A propósito de “Não matem os velhinhos!” 02-2020
Há dois anos a proposta de despenalizar a eutanásia foi chumbada no Parlamento por poucos votos; a direita troglodita, a igreja católica e os “ortodoxos do marxismo” juntaram-se em campanha contra e ganharam. Agora, em 2020, o governo PS e o seu chefe, António Costa, fazendo lembrar um pouco o processo semelhante da despenalização do aborto, retomam o tema numa de “modernidade” e de “defsa dos direitos humanos”, apesar de todos os dias andarem a torpedear esses mesmos direitos; lembremo-nos, por exemplo, da requisição civil dos dos enfermeiros ou dos motoristas de matérias perigosas, que ficaram proibidos de fazer greve, ou de salários justos para todos os trabalhadores, a começar pelos funcionários públicos que se encontram, neste momento, em luta. Mas adiante, para além da eterna hipocrisia burguesa dos direitos e liberdades do indivíduo, vamos aos argumentos... [ler mais]
Governo PS, o governo dos vendilhões 02-2020
Há poucos dias, o secretário da Energia dos EUA, Dan Brouillette, visitou o Porto de Sines, acompanhado por lacaio menor do reino, Pedro Nuno Santos, declarando que existe “interesse americano” por este porto, nomeadamente, pelo futuro Terminal Vasco da Gama, ainda em construção. Demagogicamente, falou de “ independência energética” e de “ segurança energética”, como se Portugal, ficando refém do gás americano, garantisse a sua independência energética. Bem pelo contrário, com a agravante de o gás proveniente daquele país ser vendido ao dobro do preço do gás proveniente, por exemplo, da Rússia ou do Norte da Europa. Mas, perante a concorrência russa e chinesa e tendo a China manifestado interesse em Sines como terminus da nova Rota da Seda, então haverá que fazer render o peixe, embora o nosso lacaio tivesse manifestado alguma preferência pelo negócio americano, não por ser mais rentável mas por reverência de vassalo perante o amo... [ler mais]
Ecosocialismo: Tesis sobre la catástrofe (ecológica) inminente y los medios (revolucionarios) de evitarla (Michael Löwy) 02-2020
«Para llevar a cabo el proyecto ecosocialista no bastan las reformas parciales. Sería necesaria una verdadera revolución social. ¿Cómo definir esta revolución? Podríamos referirnos a una nota de Walter Benjamin, en un margen a sus tesis Sobre el concepto de historia (1940): “Marx ha dicho que las revoluciones son la locomotora de la historia mundial. Quizá las cosas se presentan de otra forma. Puede que las revoluciones sean el acto por el que la humanidad que viaje en el tren aprieta los frenos de urgencia”. Traducción en palabras del siglo XXI: todas y todos somos pasajeros de un tren suicida, que se llama Civilización Capitalista Industrial Moderna. Este tren se acerca, a una velocidad creciente, a un abismo catastrófico: el cambio climático. La acción revolucionaria tiene por objetivo detenerlo, antes de que sea demasiado tarde... [ler mais]
Os caminhos e impasses da América Latina (CAL – SC) 02-2020
«Começamos o ano de 2019, no Brasil, em um cenário muito difícil para os trabalhadores e as classes populares, com a vitória de Bolsonaro, um radical de extrema-direita. Por ser o maior país da América Latina, o Brasil tem um peso geopolítico enorme e influencia na dinâmica de todo o continente. Também vivemos, no inicio do ano passado, a tentativa de derrubada do Governo de Nicolas Maduro, na Venezuela, com ameaça de intervenção militar, que teve apoio inclusive do Brasil. Além disso, tivemos o fechamento do parlamento no Peru, que ainda persiste, o golpe de estado na Bolívia, realizado pelas forças armadas, além do processo de impeachment de Mario Abdo Benítez, e a vitória da direita no Uruguai com LacallePou. Mas também tivemos, no final do ano, a vitória dos Fernandez na Argentina, derrotando eleitoralmente Macri, que expressa uma resposta da sociedade argentina às políticas de desmonte dos direitos, além da política de fome e desemprego generalizado, afinada ao que as elites latino-americanas promovem no continente... [ler mais]
A Guerra dos bárbaros: índios tapuias versus colonizadores portugueses (Cláudia Verardi) 02-2020
«O fim da União Ibérica em 1640 e a expulsão dos holandeses em 1654 colocou o Nordeste brasileiro em evidência para o reino português que passou a investir na conquista e ocupação da região. Portugal visava ganhar maior autonomia, expandir a atividade pecuária e evitar novos invasores estrangeiros na Colônia e impor a distribuição de terras.
O Brasil do século XVII (1 de janeiro de 1601 – 31 de dezembro de 1700), era bem distinto do atual, a colônia americana do Império Português era formada, até metade do século, pelo Estado do Grão Pará e Maranhão, área composta quase em sua totalidade por litorais. De acordo com Silva (2009, p. 39), a área mais rica naquela época, era a zona do açúcar, que se estendia pelo litoral desde o Recôncavo baiano até a Paraíba, alcançando as áridas costas do Rio Grande do Norte, onde haviam cidades e vilas prósperas.
Dessas vilas partiram homens que, empurrados pela Coroa portuguesa e pela elite canavieira, fizeram guerra aos povos indígenas nos interiores daquelas capitanias, terminando por conquistar o sertão e ajudar na formação de uma nova sociedade colonial. (SILVA, 2009, p. 39).
