores e corrompidos. Situação esta de elevada corrupção que é inerente ao capitalismo nacional, um capitalismo de tipo rentista, como se pode mais uma vez comprovar pela disputa pelo pote dos fundos comunitários. Corrupção que fica bem caracterizada pelo lapso de um autarca socialista, ex-candidato à presidência da República e que se passou com armas e bagagens do partido católico do táxi, e que se enganou na declaração de rendimentos, em vez de 6,5 milhões de euros registou apenas 5600 euros. São coisas que acontecem, tal é o hábito. Como já está a ser tradição a lavagem de dinheiro das máfias estrangeiras, não deixando de marcar pelo seu simbolismo a máfia angolana que lavou no país muitas centenas de milhões de euros, a par dos desfalques no BESA de mais de 600 milhões de euros. A corrupção para além de estar na massa do sangue do capitalismo também se globalizou.... [ler mais]
8 de Março - El ocho de marzo ya no se llama DÍA DE LA MUJER TRABAJADORA, se llama dia de LA MUJER y punto 03-2018
Se llama así porque las mujeres de la clase trabajadora, trabajamos todas, si como lo leen.
Es de una ignorancia descomunal y de una falta de conciencia de espanto asegurar que una mujer que trabaja en su casa es una mantenida o que para ser “Libre” y “emancipada” la mujer debe desarrollar una ACTIVIDAD ECONÓMICA Y/O LABORAL fuera del hogar.
Más bien podríamos asegurar que es producto de la alienación que sufre la clase trabajadora, genéricamente la concepción burguesa de la mujer y de los “roles” atribuidos a nosotras, vomita estas contradicciones cargadas de maldad y con el objeto de seguir oprimiendo a todas las mujeres, en cada uno o una debe haber un centinela moral, juzgando y criminalizando a la mujer.
¿Y todo para que?, Pues nada más y nada menos que para que la mujer sea explotada, para que el capital reciba una plusvalía del trescientos por cien.La “incorporación de la mujer al mundo laboral”, es una falacia escalofriante.
El “mundo laboral” no es un mundo, es un mercado, donde lo que se “ compra” es la mano de obra o el trabajo intelectual del trabajador, si a este mercado se incorpora n millones de individuos, es previsible entender que la BURGUESÍA, tiene más mercado para elegir y que por tanto los salarios bajan, así es que la famosa incorporación es en realidad una precarización de todos los trabajadores, hombres y mujeres... [ler mais]
A Otan já votou antes de nós (Manlio Dinucci) 03-2018
«Existe um partido que, mesmo sem aparecer, participa de fato nas eleições italianas: O Partido da Otan, formado por uma maioria transversal que apoia explicitamente ou consente tacitamente o pertencimento da Itália na Grande Aliança sob o comando dos Estados Unidos.
Isto explica por que, em plena campanha eleitoral, os principais partidos aceitaram tacitamente os compromissos assumidos pelo governo no encontro dos 29 ministros da Defesa dos países membros da Otan (pela Itália, Roberta Pinotti), em 14 e 15 de fevereiro em Bruxelas.
Primeiramente, os ministros participaram do Grupo de Planificação Nuclear da Otan, presidido pelos Estados Unidos, cujas decisões sempre são ultrassecretas. Reunidos como Conselho do Atlântico Norte, os ministros anunciaram, depois de apenas duas horas, importantes decisões (já tomadas em outra sede) para “modernizar a estrutura de comando da Otan, espinha dorsal da Aliança”.
Fica estabelecido um novo Comando conjunto para o Atlântico, situado provavelmente nos Estados Unidos, com o escopo de “proteger a linha marítima de comunicação entre a América do Norte e a Europa”. De tal modo, cria-se o cenário de submarinos russos que poderiam afundar os navios mercantes nas rotas transatlânticas.
Também se estabelece um novo Comando logístico, situado provavelmente na Alemanha, para “melhorar o movimento na Europa de tropas e equipamentos essenciais à defesa”. Desse modo, inventa-se o cenário de uma Otan obrigada a defender-se de uma Rússia agressiva, enquanto é a Otan que acumula forças agressivamente nas fronteiras com a Rússia. Sobre tal base serão instituídos na Europa outros comandos da componente terrestre para “melhorar a resposta rápida das nossas forças”... [ler mais]
170 anos do Manifesto Comunista - O espectro da Revolução ainda assombra o Capital! 03-2018
«Há 170 anos, no dia 21 de fevereiro de 1848, vinha a público a primeira edição do Manifesto Comunista, obra encomendada a Karl Marx e Friederich Engels pela Liga dos Comunistas (1836) e que se tornou um dos textos mais lidos da História da humanidade.
Escrito em meio às revoltas europeias do final de 1847 e início de 1848, conhecidas como a “Primavera dos Povos”, o Manifesto, em linguagem popular, procurou transcrever sob uma análise materialista, o desenvolvimento social da humanidade ao longo da história, trazendo à tona pela primeira vez – ou ressaltando análises já evidenciadas em outros escritos -, categorias importantes à abordagem crítica do modo de produção capitalista, tais como: a interrelação dialética entre a produção econômica e a estrutura social, política e ideológica constantes em cada época, como totalidade orgânica do modo de existência social; a teoria da luta de classes como efeito das contradições entre as forças produtivas e os meios de produção e propulsora das transformações históricas; o papel do Estado enquanto comitê político e operacional do poder da classe dominante; a mutabilidade das relações sociais e todo o conjunto de representações filosóficas, religiosas e políticas e a formulação, pela primeira vez na história do movimento socialista, de um programa para a revolução vindoura.
Programa este que, se pode ser questionado por se debruçar sobre a realidade de nações europeias onde já haviam amadurecido as contradições capitalistas pós revolução industrial, não perde a sua importância e atualidade enquanto método, ao prescrever ao proletariado a necessidade de buscar entender, no processo histórico e em cada formação social concreta em determinado momento e lugar, as contradições de classe e o conjunto de situações decorrentes delas para se esboçar a melhor tática possível a ser adotada pelos revolucionários com vistas à conquista do poder. Eis a questão do método!
Passados 170 anos, alguns podem questionar o porquê da celebração de um texto sobre o qual os próprios autores, anos mais tarde, em um prefácio comemorativo à nova edição, atestavam que nele já havia pontos superados ou em desacordo com os fatos presentes. Mas há muito, sim, a se celebrar, pois o Manifesto Comunista, durante décadas, foi o principal panfleto propagandístico do Socialismo Científico em todo o mundo, influenciando jovens, intelectuais, operários e auxiliando na organização de diversos partidos operários e comunistas... [ler mais]
Fascismo tutelado (Carlo Frabetti) 03-2018
«El fascismo tutelado español no ha podido seguir disimulando su idiotez congénita y ha puesto en evidencia a sus tutelantes europeos, que ya no pueden mirar hacia otro lado.
En 1953, con pocos meses de diferencia, la España de Franco suscribió el Concordato con la Santa sede y los Pactos de Madrid con Estados Unidos. A cambio de concederle a la Iglesia Católica privilegios tan extraordinarios como las exenciones fiscales, las cuantiosas subvenciones o el cuasi monopolio de la enseñanza (incluido el derecho a crear universidades), Franco obtuvo el control sobre el nombramiento de los obispos y el apoyo del Vaticano, consolidando así la forma más abyecta y persistente de fascismo: el nacionalcatolicismo; y a cambio de permitir la instalación de cuatro bases estadounidenses en la península, consiguió, además de importantes ayudas económicas y militares, el reconocimiento internacional.
A partir de ese momento, el fascismo desmelenado de la dictadura española tuvo que empezar a maquillarse de cara al “mundo libre” (cuya tutela era poco rigurosa, pero exigía que se cuidaran las formas), mascarada que culminaría con el Referéndum sobre la Ley Orgánica del Estado de 1966, en el que se planteó una supuesta reforma constitucional que aparentemente limitaba el poder absoluto de Franco y pretendía dar verosimilitud a su autodenominada “democracia orgánica”... [ler mais]
O Aumento da exploração dos trabalhadores e a proletarização da classe média 02-2018
O governo do Costa/PS embandeirou em arco com os números do "crescimento económico": mais 2,7% em 2017, mais 1,2 pontos do que em 2016, em 17 anos é o ritmo de crescimento mais elevado, mais do que inicialmente previsto pelo governo (2,6%) e ainda mais do calculado pelo ministério das Finanças (1,5%) e ainda... acima da média da UE (2,6%) no seu conjunto (a zona euro ficou igualmente nos 2,7% - uma pena!); e as exportações cresceram 8%, o investimento uns 10% e até... o número de médicos e de enfermeiros subiu no SNS! Os apoiantes BE e PCP tentam também chamar para si os louros da vitória, mas, como estamos já em tempo de pré-campanha eleitoral, dizem que não chega, que é preciso ir mais além, daí apresentarem propostas no Parlamento que antecipadamente sabem que não vão ser aprovadas ou convocarem greves que antes de o serem são previamente desconvocadas porque as partes, administrações e trabalhadores, chegaram a acordo ou em vias de tal: CP e Autoeuropa, por exemplo.
