O Governo PS a perder o pé e o fim de ciclo 11-2020
O tempo de pandemia covideira tem sido boa oportunidade para a proliferação de bons negócios, a par dos financiamentos do estado, para as diversas grandes empresas, cujos acionistas não possuem os mínimos pruridos de distribuir entre si os muitos milhões em dividendos enquanto os trabalhadores vão sendo despedidos ou com os magros salários cortados em elevada percentagem. E os exemplos são vários, para além das empresas cotadas em bolsa e com sede na Holanda, temos uma Navigator que depois de ter recorrido ao lay-off para 1200 trabalhadores, uma excelente recapitalização com os dinheiros da Segurança Social, e apesar de ter tido lucros de 168,3 milhões de euros em 2019, distribuiu aos acionistas 99,14 milhões de euros; Altice, que recorreu ao lay-off para 612 trabalhadores, despediu trabalhadores precários, quer congelar salários para 2020 e agora até pede apoio do estado para instalação da rede 5G, apesar de ter obtido lucros de 210 milhões de euros no ano passado; a Sumol+Compal vai iniciar um processo de despedimento coletivo, 80 trabalhadores, depois de ter colocado em lay-off 40% dos seus 1200 trabalhadores, alegando “dificuldades provocadas pela crise pandémica”; o grupo Global Media, detentor de órgãos de imprensa JN, DN, TSF e Jogo, entre outros, quer despedir 81 trabalhadores, um despedimento colectivo, para reduzir 7,8 milhões de euros em despesas de salários, depois de ter recebido do governo PS 1.064.901,66 euros para compra de publicidade institucional, o quer dizer na prática para fazer publicidade às políticas do governo, principalmente no que concerne às medidas de pretenso combate à doença covid-19. E o número não acaba de empresas que, depois de terem sido recapitalizadas, vão despedindo e esperam possivelmente por mais fundos públicos... porque são viáveis. Conhecendo os factos, melhor podemos entender a real motivação das medidas de combate à pandemia e para que serve na realidade os estados de emergência e o OE para 2021. Tudo se liga e se inter-relaciona... [ler mais]
ANTÓNIO ALEIXO 11-2020
Quadras da mentira e da verdade

P'ra mentira ser segura
e atingir profundidade,
tem que trazer à mistura
qualquer coisa de verdade.

Mentiu com habilidade, 
fez quantas mentiras quis;
agora fala verdade
ninguém crê no que ele diz.

Gosto do preto no branco,  
como costumam dizer:
antes perder por ser franco
que ganhar por não ser.

Julgando um dever cumprir,
Sem descer no meu critério,
- Digo verdades a rir
Aos que me mentem a sério!

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Pfizer: uma empresa farmacêutica multinacional corrupta (Izquierda Castellana) 11-2020
«No mesmo dia em que a disponibilidade e eficácia da vacina Covid-19 foi relatada pela Pfizer, apesar do ensaio clínico não ter sido concluído, o Sr. Albert Bourla, Presidente da Pfizer, vendeu 61,8% de seu ações da empresa (132.508), por um preço de 4.727 milhões de euros. É surpreendente que diante da comercialização iminente de um produto tão "promissor" segundo seus fabricantes - o que nos leva a pensar nas altas expectativas de que as ações vão subir progressivamente - o presidente da empresa venda a maior parte das que possui. aproveitando a atração do momento. Talvez essa operação tenha a ver com o facto de o produto não ser tão eficaz e isento de efeitos colaterais como dizem, e quando estes começam a aparecer levam às consequentes reivindicações que colocam em risco o património dos executivos farmacêuticos? A história da Pfizer é certamente muito consistente com essa hipótese.
Vamos fazer um pequeno resumo com alguns fragmentos publicados na imprensa:
Pfizer vai desembolsar 339 milhões para evitar o julgamento por encorajar médicos (Cinco Días, El País)
A líder mundial do setor farmacêutico, a Pfizer, vai pagar 339 milhões de euros para evitar ser julgada por supostos pagamentos a médicos para prescrever seus medicamentos ... [ler mais]
A ruína das classes médias (Manifesto do Partido Comunista - Karl Marx e Friederich Engels) 11-2020
«Além disto, como vimos, sectores inteiros da classe dominante, pelo progresso da indústria, são lançados no proletariado, ou pelo menos vêem-se ameaçadas nas suas condições de vida. Também estes levam ao proletariado uma massa de elementos de formação.
Por fim, em tempos em que a luta de classes se aproxima da decisão, o processo de dissolução no seio da classe dominante, no seio da velha sociedade toda, assume um carácter tão vivo, tão veemente, que uma pequena parte da classe dominante se desliga desta e se junta à classe revolucionária, à classe que traz nas mãos o futuro. Assim, tal como anteriormente uma parte da nobreza se passou para a burguesia, também agora uma parte da burguesia se passa para o proletariado, e nomeadamente uma parte dos ideólogos burgueses que conseguiram elevar-se a um entendimento teórico do movimento histórico todo.
De todas as classes que hoje em dia defrontam a burguesia só o proletariado é uma classe realmente revolucionária. As demais classes vão-se arruinando e soçobram com a grande indústria; o proletariado é o produto mais característico desta.
As classes intermédias — o pequeno industrial, o pequeno comerciante, o artesão, o camponês —, todos elas combatem a burguesia para assegurar, face ao declínio, a sua existência como classes médias. Não são, pois, revolucionárias, mas conservadoras. Mais ainda, são reaccionárias, procuram fazer andar para trás a roda da história. Se são revolucionárias, são-no apenas à luz da sua iminente passagem para o proletariado, e assim não defendem os seus interesses presentes, mas os futuros, e assim abandonam a sua posição própria para se colocarem na do proletariado.
O lumpenproletariado, esta putrefacção passiva das camadas mais baixas da velha sociedade, é aqui e além atirado para o movimento por uma revolução proletária, e por toda a sua situação de vida estará mais disposto a deixar-se comprar para maquinações reaccionárias. (...)
Pela forma, embora não pelo conteúdo, a luta do proletariado contra a burguesia começa por ser uma luta nacional. O proletariado de cada um dos países tem naturalmente de começar por resolver os problemas com a sua própria burguesia... [ler mais]
Impasse – Biden pode vencer ou não, mas Trump permanece ‘presidente’ dos EUA 'vermelhos' (Alastair Crooke) 11-2020
Um efeito já evidente da eleição nos EUA foi o colapso da prometida ‘Onda Azul’ – implosão que marca ‘o começo do fim’ de um feitiço poderoso que tomou conta do ocidente. Falo do feitiço ao qual Ron Chernow, o aclamado historiador dos presidentes dos EUA deu crédito e prestígio, ao desdenhar, como episódio efêmero o “momento de completa confusão” pelo qual os EUA estariam passando, um “interlúdio surreal na vida dos EUA”. Já não é possível insistir que o momento atual seria ‘normal’. Vença ou não vença a corrida para a Casa Branca, o Trumpismo Republicano permanece ‘presidente’ de metade dos EUA.
Biden, por outro lado, serviu como uma possibilidade de Restauração – uma volta a algum consenso oco na política norte-americana – de alguma ‘sanidade’ de fatos, ciência e verdade. Biden, houve quem esperasse, seria agente de avassaladora vitória eleitoral que determinaria inapelavelmente o fim da terrível interrupção no ‘normal’, que seria Trump. Apoiadores de Biden foram arregimentados, Mike Lind, intelectual e professor norte-americano observou, em torno da ideia de os EUA andarem rumo a uma sociedade ‘gerenciada’ – baseada na ‘ciência’ – que seria controlada e refinada essencialmente por uma classe gerencial, de experts... [ler mais]
O escândalo é confirmado: a Frontex participou em deportações ilegais de migrantes e refugiados (Idafe Martín Pérez) 11-2020
«Embarcações da Agência Europeia de Fronteiras "apanhadas" empurrando barcaças em alto mar.
A Frontex tem mais de 600 agentes, navios, aviões e drones na Grécia.
Os navios da Frontex, a agência europeia de fronteiras, participaram juntamente com a guarda costeira grega nas deportações ilegais de migrantes e refugiados nas águas do Mar Egeu. Uma investigação conjunta do semanário alemão 'Der Spiegel', do portal de pesquisa 'Bellingcat' e da televisão japonesa 'Asahi News' - além da colaboração de vários jornalistas freelancer - publicou esta sexta-feira programas com o apoio de vídeos, dados de radar, imagens de satélite, documentação confidencial da própria Frontex e fotografias de como os navios da Frontex participaram no que é conhecido em inglês como “pushbacks”, uma espécie de hot-return, mas em alto mar.
“Pushback” é legalmente entendido como o ato de forçar com violência as barcaças ou zodíacos de refugiados ou migrantes a dar a volta no alto mar sem permitir que eles, conforme estipulado pela legislação em vigor, solicitem asilo e sem levar em consideração as circunstâncias individuais de cada uma das pessoas na barcaça. Além disso, essas deportações quentes em alto mar são um crime porque vão contra a Lei do Mar e colocam em perigo a vida de quem viaja nessas barcaças... [ler mais]
Só é possível vencer sendo radical (Luis Eduardo e Jones Manoel) 11-2020
«A moderação, não a radicalidade, é o caminho da derrota. É a hora de enfrentar os problemas pela raiz e responder à ofensiva burguesa...
Entretanto, o grande obstáculo das forças oposicionistas é a sua incompreensão acerca da natureza da ofensiva burguesa em curso e a necessidade de uma profunda revisão estratégica. Nesse sentido, a tradicional tendência ao centrismo em eventuais segundos turnos pode ser um grande tiro no pé para possíveis vitórias no curto, médio e longo prazo contra o bolsonarismo e o pacto liberal-financista. Além dos ataques e fake news contra a esquerda, devemos acompanhar nas próximas semanas diversas tentativas de domesticação das candidaturas populares pelo país.
Um exemplo disso é o que ocorre contra Guilherme Boulos em São Paulo. Além da manipulação covarde por parte da grande mídia e a disseminação de fake news pela máquina bolsonarista, o crescimento de Boulos gerou um grande incômodo entre os liberais, até mesmo os tidos como progressistas. O programa que propõe cobrar dívidas dos grandes bancos e empresas, renda mínima para os trabalhadores mais vulneráveis, criação de frentes de trabalho nas periferias, crédito barato para os pequenos comerciantes e passe livre para estudantes e desempregados têm sido questionado até por “apoiadores” que apontam essas propostas como irrealizáveis e irresponsáveis em termos fiscais... [ler mais]
A Economia em estado comatoso, o fascismo brando e o PS em fim de linha 11-2020
Por que é que o governo do Costa e do PS se encarniça na mentira e decretou o estado de emergência, não foi para “controlar e reprimir a pandemia” ou “apoiar os profissionais de saúde”, como Costa não se cansa de afirmar? Por uma simples razão, é que a economia nacional se encontra em estado comatoso, se em 2010 eram os bancos que se encontravam à beira da falência, agora são as empresas em geral que vêem os lucros a estagnar, muitas delas estão descapitalizadas e com o mercado a não conseguir consumir o excesso de produção do capitalismo devido à diminuição dos rendimentos dos trabalhadores – uma das contradições do capitalismo. As medidas que irão ser aplicadas daqui para frente, na continuidades das que foram no quadro do primeiro estado de emergência, serão para salvar as grandes empresas, os grandes capitalistas e patrões, não os pequenos e mesmo médios, como diz Costa...
A pandemia é, a par do espantalho do terrorismo, um bom pretexto para endurecer as medidas de controlo e de repressão dos trabalhadores e do cidadão em geral, é com o recolher obrigatório, ainda circunscrito a 121 concelhos em Portugal, mas que facilmente se prevê que será estendido a todo o território continental, visto que o número de infectados aumentará em proporção ao número de testes diários e de mortes, que poderão atingir as 100 por dia, e não será preciso ser matemático para ver isto, já que não se está a proteger os grupos mais vulneráveis, idosos e doentes crónicos que agora vêm as portas do SNS a fechar, e se testa inclusivamente os mortos suspeitos de terem tido contacto com alguém com teste positivo apesar de não sintomático, chegando-se ao cúmulo de se considerar “paciente assintomático” as pessoas saudáveis.
Mais liberdades, direitos e garantias reprimidas pelo governo a nível interno e mais limitação de entrada de imigrantes é a política que vai prevalecer em todos os estados da UE, e as medidas estão aí a começar por alguns países: o presidente francês Macron anunciou reforço de patrulhas fronteiriças e quer reforma de Schengen e o chefe da diplomacia italiana, Luigi Di Maio, propôs um `Patriot Act` europeu, semelhante à lei antiterrorista nos EUA. Qualquer indivíduo pode ser detido por tempo indeterminado desde que acusado de “terrorismo”, sabendo nós que estes grupos de mercenários foram criados pelos países do Ocidente para fazerem o trabalho sujo das suas forças armadas, como ficou bem provado na Síria. Como se acaba com a democracia, sob pretexto de se querer defender a vida dos cidadãos a nível da saúde e da segurança física! Costa já o afirmou, o estado de emergência poderá ir até ao fim da pandemia, e a Ordem dos Médicos concorda com o estado de emergência. Os portugueses ficarão em prisão domiciliária até quando calhar!... [ler mais]
Estado como máquina para a opressão de uma classe por uma outra (Friedrich Engels, 1820-1895) 11-2020
«Em que consistia a qualidade característica do Estado, até então? A sociedade tinha criado originalmente os seus órgãos próprios, por simples divisão de trabalho, para cuidar dos seus interesses comuns. Mas estes órgãos, cuja cúpula é o poder de Estado, tinham-se transformado com o tempo, ao serviço dos seus próprios interesses particulares, de servidores da sociedade em senhores dela. Como se pode ver, por exemplo, não meramente na monarquia hereditária mas igualmente na república democrática. Em parte alguma os «políticos» formam um destacamento da nação mais separado e mais poderoso do que precisamente na América do Norte. Ali, cada um dos dois grandes partidos aos quais cabe alternadamente a dominação é ele próprio governado por pessoas que fazem da política um negócio, que especulam com lugares nas assembleias legislativas da União e de cada um dos Estados, ou que vivem da agitação para o seu partido e são, após a vitória deste, recompensados com cargos. É sabido que os americanos procuram, desde há trinta anos (1861), sacudir este jugo tornado insuportável e que, apesar de tudo, se atascam sempre mais fundo nesse pântano da corrupção. É precisamente na América que podemos ver melhor como se processa esta autonomização do poder de Estado face à sociedade, quando originalmente estava destinado a ser mero instrumento desta. Não existe ali uma dinastia, uma nobreza, um exército permanente — exceptuados os poucos homens para a vigilância dos índios — nem burocracia com emprego fixo ou direito à reforma. E, não obstante, temos ali dois grandes bandos de especuladores políticos que, revezando-se, tomam conta do poder de Estado e o exploram com os meios mais corruptos para os fins mais corruptos — e a nação é impotente contra estes dois grandes cartéis de políticos pretensamente ao seu serviço, mas que na realidade a dominam e saqueiam ... [ler mais]
A Democracia Totalitária (Paulo Otero) 11-2020
«“O modelo orwelliano de sociedade, baseado numa absolutização do valor segurança face à liberdade, resulta directamente da degeneração das novas tecnologias …, convertendo-as ao serviço de um sistema de vigilância total.
Assim, eliminando os riscos de insegurança, a vigilância omnipresente e permanente de todos, aumenta o preço que cada um tem de pagar para a implementação de um modelo de sociedade alegadamente mais perfeita:
limitando ao máximo a liberdade de cada um, incluindo pela via da supressão das respectivas privacidade e intimidade, procura-se reduzir ao mínimo a insegurança…
Uma tal prevalência incondicionada do valor segurança, independentemente dos custos sociais que acarreta, revela, todavia, a institucionalização de um controlo permanente sobre as pessoas…
Pode estar já institucionalizada por esta via…, uma verdadeira cultura de sujeição normal de todas as pessoas a um qualquer mecanismo de controlo electrónico.
Depararemos então, em bom rigor, com a assimilação social de uma cultura totalitária: viver vigiado, sujeito a um controlo permanente e, deste modo, limitado nas suas liberdade, privacidade e intimidade torna-se uma rotina objecto de pacífica aceitação e até mesmo de imposição legal.” (Pag. 192).
“Existe, por um lado, o risco de se desenvolver um totalitarismo em sentido vertical, protagonizado pelo Estado: recorrendo a toda a panóplia de meios que as novas tecnologias possibilitam em termos de controlo electrónico das pessoas, o Estado encontra-se hoje habilitado a implementar uma política repressiva sem limites e sem paralelo históricol... [ler mais]
Amor foi abolido (Giorgio Agamben) 11-2020
Amor foi abolido
em nome da saúde
então a saúde será abolida.

A liberdade foi abolida
em nome da medicina
então a medicina será abolida.

Deus foi abolido
em nome da razão
então a razão será abolida.

O homem foi abolido
em nome da vida
então a vida será abolida.

A verdade foi abolida
em nome da informação
mas a informação não será abolida.

A constituição foi abolida
em nome da emergência
mas a emergência não será abolida.

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Trezentos cientistas denunciam o reconfinamento demente 11-2020
«É um segredo de polichinelo: em França, o reconfinamento estava a ser considerado desde o Verão passado. A estratégia de comunicação do Ministério da Saúde vinha a ser implantada em torno dessa perspectiva há mais de dois meses, de forma a ganhar a aceitação da maioria da população no Dia D.
A grande media forneceu-lhe uma ajuda decisiva. Eles são o relé e o instrumento privilegiado desta comunicação. E, infelizmente, é claro que eles desempenham muito bem o papel que lhes é atribuído.
Apoiando-se mecanicamente nos números, esta comunicação consiste em olhar apenas os indicadores mais alarmantes, alterando-os ao longo do tempo se aquele que estávamos a usar não permitisse mais veicular a mensagem desejada. E se um indicador tiver um padrão quadriculado, a comunicação só é feita nos dias em que os números estão a aumentar. Não existe senão uma mensagem possível.
Todos os meios de comunicação noticiaram sobre os alegados 523 mortos: "Nunca vistos desde o confinamento". Ora, esse número era falso. De acordo com a Public Health France, houve 292 mortes em hospitais em 27 de Outubro, contra 257 no dia anterior (26) e 244 (abaixo, portanto) no dia 28. Mas adicionamos, uma vez de 4 em 4 dias, as mortes em lares de idosos, acumulando-as.
Pretender contar as mortes diárias naquele dia, portanto, equivale a aumentar artificialmente os números. E é surpreendente o que aconteceu na véspera do anunciado discurso do Presidente da República, que fez eco a este falso número. É um detalhe? Não... [ler mais]
Robert Fisk: O Jornalismo e as palavras do poder 11-2020
«Poder e mídia não são apenas relações amigáveis entre jornalistas e líderes políticos, entre editores e presidentes. Não são apenas sobre as relações parasitárias e de osmose entre repórteres supostamente honrados e o eixo do poder que existe entre a Casa Branca, o Departamento de Estado e o Pentágono, a Downing Street e os ministérios das Relações Exteriores e da Defesa [britânicos]. No contexto Ocidental, a relação entre poder e mídia diz respeito a palavras — é sobre o uso de palavras. É sobre semântica. É sobre o emprego de frases e suas origens. E é sobre o mau uso da História e sobre nossa ignorância da História. Mais e mais, hoje em dia, nós jornalistas nos tornamos prisioneiros da linguagem do poder.
Isso acontece porque não nos preocupamos com a linguística? É porque os laptops ‘corrigem’ nossa ortografia, ‘limpam’ nossa gramática de forma a que nossas sentenças frequentemente se tornem idênticas às de nossos líderes? É por isso que os editoriais de jornais hoje em dia soam como se fossem discursos políticos?
Deixem-me demonstrar o que quero dizer.
Por duas décadas as lideranças dos Estados Unidos e do Reino Unido — e dos israelenses e palestinos — tem usado as palavras “processo de paz” para definir o acordo sem futuro, inadequado e desonroso que permite aos Estados Unidos e a Israel fazerem o que bem entenderem com os pedaços de terra que deveriam ser dados a um povo sob ocupação... [ler mais]
Fukushima espalha a pandemia nuclear (Manlio Dinucci) 11-2020
«Não é a Covid, por isso a notícia passou quase desapercebida: o Japão descarregará no mar mais de um milhão de toneladas de água radioactiva da central nuclear de Fukushima.
O acidente catastrófico de Fukushima foi provocado pelo tsunami que, em 11 de Março de 2011, atingiu a costa nordeste do Japão, submergindo a central e provocando a fusão dos núcleos de três reactores nucleares. A central foi construída na costa somente a 4 metros acima do nível do mar, com diques de protecção de 5 metros de altura, numa área sujeita a tsunami com ondas de 10-15 metros de altura. Além do mais, houve sérias deficiências no controlo das centrais efectuado pela Tepco, a empresa privada que administra a central: no  momento do tsunami, os dispositivos de segurança não entraram em funcionamento.
Para arrefecer o combustível derrretido, foi bombeada água pelos reactores durante anos. A água, que ficou radioactiva, foi armazenada dentro da central em mais de mil tanques enormes, acumulando 1.23 milhões de toneladas. A Tepco está a construir outros tanques mas, em meados de 2022, também estarão cheios.
Devendo continuar a bombear água nos reactores derretidos, a Tepco, de acordo com o governo, decidiu descarregar no mar a água acumulada até agora, depois de tê-la filtrado para torná-la menos radioactiva (porém não se sabe até que ponto) por meio de um processo que durará 30 anos. Também há lodo radioactivo acumulado nos filtros da central de descontaminação e grandes quantidades de solo e outros materiais radioactivos armazenados em milhares de barris de betão... [ler mais]
A pandemia combatida por dois cabos de esquadra 11-2020
Em conferência de imprensa, realizada no Palácio da Ajuda, para explicar as medidas restritivas a vigorar a partir de 4 de Novembro, abrangendo quase três quartos da população portuguesa, e que poderão ser rapidamente alargadas a toda a população caso o número de infectados dispare, saliente-se que é número de infectados e não de doentes embora se continue a falar de covid-19 (doença), bastando para isso aumentar o número de testes diários, ouviu-se a provocação de que “se os portugueses estão cansados, imaginem os profissionais de saúde!”. Ficamos a saber que estes profissionais estão cansados porque os portugueses gostam de se infectar e recorrer aos hospitais, inundando enfermarias e unidades de cuidados intensivos. Ficamos também esclarecidos que a maior parte dos contágios acontece não nos transportes públicos apinhados, nas fábricas e empresas sem condições mínimas de trabalho, mas no seio das famílias, daí se pensar em confinamento mais apertado na primeira quinzena de Dezembro para se tentar “salvar o Natal”. Ou como se quer virar trabalhadores da saúde contra o povo, desviando-os do alvo verdadeiro que é o governo, e destruir-se a própria família, levando ao isolamento do cidadão para o melhor amedrontar e submeter aos ditames e medidas económicas de austeridade a dobrar. Ao invés do propagandeado, o dever cívico dos portugueses é ajudar os profissionais de saúde a lutar por melhores condições de trabalho, salários dignos e carreiras profissionais que permitam maior desenvolvimento profissional e pessoal. A fadiga de que esta gente fala é a fadiga não da pandemia, mas das medidas desajustadas, que o governo em colaboração com o PR e o ámen do Parlamento tem posto em prática, que poderão levar o povo à revolta.
Antes das provocações do cabo de esquadra que lidera o governo lançadas sobre o povo português e os trabalhadores da saúde, já outro cabo de esquadra, especialista do cacete, e nomeado pelo primeiro para função específica de pôr os portugueses recalcitrantes na devida ordem, já avisara: "(os portugueses) vão ter que cumprir as regras quer queiram quer não"... [ler mais]
Estado de Excepção (ou O Fim do Estado de Direito) - Giorgio Agamben 11-2020
«Não se trata, naturalmente, de repôr o estado de excepção dentro dos seus limites temporal e espacialmente definidos, para reafirmar o primado de uma norma e de direitos que, em última instância, têm nele o seu próprio fundamento. Do estado de excepção efectivo em que vivemos não é possível o regresso ao Estado de direito, visto que estão agora em questão os próprios conceitos de «estado» e de «direito». Mas se é possível tentar deter a máquina, expôr a sua ficção central, é porque entre violência e direito, entre a vida e a norma não há qualquer articulação substancial. Ao lado do movimento que procura mantê-los a todo o custo ligados, há um contra-movimento que, operando em sentido inverso no direito e na vida, procura sempre separar aquilo que foi artificial e violentamente ligado. Isto é, no campo de tensão da nossa cultura agem duas forças opostas: uma que institui e põe e outra que desactiva e depõe. O estado de excepção é o seu ponto de máxima tensão e, ao mesmo tempo, aquilo que, coincidindo com a regra, ameaça hoje torná-los indestrinçáveis. Viver no estado de excepção significa fazer a experiência de ambas estas possibilidades e, no entanto, separando sempre as duas forças, tentar incessantemente interromper o funcionamento da máquina que está a conduzir o Ocidente para a guerra mundial... [ler mais]
Covid: um recolher obrigatório para quê? (Thierry Meyssan) 11-2020
«Os Franceses ficaram a saber com estupefacção que o seu governo considera uma medida de ordem pública, um recolher obrigatório, como sendo eficaz para prevenir uma epidemia. Tendo toda a gente compreendido que nenhum vírus faz pausas de acordo com horários fixados por decreto e dado os muitos erros precedentes, coloca-se a questão que incomoda, um recolher obrigatório para quê?
Vários países ocidentais pensam estar confrontados com uma nova vaga epidémica de Covid-19.As populações que já sofreram muito, não com a doença, mas com as medidas tomadas para as proteger, aceitam com dificuldade novas medidas de ordem pública por motivos de saúde. É, pois, a ocasião para analisarmos os comportamentos.
Os governantes sabem que terão de prestar contas pelo que fizeram e pelo que não fizeram. Face à doença e ainda mais face a esta pressão, foram forçados a agir. Como é que imaginaram a sua estratégia?... [ler mais]
Crise e pandemia: o que a juventude tem a ver com isso? (Geovane Rocha) 11-2020
«O que fica claro para nós diante de todo esse quadro é que o vírus não foi o causador da crise, mas mesmo possuindo um caráter exógeno, ao se inserir em nossa sociedade, forçou o capital a despir-se por completo. O que se vê é uma intensificação de sua crise e dos ataques direcionados aos despossuídos. Fica evidente que o capitalismo prioriza sempre seus lucros em detrimento da vida dos trabalhadores, e que a única coisa que ele oferece é mais exploração e miséria. Mas, afinal, onde está a juventude em todo esse contexto?
Poucos meses após o início da pandemia, o Ministério da Educação (MEC), tendo à sua frente o Dom Quixote olavista Abraham Weintraub, lançou uma Portaria que autorizava a utilização de recursos digitais em Instituições de Ensino Superior. Para além dessa Portaria, o MEC não apresentou nenhuma outra medida para auxiliar os estudantes, e isso não acontece por acaso. Com o avanço da lógica mercantilizante do capital em todas as esferas da vida social, a educação pública foi intensamente desmontada no país, testemunhamos um avanço e fortalecimento da educação privada em detrimento dela
Além de congelar as verbas por meio da EC 95 e dos constantes cortes, o future-se veio como projeto que visava acabar de uma vez por todas com a educação pública em nosso país. Entretanto, por conta de pressão do movimento estudantil e das demais categorias do ambiente universitário, o projeto foi barrado. Com esse histórico de sucateamento, fica claro que a implementação do ensino a distância nas universidades públicas deixaria muitos estudantes para trás e aprofundaria problemas ligados à desvalorização da carreira docente... [ler mais]
Na era do anti-islamismo na Europa 11-2020
«Em 1923, o jornalista alemão Julius Streicher criou um periódico conhecido como ‘’Der Stürmer’’ ou “O Atacante’’, o qual dedicava à transmissão do antissemitismo via a satirização sádica de judeus antes e durante o período nazista. Com a crise político-econômica alemã do pós-Primeira Guerra e o aumento do antissemitismo na Europa, Streicher investia pesado em transformar os judeus de seu país no problema nacional pela via da comédia, com charges e caricaturas, mas nada além disso.
Já com a ascensão de Hitler, suas publicações tinham uma alta distribuição na Alemanha nazista, chegando a 800 mil exemplares, exclusivamente dedicados a disseminação de ódio contra judeus pela via de esteriótipos populares e “cômicos’’. Seu material satírico ganhou inclusive uma versão infanto-juvenil para ser exibido nas escolas alemãs, intitulado Der Giftpilz (O Cogumelo Venenoso), visando que os valores da sátira maldosa de judeus e seus esteriótipos inculcassem na mente da juventude alemã pelo trabalho de professores que o utilizariam como material didático.
Amigo pessoal de Hitler, Julius Streicher jamais apertou o botão de uma câmara de gás, dirigiu um trem lotado de judeus para um campo de concentração, ou sequer matou diretamente um único membro dos por volta de 6 milhões de mortos pelo nazismo. Ele só fazia charges que convenciam o povo alemão de que tudo aquilo era necessário ser feito contra uma minoria etno-religiosa maldosa, perversa e incompatível com os valores sociais do reich... [ler mais]
Autoritarismo casa bem com corrupção 10-2020
O Costa e o Marcelo já disseram, e por mais do que uma vez, que estão a considerar decretar e novo o estado de emergência como passo a seguir em caso do número de infecções não diminuir. Ora, como isto não irá acontecer na medida em que se está a testar cada vez mais, o estado de emergência será mais que certo, a exemplo de outros países, nomeadamente a Espanha aqui tão próximo, e, embora não o digam, a mando de Bruxelas, porque estas medidas são concertadas a nível europeu, mas não deixarão de responsabilizar o cidadão português de reprovável negligência. O PS do Costa e o PSD do Marcelo não são responsáveis por nada, no seu oportunista e mediatizado entendimento, não são responsáveis pela degradação do SNS, cujos hospitais tiveram uma diminuição de 3 mil camas no período de 2007 a 2017, segundo dados do INE, ficando com 24.050, enquanto os hospitais privados cresceram de 9134 para 10.903 camas! O PS quer fazer acreditar, com a prestimosa ajuda da imprensa corporativa, de que os hospitais e serviços de cuidados intensivos vão estoirar em breve, com a delambida ministra a anunciar que haverá 444 doentes internados em UCI no próximo dia 4 de Novembro (parece que não esperam grandes resultados da proibição da saída de concelho residência entre os dias 30 de Outubro e 3 de Novembro), numa clara manobra de manipulação dos números e de atemorizar ainda mais o cidadão, como forma de justificar o empurrar dos doentes em listas de espera no SNS para o sector privado, que já esfrega as mãos de contentamento, vindo até a bastonária da Ordem dos Farmacêuticos propor, em entrevista em um dos jornais que mais tem defendido e difundido a política do governo, a medida de integrar as farmácias na rede do SNS para a vacinação em massa contra a gripe e outras situações, alegando a pretensa falta de capacidade do SNS. É o fartar vilanagem de como, a pretexto da pandemia da covid-19, se aumenta os lucros dos negócios que pululam em torno da questão da saúde. O grande capital tem inventado guerras para aumentar a riqueza, a acumulação do capital, agora inventa pandemias para obter os mesmos fins, daí o dizerem que "é uma guerra de trincheiras, com a diferença de que não são bombas, é um vírus". Como se os vírus, bem como outros micro-organismos, não fizessem parte do nosso bioma... [ler mais]
Remdesivir: a novela de uma droga sobrestimada que parece estar chegando ao fim (Esther Samper) 10-2020
«A montanha-russa de esperanças e decepções associada ao remdesivir parece estar chegando ao fim. Na última quinta-feira, 15 de outubro, uma pré-impressão (estudo ainda não revisado por pares) com os resultados do grande ensaio clínico internacional Solidariedade da OMS foi publicado no repositório MedRxiv. Embora os dados ainda precisem ser revisados por especialistas da área, as informações fornecidas por este estudo dificilmente sofrerão grandes modificações. Este grande ensaio foi conduzido em 405 hospitais em 30 países, nos quais foram selecionados mais de 11.200 adultos hospitalizados por COVID-19. Esses pacientes foram divididos aleatoriamente em grupos para receber remdesivir, hidroxicloroquina, lopinavir, interferon junto com lopinavir, interferon ou nenhum desses medicamentos.
Os resultados deste estudo representam um copo de água fria na esperança colocada nos principais tratamentos antivirais destinados a tratar a doença causada pelo vírus SARS-CoV-2. Nem hidroxicloroquina, remdesivir, lopinavir, nem interferon-1a mostraram eficácia em pacientes hospitalizados afetados por COVID-19 na redução do tempo de hospitalização, mortalidade e início da ventilação. Como os autores explicam nas conclusões, esses tratamentos "parecem ter pouco ou nenhum efeito em pacientes com COVID-19 hospitalizados" e "os achados de mortalidade contêm a maioria das evidências (de estudos randomizados) para remdesivir e interferon e são consistentes com meta-análises (estudos que analisam vários ensaios) de mortalidade com todos os principais ensaios clínicos... [ler mais]
EUA: o presidente doidão contra a demência democrata (Pepe Escobar) 10-2020
«Vamos seguir o dinheiro.
É afundanço. Para os republicanos, o homem da grana é o esquematizador de cassinos Sheldon Adelson – que literalmente comprou o Congresso por uma mixaria de $150 milhões de dólares. Já para os democratas, o dono da burra é Haim Saban – que tem sua própria fábrica de ideias e é a pessoa que socorre Hillary quando esta necessita de numerário. Essencialmente, o demente democrata é o operador do “homem da mala”.
Só para melhorar as coisas, tanto Adelson quanto Saban são defensores ferrenhos de Israel-acima-de-tudo. Um agente de Inteligência dissidente bateu no fígado: “O mafioso Sheldon Adelson financiou Trump porque o achou melhor para Israel, embora Israel favorecesse Hillary”.
Há quatro anos, fontes fidedignas de Nova Iorque com as quais eu tinha contato acertaram o resultado das eleições com dez dias de antecedência.
Uma delas, magnata de Nova Iorque intimamente ligado aos Mestres do Universo que controlam Wall Street, também foi na jugular:
“O Estado Profundo governa tanto Republicanos quanto Democratas. Trump teve que trabalhar dentro do sistema. Ele sabe disso. Sou amigo de Donald e sei que ele quer fazer a coisa certa. Mas ele não manda (...)
Há gente de Nova Iorque que acrescentaria: “de um jeito ou outro, Trump fez 90% do que eles queriam. É melhor ter no poder um rufião conhecido e manter os proletários andando em círculos... [ler mais]
Burkina Faso: 33 anos depois, haverá justiça para Sankara? (Rebeca Ávila) 10-2020
«Quando Thomas Sankara foi morto na sede do Conselho Nacional Revolucionário em Ouagadougou, no dia 15 de outubro de 1987, as balas quiseram impor o silêncio em Burkina Faso. No entanto, trinta e três anos após o seu assassinato, se aproxima o estrondo que deve romper este hiato: o coletivo de advogados da família anunciou que o dossiê sobre o caso foi finalmente encaminhado à Câmara de Controle do Tribunal Militar da capital, indicando que o julgamento sobre a morte do revolucionário deverá ocorrer em 2021. 
Thomas Isidore Noël Sankara nasceu em 1949, em Yako, sob a sombra do colonialismo francês. O projeto de dominação na África Ocidental era uma ambição desde o final do século XIX, mas a resistência dos Mossi, maioria étnica naquela zona, fez com que a França só conseguisse impor formalmente o domínio colonial em 1919, criando a colônia de Alto Volta e fragmentando o território para exercer o poder. A luta anticolonial seguiu respondendo à violência imperialista até a crise do sistema, visível com a descolonização de oito países da África Ocidental em 1960... [ler mais]
Placebo autoritário (Manuel Loff) 10-2020
«Chegados aqui, em plena discussão orçamental que deveria prever uma recuperação plurianual de serviços públicos desvalorizados e assediados por um discurso ofensivo do despesismo e do privilégio que, no passado recente, deixou Saúde e Educação no osso, o nosso Costa bonacheirão lembrou-se de se passar para o partido do “abanão”, da culpabilização dos cidadãos por se deixarem infetar, da infantilização coletiva, propondo a obrigatoriedade legal do uso de máscara ao ar livre e de uma app essencialmente ineficaz e que se havia prometido ser voluntária. Para citar Henrique de Barros (presidente do Conselho Nacional de Saúde), “estas são medidas altamente autoritárias”, guiadas “pela estupidez, porque a história ensina-nos que nunca se consegue combater com eficácia uma crise sanitária com medidas repressivas” (Público, 14/10/2020). Além de se inserir num processo de normalização da cultura da vigilância — como tenho vindo a estudar em conjunto com Tiago Vieira e Filipe Guerra em livro de próxima publicação —, esta guinada securitária do Governo baseia-se numa lógica perigosa de oferecer a uma opinião pública ansiosa aquilo que não passa de placebos sem base científica: fingir que a covid se combate com encenações de autoridade, sem assegurar ao SNS as reais condições materiais para desempenhar o seu papel, o de defender a saúde de todos. Com ou sem covid... [ler mais]
Os bárbaros que nos ameaçam (Alastair Crooke) 10-2020