O conflito envolvendo os colonizadores e os povos nativos conhecidos como Tapuias no território que corresponde atualmente aos sertões nordestinos, da Bahia até o Maranhão culminou na “Guerra dos Bárbaros” (1650 e 1720)... [ler mais]
Um Orçamento e uma “discussão” esclarecedores e... 02-2020
Antes do facto consumado, tivemos, todos nós, de assistir a uma telenovela manhosa sobre a aprovação ou não da descida do IVA da electricidade de 23% para 6%, subida que, devemos relembrar, foi de autoria do governo Coelho/Portas/PSD/CDS e que foi contestada pelo PS enquanto oposição, prometendo reverter a situação quando governo. A chantagem do Costa e a encenação quanto às diferenças das ditas contrapartidas para colmatar a diminuição da receita fiscal resultante constituem elementos de uma farsa montada com antecedência e com dupla intenção: dar a entender que estão todos a favor do bem-estar do povo e todos contestam a política do governo. Ora, nem uma coisa nem outra é verdade: o PAN, por exemplo, mostrou qual a barricada onde se encontra, sendo cada vez mais um apêndice do PS; o PCP ainda não aprendeu e jamais aprenderá, arriscando-se um destes dias a desaparecer pura e simplesmente do mapa por se apresentar como o principal aliado do governo, a troco de umas migalhas do orçamento; o BE reafirma o seu sentido de estado e de “responsabilidade” (na defesa dos interesses do grande capital, esclareça-se!), a pensar em ir para o governo num futuro próximo; e a tal deputada-não-inscrita irá, com certeza, recandidatar-se em lista do PS, nas próximas legislativas, a fim garantir o “destino para que nasceu” ( nas palavras de dita cuja), não tendo votado na proposta do PCP para a descida do IVA da energia para não colocar em causa a “estabilidade governativa”, coisa aliás bem cara ao nosso PR Marcelo. O OE 2020 e a sua “discussão” tiveram ao menos uma coisa boa: mostraram de que lado verdadeiramente se encontram os partidos que se arvoram “de esquerda”, que não é de certeza a barricada do povo que trabalha e é espoliado diariamente para sustentar um regime e uma casta parasitários... [ler mais]
Os ovos da serpente 02-2020
Por toda a Europa se nota o ressurgimento de movimentos e partidos de extrema-direita, abertamente nazis, dando a entender que na realidade o nazismo ou fascismo, como lhe queiram chamar, nunca desapareceu, esteve somente adormecido. Terminada a II Guerra Mundial, organizações ligadas ao nazismo e ao fascismo permaneceram, altas figuras da cultura e da ciência, ocupando cargos importantes no ensino e na administração na Alemanha, por exemplo, não foram beliscadas, bem como a grande burguesia industrial e financeira alemã, que financiou Hitler e o seu partido para pôr em prática o seu projecto de pan-germanismo económico e cultural, não foi igualmente incomodada, bem pelo contrário, colaborou com as potências aliadas ocidentais que não hesitaram em dar a mão na reconstrução económica e capitalista alemã. O mais que se diga são mitos urbanos para confundir e obnubilar mentes ingénuas; a prática ensina-nos que os fascismos são a solução de recurso para fazer face à crise do capitalismo, assim como a guerra inter-imperialista, quando aquela se prolonga demasiado e a burguesia não tem outra forma mais “democrática” de a resolver. As democracias parlamentares, que tiveram em hibernação os fascismos e nazismos, são elas próprias que os catapultam para a frente, assinando assim a certidão de impotência e degradação... [ler mais]
A história foi escrita pela mão branca (Leonardo Boff) 02-2020
«A história da escravidão se perde na obscuridade dos tempos milenares. Há uma inteira literatura sobre a escravidão, no Brasil, popularizada pelo jornalista-historiador Laurentino Gomes em três volumes (só o primeiro já veio a lume, 2019). Fontes de pessoas escravizadas são quase inexistentes, pois elas eram mantidas analfabetas. No Brasil, um dos países mais escravocratas da história, as fontes foram queimadas a mando do ingênuo “gênio” Ruy Barbosa, no afã de borrar as fontes de nossa vergonhosa nacional. Daí, que nossa história foi escrita pela mão branca, com a tinta do sangue de pessoas escravizadas.
A palavra escravo deriva de slavus em latim, nome genérico para designar os habitantes da Eslávia, região dos Bálcãs, sul da Rússia e às margens do Mar Negro, grande fornecedora de pessoas feitas escravas para todo o Mediterrâneo. Eram brancos, louros com olhos azuis. Só os otomanos de Istambul importaram entre 1450-1700 cerca de 2,5 milhões dessas pessoas brancas escravizadas.... [ler mais]
Chile: crônica de uma revolta anunciada (Lucía Converti) 02-2020
«Existem duas formas de fazer uma análise sobre as condições socioeconômicas do Chile. Uma a partir da ótica economicista, pela qual se mede a evolução do PIB, o PIB per capita e a queda de pobreza medida por receita. Outra, que incorpora uma visão sobre o bem-estar da população, as condições trabalhistas, a possibilidade de acesso à educação, os níveis de segurança social e a desigualdade entre iguais.
A partir da primeira visão é impossível entender a revolta social que vive o Chile desde outubro do ano passado, quando o governo de Sebastián Piñera aumentou o preço do transporte público. A partir da segunda, a revolta já estava anunciada.
Neste informe se tentará aprofundar aqueles aspectos sobre a realidade social chilena que permitam jogar luz sobre as razões pelas quais o povo reclama uma mudança constitucional urgente... [ler mais]
Argentina. Por una auditoría ciudadana de la deuda pública (Eduardo Lucita) 02-2020
«Es muy evidente, la posible postergación de los pagos no es por convicción sino por necesidad del gobierno y también de los acreedores, saben que no pueden cobrarla. Sin embargo este acuerdo tácito termina legitimando la deuda sin cuestionarla, o investigarla por medio de una auditoria. Suele argumentarse que es legítima porque fue contraída por un gobierno elegido por el voto popular, pero no es el carácter de un gobierno lo que la puede legitimar o no sino el objetivo y el destino de esos fondos. También está cuestionada su legalidad porque no pasó por el Congreso.
Y no es claro el objetivo, mucho menos el destino de la mayoría de los poco más de 100.000 millones de dólares tomados por la administración Macri. No hay ninguna explicación convincente de porqué se emitió un bono a 100 años, con un rendimiento del 7,9%, que duplicaba la tasa promedio de mercado. Se fue de urgencia al FMI porque no se podía pagar la deuda en bonos, poco más de un año después tampoco se puede pagarle al Fondo y estamos en default “virtual”, el préstamo en vez de fortalecer la economía la debilitó aún más. El presidente lo explicó así a los empresarios: “Todo ocurrió con la anuencia del Fondo… es corresponsable” y completó: ¿Cómo le prestaste a este país semejante cantidad de dinero, que además dejaste que salga del sistema financiero graciosamente?”. En la propia pregunta del presidente está la necesidad de encontrar las razones reales de este despropósito... [ler mais]
O embuste do século que os EUA querem impor aos palestinos (MPPM) 02-2020
«O Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM) condena firmemente o conteúdo do chamado "acordo do século" para a resolução da questão palestina, apresentado no dia 28 de Janeiro pelo presidente dos EUA, Donald Trump, acolitado pelo ainda primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu.
Apresentado com soberba imperial, o mal designado plano "Paz para a Prosperidade" rasga todas as resoluções aprovadas ao longo de décadas pela ONU sobre a questão palestina, e rasga mesmo os acordos, como Oslo, promovidos sob a égide dos Estados Unidos da América desde a década de 90. O "Plano" acompanha inteiramente as posições da extrema-direita israelita e assume a forma de um diktat que pretende impor ao povo palestino, cujos representantes não foram sequer considerados dignos de consulta, a total renúncia aos seus direitos nacionais, reconhecidos e consagrados pelo direito internacional... [ler mais]
Corrupção, racismo e violência policial 01-2020
Ocorreram ultimamente, neste mês de Janeiro e para começar bem o ano, vários acontecimentos que não deixam de estar interligados, denotando que mais não são que os diversos reflexos de uma mesma realidade. Foi o Ministério Público, que se arvora em polícia do regime e estado dentro de estado isento de qualquer escrutínio democrático, que entendeu pagar a um agente reformado da PJ investigar os meandros, entre os quais eventuais favores políticos, na operação designada sadiamente de “Tutti Frutti”. Portugal foi, mais uma vez, condenado pelo TEDH (Tribunal Europeu dos Direitos Humanos) pelo mau funcionamento da justiça. Foi o polícia zeloso e cumpridor, a solicitação de funcionário de empresa privada de transportes públicos, que espanca, em plena via pública e perante outros cidadãos, uma mulher negra e pobre que terá retorquido ao motorista por falta de passe da filha menor. Foi Ana Gomes, considerada a “rebelde” do PS, já apresentada como candidata de esquerda às próximas eleições presidenciais por ter andado a denunciar a cleptocrata Isabel dos Santos, considerada a mulher negra e africana empresária de sucesso com todas as portas abertas cá nesta província germanófila da União Europeia. Foi e será o fazer de conta que ninguém sabia da origem do dinheiro lavado proveniente de Angola, desde jornalistas a políticos, desde empresários nacionais igualmente de sucesso a banqueiros, desde o regulador que nada regula governador do Banco de Portugal ao PR Marcelo que considera todo o investimento bem vindo independentemente de onde venha e quem o traga desde que no “respeito pela legalidade e pela constitucionalidade” nacionais. São todos aspectos de uma mesma realidade: a democracia parlamentar burguesa como o melhor regime de gestão dos negócios capitalistas... [ler mais]
Homenagem a Patrice Lumumba (Federação Sindical Mundial) 01-2020
«No dia 17 de janeiro de janeiro de 1961, o militante congolês Patrice Lumumba, após ter sido torturado, foi brutalmente assassinado.