Contudo, há o reverso da medalha, que consiste: o rendimento das famílias portuguesas encontra-se ainda abaixo de 2008; Portugal atingiu o nível de desigualdade mais baixo de sempre, continuando entre os mais desiguais da União Europeia, com 11% de trabalhadores pobres, quase 2,4 milhões de pessoas em situação de “risco de pobreza ou exclusão social”; Portugal está entre os dez países da OCDE onde se trabalha mais horas por ano e é o quarto da União Europeia, ultrapassado apelas pela Grécia, Polónia e Letónia; só um terço dos novos contratos firmados desde 2013 são por tempo indeterminado, 63,3% são contratos precários; a especulação imobiliária chegou aos 14 mil euros por metro quadrado em Lisboa e Porto, com a gentrificação dos centros destas duas cidades, milhares de trabalhadores e de moradores pobres, na maioria idosos, são expulsos para as periferias; 25% dos compradores de casas em Portugal são estrangeiros, lavagem de dinheiro na maior parte dos casos, transformando o país num paraíso fiscal soft, onde grandes fortunas, reformados e turistas desde que estrangeiros beneficiam de enormes isenções fiscais; enquanto a dívida pública soberana chega aos 130% do PIB e a dívida privada, incluindo empresas e banca, ultrapassa os 270%. (...)
Processo de proletarização este que se verifica também pela diminuição do salário real. Se, em 2007, apenas 29% dos trabalhadores tinham o ensino secundário e superior, essa percentagem subiu, em 2017, para 52,4%, os baixos salários continuam a baixar ainda mais. Os patrões pagam, em 2017, salários mais baixos, aos trabalhadores com o ensino secundário e superior, àqueles que pagavam anteriormente aos trabalhadores com o ensino básico, aproveitando-se do desemprego existente. O que explica que centenas de milhares de jovens portugueses tivessem emigrado em massa, especialmente durante o período pós crise 2008, que coincidiu com a troika em Portugal, já que não conseguiam, nem conseguem ainda, encontrar no seu país um trabalho e um salário dignos. Segundo os dados do INE (e se utilizarmos os escalões de 660€ e de 990€ em 2017 que correspondem, em poder de compra, aos valores de 600€ e 900€ em 2007), a percentagem de trabalhadores por conta de outrem com salários líquidos inferiores aos 660€ é de 33,5% e com salários inferiores a 990€ é de 74,5%, percentagens esta superior à de 2007 que era 70,7%. Ou seja, os salários médios em Portugal, em termos reais, baixaram de 2007 para 2017, afectando principalmente os trabalhadores mais qualificados. Perante a realidade de um capitalismo levado ao extremo, só uma conclusão: indubitavelmente que a próxima etapa da revolução é a etapa socialista ... [ler mais]
BCN: En defensa de las Pensiones Públicas, 22 de Febrero, Plaça Catalunya, 10,30 horas 02-2018
POR QUÉ HAY QUE MOVILIZARSE PARA DEFENDER LAS PENSIONES PÚBLICAS?
PORQUE las pensiones públicas son responsabilidad del Estado, exigimos que los desfases entre ingresos y gastos de la Seguridad Social se cubran desde los Presupuestos Generales del Estado.
PORQUE la reforma del gobierno socialista de 2011 alarga la edad de jubilación. Porque con en esta misma Reforma, la cobertura de lagunas de cotización de la pensión puede llegar a representar hasta 38,10% menos que en la situación anterior a la referida Reforma
Exigimos mantener la edad de jubilación a los 65 años y derogar la reforma de Zapatero, que supone uno de los mayores recortes de gasto en pensiones de Europa.
PORQUE la reforma del PP en 2013 de 0.25 nos precariza
Exigimos la recuperación del modelo de revalorización automática de las pensiones en relación al IPC real, asegurando así el mantenimiento de su poder adquisitivo.
PORQUE más de cuatro millones y medio de las pensiones viven en la exclusión social
Por eso, pedimos que se equiparen las pensiones más bajas al salario mínimo interprofesional, y que éste se incremente a corto plazo hasta alcanzar la recomendación de la Comisión Europea.
PORQUE la brecha de género en las pensiones empobrece a las mujeres
Es imprescindible establecer fórmulas que rompan la brecha existente entre las pensiones percibidas por hombres y mujeres, aplicando complementos a su pensión.
PORQUE el copago farmacéutico no nos puede poner en la alternativa de comer o medicarnos.
Por ello, otra de nuestras reivindicaciones es la eliminación de todo tipo de copago farmacéutico.
SOBRAN LAS RAZONES... [ler mais]
KKE: Contra os planos dos EUA/OTAN/UE! Não à xenofobia e ao chauvinismo! 02-2018
“Muitos meios de comunicação internacionais no período anterior centraram sua atenção na Grécia e nas manifestações nacionalistas, que ocorreram em Tessalônica e em Atenas, com o apoio aberto do principal partido da oposição, a ND, assim como de outras forças como “União de Centristas” e a organização fascista criminosa “Amanhecer Dourado”. Com o lema principal “Macedônia é Grécia”, as forças nacionalistas e inclusive fascistas pretenderam explorar a preocupação justificada do povo sobre os desenvolvimentos nas relações do país com a ARYM, para semear o veneno do nacionalismo, da xenofobia.
O KKE não só não apoiou as ditas manifestações, como também tomou uma posição em sua conta, denunciou a ND e os demais partidos que buscavam pescar no rio revolto do nacionalismo e absolver os fascistas que participaram delas.
Assim, a publicação do periódico albanês “Shekulli” (“Século”), que afirmou que o KKE apoiou estas manifestações, somente provoca desgosto. Apesar da reação rápida da Seção de Relações Internacionais do CC do KKE, que exigiu que o periódico fizesse a correção e deixasse de desinformar seus leitores, esta não ocorreu. Parece que, além de outras coisas, o chauvinismo da “Grande Albânia”, semeado pelas forças políticas burguesas e pelos meios de comunicação básicos no país vizinho, cega as pessoas. No entanto, ninguém pode desacreditar o KKE e sua atividade.
Desde os primeiros anos de sua fundação, o KKE se opôs ao expansionismo chauvinista da burguesia grega, que, assim como outras formas de expansionismo chauvinista que se desenvolveram e continuam se desenvolvendo na região, tem como objetivo colocar os trabalhadores “sob uma bandeira estrangeira”, sob a bandeira dos capitalistas, levá-los a derramar seu sangue pelos interesses do capital e ocultar os interesses classistas comuns das classes operárias dos Bálcãs. O KKE mantém uma frente político-ideológica forte contra o expansionismo chauvinista, o nacionalismo e o xenofobismo. Tanto durante a campanha nacionalista da Grécia, em 1992 (da qual participaram todos os partidos políticos e entre eles Synaspismos, o predecessor do SYRIZA), como hoje, o KKE defende a verdade: destacou que é um fato inegável que a Macedônia é uma grande região geográfica compartilhada entre quatro Estados balcânicos, segundo o Tratado de Bucareste, em 1913. Por ocasião do tratado, a Grécia recebeu 51% do território, a Sérvia 39% (ARYM), a Bulgária 9,5% e a Albânia 0,5%. Além disso, o KKE assinalou que questionar esta realidade com a consigna “Macedônia é somente grega”, fazendo referência à região geográfica inteira da Macedônia, abre a garrafa de Eolo, alimenta o nacionalismo e o xenofobismo, proporciona um álibi àqueles que buscam a revisão dos tratados internacionais, como é o caso da classe dominante da Turquia, que questiona o Tratado de Lausanne. Isto acenderá a mecha do barril de pólvora nos Bálcãs... [ler mais]
A ilusão da erradicação do Daesh (Thierry Meyssan) 02-2018
«A queda do Califado e a dispersão dos jiadistas do Daesh (E.I.) abriram um período de reciclagem deste pessoal. Considerados, segundo os casos, como combatentes fanáticos ou simples psicopatas escondidos atrás de uma ideologia, eles são cortejados pelos Estados e pelas sociedades multinacionais que indirectamente os tem empregado. Thierry Meyssan traça o ambiente da sua segunda “chance” e avisa para a complacência de que os Ocidentais dão provas em relação à ideologia do Daesh, quer dizer da dos Irmãos Muçulmanos.