“E agora, o que será de nós, sem os bárbaros?
Aquela gente era uma espécie de solução.”
Waiting for the Barbarians
C. P. Cavafy

«Agora, ao entrarmos no último mês da eleição dos EUA, está próximo o clímax esperado de animosidades há muito enterradas. É improvável que seja breve ou decisivo. Mas coisa bem diferente são as convulsões internas dos EUA. A implosão da confiança social nos EUA está-se espalhando, e seus efeitos correm já por todo o mundo. Se a precariedade de nossos tempos – agravada pelo vírus – está-nos deixando nervosos e tensos, talvez aconteça porque intuímos que um modo de vida – e um modo-de-economia – também estejam chegando ao fim.
O medo da convulsão social semeia desconfiança. Pode produzir o estado espiritual que Emile Durkheim chamou de anomia, sensação de estar desconectado da sociedade; convicção de que o mundo ao redor é ilegítimo e corrupto; de que você é invisível – um ‘número’; objeto indefeso de repressão hostil, imposta pelo “sistema”; um sentimento de que ninguém é confiável... [ler mais]
Costa “O Calamitoso” 10-2020
Parece que o cidadão não inspirará grande confiança ao Costa e ao estado então há que impor uma aplicação para controlar os contactos com pessoas infectadas, de sigla inglesa Stayaway Covid – será para dizer que somos governados por uns estrangeirados, para não utilizar termos menos simpáticos! –, que inicialmente será obrigatória para os trabalhadores de qualquer empresa privada, ou seja, em todo o contexto laboral, e trabalhadores de praticamente de toda a administração pública, especialmente dirigida para toda a população escolar, Forças armadas e de Segurança, mas com o claro intento de ser estendida a toda a sociedade. Costa começou com uma de autoritarismo, já que os portugueses não têm sido tão cumpridores e zelosos com as regras, mas à medida que as recções se sucediam, encolheu as garras. E as reacções foram diversas e imediatas: a obrigatoriedade é uma clara devassa da intimidade individual, um atentado aos direitos e liberdade dos cidadãos, uma aberta violação dos direitos humanos, uma ilegalidade perante a Constituição da República, tendo inclusivamente Marcelo avisado que iria submeter a medida caso aprovada ao Tribunal Constitucional, e até peritos médicos pagos pelo erário público vieram colocar em dúvida a sua eficácia, uma ministra declarou que não iria instalar tal aplicação e uma deputada se rebelou, vindo um dos responsáveis da empresa que a criou esclarecer que a obrigatoriedade não estava no projecto. Perante tal caudal de reacções, Costa primeiro mostrou-se surpreendido com as reacções, que não era da sua natureza ser autoritário, se surgiu algum laivo terá sido por força das circunstâncias, não sabia que a proposta poderia ser inconstitucional (o homem até nem é licenciado em direito nem foi ministro da Justiça!), que a medida está contida em proposta de lei a apresentar à Assembleia da República, tudo democrático! Ficamos a saber, o que já não era novidade, que, ao contrário dos tiques de fascista, a coragem não é qualidade que se lhe note (Notícia de última hora: "O primeiro-ministro anunciou esta noite que pediu ao presidente da Assembleia da República para "desagendar" a proposta do Governo sobre o uso obrigatório de máscaras na via pública e da aplicação de smartphone StayAway Covid")... [ler mais]
Estado de excepção e estado de emergência (Giorgio Agamben) 10-2020
«Um jurista por quem tive certa estima, em artigo que acabei de publicar em um jornal alinhado, tenta justificar com argumentos que gostariam de ser legal o estado de exceção declarado pelo governo pela enésima vez. Retomando sem confessar a distinção schmittiana entre a ditadura comissária, que visa preservar ou restaurar a constituição atual, e a ditadura soberana que visa estabelecer uma nova ordem, o jurista distingue entre emergência e exceção (ou, como seria mais preciso, entre estado de emergência e estado de exceção). O argumento, na verdade, não tem base legal, uma vez que nenhuma constituição pode prever sua legítima subversão. Por isso, em seu ensaio sobre Teologia Política, que contém a famosa definição do soberano como aquele "que decide sobre o estado de excepção", Schmitt fala simplesmente de Ausnahmezustand, "estado de excepção", que na doutrina alemã e também fora desta impôs-se como termo técnico para definir esta terra de ninguém entre a ordem jurídica e o fato político e entre a lei e sua suspensão... [ler mais]
Marcelo “O Sanitário” 10-2020
Mas agora, em tempo de discussão e de aprovação do Orçamento de Estado para o ano de 2021, a conversa é outra, o mesmo PR, o homem, e é bom lembrar, que votou contra o SNS aquando da sua implementação em 1979, bem como o partido PPD/PSD do qual foi dirigente, o que também é bom frisar, já veio dizer de forma magnânima, que não descartava uma subida do défice das contas públicas em caso de necessidade de reforço de pessoal na área da saúde. Ora, vindo isto da boca de que sempre se preocupou com o respeito das regras impostas por Bruxelas quanto ao défice orçamental e ao limite da dívida pública, será para nos interrogar o que faz com que a figura máxima do estado se preocupe tanto com a saúde do SNS e dos portugueses? O próprio tem dado a resposta.
O homem gostaria de “encontrar um consenso de pontos”, daí a pressa de falar com toda a gente que represente os diversos interesses instalados, nomeadamente o “sector económico e social”, reafirmando a ideia de há muito e sempre defendida de integrar no SNS os tais sectores privados. Não só o sector abertamente privado, dominado em grande parte por empresas estrangeiras, nomeadamente chinesas e norte-americanas, para além das nacionais Mellos Saúde, e o sector também privado mas disfarçado com a capa de social que são as Misericórdias e as IPSS, na sua maioria nas mãos da Igreja Católica, que tem nestas instituições uma excelente forma de se financiar à custa dos dinheiros públicos. Seria o tão e seu almejado Sistema Nacional de Saúde, ou como Marcelo surge sem peias como agente dos negócios dos comerciantes da doença em Portugal... [ler mais]
Adriano Correia de Oliveira 10-2020
Venho da terra assombrada
Do ventre da minha mãe.
Não pretendo roubar nada
Nem fazer mal a ninguém.
Só quero o que me é devido
Por me trazerem aqui.
Que eu nem sequer fui ouvido
No acto de que nasci.
Trago boca pra comer
E olhos pra desejar.
Tenho pressa de viver
Que a vida é água a correr.
Tenho pressa de viver
Que a vida é água a correr.
... [ler mais]
Nación Mapuche. A un año de la revuelta popular en Chile 10-2020
«El 18 de octubre del 2019 Chile estalló por la rabia e indignación de millones frente a 30 años de miserias impuestas por la herencia de la dictadura. Proceso iniciado por estudiantes secundarios quienes dieron el puntapié de un estallido que quiere cambiarlo todo y que en el salto de los torniquetes por el alza de 30 pesos abrieron el cuestionamiento mayoritario a un modelo de vida.
Hoy, a un año de la revuelta popular, no olvidamos toda la impunidad y represión que mantiene a compañerxs presxs politicxs. Tampoco a nuestrxs compañerxs mutiladxs y asesinadxs por el legítimo derecho de luchar por una vida digna, a los peñi y lagmien perseguidxs, encarceladxs, asesinadxs por el derecho a la autodeterminación.
Con este escenario a cuestas, los mismos de siempre en nombre de la democracia, la paz y la protección del modelo, cerraron un acuerdo a espaldas de las y los millones que nos movilizábamos en las calles por el fin de este gobierno criminal y por una Asamblea Constituyente verdaderamente libre, popular y soberana... [ler mais]
«A agenda global de Bill Gates – Como podemos resistir à sua guerra contra a vida (Vandana Shiva) 10-2020
Ao olhar para o futuro, num mundo de Gates e dos Barões da Tecnologia, vejo uma humanidade que está ainda mais polarizada, com grande número de pessoas "descartáveis", que não têm lugar no novo Império. Aqueles que estão incluídos no novo Império serão pouco mais do que escravos digitais.
Em março de 2015, Bill Gates mostrou uma imagem de uma espécie viral de gripe, durante uma TED Talk [Conversas sobre Tecnologia, Entretenimento e Planeamento, realizadas por uma fundação dos EUA], e disse à audiência que era assim que seria a maior catástrofe do nosso tempo. A verdadeira ameaça à vida, disse ele, " não são os mísseis, mas os micróbios ". Quando, cinco anos depois, a pandemia do coronavírus varreu a Terra como um tsunami, ele reviveu a linguagem de guerra, descrevendo a pandemia como "uma guerra mundial".
"A pandemia do coronavírus coloca toda a humanidade contra o vírus", disse ele.
Na verdade, a pandemia não é uma guerra. A pandemia é uma consequência da guerra. Uma guerra contra a vida. A mente mecânica ligada à máquina de extração de dinheiro criou a ilusão dos humanos como separados da natureza, e a natureza como matéria-prima morta e inerte a ser explorada. Mas, na verdade, fazemos parte do bioma... [ler mais]
A divisão do saque 2021, o bloco central de interesses e a dita “pandemia” 10-2020
Vários assuntos se encontram na ordem do dia na política nacional, mas um deles se destaca pela sua importância no que concerne ao saque efectuado ao povo português e à divisão do produto do roubo pelas diversas facções da burguesia nacional e, não menos importante, do pagamento do tributo a Bruxelas e a uma banca europeia, que não deixa de engordar à custa da dívida pública dos estados membros periféricos. OE-2021, que mais não é que um verdadeiro assalto aos bolsos dos contribuintes e o resultado da exploração dos trabalhadores, já tem a aprovação assegurada graças à prestimosa colaboração dos partidos da “geringonça” e, na eventualidade de algum deles roer a corda e ficar pela abstenção, jamais pela reprovação tal é a cobardia política de tal gente, o outro parceiro do bloco central de interesses se prepara para o frete desde que a contrapartida seja substancial. Marcelo pode dormir descansado que a aprovação é mais do que certa. (...)
É mais do que evidente que o que move o governo não é o bem estar do povo português, mas utilizar a pandemia para aplicar uma agenda económica e política, porque o capitalismo para poder sobreviver tem de destruir a riqueza que é produzida, não conseguindo gerir esse “excesso”, e para continuar o processo de acumulação tem de igual modo de destruir as forças produtivas, fechar fábricas e empresas e, a mais importante de todas, destruir o ser humano. E se destrói o trabalhador, lançando-o no desemprego ou nem sequer lhe atribuir qualquer ocupação produtiva em toda a sua vida, a população marginal é cada vez maior, a população excedente deve ser pura e simplesmente exterminada, e em falta de guerras que se arranjem umas pandemias, todas elas tentativas eugenistas. E se aquelas matam pouco, como agora está acontecer e contra as expectativas, então há que arranjar outras formas, destruir a família do trabalhador, não da burguesia, faz parte da estratégia. Assim se compreende a afirmação de um Marcelo quanto ao repensar do Natal das famílias e da directora da Saúde, uma reccionária tinhosa que deveria estar já aposentada, de que 67% dos casos reportados nos últimos dias resultam de “confraternizações familiares” - venha o estado de emergência, venha a prisão domiciliária, venha o confinamento militar, como está a acontecer em Madrid e imposto pelo governo “socialista” do PSOE e Podemos (o BE lá do sítio), porque a austeridade é para aumentar e o povo tem de ser controlado... para que os ricos fiquem cada vez mais ricos!... [ler mais]
Biossegurança e política (Giorgio Agamben) 10-2020
«O que chama a atenção nas reacções aos dispositivos de excepção implantados em nosso país (e não apenas neste) é a incapacidade de observá-los além do contexto imediato em que parecem operar. Raros são aqueles que tentam, ao invés, como uma análise política séria imporia fazer, interpretá-los como sintomas e sinais de um experimento maior, no qual um novo paradigma de governo dos homens e das coisas está em jogo. Já em livro publicado há sete anos, que agora vale a pena reler com atenção (Tempêtes microbiennes, Gallimard 2013), Patrick Zylberman descreveu o processo pelo qual a segurança sanitária, até então deixada à margem dos cálculos políticos, estava se tornando parte essencial. de estratégias estaduais e políticas internacionais. Em questão está nada menos do que a criação de uma espécie de “terror da saúde” como ferramenta para governar o que foi definido como o pior cenário. É nessa lógica dos piores que já em 2005 a Organização Mundial de Saúde anunciava "de dois a 150 milhões de mortes por gripe aviária a caminho", sugerindo uma estratégia política que os estados ainda não estavam preparados para aceitar. Zylberman mostra que o dispositivo proposto foi dividido em três pontos: 1) construção, a partir de um possível risco, de um cenário fictício, no qual os dados são apresentados de forma a favorecer comportamentos que permitem governar uma situação extrema; 2) adoção da lógica do pior como regime de racionalidade política; 3) a organização integral do corpo dos cidadãos de forma a maximizar a adesão às instituições governamentais, produzindo uma espécie de civilidade superlativa em que as obrigações impostas são apresentadas como provas de altruísmo e o cidadão deixa de ter o direito de saúde (segurança da saúde), mas torna-se legalmente obrigada à saúde (biossegurança)... [ler mais]
A alternativa ao capitalismo é a revolução socialista (Carmelo Suárez – Secretário Geral do PCPE) 10-2020
«“O alto desenvolvimento das forças produtivas já criou, dentro do próprio capitalismo, as bases materiais necessárias para o início da construção da sociedade socialista”. Esta é uma formulação que será central para o futuro desenvolvimento do PCPE e para a definição das suas linhas de intervenção política e também para a definição de seu programa revolucionário concreto. Longe de interpretar as condições atuais da luta de classes como um cenário de forte hegemonia da burguesia, o que aqui se formula levanta a questão de que o desenvolvimento das forças produtivas entrou em contradição absoluta e irreconciliável com as relações de produção, isto é, com a propriedade privada e com a exploração da classe trabalhadora. Em outras palavras, a burguesia enfrenta sérios problemas sistêmicos para manter seu domínio.
O desenfreado desenvolvimento das forças produtivas exige com urgência uma nova superestrutura, que responda ao grau das suas extraordinárias capacidades presentes. O capitalismo enfrenta esta contradição ao tentar impedir um maior desenvolvimento dessas forças produtivas, porque o seu desenvolvimento conduz a um maior instabilidade do sistema de dominação. Seu desenvolvimento leva a um questionamento cada vez maior acerca de sua violenta injustiça estrutural: hoje os grandes monopólios, para manter o processo de reprodução ampliada do capital, elemento essencial para suas próprias vidas, precisam explorar toda a classe trabalhadora mundial... [ler mais]
Distanciamento social (Giorgio Agamben) 10-2020
«Já que a história nos ensina que todo fenómeno social tem ou pode ter implicações políticas, convém registar com cuidado o novo conceito que hoje entrou no léxico político do Ocidente: "distanciamento social". Embora o termo provavelmente tenha sido produzido como um eufemismo para a crueza do termo "confinamento" usado até agora, deve-se perguntar o que poderia ser uma ordem política baseada sobre ele. Isso é tanto mais urgente quanto não se trata apenas de uma hipótese puramente teórica, se for verdade, como muitos começam a dizer, que a emergência sanitária atual pode ser considerada como o laboratório onde se preparam novos arranjos políticos e sociais que aguardam a humanidade.
Embora existam, como sempre acontece, os tolos que sugerem que tal situação pode certamente ser considerada positiva e que as novas tecnologias digitais há muito nos permitem comunicar alegremente à distância, não acredito que uma comunidade fundada no "distanciamento social” seja humana e politicamente habitável. Em todo o caso, seja qual for a perspectiva, parece-me que é sobre esta questão que devemos refletir... [ler mais]
O martírio de Julian Assange (Elaine Tavares) 10-2020
«Não causa surpresa que o julgamento que definirá a extradição ou não de Julian Assange para os Estados Unidos esteja passando em brancas nuvens na imprensa comercial. Afinal, Assange é um pária, ele fez o que nenhum desses órgãos de imprensa é capaz de fazer: trabalhar com a verdade dos fatos. Jornalista raiz, como há tempos não se vê. Logo, é natural que se silencie sobre essa presença inoportuna no mundo moderno, no qual a mentira é elemento básico.  
Craig Murray, ativista britânico pelos direitos humanos que está acompanhando o caso em Londres, é um dos poucos que tem repassado informações sobre o que acontece dentro do tribunal, já que os jornalistas parecem se importar muito pouco com o destino de Assange. Ele conta que acompanhando os depoimentos dos médicos que cuidam de Julian na prisão fica bastante claro que as autoridades mentem quanto as condições de saúde do prisioneiro... [ler mais]
Caetano, Stalin, Losurdo: o debate falsificado (Jones Manoel e Breno Altman) 10-2020
«Caetano Veloso é acusado de “neostalinista”, sem uma definição do que significaria esse termo ou porque se justificaria a aplicação desse rótulo ao cantor, muito menos a Domenico Losurdo
No dia 4 de setembro, no programa do Pedro Bial, o músico Caetano Veloso, ao comentar um trecho de sua fala no filme Narciso em férias, disse que mudou de visão e que não tem mais uma perspectiva apenas negativa das experiências socialistas. Citou, como motivação para sua mudança de leitura acerca do socialismo real e do liberalismo (ficou menos “liberaloide”, nas suas palavras), a produção de um dos autores deste artigo e, particularmente, as reflexões do italiano Domenico Losurdo, filósofo falecido em 2018.
Essa declaração de Caetano foi suficiente para abrir uma temporada de choro e ranger de dentes. Não falou da União Soviética ou Stálin, mas as redes sociais foram tomadas por uma avalanche de comentários… sobre stalinismo. Raras foram as intervenções que abordaram a revisão crítica do cantor sobre o liberalismo, ligando-o à escravidão e ao colonialismo, muito menos sobre o pensamento de Losurdo... [ler mais]
Patriotismo com sabor a dinheiro 09-2020
O governo PS do Costa prorrogou a declaração da situação de contingência em Portugal até o dia 14 de Outubro para, dizem, combater a epidemia da doença conhecida, embora haja alguém que troca capciosamente o coronavírus pela doença, por covid-19. Perante a intimidação, a propósito da rede 5G, feita pelo embaixador norte-americano de que “Portugal tem de escolher entre os aliados e os chineses”, Santos Silva, o ministro mais pró-americano do governo português (quem não se lembra da sua posição sobre o governo legítimo de Venezuela?), e o PR Marcelo insuflaram o peito e deram uma de patriotismo: “em Portugal, quem decide são os representantes escolhidos pelos portugueses”. Será para dizer: quem não vos conhece, que vos compre! Nem a estratégia levada a cabo pelo governo, desde o estado de emergência ao de contingência, serve para o combate à epidemia, porque o objectivo é manter o povo no medo para que aceite as medidas mais celeradas que se preparam, nem esta gente teve alguma vez o mínimo de sentimento patriótico, o seu patriotismo tem a ver com a conta bancária pessoal e os “aliados” são os que melhor pagam. Tudo e todos giram em torno do Canta-João, não importa se são euros, dólares ou yuans, desde que venham e de preferência depositados em algum discreto off-shore... [ler mais]