Quando o Congo conquistou a independência, em 1960, o movimento de libertação nacional liderado por Lumumba venceu as primeiras eleições e formou um governo. Contudo, as posições amigáveis da URSS em relação ao novo governo alarmaram os imperialistas, que apoiaram o golpe de Mobutu: o governo eleito democraticamente foi derrubado e a ditadura foi imposta no país.
A carreira política de Lumumba começou como sindicalista, quando em 1955 foi eleito presidente de um ramo local de sindicatos de serviço público; em 1958, ele foi um dos cofundadores do Movimento Nacional Congolês, o primeiro partido do país baseado na representação de todas as tribos. O Movimento Nacional Congolês, que Lumumba logo assumiu, buscou a independência e apoiou a exploração da riqueza mineral em benefício do povo congolês, retirando-a do controle de multinacionais belgas, europeias e americanas... [ler mais]
Davos – bailando com os vampiros (Ana Moreno) 01-2020
«Lá começou hoje pela 50-ésima vez o Fórum Económico Mundial em Davos – o “Baile dos Vampiros” como o sociólogo suíço Jean Ziegler o denomina – onde os CEOs das multinacionais e gigantes “abutres”, como a operadora de activos e gestão de riscos Blackrock, se encontram com os políticos dos governos pressurosos em abrirem as portas a negócios chorudos. Isabel dos Santos, afinal, não vai lá estar, mas não faltará gente que conhece bem e aplica, sempre que possível, idênticos estratagemas
Há quem defenda que, especialmente numa época em que o multilateralismo está periclitante, o Fórum é importante para juntar actores que não têm outra ocasião de trocar ideias; acrescenta-se ainda, que o Fórum se abriu à sociedade civil, pertencendo, este ano, um terço dos 3.000 participantes a organizações como a Oxfam e Greenpeace. O lema deste ano: Responsabilidade e Sustentabilidade... [ler mais]
A morte de Amílcar Cabral 01-2020
A minha poesia sou eu

... Não, Poesia:
Não te escondas nas grutas de meu ser,
não fujas à Vida.
Quebra as grades invisíveis da minha prisão,
abre de par em par as portas do meu ser
— sai...
Sai para a luta (a vida é luta)
os homens lá fora chamam por ti,
e tu, Poesia és também um Homem.
Ama as Poesias de todo o Mundo,
— ama os Homens
Solta teus poemas para todas as raças,
para todas as coisas.
Confunde-te comigo...
Vai, Poesia:
Toma os meus braços para abraçares o Mundo,
dá-me os teus braços para que abrace a Vida.
A minha Poesia sou eu... [ler mais]
Encontro Mundial Contra o Imperialismo 01-2020
«“A paz do planeta está seriamente ameaçada pela política de agressões militares dos Estados Unidos”, sentenciou o documento final, aprovado por unanimidade, no Encontro Mundial Contra o Imperialismo, realizado nos dias 22 a 24 de janeiro, em Caracas, Venezuela. O evento reuniu mais de 800 pessoas dos cinco continentes e foi realizado a partir de uma convocatória do XXV Foro de São Paulo, também sediado na capital venezuelana, em julho do ano passado.
Além das ameaças vindas pela império estadunidense, a declaração aponta que “se soma uma crise ética nesse modo de vida dominante da economia do capital, que impõe a lógica do consumo sobre os direitos humanos. O capitalismo está em crise e isso o deixa muito mais perigoso, agressivo e imprevisível. Isso evidencia que as soluções para o mundo atual demandam um novo modelo de sociedade”... [ler mais]
Novo Ano, Velho Orçamento... ou como o OE 2020 merece o mais vivo repúdio do povo português 01-2020
O Orçamento de Estado para 2020 foi facilmente aprovado na generalidade, como toda a gente esperava, graças à abstenção do PCP, BES e quejandos, que nós faz lembrar as “abstenções violentas” de José Seguro secretário do PS em relação às medidas apresentadas pelo governo de Passos Coelho – uma simples abstenção colaborante à espera de participar no pote. O PCP não ganhou emenda, nada aprendeu com a tremenda derrota eleitoral em Outubro último, está-lhe no sangue, não consegue controlar o impulso para defender os interesses da burguesia, que pretende sacar o mais possível neste orçamento, e continuar a atraiçoar os trabalhadores – ainda estamos bem lembrados do ataque à greve dos enfermeiros e ao fundo de greve, comprovadamente legal, aliás, sempre foi uma arma histórica de luta sindical dos assalariados, mas agora atacada pelo facto desta greve ter fugido ao seu controlo. O BE, com todas as suas cambalhotas, não consegue disfarçar o seu apoio ao governo e os restante que se absteram limitam-se a catar as migalha. Estes partidos que se dizem de “esquerda”, correm o risco de irem juntamente com o regime, um dias destes, pelo cano de esgoto da história abaixo... [ler mais]
Apelo urgente à solidariedade internacionalista (Carlos Aznárez) 01-2020
«Às organizações sociais e populares, às trabalhadoras e aos trabalhadores, aos intelectuais de Nossa América:
Três meses se passaram desde a explosão da grande revolta popular que o Chile está enfrentando. A partir daqueles dias de meados de outubro de 2019, quando um agitado grupo de estudantes decidiu pular as catracas do metrô de Santiago, protestando contra o alto custo do ingresso (mais de um dólar) e, assim, acordar a sociedade chilena de um sonho prolongado, o país viveu um abalo que, sem dúvida, deu origem a um novo Chile.
A bravura daqueles e daquelas “cabras” que zombavam da vigilância do metrô e depois eram violentamente reprimidos pelos carabineros gerou uma cadeia de solidariedade com os estudantes espancados e feridos. De repente, o povo do Chile foi às ruas e não as abandonou até agora. Milhares e milhares de jovens promoveram tantas manifestações de repúdio contra a ação policial que logo levaram o protesto a um salto qualitativo. A batalha que o Chile está vivenciando hoje é sintetizada em duas palavras de ordens centrais: “Renuncia, Piñera!” e “Pacos culiaos”, referindo-se com ironia e raiva à instituição de características nazistas que torturou e assassinou durante a ditadura de Pinochet e agora continua repetindo esse mesmo roteiro contra aqueles que protestam pacificamente... [ler mais]
Contrarreformas ou Revolução - Respostas a um capitalismo em crise (Mauro Luis Iasi) 01-2020
«Sem teoria revolucionária, não há movimento revolucionário.