Se, com a queda do Daesh (EI), os dirigentes do mundo inteiro se interrogam quanto à reconstrução do Iraque e da Síria, muitas outras questões mais difíceis se colocam ainda, mesmo que não seja costume evocá-las em público.
No fim de qualquer guerra ideológica, como as guerras de religião do século XVI europeu, ou da Segunda Guerra Mundial no século XX, põe-se a questão do futuro dos soldados vencidos. Muitos cometeram crimes atrozes e não parecem poder ser reintegráveis nas sociedades vitoriosas.
Após as quedas sucessivas de Mossul, Rakka, Deir ez-Zor e Al-Bukamal, o Califado já não tem território. O fim do Estado Islâmico surge após o abandono pelos Estados Unidos do projecto de «Sunistão», cortando a “rota da seda” no Iraque e na Síria (plano Robin Wright [1], censurado pela intervenção do Presidente Trump em Maio de 2017). Definitivamente, os jiadistas foram derrotados pelos exércitos iraquiano e sírio.
Durante três anos, a Coligação global anti-Daesh alternou bombardeamentos ineficazes com lançamentos de armas aos jiadistas, tal como, longamente, o atestou o Parlamento iraquiano. Ela jogou um papel decisivo apenas aquando da batalha de Mossul, no decurso da qual tentou exterminar os restantes jiadistas arrasando completamente a cidade... [ler mais]
Propostas do PCV para uma saída revolucionária na Venezuela 02-2018
«Nos últimos anos se aprofundou a crise do esgotado modelo de acumulação capitalista dependente e rentista da Venezuela, gerando um crescente empobrecimento das condições de vida e trabalho das massas populares e trabalhadoras da cidade e do campo; pondo em evidência que os projetos progressistas-reformistas que se deram na Venezuela e outros países da América Latina a partir do princípio deste século, ao não serem dirigidos por organizações genuinamente revolucionárias, precisam do conteúdo de classe necessário para – além de medidas sociais assistencialistas – surgir extirpar pela raiz o sistema capitalista, propor que a classe operária e o povo trabalhador sejam a vanguarda dos processos de mudança até conquistar o poder e iniciar, sobre as bases científicas do marxismo-leninismo, a construção do socialismo.
Ante a crise do capitalismo dependente e rentista venezuelano, enquanto as massas trabalhadoras sofrem a acelerada perda da capacidade aquisitiva de suas escassas rendas – com um criminoso e desenfreado aumento nos preços de todos os bens e serviços – e a bonificação de seu salário – com graves prejuízos para o futuro das famílias e desprezando a demissão nas entidades públicas e privadas –, o banco continua com as mãos livres para a especulação financeira e cambial em detrimento da produção interna; os monopólios da alimentação aumentam seu domínio da estrutura de distribuição e comercialização; os setores comerciais e empresariais promovem o bachaquerismo sem controles efetivos da Sundde; a burguesia comercial-importadora obtém lucros multimilionários com o dólar preferencial para alimentos e remédios; se deterioram instalações industriais e agrícolas, ou não lhes são fornecidos os insumos oportunamente, para justificar sua paralisação e posterior liquidação ou privatização.
O cada vez mais restrito acesso à alimentação, à assistência médica de qualidade e aos remédios, produto da corrupção privada e pública, do bloqueio imperialista, da ineficiência estatal e da improdutividade nacional, está afetando gravemente a população. A instabilidade da economia e a perda de confiança no futuro do país, promovem o fluxo constante de migração juvenil profissionalizada, a fuga de cérebros e a perda de força de trabalho, o que afeta as perspectivas do desenvolvimento nacional.
O governo nacional, apesar de múltiplos anúncios e reiteradas promessas, não concebeu e, muito menos, executou políticas ou planos que signifiquem uma saída revolucionária à crise capitalista venezuelana, ou seja, em favor dos interesses do povo, limitando-se a gerir a crise sem afetar o domínio do capital... [ler mais]
Pacote de privatizações: velho discurso em favor de antigos interesses (Cristovam Thiago e Eduardo Grandi) 02-2018
«Porém, a lógica privatista está muito além da pura e simples ganância de um punhado de bilionários. Dada a tendência histórica de queda das taxas de lucro, restam poucas saídas para o capital privado seguir crescendo – e a falta de crescimento é doença mortal para o capitalismo. Uma das saídas é buscar novos espaços para despejar capitais excedentes e torná-los fonte de mais lucro. Outra é promover o assalto indiscriminado aos cofres e ao patrimônio públicos, tomando a preço de banana empresas e ativos lucrativos e consolidados. É assim que, juntando a fome à vontade de comer, o mote da privatização se torna tendência constante da nossa época, imperativo para que o capitalismo possa sobreviver.
Porém, os capitalistas esquecem que tentar resolver seus problemas pela redução do Estado só abre espaço para mais problemas, para novas e mais violentas crises. Pois um Estado forte é funcional para garantir os lucros do capital privado em tempos de “prosperidade” (vide as transferências de trilhões de reais ao capital privado em empréstimos, subsídios, renúncias fiscais, pagamento de juros da “dívida” pública, etc., ocorridas principalmente nos governo Lula e Dilma, e que foram determinantes na atual crise fiscal), e vital para assumir o prejuízo em tempos de crise. Papel este que o governo do golpista Temer tem levado a cabo até as últimas consequências, com retirada de direitos, congelamento dos investimentos públicos, destruição da previdência – e claro, mais privatizações. Só que um Estado cada vez menor torna-se também cada vez menos capaz de “apagar o incêndio” das crises cíclicas, como a de 2008, da qual o mundo ainda não se recuperou e que hoje afeta pesadamente o Brasil.
Portanto, diferente do que a falácia liberal coloca, o “Estado mínimo” é algo que está longe dos interesses do capital. Precisa ser máximo para garantir o lucro privado, mas precisa também ser encolhido para garantir tais lucros – e aí está a grande contradição que leva o capitalismo a uma espiral descendente, na qual a classe trabalhadora é a grande prejudicada, de forma que aí está o grande risco que a prática da privatização proporciona ao conjunto da sociedade... [ler mais]
Mais trabalho e menos salário 02-2018
O Partido do governo teve o apoio dos partidos formalmente de direita PSD e CDS no chumbo da proposta da reposição do valor pago pelo trabalho suplementar, o que seria uma pequena reversão, negando-se por completo em revogar algumas das alterações ao Código do Trabalho levadas a cabo pelo governo pafioso de Coelho/Portas a mando da troika/Bruxelas. No essencial, o PS continua com a mesma política de austeridade para os trabalhadores e será mais por uma questão eleitoral, as legislativas estão à porta e todos os paridos entraram em pré-campanha, que não irá de imediato aceitar na prática a recomendação de Bruxelas: os trabalhadores efectivos e com contrato sem termo deverão ser mais fáceis de despedir.
Deve dizer-se que os salários nominais quase que estagnaram desde 2015, com a pequena excepção do salário mínimo nacional, e em termos reais a variação é francamente negativa. É o próprio Ministério do Trabalho que o admite, os salários subiram em média 1,5% e os contratos a prazo representam cerca de 30% dos contratos feitos. A par dos baixos salários, a degradação da qualidade do emprego é evidente, embora o Costa do governo diga que pugna por emprego com mais qualidade e melhores salários; ou seja, a precariedade aumentou, a segurança laboral também se degradou, e, ainda não satisfeitos, os patrões opõem-se à reversão das alterações da Lei do Trabalho, ou melhor, concordam com o relatório sobre a zona euro da Direcção-Geral dos Assuntos Económicos e Financeiros da Comissão Europeia, que aponta para uma «excessiva protecção no trabalho aos contratos permanentes» em Portugal e em Espanha.