Os satélites estão a mudar de sol – Intensificação das contradições interimperialistas (Ángeles Maestro)  09-2020
«Depois da II Guerra Mundial, o interesse de Washington, como grande potência vencedora e herdeira do imperialismo britânico, concentrava-se em controlar a Europa. Os seus instrumentos para construir uma Europa ocidental a reboque dos interesses do EUA e totalmente dependente dos seus interesses no plano militar foram o Plano Marshall e a NATO.
A meta histórica da Casa Branca, que agora abre brechas, era controlar o continente euroasiático, o "pivô do mundo". Para isso, havia que impedir o surgimento de uma potência europeia com vontade própria, com suficiente poder económico e militar para ser capaz de se opor aos EUA, que pudesse estabelecer relações com a URSS (ou, atualmente, com a Rússia) de forma soberana e contra os seus interesses. O procedimento foi desenhar de forma reiterada confrontos entre os países do Coração Continental, de forma que nenhum pudesse chegar a ser suficientemente forte para ser um obstáculo para a hegemonia anglo-saxónica... [ler mais]
A la memoria de Txiki, Otaegi, Sánchez Bravo, García Sanz y Baena Alonso 09-2020
«Ninguno de los últimos fusilados por Franco luchó y perdió la vida por lo que los herederos de éste ahora tratan de vendernos como democracia.
El FRAP fue fundamentalmente impulsado por el PCE (marxista-leninista), que era una escisión del PCE y no tragó con la farsa de la llamada Transición. Está claro, pues, que Sánchez Bravo, García Sanz y Baena Alonso lucharon por el socialismo como fase previa hacia el comunismo. En cuanto a Txiki y Otaegi se refiere, decir que éstos militaron en ETA para construir una Euskal Herria reunificada, socialista e independiente. No hace falta esforzarse demasiado para darse cuenta de que los objetivos de los cinco revolucionarios están a siglos luz de ser alcanzados... [ler mais]
Súplica (Noémia de Sousa) 09-2020
Tirem-nos tudo,
mas deixem-nos a música!
Tirem-nos a terra em que nascemos,
onde crescemos
e onde descobrimos pela primeira vez
que o mundo é assim:
um labirinto de xadrez…
Tirem-nos a luz do sol que nos aquece,
a tua lírica de xingombela
nas noites mulatas
da selva moçambicana
(essa lua que nos semeou no coração
a poesia que encontramos na vida)
tirem-nos a palhota - humilde cubata
onde vivemos e amamos,
tirem-nos a machamba que nos dá o pão,
tirem-nos o calor de lume
(que nos é quase tudo)
- mas não nos tirem a música!
... [ler mais]
Covid-19: as vacinas e as multinacionais (Ángeles Maestro e Eloy Navarro) 09-2020
«Desde há algum tempo que está se evidenciando a distorção que o capitalismo introduz no conhecimento científico e, em especial, na chamada “medicina com base na evidência”. Poderosos interesses econômicos decidem o que se investiga, o que se fabrica e o que não se fabrica, privando a humanidade de avanços que o seu próprio desenvolvimento poderia oferecer. A determinação exercida pelo objetivo prioritário do lucro empresarial, que se paga com milhões de mortes prematuras e doenças evitáveis, afeta de forma decisiva a produção de medicamentos. Como tem sido repetidamente denunciado, até se inventam novas patologias – ou seja, sinalizam-se doenças inexistentes – para se poder prescrever certos medicamentos, especialmente nas doenças mentais.
É bem sabido que uma das consequências esperadas da pandemia é o colossal negócio para as multinacionais farmacêuticas derivado da compra de milhões de doses de vacinas... [ler mais]
Fascismo y socialdemocracia: Las dos caras complementarias de un mismo sistema (José Antonio Delgado) 09-2020
«La "cara amable" de la dominación capitalista, la socialdemocracia, aparece en los últimos tiempos como la forma mas segura y duradera de dominación. La socialdemocracia, con la connivencia de sus simpáticos representantes políticos, mantiene a las masas, de manera eficiente, en la ilusión de la posibilidad de mejoras y avances sociales a través de las acciones de un sistema representativo , un gobierno , unas instituciones y un Estado supuestamente democráticos, presentando a este último como una entidad neutra e impersonal, benevolente, ecuánime y ajena a los intereses particulares de las diferentes clases sociales.
Los capitalistas sostienen y alimentan ambas manifestaciones -fascismo y socialdemocracia- y al mismo tiempo los presentan como intereses totalmente contrapuestos e irreconciliables. En muchas ocasiones el fascismo se utiliza como un mero espantajo, un odioso agravio comparativo que refuerza los supuestos valores y virtudes de la socialdemocracia y la hace más creíble y amable... [ler mais]
Bem pior que a covid é o OE-2021 e tudo o que ele representa 09-2020
Hoje começou a chover diluvianamente pelos nossos lados e a meteorologia avisa que Portugal pode ser afectado por ciclones subtropicais e é anunciado o início da segunda vaga da covid-19. Ora, mais precisamente, os ciclones e a 2ª vaga epidémica que iremos sofrer serão mais os provenientes das políticas do governo PS/Costa impostos pela crise do capitalismo nacional, mas justificados pelo pretenso combate à epidemia da covid. Há quinze dias que o estado de contingência, um confinamento suave que veio substituir o estado de alerta ainda em vigor, tinha sido decretado pelo primeiro-ministro a pretexto do que poderia advir do reinício das aulas e, mais recentemente, todos ficamos a saber das medidas concretas que o enformam: proibição de ajuntamentos com mais de 10 pessoas, restrição quanto à venda e consumo de álcool na via pública, entre outras, e a reorganização do trabalho nas empresas com escalas de rotatividade entre trabalho presencial e teletrabalho e desfasamento de horários de entrada e saída bem como pausas e refeições, estas as mais importantes e que irão aumentar a mais-valia extorquida aos trabalhadores, por trabalho extra não pago e intensificação dos ritmos laborais. Fica claro que o objectivo final do putativo combate ao coronavirus é sempre aumentar os lucros dos patrões, ou seja, manter a acumulação contínua do capital... [ler mais]
Os EUA à beira da guerra civil (Thierry Meyssan) 09-2020
«Quando se aproxima a eleição presidencial nos Estados Unidos, o país divide-se em dois campos que mutuamente se atribuem a desconfiança de preparar um golpe de Estado. De um lado o Partido Democrata e os Republicanos extra-partido, do outro os Jacksonianos, que se tornaram a maioria no seio do Partido Republicano sem partilhar a sua ideologia.
Lembram-se, certamente, já em Novembro de 2016, que uma empresa de manipulação dos média (mídia-br) dirigida pelo mestre de Agit-Prop, David Brock, recolhia mais de 100 milhões de dólares para destruir a imagem do Presidente-eleito antes mesmo dele ter sido investido [1]. Desde essa data, quer dizer antes de ele poder fazer fosse o que fosse, a imprensa internacional descreve o Presidente dos Estados Unidos como um incapaz e um inimigo do povo. Certos jornais foram ao ponto de apelar ao seu assassinato. Durante os quase quatro anos seguintes, a sua própria Administração não parou de o denunciar como um traidor pago pela Rússia e a imprensa internacional criticou-o ferozmente... [ler mais]
Quem está por trás da juíza que processa Assange? (Manlio Dinucci) 09-2020
«Emma Arbuthnot é a Magistrada-chefe que, em Londres, instruiu o julgamento de extradição de Julian Assange para os Estados Unidos, onde aguarda uma condenação de 175 anos de prisão por "espionagem", ou seja, por ter publicado, como jornalista investigador, provas dos crimes de guerra dos EUA, incluindo vídeos das mortes de civis no Iraque e no Afeganistão. 
No processo, atribuído à Juíza Vanessa Baraitser, todos os pedidos de defesa foram rejeitados. Em 2018, depois das acusações de agressão sexual na Suécia caducarem, a Juíza Arbuthnot recusou-se a anular o mandado de prisão, para que Assange não pudesse obter asilo no Equador.
Arbuthnot rejeitou as conclusões do Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre a detenção arbitrária de Assange. Também não foram escutadas as do relator espcial da ONU sobre tortura: “Assange, detido em condições extremas de isolamento injustificado, mostra os sintomas típicos de uma exposição prolongada à tortura psicológica”... [ler mais]
Bando bolsonarista quer criminalizar o comunismo 09-2020
«Na última semana, em entrevista ao jornalista Pedro Bial, Caetano Veloso teceu uma série de críticas a história do liberalismo causando um visível mal estar no programa global. Para sustentar sua posição, o ícone da música popular brasileira citou duas referências comunistas: Domenico Losurdo e o jovem intelectual do PCB, Jones Manoel. A partir daí, as redes sociais e colunas de grandes jornais foram tomadas por uma estigmatização da crítica desenvolvida por Jones Manoel... [ler mais]
A hipocrisia das nossas elites ou como o pote não chega para todos 09-2020
A dita silly season deste ano foi, ao contrário das anteriores, um pouco movimentada, não apenas pelo facto da epidemia da covid-19, que tem servido de excelente pretexto para a recapitalização com fundos públicos das empresas privadas, na sua maioria à beira da falência, e imputar a factura mais uma vez aos trabalhadores, mas pelos inúmeros e variadíssimos factos políticos. A lista não será exaustiva, é feita de cor, sem ordem cronológica e à medida que nos vamos lembrando: Marcelo é confrontado por uma popular que lhe diz se quer trocar a situação com ela para ver a dificuldade que é viver com 300 euros por mês, como resposta, o homem primeiro embatucou para depois retorquir com “para a próxima, vote noutra... (formação partidária)!”; Costa avisou a Ordem dos Médicos que não lhe cabe fazer auditorias, para depois reunir com o bastonário e, mais tarde, ouvir da parte deste a acusação de não ser fiel no relato do que se passou na reunião; a Igreja Católica (ICAR) ameaça os cerca de 300 trabalhadores do Santuário de Fátima com o despedimento de uma boa parte deles, quando o papa Francisco não se cansa de dizer que “o despedimento de trabalhadores não é a solução para salvar as empresas das dificuldades”; ficou-se a saber que o défice público (acumulado) até Julho saltou para os 1800%, ou seja, 8332 milhões de euros, enquanto que o Estado gastou 500 milhões de euros com as PPP no primeiro trimestre do ano (+5% em relação ao mesmo período do anos passado) e que dos 12.444,4 milhões de euros destinados ao SNS, em 2018, 41% foram para entidades privadas; Costa ameaçou com uma crise política se o Orçamento de Estado para 2021 não for aprovado (pelos partidos da esquerda colaborante, já que reafirmou que coligação com o PSD é liminarmente impossível); Marcelo avisou que para crises não contem com ele, atendendo a que o prazo para dissolver a Assembleia da República e convocar novas eleições é apertado; a Festa do Avante tem aberto noticiários e feito correr rios de tinta no que toca à legitimidade da sua realização em tempo pandémico; Costa decretou o “estado de contingência” a partir do dia 15 de Setembro; o Partido Pró-Vida vai fundir-se com o Chega. E o rol vai longo, porque mais haveria a elencar... [ler mais]
Salvador Allende a cincuenta años de su victoria (Atilio A Boron) 09-2020
«Con su obra de gobierno y heroico sacrificio Allende heredó a los pueblos de Nuestra América un legado extraordinario, sin el cual es imposible comprender el camino que a finales del siglo pasado comenzarían a recorrer los pueblos de estas latitudes y que culminara con la derrota del principal proyecto geopolítico y estratégico de Estados Unidos para la región, el ALCA, en Mar del Plata en el año 2005.
Hay fechas que marcan hitos imborrables en la historia de Nuestra América. Hoy, 4 de septiembre, es uno de esos días. Como el 1º de enero de 1959, triunfo de la Revolución Cubana; o el 13 de abril del 2002, cuando el pueblo venezolano salió a las calles y reinstaló en el Palacio de Miraflores a un Hugo Chávez prisionero de los golpistas; o el 17 de octubre de 1945, cuando las masas populares argentinas lograron la liberación del coronel Perón y comenzaban a escribir una nueva página en la historia nacional. La de hoy, objeto de este escrito, se encuadra en esa selecta categoría de acontecimientos épicos de Latinoamérica. En 1970 Salvador Allende se imponía en las elecciones presidenciales chilenas, obteniendo la primera minoría y derrotando al candidato de la derecha, Jorge Alessandri y relegando al tercer lugar a Radomiro Tomic, de la Democracia Cristiana... [ler mais]
Epidemia econômica: Covid-19 e a crise capitalista (Maurilio Lima Botelho) 09-2020
«Não é a primeira vez que se aponta a causa da crise econômica em elementos alheios aos processos econômicos básicos – baseando-se no pressuposto circulatório perfeito, qualquer evento ou coisa podem ser responsabilizados. A própria história das crises poderia ser reconstituída por essas falsas atribuições. A crise do subprime, em 2008, por exemplo, foi culpa dos pobres que contraíram hipotecas sem ter condições de pagar (ou, numa versão antissemita, provocada pelas gananciosas instituições que forneciam crédito imobiliário para qualquer um). A crise da nova economia, em 2000, foi causada pela falsificação de balanços por algumas empresas ponto-com. A crise de 1974 foi provocada pela Opep que cortou a produção de petróleo no ano anterior. Exemplos não faltam e os neoliberais encontram constantemente motivos para culpar o Estado, sempre com sua autoritária mania de ingerência externa no mercado. Nesta versão, por exemplo, a crise de 2008 foi o resultado dos incentivos criados pelo governo Clinton que forçou o crédito imobiliário para as populações mais pobres, tradicionalmente alijadas do financiamento. Milton Friedman já até estabeleceu, em uma interpretação que pretendia refutar todos os teóricos até então, que a crise de 1929 foi provocada pela criação e pelas políticas adotadas pelo Fed tentando regular o mercado.3 Por fim, no caso mais famoso pelo exagero, o economista Stanley Jevons argumentou, num artigo de 1875, que as instabilidades na oferta de mercadorias estavam relacionadas às variações das manchas solares, responsáveis, em última instância, pelas crises comerciais ao afetarem os preços das commodities.
Com o coronavírus se repete a constante externalização de causas. Embora seja motivo para grande preocupação, o vírus está longe de ser a razão da crise... [ler mais]
A Polémica Em Torno Da Disciplina De Cidadania E Desenvolvimento (Paulo Guinote) 09-2020
«Acho que esses temas não devem ser leccionados de forma doutrinária e com uma avaliação formal numa disciplina equivalente à Matemática, História ou Inglês, mas sim de uma forma que fuja ao tradicionalismo da opção encontrada.
Dito isto… parece que fico naquela terra de ninguém que poucos aprovam, porque acho que a disciplina é um acrescento curricular sem grande sentido, nascida de uma espécie de capricho de quem pode decidir estas coisas e desenhar o currículo à medida do seu politicamente correcto, mas não me choca que se abordem na escola pública temas como a tolerância, a diversidade religiosa ou mesmo a identidade de género, em especial a partir do 2º ou 3º ciclo, discordando das teses da “lavagem ao cérebro”, porque, tirando algumas criaturas dogmáticas que até podem escrever na comunicação social, mas raramente dão aulas, a generalidade dos professores que lecciona a disciplina desde que foi inventada (como eu) optam por uma abordagem sensata dos temas. A menos que seja aquela partir da Educação Financeira, que me faz rir mesmo muito ... [ler mais]
A flexibilidade política do capitalismo para maximização dos lucros (Jacques Pauwels) 09-2020
«O capitalismo é um sistema socioeconómico muito flexível, capaz de funcionar em diferentes contextos políticos. É certamente um mito que o capitalismo, eufemisticamente conhecido como “mercado livre”, seja uma espécie de gémeo siamês da democracia, em outras palavras, que o ambiente político favorito do capitalismo seja a democracia. A história mostra-nos que o capitalismo floresceu em sistemas altamente autoritários e apoiou entusiasticamente esses sistemas. Na Alemanha, o capitalismo saiu-se extremamente bem quando Bismarck governava o Reich com punho de ferro. A Alemanha permaneceu 100% capitalista sob Hitler, e o capitalismo floresceu sob Hitler, antes e durante a guerra, como demonstrei no meu livro. O capitalismo também pode e deseja fazer parceria com a democracia, especialmente se as reformas democráticas parecem necessárias para dissipar a ameaça de mudança revolucionária, como por exemplo depois da Segunda Guerra Mundial, quando reformas políticas e sociais democráticas (o Welfare State) foram introduzidas na Europa Ocidental para inviabilizar as reivindicações muito mais radicais, até mesmo revolucionárias, formuladas por movimentos de resistência em países como a Itália e a França. Pode dizer-se que, para promover os seus objectivos de maximização de lucros, o capitalismo está disposto a usar a “cenoura” da democracia, bem como o “pau” do fascismo e outras formas de autoritarismo, como as ditaduras militares ... [ler mais]
Vietnam: a 75 años de la gran rebelión popular (Gastón Fiorda) 09-2020
«El 2 de septiembre de 1945, el presidente Ho Chi Minh, frente a una multitud concentrada en la plaza Ba Dinh, de Ciudad Hanói, declaraba la Independencia de la República Democrática de Vietnam; apenas una semana después de culminada la Revolución de Agosto, en la que fueron derrotados los ejércitos de Japón y Francia. Una revuelta, que en términos políticos, abrió el camino del socialismo en Indochina.
La historia moderna de Vietnam se enlaza con los 100 años de colonización francesa y el proceso de resistencia que se dio sobre la base de algunos fenómenos muy puntuales que explican la lucha heroica de su pueblo: el ascenso como líder indiscutido de Ho Chi Minh; la creación del Partido Comunista de Indochina; la crisis al interior de Francia en el marco de la Segunda Guerra Mundial; la posterior ocupación nazi y la exitosa Revolución de Agosto de 1945. Un proceso devenido de la lucha contra un enemigo bicéfalo: el régimen colonial francés y el poderío militar japonés, coincidentes en el saqueo de los recursos naturales y la explotación de la clase trabajadora y campesina vietnamitas... [ler mais]
O fascismo vem aí! 08-2020
Com a promoção do partido de extrema-direita “Chega” e do seu chefe e a continuação de se encher os noticiários televisivos com a Covid-19 e respectiva pseudo grande letalidade, vai-se entretendo a atenção do povo português, enquanto sorrateiramente se vai aplicando medidas que irão agravar as condições de vida dos trabalhadores: mais desemprego, mais precariedade e salários mais baixos. No entanto, o Costa sorridente e muito senhor de si, aparentemente, vai deixando esperança no que concerne ao aumento do salário mínimo que, a acontecer, será com contrapartidas gravosas que em nada irão beneficiar os trabalhadores, bem pelo contrário, irão diminuir o poder de compra de quem vende a sua força de trabalho para, simultaneamente, aumentar os lucros dos patrões, agora designados “empresários de sucesso”. O espantalho do fascismo poderá ser útil caso os trabalhadores resolvam revoltar-se, porque será o argumento de não há alternativa: ou aceitam ou será bem pior porque virá aí o fascismo! Na mesma linha do que irá acontecer nas presidenciais do ano que vem: ou votam no candidato certo, que será o Marcelo, ou será eleito o neo-nazi! O fascismo será como uma espécie de espantalho que se usa para assustar as criancinhas quando não querem comer a sopa. Quem o agita, é o PS e o Costa. No entanto, diga-se em abono da verdade, e é a História que o confirma, o PS, para além de bombeiro da contestação social, tem servido de passadeira para qualquer experiência bonapartista ou fascista declarada.
Não devemos perder de vista a floresta quando se observa a árvore, e sob o manto da contestação social e da resposta que as elites dão a essa realidade encontra-se sempre a economia capitalista e a sua crise profunda e crónica. Em Portugal, a principal actividade económica nos últimos anos tem sido o turismo, um turismo de pé rapado, dirigido predominantemente para o estrangeiro; com a Covid-19 e com a crise latente do capitalismo, e principalmente devido a esta, a actividade decaiu em cerca de 70% e que, no final do ano, nunca será inferior a 40%, segundo estimativa feita pela Oxford Economics. Não é por acaso que o maior índice do aumento do desemprego se tenha registado no Algarve, chegando aos 232% em final do mês de Julho. Deve-se dizer que até a esta data o desemprego, incluindo os “inactivos disponíveis”, ultrapassa bem os 10% da população activa, ou seja, 636.200 trabalhadores, mas com o governo do PS/Costa e o INE a esconder mais de 160 mil desempregados, querendo dar a entender que o desemprego até terá diminuído em Portugal, durante este período de confinamento e de encerramento parcial da economia, o que não lembra ao Diabo!... [ler mais]

A casa da extrema-direita mundial começa a cair (Edmilson Costa) 08-2020
«A prisão de Steve Bannon deixa claro que a extrema-direita mundial não passa de uma gangue de criminosos, corruptos e mafiosos que se utilizaram de todos os métodos sujos para alcançar o poder em várias partes do mundo, com o apoio entusiasta do grande capital internacional, especialmente da oligarquia financeira, que é a principal beneficiada com essa ordem agressiva neoliberal. Bannon foi preso como um ladrãozinho de segunda linha porque estava fraudando dinheiro de uma campanha de arrecadação de fundos para a construção do muro separando Estados Unidos do México. Parte da grana embolsou para despesas pessoais, utilizando a emissão de notas fiscais fictícias junto com seus comparsas, que também foram presos. Mesmo tendo pagado a fiança no valor de US$ 5 milhões (R$ 27,7 milhões), a Justiça federal de Nova York determinou que ele terá o passaporte retido e não poderá usar aviões ou barcos privados até a conclusão do processo, que poderá lhe render a condenação de 20 anos de cadeia.
A prisão de Bannon torna também claro que esses líderes da extrema-direita encarnam a degeneração típica dessa fase agressiva neoliberal em que as classes dominantes, já não tendo mais nada a oferecer à humanidade, apelam para qualquer figura desclassificada para impor os ataques contra trabalhadores e trabalhadoras, a juventude e a população pobre... [ler mais]
Afirmação (Assata Shakur) 08-2020

Eu acredito no viver.
Eu acredito no espectro
dos dias Beta e do povo Gama.
Eu acredito no brilho do sol.
Em moinhos de vento e cachoeiras,
triciclos e cadeiras de balanço.
E eu acredito que sementes tornam-se brotos.
E brotos tornam-se árvores.
Eu acredito na mágica das mãos.
E na sabedoria dos olhos.
Eu acredito na chuva e nas lágrimas.
E no sangue do infinito.

Eu acredito na vida.
E eu vi o desfile da morte
marchando pelo torso da terra,
esculpindo corpos de lama em seu caminho.
Eu vi a destruição da luz do dia,
e vi vermes sedentos de sangue
sendo adorados e saudados.
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Borbones, opresión "progresista" y República popular (Pablo Hasel) 08-2020
«A estas alturas sólo los más manipuladores pueden negar la evidencia de que con gobierno de PP-VOX e idéntica gestión del coronavirus, monarquía y otros asuntos relevantes, la reacción hubiera sido de muchísima más indignación y protestas. Por eso oligarcas como Ana Botín aplaudían este gobierno cuando se formó, conscientes de que no sólo no van a tocar sus privilegios, sino que van a imponer las mismas políticas en prácticamente todo pero con menos resistencia en las calles... [ler mais]
Israel destrói Beirute Oriental com nova arma (Thierry Meyssan) 08-2020
«Em 27 de Setembro de 2018, Benjamin Netanyahu mostra na tribuna da Assembleia Geral das Nações Unidas o armazém que irá fazer explodir, em 4 de Agosto de 2020, como um depósito de armas do Hezbolla.
Oprimeiro Primeiro-Ministro israelita, Benjamin Netanyahu, autorizou um ataque contra um depósito de armas do Hezbolla por meio da utilização de uma arma nova, testada há sete meses atrás na Síria. Ignora-se se o segundo Primeiro-Ministro, Benny Gantz, deu o seu acordo.
O ataque foi realizado, em 4 de Agosto de 2020, sobre o local exacto designado por Benjamin Netanyahu durante o seu discurso nas Nações Unidas, em 27 de setembro de 2018. O Hezbollah havia evacuado as suas armas deste armazém logo após o discurso de Netanyahu... [ler mais]
Quem é a senadora democrata Kamala Harris? (Dan Conway) 08-2020
«Em 2015, Harris defendeu condenações obtidas por promotores do condado após estes terem inserido confissões falsas nas transcrições de interrogatórios. Harris afirmou na época que perjúrio não era suficiente para demonstrar a má conduta do Ministério Público.
O caráter vingativo e antidemocrático do mandato de Harris como procuradora-geral também não se limitou ao tribunal. Em 2010, Harris patrocinou uma lei, posteriormente assinada pelo governador Arnold Schwarzenegger, que buscava melhorar as escolas prendendo os pais de crianças que faltavam às aulas e sujeitando-os a multas de até US$ 2.000. Embora a lei explicitamente tornasse a pena de prisão um resultado provável para pais de crianças que cabulavam aulas, Harris afirmou em uma entrevista à CNN em maio passado que mandar os pais para a prisão era uma “consequência não intencional” da lei... [ler mais]
A estratégia do medo e a “quebra histórica” do PIB 08-2020
Parece que estamos numa de acontecimentos “históricos”, foi o “acordo histórico” que vai hipotecar o país em mais 61 mil milhões de euros, entre empréstimos e falsos "fundos perdidos", e agora é a “quebra histórica” do PIB nacional, menos 14,1% no 2º trimestre, quando comparado com 1º trimestre do ano, ou menos 16,5%, quando comparado com o trimestre homólogo de 2019. Valor superior à média europeia dos países cujos números são já conhecidos (Alemanha menos 10%).Trocado por miúdos, ou por euros, significa que houve menos 8.760 milhões de euros de riqueza criada, segundo as estatísticas oficiais, e menos 3.200 milhões de euros de remunerações não recebidas pelos trabalhadores. Trocando de novo por miúdos, os trabalhadores portugueses empobreceram, em termos nominais, mais um tanto, houve pequenos patrões que terão ficado com a corda ao pescoço e haverá grandes patrões e capitalistas que terão aumentado o património e as contas bancárias, tudo graças às ajudas do estado com o pretexto do combate à covid-19.
Contudo, faz parte da contabilidade um aumento de 2137 mortes (+26%) no mês de Julho (10.390 pessoas) em relação ao mês de Julho do ano passado, o maior número desde há 12 anos, e das quais só 159 (1,5%) foram devidas ao SARS-CoV-02: o governo atribui a causa do excesso de mortalidade ao “calor extremo”, à semelhança dos incêndios (este ano já morreram 3 bombeiros, 229 em 40 anos!), alguns especialistas já referem “efeito secundário do confinamento” e a Ordem dos Médicos já aponta o facto dos doentes que “ficaram para trás” por não atendimento pelo SNS, por se encontrar concentrado no tratamento dos dentes infectados pelo coronavírus. Fica-se com a ideia de que um dos objectivos do afunilamento do SNS no ataque à pandemia seria empurrar os doentes com outras patologias para o sector privado, só que a estratégia falhou e aquele também se queixa da diminuição do negócio, ao que parece, menos metade das consultas de urgências. O confinamento mostrou que como estratégia de impedir a propagação da pandemia agravou a crise económica já existente e terá lançado o país num plano inclinado cujo fim ninguém consegue vislumbrar, nem rezando a todos os santos padroeiros do país católico nem a Nossa Senhora de Fátima, equiparada pelo Vaticano, numa clara afronta à Teologia, a Deus no que concerne à capacidade de fazer milagres... [ler mais]
A propósito da fuga do rei espanhol: “Los Borbones son unos ladrones” (el rap se rebela por la libertad de expresión) 08-2020
«El rap español lanza un tema conjunto en solidaridad con sus colegas condenados, Valtonyc, Hasel y La Insurgencia: "A la cárcel van los pobres, no la infanta Cristina, pero medio país le desea guillotina". 
“Rapear no es delito. En las cárceles los débiles, los más pobres, ¿es o no? Y en Ginebra los patriotas escondiendo el montón”: así arranca Los Borbones son unos ladrones, el tema comunitario que han lanzado los raperos patrios para defender la libertad de expresión. El título es un guiño a una de las letras de Valtonyc, condenado a tres años y medio de prisión por delitos de enaltecimiento del terrorismo, calumnias e injurias graves a la Corona. No es el único: a finales de diciembre de 2017, los doce raperos de La Insurgencia fueron condenados por enaltecimiento del terrorismo a dos años y un día de prisión; mientras que en marzo de este año, la Audiencia Nacional condenaba -otra vez- a Pablo Hasel a dos años de cárcel por enaltecer a ETA y los Grapo... [ler mais]
O lugar de Marx e Engels na modernidade: Raça, colonialismo e eurocentrismo (Jones Manoel) 08-2020
«Domenico Losurdo afirma, corretamente, que existe na modernidade burguesa uma filosofia da história constituída por um universalismo agressivo e colonizante que tende a ver o Ocidente como o máximo da civilização em uma missão eterna e inescapável de extirpação da barbárie e do atraso nos quatro cantos do mundo. O “fardo civilizatório” do homem branco é apenas um dos episódios mais caricatos dessa história, mas de forma alguma o único (Contra-história do liberalismo, p. 6-65). Nos dias atuais, essa filosofia da história se expressa nas diversas formas de agressão que os Estados Unidos e sua máquina de guerra (seguidos de perto pelos seus sócios menores como a União Europeia) impõem à Venezuela, Cuba, Coreia Popular, Irã, China, Vietnã e outros países “incivilizados” ... [ler mais]
Chile: Las calles se poblaron de fuertes protestas contra Piñera, cacerolazo en todo el país, barricadas, repudio generalizado 08-2020
«Las manifestaciones ocurrieron en paralelo a la tercera Cuenta Pública del mandatario en el año, en la cual no se informaron mayores novedades dentro de las medidas anunciadas por el Ejecutivo, hecho también criticado por la oposición política.
Con consignas relacionadas a las movilizaciones que surgieron desde el 18 de octubre, las y los ciudadanos se manifestaron desde sus casas, o desde lugares públicos, tanto con cacerolazos como utilizando distintos tipos de intervenciones.
Una de ellas fue la proyectada en la Torre Entel, momentos antes de que comenzara el mensaje presidencial, dirigida hacia las y los trabajadores, firmada por la ANEF. En la intervención, se comunicaba “ni un paso más sin las y los trabajadores”, la cual fue compartida por la misma asociación a través de sus plataformas sociales... [ler mais]
A boa solução de Hamurabi: Acerca da crise sistémica disparada pela actual pandemia (Michael Hudson) 08-2020
«Estamos numa situação semelhante à de uma guerra. Há vencedores e há perdedores numa guerra. Neste caso o vencedor é o agressor – o sector financeiro. Suas exigências de pagamento estabeleceram o cenário para a ruptura económica de hoje. Tem sido este o processo ao longo da história. A finança sempre foi o grande factor desestabilizador. Exactamente agora, há negócios – lojas de retalho, restaurantes, hotéis, linhas aéreas e outros – que estão a ser encerrados ou estão a operar só com pequena capacidade muito abaixo dos níveis de equilíbrio (break-even). Estes negócios não são capazes de pagar suas rendas estipuladas ou o serviço de dívida hipotecário. Seus proprietários não são capazes de pagar seus bancos... [ler mais]
O Costa, o “acordo histórico” e o “modelo novo” 07-2020
Antes de ser selado o “acordo” entre os 27 estados da União, Costa veio perante os câmaras das televisões manifestar o seu optimismo quanto um acordo de um plano para a recuperação económica da União Europeia e, em particular, de Portugal, acordo que teria de ser um “modelo novo” quanto à estrutura e aplicação. Em suma, a lenga-lenga da concretização na prática da putativa “solidariedade”, tão badalada pelos países mais periféricos e dependentes, porque os outros, nomeadamente, os auto-denominados “frugais” (que ladram no lugar da Alemanha), já há muito que abandonaram essa linguagem hipócrita e enganadora. Como seria de esperar, os países ricos ouviram a pedinchice dos de chapéu na mão e acordaram no pacto para a pilhagem, logo considerado um "histórico resultado" pelo nosso PR Marcelo enquanto genuflectia no beija-mão ao corrupto monarca espanhol e à sua mais que desacreditada monarquia. Os subservientes agradecem reverentemente, salivando antecipadamente com a parca ração, porque até sabem que quem irá pagar serão sempre os do costume, o povo que labuta e se sacrifica. (...)
Estes muitos milhões de euros jamais serão a fundo perdido e serão os trabalhadores e o povo, mais uma vez a pagar a factura e desta feita com sacrifícios acrescidos, e inúteis porque é impossível endireitar a sombra de uma vara torta, para mais em benefício daqueles que vivem à custa da sua exploração. Da mesma forma que a acumulação de riqueza dentro do país leva ao aumento das desigualdades sociais e económicas, a riqueza flui sempre em sistema de vasos comunicantes, os ricos ficam mais ricos e os pobres mais pobres, na UE o processo é semelhante entre os diferentes países. Os estados mais ricos ficarão mais ricos e os pobres mais pobres e não é por acaso que os tais países” frugais”, Áustria, Dinamarca, Holanda, Suécia, juntando-se mais tarde a Finlândia, com a Alemanha à cabeça, são os países que mais têm lucrado com a UE e os que têm menos contribuído para a despesa. A estes somam-se outros países que também têm ganhos, a Bélgica, França, Luxemburgo, Irlanda, cujos PIB's per capita são superiores à média europeia (840 euros), enquanto Portugal resta no fim da escala, nuns míseros 497 euros. Este acordo que é um verdadeiro pacto para a pilhagem dos países mais pobres, ou pior ainda, para intensificação dessa pilhagem, e daqui a 6 anos, Portugal ainda estará mais pobre e mais dependente, numa situação de colónia e, reforçando o elo da dependência, de região do estado espanhol... [ler mais]
A Justiça e a Banca 07-2020
Cinco anos antes do colapso já o Grupo Espírito Santo estava falido, realidade que não seria só do conhecimento do principal protagonista e responsável pelo crime, mas igualmente dos restantes elementos da família (ou da famiglia) e não apenas dos que agora são acusados, apenas mais dois elementos para além do dito cujo Ricardo Salgado. Dificilmente se entende que as entidades reguladoras (ditas), Banco de Portugal e CMVM (Comissão do Mercado de Valores Mobiliários) não tivessem na sua posse indícios claros do que se estava a tramar, bem como os principais governantes, PM Coelho e PR Cavaco, através dos canais normais ou do SIS, com certeza saberiam toda a trama. Todas as declarações públicas feitas pelos diversos políticos e outros responsáveis, em vésperas da falência, soaram na altura a falso, quanto mais agora.
No entanto, a justiça, à semelhança do que acontecera com o caso dos submarinos, onde se comprovou haver corrupção, tendo sido a parte activa condenada na Alemanha e em Portugal não se terá passada nada, com Cavaco, Coelho e Costa (o que esteve a ganhar 17 mil euros/mês durante 10 anos para encobrir as vigarices da banca) a serem ludibriados na sua boa-fé, porque a informação que receberam terá sido manipulada! Ou como a justiça em Portugal tem dois pesos e duas medidas quando se trata de julgar e condenar os poderosos ou os pés descalços. Ou, então, o que não deixa de estar implícito numa justiça de classe, a corrupção também vagueia por aqueles lados... [ler mais]
Marx e o homem-mercadoria [parte 1] (Bruno Guigue) 07-2020
«O Capítulo X do Livro I d’“O Capital” tem como objetivo estudar os mecanismos relacionados ao “dia útil”. Esse comentário sobre a escravidão americana é, portanto, parte do estudo geral das leis imanentes do “modo de produção capitalista”. Mais precisamente, o autor evoca a condição servil nos Estados Unidos ao analisar a tendência, inerente a esse modo de produção, à extensão máxima do horário de trabalho. Agora, o que Marx diz, em essência, sobre a economia das plantations norte-americanas e as relações sociais de escravidão que a caracterizam? Ele distingue, na história dessa formação social, dois períodos sucessivos: um primeiro período marcado por relações do tipo patriarcal e um segundo período afetado pelo “horror civilizado do trabalho a mais”. Como é realizada a transição entre o primeiro e o segundo período? Qual é o motor dessa mudança? Na resposta formulada pelo autor, essa transformação encontra-se ligada a uma causalidade sem mistério: é a busca obstinada de lucro comercial que renova profundamente as formas de escravidão nos Estados Unidos. Pois esse lucro comercial, sob condições de produção determinadas, só pode vir de uma exploração frenética de trabalho escravo. É a dominação indivisa das relações de mercado, portanto, que arruinou o modelo social tradicional incorporado pela dominação patriarcal. Causada pelo desenvolvimento da indústria do algodão, a explosão da concorrência internacional teve o único efeito de escravizar ainda mais os escravos. Ao dobrá-los aos padrões ditados pela grande indústria, o capitalismo moderno piorou dramaticamente suas condições de vida.
“Os horrores do trabalho excedente”. É nesse sentido que devemos entender a fórmula de Marx sobre “os horrores do excesso de trabalho, esse produto da civilização”... [ler mais]
MONANGAMBA (António Jacinto) 07-2020

Naquela roça que não tem chuva
é o suor do meu rosto que rega as plantações;

Naquela roça grande tem café maduro
e aquele vermelho-cereja
são gotas do meu sangue feitas seiva.

O café vai ser torrado,
pisado, torturado,
vai ficar negro, negro da cor do contratado!

Negro da cor do contratado!

Perguntem às aves que cantam,
aos regatos de alegre serpentear
e ao vento forte do sertão:

Quem se levanta cedo? quem vai à tonga?
Quem trás pela estrada longa
a tipóia ou o cacho de déndén?
Quem capina e em paga recebe desdém
fubá podre, peixe podre,
panos ruins, cinqüenta angolares
porrada se refilares?