Nunca será demasiado insistir nessa ideia, numa época em que a propaganda em voga do oportunismo vem acompanhada de uma atração pelas formas mais estreitas da atividade prática.
Lenine (Que Fazer?[1902])
Um aspecto central de todo oportunismo gradualista é o argumento segundo o qual os tempos mudaram e as formas e ações revolucionárias não mais se adequam às condições hoje existentes. As lutas de massas, os enfrentamentos, em uma palavra, a insurreição, teria cedido lugar à formas institucionais que canalizam os conflitos e permitem que se realizem em um terreno que teria a dupla virtude de permitir a predominância da vontade da maioria, ao mesmo tempo em que neutralizaria o principal instrumento das classes dominantes, qual seja, o uso dos aparatos repressivos e da violência... [ler mais]
França: como é possível vencer (Jérôme Métellus) 01-2020
«Uma greve popular
Um conflito dessa natureza amplia a brecha entre as duas principais classes sociais: a burguesia e o proletariado. Os burgueses apoiam de todo o coração seu governo e divulgam isso diariamente em sua mídia, pela boca de seus jornalistas. Dia e noite, somos alimentados por uma chuva torrencial de mentiras e calúnias. Os cortes de aposentadoria propostos são apresentados na mídia dos patrões como o modelo de “justiça” e “progresso social”, enquanto a greve é pintada como a ação de uma camada “privilegiada” ímpia e sem lei.
Apesar desse fluxo contínuo de propaganda reacionária, a greve é amplamente apoiada pela massa da classe trabalhadora. Isso não deveria nos surpreender. Os trabalhadores não precisaram ler o relatório Delevoye para descobrir que essa reforma está no mesmo espírito que o restante das políticas de Macron. Seu objetivo é tornar os ricos mais ricos, em detrimento de todos os outros, começando pelos mais pobres da sociedade... [ler mais]
Para a União Europeia chegou o momento de utilizar a força (Thierry Meyssan) 01-2020
"A antiga ministra alemã da Defesa, Ursula von der Leyen, assumiu as suas funções de Presidente da Comissão Europeia no lugar reservado ao Spitzenkandidat Manfred Weber. Este papel recaía até agora num representante dos interesses atlantistas.
AUnião Europeia ambiciona voltar a dar aos seus membros o estatuto que tinham adquirido, pela força, com os seus impérios respectivos. Tendo o mundo mudado, já não é mais possível basear a realidade colonial sobre o abismo educacional que separava os Selvagens da Civilização. Convêm, pois, formular uma nova ideologia que formate o domínio europeu de nobres ideais.
Essa existe já de maneira embrionária e é utilizada pelos Estados Unidos para justificar a sua própria leadership. Trata-se de a tornar mais coerente e de a apurar.
O seu slogan de base afirma que o «universalismo» não mais deve ser entendido como a igualdade de todos perante a Lei, qualquer que seja a sua origem, a sua fortuna e a sua religião, mas a igualdade de tratamento de que todos podem usufruir seja qual for o país em que viajem. Deste ponto de vista, o verdadeiro inimigo já não é a desordem e a insegurança que ele gera, mas os Estados que deveriam proteger-nos e criam abusivamente diferenças entre nós segundo as nossas nacionalidades; excelente doutrina para um Estado supranacional! (o Estado federal dos EUA, depois o Estado federal europeu)... [ler mais]
NÃO à política de guerra do imperialismo! (Tudeh – Partido Comunista do Irão) 01-2020
«Nos últimos meses , o Partido Tudeh do Irã alertou contínua e frequentemente sobre o risco das políticas aventureiras do imperialismo dos EUA e seus aliados – incluindo o governo reacionário da Arábia Saudita e o governo racista de Israel -, bem como as políticas imprudentes e intervencionistas do regime iraniano na região, inclusive no Iraque e no Líbano, que nos últimos meses testemunharam protestos populares contra a interferência estrangeira e, em particular, a interferência do regime iraniano. O Partido Tudeh do Irã, ao denunciar esse ato de terrorismo pelo governo Trump – que é uma indicação de seu flagrante desrespeito ao direito internacional – acredita que todos os esforços devem ser tomados para evitar a escalada da crise na região e a condução de tensões em direção a perigosos conflitos militares. Também é necessário salientar que a guerra e os conflitos militares na região só beneficiarão as forças mais reacionárias e antipopulares da região e do outro lado do mundo e são contra os interesses da nação e do povo trabalhador. A ação do governo Trump ocorre quando ele está à beira de um julgamento de impeachment no Senado dos EUA por abuso de poder, e os americanos entraram em um ano eleitoral... [ler mais]
O Natal não é igual para todos ou a privatização do estado 12-2019
O “nosso-primeiro”, o Costa do PS, veio arengar às massas em véspera de Natal acerca da salvaguarda do Serviço Nacional de Saúde, apresentado esta questão como a questão nacional e prioritária do actual mandato do governo socialista. Não deixa de ser uma táctica habilidosa que chegou a criar algum desconforto e desnorte no seio dos partidos formalmente de direita e, de certo modo, tentar unir os diversos sectores da sociedade portuguesa no apoio ao governo quanto a uma matéria que é sensível à generalidade dos cidadãos. Mais uma habilidade made in Costa, que, entretanto, não consegue esconder os verdadeiros propósitos em relação à Saúde: a ministra Leitão parece ter recebido a missão de destruir a ADSE pela via da opção “mutualista”, uma modalidade que tão bons resultados deu nos últimos tempos no Montepio, em vez de contratar os 80 trabalhadores em falta a fim de começarem a tratar os 650 mil documentos de despesas já entregues e em situação de espera.
Enquanto o primeiro-ministro tentava endrominar o povo português, o monarca que passa por Presidente da República, e como chefe supremo das forças armadas, embora tenha fugido à tropa, visitava as tropas portuguesas estacionadas em Cabul, Afeganistão, numa pretensa “intervenção humanitária e “luta contra o terrorismo” e “defesa das liberdades”, nem que seja para os países ocidentais aí defenderem uma classe política vendida e corrupta e cujo objectivo verdadeiro é proteger o cultivo e o comércio do ópio, para além da geo-estratégia. A recente divulgação dos Afghanistan Papers , pelo insuspeito “Washington Post”, mostra bem a natureza da intervenção dos países da Nato: saqueio, mentira e corrupção. É a Nato (OTAN, na sigla portuguesa) que promove e incorpora o verdadeiro terrorismo... [ler mais]
O sexo dos índios: como a colonização transformou a diversidade em desvio (Haroldo Ceravolo Sereza) 12-2019
«O frade capuchino francês Yves d'Evreux (1577-1632) deixou, em um relato de uma viagem ao Brasil, registrada uma violenta cena do processo de colonização. D'Evreux conta que havia um “hermafrodita” na aldeia Juniparã, na ilha de São Luís. Exteriormente, ele “parecia mais mulher do que homem”. Pela descrição do religioso, o índio capturado pelos colonizadores tinha voz e cabelos femininos, “embora fosse casado e tivesse filhos”. Capturado, ele foi amarrado à boca de um canhão, que foi disparado, dividindo seu corpo em duas partes, uma delas tendo desaparecido para sempre. Para o frade, essa foi uma ocasião para que os nativos entendessem e admirassem o julgamento divino.