Em pouco mais de um mês, ao que parece para começar bem o ano de 2018, foram despedidos, em termos de despedimento colectivo, cerca de 1500 operários, o que decerto irá estragar as contas do governo quanto à diminuição do desemprego e de criação de novos postos de trabalho, que, segundo os números martelados do INE, teria chegado aos 240 mil desde o princípio da legislatura. Ainda se falava da insolvência da Triumph/Gramax e mais outro despedimento colectivo era anunciado: 600 trabalhadores da Ricon. Mais uma falência com contornos abertamente fraudulentos, que não teve demoras mostrando que nestes casos a justiça até funciona bem, e resultado, por outro lado, da tentativa da nossa burguesia de querer enfrentar a concorrência estrangeira: dentro da UE o capitalismo nacional tem lugar destinado a uma posição de subalternidade, de simples subsidiariedade, uma espécie de sucursal do capitalismo europeu, onde predominam os grandes grupos económicos alemães, isto é, nem filial chega a ser. A nossa burguesia indígena mais não é que uma burguesia lumpen, meramente rentista, fazendo parte da cadeia capitalista e imperialista mais global, demonstrando só por esse facto de que a etapa da revolução que se depara à classe operária portuguesa é a da revolução socialista... [ler mais]
Por la salida del euro y de la UE para construir una Andalucía independiente y socialista 02-2018
Para Nación Andaluza es imprescindible la salida de Andalucía de la Unión Europea, del euro y del Estado español
La organización propugna trabajar por una alternativa al modelo ultraliberal anglosajón en forma de una Unión Mediterránea “como marco preferente de interrelación y asociación” al servicio de los intereses de los pueblos, en el que se inserte una Andalucía soberana que “aplicará políticas de paz, desarrollo y cooperación como la herramienta para superar el actual estadio del capitalismo en su fase imperialista”.
La posición de NA contraria a la subordinación a la instancia supraestatal europea se inscribe dentro de la ponencia política aprobada en su reciente XIV Asamblea Nacional, celebrada en Almería: El socialismo infantista, la vía andaluza al socialismo.
Precisamente, la parte relativa a la “Ruptura con el europeísmo. Unidad política, social y económica mediterránea” en la que se aborda la cuestión europea comienza, significativamente, con una cita del Padre de la Patria andaluza, perteneciente a su obra La verdad del complot de Tablada, en la que Blas Infante se expresaba con claridad respecto a la ideología todavía hoy vigente: “¡Europa, no: Andalucía! Europa es, por su método, la especialización que convierte al individuo en pieza de máquina. […] Europa es el feudalismo territorial e industrial. […] Nosotros no podemos, no queremos, no llegaremos jamás a ser europeos”.
Para Nación Andaluza es imprescindible la salida de Andalucía de la Unión Europea, del euro y del Estado español para poder construir la República Andaluza de Trabajadores, instrumento necesario para alcanzar el objetivo principal de la organización, la construcción del socialismo. Para NA, la creación de un Estado independiente que garantice la soberanía nacional y personal de quienes habitamos nuestra tierra pasa por abandonar todas las instituciones que nos someten a decisiones tomadas fuera de ella y que obedecen a intereses ajenos al pueblo andaluz. La futura República Andaluza no puede formar parte de la Unión Europea porque la cesión de soberanía a la UE impediría ejecutar las reformas necesarias para construir una sociedad basada en la igualdad entre todos los seres humanos y la justicia social. La imposición del modelo económico ultraliberal que defiende la UE haría imposible avanzar hacia el modelo de “socialismo infantiano” que desde Nación Andaluza se viene desarrollando desde hace años... [ler mais]
Reciclagem da Dívida Ativa: um esquema altamente fraudulento 02-2018
“É um esquema altamente fraudulento, que quebrou a Grécia. É ilegal, fere a Constituição”. A frase é da coordenadora nacional da Auditoria Cidadã da Dívida, Maria Lúcia Fattorelli, em entrevista ao Programa Viva Roda, apresentado pelo jornalista Felipe Pena (1).
Maria Fattorelli se refere à criação da chamada ‘Empresa Estatal Não Dependente', que ela descobriu na Grécia ao auditar a dívida daquele país em 2015. Aqui no Brasil surgiram empresas como essas, em sociedade com os estados e municípios, que emitem papéis com garantia do Estado para reciclar a dívida ativa, mas que apenas aumentam ainda mais a dívida pública.
Ela cita o exemplo da empresa PBH Ativos S.A., de Belo Horizonte, cujo principal sócio é o município. Começou a operar com capital de apenas R$ 100 mil, mas emitiu 23 mil debêntures no valor de R$ 100 mil cada, com garantia do município. “Na prática, isso é uma dívida pública disfarçada”, afirma a auditora.
Segundo Fattorelli, por esses papéis são cobrados o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – índice oficial da inflação) mais 11% de juros, uma quantia impagável. Os bancos, explicou, ganham com a emissão desses papéis e muitas vezes com a compra desses mesmos papéis, tornando-se credores dos estados e municípios.
Os papéis são criados para reciclar a dívida ativa, mas tornam-se parte da dívida pública. Conforme explicado por ela, enquanto a dívida pública representa o montante devido por estados, governo e municípios (a União), a dívida ativa, por sua vez, são créditos a receber de tributos não pagos no prazo, a maior parte constituída de créditos podres, pois as empresas devedoras já quebraram, muitas não existem mais. São créditos dificílimos de receber... [ler mais]
Entrevista con Pablo Hasel: “Una absolución en la Audiencia española es casi imposible, es un tribunal fascista” 02-2018
«Pablo Rivadulla, conocido por el nombre artístico Pablo Hasel, declaró el jueves en la Audiencia española. Lo acusan de enaltecimiento del terrorismo, calumnias e injurias a la corona española y otras instituciones del Estado –la Guardia Civil y la policía española– por unas decenas de mensajes publicados en Twitter. La fiscalía le pide una pena de dos años y nueve meses de prisión y una multa de 45.000 euros; una sanción que, en caso de no pagarla, añadiría dos años más a la pena de prisión.
La declaración judicial se hizo viral. Hasel hizo frente al tribunal y a la fiscal y se justificó reivindicando el derecho de libertad de expresión y el hecho de que fueran informaciones publicadas en medios de comunicación. Hasel asume que probablemente será condenado a prisión. Reconoce que tiene miedo, pero que no piensa hacerse atrás: ‘Si no, ellos ganan’
—¿Por qué has declarado con tanta dureza?
—Porque no tengo que pedir perdón. Pienso defender mis ideas al precio que sea. Me quieren condenar a prisión por haber defendido unos hechos objetivos. Es propio de una inquisición, de un régimen fascista. Detrás de esta persecución hay una rabia lógica. He sido bastante directo, en el sentido que no tengo que esconderme de nada y defenderé estos hechos objetivos hasta las últimas consecuencias.
—¿Qué os preguntó la fiscal sobre el rey español y los comentarios que habíais hecho sobre él?
—La fiscal preguntaba cuál era mi intención. Pues que se sepa qué hace la monarquía. Para qué usan nuestro dinero público. Y al mismo tiempo, como republicano, denunciar a una institución que no representa nuestros intereses y que es totalmente antidemocrática. Realmente, la fiscal decía que el hecho de que yo calificara de ‘asesino, mafioso y parásito’ al rey traspasaba la libertad de expresión. Lógicamente, si uno es republicano es porque piensa esto del rey; si no, no lo seríamos. Aparte, todo lo que he denunciado de la monarquía está demostrado. Medios no sospechosos de ser revolucionarios, incluso la prensa del corazón, han hablado, de cómo se ha comprado con dinero público el silencio de amantes del rey... [ler mais]
Fórum Económico Mundial – O Baile dos Vampiros (Ana Moreno) 02-2018
«Terminou anteontem um dos rituais mais escancaradamente denunciadores desta “ordem mundial canibalista” – como classifica os nossos tempos o sociólogo Jean Ziegler, que também é o autor da acertadíssima denominação “Baile dos Vampiros” aplicada ao Fórum Económico Mundial, realizado anualmente em Davos, nas montanhas suíças.
Neste baile, os gigantes económicos mundiais, a elite da globalização, dá-se ao trabalho de fingir que tem nobres preocupações para além das evidentes e comezinhas de manter os dentes afiados para garantir os lucros próprios e continuar a sugar e a crescer. O manto desta suposta nobreza oferece aos seus lacaios políticos um pretexto para lhes irem comer à mão desavergonhadamente e venderem por bagatelas cada vez mais ínfimas o sangue dos países e povos que fingem servir, enquanto os colossais dráculas lhes ditam – e eles apontam no caderno – os trabalhinhos de casa para a disciplina de desregulação.