Quem?

Quem faz o milho crescer
e os laranjais florescer
— Quem?

... [ler mais]
O fim dos mitos e das ilusões (KKE-Dimitris Koutsoumbas) 07-2020
«O MITO QUE TEM SIDO DESFEITO durante a pandemia de coronavírus é o que afirma que o setor público e o privado podem coexistir harmoniosamente e, assim, contribuir para resolver esta situação. […] A necessidade de um sistema de saúde exclusivamente público e gratuito, com a abolição de qualquer negócio privado, ficou dramaticamente demonstrada.
Estamos no meio da pandemia do novo coronavírus que ameaça o nosso povo e os povos do mundo inteiro. O nosso partido enfrenta estes acontecimentos sem precedentes com um elevado sentido de responsabilidade. Desde o primeiro momento, adiamos todos os eventos, adaptamos as iniciativas e a atividade das Organizações do Partido em função das medidas de prevenção e proteção da saúde pública. Ao mesmo tempo, exigimos que fossem imediatamente tomadas todas as medidas necessárias para proteger a saúde das pessoas e os direitos dos trabalhadores.
O conteúdo da intervenção do nosso Partido nessas difíceis condições está vertido na palavra de ordem: “Permanecemos fortes, não calados”... [ler mais]
Ética e touradas (António Maria Pereira) 07-2020
«O movimento universal de protecção dos animais corresponde a uma exigência ética e cultural universal, consagrada na Declaração Universal dos Direitos do Animal (1978), em numerosas convenções internacionais e em centenas de leis, incluindo leis constitucionais, dos países mais adiantados.
Nas suas diversas formulações todos esses diplomas têm um denominador comum: a preocupação com o bem-estar dos animais envolvendo antes de mais, a condenação de todos os actos de crueldade; mas além dessa preocupação, um número cada vez maior de correntes zoófilas defende o reconhecimento aos animais de autênticos direitos subjectivos.
O debate sobre esses temas, iniciado aquando do arranque da era industrial, na segunda metade do séc. XIX, ampliou-se a partir da criação, após a última grande guerra, das grandes instituições europeias e mundiais (Conselho da Europa, União Europeia e UNESCO) e actualmente trava-se em várias universidades onde se ministram cursos sobre os direitos dos animais (é o caso das Universidade de Harvard, Duke e Georgetown nos Estados Unidos e de Cambridge, na Inglaterra). Numerosos e qualificados autores têm intervindo nesse debate, iniciado com as obras pioneiras dos já clássicos Tom Reagan e Peter Singer. Em Portugal a discussão tem decorrido sobretudo na Faculdade de Direito de Lisboa graças designadamente aos contributos de António Menezes Cordeiro e Fernando Araújo e ainda nas Faculdades de Direito da Universidade Nova de Lisboa e da Universidade de Coimbra. Como nota Fernando Araújo em A Hora dos Direitos dos Animais, a bibliografia sobre este tema compreende actualmente cerca de 600 títulos (!).
Não se trata, portanto, de um assunto esotérico cultivado por uns tantos iluminados vegetarianos mas sim — tal como os direitos do homem — de uma componente muito importante da cultura ocidental; a tal ponto que a obrigação para os Estados da União Europeia, de garantirem o bem-estar animal está hoje formalmente consagrado em protocolo vinculativo anexo ao Tratado de Amesterdão... [ler mais]
Touradas, corrupção e os políticos do regime 07-2020
Pode não parecer, mas tem tudo a ver a corrupção com as touradas, ou vice-versa. O apoio do Estado às touradas, através do Orçamento do Estado, são muitos milhões de euros, porque haverá outros a nível das autarquias ou mais discretos como publicidade, isenções fiscais, etc. (o Campo Pequeno embolsa 9 milhões de euros em isenções só este ano), é um acto de fomentar e apoiar a barbárie como uma medida que não deixa de estar envolvida em corrupção, no campo dos valores humanos e do estritamente económico. Pode não ter uma ligação directa, mas a nomeação da dirigente e ex-deputada do PCP, Rita Rato, pessoa sem formação ou currriculum na área, para dirigir o Museu do Aljube Resistência e Liberdade, indicia claramente favorecimento político, e alguma coisa haverá em troca. Não é por acaso que o PCP continua a aprovar as políticas do governo, seja nas touradas ou outras questões, valendo as abstenções ou os votos formalmente “contra” um apoio em termos práticos, como agora aconteceu com o Orçamento Suplementar, embora disfarçado para sossego das hostes e da contabilidade eleitoral. Votar contra o financiamento público das touradas mas ter deixado passar o Orçamento Suplementar é mais outra habilidade do BE, que achou o Orçamento necessário para combater a covid-19 (!?) mas insuficiente para o país; tal como tem feito com o Novo Banco, critica os muitos milhões que ali são torrados pelo governo PS, mas entretanto vai aprovando os Orçamentos que contemplam esses muitos milhões de euros para um poço que parece não ter fundo... [ler mais]
Carta a Pável V. Annenkov (em Paris) - Karl Marx 07-2020
«Realmente, ele (Proudhon) faz o que fazem todos os bons burgueses. Todos eles nos dizem que a concorrência, o monopólio, etc, em princípio, isto é, tomados como pensamentos abstractos, são os únicos fundamentos da vida, mas que deixam muito a desejar na prática. Todos eles querem a concorrência sem as consequências funestas da concorrência. Todos eles querem o impossível, isto é, as condições da vida burguesa sem as consequências necessárias dessas condições. Todos eles são incapazes de compreender que a forma burguesa da produção é uma forma histórica e transitória, exactamente como o era a forma feudal. Este erro vem de que, para eles, o homem-burguês é a única base possível de toda a sociedade, de que não imaginam um estado de sociedade em que o homem tivesse deixado de ser burguês.
O sr. Proudhon é pois necessariamente doutrinário. O movimento histórico que revolve o mundo actual resolve-se, para ele, no problema de descobrir o justo equilíbrio, a síntese de dois pensamentos burgueses. Assim, à força de subtileza, o esperto do rapaz descobre o pensamento oculto de Deus, a unidade dos dois pensamentos isolados que são só dois pensamentos isolados, porque o sr. Proudhon os isolou da vida prática, da produção actual, que é a combinação das realidades que eles exprimem. No lugar do grande movimento histórico, que nasce do conflito entre as forças produtivas dos homens, já adquiridas, e as suas relações sociais que já não correspondem a essas forças produtivas; no lugar das guerras terríveis que se preparam entre as diferentes classes de uma nação, entre as diferentes nações; no lugar da acção prática e violenta das massas, única que poderá resolver essas colisões; no lugar desse movimento, vasto, prolongado e complicado, o sr. Proudhon põe o movimento diarreico [le mouvement cacadauphin] da sua cabeça. Assim, são os sábios, os homens capazes de apanhar a Deus o seu pensamento íntimo, que fazem a história. O povo miúdo não tem mais do que aplicar as revelações destes. Compreende V. agora porque é o sr. Proudhon inimigo declarado de todo o movimento político. A solução dos problemas actuais não consiste, para ele. na acção pública, mas nas rotações dialécticas da sua cabeça. Como para ele as categorias são as forças motrizes, não há que mudar a vida prática para mudar as categorias. Muito pelo contrário: há que mudar as categorias e a mudança da sociedade real será consequência disso... [ler mais]
A lenta desagregação da República em França (Thierry Meyssan) 07-2020
«Em Outubro de 2018, em França, um surdo protesto crescia nas pequenas cidades e zonas rurais. Com espanto, os dirigentes do país e os média (mídia-br) davam-se conta da existência de uma classe social que eles não conheciam e com a qual jamais se haviam cruzado até aí : uma pequena burguesia que havia sido excluída das grandes cidades e relegada para o «deserto francês», um espaço onde os serviços públicos são racionados e os transportes em comum inexistentes.
Este protesto, que em certos lugares se transformou em levantamento, foi desencadeado pelo aumento de um imposto sobre o petróleo visando reduzir o consumo de carburante, a fim de alcançar os objectivos do Acordo de Paris sobre o Clima. Estes cidadãos foram muito mais afectados por este aumento que outros porque moravam longe de tudo e não tinham outra opção de transporte além de seus meios pessoais.
Após a dissolução da União Soviética, a economia mundial reorganizou-se. Centenas de milhões de empregos foram deslocalizados do Ocidente para a China. A maior parte dos que perderam os seus trabalhos tiveram que aceitar outros menos bem pagos. Eles foram forçados a deixar as grandes cidades, que para si se tornaram muito caras, e a instalar-se nas suas periferias... [ler mais]
Francisco de Eguía, el “arma biológica” que aniquiló a millones de indios en América 07-2020
«El 5 de marzo de 1520, una pequeña flotilla española partió de la isla de Cuba en dirección a México. Al mando estaba Pánfilo de Narváez, un capitán que había sido enviado por el gobernador Velázquez con el mandato de capturar vivo o muerto a Hernán Cortés, que estaba haciendo la guerra -y la fortuna- por su lado. Narváez sucumbió a las primeras de cambio y es que hay que ser muy zote para mandar a un tipo llamado “Pánfilo” a perseguir a Cortés (pero esa es otra historia).
La expedición de Narváez llevaba a bordo a 900 soldados españoles, junto a un puñado de esclavos negros, caballos y armas de fuego. Uno de estos esclavos, Francisco de Eguía, se convertiría, sin saberlo, en el arma biológica secreta de los españoles para doblegar al imperio Azteca y, de paso, al resto de los indígenas que tuvieron la mala suerte de toparse en su camino.
Eguía estaba enfermo de viruela, una mortífera enfermedad que ya había hecho estragos en el Viejo Continente y para la que los oriundos de América carecían de defensa... [ler mais]
O desprezível governo PS ou as acrobacias do Costa 07-2020
Costa, depois de se manifestar satisfeito com o resultado da votação, tem a desfaçatez, como já nos habituou, de afirmar que “este não é um momento para a austeridade”, como o aumento de mais de 100 mil desempregados, em menos de uma ano e segundo números oficiais, ou os 1 milhão e 400 mil trabalhadores a receber dois terços do salário durante 4 meses não seja já por si uma austeridade, e bem grande. O PS, no governo, teve a habilidade de manter a austeridade em banho-maria sem nunca ter acabado com ela, e por duas razões: ou por não ser capaz, senão incitava à revolta de quem trabalha, ou não interessar aos senhores a quem serve, o grande capital e os bancos, em particular.
A forma que o governo PS-marca-Costa encontrou para resolver os problemas da TAP e da Efacec, um pouco à semelhança da que foi arranjada para o Novo Banco, mostra mais uma vez, e de forma indisfarçável, que a sua missão é encontrar meios de o capital nunca deixar de se rentabilizar, isto é, sejam sempre garantidos os lucros dos patrões. Na TAP, o Estado entra com os 1200 milhões de euros, com o despedimento de trabalhadores cujo número irá ultrapassar os 3 mil, contando com os que já foram dispensados pelo lay-off, aliás, o que tem sido uma prática habitual neste tipo de reestruturação das empresas; na Efacec, o Estado nacionaliza a parte pertencente a uma empresária cleptocrata (seria um escândalo se o não fizesse) para depois a entregar a outros capitalistas, não importando se são nacionais ou estrangeiros, desde que entrem com o dinheiro e entreguem discretamente a devida comissão a quem por parte do governo intermediou o negócio. Sérgios Monteiros há muitos! Tem sido sempre assim, seja em governos PSD ou em governos PS, privatização=corrupção... [ler mais]
Como nasceu o capitalismo moderno (O Capital: A Chamada Acumulação Original - Karl Marx) 07-2020
A descoberta de terras de ouro e prata na América, o extermínio, escravização e enterramento da população nativa nas minas, o início da conquista e pilhagem das Índias Orientais, a transformação da África numa coutada para a caça comercial de peles-negras, assinalam a aurora da era da produção capitalista. Estes processos idílicos são momentos principais da acumulação original. Segue-se-lhes de perto a guerra comercial das nações europeias, com o globo terrestre por palco. Inicia-se com a revolta dos Países Baixos contra a Espanha[N86], toma contornos gigantescos na Inglaterra com a guerra antijacobina[N35] e prolonga-se ainda na guerra do ópio contra a China[N87], etc.
Os diversos momentos da acumulação original repartem-se agora, mais ou menos em sequência temporal, nomeadamente, por Espanha, Portugal, Holanda, França e Inglaterra. Em Inglaterra, no fim do século XVII, eles são reunidos sistematicamente no sistema colonial, no sistema da dívida do Estado, no sistema moderno de impostos e no sistema proteccionista. Estes métodos repousam, em parte, sobre o poder mais brutal, por exemplo, o sistema colonial. Todos eles utilizam, porém, o poder do Estado, o poder concentrado e organizado da sociedade, para acelerar, como em estufa, o processo de transformação do modo de produção feudal em capitalista e para encurtar a transição. A violência é a parteira de toda a velha sociedade que está grávida de uma nova. Ela própria é uma potência económica... [ler mais]
A “nova normalidade” é mais miséria e exploração (Giovanni Frizzo) 06-2020
«“Não vejo a hora disso tudo acabar e voltar ao normal!”. Já pensaste ou disseste essa frase nos últimos meses? Ou melhor: quantas vezes já disseste isso hoje? São tempos terríveis em que uma gripezinha já ceifou a vida de mais de 50 mil pessoas e infectou mais de um milhão (segundo estimativas mais sérias que as governamentais, os números chegam a três vezes mais do que isso). Estamos vivendo uma espécie de laboratório da precarização que tem sido tratado pela hipocrisia burguesa como ajustes na vida e que eles têm chamado de uma “nova normalidade”.
Desde o início da pandemia, a vida da classe trabalhadora tem sido uma batalha constante contra patrões e governos: tentando se manter em isolamento mesmo quando o poder público faz de tudo para botar a população que trabalha em risco de contaminação e, ao mesmo tempo, enfrentando a política do “lucro acima da vida” que aumentou as demissões, a diminuição salarial, a perda de direitos e a miséria. Sem contar o desafio de tentar manter a sanidade mental em meio à tantos ataques e restrições que o contexto político e sanitário nos coloca... [ler mais]
Isto É Mesmo Gozar Com Que Trabalha! (Docente do Ensino Secundário) 06-2020
«Nesta fase, à sombra dos desaires familiares e anímicos dos nossos adolescentes, alguns que se acharam de férias, a partir daquela fatídica sexta-feira 13 em que lhes anunciaram o fecho das Escolas por tempo indeterminado por conta do COVID-19, vimos de novo surgir uma cassette dos bem-pensantes sobre a falta de equidade, que, na prática, lança alguns dos meninos para a total impunidade e desresponsabilização.
Inúmeros professores por este país fora andaram a fazer formações, às vezes até pagas, sem descanso na Páscoa, a construir recursos, a inventar novas estratégias para cativar as já tão facilmente dispersas mentes dos jovens, com a última palavra em tecnologias digitais, para cativar suas excelências, que, por natureza, vivem agarradas a tudo quanto é gadget e para quem “viver nas nuvens” é, não só literal, como indispensável.
Para garantir que as aprendizagens se continuariam a realizar de forma a não quebrar o vínculo com a escolaridade e manter o elo com os textos, livros, imagens, vídeos, power-points, filmes e tudo aquilo que pudesse cativar o seu apelo pelas novidades, muitos professores prescindiram de muitas noites e fins-de-semana, ficando a trabalhar incansavelmente, durante três meses consecutivos, para que os seus alunos aprendessem, sem olhar a meios, nem a gastos pessoais, nem a esforços... [ler mais]
Moçambique - 25 de Junho (Samora Machel) 06-2020
«Operários, Camponeses, Combatentes, Compatriotas:
Às zero horas de hoje nasceu a República Popular de Moçambique, Estado que nasceu do combate multissecular do nosso povo pela liberdade e independência. Estado em que pela primeira vez no nosso país se implanta o poder da aliança dos trabalhadores.
(...).
Queremos recordar antes de mais a memória dos nossos heróis. Aqueles que tombaram na luta contra o invasor estrangeiro, aqueles que pereceram nas fábricas de morte do colonialismo português, seja na deportação e no comércio de escravos, no trabalho forçado, aqueles que o colonial-fascismo condenou à morte lenta, à desagregação familiar, à desagregação espiritual, à despersonalização. Queremos honrar a memória dos gloriosos combatentes caídos no decurso da luta armada de libertação nacional e antes de todos e para lembrar todos citar a recordação imperecível do Primeiro Presidente e fundador da FRELIMO, Eduardo Chivambo Mondlane. Foram eles os alicerces de sangue da nova Nação Moçambicana que se afirmou ao longo destes dez anos, nas nossas zonas de luta e de trabalho clandestino, que se materializava já nas zonas libertadas e que antes de se transformar na realidade nacional que hoje celebramos já vivia nas nossas consciências... [ler mais]
Portugal caixote do lixo da Europa governado pela corrupção 06-2020
Enquanto se criminaliza os acontecimentos sociais, tudo o que signifique reunião ou ajuntamento de pessoas, mesmo ao ar livre, o que faz levantar os cabelos em pé aos governantes e aos políticos do regime, com medo da contestação social ou da rebelião, contudo, aprova-se com pompa e circunstância a realização da fase final da Champions do pontapé-na-bola profissional, que envolve muitos milhões de euros que, na sua grande maioria, revertem para as máfias do futebol, em particular das nacionais, que são mestras em fugir aos impostos e tendo a banca e os partidos como meio de lavagem dos muitos milhões. E não serão apenas os "padrinhos" do futebol que irão aumentar o património aconchegado em paraísos ficais, já que os clubes que dirigem se encontram em falência notória sem que isso perturbe o governo e em particular o primeiro-ministro Costa e seu ministro das Contas Certas, também os patrões dos hotéis e dos restaurantes irão arrecadar o seu quinhão. Se o acontecimento irá aumentar o número de infectados, provocar o aumento da inflação, ou possivelmente o alarme social, pelos desacatos provocado pelos hooligans que inevitavelmente acompanharão as equipas, isso pouco importa, e até porque estes grupos de extrema-direita, acobertados pelo futebol, são controlados directamente pelas polícias por lhes fazerem geralmente o trabalho sujo.
Mais do que nacional-parolismo, trata-se da subserviência por parte das “nossas” principais figuras de Estado aos senhores do dinheiro da Europa, no caso, aos donos do futebol, que dominam os estados que se submetem às suas leis e interesses, e dos grupos económicos em geral, que usam o futebol para fomentar os seus negócios; sendo o próprio futebol um meio privilegiado para lavagem de dinheiro de proveniência mais do que duvidosa. Na cerimónia já referida estiveram o PR Marcelo, o PM Costa, o PAR Rodrigues, dois ministros e um secretário de Estado e o PC de Lisboa, para além, como é óbvio, do representante legal da máfia. A decisão de enviar para Portugal a fase final dos jogos foi elogiada por toda a imprensa corporativa e apresentada pelos governantes e políticos como prova do reconhecimento do sucesso do combate à pandemia, e agora, alguns dias depois, desmentido pelo grande número de novos casos de infectados e pela proibição por parte de alguns estados de entrada de cidadãos portugueses. O ridículo já faz parte do curriculum da nossa burguesia e dos seus funcionários de turno na governação... [ler mais]
Um poema sem título: Don’t let the fascist speak (Pat Parker) 06-2020
“Não deixe os fascistas falarem”
“Nós queremos ouvir o que eles têm a dizer”
“Deixe-os fora da sala de aula”
“Todo mundo tem direito a liberdade de expressão”
sou uma filha América
uma enteada
criada no quarto dos fundos
entretanto ensinada
ensinada a me comportar
nas suas salas de estar
minha cabeça dá um salto
as vozes dos estudantes
gritando
insultos ameaças
“Deixe os nazis falarem”
“Deixe os nazis falarem”
Todo mundo tem o direito
de falar
eu coloco uma criança negra
com pernas hidratadas com óleo
numa escola negra
numa parte negra da cidade
olho para professora negra
a Declaração de direitos
garante
a todos nós o direito
... [ler mais]
A humanidade partida: reflexões fanonianas sobre a pandemia (Jones Manoel) 06-2020
«A provocação de Fanon não pode ficar restrita apenas ao mundo colonial. Sim, o colonialismo, uma ocupação militar reproduzida por uma burocracia civil e policial, cria um universo segmentado e segregado no qual, em todas as dimensões, a racialização é colocada de maneira explícita e fundamental. Desde o nível jurídico-político até a organização do espaço urbano, a raça não explica tudo, mas estrutura o todo. Em países de origem colonial e formados a partir de 300 anos ou mais de escravidão, a raça e a classe são unidas, e a classe se expressa a partir de determinantes raciais.
“Legalmente, constitucionalmente [brancos e homens de cor] têm os mesmos direitos e oportunidades. Na prática, o negro, os mulatos encontram no Brasil numerosas limitações. É impossível dizer onde estas são impostas por motivos de ordem racial ou de classe. Porque a quase totalidade da população negra do Brasil pertence às camadas proletárias ou semiproletárias” - Rui Facó, Brasil Século XX (Rio de Janeiro, Editorial Vitória, 1960, p 23-4.
A pandemia também é um momento de descoberta para alguns de que o mito da democracia racial é, veja bem… um mito. Segundo o boletim epidemiológico da prefeitura de São Paulo de 30 de abril, pessoas negras têm 62% a mais de chances de morrer pela covid-19 do que as brancas. A combinação de mulher, negra e trabalhadora – um cruzamento dos principais complexos determinantes da realidade material – revelaria números ainda mais dramáticos... [ler mais]
O que Marx entendia sobre a escravidão (Kevin B. Anderson) 06-2020
«Marx não via a escravização em larga escala dos africanos pelos europeus, iniciada no começo do século XVI no Caribe, como uma repetição da escravidão Romana ou Árabe, mas como algo novo. Ela combinava formas antigas de brutalidade com a forma genuinamente moderna de produção de valor. A escravidão, escreveu ele em um rascunho de O capital, atinge “sua forma mais odiosa . . . em uma situação de produção capitalista”, na qual “o valor de troca se torna o elemento determinante da produção”. Isso leva à extensão da jornada de trabalho além de qualquer limite, fazendo pessoas escravizadas literalmente trabalharem até a morte.
Seja na América do Sul, no Caribe ou nas plantations do sul dos Estados Unidos, a escravidão não era um elemento periférico, mas central do capitalismo. Como o jovem Marx teorizou essa relação em 1846 em A miséria da filosofia, dois anos antes do Manifesto comunista:
“A escravidão direta é o eixo da indústria burguesa, assim como as máquinas, o crédito etc. Sem escravidão, não teríamos o algodão; sem o algodão, não teríamos a indústria moderna. A escravidão deu valor às colônias, as colônias criaram o comércio universal, o comércio universal é a condição da grande indústria. Assim, a escravidão é uma categoria econômica da mais alta importância... [ler mais]
Felipe, la CIA y el Gal (Germán Gorraiz López) 06-2020
«Alfredo Grimaldos, en su libro ‘La CIA en España’ (Editorial Debate),asegura que la llegada al poder del socialista Felipe González como presidente del Gobierno español en 1982 fue en realidad la alternativa “diseñada y controlada por la CIA para mantener la tutela sobre España”, estrategia diseñada en el Congreso de Suresnes tras el que asistimos al acta de defunción del camarada Isidoro y al nacimiento de un Felipe Gónzalez convertido ya en secretario general de un PSOE tutelado por la CIA.
La deriva totalitaria del Estado español arranca con la implementación de la doctrina de la alternancia en el poder del bipartidismo PP-PSOE como defensa y garante del citado establishment dominante, fruto del acuerdo tácito entre los partidos políticos tras el simulacro de golpe de mano de Tejero (23-F del 1981), y alcanzó su mayoría de edad con la llegada al poder del PSOE y el nombramiento como presidente del Gobierno de Felipe González (1982), Con González, asistimos al finiquito de la idílica Transición y al inicio de la deriva totalitaria del sistema mediante la implementación del llamado ‘terrorismo de Estado’ o ‘guerra sucia’ contra ETA y su entorno, del que serían paradigma los Grupos Armados de Liberación (GAL)... [ler mais]

Portugal, uma região da Europa 06-2020
Desde há muito que o projecto da União Europeia é ir destruindo lentamente as nações e as nacionalidade existentes dentro do espaço europeu, como forma de fortalecer o poder de um Reich, o quarto, uma Europa germanificada, e de facilitar, por outro lado, a entrada do grande capital em todos os países sob o jugo. A liberdade de circulação de capitais e de mão-de-obra foi um primeiro passo, e a entrada de Portugal na então CEE, na condição de ser acompanhada pela Espanha, foi um outro passo. Agora, passado estes anos todos, se confirma que a economia portuguesa mais não é que um prolongamento da espanhola, já com mais de metade da banca dita “nacional” nas mãos de nuestros hermanos. A eco-economia será a nova roupagem de um capitalismo decrépito e a pandemia da Covid-19 é o argumento e o ponto de partida para o “novo capitalismo”. E é neste quadro que se deve entender para que servirá o dito “plano de recuperação económica a 10 anos” do Costa do PS.
Ora, a remodelação da economia capitalista mundial será feita segundo um plano já traçado, e esse plano no que concerne à Europa é a reorganização de toda a economia na base das denominadas “bio-regiões”, ou seja, “áreas supranacionais com particular homogeneidade e vocação industrial, agrícola, cultural”, fronteiras a serem delineadas para “aprimorar as actividades, as produções e as trocas internas”. O projecto está em estudo avançado e em teste na área Hauts-de-France, foi encomendado pela presidente Ursula von der Leyen ao professor Jeremy Rifkin, o guru norte-americano da economia mundial aplicada à ecologia. A posição de Portugal será a de fornecedor de mão-de-obra barata e de matérias primas, onde o lítio será a galinha de ovos de oiro para uma parte da burguesia nacional; uma mera e simples colónia, que poderá contar com alguma indústria residual e com fraco valor acrescentado, não será sequer a China do Sul da Europa como fora pensado há alguns anos, será pior do que isso, e os 26,3 mil milhões de euros já destinados ao país serão, para além da compra de equipamentos e de produtos à Alemanha, uma espécie de indemnização às elites e clientelas indígenas... [ler mais]
Capitalismo es una síntesis de toda forma de explotación, dominación, discriminación y exclusión (Henry Boisrolin) 06-2020
«Hay que entender que Estados Unidos es un país capitalista y significa que la formación económico-social capitalista, como lo sabemos muy bien, es una síntesis de toda la forma de explotación, dominación, discriminación y exclusión de las formaciones sociales anteriores. Dentro de esa forma de discriminación, exclusión, explotación, el racismo tiene un rol. En la sociedad norteamericana es un pilar importante. Desde la independencia, la esclavitud es parte de esto, justificar la esclavitud, el racismo es corolario, es consecuencia, de la esclavitud y de la trata. Al proclamarse la independencia en 1776 hasta el fin de la guerra civil, llamada Guerra de Secesión, la esclavitud ha sido un pilar fundamental del sistema dominante en Estados Unidos, sobre todo en el sur del país. Entonces, hay algo histórico en esto.  El segundo elemento, es que la historia oficial suele negar o silenciar las más de 150 rebeliones de los africanos traídos como esclavos, esclavizados, llamados «negros» en Estados Unidos, y con un término inglés más fuerte: «nigger». Lo que pasa en los Estados Unidos es que el racismo, como en cualquier país que ha sufrido el colonialismo, es parte intrínseca. Entonces, la brutalidad policial y criminal no es de hoy, es de siempre, porque es un componente para imponer un sistema, eso hay que tenerlo en claro... [ler mais]
O que revelam as manifestações nos EUA (Thierry Meyssan) 06-2020
«As manifestações que se desenrolam, um pouco por todo o lado, no Ocidente contra o racismo nos Estados Unidos mascaram a evolução do conflito que lá sucede. Este passou de uma contestação aos resquícios da escravatura dos Negros para um conflito totalmente diferente, susceptível de por em causa a integridade do país.
Na semana passada eu recordava que os Estados Unidos deveriam ter-se dissolvido após o colapso da União Soviética à qual estavam espelhados. No entanto, o projecto imperialista (a «Guerra Sem Fim») lançado por George W. Bush permitira relançar o país após os atentados do 11 de Setembro de 2001. Também sublinhei que, no decurso das últimas décadas, a população se havia movido muito para voltar a agrupar-se por afinidades culturais. Como os casamentos inter-raciais se tornavam raros de novo, eu concluía que a integridade do país estaria ameaçada assim que outras minorias, para além dos Negros, entrassem na contestação.
É precisamente a isto que assistimos hoje em dia. O conflito já não opõe Negros e Brancos uma vez que os Brancos se tornaram maioritários em certas manifestações anti-racistas, que Hispânicos e Asiáticos se juntaram aos desfiles e que, agora, o Partido Democrata está nelas envolvido... [ler mais]
EUA: tropas contra manifestantes? (John Catalinotto) 06-2020
«Há sete dias, a Casa Branca chamou as Forças Armadas a intervirem nas cidades dos EUA para “dominar” as ruas. Nos três dias seguintes, dois ex-chefes do Estado-Maior Conjunto manifestaram-se contra esse destacamento. O mesmo aconteceu com o antigo e o actual secretários de defesa de Trump, este último sabendo que arriscava a demissão.  
Reagindo à ameaça de Trump, pelo menos três organizações de veteranos antiguerra pediram aos militares das Forças Armadas e da Guarda Nacional que se recusassem a intervir contra os manifestantes que se opõem ao racismo.
Embora o presidente tenha parado de difundir as suas ameaças e algumas tropas federais e da Guarda Nacional tenham sido chamadas de volta aos quartéis, elas ainda podem ser usadas contra a população civil. O tumulto dentro do aparelho militar sobre a ameaça de Trump levanta duas questões principais: De onde vem essa oposição? O que significa para o movimento anti-racista a relutância dos generais?
Para responder à primeira: Os generais e almirantes temem que o uso da força militar contra a comunidade afro-americana e seus aliados possa destruir a coesão, seja ela qual for, das Forças Armadas. O Pentágono construiu um exército profissional — isto é, não-conscrito — nos últimos 45 anos desde a derrocada no Vietname. O uso de tropas — que são em 40 por cento ou mais constituídas por pessoas de cor — contra a população civil pode destruir o seu moral e fazer ricochete contra as chefias... [ler mais]