O relato, publicado no livro de d'Evreux Voyage dans le Nord du Brésil, fait durant les années 1613 et 1614 (Viagem ao Norte do Brasil, realizada durante os anos de 1613 e 1614), foi retomado na obra Gay Indians in Brazil: Untold Stories of the Colonization of Indigenous Sexualities (Springer, 2017), dos antropólogos Estevão Rafael Fernandes, professor da Universidade Federal de Rondônia, e de Barbara M. Arisi, da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila)... [ler mais]
A classe política Francesa e as violações da Constituição (Thierry Meyssan) 12-2019
«Desde o acidente cerebral do Presidente Jacques Chirac, em 2 de Setembro de 2005, a França não mais teve qualquer responsável político capaz de garantir a presidência da República. O final do seu segundo mandato deu lugar a uma luta encarniçada entre o Primeiro-ministro, Dominique de Villepin, e o Ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, sobre um fundo de estado de urgência e de falsas acusações que relegaram o interesse geral para segundo plano.
A eleição de Nicolas Sarkozy marca o advento da mentalidade «corporativa» e, portanto, o fim da política no sentido original da organização da pólis. O novo presidente declara querer gerir o país como uma empresa. Ele exibe a sua função como um «trabalho» e não mais como um serviço. Ele exibe a sua vida privada e o seu sucesso social. Ele já não busca encarnar a vontade popular, mas transformar o país segundo a sua vontade pessoal («Eu quero ...»). Por fim, de acordo com os seus antigos laços com a CIA, alinhou a França com os Estados Unidos indo ao ponto de colocar os exércitos sob o comando norte-americano no seio da OTAN... [ler mais]
Reformismo ou Revolução? (Para transformar o mundo é indispensável o Poder político nas mãos da classe operária) 12-2019
«Para começar, o velho sistema se desmorona, está em decadência. Isso é certo, Porém também é certo que novos esforços se fazem, por outros métodos, por todos os meios, para proteger, para salvar este sistema agonizante. O senhor tira conclusão errônea de premissa certa, O senhor estabelece, correctamente, que o velho mundo se afunda. Mas o senhor está enganado pensando que se afunda por si mesmo. Não. A substituição de um sistema social por outro é processo revolucionário complexo e de longo fôlego. Não é simplesmente um processo espontâneo, e sim uma luta, um processo relacionado com o choque entre as classes. O capitalismo está em decadência, porém não deve ser comparado simplesmente com uma árvore que haja apodrecido tanto que virá ao chão com seu próprio peso. Não, a revolução, a substituição de um sistema social por outro, foi sempre uma luta, luta cruel e dolorosa, luta de vida e de morte. E cada vez que os representantes do novo mundo chegam ao poder têm de se defender contra as tentativas do velho mundo de restaurar pela força a ordem antiga; os representantes do novo mundo têm sempre de estar alerta, de estar preparados para repelir os ataques do velho mundo contra o sistema novo.(...)
Os comunistas se baseiam na rica experiência histórica, a qual ensina que as classes caducas não abandonam voluntariamente o cenário histórico. Lembre-se da história da Inglaterra no século XVII. Não eram numerosos os que diziam que o velho sistema social estava apodrecido? Entretanto não foi necessário um Cromwell para esmagá-lo pela força?... [ler mais]
KKE: Encontro Comunista Europeu em Bruxelas 12-2019
"Os partidos comunistas e operários da Europa contra o anticomunismo, a falsificação da História por parte da UE e dos governos, para o reagrupamento do movimento operário, como condição prévia necessária, na luta pelo fim da barbárie capitalista, pelo socialismo".
Desde que se expressou pela primeira vez na história a avaliação de que “o fantasma do comunismo percorre a Europa”, 171 anos se passaram, como é sabido. Esse mesmo “fantasma” é que também assombra hoje a grande maioria do Parlamento Europeu e a própria União Europeia, que transformou o anticomunismo em sua política oficial.
Então, há 171 anos, “todas as forças da velha Europa” se uniram … “em uma santa cruzada para perseguir esse fantasma: o papa e o czar, Metternich e Guizot, os radicais franceses e os agentes alemães. ”Hoje, e especificamente em meados de setembro passado, no Parlamento Europeu, os grupos políticos do Partido Popular, dos Social Democratas e dos Liberais, dos Verdes e dos Conservadores e reformistas uniram forças e aprovaram com 535 votos a favor, 66 votos contra e 52 votos em branco, uma resolução anticomunista.
Hoje, há quase dois séculos, as principais forças políticas da “velha Europa uniram forças contra o “fantasma” da revolução social, da justiça social, da abolição da exploração do homem pelo homem, da nova sociedade socialista-comunista, que ainda os persegue. No passado, os autores do “Manifesto do Partido Comunista ”, Karl Marx e Friedrich Engels, enfatizaram que“ o comunismo já é reconhecido como uma força por todas as potências da Europa”. Hoje, o ataque anticomunista, através da vergonhosa resolução do Parlamento Europeu, revela que ideais revolucionários do comunismo continuam a inspirar trabalhadores e forças populares na Europa, apesar das gravíssimas consequências causadas ao movimento comunista da derrubada contrarrevolucionária na URSS, na Europa Central e Oriental, apesar do que foi escrito sobre o “fim de História” e das grandes dificuldades enfrentadas pelos partidos comunistas e operários em atividade na Europa... [ler mais]
Os comunistas e as revoltas populares na América Latina (PCB) 12-2019
«Os países da América Latina vêm de uma história recente que inclui períodos de ditaduras – como nos casos do Brasil, Chile, Uruguai, Argentina e Bolívia – , de intervenções políticas, econômicas e mesmo militares dos Estados Unidos, na defesa dos seus interesses na região. Em sua grande maioria, mesmo com estruturas econômicas e sociais e trajetórias políticas diferentes, os países latino-americanos mantêm uma relação de integração subalterna ao sistema financeiro internacional, ao mercado mundial, marcada por exportações de produtos agropecuários e pela presença predominante, em todos os países, de empresas multinacionais, tendo havido alguns períodos em que determinados governos tiveram posturas políticas e econômicas mais independentes ou autônomas, ainda que nos marcos do capitalismo.