Nesta 48a edição estiveram 70 chefes de estado e de governos, entre os quais os pequenitos, como o governo português, com o objectivo declarado de “colocar Portugal entre as prioridades dos investidores mundiais” e os maiores, como o desvairado Trump, com o seu “A América está de portas abertas ao negócio”. Fazer os impostos dos portentos tenderem para a nulidade, fornecer mão de obra barata e desbaratar os direitos dos consumidores, criar PPPs, assegurar uma justiça paralela com privilégios especiais, rebentar com as regulações, tudo faz parte do menu disponibilizado para que os poderosos, mais o seu capital, possam circular à vontade, leves e livres como livres são os acordos de comércio e investimento que lhes dão asas.
Vampiros selectos e de bom gosto que são, não descuram pormenores e escolhem lemas do mais belamente hipócrita, como o deste ano: “Como criar um futuro partilhado num mundo fracturado”. Os próprios autores da fracturação a emanarem ideias de partilha. Que elegante exponente máximo do cinismo!... [ler mais]
CUP: "La única manera de materializar la República es mediante la desobediencia masiva" 02-2018
«Entrevista con María Sirvent. Es lo que en Latinoamérica definimos como "un cuadro político", forjada en la lucha en Terrassa
Alli ejerció como concejal, hasta que sus compañeros y compañeras la catapultaron al Parlamento. Ella señala que la lucha que se está emprendiendo es compleja pero que hay una firme voluntad del pueblo en doblarle el brazo al imperio español, y para ello la CUP sigue convocando a lo que ya dio resultado en el referéndum histórico del pasado 1 de octubre: la desobediencia masiva acompañada de un programa de gobierno para hacer posible la República Catalana.
-Qué es y qué representa la CUP en el marco de la lucha de Catalunya por su independencia?
-La Candidatura de Unidad Popular es un espacio político en el que buscamos una alternativa al sistema capitalista con la finalidad de que seamos soberanos a la hora de decidir respecto a todo aquello que nos afecta. Creemos que en el marco autonómico actual, el de las instituciones tal cual las conocemos, el margen de actuación política es limitado y nos encontramos que cuando se quiere avanzar en derechos sociales y políticos, se nos coarta cualquier posibilidad para tener capacidad de decisión. Nosotros defendemos la independencia, el derecho a la autodeterminación para conseguir la República catalana, dado que en el actual escenario en que nos encontramos hay determinados derechos que no están garantizados. Por otra parte, para la CUP los ejes básicos de nuestro proyecto político son la liberación nacional y social y de género.
-¿Cuáles son esos derechos?
-En primer lugar el de la autodeterminación, y luego siguen el derecho a la libre expresión, a manifestarnos, a la vivienda, a una salud pública que funcione realmente, al acceso a suministros básicos. Entendemos que para llegar a ese punto debemos romper con el marco actual y buscar alternativas que vayan más allá de los límites estatutarios y constitucionales. En las actuales circunstancias todo está pensado desde el poder para favorecer intereses corruptos, de multinacionales, de entidades bancarias, etc, y para nosotros es importante avanzar con un proyecto que ponga adelante a la comunidad por sobre los indivíduos y que podamos ir gestando esa alternativa que buscamos... [ler mais]
O fiel lacaio... e os trabalhadores em luta 01-2018
O nosso Primeiro correu para Davos, onde tem lugar a reunião magna dos donos do mundo capitalista. Foi receber instruções como se deve fazer a exploração dos trabalhadores em Portugal e como se irá repartir a riqueza extorquida, sempre o maior quinhão para o capital e o mínimo indispensável à sobrevivência de quem trabalha e produz a mais-valia. Assim se compreende que a situação no nosso país não seja significativamente diferente da do resto do mundo: mais de 80% da riqueza criada no mundo em 2017 foi parar às mãos dos mais ricos que representam 1% da população mundial e a riqueza dos multimilionários aumentou 13% ao ano desde 2010, 6 vezes mais do que os aumentos dos salários dos trabalhadores que ficaram pelos 2%. É a concentração capitalista, é a acumulação da riqueza num sistema de vasos comunicantes que drena sempre para o mesmo lado, o lado da burguesia.
A política de austeridade mitigada aplicada pelo PS/Costa é o instrumento no sentido da acumulação e concentração capitalistas, que tem funcionado muitíssimo bem graças à colaboração de PCP e BE, garantes da paz social. A nomeação de Centeno para a presidência do Eurogrupo, espécie de organismo mafioso, por não sujeito a escrutínio democrático, é a recompensa do sucesso dessa austeridade soft, ao mesmo tempo a garantia de que irá continuar, e a confirmação de que o PS é o fiel lacaio em que se pode confiar. O tenebroso Schäuble esfrega as mãos de contentamento e os banqueiros alemães e o grande capital europeu em geral sorriem ao contemplar os números a subir nas folhas do excel.
Para os capitalistas regozijarem, os trabalhadores alombam com maior exploração. Os trabalhadores da Autoeuropa são intimidados a aceitar o trabalho à borla aos sábados, o prolongamento da jornada de trabalho para as 12 horas e trabalho também ao domingo, ao gosto da Associação do Comércio Automóvel de Portugal, ao mesmo tempo que são metralhados com as mais diversas provocações de ganharem acima da média nacional (na Autoeuropa há 2500 trabalhadores com salário de 600 euros), de beneficiarem de ajudas indevidas da Segurança Social para a creche dos filhos ou de desprezarem "o país", porque alegadamente, com a sua atitude irredutível, colocam em perigo a permanência da fábrica alemã em Portugal. É a intimidação, a manipulação e a mentira que são usadas, como já é habitual, para amedrontar os trabalhadores de molde a que se deixem explorar até ao tutano e para servir de exemplo aos restantes trabalhadores de que não vale a pena lutar. Quando a manobra não dá resultado, então entra em cena a conciliação e a capitulação dos falsos defensores dos trabalhadores, as comissões ou os sindicatos, nomeadamente o ligado à CGTP, que não subscreveu o pré-aviso de greve para os dias 2 e 3 de Fevereiro; greve aprovada, democraticamente, pelos trabalhadores em plenário. Os trabalhadores da Autoeuropa não se deixarão intimidar e saberão dar resposta aos ataques, e a quem os desfere, de que agora estão a ser vítimas. A solidariedade de outros trabalhadores em luta e da classe operária em geral é mais do que certa.... [ler mais]
O herdeiro - Manuel Loff 01-2018
Artigo de Manuel Loff, escrito em 2016, pouco tempo antes da eleição do presidente-rei, e que diz bem do figurão que, nestes dois anos de mandato, mais não tem feito senão preparar o terreno para se arvorar um dia destes em salvador da pátria (leia-se dos capitalistas e do seu sistema de exploração). Um pequeno bonaparte à portuguesa, uma versão pós-moderna do presidente-rei Sidónio. Parece-nos que o homenzinho não terá fim muito diferente do daquelas personagens históricas. O tempo se encarregará de o demonstrar.
«Desde 1973 que conta as histórias que quer, como quer, explicando Portugal como se fosse como ele diz, mas que não passa de um país que ele inventa semanalmente a seu gosto.