A centelha de Minneapolis (Atilio A. Boron)    06-2020
«Esta explosiva combinação de circunstâncias apenas precisava de uma faísca para que a pradaria se incendiasse. O assassínio de George Floyd às mãos da polícia de Minneapolis, filmado minuto a minuto e viralizado instantaneamente proporcionou esse ingrediente, com os resultados já conhecidos. A criminosa estupidez de um Trump desorientado por mais de cem mil mortos por causa do seu negacionismo, e o abismo económico que se abriu a seus pés a cinco meses da eleição presidencial fez o resto. Num tweet ameaçou os manifestantes de “começar a disparar” se os distúrbios continuassem, como faziam os escravocratas sulistas do século XIX. Sinais inequívocos de um fim de ciclo, com violência desencadeada, saques e toques de recolher não respeitados nas principais cidades. Qualquer pretensão de “voltar à normalidade” que produziu tanta barbárie é uma melancólica ilusão... [ler mais]
Não há revoltas assim desde 1968! (Nino Brown) 06-2020
«A própria pandemia é um exemplo de racismo e supremacia branca nesse país. O coronavírus só desmascarou o chamado “democrático” Estados Unidos. As mais de 100 mil mortes ocorreram, predominantemente, entre negros, latinos e outras populações não brancas que moram aqui.
Nós vimos como a Guarda Nacional foi e está mobilizada, como a polícia também está mobilizada, de forma rápida, para reprimir [os protestos]. Mas o Estado não se mobilizou de forma rápida para curar as pessoas afetadas pelo coronavírus. Isso é o que precisamos saber sobre a sociedade americana.
Como você avalia as manifestações? Alguns atos são mais radicalizados e chamam atenção em todo o mundo. E há tempos não vemos insurgências como essas.
Eu me solidarizo 100% a todos os protestos, em todo o país, em todo o mundo. Os protestos nos mostram que há uma consciência, uma consciência negra e radical, que está acordando em todo o país. Mas também, em geral, uma consciência revolucionária e radical da classe trabalhadora que está se espalhando pelos Estados Unidos... [ler mais]
Se não nos deixam sonhar, não os deixaremos dormir (Jean Montezuma) 06-2020
«Essa semana Minneapolis está ardendo em chamas. Como na letra da canção da cantora Tracy Chapman, os distúrbios começaram porque mais uma vez “no fundo das ruas da América” eles mataram o sonho americano. Foi o próprio prefeito da cidade, Jacob Frey, quem reconheceu que “George Floyd estaria vivo se fosse branco” e que a onda de protestos são “um reflexo da raiva da comunidade negra por 400 anos de desigualdade”. Ainda que involuntariamente, o prefeito que é do partido democrata, reconheceu que o bárbaro assassinato de Floyd vai além de uma ação isolada de policiais racistas, justificativa costumeiramente usada nesses casos. Frey confessa, portanto, ao falar dos “400 anos de desigualdade”, provavelmente sem mensurar o significado profundo das suas palavras, que a engrenagem que levou ao assassinato de George Floyd é o racismo estrutural, um problema sistêmico.
O racismo não é uma anomalia do sistema, uma mancha ou um borrão que pode ser limpo da fachada do edifício do capitalismo. Seja no passado com a invasão da África e sequestro de africanos, com os navios negreiros e o trabalho escravo nos grandes latifúndios; seja hoje com os subempregos, a violência policial, o genocídio e hiper encarceramento; o racismo é um elemento estruturante da sociedade. Mais do que uma mancha ou anomalia, ele é um pilar sobre o qual toda a sociedade está alicerçada, está impregnado no sistema até a sua medula, e sem ele o capitalismo não pode sobreviver. Escravidão e racismo foram fundamentais para o acúmulo de riquezas das nações, pré-condição fundamental na marcha de desenvolvimento do capital e do modo de produção capitalista como sistema de dominação global. E hoje, distante de ser uma relíquia de museu, segue sendo o racismo um mecanismo essencial para reprodução do capital combinando exploração e opressão para negar identidades, subjugar pessoas, povos e até mesmo nações inteiras... [ler mais]
União Europeia e Portugal: “pedras em vez de pão” 06-2020
O primeiro-ministro português e socialista, é o que dizem, Costa acredita desde Abril que haverá uma “bazuca” europeia contra a crise económica, capciosamente atribuída ao coronavírus, e que começará a atirar a partir deste mês de Junho. O plano anunciado prevê 500 mil milhões de euros a fundo perdido e 250 mil milhões em empréstimos, pagos a juros e em prazo suaves, dos quais haverá a possibilidade de Portugal receber 26,3 mil milhões de euros, em subvenções e empréstimos. O que se pode dizer uma farturinha!, mas quando a esmola é grande, e conhecendo-se já o passado do benemérito, o pobre desconfia. E devemos desconfiar quando o ex-ministro das Finanças alemão, o incontornável Wolfgang Schäuble, agora arvorado em Madre Teresa de Calcutá, vem dizer que “empréstimos adicionais aos Estados membros seriam pedras em vez de pão, porque vários já estão fortemente endividados”.
Portugal irá receber os 26,3 milhões de euros, dos quais, é o que se diz, 15,5 milhões serão a fundo perdido, mas... terão de ser criados cinco novos impostos, porque os tais “500 mil milhões em subvenções” terão de ser recuperados num prazo de 14 anos, tempo de dois orçamentos plurianuais europeus. E os impostos são: uma "extensão" da tributação sobre as emissões aos "setores marítimo e da aviação" (10 mil milhões de euros por ano); uma nova taxa sobre o carbono (5 a 14 mil milhões de euros anuais); um novo imposto sobre operações de grandes empresas (10 mil milhões por ano); um novo "imposto digital sobre empresas com um turnover global anual superior a 750 milhões de euros" (1,3 mil milhões de euros anuais); um novo imposto "baseado num IVA simplificado e nos plásticos não recicláveis" (3 ou 4 mil milhões de euros a 9 mil milhões anuais). Impostos que recairão sempre sobre o cidadão consumidor. Como se constata, a União Europeia e a sua chefe alemã Von der Leyen (e o sinistro Schäuble) não dão ponto sem nó... [ler mais]
Euskal Herria. 20º día de huelga de hambre del preso vasco Patxi Ruiz 06-2020
«Texto del comunicado leído al final de las movilizaciones realizadas este sábado 30
20 días después Patxi sigue en huelga de hambre indefinida, y 12 de esos días, en huelga de sed. Patxi ha estado muy cerca de la muerte, y si la situación no cambia la muerte seguirá esperándole.
La lucha de Patxi no responde a una situación puntual, porque su situación es el reflejo de todo un sistema. ¿Qué son las cárceles, más que la realización del terrorismo de estado? Patxi lleva 18 años en la cárcel, y en ese tiempo ha sufrido torturas, navajazos, amenazas, insultos, aislamiento, dispersión y un largo etcétera. No han podido doblegarlo antes. Ahora se encuentra físicamente débil, pero políticamente tan fuerte como siempre, tan digno como siempre.
La situación de Patxi tiene responsables políticos, empezando por todos los partidos institucionales, y terminando en los carceleros... [ler mais]
Racismo, brutalidad policial y COVID-19 en Estados Unidos (Amy Goodman - Denis Moynihan) 05-2020
«Mientras las muertes por Covid-19 en Estados Unidos superan las 100.000, con un impacto desproporcionado sobre las comunidades de color, el asesinato y la violencia por parte de la policía contra personas de color, perpetrados con legitimación del Estado, continúan aparentemente sin tregua.
El pasado lunes, Día de los Caídos en Estados Unidos, George Floyd suplicaba por su vida mientras Derek Chauvin, oficial de la policía de Minneapolis, le apretaba el cuello contra el pavimento con una de sus rodillas. “Por favor. Por favor. No puedo respirar, oficial. No puedo respirar”, jadeaba George Floyd, con sus manos esposadas detrás de la espalda. Los testigos del suceso le pidieron repetidas veces a Chauvin que aflojara la presión, pero el oficial siguió con la rodilla enterrada en el cuello de Floyd. Un devastador video de diez minutos registró este asesinato en cámara lenta, respiración menguante tras respiración menguante. Finalmente, el cuerpo inerte de Floyd fue bruscamente colocado en una camilla, cargado en una ambulancia y llevado al hospital, donde se declaró su muerte ... [ler mais]
O Exército USA retoma as grandes manobras na Europa (Manlio Dinucci) 05-2020
«O exercício, que deveria ter acontecido em Maio, foi adiado porque, devido ao Covid-19, o Defender-Europe 20 foi parcialmente modificado. Mas, especifica o US Army Europe, quando em Março, foi suspenso o envio de forças dos Estados Unidos, “mais de 90% dos equipamentos destinados ao Defender-Europe 20 já estavam a bordo de aviões e navios com destino à Europa”.
No total, chegaram mais de 3.000 equipamentos, a começar por tanques, aos quais foram adicionados mais de 9.000 veículos blindados e outros veículos provenientes dos depósitos “pré-posicionados” que o Exército USA mantém na Alemanha. Dos Estados Unidos chegaram mais de 6.000 soldados, incorporados por milhares de outros estacionados na Europa ... [ler mais]
“Projeto MK Ultra”: o caso alucinado de Fort Detrick (Ceng Jing) 05-2020
«Desde que o governo Trump declarou emergência nacional em meados de março, devido à rápida disseminação do COVID-19, o trabalho de desenvolver uma vacina foi atribuído ao principal Laboratório de pesquisa de vírus do Exército dos EUA  em Fort Detrick, localizado no subúrbio de Maryland, a 80 km de Washington. DC.
Nas últimas décadas, foram realizadas naquele complexo importantes pesquisas sobre uma ampla gama de vírus e bactérias. Naquelas instalações de ponta também se armazenam algumas das toxinas mais perigosas conhecidas pela humanidade, incluindo ebola, antraz e o coronavírus SARS.
A obscura base militar ficou sob os holofotes em 2008, depois que recaíram sobre um de seus cientistas suspeitas de que fosse autor do ataque de antraz em 2001, quando várias cartas contendo o germe mortal foram enviadas para redações de mídia e escritórios do governo norte-americano... [ler mais]
O dia 25 de maio marca o 62º aniversário do Dia da Libertação Africana 05-2020
«“A total libertação e unificação da África sob um governo socialista de toda a África deve ser o objetivo principal de todos os revolucionários negros em todo o mundo. É um objetivo que, quando alcançado, trará o cumprimento das aspirações dos africanos e afrodescendentes em todos os lugares. Ao mesmo tempo, promoverá o triunfo da revolução socialista internacional e o progresso em direção ao comunismo mundial, sob o qual toda sociedade é ordenada com base no princípio de cada um, de acordo com suas possibilidades, a cada um, de acordo com suas necessidades.”
– Osagyefo Kwame Nkrumah... [ler mais]
Tão amigos que eles são! 05-2020
Nos últimos dias, temos assistido a algumas cenas particularmente enternecedoras entre seres que se amam de sobremaneira, embora por vezes não pareça, constituindo um trio admirável, para não dizer “Odemira”, não sabemos bem se elogio ou insulto ao mais que conhecido trio de música popular portuguesa. Marcelo, Costa e Centeno, por esta ou por outra ordem qualquer, esta é arbitrária e ao gosto do freguês, são os componentes do dito trio. E várias têm sido as cenas: Costa e Centeno, um diz que não sabia e o outro diz que não guarda segredos, com Marcelo irritado com o segundo, por hipotética “fuga de informação”, ou o Costa a apoiar e a lançar a recandidatura de Marcelo, com este a fazer-se de esquisito, declarando que haverá outros temas mais prementes. Todos fazem de conta, os três pensam como prioridade no seu futuro político, os partidos a que pertencem são instrumentos de ambições mal contidas, e o povo assiste à encenação, pagando o bilhete no princípio, no meio e no fim desta ópera bufa, que seria uma comédia e não uma tragédia se o preço não fosse enorme e pago com língua de palmo pelos mesmos do costume. Todos se amam na defesa da situação, da estabilidade e da paz social e... no apego ao tacho, só se zangarão se houver alguma incompatibilidade ou imprevisto entre eles.
Um pequeno pormenor a ter em conta em relação ao apoio à recandidatura de Marcelo, é feita pelo primeiro-ministro de um país aparentemente soberano em fábrica de uma grande empresa alemã, com votos de próximo encontro na mesma fábrica, como já acontecera no passado. Não deixa de ser simbólico... [ler mais]
A nova estratégia anti-chinesa de Washington (Thierry Meyssan) 05-2020
«Uma das consequências da epidemia de Coronavirus é que os Ocidentais verificaram a sua dependência face às capacidades de manufacturação chinesas. Nem os Europeus, nem os Norte-Americanos, estavam à altura de fabricar os milhões de máscaras cirúrgicas que entendiam ser urgente distribuir à sua população. Tiveram que ir comprá-las na China e bateram-se várias vezes entre si, até aos terminais de aeroporto, para as levar para casa em detrimento dos seus aliados.
Neste contexto de salve-se quem puder geral, a liderança dos EUA sobre o Ocidente já não fazia nenhum sentido. É por isso que Washington decidiu não reequilibrar mais as relações comerciais com a China, mas opor-se à construção das Rotas da Seda e ajudar os Europeus a relocalizar uma parte da sua indústria. Poderia tratar-se de um ponto de viragem decisivo: a interrupção parcial do processo de globalização que tinha começado com o desaparecimento da União Soviética. Mas, atenção : não se trata de uma decisão económica que questione os princípios do livre comércio, sim de uma estratégia geopolítica de sabotagem das ambições chinesas... [ler mais]
O caminho do Brasil (Elaine Tavares) 05-2020
«A ruidosa saída do Ministro da Justiça, herói do Lava Jato, Sérgio Moro, anunciada como uma bomba, ao que parece vai se constituir num minúsculo traque, de pequeno alcance. No depoimento dado à Polícia Federal nenhuma prova contundente apareceu contra o mandatário nacional, seu ex-chefe. Por outro lado, a deserção do ex-juiz está atiçando a militância bolsonarista que agora já aparece nas redes sociais, explicitamente, à luz do dia, chamando para treinamento militar com o objetivo de “ucranizar o Brasil”. 
A moça loira e bem nutrida que comanda essa ação chamada de os “300 pelo Brasil” é assessora da Ministra Damares - esta conhecida por seu conservadorismo bíblico - Sara Geromini, agora autointitulada Sara Winter (um sobrenome em inglês para melhor representar sua filiação) já foi militante feminista, pró-aborto, quando essa era uma boa onda e garantia recursos. Agora, resolveu surfar na onda que ocupa o poder no Brasil, virou temente a deus. Comporta-se então como uma oportunista, apontando para onde pode ocupar mais espaço ... [ler mais]
Carta a Stalingrado (Carlos Drummond de Andrade) 05-2020
Stalingrado
Depois de Madri e de Londres, ainda há grandes cidades!
O mundo não acabou, pois que entre as ruínas
outros homens surgem, a face negra de pó e de pólvora,
e o hálito selvagem da liberdade
dilata os seus peitos, Stalingrado,
seus peitos que estalam e caem,
enquanto outros, vingadores, se elevam.
A poesia fugiu dos livros, agora está nos jornais.
Os telegramas de Moscou repetem Homero.
Mas Homero é velho. Os telegramas cantam um mundo novo
que nós, na escuridão, ignorávamos.
Fomos encontrá-lo em ti, cidade destruída,
na paz de tuas ruas mortas mas não conformadas,
no teu arquejo de vida mais forte que o estouro das bombas,
na tua fria vontade de resistir.
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Parasitas - La contradicción entre lo público y lo privado en la sanidad (Ángeles Maestro. Red Roja) 05-2020
«Para além das boas intenções que possam guiar estas propostas - embora no caso do presidente do governo não caiba alegar ignorância - a realidade é muito mais complexa. Neste trabalho pretendo esclarecer que o aumento do orçamento destinado à saúde não serve para eliminar as causas fundamentais da precariedade do sistema público de saúde.
Por detrás da saúde movem-se poderosos interesses privados que, de facto, ficariam encantados com um aumento substancial do gasto com saúde, porque, no final, acabaria nos seus bolsos.
O prestigioso epidemiologista Usama Bilal [] afirma em uma recente entrevista [] que as causas fundamentais de o Covid-19 estar a atingir o Estado espanhol mais fortemente do que em outros países não estão no que temos feito nos últimos tempos, mas em decisões políticas que vêm sendo tomadas desde há trinta anos. Ele é um dos muitos cientistas espanhóis que tiveram que emigrar para desenvolver sua profissão, porque aqui a política científica obedece ao princípio “outros que inventem”, ainda mais numa especialidade médica como a epidemiologia focada em descobrir as causas sociais da doença.
Efectivamente, a degradação do sistema de saúde tem uma longa história que não resultou só do descuido dos governos mas, muito pelo contrário, de decisões políticas activas e de longo alcance destinadas a enfraquecer a saúde pública e cuja importância foi sistematicamente ocultada... [ler mais]
Povo saharaui: Libertação de todas as formas de colonialismo e independência completa 05-2020
«A Frente POLISARIO é um movimento de libertação nacional, não é um partido politico e não é um governo. É o legitimo representante do povo saharaui até que este alcance a sua independência. É necessário recordar este facto devido à sua importância. A Frente POLISARIO faz hoje 47 anos de existência. O desgaste da luta armada, mas ainda mais, o de um Paz que não é paz para os Saharauis, é um enorme fardo que a Frente POLISARIO tem conseguido suportar e superar.
As tentativas várias de Marrocos de denegrir a imagem da Frente POLISARIO tem um grande objectivo: deixar de ter um interlocutor legitimo na arena internacional.
Marrocos tenta por em causa a legitimidade da representação da Frente POLISARIO tanto a nível internacional como com interferências internas e apoio a “dissidentes” e “vendidos”. Uma técnica antiga, mais antiga que o império Romano.
A união do povo saharaui, e o facto da Frente POLISARIO com todos os problemas derivados de um conflito de quase 50 anos, continuar a ter o apoio do seu povo é uma pedra do tamanho de uma montanha no sapato de Marrocos... [ler mais]
Os impostos que a burguesia não quer pagar e o povo cada vez mais pobre 05-2020
Contudo, as nossas elites, não satisfeitas vão destilando propaganda, por natureza, enganadora, reclamando constantemente mais baixa de impostos e de TSU, para além de financiamento directo do Estado a fundo perdido, e não é só a CIP e o seu abastardado chefe, como também agora, invocando a crise pandémica e não pandémica, os empresários da restauração e hotelaria. Esta gente esquece-se ou não quer saber que no Estado que temos os impostos são a principal fonte de receitas públicas, com as quais o Governo, que gere o o Estado, vai suportando as despesas com a Saúde, Educação ou infra-estruturas públicas, etc., demostrando-se mais uma vez e em tempo de pandemia que é ainda o SNS, e apesar de todos os ataques que tem sofrido, o principal instrumento na defesa da saúde pública. E se os patrões não pagarem impostos, terão de ser os trabalhadores a pagar a parte que ainda lhes vai calhando, e há empresas que neste momento ou pagam só uma parte dos impostos que deviam pagar, por exemplo, os bancos cujos lucros só parcialmente são taxados, ou os grandes fundos de investimento cujos impostos são quase nulos, ou as empresas nacionais, todas as do PSI-20, que nem sequer pagam impostos em Portugal, indo entregá-los na Holanda ou em outros paraísos fiscais. Quando se houve um Chega e o seu troglodita chefe barafustar que "os portugueses" pagam muitos impostos tem apenas em mente não os interesses dos trabalhadores portugueses, esses, sim, é que são esmifrados, mas os interesses de toda a burguesia e, em particular, de quem o promove e financia, o Grupo Cofina, pertencente ao oligarca Paulo Fernandes que tudo tem feito para não pagar a dívida de 13,5 milhões de euros (Cofina Media) ao Fisco e à Segurança Social e que, apesar de ter aderido ao PERES, já terá prescrito ou sido perdoada. A primeira medida que Macron e Trump tomaram mal ocuparam a cadeira do poder foi acabar praticamente com os impostos pagos pelos patrões das grandes empresas... [ler mais]
Carta Aberta De Uma Encarregada De Educação 05-2020
«Considerando que:
1. A evolução da pandemia é incerta a nível nacional e internacional;
2. O pico da doença poderá ainda não ter sido atingido, segundo os especialistas e informação da Direção Geral de Saúde;
3. Os exames do ensino secundário, neste ano letivo, visam unicamente fazer deles um instrumento complementar de acesso ao ensino superior;
4. O recomeço das aulas presenciais previsto para maio tem apenas como objetivo a preparação dos alunos para os exames nacionais;
5. Essas aulas poderão atentar contra a saúde pública de toda a comunidade escolar, expondo-a a riscos desnecessários e de consequências imprevisíveis, tanto mais que os jovens, por serem geralmente assintomáticos, serão potenciais veículos de transmissão de grande risco;
(...)
1. Exigir ao Ministro da Educação o cancelamento do atual calendário de exames do ensino secundário pelas razões acima descritas e à semelhança do que outros países europeus já fizeram.
2. Solicitar aos Ministros da Educação e da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior que, em coordenação, elaborem novas formas de acesso ao ensino superior válidas para o corrente ano letivo que não passem pela concretização do estabelecido no Decreto-Lei n.º 14-G/2020... [ler mais]
Karl Marx 202 anos (Ricardo Costa) 05-2020
«Marx via a sociedade burguesa como uma totalidade concreta, não como um conjunto de partes separadas que se integram conforme as funções exercidas por cada pessoa, mas como um sistema dinâmico e contraditório de relações sociais, produzidas historicamente. Esta é a visão antropológica de Marx, marcada pela ideia de que o homem é o conjunto das relações sociais. A análise da organização econômica (a crítica da economia política) possibilita a análise da estrutura de classes e da funcionalidade do poder (a crítica do Estado) e das formulações jurídico-políticas (a crítica da ideologia).
Nesta obra (Manuscritos Econômico-Filosóficos) Marx indicava como o trabalho assalariado, no capitalismo, promove a alienação do trabalhador, alienando-o de si mesmo, dos outros trabalhadores e da natureza. O sujeito que produz a riqueza não se realiza como ser humano a partir desta atividade, pois o trabalho é um fardo, um suplício, uma opressão, e a riqueza produzida fica concentrada nas mãos dos patrões. Os bens produzidos pelo trabalhador não pertencem ao trabalhador, que não se reconhece em todo o processo, tampouco naquilo que é produzido. Por tudo isso, a supressão da propriedade privada, com o comunismo, será o “momento da emancipação e da recuperação humanas”... [ler mais]
Luta anti-imperialista: La histórica defensa de la humanidad (Cristóbal León Campos) 05-2020
«Se cumplen setenta y cinco años de la victoria definitiva del Ejército Rojo de la Unión de Repúblicas Socialistas Soviéticas (URRS) sobre el genocida régimen nazi implantado por Adolfo Hitler en Alemania años atrás, la victoria final que permitió la liberación de Europa y del mundo, aconteció el nueve de mayo de 1945, con la firma de rendición absoluta e incondicional del gobierno y el ejército nazi, ya había acontecido la toma de Berlín y el suicidio de los dirigentes nazis, hechos que demostraron la grandeza del Ejercito Rojo, el verdadero liberador de la humanidad ante tan absurdo e inhumano régimen como fue el nazismo y el fascismo, los grandes sacrificios de millones de militantes, soldados y civiles que se entregaron a la causa por la defensa de la humanidad deben ser recordados y honrados combatiendo la tergiversación capitalista de la historia que tiene la intención de implantar en la memoria versiones favorables a sus intereses privados.
Desde hace setenta y cinco años, el imperialismo formula mitos manipulados sobre lo hechos reales, la propaganda imperialista a través de películas, series televisivas, enciclopedias, miles de libros y artículos, ha querido erigir como triunfador a los Estados Unidos y demás países aliados, pero la verdad es otra, pues sin la resistencia iniciada en el otoño de 1941 por la Unión Soviética frente a los ataques del ejercito nazi que buscó sitiar Moscú y Leningrado no podríamos hoy hablar de una victoria sobre el genocidio nazi-fascista perpetrado contra millones de seres humanos, la agresión nazi contra la URRS tenia el objetivo no simplemente de ocupar los territorios y extender su domino, buscaba la exterminación del comunismo con el apoyo soterrado del imperialismo estadounidense... [ler mais]