Nos últimos anos, nações como Argentina, Chile e Colômbia tiveram governos de corte autoritário (e fascista, no caso da Colômbia), que impuseram políticas econômicas ultraliberais, com a privatização de empresas públicas, a redução dos gastos em áreas sociais, a retirada de direitos trabalhistas e sociais e outras ações. Em contrapartida, há em curso, atualmente, um processo de intensa mobilização popular e também de mudanças políticas contra os efeitos das políticas liberais ou ultraliberais e também contra as estruturas políticas... [ler mais]
Orçamento de Estado: O saque para 2020 12-2019
O OE representa e dá conta do saque executado pelo estado sobre os trabalhadores e o povo, que são os únicos que reproduzem riqueza, e estabelece como esse produto resultante da extorsão é distribuído pelas diversas cliques da burguesia, conhecidas por “interesses” ou “grupos de pressão” ou “clientelas”, indígena ou estrangeira, e o imposto pago ao IV Reich, também conhecido por UE/Alemanha. Será mais um orçamento que impedirá o desenvolvimento económico, mesmo do ponto de vista capitalista, porque um saldo orçamental positivo é mais do que salvaguardar o não crescimento da dívida pública, até porque a sua diminuição pode ser feita com défice das contas públicas.
Alguns contornos do OE não deixam de causar forte indignação e protesto. São os aumentos para os trabalhadores da Função Pública, 0,3% a partir do início do próximo ano e que serve de referência para os trabalhadores do sector privado, e para os reformados e pensionistas, 0,2% e 0,7%, consoante o montante da pensão, podendo ocorrer um aumento extraordinário de até 10 euros... para “combater a pobreza entre os idosos”. Ora, dois reparos se fazem de imediato: contradição com a intenção publicitada anteriormente pelo governo de querer aumentar os rendimentos dos trabalhadores do privado em 2,7% já em 2020, podendo esse aumento chegar aos 3,2% em 2023, ou seja, no fim da legislatura; o dinheiro que paga as pensões dos trabalhadores vem dos descontos que estes fizeram ao longo de uma vida de trabalho e de sacrifício e não dos impostos, o quer dizer, que o governo, este tal como todos os anteriores, se locupleta com os dinheiros que são dos trabalhadores e não do estado... [ler mais]
As veias da América Latina voltam a sangrar (Ángeles Maestro) 12-2019
«Dois processos opostos, mas com a mesma origem, estão sacudindo a turbulenta América Latina: o golpe de estado na Bolívia e a revolta em massa dos povos contra a versão mais selvagem do capitalismo. A origem é a mesma: o aprofundamento da crise geral que abala o centro do imperialismo e que intensifica sua natureza predatória, prescindindo, como sempre, da máscara da democracia com a qual se cobre em tempos de relativa bonança.
A vitória eleitoral de Hugo Chávez em 1998 marcou o início de um processo no qual chegam aos governos de importantes países latino-americanos forças políticas que desbancam os representantes da burguesia aliada do imperialismo e promovem, em graus variados, medidas destinadas a melhorar os padrões de vida das classes populares, com nacionalizações de empresas e recursos.
Há já algum tempo os porta-vozes da Casa Branca, depois de verificar suas dificuldades econômicas e militares em outras partes do mundo, anunciaram que voltavam a ficar de olho no seu pretenso quintal. Na apresentação do documento que resume a estratégia para o período 2017-2027 do Comando Sul (USSOUTHCOM, na sigla em inglês), intitulada «Theater Strategy», seu chefe desenvolveu a prioridade que, para os EUA, voltam a ter a América Latina e seus enormes recursos naturais... [ler mais]
França: união, ação, até a retirada total! (PRCF) 12-2019
«No que diz respeito à nossa organização política francamente comunista e 100% anti-Maastricht, ela já pede a todos que leem essas linhas que continuem, ampliem e endureçam esse movimento, o mais importante e massivo desde dezembro de 1995.
Primeiro de tudo, como várias confederações sindicais, incluindo infelizmente as que apelam ao movimento, o Primeiro Ministro peca por omissão, esquecendo-se de dizer que essa contrarreforma, que Macron nos vende com o objetivo de promover a “equidade”, resulta de fato de “uma” recomendação” recentemente endereçada por Bruxelas à França (e muito recentemente reiterada pelo novo comissário europeu Thierry Breton!), a fim de instituir um “regime único para economizar vários bilhões de dólares”.  O desafio da classe dominante é, como sempre, “reduzir os gastos públicos” na França (previdência social, pensões e serviços públicos) para atender aos critérios de Maastricht, preservar o euro (ou seja, a fixação insustentável ao forte marco alemão do franco e de outras moedas europeias) e favorecer a todo custo o “serviço da dívida”, que seria “devido” aos “mercados financeiros” de nosso país “soberano” …
Notemos então que, sem a pressão da nossa greve massiva imposta ao governo, não foi o lamentável e o falso “diálogo social” querido por Berger e Cia. que teria obtido as concessões, mesmo verbais, ambíguas e vagas que o Primeiro Ministro listou (bônus aos funcionários públicos no cálculo das aposentadorias, adiamento da reforma para determinadas faixas etárias, salvaguarda das aposentadorias de sobreviventes, levando em conta os filhos dos empregados, escalonamento da transição entre os atuais regimes de solidariedade e sistema de pontos... [ler mais]
Não à visita do secretário de Estado M. Pompeo (KKE) 12-2019
«O KKE conclama os trabalhadores, o povo e a juventude a que se levantem contra a visita do secretário de Estado dos EUA, M. Pompeo, e acima de tudo contra a conversão da Grécia numa vasta base dos EUA-NATO. Este é também o conteúdo do "Diálogo estratégico" com os EUA, iniciado pelo antigo governo SYRIZA na Fase I e reforçado pelo governo ND com a actual Fase II.
O KKE apela ao levantamento e à participação em massa nas mobilizações do movimento anti-guerra e anti-imperialista contra a visita do secretário de Estado estado-unidense, que decorrerá por todo o país. Apela ao apoio por acções multi-facéticas a fim de encerrar bases dos EUA-NATO na Grécia e desenredar nosso país dos perigosos planos e competições imperialistas.
O "Acordo de Cooperação para Defesa Mútua", o qual já foi preparado por trás das costas do povo, que se prepara para ser assinado durante a visita a Atenas do secretário de Estado dos EUA, mais uma vez compromete o nosso país e o nosso povo em grandes riscos.
Ele se prepara para "de uma vez por todas" transformar mais da metade da Grécia numa base assassina para os EUA-NATO e os seus planos, desde os Balcãs e o Mar Negro até o Mediterrâneo Oriental e Golfo Pérsico, e faz do nosso povo um alvo de enfurecidas competições imperialistas sobre a região para partilhar o saqueio da Energia, das suas rotas de transporte e as esferas de influência... [ler mais]
Cimeira NATO, reforça-se o partido da guerra (Manlio Dinucci) 12-2019
«Macron falou de "morte cerebral" da NATO, outros definem-na como “moribunda”. Será que estamos, portanto, diante de uma Aliança que, sem uma cabeça pensante, está a desmoronar-se devido a fracturas internas? As brigas na Cimeira de Londres parecem confirmar tal cenário. No entanto, é necessário olhar para o âmago, para os interesses reais em que se fundamentam as relações entre os aliados.