Ele é, por definição, um herdeiro. Filho de dirigente salazarista que, com 53 anos em 1974, havia feito todo o cursus honorum da ditadura (Mocidade Portuguesa, deputado, subsecretário de Estado, governador colonial, ministro), Marcelo Rebelo de Sousa (MRS) foi “educado para ser político”, como escreve o seu “biógrafo consentido”, Vítor Matos (VM), que assim se autodefine no livro de 2012 onde reúne informação preciosa obtida do próprio biografado, e que aqui citarei. Marcelo é um herdeiro – não apenas no sentido estrito de primogénito de uma das figuras mais típicas dessa elite de funcionários fiéis que Salazar e Caetano recrutavam, cuja legitimidade repousava exclusivamente na lealdade para com o Chefe, mas também como produto (e produtor) de uma universidade classista que, na definição de Pierre Bourdieu (1964), é “a própria instância de reprodução dos privilégios e da preservação dos interesses dos herdeiros”. A tal ponto MRS se terá sentido a vida toda um herdeiro que logo aos 27 anos (1976) quis escrever as suas memórias. A maioria delas não eram suas mas sim daqueles de quem ele era herdeiro. “Tinha conhecido o salazarismo por dentro e vivera o marcelismo, lançara o Expresso, estivera na fundação do PPD e vivera a Constituinte. Tinha histórias para contar.” (VM, 319)
“Se havia gente que o achava afilhado de Caetano” - e não o era, por falta de vontade deste - “ele deixava achar”, assegura o padre João Seabra (VM, 86). Desde os “10 ou 12 anos” que o pai Baltazar o leva a assistir aos lanches de sábado no restaurante A Choupana, em S. João do Estoril, onde Caetano, afastado do governo em 1958, reunia os marcelistas indefetíveis enquanto fazia a sua travessia do deserto que só terminará com o AVC de Salazar. “Ouvir horas de discussão entre seniores do regime podia ter injetado em Marcelo o talento para para a intriga por detrás do pano. (…) O pai empenha-se em instruí-lo nos meandros do regime” (VM, 87-88). MRS descreve a experiência como “uma escola”, e é revelador que ache que “os comportamentos políticos não são muito diferentes em ditadura ou em democracia[,] as amizades, as inimizades, as traições, a atração do poder” (cit. VM, 91). Aos 20 anos, senta-se à mesa de todos os jantares oficiais do Governo Geral de Moçambique assumido pelo pai desde 1968. Quando Caetano sobe ao poder, janta uma vez por semana com ele. O adolescente a quem nunca faltou inteligência e intuição para o poder empenhou-se a fundo nessa “educação para ser político”, isto é, um futuro hierarca do regime; há quem se lembre no Liceu ouvi-lo dizer que um dia queria ser Presidente do Conselho (VM, 91). Muito jovem, assumirá os discursos e os temas de “exaltação nacionalista” do salazarismo dos anos 60: critica “a falta de amor pátrio daqueles que, direta ou indiretamente, (…) se divertiram neste Carnaval de 1962”, semanas depois da perda de Goa e em plena guerra em Angola. “Mais do que uma vilania foi uma afronta, uma verdadeira declaração de traição”. Em 1963, conclui uma redação escrevendo: “Pobres das nações que não têm filhos que lutem por elas e para elas!...” (cit. VM, 88-90) É surpreendente que, anos depois, não tenha feito a guerra em África. E teria tido tempo: acabou a licenciatura em 1971 e o Curso Complementar de Político-Económicas em 1972... [ler mais]
Nova Reforma: 33 teses para reformar a Economia ensinada 01-2018
« Dia 12 de dezembro passado, coincidindo com os 500 anos das Teses de Lutero, um grupo de economistas e estudantes 'cravaram' na porta da London School of Economics uma lista de recomendações para uma reforma da Economia ensinada.
Estas 33 Teses, elaboradas por estudantes, economistas y acadêmicos reunidos por Rethinking Economics e New Weather Institute, respaldadas por importantes economistas y dirigentes políticos, como a deputada britânica Caroline Lucas, resumem uma detalhada crítica da corrente dominante no ensino e na prática da Economia.
Economistas de renome como Mariana Mazzucato, Kate Raworth, Steve Keen, além de Sally Svenlen, aluna do Rethinking Economics, tomaram parte num ato presidido por Larry Elliott, editor da seção de Economia do jornal The Guardian, no qual se debateram as 33 teses e a demanda por reformas.
O ato aconteceu na 3ª-feira 12 de dezembro, no University College de Londres. Ao final, os participantes, público e estudantes encaminharam-se à entrada principal da London School of Economics, em cuja porta fixaram suas Teses e exigiram a Reforma.
Os estudantes de Rethinking Economics vêm protestando já há cinco anos. Desde ações de levantar-se e sair das salas de aula como forma de protesto, até a publicação de um manifesto para que o programa acadêmico seja reformado, buscando apoios para elaborarem seu próprio livro-texto, até a publicação de The Econocracy, livro sobre a história e os argumentos do movimento (Rethinking Economics).
33 TESES PARA REFORMAR A ECONOMIA ENSINADA - O MUNDO ENFRENTA MISÉRIA, DESIGUALDADE, CRISE ECOLÓGICA E INSTABILIDADE NAS FINANÇAS …
Preocupa-nos que a Economia faça hoje muito menos do que poderia para abrir caminho para intuições que ajudem a resolver esses problemas. Acontece assim por três razões:
Primero, porque se desenvolveu, no seio da Ciência Econômica, um insano monopólio de ideias. A perspectiva neoclássica domina escandalosamente o ensino, a pesquisa, o assessoramento para políticos e o debate social. E marginalizaram-se e excluíram-se muitas outras vias que podem levar a intuições valiosas. Esse processo nada tem a ver com uma teoria ser ou não ser melhor que outra. Só tem a ver com a noção de que o debate é o único meio para fazer avançar a ciência. No seio da Economia ensinada esse debate morreu.
Segundo, por mais que a Economia neoclássica tenha feito contribuição historicamente relevante, ainda útil hoje, há enormes possibilidades para melhorar, para debater e para aprender outras disciplinas e perspectivas.
Terceiro, a corrente dominante da Economia parece ter-se tornado impotente para se autocorrigir. Com isso passou a desenvolver-se mais como fé, que como ciência. Com excessiva frequência nos casos em que teoria e evidência empírica se contradizem, tudo se faz para salvar as teorias, mesmo que ao preço de ignorar a evidência empírica.
Propomos essas Teses como desafio ao ensandecido monopólio intelectual pela corrente que hoje domina a Economia. Exemplos do dano que esse monopólio provoca são as falhas persistentes no corpo da teoria principal; e a persistente ignorância (i) das muitas intuições que as perspectivas alternativas podem oferecer; e (ii) dos variados modos pelos quais um enfoque mais pluralista pode tornar a Economia mais eficaz e mais democrática.
Afirmamos aqui que uma melhor Economia é possível. E convidamos todos ao debate... [ler mais]
O governo anti-popular do SYRIZA-ANEL "semeou ventos e colherá tempestades" 01-2018
«Na noite de 15 de Janeiro o parlamento grego aprovou o projecto de lei que prevê novas medidas anti-populares, numa sessão plenária com votação nominal como exigido pelo KKE. Dentre as medidas aprovadas destacam-se: o ataque ao direito de greve, a extensão de leilões electrónicos de dívidas para com a administração fiscal e fundos da Segurança Social, cortes nas prestações sociais para com crianças e inválidos. Outros elementos no projecto de lei aprovado incluem privilégios e novas isenções fiscais para grupos de negócios.
O secretário-geral do CC do KK e outros deputados do partido denunciaram os objetivos reais anti-trabalhadores atendidos pela nova lei e pela linha política do governo como um todo e demonstraram o acordo substancial da Nova Democracia com um número de medidas anti-populares. Os deputados do KKE enfatizaram que com esta política o governo SYRIZA-ANEL "semeia ventos e colherá tempestades".
Dimitris Koutsoumpas, secretário-geral do CC do KKE, ao tomar a palavra dirigiu-se ao primeiro-ministro A. Tsipras do pódio do Parlamento com as seguintes palavras:
"Vocês enganam-se a si próprios se pensam que a classe oper]aria, o povo, aceitará esta situação como algo feito e consumado. Nós lhes dizemos que não abandonaremos sem combate os direitos adquiridos pela classe operária com o seu sangue. Vocês nos encontrarão constantemente no seu caminho, por muita lama que atirem, por muita calúnia que utilizem, por muito autoritarismo que possuam, qualquer que seja o número de lacaios que vocês paguem. E nós lhes recordamos que ri melhor quem ri por último"... [ler mais]
2018, um ano de instabilidade 01-2018
O ano que acaba de entrar, 2018, será um ano de instabilidade, de instabilidade social se os trabalhadores e o povo português decidirem deixar-se de ilusões e não embarcar na canção de embalar cantada pelo PS e pelos partidos que lhe dão apoio no Parlamento; de instabilidade política a nível de governação por parte dos partidos da direita institucional, desejosos de ir ao pote e que vêm a vitória em 2019 teimar em fugir; de instabilidade presidencial, o presidente monárquico, que segue uma agenda própria de candidato a Bonaparte, caso a situação o chame, não vê com bons olhos, como toda a direita trauliteira de que faz na realidade parte, um governo aparentemente de esquerda, com partidos da dita esquerda radical, para cúmulo, incluindo comunistas, a terem demasiado protagonismo, qualquer dia até quererão governar sozinhos. A estabilidade conseguida dia a dia pelo partido do governo e oferecida de bandeja pelos partidos que controlam o mundo sindical, e passe a hipocrisia presidencial, não é certa nem segura, porque nem a aparente recuperação da economia assente no turismo será por muito tempo e... nem o povo é de confiança.