Luta anti-imperialista: Vietname, 45 anos da vitória sobre o imperialismo (Rogelio Roldán) 05-2020
«Há 45 anos, os agressores imperialistas fugiram como ratos antes do ataque triunfante do povo vietnamita, a ponto de jogar helicópteros no mar para escapar mais rapidamente. Um caminho semelhante foi seguido pelas tropas do Mikado japonês e pelos mercenários franceses. Três imperialismos, com enorme poder económico, político e militar, foram derrotados, em três décadas, por um povo em absoluta inferioridade de condições. É útil reparar nisso para anotar que, diante de um povo determinado, com uma direção política e político-militar correta, não há relação de forças, por mais esmagadoramente desfavorável que seja, que não possa ser revertida com iniciativa e organização, ou seja, com o desenvolvimento do fator subjetivo, proposto pelo comandante Ernesto Che Guevara.
Como foram alcançados esses triunfos? Em 1941, por iniciativa do Partido Comunista, foi fundado o Vietnã Doc Lap Dong Minh Hoi, em português, Liga pela Independência do Vietname, mais conhecida como Viet Minh, que deu ao General Giap a tarefa de iniciar uma campanha armada de propaganda e recrutamento. Em dois anos, ele transformou os camponeses em combatentes, combinando treinamento militar com treinamento político comunista... [ler mais]
Calamidade, Costa e Marcelo 05-2020
A seguir ao estado de emergência, que inevitavelmente se irá repetir e transformar-se em nova normalidade, segue-se o estado de calamidade pública, que deveria ter sido decretado em vez do de emergência só que não dava para suspender os direitos e liberdades dos trabalhadores, por imposição menos do patronato do que pelo medo das consequências de se manter ad eternum o estado de prisão domiciliário dos portugueses em termos de conflitualidade social.
Após os chefes da direita tradicional terem criticado a realização do 1º de Maio com pessoas presentes na rua pela CGTP, a central sindical oficiosa do regime, uma “pouca-vergonha” e uma “falta de respeito”, pela perda de autoridade de quem manda, o PR Marcelo, tal como o escorpião da história, não conseguiu conter a sua verdadeira natureza e de lá veio a ferroada, para não dizer coice, de que estava a contar com uma “cerimónia mais simbólica, como a do 25 de Abril na Assembleia da República, com “menos de 100 pessoas”, como os sindicalistas estivessem em espaço fechado. Para a burguesia o 25 de Abril não passa de uma data perdida na memória, que nem interessa trazer muito à baila pelo perigo de revolução que poderia ter ocorrido com os trabalhadores na rua a exigir mais do que uma simples mudança de figurões, e da mesma maneira quer que o 1º de Maio, dia de luta do proletariado, não seja mais do que um acto simbólico ou uma romaria, coisa de que a CGTP não tem fugido muito. A frustração presidencial desabafada e um pouco retardada correspondeu ao desejo e necessidade de se dirigir ao eleitorado mais conservador, pouco atreito a festividades vermelhas, e amaciar mais uma vez o pelo à Igreja Católica... [ler mais]
O Distanciamento Social da Democracia (Manlio Dinucci 05-2020
«“O distanciamento social chegou para ficar muito mais do que algumas semanas. Num certo sentido, irá perturbar o nosso modo de vida para sempre”: anunciaram os pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, uma das universidades de maior prestígio dos Estados Unidos [1].
Citam o relatório apresentado pelos pesquisadores do Imperial College London, segundo o qual o distanciamento social deve tornar-se uma norma constante e ser reduzido ou intensificado, de acordo com o número de pacientes hospitalizados pelo vírus, nas unidades de terapia intensiva. O modelo elaborado por estes e por outros pesquisadores não diz respeito só às medidas a ser tomadas contra o coronavírus. Torna-se num modelo social, real e preciso, do qual já se preparam os procedimentos e os instrumentos que os governos deverão impor como lei.
Os dois gigantes da Informática, Apple e Google, até agora rivais, associaram-se para inserir biliões de sistemas móveis para iPhone e Android, em todo o mundo, num programa de “seguimento de contactos” que avisa os clientes se alguém infectado com o vírus se está a aproximar deles. As duas empresas garantem que o programa “respeitará a transparência e a privacidade dos utentes”.
Um sistema de rastreio ainda mais eficaz é o dos “certificados digitais”, nos quais estão a trabalhar duas universidades americanas, a Rice University e o MIT, apoiadas pela Bill & Melinda Gates Foundation ... [ler mais]
O Covid-19 e a Alvorada Vermelha (Thierry Meyssan) 05-2020
«O Doutor Richard Hatchett. Foi conselheiro do Presidente George W. Bush, para quem imaginou o confinamento obrigatório da população civil, e hoje em dia dirige o CEPI, grupo de coordenação mundial de investimento vacinal criado pelo Forum de Davos ao redor da Fundação Gates. Ele foi o primeiro a ter feito equivaler a epidemia de Covid-19 a uma «guerra» (sic).
Num artigo precedente [1], eu demonstrei como previsões estatísticas aterradoras sobre o número de mortes que o Covid-19 ocasionaria foram elaboradas por um charlatão, o Professor Neil Ferguson do Imperial College of London, repetidas vezes contraditas pelos factos durante as duas últimas décadas.
De igual modo, mostrei num outro artigo [2] que as medidas de confinamento na China não tinham móbil médico, mas, sim político (a teoria do « mandato do céu »). Falta explicar de onde vem o confinamento obrigatório de todos tal como é posto em prática no Ocidente.
Passei semanas a fio consultando livros de epidemiologia e em parte nenhuma encontrei o mínimo traço de uma tal medida. Jamais na História uma epidemia foi combatida dessa maneira. Foi quando uma ponta do véu foi indirectamente levantada pela correspondência revelada pelo Kaiser Health News: esta medida havia sido planeada pela Administração Bush em 2005-07... [ler mais]
El capitalismo es el verdadero virus (KKE) 05-2020
«El Día del Trabajador de este año encuentra a la clase obrera en nuestro país y en todo el mundo en medio de una pandemia. Los trabajadores, las capas populares pobres, son una vez más las grandes víctimas de esta crisis de "salud", que funciona como catalizador de una nueva crisis económica capitalista profunda y a la vez permite avanzar en los planes y las demandas de las grandes empresas y sus representantes políticos.
El colapso de los sistemas de salud pública, incluso en la cima del capitalismo, los EE.UU, a pesar del heroísmo de los trabajadores, la intensificación del trabajo y la falta de medidas de protección básicas con riesgos para la vida y la salud de los trabajadores, el desempleo, la prueba de nuevas formas de explotación más sofisticadas, como el teletrabajo, son solo algunas de las imágenes cotidianas que demuestran la decadencia y la bancarrota histórica del capitalismo.
Al mismo tiempo, la búsqueda de ganancias y la competencia que esta genera, socavan las posibilidades existentes de la ciencia y la investigación científica, que podrían proporcionar una salida más rápida de la pandemia actual y satisfacer las necesidades contemporáneas. La "guerra mundial" entre los estados capitalistas y las grandes empresas por la patente de la nueva vacuna, los tratamientos y los suministros de salud necesarios confirma lo que la mayoría de las personas en todo el mundo entiende y grita: "el capitalismo es el verdadero virus"... [ler mais]
1º de Maio: Pela emancipação da classe trabalhadora e sua libertação da barbárie capitalista! (Federação Sindical Mundial) 05-2020
«Honramos os milhões de funcionários de sistemas públicos de saúde em todo o mundo: médicos(as), enfermeiros(as) e todos os profissionais da saúde, que, em meio à luta contra a pandemia do Coronavírus, todos os dias, salvam pacientes da doença, mesmo sem os equipamentos médicos e de proteção necessários, arriscando sua saúde e sua vida. Eles estão na linha de frente da luta, com coragem e abnegação, levantando a carga de cuidados e tratamentos no meio de uma pandemia que já soma milhões de casos e centenas de milhares de mortes, em um sistema público de saúde deteriorado pelo subfinanciamento e atacado pelas políticas de todos os governos capitalistas, que conscientemente comprometem as redes públicas de saúde e privatizam suas atividades essenciais para aumentar a lucratividade e especulação das multinacionais.
Trabalhadores e estratos populares unimos nossas vozes às dos militantes da saúde, apoiamos sua luta e exigimos cobertura imediata de todas as vagas necessárias, adequação da infraestrutura e materiais de saúde pública para atender às necessidades permanentes e temporárias das pessoas; expropriação do setor privado e abolição da comercialização e das políticas de privatização da Saúde e do Bem-Estar; serviços públicos de saúde universais, gratuitos e de alta qualidade.
A Saúde dos trabalhadores tem que estar acima do lucro!
Saudamos os(as) trabalhadores(as) da produção e distribuição de alimentos e necessidades básicas, dos supermercados, do setor farmacêutico, dos serviços de limpeza, do setor de energia e outros serviços, que, através de seu trabalho, garantem o acesso dos(as) trabalhadores(as) e dos povos a tudo o que é necessário para sua sobrevivência.
Ao mesmo tempo, por ocasião das consequências da pandemia de coronavírus, denunciamos o enorme ataque aos direitos sociais e trabalhistas por meio das demissões, da redução de salários, da falta de pagamento, do trabalho não declarado e da restrição às liberdades sindicais... [ler mais]
A Comemoração do Primeiro de Maio pelo Proletariado Revolucionário (V. I. Lenine) 05-2020
«E, em boa hora, fende o ar, como um raio em meio à atmosfera nebulosa, amortecida e melancólica, a comemoração do Primeiro de Maio pela classe operária da Rússia, que, inicialmente, ensaiou os primeiros passos em Riga e, a seguir, atuou decididamente em Petersburgo, no dia do Primeiro de Maio, segundo o calendário antigo. Diante de centenas de velhos revolucionários, a quem as perseguições dos verdugos e a apostasia dos amigos não conseguiram liquidar nem dobrar, e também diante de milhões de homens da nova geração de democratas e socialistas, foram colocadas novamente em toda sua grandeza as tarefas da próxima revolução, delineando-se as forças da classe de vanguarda que a dirige.
Algumas semanas antes do Primeiro de Maio, o governo já dava a impressão de haver perdido a cabeça, e a atitude dos senhores fabricantes era a de pessoas sem juízo. As prisões e as buscas domiciliares causaram danos em todos os bairros operários da capital. As províncias não ficaram a reboque do centro. Os fabricantes, agitados, convocavam assembleias, faziam declarações contraditórias, ora ameaçando com represálias e lockouts, ora cedendo de antemão e resignando-se a fechar as fábricas, ora incitando o governo a cometer ferocidades, ora recriminando-o e conclamando-o a incluir o Primeiro de Maio entre as datas “festivas” ... [ler mais]
Há muito que os cravos estão murchos e o capitalismo moribundo 04-2020
Ora, a austeridade nunca deixou de estar presente entre os trabalhadores portugueses, desde a não restituição integral do que lhes foi retirado desde o início da crise de 2008 até às alterações da Lei do Trabalho, feitas no sentido de extorquir maiores mais-valias aos trabalhadores, que não foram revogadas pelo governo do PS. E, agora, com o pretexto da pandemia pelo Sars-Cov-02, impôs-se o estado de emergência não para defender a saúde do povo português, mas para suspender as liberdades e os direitos dos trabalhadores a fim de lhes impôr também o estado de austeridade agravada. Os números estão aí e não desmentem: quase 60% da população activa sofre uma redução de rendimentos “devido a perda de emprego ou à diminuição do trabalho como consequência da pandemia covid-19”. Quem o diz é a DECO, resultado obtido através de inquérito que, podendo sofrer de alguma margem de erro, não estará a dar uma imagem muito diferente da realidade. Mais concretamente: “35% dos trabalhadores mantêm o seu horário de trabalho, 30% estão temporariamente inactivos, por exemplo, em ‘lay-off’ (suspensão do contrato), enquanto 19% viram o seu horário reduzir-se, 9% perderam o emprego e apenas 7% estão a trabalhar mais horas”, e “dos que continuam a trabalhar, três em cada 10 fazem-no sempre a partir de casa, em teletrabalho, e cerca de um quinto (19%) labora parcialmente nestas condições”. Ninguém tenha dúvidas, foram medidas que a burguesia achou por necessárias, aliás, não tem outras, para tentar tirar a sua economia do estado de crise crónica e prestes a implodir e o coronavírus foi uma boa justificação quer para a origem da crise, quer para a inevitabilidade de mais austeridade... [ler mais]
Home Office e superexploração do trabalho (Giovanni Frizzo) 04-2020
«Nestes tempos de quarentena e isolamento social, se disseminaram diversas mudanças nas relações de trabalho. O chamado Home Office (também conhecido como teletrabalho ou trabalho remoto) tem sido uma das principais formas de manter os trabalhadores produzindo riqueza para os seus patrões. Embora compreensível a sua introdução na vida das pessoas pela necessidade de isolamento por conta da pandemia de COVID-19, os empresários já utilizam este momento de excepcionalidade como laboratório para o pós-pandemia. Já se indica um aumento de 30% nesta forma de trabalho, após a pandemia, em vista de que os resultados para o bolso dos patrões com o Home Office é de maior lucratividade.
Porém, para os trabalhadores e trabalhadoras, a realidade não é bem assim. Embora proliferem os discursos de que esta forma de trabalho é boa, tais como “posso fazer o horário que quiser”, “fico mais tempo com minha família”, “adapto o trabalho à rotina doméstica”, é preciso analisar por que a burguesia estimula essa forma e como isso aumenta a exploração do trabalho.
O primeiro elemento se refere à diminuição das despesas de estrutura e manutenção da empresa que são transferidas para o trabalhador. Como a regulamentação desta forma de trabalho ainda não está definida, ao estabelecer a forma de Home Office, as despesas das empresas com energia elétrica, internet, plano de telefonia, equipamentos como computadores, celular e softwares são transferidas para o próprio trabalhador, que continua recebendo o mesmo salário... [ler mais]
150 anos de Lênin: uma vida dedicada à Revolução 04-2020
«A teoria a serviço da revolução: A biografia de Lênin está diretamente ligada à luta política contra o reformismo no interior do movimento socialista mundial. Em Que Fazer?, ele já havia apontado, de forma categórica, a opção pelo caminho revolucionário contra a colaboração de classe praticada pela socialdemocracia. E destacou a necessidade e uma organização revolucionária, o Partido Comunista, para “ir a todas as classes da população”, fazendo o papel de propagandista, agitador, educador e organizador da luta proletária, expondo a todos os trabalhadores e às camadas populares os objetivos gerais do programa socialista.
Outra obra essencial é O Estado e a Revolução, escrita em agosto e setembro de 1917, às vésperas da revolução bolchevique. Lênin sistematizou as ideias de Marx e Engels sobre o Estado capitalista e a ditadura do proletariado, buscando atualizar a sua aplicação na luta política em tempos de expansão capitalista e imperialista. A consolidação do capitalismo monopolista e do imperialismo representou um retrocesso nas práticas democráticas conquistadas em vários países, resultantes das intensas lutas operárias travadas ao longo do século XIX. Ao caracterizar o Estado como instrumento a serviço do grande capital, Lênin projetou a tendência, hoje cada vez mais evidente, da total incompatibilidade entre a ordem capitalista e a democracia... [ler mais]
A Arca de Noé e a luta de classes (Pável Blanco Cabrera) 04-2020
«Recordamos esse episódio diante do canto de sereia das classes dominantes neste momento de pandemia global por Covid-19. “É hora de cerrar fileiras”, “é hora da unidade nacional”, “governo e povo unidos”, “vamos deixar de lado nossas diferenças”. Qualquer um pode contrair o vírus, mas os explorados não o enfrentam nas mesmas condições que os nossos exploradores.
De um ângulo mais geral, o sistema capitalista mostra que os lucros vêm em primeiro lugar do que a vida dos trabalhadores e das camadas intermediárias da população. Aqui no capitalismo prevalece a lei da selva, salve-se quem puder, o individualismo, isto é, os valores da burguesia, que impõe barreiras ao caráter coletivo que a resposta deve ter. Imperam o lucro e a especulação, o que, acompanhando a apropriação privada do que é produzido socialmente, expressa que a grande maioria, isto é, os trabalhadores e os oprimidos, são sacrificáveis e dispensáveis. Os monopólios não estão dispostos a perder lucros, nem a investir se não houver garantia de recuperação. A indústria farmacêutica é um exemplo claro disso: pesquisas, patentes, tudo está sendo adiado ou gerenciado, dependendo das vantagens que podem ser obtidas; não estão interessados em cuidar dos problemas de saúde, curar doenças, prevenir: estão interessados em aumentar seu capital. E o mesmo acontece em outros setores... [ler mais]
Os Franceses aceitam suspensão da sua Liberdade (Thierry Meyssan) 04-2020
«Aquando de epidemias mortais, alguns regimes consideraram necessário limitar, mesmo privar, de liberdades uma parte dos seus cidadãos. Estava implícito, até à epidemia de Covid-19, que as democracias poderiam excepcionalmente limitar os direitos das pessoas infectadas, ou suspeitas de estarem, a fim de proteger as pessoas sãs. Agora, é aceite que elas podem também limitar as liberdades destas últimas, ou até confinar ao domicílio a quase totalidade da sua população.
Esta nova norma jamais foi alvo de debate democrático. Ela impôs-se aos governantes na urgência e foi aceite pelos seus governados como um mal menor. Ao fazê-lo, marcaram uma mudança temporária de regime político, uma vez que em democracia as decisões políticas só são legítimas se tiverem sido debatidas nas assembleias representativas. Levados pelos seus impulsos, os regimes de excepção dedicam-se agora a conceber roupas de protecção obrigatória assim como aplicações móveis que possam prevenir os seus cidadãos da presença na proximidade de uma pessoa infectada.
Devemos tomar nota: os confinamentos no domicílio de populações saudáveis «para o seu Bem» são incompatíveis com o ideal democrático... Mas, é preciso constatar que acabamos, pelo menos temporariamente, de por fim à democracia simultaneamente em inúmeros países. Uma decisão que nos afecta a todos e nos aprisiona em casa por um período indeterminado... [ler mais]
O que a inteligência dos EUA realmente sabia sobre o vírus ‘chinês’? (Pepe Escobar) 04-2020
«Essa cadeia de eventos reabre, mais uma vez, uma poderosa caixa de Pandora. Temos o Event 201, muito oportuno; a íntima relação entre a Fundação Bill & Melinda Gates e a Organização Mundial da Saúde, e temos também o Fórum Econômico Mundial e a galáxia Johns Hopkins em Baltimore, incluindo a Escola Bloomberg de Saúde Pública; o combo identidade digital ID2020/vacina; Dark Winter [Operação Inverno Escuro] – que simulou um bioataque de varíola contra os EUA, antes de o Iraque ser acusado pelo ataque de 2001, de anthrax; senadores dos EUA vendendo ações depois do briefing [e informação privilegiada] do diretor dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças; mais de 1.300 CEOs fugindo de seus poleiros estofados, em 2019, “antevendo” colapso total do mercado; o Fed fazendo chover dinheiro de helicóptero já em setembro de 2019 – como parte de um Alívio Quantitativo 4 [ing. QE4].
E então, validando a matéria de ABC News, Israel entra em cena. Inteligência israelense confirma que a inteligência dos EUA realmente alertara em novembro sobre uma pandemia potencialmente catastrófica em Wuhan (repetindo: como poderiam saber disso na segunda semana de novembro, tão no início do jogo?) E aliado na OTAN também foram alertados – em novembro.
O âmago dessa questão é explosivo: o governo Trump e o Centro de Controle de Doenças foram alertados com nada menos que quatro meses de antecedência – de novembro a março – para que se preparassem devidamente para a chegada de Covid-19 aos EUA. E nada fizeram. A conversa de “China é uma bruxa!” está desmascarada... [ler mais]
Chile. COVID-19: El miedo como herramienta de dominación (Máximo Constanzo) 04-2020
«A nadie le cabe duda que la revuelta social iniciada el 18 de octubre tenía a maltraer al neoliberalismo chileno y por ende a la élite de poder que lo sustenta.
A mediados de noviembre, a mi juicio hubo un golpe blando, y la élite tomo medidas para terminar con la revuelta, hubo medidas políticas, como el plebiscito para una nueva constitución, medidas militares en el ámbito de inteligencia, logístico, de planes operativos, también disciplinaron a los medios de comunicación detrás de una misma matriz editorial, tomaron medidas sociales (las más débiles e insignificantes), etc, etc.
Pero la revuelta siguió, a pesar del verano, como siguen las cosas, que a diferencia de la canción de Sabina, si tienen importancia.
El COVID-19, vino a ser un salvavidas para la élite de poder y en particular para Sebastián Piñera, que la vio como una oportunidad. La pandemia es una crisis real para la humanidad, es también una crisis que pone a prueba el capitalismo mundial, el papel de los imperios, de los Estados, de todo lo existente... [ler mais]
Carta aberta à Chanceler alemã Angela Merkel (Dr. Sucharit Bhakdi, Professor Emérito de Microbiologia Médica) 04-2020
«Como Emérito da Universidade Johannes-Gutenberg-Universidade de Mainz e durante muitos anos director do Instituto de Microbiologia e Higiene Médica de Mainz, sinto-me obrigado a questionar criticamente as restrições de grande alcance à vida pública que estamos actualmente a assumir para reduzir a propagação do vírus COVID-19.
Não é expressamente minha intenção minimizar os perigos do vírus ou difundir uma mensagem política. No entanto, sinto que é meu dever dar um contributo científico para perspectivar a actual situação dos dados, para colocar em perspectiva os factos que conhecemos até agora – e também para fazer perguntas que correm o risco de se perderem no acalorado debate.
A razão da minha preocupação reside sobretudo nas consequências socioeconómicas verdadeiramente imprevisíveis das medidas drásticas de contenção que estão actualmente a ser aplicadas em grandes partes da Europa e que também já estão a ser praticadas em grande escala na Alemanha ... [ler mais]
Os 100 dias da pandemia... ou a Oeste nada de novo 04-2020
O estado de emergência foi decretado logo de início com a intenção clara de aumentar os lucros dos patrões sem a obrigação de respeitar a lei, os direitos, as liberdades e as garantias dos trabalhadores, entretanto suspensos, assim se pode baixar salários, criar desemprego, aumentar horários e ritmos de trabalho, sempre com a incontornável desculpa de defesa da saúde pública; coisa que esteve sempre longe da mente dos nossos governantes e empresários já que nunca deixaram de lenta e paulatinamente destruir o Serviço Nacional de Saúde. Mais uma prova de que o Governo PS/Costa continua a empenhar-se na destruição do SNS e mais não é que um instrumento fiel dos interesses do capital é o facto de ainda não ter procedido à requisição civil dos hospitais privados para o tratamento de doentes com a doença covid-19, ou como hospitais de rectaguarda em vez de miseráveis hospitais de campanha sem quaisquer condições, e de estar neste momento a reactivar o antigo Hospital Militar de Belém, especializado em doenças infecto-contagiosas, não para o destinar ao tratamento de doentes infectados pelo coronavirus, mas para o entregar a privados para cuidados continuados, um dos principais negócios dos empresários da saúde privada devido à demissão do Estado. Enquanto isto se passa, os accionistas da EDP aprovam a distribuição de 694,7 milhões de euros em dividendos, montante superior aos lucros consolidados de 512 milhões de euros obtidos em 2019. É o fartar vilanagem!... [ler mais]
Um “novo” Plano Marshall? (Dimitris Koutsoumpas) 04-2020
«A “Grande Ideia” que promove o capital e todos os seus representantes políticos, por um “novo Plano Marshall” com vistas à reconstrução da Europa, que supostamente não possui compromissos ou memorandos para os povos, sendo benéfica para ambos – para o capital e para os trabalhadores, é completamente enganadora. Os paralelos que se faz com o Plano Marshall do pós-guerra, mesmo apresentando-o como uma “quintessência” em favor do povo, são divertidos. De fato, essa manipulação da história é realizada não apenas pelos descendentes ideológicos e políticos dos partidários do Plano Marshall, mas também pelas forças de “esquerda”, apenas em nome, que simplesmente confirmam sua completa mutação burocrática social-democrata.
Vale a pena recordar que os fundos estadunidenses que fluíram para a devastada Europa do pós-guerra, como parte do Plano Marshall, na segunda metade da quinta década crítica do século passado, não foram um ato de solidariedade para com os povos europeus, mas de fato uma ação vital para o próprio sistema capitalista. Por um lado, a reconstrução capitalista da Europa foi crucial para as exportações estadunidenses e, por outro, para deter o socialismo e o movimento operário revolucionário que surgiu da Segunda Guerra Mundial com grande prestígio entre todos os povos do mundo. Por esta razão, uma grande parte do Plano Marshall se dirigiu à infraestrutura, por exemplo militar, como na Grécia, que apontava principalmente contra o sistema socialista da época e a luta dos povos... [ler mais]
Negacionista alemã da pandemia é internada em clínica psiquiátrica 04-2020
«Nas últimas semanas, Beate Bahner, de 54 anos, vinha defendendo por meio de textos em seu site que a covid-19 era uma mera "gripe" e que as medidas de distanciamento social impostas pelo governo federal e autoridades estaduais alemãs eram "flagrantemente inconstitucionais" e violariam os direitos fundamentais dos cidadãos em um "nível sem precedentes".
Ela também ganhou alguma notoriedade no estado de Baden-Württemberg após apresentar uma ação judicial contra as regulamentações impostas pelo governo local para evitar a disseminação do novo coronavírus. Na semana passada, Bahner levou o caso também ao Tribunal Constitucional da Alemanha (BVerfG, na sigla em alemão), a instância jurídica mais alta do país.A ação apresentada ao BVerfG, que visava suspender as regulamentações referentes ao controle da pandemia em todos os estados do país, foi rejeitada. Já a ação no tribunal estadual ainda não foi analisada.
Bahner também elaborou um manifesto de 19 páginas que circulou entre os negacionistas alemães, argumentando que jamais "uma população inteira" teria sido "incapacitada e trancafiada de tal forma", e que as medidas impostas pelo governo eram "tirânicas". Em uma das ações apresentadas à Justiça, ela argumentou ainda que as medidas de quarentena eram comparáveis "à perseguição e assassinato de judeus" no Terceiro Reich... [ler mais]
Em Portugal 2020, só morre gente com a Covid-19 (movimentoenfermeiros.blogspot.com) 04-2020
«Depois de instalado o pânico entre os portugueses pelo continuo metralhar dos números de pessoas infectadas, mortas, internadas em cuidados intensivos e recuperadas pelas televisões e jornais, deixou de haver em Portugal mortes por outras doenças. Já ninguém morre pela gripe sazonal (influenza), nem por pneumonia, nem por AVC ou enfarte do miocárdio, parece que os doentes cardíacos deixaram de existir, assim como os doentes em geral desapareceram, ou mortes por outras razões que não seja pela acção do SARS-Cov-02. É a manipulação dos números e da opinião pública em escala total. Contudo, em Portugal, época de Inverno 2018/19, morreram mais de 3 mil pessoas devido à gripe sazonal, e mais de 17 mil por doenças das vias respiratórias, das quais 6 mil são pneumonias, maioritariamente bacterianas e potencialmente tratáveis (na Europa morrem por mês, em média, mais de 11 mil pessoas). As doenças respiratórias são a terceira causa de morte dos portugueses, a seguir às doenças cardiovasculares (29%) e aos tumores malignos (25%), num universos de 113 051 óbitos registados em 2018; a faixa etária com mais mortes foi a dos 80-89 anos (43 120), o que representa quase o dobro de mortes se comparado com a faixa etária seguinte... [ler mais]
Ecuador. ¡La pandemia del coronavirus muestra el fracaso del capitalismo! (Manifesto de la CUTCOP) 04-2020
«¡No queremos morir ni por el virus ni por el hambre! ¡Nuestras vidas valen más que sus lucros!
La pandemia mundial del coronavirus está provocando sufrimientos y cambios muy profundos en la vida humana. No solo ha ocasionado en pocos meses, docenas de miles de muertos, cientos de miles de contagiados y un colapso en los sistemas de salud de casi todos los países, sino que ha profundizado la grave crisis económica que se venía incubando desde hace algunos años.
En el campo de la salud los gobiernos redujeron los presupuestos de la salud pública y trasladaron la atención a los hospitales y clínicas privados, es decir privatizaron los servicios sanitarios provocando el desmantelamiento de los sistemas de salud pública.  Hoy vemos, en uno de los más altos exponentes de la “libertad de empresa” como es Estados Unidos, la incapacidad de velar por la salud del pueblo, cuando la hospitalización por 3 o 4 días le cuesta al paciente miles de dólares; el resultado son cientos de miles de contagiados, miles de muertos. Pese al riesgo de contagio masivo los capitalistas para sostener sus ganancias esperaron hasta el último para tomar medidas en países como Alemania, Inglaterra, España y el propio Estados Unidos.
Esta catástrofe social no es una consecuencia de la naturaleza sino del capitalismo, sistema que se caracteriza por la desigualdad entre las clases sociales, la explotación de la burguesía al trabajador, la enorme brecha entre ricos y pobres y todo tipo de discriminaciones... [ler mais]
A NATO pega em armas para “combater o coronavírus” (Manlio Dinucci) 04-2020
«Os 30 Ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO (Luigi Di Maio, em representação da Itália), que se reuniram, em 2 de Abril, por videoconferência encarregaram o General norte-americano Tod Wolters, Comandante Supremo Aliado na Europa, de “coordenar o apoio militar necessário para combater a crise do coronavírus”.
É o mesmo general que, no Senado dos Estados Unidos, em 25 de Fevereiro passado, declarou que “as forças nucleares apoiam todas as operações militares USA, na Europa” e que ele é “um defensor de uma política flexível do primeiro uso” de armas nucleares, ou seja do, ataque nuclear de surpresa.
O General Wolters é o Comandante Supremo da NATO, na qualidade de Chefe do Comando Europeu dos Estados Unidos, portanto, faz parte da cadeia de comando do Pentágono, que tem prioridade absoluta. Quais são as suas regras rígidas, confirma-o um episódio recente: o Capitão do porta-aviões Roosevelt, Brett Crozier, foi afastado do comando porque, perante a propagação do coronavírus a bordo, violou o segredo militar ao solicitar o envio de ajuda... [ler mais]
O Acordo Histórico... que irá trazer mais endividamento e austeridade 04-2020
São os jornalistas, são os opinantes e paineleiros, é o Costa e é o Marcelo, todos são unânimes: o pior está para vir. Contudo, todos eles se referem a uma possível vaga da covid-19 caso o povo não respeite as regras de confinamento, porque o abrandamento do aumento do número de infectados e de mortes pelo coronavírus, dizem eles, pode ser enganador. Mas verdadeiramente enganador é quem manipula os números, disseminado o pânico, e grita que o acordo alcançado pelos ministros das Finanças da União Europeia marca “um dia histórico da vida europeia”. O PS engana e mente, pela voz do seu secretário-geral adjunto, quanto ao acordo, cujos pormenores ainda estarão para ser discutidos ou já o estando ainda são desconhecidos do grande público, e que necessariamente se traduzirá por um maior endividamento do Estado português, e de todos os restantes estados da União que não sejam os 4 satélites da Alemanha, França, Holanda, Áustria e Finlândia. O pior que ainda estará para vir será antes o que está contido no ultimato dado a Portugal pela UE, algum tempo antes do já famigerado “acordo”: salários dos trabalhadores da Função Pública, pensões, despesa com a Saúde e estabilidade financeira, ainda mais abalada pelo endividamento agora imposto, estarão sob forte pressão. O que significa, a curto prazo, mais austeridade e em dose a dobrar para os próximos anos, para não se dizer ad eternum... [ler mais]
Sobre a violação do Contrato Colectivo de Trabalho (SEAL) 04-2020
«Os estivadores do porto de Lisboa, e em particular os estivadores da AETPL – Associação Empresa de Trabalho Portuário de Lisboa, detida pelo conjunto das empresas de estiva que são, simultaneamente, os seus únicos clientes, têm vindo a enfrentar uma realidade verdadeiramente intolerável num Estado de Direito, mesmo se vivêssemos um clima de normalidade biológica, mas que ganha contornos criminosos face aos desafios que a pandemia hoje nos coloca, coletivamente.
Nos últimos 18 meses, os estivadores foram forçados a 18 meses de salários em atraso, pagos em meia centena de prestações, num processo de agonia que foi desenhado com régua e esquadro por todos os operadores, de forma a empurrar a AETPL para uma situação de insolvência, com a intenção, hoje manifesta e assumida na comunicação social, de abrir empresas clones ao lado, transferindo o passivo da empresa anterior para o Estado e procurando substituir trabalhadores que, ano após ano, têm esgotado o limite de horas extraordinárias definido pela lei, e que estavam debaixo de uma requisição civil por serem considerados trabalhadores indispensáveis para o bom funcionamento do porto de Lisboa... [ler mais]
Pandemia comprova: é socialismo ou barbárie - O marxismo em tempos de pandemia (Antonio Lima Júnior ) 04-2020
«O surgimento da pandemia proveniente do novo coronavírus (Covid-19), trouxe uma quarentena de isolamento em vários países. Esse isolamento gera a paralisação da produção de mercadorias e diversos setores do trabalho, causando mudanças nas políticas aplicadas por governos que, até poucos dias atrás, seguiam uma agenda neoliberal de retirada de direitos dos trabalhadores, forçando o Estado agora a manter políticas de assistência à população diante do quadro de calamidade.
Nessa situação, temos visto a ineficácia das políticas neoliberais de resolver a crise do sistema capitalista, aprofundada agora com essa pandemia. Enquanto isso, os patrões se mostram cada vez mais preocupados com a manutenção de seus lucros, a ponto de seus setores mais vorazes se manifestarem em defesa da economia, sacrificando milhares de trabalhadores que se expõem ao contágio do vírus ao manter a jornada de trabalho normalmente.
A resposta que o patronato tem dado é a demissão em massa, com vários casos surgindo mundo afora de empresas que estão fechando as atividades, ao passo que o patrão se esconde em seus apartamentos de luxo para o isolamento, deixando os trabalhadores desempregados e sem rumo para enfrentar a pandemia... [ler mais]
Covid-19: Uma Ministra e um Governo mentirosos (movimentoenfermeiros.blogspot.com) 04-2020
«O Governo do senhor Costa e da Ministra incompetente e mentirosa têm feito tudo para não gastar dinheiro ou gastar o menos possível com o combate à doença Covid-19, tal como têm feito com o SNS até agora, seja com pessoal, seja com toda a espécie de material, desde máscaras, EPIs, a ventiladores. Em relação ao uso de máscara, quer pelo pessoal de saúde, quer por outros profissionais de prestação de socorro ou de segurança, foi sempre adiar até à última; e em relação às pessoas em geral, o Governo e a DGS, através dos seus responsáveis máximos, sempre foram peremptórios em desaconselhar o uso da máscara, nomeadamente em espaços públicos, porque nada prevenia e até seria contraproducente por dar uma falsa sensação de segurança.
Agora, e após alguma relutância, lá vão fornecendo o equipamento de protecção às pessoas que lidam com o combate à epidemia, e, lentamente e às pinguinhas, já admitem, embora engolindo alguns engulhos, a necessidade do uso da máscara por todos os cidadãos que andam na rua, mas ainda não a sua obrigatoriedade. E por pressão do Conselho de Escolas Médicas, que defende uso generalizado de máscaras por se reconhecer que é eficaz levando "à diminuição da propagação da doença, não só neste momento de surto da pandemia, como futuramente na prevenção de futuros surtos", incluindo as máscaras de fabrico caseiro, cuja eficácia pode chegar aos 85%. Se não tem havido material suficiente, foi porque o Governo não tomou as devidas medidas a seu tempo, teve mais de dois meses há espera do que toda a gente já sabia que iria inevitavelmente chegar, uma outra consequência perniciosa do processo de globalização neo-liberal... [ler mais]
O 25 de Abril acaba de finar-se! 04-2020
O Parlamento reuniu-se com 149 deputados e aprovou a renovação do estado de emergência, por aconselhamento do executivo e com o regozijo do Presidente Marcelo e da direita nacional, e precisamente no dia em que se assinala o 44º aniversário da aprovação da Constituição da República Portuguesa, o que não deixa de ser tremendamente simbólico. Os partidos que se abstiveram, PCP, PEV, Chega e deputada não inscrita Joacine Katar Moreira, acabaram por dar aval à situação de anormalidade para os trabalhadores e regularizadora para os interesses dos grandes capitalistas e da União Europeia - uma abstenção que vale por um sim - e o que é mau para a maioria, é sempre bom para a minoria (1%) possidente e dominante. Com o prolongamento do estado de emergência, a partir de agora em versão hard, a democracia burguesa saída do golpe de estado do 25 de Abril finou-se, e os seus representantes máximos assinaram a certidão de óbito. A partir de agora, não só em termos económicos e sociais, mas essencialmente políticos, nada será igual. O problema é que será pior para os trabalhadores e o povo, mas igualmente para um grande número de pequeno-burgueses que serão proletarizados de forma rápida, violenta e inesperada, pelo menos no tempo. A pandemia pelo coronavirus teve somente o condão de acelerar o processo de concentração capitalista e deu azo à burguesia, com o pretexto de salvaguarda da Saúde Pública, para utilizar os meios, já há algum tempo preparados, de controlo e de repressão do povo... [ler mais]
Depois da pandemia teremos um “Sistema” Nacional de Saúde (movimentoenfermeiros.blogspot.com) 04-2020
«Esta pandemia pelo coronavírus tem servido como óptima oportunidade de obtenção de maiores lucros, nunca imaginados, por parte do sector privado, seja através de dinheiro extorquido directamente ao cidadão, seja ao Estado através de serviços que este já não conseguirá fazer por ter colocado o SNS no osso. São os laboratórios de meios complementares de diagnóstico, que têm ganho uma média de 2,6 milhões de euros por dia, só por testes ao coronavírus; são os hospitais de propriedade maioritariamente privada, Hospital da Cruz Vermelha, arrendados pelo Estado; são as Misericórdias e exigir mais dinheiro, uma fonte inesgotável de financiamento da Igreja Católica com fundos públicos; é a continuação das PPP, com a do Hospital de Cascais à frente; são os grupos privados a salivar para tratar dos doentes que o SNS vai ter de abandonar para atender aos infectados pelo SARS-CoV-2. Vai ser um fartar vilanagem!... [ler mais]
Notas sobre misteriosa criatura ou Capitalismo: estado de barbárie (José Martins) 03-2020
«Monumentais epidemias sociais em escala planetária. Já nos Princípios do Comunismo (1843) e no Manifesto do Partido Comunista (1848), Marx e Engels definiam da seguinte maneira essas modernas crises do regime capitalista:
“ Há muitas décadas a história da indústria e do comércio se apresenta como a revolta das forças produtivas modernas contra as relações de produção modernas, contra o sistema de propriedade que é a condição de existência da burguesia e do seu regime. Basta lembrar as crises econômicas periódicas que ameaçam cada vez mais a existência da sociedade burguesa. Nestas crises são destruídas não só uma grande parte dos produtos já criados mas também das forças produtivas instaladas. Explode uma epidemia social que em qualquer outra época pareceria um absurdo: a epidemia da superprodução. Bruscamente, a sociedade se encontra novamente relançada em um estado de barbárie momentâneo: é como se uma fome, uma guerra de destruição universal tivesse cortado seus alimentos; a indústria, o comércio, parecem aniquilados. E por que? Porque a sociedade tem muita civilização, muitos alimentos, muita indústria, muito comércio. As forças produtivas que ela dispõe já não agem mais a favor da propriedade burguesa. Ao contrário, elas se tornaram, muito potentes para as instituições burguesas, que não lhe são mais do que entraves; e quando elas superam esses entraves precipitam toda a sociedade burguesa na desordem e colocam em perigo a existência da propriedade burguesa. As instituições burguesas tornaram-se muito estreitas para conter a riqueza que elas criaram”... [ler mais]
Covid19. Después de la peste vendrán rebeliones (Manuel Humberto Restrepo Domínguez) 03-2020
«La guerra y la peste permanecen juntas, van cambiando al mundo de inmediato, no hay un antes y un después, si no un continuum. La que parecía ser la ultima guerra a inicios del siglo XX, sellada con el armisticio, fue la antesala de una barbarie peor, instalada por el partido nazi, que destruyó el sentido de ser humano, de humanidad y de dignidad. Aisló en campos de concentración a los que califico de apestados ideológicos para exterminarlos, llevó las condiciones de trabajo a su peor condición creativa, eliminó de la sociedad el espíritu colectivo y arrebató en serie la vida de millones. Nada de eso parece tener relación con la peste de hoy, pero en muchas discursos se repiten coletazos del holocausto vitoreado por fascistas y diseñado con una inigualable maldad puesta a prueba.
Después del contagio, nada será igual, como había ocurrido con la peste negra que cambio las percepciones de la vida y las maneras de organizar al mundo medieval en el siglo XIV... [ler mais]
Política anticapitalista em tempos de COVID-19 (David Harvey) 03-2020
«Sabia, dos meus estudos do modelo econômico, que bloqueios e rupturas na continuidade do fluxo de capital resultariam em desvalorizações; e que se as desvalorizações se generalizassem e se aprofundassem, isso assinalaria o início de crises. Também estava bem ciente de que a China é a segunda maior economia do mundo e de que efetivamente salvou o capitalismo global após 2007-8. Assim sendo, qualquer impacto sobre a economia da China teria sérias consequências para uma economia global que, de qualquer modo, já estava em péssimas condições.
Movimentos de protesto estavam ocorrendo em quase todo lugar (de Santiago a Beirute), muitos dos quais focados no fato de que o modelo econômico dominante não estava funcionando bem para a massa da população.
Esse modelo neoliberal assenta cada vez mais no capital fictício e vasta expansão na oferta de dinheiro, e na criação de dívida. O modelo já está diante do problema de insuficiente demanda efetiva para realizar os valores que o capital é capaz de produzir. Assim sendo, como poderia o modelo econômico dominante, com sua legitimidade flácida e saúde delicada, absorver e sobreviver aos impactos inevitáveis do que se poderia converter em pandemia?... [ler mais]
Carta aberta: Auditoria já e suspensão do pagamento dos juros e encargos... (Maria Lucia Fattorelli) 03-2020
«Diante do quadro de pandemia de Coronavírus, o governo deveria decretar uma completa auditoria da dívida pública, acompanhada da suspensão imediata do pagamento dos juros e encargos, a fim de liberar recursos para investimentos relevantes em áreas essenciais à população, como saúde pública, assistência social, educação.
A Auditoria Cidadã da Dívida enviou a presente CARTA ABERTA às autoridades dos poderes Executivo, Legislativo, Judiciário e Ministério Público.
A auditoria deveria preliminarmente identificar quem são os beneficiários da dívida pública brasileira. Essa identificação será importante para que se possa segregar os grandes beneficiários (bancos, investidores internacionais, especuladores etc.) dos pequenos (famílias e indivíduos, fundos de trabalhadores etc.), pois sequer conhecemos quem são os credores da dívida... [ler mais]
A união de todos os portugueses honrados para salvar o que já não tem remédio 03-2020
Assiste-se à tentativa, mas que parece não estar a resultar, de juntar todos os portugueses, de forma transversal, desde pobres a ricos, de novos a velhos, de homens a mulheres, de brancos a pretos, de nacionais a imigrantes, de que “estamos todos a remar no mesmo barco”. Os discursos do primeiro-ministro e do presidente vão no mesmo sentido e até estações de radio (Renascença, RFM e MEGA HITS) apelaram ao nacionalismo mais primário no sentido de “todos os portugueses”, tal como no futebol, colocarem a bandeira nacional à janela, numa demonstração de solidariedade, mas, no caso, mais com a política imposta pelo Governo PS/Costa e não exactamente entre si, cidadãos. A declaração do estado de emergência pelo PR Marcelo, com a concordância do Governo e de todos os partidos com assento na Assembleia da República, com as abstenções do PCP e dos Verdes a valerem como apoio atendendo às circunstâncias, visa, acima de tudo, prevenir e conter alguma acção de protesto ou de revolta por parte do povo; para além de impedir que os cidadãos ocorram em massa às urgências hospitalares, o que iria fazer colapsar o SNS e mostrar assim até que ponto ele foi degradado pelas políticas criminosas seguidas por todos os governos, principalmente pelo o actual que, perante a pandemia, não tomou na prática nenhuma medida de vulto para a prevenir ou debelar... [ler mais]
A crise tem nome: capitalismo (Rainer Mausfeld) 03-2020
«O jornal conservador Frankfurter Allgemeine Zeitung soa o alarme: “Alemães duvidam do capitalismo”. A agência americana de relações públicas Edelmann apresentou o seu “Trust Barometer”. Segundo essa pesquisa, que foi realizada em 28 países, apenas 12,5% dos alemães acreditam que podem tirar proveito de um crescimento econômico. Nem mesmo 25% olham com otimismo para seu futuro financeiro. 55% são da opinião de que o capitalismo, na sua aparência atual, mais prejudica que ajuda.
Os alemães estão bem na média dos outros 27 países. A crítica ao capitalismo cresce em todo lugar e ultrapassa a barreira do nível de rendimento. Também é marcante a desconfiança em relação aos “super ricos”. Mas se o capitalismo e os capitalistas passam a ser vistos sem ilusões, por que a resistência ao sistema não fica maior? Onde fica a crítica ao sistema como um todo e a oposição ativa? De onde vem o medo de levantar a voz e exigir mudanças? ... [ler mais]
Será tolerável que o Estado de Alarme mantenha a subordinação do gasto público ao pagamento da dívida imposto pela UE? (Ángeles Maestro) 03-2020
É bem sabido que a pandemia do Coronavírus serviu de detonador de uma grave crise económica que está apenas a começar. Tão grave que o fecho de empresas estende-se em cadeia e de forma quase tão explosiva quanto o micro-organismo. Disto apenas se informa, mas nos bairros operários alastra-se o desespero e a angústia. A enorme precariedade laboral facilita os despedimentos com míseras indemnizações ou directamente sem nenhuma, pelo simples procedimento de não renovar o contrato.
Além disso, aproveitando o pânico reinante, estão a dizer às trabalhadoras e aos trabalhadores que fiquem em casa, directamente, sem qualquer tramitação administrativa, até o ponto em que poderiam ser acusados de abandonar o posto de trabalho.
A perda de emprego nestas condições implica o desaparecimento de todo rendimento para pessoas e famílias que mal conseguiam sobreviver... [ler mais]
Sobre a produção do pânico mundial (Juan Torres López) 03-2020
«O pânico é um subproduto de situações limites ou de sistemas totalizantes. É muito funcional com mecanismos de exploração e dominação porque opera com vulnerabilidades e medo. Cria a sensação de impotência e tragédia. O pânico pode ter causas reais, concretas e formais. Ou, por outro lado, originar-se de representações simbólicas, psicológicas, culturais e até transcendentais. Mas, nem por isso deixa de ser real e interferir sobre a vida das pessoas, grupos, sociedades locais, nacionais e globais.
Atenção passageiros da nave mundial, estamos atravessando uma área de forte instabilidade e turbulência! Além das turbulências sistêmicas e sistemáticas de ordem política, econômica, social, cultural e religiosa que nos atingem há mais tempo, agora somos assolados pelo assombroso novo coronavírus. Com ele, instaurou-se uma pandemia real e imaginária que se propaga pelo ar e pelas muitas mídias, causando mortes, transtornos diversos, isolamento social forçado e pânico... [ler mais]
El ejército israelí no tiene francotiradores en la frontera de Gaza, tiene cazadores (Gideon Levy) 03-2020
«Son nuestros mejores muchachos. Uno es un «músico de un buen instituto», otro un «boy scout»  especializado en teatro»  . Son los francotiradores que han disparado a miles de manifestantes desarmados a lo largo de la valla fronteriza de Gaza.
En la Franja de Gaza hay 8.000 jóvenes con discapacidades permanentes como resultado de las acciones de los francotiradores. A algunos les han amputado las piernas y los francotiradores están muy orgullosos de eso. Ninguno de los francotiradores entrevistados por la aterradora historia de Hilo Glazer en Haaretz (6 de marzo) se arrepiente. Lo único que sienten es no haber derramado más sangre. En el batallón se burlaron de uno diciéndole: «aquí viene el asesino». Todos actúan como asesinos. Sus acciones lo demuestran –más de 200 muertos como resultado de éstas– y sus declaraciones prueban que estos jóvenes han perdido la brújula moral. Están perdidos... [ler mais]
A democracia está suspensa ou terá mesmo acabado? 03-2020
Depois do primeiro-ministro Costa ter lançado a requisição civil sobre os estivadores do Porto de Lisboa com a alegação de não estarem a cumprir os serviços mínimos, que muito justamente lutavam pelo pagamento de salários em atraso e contra o lock out dos patrões do sector e, aliás, tendo respeitado sempre os tais serviços mínimos, o monárquico PR Marcelo, depois de auscultar o seu conselho de senadores do regime, decretou o estado de emergência na República: a democracia está suspensa a partir de hoje até quando for preciso. A seguir à deriva austeritária, que o Governo do PS manteve em lume brando, vem agora a deriva autoritária, tão ansiada pelos partidos de direita e pelo próprio Marcelo. Como temos vindo a afirmar, é a social-democracia que traz pendurado nas costas o fascismo quando a crise capitalista não se resolve rapidamente; a pandemia do coronavírus foi somente o pretexto. E como também já tínhamos denunciado, mal o Marcelo foi eleito PR, que ele iria ter um papel um pouco semelhante ao do seu padrinho, mas em sinal contrário: Caetano marcou o fim do fascismo, porque a isso foi obrigado, Marcelo, de livre e espontânea vontade, marcará o fim da democracia parlamentar burguesa saída do 25 de Abril. Esta é a primeira declaração, e imposição, do estado de emergência depois da dita “Revolução dos Cravos”, daqui para frente nada será como dantes, e parece que este regime durou menos que o fascismo, graças a todos os partidos com assento no Parlamento, também ele suspenso (reunirá 1 vez por semana e com apenas 20% dos deputados)... [ler mais]
Estado de pânico institucionalizado (Manuel Loff) 03-2020
«Não, não é minimamente proporcional! Não, não é aceitável que o Presidente da República finja que se esqueceu de tudo quanto escreveu sobre Direito Constitucional democrático e, intimidado pelos Torquemadas todos que difundem o vírus do pânico e acusam de “cobardia” quem não está em pânico como eles, se coloque à frente do partido do alarmismo e banalize o recurso ao estado de emergência num momento em que não há qualquer indício social de desprezo pelas medidas sanitárias já impostas!... [ler mais]
O jovem turco, Pedro Nuno Santos (SEAL) 03-2020
«É nesta parte que se torna premonitória a notícia do SOL acima citada, na medida em que a atitude de Pedro Nuno Santos tem origem em situações que têm a sua origem inicial no Grupo Yilport, de origem turca, cujos comportamentos e pedidos parecem estar a ser muito bem aceites e tratados por Pedro Nuno Santos.
Como já se percebeu, as considerações acima efectuadas pelo Sindicato Nacional dos Estivadores, Trabalhadores do Tráfego, Conferentes Marítimos e Outros (SEAL), estão directamente relacionadas com a infame requisição civil, que assenta num conjunto de mentiras fabricadas pelos Operadores Portuários que operam no porto de Lisboa (Grupo Yilport (Turco), Grupo ETE (Português) e TMB, que pertence ao Grupo Ership (Espanhol)).
Estes três Grupos, em total conluio, criaram, de forma voluntária e consciente, condições para instalar o verdadeiro caos no porto de Lisboa, com o fim último de acabar com a força do SEAL no porto de Lisboa e, por inerência, noutros portos, mas acabaram por ser surpreendidos não pela própria força do SEAL em si mesma, que é de todos conhecida, mas sim pela total união de todos os trabalhadores portuários do porto de Lisboa, em que aqueles que estão em situação confortável com vínculo laboral permanente, com salários em dia e com garantias de progressão na carreira, se uniram a uma luta conjunta com os trabalhadores da A-ETPL, que os operadores deliberadamente estão a tentar insolver, agindo já como se a mesma estivesse encerrada, pese embora tal não corresponda minimamente à realidade... [ler mais]
Viva quem canta (Pedro Barroso) 03-2020