Enquanto, em Londres, Trump e Macron discutem sob o olhar das objectivas, no Níger, sem tanta publicidade, o US Army Africa (Exército dos EUA para a África) transporta nos seus aviões de carga, milhares de soldados franceses e os seus armamentos, para vários postos avançados na África Ocidental e Central, para a Operação Barkhane, em que Paris lança 4.500 soldados, sobretudo das forças especiais, com o apoio das forças especiais dos EUA, também em acções de combate. Ao mesmo tempo, os drones armados Reaper, fornecidos pelos EUA à França, operam a partir da Base Aérea 101, em Niamey (Níger). Da mesma base, levantam voo os Reaper da US Air Force Africa (Força Aérea dos EUA para África), que estão agora redistribuídos na nova base 201, de Agadez, no norte do país, continuando a operar em conjunto com os franceses.
O caso é emblemático. Os Estados Unidos, a França e outras potências europeias, cujos grupos multinacionais competem para conquistar mercados e matérias primas, convergem quando os seus interesses comuns estão em jogo. Por exemplo, aqueles que têm no Sahel, riquíssimo em matérias primas: petróleo, ouro, coltan, diamantes, urânio. Mas agora os seus interesses nesta região, onde as taxas de pobreza estão entre as mais elevadas, estão ameaçados pelos levantamentos populares e pela presença económica chinesa. Daí o Barkhane que, apresentado como uma operação antiterrorista, força os aliados numa guerra de longa duração com drones e forças especiais... [ler mais]
A “Cruzada das crianças” de Greta aponta à privatização da natureza (Nazanín Armanian) 12-2019
«Enquanto prossegue a grande movimentação (e encenação) “ambientalista” global cujo rosto mais visível é uma criança, importa observar que entidades e interesses a impulsionam, que objectivos procura atingir, e também a razão de procurar centrar-se na mobilização de adolescentes e crianças, a “Geração Z”. Duas coisas estão claras: não há um único problema global que não tenha no capitalismo um factor fundamental de agravamento, e não é nos termos do capitalismo que algum desses problemas terá solução.
Diz-se que, na Europa medieval, um garoto de 10 anos chamado Nicholas se apresentou como enviado de Deus, recrutando dezenas de milhares de crianças para conquistar a Palestina, a Terra Santa. Obviamente, nenhum lá chegou: morreram de fome, doença ou foram traficados pelos adultos. Os “jihadistas” também recrutam crianças, não apenas como sua carne para canhão ou para limpar campos minados antes que os adultos os cruzem, mas também para envergonhar homens que se recusam a ir matar outros... [ler mais]
PS: o clube dos Vasconcelos 12-2019
O António Costa do PS recebe em Portugal dois agentes do capitalismo internacional e chefes do imperialismo norte-americano, o fascista Mike Pompeo e o genocida Benjamin Netanyahu, fazendo lembrar a célebre (tristemente) Cimeira dos Açores onde o lacaio de libré Barroso recebeu reverentemente os chefes da altura do mundo capitalista ocidental na preparação da invasão e posterior destruição de um país soberano, o Iraque. É o lacaio que recebe o amo, acompanhado pelo ajudante, um ex-trotskista trauliteiro Santos Silva, não é o encontro de três chefes de estado em igualdade de circunstâncias e de poder, é o preito de vassalagem.
(...)
Costa faz questão de mostrar que é um lacaio de corpo, e tempo, inteiro, em vez de estar presente na capital do país, nas comemorações da Restauração da Independência, ausentou-se para receber no Reino de Espanha um prémio pela “defesa dos valores socialistas” (?!), e de seguida rumou para a capital do Reino para participar na Cimeira Mundial do Clima (COP25), acompanhado pelo ministro que é, provavelmente, um dos mais corruptos e lacaios que passaram pela governação portuguesa, o incontornável Matos Fernandes. E não se inibiu de dizer que  "o tempo é curto" porque "há uma ameaça contra a própria humanidade" e "vale a pena agir"; desplante não falta para quem se prepara para construir um aeroporto em pleno estuário do Tejo, autorizou as dragagens no rio Sado e concessionou a exploração do lítio, obras todas a ser realizadas por empresas estrangeiras, embora com alguns intermediários chico-espertos nacionais; ou seja, tudo o que totalmente contrário aos interesses do povo português e destruidor do meio ambiente... [ler mais]
Multilateralismo ou Direito Internacional? (Thierry Meyssan) 12-2019
«O argumento humanitário ou o recurso aos Direitos do Homem mascaram mal o profundo desprezo ocidental pela Humanidade e pelos Direitos do Homem. Lembremos que a Declaração Universal dos Direitos do Homem reconhecia uma hierarquia entre eles [3]. Ela proclama que os três principais direitos são «a vida, a liberdade e a segurança da pessoa» (art. 3). É por isso que coloca como primeira aplicação concreta a luta contra a escravidão (art. 4) e somente depois a luta contra a tortura (art. 5). Ora, os Ocidentais restabeleceram a escravatura na Líbia e apoiam Estados esclavagistas como a Arábia Saudita. Eles também têm o pior balanço em matéria de tortura, se nos lembrarmos das 80. 000 pessoas sequestradas e torturadas pela US Navy (Marinha dos EUA-ndT) em barcos estacionados em águas internacionais, no início deste século XXI [4].
A retórica humanitária, o «direito-homismo», faz lembrar a maneira como o Reino Unido atacou o Império Otomano, pretensamente para salvar os Gregos de sua opressão, na realidade para controlar o seu país: Londres convidou São Petersburgo e Paris a reconhecer a independência da Grécia, em 1827; depois, com base nesse reconhecimento, e em violação das regras do Congresso de Viena, montou uma guerra, tornada «legítima», contra Constantinopla para concretizar essa «independência» : manter sempre as aparências de respeito pelo Direito quando se está a violá-lo!... [ler mais]
Um mundo afogado em capital ( Maurilio Lima Botelho) 12-2019
«E não é apenas no setor estatal que há a tendência negativa: a consultoria Bianco Research calculou que, em apenas oito meses deste ano, ocorreu uma ampliação de títulos corporativos com rendimentos negativos de 20 bilhões para 1 trilhão de dólares em todo mundo. Um salto gigantesco e brusco.5 Nesse momento, tudo aquilo que já foi produzido em teoria econômica perdeu o sentido: ninguém sabe mais como explicar o paradoxo de uma situação mundial em que investidores procuram, cada vez mais, converter seu capital em títulos que serão revertidos em um preço final menor do que o adiantado. O único argumento, óbvio, é o de temor diante do futuro: “incerteza econômica global”, diz uma das principais porta-vozes do mercado financeiro.6
Mas essa é uma formulação banal, mais uma descrição da situação de enfermidade capitalista do que uma explicação para o quadro clínico do moribundo mercado mundial. Sem dúvida, o horizonte se tornou tão depreciado em termos de investimento que se tornou melhor apostar em títulos seguros de rendimento zero ou com pequena perda do que arriscar tudo em apostas sem futuro na indústria ou mercados de risco – a fuga de capitais verificada na bolsa de valores de São Paulo este ano mesmo diante do “choque de capitalismo” prometido por Guedes tem origem nisso.7 Mas se esse mecanismo de fuga de investimentos produtivos para a “superestrutura financeira” já é uma lógica bem conhecida, por que agora os próprios rendimentos financeiros estão se depreciando?... [ler mais]
Bolívia: contra os golpistas, resistência! 12-2019
«As organizações da esquerda bolivianas abaixo signatárias, em um esforço articulado e no exercício de nossos direitos políticos que pretendem violar – após 37 anos de abertura democrática arrancada pela luta popular e revolucionária às forças obscuras ditatoriais e fascistas – neste momento histórico de luto pelo país, nos pronunciamos:
1. Estamos diante de um golpe de Estado perpetrado em 10 de novembro, planejado e financiado tempos atrás. Estamos diante de um governo de fato de direita e de extrema direita com métodos fascistoides que ficaram a descoberto nacional e internacionalmente, apesar de seu discurso de “defesa da democracia e do voto”. A Bolívia sofreu um golpe cívico-policial-militar. 34 pessoas perderam a vida por balas, há centenas de feridos e mais de mil detidos, produto da brutal repressão da Polícia e das Forças Armadas, que dispararam contra o povo mobilizado. Qualquer que seja o nome dado, seja “transição” ou outro, é DE FATO, o produto de um golpe de Estado e assim nós o identificamos e assinalamos... [ler mais]
SEPARAÇÃO DO CORPO (Manuel António Pina) 12-2019
O corpo tem abóbodas onde soam os
sentidos se tocados de leve ecoando longamente
como memórias de outra vida.