O princípio do ano é já marcado por despedimentos colectivos. Os trabalhadores da antiga fábrica de lingerie feminina Triumph permanecem diariamente à porta da fábrica, em defesa dos seus salários, já não receberam a última semana de Novembro, o mês de Dezembro e o subsídio de Natal, e para impedir a retirada de máquinas e materiais da empresa, que se encontra em processo de insolvência. A empresa suíça Têxtil Gramax que a adquiriu, ou fingiu adquirir, tem em mente deslocalizar para a Ásia, sem pagar salários nem indemnizações às 460 operárias e operários, tendo requerido a insolvência e que o tribunal de Loures rapidamente decretou. Uma fábrica que teve sempre lucros, são cerca de meio milhar de trabalhadores que irão para o desemprego, como se costuma dizer, com uma mão atrás e outra à frente. Irão ser brevemente acompanhados pelos 180 operárias e operários da conserveira Cofaco, dona da marca Bom Petisco, e que "é um rude golpe para a economia da ilha do Pico", segundo dizer do autarca laranja da Madalena, que se esquece de referir que o seu partido é em larga parte responsável pela falta de saídas de emprego local; a par do PS, diga-se de passagem, que detém o poder da governação do arquipélago e do poder central. Neste último despedimento colectivo a argumentação da empresa, que até tem recebido ajudas do estado, é a construção da nova fábrica que estará pronta daqui a dois anos. Prometem-se pagamento integral dos salários e das indemnizações, agora bem mais baratas, e uma hipotética contratação na nova fábrica, que já sabemos irá laborar só com trabalhadores contratados a prazo e salários ainda mais miseráveis. É o desemprego e a miséria. Por outro lado, a luta dos trabalhadores dos CTT contra os despedimentos, o encerramento de estações que irá potenciar esses despedimentos, a luta dos trabalhadores da Autoeuropa contra o trabalho à borla e as lutas dos professores e dos trabalhadores da Saúde, entre outras lutas mais localizadas, continuarão e não deixarão de marcar o ano de 2018. A estabilidade social assegurada pelas direcções sindicais e partidos da esquerda dita "responsável" está longe de garantida. (...)
Entretanto os partidos sustentáculos do governo PS/Costa irão de vitória em vitória até à derrota final. O BE continuará a chorar baba e ranho pelas "traições" do PS, são as rendas excessivas das eléctricas, o SNS, que continua a ser desmantelado paulatinamente, apesar das intervenções bem intencionada do considerado "pai" da dita criança, ou dos contratos precários, que sob o PS jamais acabarão, e o PCP que irá dar uma de "esquerda", enchendo a boca de um paleio bacoco e hipócrita, na Saúde, no Ensino e entre os operários, é ver Jerónimo junto das operárias da Triumph com uma mão cheia de coisa nenhuma, ou na Autoeuropa com a conciliação em relação aos planos do grande capital alemão, os trabalhadores devem oferecer voluntariado para trabalhar aos sábados, ou com a "produção nacional", que não é tida devidamente em conta, usando cada vez mais uma linguagem que nada tem a ver com um partido defensor da sociedade comunista e que nem social-democrata chega a ser. Um cartaz que diz “salários — emprego — produção — soberania” vale por um programa inteiro, o mais puro oportunismo, em termos políticos e ideológicos. Do lado da esquerda, ou do que se entende por tal, a instabilidade, a verdadeira instabilidade para o governo virá da luta operária e popular. O oportunismo trará instabilidade para o BE e o PCP, para além de fracos resultados eleitorais, que por sua vez se irá reflectir no governo apelidado pela direita de geringonça, sem aspas. Mas, pelo que se vê dentro do PSD, o partido por excelência da burguesia nacional, a instabilidade é geral... [ler mais]
¡Libertad para la joven palestina Ahed Tamimi! 01-2018
«Desde el Sindicato de Estudiantes, Libres y Combativas e Izquierda Revolucionaria queremos manifestar nuestro absoluto rechazo al encarcelamiento de la joven luchadora palestina de 16 años Ahed Tamimi. ¿Su delito? Oponerse a la ocupación israelí que masacra a su pueblo.
Detenida por luchar
Ahed Tamimi fue detenida el pasado 19 de diciembre tras haberse hecho viral un vídeo en el que ella junto a sus primas se resisten a la entrada de los soldados armados a su casa en NabiSaleh- un pequeño poblado cerca de la ciudad palestina de Ramallah-. Los hechos filmados sucedieron después de que el ejército disparara una bala de goma en el rosto de su primo de 15 años.
Tres días después de que el vídeo se subiera a las redes el ejército preparó una incursión en el hogar de los al-Tamimi de madrugada para sacar a Ahed de la cama, esposarla y empujarla hacia un furgón que esperaba ante la puerta. Cuando la madre y la prima de Ahed fueron hasta la comisaría donde se encontraba la joven también ellas fueron detenidas.
El tribunal militar israelí acusa a Ahed de un total de doce cargos entre los que se encuentra el de “agresión a un soldado”, “lanzar piedras” e “incitación”. Este 2 de enero el fiscal pidió cárcel incondicional para las tres mujeres y el ministro de educación israelí Naftali Benet declaró públicamente que las jóvenes “deberían acabar sus vidas en prisión”.
Ahed es una activista palestina conocida por su resistencia a la ocupación militar israelí de Cisjordania. Con tan solo 12 años se enfrentó a soldados de la ocupación impidiendo que se llevasen a su hermano menor. En 2009 la ocupación israelí se hizo con el control de la única fuente de agua. Desde entonces el pueblo de NabiSaleh se manifiesta todos los viernes del año contra la ocupación y es uno de los núcleos más activos de la resistencia palestina... [ler mais]
Cenário de queda de juros pode levar à maior concentração no setor bancário 01-2018
«A tendência de concentração do capital, com a redução do número de empresas e a absorção das empresas de menor porte e menos rentáveis pelas empresas maiores, é uma tendência geral do capitalismo, presente em todos os setores da economia, hoje, em sua grande maioria, dominados por oligopólios (poucas empresas responsáveis pela maior parte da produção), tendendo ao monopólio (uma só empresa). Essas configurações aumentam o poder das empresas de impor preços mais elevados aos consumidores. A presença de conglomerados – grupos de empresas de diferentes setores sob controle centralizado do capital – é outra tendência universal do sistema.
No setor bancário, tem grande influência na determinação da taxa de juros cobrada pelos bancos privados e públicos a taxa paga pelo governo federal aos que detêm os títulos públicos por ele emitidos para captar recursos. A política de redução dessa taxa, que vem sendo operada nos dois últimos anos, visa a estimular a economia, tanto pelo lado do consumo quanto pelo investimento privado. Muitos países capitalistas, incluindo-se os desenvolvidos, se utilizam desse instrumento para combater as crises econômicas recessivas, chegando até, em alguns casos, aos juros negativos.
No caso brasileiro, em que o setor bancário sempre lucrou com a inflação e a recessão, pelas elevadas taxas de juros cobradas, restringindo a expansão da indústria e de outras atividades econômicas e levando os especuladores financeiros`ao enriquecimento fácil, a redução do número de bancos pode aumentar ainda mais o poder dessas instituições, tornando as coisas mais difíceis para os clientes. Como se trata de uma tendência geral do sistema, somente com a presença de bancos públicos fortes se pode combater a influência e o poder dos grandes bancos privados. A solução, assim, para que se possa ter, no Brasil, uma retomada do desenvolvimento voltado para as demandas da maioria da população, é a estatização do setor bancário, com a absorção dos bancos menores em situação de inviabilidade e o fortalecimento dos atuais bancos públicos, apontando para a propriedade e o controle estatal sobre todo o setor.. [ler mais]
KKE: “Tiramos conclusões, nos tornamos mais fortes” 01-2018
«É um grande prazer dirigir-me através das páginas do periódico histórico, “Sovetskaya Rossiya”, aos trabalhadores da Rússia, do país onde se “rompeu o elo”, como disse Lenin, que “indicou a direção” para a derrubada revolucionária do capitalismo e a construção da nova sociedade, a sociedade socialista-comunista.
Os acontecimentos da contrarrevolução e da derrubada do socialismo não confundiram o olhar nem a mente ou o julgamento dos comunistas da Grécia, do KKE. De fato, em 28 de dezembro de 1991, poucas horas depois de a bandeira vermelha ter baixado no Kremlin, o Rizospastis, órgão do Comitê Central do KKE, colocava em sua capa histórica: “Camaradas, mantenham a bandeira no alto! A esperança está na luta dos povos!”.
2017, ano do centenário da Grande Revolução Socialista de Outubro, foi marcado pela atividade multifacetada de nosso Partido. Nosso Partido é também fruto da chama revolucionária de Outubro.
Em nosso país ocorreram centenas de atividades políticas e culturais importantes em homenagem da Revolução Socialista.