Já que aqui estou
Vou-lhes agora contar
De mil passos feitos vida
Desta vida atribulada
Desta vida de cantar

Se sobrar peito
Depois de mil melodias
Depois de tantas palavras
Tantas terras tant’stradas
Tantas noites tantos dias

Viva quem canta
Que quem canta é quem diz
Quem diz o que vai no peito
No peito vai-me um país
... [ler mais]

O mundo após a pandemia (Thierry Meyssan) 03-2020
«Fim da sociedade totalmente aberta:
Para o filósofo Karl Popper, a liberdade numa sociedade mede-se pela sua abertura. Escusado será dizer que a livre circulação de pessoas, bens e capitais é a marca da modernidade. Essa maneira de ver prevaleceu durante a crise dos refugiados de 2015. É claro, sublinharam alguns desde há bastante tempo, que este discurso permite aos especuladores como George Soros explorar os trabalhadores nos países mais pobres. Ele prega o desaparecimento das fronteiras e, portanto, dos Estados, agora mesmo em direcção a um governo supranacional global futuro.
A luta contra a pandemia lembrou-nos de repente que os Estados existem para proteger os seus cidadãos. No mundo pós-Covid19, as «ONG sem fronteiras» deveriam, pois, progressivamente desaparecer e os partidários do liberalismo político deveriam lembrar-se que sem Estado «o homem é apenas o lobo do homem», segundo a fórmula de Thomas Hobbes. Seguir-se-á, por exemplo, que o Tribunal Penal Internacional aparecerá como um absurdo face ao Direito Internacional... [ler mais]
Chile: Operación Piñera-Virus - Un Estado de Excepción disfrazado de Estado de Emergencia Sanitaria 03-2020
«El pánico, el disciplinamiento y el desarme popular.
Se está instalando una nueva coyuntura: la declaración de un Estado de Excepción justificado no en la crisis del orden social si no al amparo de una emergencia sanitaria; no por decretos presidenciales de seguridad interior sino por decretos del Ministerio de Salud.
Esta coyuntura abierta desde arriba no sólo busca retrasar o eventualmente suspender  el plebiscito, si no principalmente desarmar al pueblo organizado impidiendo el uso y el funcionamiento de sus lugares de encuentro (colegios, universidades, plazas, etc.) y convocatorias masivas, y de paso, reponer a las FF.AA. como instituciones al servicio de la comunidad y de la vida en una emergencia sanitaria: saldrán a las calles con hospitales militares, naves de atención médica, campañas masivas de vacunación y carpas de cuarentena que no son si no celdas encubiertas… En fin, el control “biopolítico” de la población... [ler mais]
Capitalismo, crise e caos social (Luis Fernandes ) 03-2020
«O avanço da pandemia do coronavírus (COVID-19) e as disputas na geopolítica do petróleo entre Rússia e Arábia Saudita anteciparam uma grande turbulência na economia capitalista global. Para os principais organismos internacionais e economistas, a desaceleração ou até mesmo a recessão do PIB mundial, no primeiro trimestre de 2020, está dada. Diferente de 2008, a crise é acompanhada por sensações apocalípticas de amplos setores da sociedade em função da desinformação, sucateamento de sistemas públicos de saúde e a incapacidade dos Estados nacionais de coordenarem e planejarem medidas efetivas de combate ao custo social em curso.
Além de ocorrer uma grande queima de capitais fictícios nas bolsas de valores, se o novo vírus parece ser inofensivo para os jovens, entre os idosos as taxas de mortalidades e internação são significativas. Tirando os casos de Estados com planejamento central como China, Cuba e Vietnã, a maioria dos infectologistas já reconhecem que as medidas de controle da pandemia nos países ocidentais são insuficientes. Ou seja, a atual crise evidencia cada vez mais os limites civilizatórios da acumulação e reprodução mundial do capitalismo. Seguindo os clássicos do marxismo, o capital é valor que busca se valorizar incessantemente e as crises cumprem um papel de “queimar” capitais em excesso, assim como forças produtivas, incluindo trabalhadores... [ler mais]
O Presidente e o Coronavírus 03-2020
Portugal vai entrar na fase dita “de mitigação” dentro de horas ou dias, disse a ministra; a OMS acaba de declarar que o surto do novo coronavírus atingiu o nível de pandemia; o Presidente Marcelo avisa que não pode haver crises no seu último ano de mandato, estando já em auto-quarentena por causa do vírus; o presidente da Assembleia da República continua a recusar que as reuniões do plenário sejam realizadas à porta fechada, contrariando as pressões do próprio partido e das outras bancadas; o primeiro-ministro Costa está em véspera de decretar o encerramento de todas as escolas do país, o que irá afectar uma população de 1,5 milhões de alunos; e o Tony Carreira adiou o concerto que estava previsto para este Sábado e que seria o primeiro após um longo interregno. O caso é sério!
O Presidente já declarou solenemente que não quer eleições antecipadas, nem crises em geral, por causa da estabilidade do regime político e da economia e, principalmente, coisa que não explicita, por estar não só em fim de mandato mas por se encontrar em fase avançada de lançamento de recandidatura. Ter de dissolver a Assembleia da República, convocar eleições antecipadas e, eventualmente, propiciar maioria absoluta ao PS para poder governar a seu belo prazer, não era só um atentado à sua estratégia de algum controlo sobre o Governo, como lhe poderia estragar a imagem - basta o Covid-19!... [ler mais]
À ESPERA DOS BÁRBAROS (K.Kavafis) 03-2020
O que esperamos nós em multidão no Forum?

Os Bárbaros, que chegam hoje.

Dentro do Senado, porque tanta inacção?
Se não estão legislando, que fazem lá dentro os senadores?

É que os Bárbaros chegam hoje.
Que leis haveriam de fazer agora os senadores?
Os Bárbaros, quando vierem, ditarão as leis.

Porque é que o Imperador se levantou de manhã cedo?
E às portas da cidade está sentado,
no seu trono, com toda a pompa, de coroa na cabeça?