Ao mesmo tempo, através de nossa atividade ideológica e política, assim como através de nossa atividade nos sindicatos e nas demais organizações populares de massas, buscamos defender a causa justa da classe operária e das demais camadas pobres contra a política antipopular, destacar a necessidade do poder operário, que é o único contrapeso verdadeiro ante a barbárie capitalista.
Os comunistas da Grécia lutam pela organização da luta da classe operária, contra o governo burguês da “nova” socialdemocracia, do SYRIZA, que governa durante os últimos 3 anos, contando com o apoio do partido da direita ANEL e com o respaldo do capital, da União Europeia, da OTAN e dos EUA.
Em condições difíceis de alto desemprego, por conta da crise capitalista, de intensificação da intimidação patronal nos centros de trabalho, de repressão por parte do governo-Estado e de destruição do direito de greve, os comunistas entregaram todas as suas forças à organização de grandes lutas operárias, manifestações, greves a nível nacional.
Esta luta, além de certas conquistas que obtiveram os trabalhadores em alguns setores, como no setor das construções, no setor de construção e reparação de navios, etc., fortaleceu ainda mais as posições dos comunistas, das forças de classe em geral, que lutam nas fileiras da Frente Militantes de Todos os Trabalhadores (PAME). Fortaleceram-se as forças classistas. Atualmente, a PAME é a segunda força no movimento comunista sindical e a força melhor organizada.
Além disso, os comunistas estão ativos entre os camponeses pobres, que em 2017, por 40 dias, bloquearam as estradas principais do país em 100 pontos, lutando contra a política do governo e da União Europeia, que os leva à ruína... [ler mais]
Ahed Tamimi: Latido de la resistencia palestina (Carolina Bracco) 01-2018
«Como ocupante, el régimen de Israel desarrolla y depende de estrategias de dominación estructuradas en relaciones de poder basadas en el género
Las mujeres palestinas fueron desde el comienzo un problema para Israel. Primero y principalmente porque desde su misma constitución, este Estado se erigió como el fecundador de una tierra ajena, como un violador orgulloso que intentó despojar de su honor y su identidad a la población nativa a través de ese acto tan propio de los estados homonacionales modernos en un espacio colonial racializado.
La continuidad y la inmanencia de este relato la encontramos en estos días de la pluma del famoso periodista israelí Ben Caspit, quien manifestó en relación a la reciente detención de AhedTamimi, la adolescente palestina de 16 años que abofeteó a un soldado israelí por irrumpir en su casa: “En el caso de las chicas, deberíamos hacerles pagar un precio en la oscuridad, sin testigos ni cámaras”. Esta apología del rito de la violación como la expresión intrínseca de la dominación colonial lleva inscripto un mensaje de odio racista a todo un pueblo.
En el disputado territorio sobre el que Israel extiende su soberanía -entendida en este caso como quien detenta la decisión de quién puede vivir y quién debe morir-, los cuerpos de las mujeres, su capacidad de dar vida y su identificación con la tierra representan no sólo una amenaza demográfica sino también al corazón del régimen. Ello porque como ocupante, Israel desarrolla y depende de estrategias de dominación que están estructuradas profundamente en relaciones de poder basadas en el género, típicas de las sociedades coloniales.
Mujer, vida, tierra y resistencia están íntimamente imbricados en Palestina. Al ser una población en su origen eminentemente campesina, la relación de sus habitantes con la tierra es más que una forma de vida; es lo que le da sentido a la propia existencia. Por ello, cuando en la pequeña aldea de Nabi Saleh las usurpaciones y la prepotencia de la ocupación israelí se hicieron insoportables, sus escasos 600 habitantes comenzaron a manifestarse pacíficamente todos los viernes. Uno de esos viernes, el ejército israelí asesinó al hermano de Nariman, MustafaTamimi; un poco después a su otro hermano Rushdy, pero Nariman nunca dejó de ir a las manifestaciones de los viernes junto a sus hijas e hijos. Hizo lo que hacen las madres palestinas: les enseñó a no tener miedo de los soldados, a defenderse de sus atropellos, a “poner el cuerpo”, como decimos por acá... [ler mais]
A revolução que ainda borbulha sobre a evolução humana (Danielle Anderso) 01-2018
«Em Arqueologia, as novas evidências e as suas explicações resultantes vêm confirmar tudo aquilo que os marxistas já sabiam há muito tempo ao explicar a correspondência do materialismo dialético com o mundo natural.
A evolução tem sido um assunto de interesse dos marxistas desde sempre. Engels escreveu bastante sobre esse tópico, viu muitas falhas na teoria original e tampou vários buracos teóricos, por exemplo, nos seus textos sobre o trabalho realizado para criar o cérebro humano moderno, o que foi extensivamente provado pela ciência e pelos registros fósseis desde o tempo de Engels. Ele foi capaz de antecipar todas essas descobertas aplicando o método marxista do materialismo dialético.
As novas evidências fósseis desenterradas em Djebel Irhoud, Marrocos, forçou os cientistas a repensarem a evolução do homo sapiens. Um dente do maxilar inferior e peças que acompanhavam o funeral foram datadas de 280 mil até 350 mil anos atrás pela termoluminescência e datação por série de urânio, combinados com a espectroscopia de ressonância paramagnética eletrônica. Essas são as mais confiáveis peças datadas de restos de humanos modernos. As conclusões tiradas desses achados são duas: 1) o homo sapiens evoluiu há pelo menos 100 mil anos antes do que era pensado; 2) o homo sapiens evoluiu em vários locais do continente africano, e não em apenas um local.
Os cientistas há muito tentam determinar as fronteiras nítidas entre os vários hominídeos antigos e os primeiros humanos modernos. Com base nas novas evidências, entretanto, tais fronteiras nítidas só podem ser definidas onde existem lacunas no registro fóssil existente. A dialética há muito lançou a ideia do gradualismo. Stephen Jay Gould contribuiu para o entendimento dialético da evolução por meio de sua teoria do equilíbrio pontuado.
Entretanto, ao invés de expandir a contribuição de Gould, os cientistas estão mecanicamente colocando o gradualismo e o equilíbrio pontuado lado a lado como as duas únicas opções... [ler mais]
Primeira declaraçom de 2018 (Primeira Linha) 01-2018
«O ano 2017 confirmou a deriva autoritária e fascistizante do Estado espanhol, a monumental fraude do espaço socialdemocrata denominado “nova política”, o desastre ao que conduz Galiza a franquícia regional do PP, e a necessidade de reconstruir o partido comunista combatente, patriótico e revolucionário galego.
O retrocesso nas liberdades básicas, como a de expressom e opiniom, a conculcaçom dos direitos individuais e coletivos, contrasta com a impunidade na exibiçom e apologia da ditadura fascista.
A agudizaçom de medidas de excepçom, violência policial, torturas e maus tratos nas esquadras; o endurecimento e prepotência da ditadura judicial ao serviço dos interesses e necessidades do Ibex 35, som fatores que homologam o Reino de Espanha com a Turquia.
Neste quadro de involuiçom geral e integral do capitalismo hispano, os núcleos centrais do regime já nom se preocupam por ocultar que a segunda restauraçom bourbónica nom é mais que a continuidade maquilhada do franquismo, prolongaçom dos 40 anos de terror fascista imposto polas armas em 1936.
A eclosom deste neofascismo está visado a disciplinar a maioria social trabalhadora sob um programa chauvinista, arroupado pola bandeira franquista, que permita adotar todas aquelas medidas necessárias para derrotar o independentismo catalám, afogar as dissidências, assimilar a Galiza, e desviar a atençom da classe operária do seu verdadeiro inimigo.
Felipe VI -o filho do caçador de efefantes escolhido polo Caudilho-, os partidos monárquicos [PP, PSOE, C´s e Podemos], os meios de [des]informaçom de massas, constroém umha realidade caraterizada pola fantasia, a ocultaçom e a burda manipulaçom, fundamental para assegurar a dominaçom e exploraçom.
A hegemonia deste relato só é possível pola praticamente inexistente consciência política e formaçom ideológica da classe trabalhadora e das camadas populares, completamente vulneráveis a reproduzir as mentiras e falsidades dessas máquinas de destruiçom maciça da verdade que som a imprensa, as rádios e as TV propriedades das empresas do Ibex 35.
Todo o que agora acontece emana dos acordos e consensos da reforma política da Trasiçom, pactuada polo PCE e o PSOE com o falangismo, da açom teórico-prática legalista da “esquerda institucional”, tam afastada do combate de ideias como complacente com o poder que cinicamente afirma pretender derrubar... [ler mais]