Porque os Bárbaros chegam hoje.
E o Imperador está à espera do seu Chefe
para recebê-lo. E até já preparou
um discurso de boas-vindas, em que pôs,
dirigidos a ele, toda a casta de títulos... [ler mais]
A situação de exploração da mulher trabalhadora em Portugal tem piorado 03-2020
Muitas das mulheres trabalhadoras têm, para além do trabalho na empresa, fábrica ou instituição pública, de arcar com grande parte das tarefas de casa, acentuando desta maneira a sua situação de duplamente exploradas. Alguma corrente feminista sente a inclinação para responsabilizar o homem por esta situação, agravada pela natureza da sociedade, patriarcal, esquecendo que essa realidade (o patriarcado) se refere à sociedade capitalista e burguesa, onde impera o homem burguês, capitalista, não criador de mais-valia, bem pelo contrário, apropriador da riqueza criada pelos trabalhadores, parte dos quais, e cada vez mais, possuidores apenas da sua força de trabalho e de cuja venda depende a sua sobrevivência. O inimigo da mulher trabalhadora é o mesmo do do homem trabalhador e/ou assalariado: o capitalismo. Apenas derrubando este sistema económico de exploração que a humanidade se poderá libertar de forma total e definitiva; e, como se constata, as mulheres para além de constituirem mais de metade da população são também quem produz já metade da riqueza criada em Portugal, considerando apenas a que é contabilizada pela burguesia, porque, se as contas forem bem feitas, elas produzem bem mais... [ler mais]
8 DE MARÇO, DIA INTERNACIONAL DA MULHER TRABALHADORA 03-2020
«Não se pode incorporar as massas operárias na política sem incorporar as mulheres, porque, sob o capitalismo, a metade feminina do género humano é duplamente oprimida. A operária e a camponesa são oprimidas pelo capital, e ademais, inclusive nas repúblicas burguesas mais democráticas, não usufruem da plenitude de direitos, uma vez que a lei lhes nega a igualdade com o homem. E em segundo lugar, o que é mais importante, permanecem na "escravatura caseira", são "escravas do lar", vivem abafadas pelo labor mais mesquinho, mais ingrato, mais duro e mais embrutecedor: o da cozinha e, em geral, o da economia doméstica familiar individual».
Lenine considerava que para a libertação e emancipação da classe dos operários serem completas tinha que se integrar nesse processo a mulher operária, trabalhasse ela na fábrica ou no campo, processo que passaria pela sua retirada das tarefas domésticas e pela integração na produção. Por extensão deste raciocínio não só a mulher trabalhadora não se encontrava emancipada como a própria mulher burguesa, ambas duplamente oprimidas. Neste texto, datado de 8 de Março de 1921, Lenine não considera que na democracia burguesa a mulher tenha os mesmos direitos que o homem.
Actualmente, em princípio do século XXI, a situação ainda será a mesma descrita por Lenine?... [ler mais]
Os tiques de autoritarismo do PS e... o fascismo vem aí! 03-2020
O PS sempre que está no governo apresenta uns tiques de direita a fugir para a extrema-direita, pode-se atribuir a patologia à personalidade de alguns seus dirigentes, indivíduos com défice cultural e educacional, traumatizados quando criancinhas, sofrendo de complexos de vária ordem, pessoas imaturas com alguma disfunção de personalidade, perturbação esta sem tratamento à vista, ou, então, uma classe social pequeno-burguesa, arrivista por natureza, ávida de poder e de dinheiro, poltrona, disposta a vender-se a quem melhor pagar, virando-se sempre para o lado mais forte. Seja como for, e não olvidando jamais que o PS foi um partido fundado na Alemanha com os marcos da social-democracia germânica, o seu papel histórico será sempre o de trazer para o poder a direita mais trauliteira, incluindo o fascismo, ou seja, aplanar o caminho para uma solução mais dura da crise do capitalismo, com a intervenção directa e sempre brutal do grande capital; uma democracia musculada, ou um fascismo tipo português suave, não passa de um eufemismo para encobrir a violência que nunca deixou de se exercer sobre o mundo do trabalho. E os exemplos de tiques fascistóides do PS têm sido mais que muitos e graves, especialmente nos últimos tempos de segundo mandato... [ler mais]
“Março já vem”: Chile inicia ano histórico (Pedro Santander) 03-2020
«Desde 18 outubro até hoje aconteceram milhões de coisas, mas talvez o mais surpreendente é que a mobilização social tenha se mantido ativa, quente como brasa, durante o mês de fevereiro. Ocorre que, no Chile, fevereiro é o mês das férias, do fechamento das escolas, universidades, do Parlamento, da saída massiva de turistas de Santiago a outros destinos, etc., isto é, é a época do ano em que há menos atividade política. E, efetivamente, o establishment apostava que durante essas semanas de verão nos esqueceríamos das demandas e dos protestos. Não aconteceu. Em cada sexta-feira, nas principais cidades do país se realizaram importantes mobilizações de rua, os enfrentamentos com os Carabineros têm sido diários, assim como as violações aos Direitos Humanos. Hoje, já temos 445 pessoas com os olhos feridos (34 com perda total), 17 das quais foram atingidas só no mês de fevereiro, de acordo com as cifras oficiais do Instituto Nacional de Direitos Humanos (INDH)... [ler mais]
Pandemia do vírus do medo (Manlio Dinucci) 03-2020
«Dado que o Coronavírus não deve ser subestimado e que as 10 regras preventivas do Ministério da Saúde devem ser seguidas, uma décima primeira regra fundamental deve ser adoptada: impedir a disseminação do vírus do medo.Ele é transmitido principalmente pela televisão, a partir da RAI, que dedica os telejornais quase inteiramente ao Coronavírus. O vírus do medo penetra assim em todas as casas, através dos canais de televisão.
Enquanto lançam o máximo alarme sobre o Coronavírus, eles silenciam o facto de que a gripe sazonal, epidemia muito mais mortal, provocou em Itália, durante a 6ª semana de 2020 - segundo o Instituto Superior da Saúde - em média 217 mortes por dia, devido também a complicações pulmonares e cardiovasculares ligadas à influenza. Omitem o facto de que - segundo a Organização Mundial da Saúde - morrem em Itália num ano devido ao HIV/AIDS mais de 700 pessoas (em média 2 por dia), num total mundial de cerca de 770.000 ... [ler mais]
A ingerência dos EUA na América Latina (Silvina Romano et al) 03-2020
«O golpe de Estado na Bolívia contra o governo do partido Movimiento al Socialismo (MAS) voltou a colocar em pauta o debate sobre o papel das embaixadas, a propósito do asilo político que vários funcionários bolivianos solicitaram ao governo do México. Considerando o contexto histórico e político, esses eventos também convidam a revisar o papel das embaixadas dos Estados Unidos na região e seu vínculo com os golpes de estado como parte de operações encobertas.
Após uma visita de cortesia de diplomatas espanhóis à Embaixada do México em La Paz, o atual governo denunciou uma suposta ingerência e violação às leis bolivianas, diante da suspeita de uma possível ajuda das autoridades espanholas para facilitar o translado dos exilados ao México – em um contexto de hostilidade sistemática e de negação em conceder permissão aos exilados. Entre esses exilados está Juan Ramón Quintana, ex-ministro da Presidência e fortemente envolvido no processo de mudanças no país. Seu trabalho de denúncia à ingerência estadunidense na Bolívia o colocou na mira dos EUA por anos... [ler mais]
Palestina: El Genocidio del Siglo (Luz Marina López Espinosa) 03-2020
«"Los niños fueron  adormecidos con el llanto de las madres que caían desmembradas, aferradas al crucifijo fatigado de bendecir verdugos. Vino la sangre en silencio y pobló su nuevo territorio: el olvido”. Omar Ardila
Si alguien hoy, en este naciente año 2020 con los pasmosos avances de la ciencia hiciera verdad la máquina del tiempo y trajera al momento presente los campos de concentración de Auschwitz y Treblinka, y ese alguien propusiera como solución de “la cuestión judía” que esos campos fueran bendecidos y oficializados para que siguieran rigiendo a perpetuidad como parte de un “Acuerdo del Siglo”, acuerdo justo que si eran razonables los judíos y cierto que  querían vivir en convivencia pacífica con sus vecinos los nazis no podían  rechazar. Si esa composición de tiempo y lugar se diera, ese alguien sería tildado de loco delirante.  Sí; y no sólo eso: sería judicializado por  múltiples cargos criminales; lo tacharían de antisemita,  de predicar una doctrina de odio y de favorecer crímenes de lesa humanidad. En fin, de ser un enemigo del género, un terrorista global, y sin duda seria condenado... [ler mais]
Quem são os responsáveis pela crise? (PCP) 03-2020
«Primeiramente, essa comunicação que estamos compartilhando, por ocasião de nossos 92 anos, tem o objetivo de colaborar com o encontro, a troca de ideias e a unidade dos trabalhadores e trabalhadoras, que são a maioria no Paraguai e no mundo, mas continuamos sendo submetidos, por uma minoria de proprietários de indústrias, empresas e terras, ou seja, os empregadores, que graças à manipulação feita por meio de sua mídia e sua cultura de individualismo e competição, conseguem nos dividir e nos fazer acreditar que a pobreza e a marginalidade são responsabilidade de cada um de nós.
Os responsáveis
A crise em que vivemos no Paraguai e no mundo é de responsabilidade dos proprietários de indústrias, negócios e terras. São os empresários, banqueiros e proprietários de terras que lideram esse projeto produtivo chamado capitalismo. O capitalismo não conseguiu resolver a contradição gerada por uma sociedade dividida em classes: por um lado os exploradores, os donos de tudo, enquanto, por outro, encontramos os explorados, donos de nada, somente de nós mesmos, nesta lógica de organização da sociedade voltada a que os exploradores ganhem mais, enquanto os explorados devem ganhar menos... [ler mais]
"Aumentos salariais" para os trabalhadores e a medalha para o tio Arménio 02-2020
O mesmo se poderá dizer de os factos às vezes falarem melhor do que as palavras, isto em relação à proposta do nosso-primeiro Costa quanto a possível atribuição de condecoração a Arménio dos Santos "pelos serviços meritórios praticados" - recentemente apeado de secretário geral da CGTP por "limite de idade" -; ideia prontamente aceite pelo PR Marcelo, o condecorador-mor do reino, que aventou de imediato que poderá ser "a Intersindical a receber a condecoração a título colectivo". O funcionário da Carris ainda estará a pensar na honrosa oferenda e a direcção do PCP ainda estará a hesitar entre os prós e os contras de tão distinta condecoração, não seja ela um presente envenenado. É que Roma não costuma pagar a traidores, mas como estamos numa de paz social, haverá excepção. Será por estas e por outras razões que a taxa de sindicalismo caiu em Portugal de 60,8%, em 1978, para 15,3%, em 2016; taxa, diga-se de passagem, muito próxima da dos restantes países da UE. A saída para os trabalhadores não poderá ser outra senão persistir e intensificar a luta, ultrapassando as limitações impostas pelo reformismo sindical, mais preocupado em não abalar o establishment do que defender os interesses do trabalho, e trilhar caminhos de luta que poderão ir até à greve geral nacional pelo tempo que for necessário... [ler mais]
Precariedade não é solução! (Comunicado do SEAL) 02-2020
«Enquanto decorria esta reunião, fomos confrontados com declarações inacreditáveis do Presidente da AETPL a um órgão de comunicação social, recuperando a intoxicação da opinião pública com a história dos 5.000 euros que, na sua fantasia, ganham os estivadores.
Voltando à realidade da reunião, os responsáveis das empresas,
mantiveram as suas posições articuladas de não garantirem o pagamento atempado dos salários, quando os estivadores de Lisboa vão amanhã entrar em greve no 50º dia de 2020 com 390€ do salário de Janeiro no bolso;
recusaram, em uníssono, reconhecer as actualizações salariais que assinaram em 2018 – as quais continuam por cumprir – a somar a um congelamento salarial que vigora desde 2010;
continuam a recusar actualizar o tarifário da AETPL – o valor que as empresas do sector definem e facturam a elas próprias, únicas associadas da AETPL – congelado há mais de 26 anos propondo, em alternativa, baixar 15% os salários dos estivadores, em vigor desde 2010;
cereja em cima do bolo, avançaram com a proposta inqualificável, a todos os níveis, de “promoverem” a eventuais/precários/trabalhadores ao turno os 34 estivadores que, desde 2016, passaram a contrato sem termo.
Naturalmente, toda esta situação é tão aviltante que não resta a esta Direcção sindical outra alternativa que não passe por propor aos seus associados, em plenário a realizar na próxima sexta-feira (dia 21 de Fevereiro), a extensão e agravamento da greve que amanhã terá o seu início.
Só pode causar alarme social a confirmação da sociedade que este capital quer construir, destruindo-a... [ler mais]
A última chance de salvar Julian Assange (John Pilger) 02-2020
«O WikiLeaks nos mostrou como são fabricadas as guerras ilegais, como governos são derrubados com violência usada em nosso nome, como somos espionados através de nossos telefones e telas. As mentiras reais de presidentes, embaixadores, candidatos, generais, procuradores e fraudadores políticos foram expostas. Um a um, esses pseudo-imperadores foram percebendo que estavam nus.
Foi um serviço público sem precedentes; mas, acima de tudo, foi jornalismo autêntico, cujo valor pode ser julgado pelo nível de apoplexia dos corruptos e de seus defensores.
Em 2016, por exemplo, o WikiLeaks publicou os e-mails vazados de John Podesta, diretor da campanha de Hillary Clinton, que revelaram uma ligação direta entre ela, a fundação que controla com o marido e o financiamento do jihadismo organizado no Oriente Médio — também conhecido como terrorismo.
Um e-mail revelava que o Estado Islâmico (ISIS) era financiado pelos governos da Arábia Saudita e do Qatar, de quem Hillary aceitou enormes “doações”. Além disso, como secretária de Estado dos EUA, ela aprovou a maior venda de armas do mundo para seus apoiadores sauditas, no valor de mais de 80 bilhões de dólares. Graças à Hillary, as vendas de armas dos EUA para o mundo – usadas para devastar países, como o Iêmen — dobraram.
Revelados pelo WikiLeaks e publicados no New York Times, os e-mails de Podesta desencadearam uma campanha de censura desprovida de evidências contra o editor-chefe Julian Assange. Ele seria um “agente russo trabalhando na eleição de Trump”; a isso se seguiu o estapafúrdio “Russiagate”. O fato do WikiLeaks também ter publicado mais de 800 mil documentos, que frequentemente condenavam a Rússia, foi completamente ignorado... [ler mais]
Chile: La dictadura (de Piñera) tiene miles de presas y presos políticos y trata de invisibilizarlos (Resumen Latinoamericano) 02-2020
«Chile. Balance del INDH a cuatro meses del estallido: 3.765 heridos, 951 querellas por torturas y 195 por violencia sexual
De acuerdo a los datos manejados por el organismo, más de 10 mil personas han sido detenidas.
Este martes el Instituto Nacional de Derechos Humanos (INDH) actualizó las cifras recopiladas por sus funcionarios a cuatro meses de iniciado el estallido social.
Según dio a conocer el organismo a través de su cuenta de Twitter, desde el 17 de octubre al 18 de febrero, se han registrado 3.765 personas heridas, de las cuales 445 han sufrido lesiones oculares.
Respecto a las personas que han sido detenidas, el organismo ha visitado a 10.365 detenidos en comisarías.
Sobre las acciones judiciales presentadas, el INDH detalló la presentación de 1.312 acciones judiciales, de las cuales 951 son por torturas y tratos crueles, 195 por violencia sexual y 19 por homicidio frustrado.
(...) desde que comenzó el levantamiento popular no solo hay constantes ataques represivos por parte de los carabineros, con su saldo de heridos y también muertos, sino que es impresionante la cifra de presos y presas. Son tantos que no se puede aún definir la cantidad. Por un lado, el gobierno reconoce unos 2500, mientras que las organizaciones de derechos humanos señalan que la cifra podría ser mayor aún. Para poder tener más información sobre esta aberración de la dictadura de Piñera, dialogamos con Tania Riquelme, integrante de la Coordinadora por la libertad de los presos políticos «18 de octubre»... [ler mais]
«NATO Go Home!» (Thierry Meyssan) 02-2020
«Desde 2001 — e é uma das principais razões dos atentados do 11-de-Setembro —, os Estados Unidos adoptaram, em segredo, a estratégia enunciada por Donald Rumsfeld e pelo Almirante Arthur Cebrowski. Esta foi evocada na revista da Infantaria do Exército, pelo Coronel Ralf Peters, dois dias após os atentados e confirmada, cinco anos mais tarde, pela publicação do mapa do Estado-Maior do novo Médio-Oriente. Ela tinha sido mostrada em detalhe pelo assistente do Almirante Cebrowski, Thomas Barnett, num livro para o grande público The Pentagon’s New Map (O novo mapa do Pentágono).
Tratava-se de adaptar as missões dos exércitos dos EUA a uma nova forma de capitalismo, dando o primado à Finança sobre a Economia. O mundo deve ser dividido em dois. De um lado, os Estados estáveis integrados na globalização (o que inclui a Rússia e a China); do outro, uma vasta zona de exploração de matérias-primas. Por isso é que convêm enfraquecer consideravelmente, idealmente arrasar, as estruturas estatais dos países dessa zona e impedir o seu ressurgimento por todos os meios. Este «caos construtor», segundo a expressão de Condoleeza Rice, não deve ser confundido com o conceito rabínico homónimo, mesmo que os partidários da teopolítica tudo tenham feito para isso. Não se trata de destruir uma ordem má para refazer uma ordem melhor, mas, sim de destruir todas as formas de organização humana para impedir qualquer forma de resistência e permitir às transnacionais explorar esta zona sem restrições políticas. Trata-se, portanto, de um projecto colonial no sentido anglo-saxónico do termo (não confundir com a colonização de povoamento)... [ler mais]
A propósito de “Não matem os velhinhos!” 02-2020
Há dois anos a proposta de despenalizar a eutanásia foi chumbada no Parlamento por poucos votos; a direita troglodita, a igreja católica e os “ortodoxos do marxismo” juntaram-se em campanha contra e ganharam. Agora, em 2020, o governo PS e o seu chefe, António Costa, fazendo lembrar um pouco o processo semelhante da despenalização do aborto, retomam o tema numa de “modernidade” e de “defsa dos direitos humanos”, apesar de todos os dias andarem a torpedear esses mesmos direitos; lembremo-nos, por exemplo, da requisição civil dos dos enfermeiros ou dos motoristas de matérias perigosas, que ficaram proibidos de fazer greve, ou de salários justos para todos os trabalhadores, a começar pelos funcionários públicos que se encontram, neste momento, em luta. Mas adiante, para além da eterna hipocrisia burguesa dos direitos e liberdades do indivíduo, vamos aos argumentos... [ler mais]
Governo PS, o governo dos vendilhões 02-2020
Há poucos dias, o secretário da Energia dos EUA, Dan Brouillette, visitou o Porto de Sines, acompanhado por lacaio menor do reino, Pedro Nuno Santos, declarando que existe “interesse americano” por este porto, nomeadamente, pelo futuro Terminal Vasco da Gama, ainda em construção. Demagogicamente, falou de “ independência energética” e de “ segurança energética”, como se Portugal, ficando refém do gás americano, garantisse a sua independência energética. Bem pelo contrário, com a agravante de o gás proveniente daquele país ser vendido ao dobro do preço do gás proveniente, por exemplo, da Rússia ou do Norte da Europa. Mas, perante a concorrência russa e chinesa e tendo a China manifestado interesse em Sines como terminus da nova Rota da Seda, então haverá que fazer render o peixe, embora o nosso lacaio tivesse manifestado alguma preferência pelo negócio americano, não por ser mais rentável mas por reverência de vassalo perante o amo... [ler mais]
Ecosocialismo: Tesis sobre la catástrofe (ecológica) inminente y los medios (revolucionarios) de evitarla (Michael Löwy) 02-2020
«Para llevar a cabo el proyecto ecosocialista no bastan las reformas parciales. Sería necesaria una verdadera revolución social. ¿Cómo definir esta revolución? Podríamos referirnos a una nota de Walter Benjamin, en un margen a sus tesis Sobre el concepto de historia (1940): “Marx ha dicho que las revoluciones son la locomotora de la historia mundial. Quizá las cosas se presentan de otra forma. Puede que las revoluciones sean el acto por el que la humanidad que viaje en el tren aprieta los frenos de urgencia”. Traducción en palabras del siglo XXI: todas y todos somos pasajeros de un tren suicida, que se llama Civilización Capitalista Industrial Moderna. Este tren se acerca, a una velocidad creciente, a un abismo catastrófico: el cambio climático. La acción revolucionaria tiene por objetivo detenerlo, antes de que sea demasiado tarde... [ler mais]
Os caminhos e impasses da América Latina (CAL – SC) 02-2020
«Começamos o ano de 2019, no Brasil, em um cenário muito difícil para os trabalhadores e as classes populares, com a vitória de Bolsonaro, um radical de extrema-direita. Por ser o maior país da América Latina, o Brasil tem um peso geopolítico enorme e influencia na dinâmica de todo o continente. Também vivemos, no inicio do ano passado, a tentativa de derrubada do Governo de Nicolas Maduro, na Venezuela, com ameaça de intervenção militar, que teve apoio inclusive do Brasil. Além disso, tivemos o fechamento do parlamento no Peru, que ainda persiste, o golpe de estado na Bolívia, realizado pelas forças armadas, além do processo de impeachment de Mario Abdo Benítez, e a vitória da direita no Uruguai com LacallePou. Mas também tivemos, no final do ano, a vitória dos Fernandez na Argentina, derrotando eleitoralmente Macri, que expressa uma resposta da sociedade argentina às políticas de desmonte dos direitos, além da política de fome e desemprego generalizado, afinada ao que as elites latino-americanas promovem no continente... [ler mais]
A Guerra dos bárbaros: índios tapuias versus colonizadores portugueses (Cláudia Verardi) 02-2020
«O fim da União Ibérica em 1640 e a expulsão dos holandeses em 1654 colocou o Nordeste brasileiro em evidência para o reino português que passou a investir na conquista e ocupação da região. Portugal visava ganhar maior autonomia, expandir a atividade pecuária e evitar novos invasores estrangeiros na Colônia e impor a distribuição de terras.
O Brasil do século XVII (1 de janeiro de 1601 – 31 de dezembro de 1700), era bem distinto do atual, a colônia americana do Império Português era formada, até metade do século, pelo Estado do Grão Pará e Maranhão, área composta quase em sua totalidade por litorais. De acordo com Silva (2009, p. 39), a área mais rica naquela época, era a zona do açúcar, que se estendia pelo litoral desde o Recôncavo baiano até a Paraíba, alcançando as áridas costas do Rio Grande do Norte, onde haviam cidades e vilas prósperas.
Dessas vilas partiram homens que, empurrados pela Coroa portuguesa e pela elite canavieira, fizeram guerra aos povos indígenas nos interiores daquelas capitanias, terminando por conquistar o sertão e ajudar na formação de uma nova sociedade colonial. (SILVA, 2009, p. 39).
O conflito envolvendo os colonizadores e os povos nativos conhecidos como Tapuias no território que corresponde atualmente aos sertões nordestinos, da Bahia até o Maranhão culminou na “Guerra dos Bárbaros” (1650 e 1720)... [ler mais]
Um Orçamento e uma “discussão” esclarecedores e... 02-2020
Antes do facto consumado, tivemos, todos nós, de assistir a uma telenovela manhosa sobre a aprovação ou não da descida do IVA da electricidade de 23% para 6%, subida que, devemos relembrar, foi de autoria do governo Coelho/Portas/PSD/CDS e que foi contestada pelo PS enquanto oposição, prometendo reverter a situação quando governo. A chantagem do Costa e a encenação quanto às diferenças das ditas contrapartidas para colmatar a diminuição da receita fiscal resultante constituem elementos de uma farsa montada com antecedência e com dupla intenção: dar a entender que estão todos a favor do bem-estar do povo e todos contestam a política do governo. Ora, nem uma coisa nem outra é verdade: o PAN, por exemplo, mostrou qual a barricada onde se encontra, sendo cada vez mais um apêndice do PS; o PCP ainda não aprendeu e jamais aprenderá, arriscando-se um destes dias a desaparecer pura e simplesmente do mapa por se apresentar como o principal aliado do governo, a troco de umas migalhas do orçamento; o BE reafirma o seu sentido de estado e de “responsabilidade” (na defesa dos interesses do grande capital, esclareça-se!), a pensar em ir para o governo num futuro próximo; e a tal deputada-não-inscrita irá, com certeza, recandidatar-se em lista do PS, nas próximas legislativas, a fim garantir o “destino para que nasceu” ( nas palavras de dita cuja), não tendo votado na proposta do PCP para a descida do IVA da energia para não colocar em causa a “estabilidade governativa”, coisa aliás bem cara ao nosso PR Marcelo. O OE 2020 e a sua “discussão” tiveram ao menos uma coisa boa: mostraram de que lado verdadeiramente se encontram os partidos que se arvoram “de esquerda”, que não é de certeza a barricada do povo que trabalha e é espoliado diariamente para sustentar um regime e uma casta parasitários... [ler mais]
Os ovos da serpente 02-2020
Por toda a Europa se nota o ressurgimento de movimentos e partidos de extrema-direita, abertamente nazis, dando a entender que na realidade o nazismo ou fascismo, como lhe queiram chamar, nunca desapareceu, esteve somente adormecido. Terminada a II Guerra Mundial, organizações ligadas ao nazismo e ao fascismo permaneceram, altas figuras da cultura e da ciência, ocupando cargos importantes no ensino e na administração na Alemanha, por exemplo, não foram beliscadas, bem como a grande burguesia industrial e financeira alemã, que financiou Hitler e o seu partido para pôr em prática o seu projecto de pan-germanismo económico e cultural, não foi igualmente incomodada, bem pelo contrário, colaborou com as potências aliadas ocidentais que não hesitaram em dar a mão na reconstrução económica e capitalista alemã. O mais que se diga são mitos urbanos para confundir e obnubilar mentes ingénuas; a prática ensina-nos que os fascismos são a solução de recurso para fazer face à crise do capitalismo, assim como a guerra inter-imperialista, quando aquela se prolonga demasiado e a burguesia não tem outra forma mais “democrática” de a resolver. As democracias parlamentares, que tiveram em hibernação os fascismos e nazismos, são elas próprias que os catapultam para a frente, assinando assim a certidão de impotência e degradação... [ler mais]
A história foi escrita pela mão branca (Leonardo Boff) 02-2020
«A história da escravidão se perde na obscuridade dos tempos milenares. Há uma inteira literatura sobre a escravidão, no Brasil, popularizada pelo jornalista-historiador Laurentino Gomes em três volumes (só o primeiro já veio a lume, 2019). Fontes de pessoas escravizadas são quase inexistentes, pois elas eram mantidas analfabetas. No Brasil, um dos países mais escravocratas da história, as fontes foram queimadas a mando do ingênuo “gênio” Ruy Barbosa, no afã de borrar as fontes de nossa vergonhosa nacional. Daí, que nossa história foi escrita pela mão branca, com a tinta do sangue de pessoas escravizadas.
A palavra escravo deriva de slavus em latim, nome genérico para designar os habitantes da Eslávia, região dos Bálcãs, sul da Rússia e às margens do Mar Negro, grande fornecedora de pessoas feitas escravas para todo o Mediterrâneo. Eram brancos, louros com olhos azuis. Só os otomanos de Istambul importaram entre 1450-1700 cerca de 2,5 milhões dessas pessoas brancas escravizadas.... [ler mais]
Chile: crônica de uma revolta anunciada (Lucía Converti) 02-2020
«Existem duas formas de fazer uma análise sobre as condições socioeconômicas do Chile. Uma a partir da ótica economicista, pela qual se mede a evolução do PIB, o PIB per capita e a queda de pobreza medida por receita. Outra, que incorpora uma visão sobre o bem-estar da população, as condições trabalhistas, a possibilidade de acesso à educação, os níveis de segurança social e a desigualdade entre iguais.
A partir da primeira visão é impossível entender a revolta social que vive o Chile desde outubro do ano passado, quando o governo de Sebastián Piñera aumentou o preço do transporte público. A partir da segunda, a revolta já estava anunciada.
Neste informe se tentará aprofundar aqueles aspectos sobre a realidade social chilena que permitam jogar luz sobre as razões pelas quais o povo reclama uma mudança constitucional urgente... [ler mais]
Argentina. Por una auditoría ciudadana de la deuda pública (Eduardo Lucita) 02-2020
«Es muy evidente, la posible postergación de los pagos no es por convicción sino por necesidad del gobierno y también de los acreedores, saben que no pueden cobrarla. Sin embargo este acuerdo tácito termina legitimando la deuda sin cuestionarla, o investigarla por medio de una auditoria. Suele argumentarse que es legítima porque fue contraída por un gobierno elegido por el voto popular, pero no es el carácter de un gobierno lo que la puede legitimar o no sino el objetivo y el destino de esos fondos. También está cuestionada su legalidad porque no pasó por el Congreso.
Y no es claro el objetivo, mucho menos el destino de la mayoría de los poco más de 100.000 millones de dólares tomados por la administración Macri. No hay ninguna explicación convincente de porqué se emitió un bono a 100 años, con un rendimiento del 7,9%, que duplicaba la tasa promedio de mercado. Se fue de urgencia al FMI porque no se podía pagar la deuda en bonos, poco más de un año después tampoco se puede pagarle al Fondo y estamos en default “virtual”, el préstamo en vez de fortalecer la economía la debilitó aún más. El presidente lo explicó así a los empresarios: “Todo ocurrió con la anuencia del Fondo… es corresponsable” y completó: ¿Cómo le prestaste a este país semejante cantidad de dinero, que además dejaste que salga del sistema financiero graciosamente?”. En la propia pregunta del presidente está la necesidad de encontrar las razones reales de este despropósito... [ler mais]
O embuste do século que os EUA querem impor aos palestinos (MPPM) 02-2020
«O Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM) condena firmemente o conteúdo do chamado "acordo do século" para a resolução da questão palestina, apresentado no dia 28 de Janeiro pelo presidente dos EUA, Donald Trump, acolitado pelo ainda primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu.
Apresentado com soberba imperial, o mal designado plano "Paz para a Prosperidade" rasga todas as resoluções aprovadas ao longo de décadas pela ONU sobre a questão palestina, e rasga mesmo os acordos, como Oslo, promovidos sob a égide dos Estados Unidos da América desde a década de 90. O "Plano" acompanha inteiramente as posições da extrema-direita israelita e assume a forma de um diktat que pretende impor ao povo palestino, cujos representantes não foram sequer considerados dignos de consulta, a total renúncia aos seus direitos nacionais, reconhecidos e consagrados pelo direito internacional... [ler mais]
Corrupção, racismo e violência policial 01-2020
Ocorreram ultimamente, neste mês de Janeiro e para começar bem o ano, vários acontecimentos que não deixam de estar interligados, denotando que mais não são que os diversos reflexos de uma mesma realidade. Foi o Ministério Público, que se arvora em polícia do regime e estado dentro de estado isento de qualquer escrutínio democrático, que entendeu pagar a um agente reformado da PJ investigar os meandros, entre os quais eventuais favores políticos, na operação designada sadiamente de “Tutti Frutti”. Portugal foi, mais uma vez, condenado pelo TEDH (Tribunal Europeu dos Direitos Humanos) pelo mau funcionamento da justiça. Foi o polícia zeloso e cumpridor, a solicitação de funcionário de empresa privada de transportes públicos, que espanca, em plena via pública e perante outros cidadãos, uma mulher negra e pobre que terá retorquido ao motorista por falta de passe da filha menor. Foi Ana Gomes, considerada a “rebelde” do PS, já apresentada como candidata de esquerda às próximas eleições presidenciais por ter andado a denunciar a cleptocrata Isabel dos Santos, considerada a mulher negra e africana empresária de sucesso com todas as portas abertas cá nesta província germanófila da União Europeia. Foi e será o fazer de conta que ninguém sabia da origem do dinheiro lavado proveniente de Angola, desde jornalistas a políticos, desde empresários nacionais igualmente de sucesso a banqueiros, desde o regulador que nada regula governador do Banco de Portugal ao PR Marcelo que considera todo o investimento bem vindo independentemente de onde venha e quem o traga desde que no “respeito pela legalidade e pela constitucionalidade” nacionais. São todos aspectos de uma mesma realidade: a democracia parlamentar burguesa como o melhor regime de gestão dos negócios capitalistas... [ler mais]
Homenagem a Patrice Lumumba (Federação Sindical Mundial) 01-2020
«No dia 17 de janeiro de janeiro de 1961, o militante congolês Patrice Lumumba, após ter sido torturado, foi brutalmente assassinado.
Quando o Congo conquistou a independência, em 1960, o movimento de libertação nacional liderado por Lumumba venceu as primeiras eleições e formou um governo. Contudo, as posições amigáveis da URSS em relação ao novo governo alarmaram os imperialistas, que apoiaram o golpe de Mobutu: o governo eleito democraticamente foi derrubado e a ditadura foi imposta no país.
A carreira política de Lumumba começou como sindicalista, quando em 1955 foi eleito presidente de um ramo local de sindicatos de serviço público; em 1958, ele foi um dos cofundadores do Movimento Nacional Congolês, o primeiro partido do país baseado na representação de todas as tribos. O Movimento Nacional Congolês, que Lumumba logo assumiu, buscou a independência e apoiou a exploração da riqueza mineral em benefício do povo congolês, retirando-a do controle de multinacionais belgas, europeias e americanas... [ler mais]
Davos – bailando com os vampiros (Ana Moreno) 01-2020
«Lá começou hoje pela 50-ésima vez o Fórum Económico Mundial em Davos – o “Baile dos Vampiros” como o sociólogo suíço Jean Ziegler o denomina – onde os CEOs das multinacionais e gigantes “abutres”, como a operadora de activos e gestão de riscos Blackrock, se encontram com os políticos dos governos pressurosos em abrirem as portas a negócios chorudos. Isabel dos Santos, afinal, não vai lá estar, mas não faltará gente que conhece bem e aplica, sempre que possível, idênticos estratagemas
Há quem defenda que, especialmente numa época em que o multilateralismo está periclitante, o Fórum é importante para juntar actores que não têm outra ocasião de trocar ideias; acrescenta-se ainda, que o Fórum se abriu à sociedade civil, pertencendo, este ano, um terço dos 3.000 participantes a organizações como a Oxfam e Greenpeace. O lema deste ano: Responsabilidade e Sustentabilidade... [ler mais]
A morte de Amílcar Cabral 01-2020
A minha poesia sou eu

... Não, Poesia:
Não te escondas nas grutas de meu ser,
não fujas à Vida.
Quebra as grades invisíveis da minha prisão,
abre de par em par as portas do meu ser
— sai...
Sai para a luta (a vida é luta)
os homens lá fora chamam por ti,
e tu, Poesia és também um Homem.
Ama as Poesias de todo o Mundo,
— ama os Homens
Solta teus poemas para todas as raças,
para todas as coisas.
Confunde-te comigo...
Vai, Poesia:
Toma os meus braços para abraçares o Mundo,
dá-me os teus braços para que abrace a Vida.
A minha Poesia sou eu... [ler mais]
Encontro Mundial Contra o Imperialismo 01-2020
«“A paz do planeta está seriamente ameaçada pela política de agressões militares dos Estados Unidos”, sentenciou o documento final, aprovado por unanimidade, no Encontro Mundial Contra o Imperialismo, realizado nos dias 22 a 24 de janeiro, em Caracas, Venezuela. O evento reuniu mais de 800 pessoas dos cinco continentes e foi realizado a partir de uma convocatória do XXV Foro de São Paulo, também sediado na capital venezuelana, em julho do ano passado.
Além das ameaças vindas pela império estadunidense, a declaração aponta que “se soma uma crise ética nesse modo de vida dominante da economia do capital, que impõe a lógica do consumo sobre os direitos humanos. O capitalismo está em crise e isso o deixa muito mais perigoso, agressivo e imprevisível. Isso evidencia que as soluções para o mundo atual demandam um novo modelo de sociedade”... [ler mais]
Novo Ano, Velho Orçamento... ou como o OE 2020 merece o mais vivo repúdio do povo português 01-2020
O Orçamento de Estado para 2020 foi facilmente aprovado na generalidade, como toda a gente esperava, graças à abstenção do PCP, BES e quejandos, que nós faz lembrar as “abstenções violentas” de José Seguro secretário do PS em relação às medidas apresentadas pelo governo de Passos Coelho – uma simples abstenção colaborante à espera de participar no pote. O PCP não ganhou emenda, nada aprendeu com a tremenda derrota eleitoral em Outubro último, está-lhe no sangue, não consegue controlar o impulso para defender os interesses da burguesia, que pretende sacar o mais possível neste orçamento, e continuar a atraiçoar os trabalhadores – ainda estamos bem lembrados do ataque à greve dos enfermeiros e ao fundo de greve, comprovadamente legal, aliás, sempre foi uma arma histórica de luta sindical dos assalariados, mas agora atacada pelo facto desta greve ter fugido ao seu controlo. O BE, com todas as suas cambalhotas, não consegue disfarçar o seu apoio ao governo e os restante que se absteram limitam-se a catar as migalha. Estes partidos que se dizem de “esquerda”, correm o risco de irem juntamente com o regime, um dias destes, pelo cano de esgoto da história abaixo... [ler mais]
Apelo urgente à solidariedade internacionalista (Carlos Aznárez) 01-2020
«Às organizações sociais e populares, às trabalhadoras e aos trabalhadores, aos intelectuais de Nossa América:
Três meses se passaram desde a explosão da grande revolta popular que o Chile está enfrentando. A partir daqueles dias de meados de outubro de 2019, quando um agitado grupo de estudantes decidiu pular as catracas do metrô de Santiago, protestando contra o alto custo do ingresso (mais de um dólar) e, assim, acordar a sociedade chilena de um sonho prolongado, o país viveu um abalo que, sem dúvida, deu origem a um novo Chile.
A bravura daqueles e daquelas “cabras” que zombavam da vigilância do metrô e depois eram violentamente reprimidos pelos carabineros gerou uma cadeia de solidariedade com os estudantes espancados e feridos. De repente, o povo do Chile foi às ruas e não as abandonou até agora. Milhares e milhares de jovens promoveram tantas manifestações de repúdio contra a ação policial que logo levaram o protesto a um salto qualitativo. A batalha que o Chile está vivenciando hoje é sintetizada em duas palavras de ordens centrais: “Renuncia, Piñera!” e “Pacos culiaos”, referindo-se com ironia e raiva à instituição de características nazistas que torturou e assassinou durante a ditadura de Pinochet e agora continua repetindo esse mesmo roteiro contra aqueles que protestam pacificamente... [ler mais]
Contrarreformas ou Revolução - Respostas a um capitalismo em crise (Mauro Luis Iasi) 01-2020
«Sem teoria revolucionária, não há movimento revolucionário.
Nunca será demasiado insistir nessa ideia, numa época em que a propaganda em voga do oportunismo vem acompanhada de uma atração pelas formas mais estreitas da atividade prática.
Lenine (Que Fazer?[1902])
Um aspecto central de todo oportunismo gradualista é o argumento segundo o qual os tempos mudaram e as formas e ações revolucionárias não mais se adequam às condições hoje existentes. As lutas de massas, os enfrentamentos, em uma palavra, a insurreição, teria cedido lugar à formas institucionais que canalizam os conflitos e permitem que se realizem em um terreno que teria a dupla virtude de permitir a predominância da vontade da maioria, ao mesmo tempo em que neutralizaria o principal instrumento das classes dominantes, qual seja, o uso dos aparatos repressivos e da violência... [ler mais]
França: como é possível vencer (Jérôme Métellus) 01-2020
«Uma greve popular
Um conflito dessa natureza amplia a brecha entre as duas principais classes sociais: a burguesia e o proletariado. Os burgueses apoiam de todo o coração seu governo e divulgam isso diariamente em sua mídia, pela boca de seus jornalistas. Dia e noite, somos alimentados por uma chuva torrencial de mentiras e calúnias. Os cortes de aposentadoria propostos são apresentados na mídia dos patrões como o modelo de “justiça” e “progresso social”, enquanto a greve é pintada como a ação de uma camada “privilegiada” ímpia e sem lei.
Apesar desse fluxo contínuo de propaganda reacionária, a greve é amplamente apoiada pela massa da classe trabalhadora. Isso não deveria nos surpreender. Os trabalhadores não precisaram ler o relatório Delevoye para descobrir que essa reforma está no mesmo espírito que o restante das políticas de Macron. Seu objetivo é tornar os ricos mais ricos, em detrimento de todos os outros, começando pelos mais pobres da sociedade... [ler mais]
Para a União Europeia chegou o momento de utilizar a força (Thierry Meyssan) 01-2020
"A antiga ministra alemã da Defesa, Ursula von der Leyen, assumiu as suas funções de Presidente da Comissão Europeia no lugar reservado ao Spitzenkandidat Manfred Weber. Este papel recaía até agora num representante dos interesses atlantistas.
AUnião Europeia ambiciona voltar a dar aos seus membros o estatuto que tinham adquirido, pela força, com os seus impérios respectivos. Tendo o mundo mudado, já não é mais possível basear a realidade colonial sobre o abismo educacional que separava os Selvagens da Civilização. Convêm, pois, formular uma nova ideologia que formate o domínio europeu de nobres ideais.
Essa existe já de maneira embrionária e é utilizada pelos Estados Unidos para justificar a sua própria leadership. Trata-se de a tornar mais coerente e de a apurar.
O seu slogan de base afirma que o «universalismo» não mais deve ser entendido como a igualdade de todos perante a Lei, qualquer que seja a sua origem, a sua fortuna e a sua religião, mas a igualdade de tratamento de que todos podem usufruir seja qual for o país em que viajem. Deste ponto de vista, o verdadeiro inimigo já não é a desordem e a insegurança que ele gera, mas os Estados que deveriam proteger-nos e criam abusivamente diferenças entre nós segundo as nossas nacionalidades; excelente doutrina para um Estado supranacional! (o Estado federal dos EUA, depois o Estado federal europeu)... [ler mais]
NÃO à política de guerra do imperialismo! (Tudeh – Partido Comunista do Irão) 01-2020
«Nos últimos meses , o Partido Tudeh do Irã alertou contínua e frequentemente sobre o risco das políticas aventureiras do imperialismo dos EUA e seus aliados – incluindo o governo reacionário da Arábia Saudita e o governo racista de Israel -, bem como as políticas imprudentes e intervencionistas do regime iraniano na região, inclusive no Iraque e no Líbano, que nos últimos meses testemunharam protestos populares contra a interferência estrangeira e, em particular, a interferência do regime iraniano. O Partido Tudeh do Irã, ao denunciar esse ato de terrorismo pelo governo Trump – que é uma indicação de seu flagrante desrespeito ao direito internacional – acredita que todos os esforços devem ser tomados para evitar a escalada da crise na região e a condução de tensões em direção a perigosos conflitos militares. Também é necessário salientar que a guerra e os conflitos militares na região só beneficiarão as forças mais reacionárias e antipopulares da região e do outro lado do mundo e são contra os interesses da nação e do povo trabalhador. A ação do governo Trump ocorre quando ele está à beira de um julgamento de impeachment no Senado dos EUA por abuso de poder, e os americanos entraram em um ano eleitoral... [ler mais]