O passado não está ainda pronto para nós,
nem o futuro; é certo que
temos um corpo, mas é um corpo inerte,
feito mais de coisas como esperança e desejo
do que de carne, sangue, nervos,
e desabitado de línguas e de astros
e de noites escuras, e nenhuma beleza o tortura
mas a morte, a dor e a certeza de que
não está aqui nem tem para onde ir.

Lemos de mais e escrevemos de mais,
e afastámo-nos de mais - pois o preço
era muito alto para o que podíamos pagar -
do silêncio das línguas. Ficaram estreitas
passagens entre frio e calor
e entre certo e errado
por onde entramos como num quarto de pensão
com um nome suposto. E, quanto a
tragédia, e mesmo quanto a drama moral,
foi o mais que conseguimos. ... [ler mais]
Colômbia: por uma saída popular para a crise (PCC) 12-2019
«O movimento de protesto, convocado como greve nacional em 21 de novembro tornou-se uma grande expressão de descontentamento, indignação e rejeição ao governo de Ivan Duke, a sua política social e ao tratamento de guerra às reivindicações dos cidadãos. É uma mobilização social legítima, que mostra um novo espírito de repúdio ao medo e se abre a novos ambientes de luta. Dezenas de milhares de jovens, assalariados, desempregados, estudantes, mulheres e LGBTs organizadas, de origens sociais muito diversas, decidiram dar continuidade à luta através dos “cacerolazos”, marchas, plantões, bloqueios e comícios relâmpagos.
Prisões, estigmatização, toque de recolher e ameaças não impediram o protesto. Milhões de compatriotas concordam em responsabilizar esse governo, o presidente e seu padrinho político, o senador Álvaro Uribe, por transformar o país em uma variante de “segurança democrática”, que experimenta métodos fascistas de pânico e agressão contra a população; insistir em ignorar o Acordo Final de Paz e tentar impor, por meio da força, medidas de privação econômica a jovens trabalhadores, novas privatizações, privilégios exclusivos a seletos círculos do capital e aberta tolerância à corrupção... [ler mais]
Tempos Modernos (Guilherme Antunes) 11-2019
«Lançado em Fevereiro de 1936 na cidade de Nova Iorque, o filme “Tempos Modernos”, do célebre director e actor britânico Charlie Chaplin, causou imediata repulsa do governo estadunidense à época, ao mesmo tempo em que provocava admiração por ter descortinado, com muito humor e refinada ironia, as contradições do modo de produção capitalista, assim como o conjunto de relações determinadas no contexto da grande crise económica de 1929.
Considerado por muitos críticos de cinema como um dos melhores filmes do século XX, “Tempos Modernos” marcou o fim da saga do personagem Carlitos e foi a última longa-metragem muda do cinema, apesar de, em algumas cenas, Chaplin ter inserido sonoridade, como na parte final, em que ele canta em francês, espanhol e italiano. “Tempos Modernos” foi o 1º filme na era da grande indústria cinematográfica a desenvolver uma contundente crítica aos efeitos imediatos do processo de industrialização desencadeado após a chamada 2ª Revolução Industrial, ao mesmo tempo em que pautava, através do humor, as contradições do modelo fordista de produção, então exaltado como padrão de desenvolvimento produtivo e base para a sustentação do modo de vida consumista burguês, o denominado “american way of life”... [ler mais]
As elites preparam a sobre-exploração do povo trabalhador e... 11-2019
O governo do sr. Costa anunciou o aumento do salário mínimo nacional (SMN) para 635 euros a partir de 01 de Janeiro de 2020, e declarou ser sua intenção mexer no salário médio nacional, não explicou exactamente quais as contrapartidas dadas aos patrões para “melhorar a produtividade das empresas”, mas tudo indica que, entre outras coisas, sejam incentivos a redução de custos, melhoria das infra-estruturas, apoio à internacionalização, ajudas à dita “transição justa” das empresas para “os desafios do digital e das alterações climáticas”, daí a relutância patronal ser mais fingida que real, porque sabem que irão receber o porco a troco de fraco chouriço.
Ao mesmo tempo que se atira o milho aos porcos, o governo PS vai preparando a opinião pública de que haverá a necessidade de alguma prudência nas medidas a favor do povo já que se prevê uma nova crise a partir do próximo ano; pela cautela, vai-se dando largas a manifestações policiais, abertamente dirigidas pela extrema-direita que não se coíbe de mostrar ao que vem. Os sinais de “O.K.” feitos com as mãos pelos elementos do Movimento Zero, o símbolo da extrema-direita norte-americana “White Power” e já adoptado pelos neo-nazis europeus, falam por si. O governo não hesitará em satisfazer as reivindicações policiais para ter na mão a tropa de choque, que irá ser usada mais tarde, por um qualquer governo de direita pura e dura ou pelo próprio, a fim de colocar na ordem os trabalhadores que ousarem revoltar-se contra as medidas de mais austeridade agora justificadas por “outra” crise do capitalismo. O PS acena com a cenoura e simultaneamente prepara o cacete... [ler mais]
Autocrítica ou anticomunismo? (Jones Manoel) 11-2019
«Marx ironiza as visões românticas sobre o surgimento do capitalismo a partir do esforço individual de uma parte mais laboriosa e disciplinada da população, e diz que: “na história real, como se sabe, o papel principal é desempenhado pela conquista, a subjugação, o assassínio para roubar, em suma, a violência” (MARX, 2015, p. 786). O que Marx combate é uma autoimagem do liberalismo, produzida por seus próprios ideólogos e vencedora ao final do século XX, que coloca a história do liberalismo como um caminho inexorável em defesa das “liberdades individuais” e da democracia contra seus inimigos – especialmente o movimento operário.
Na história real o liberalismo nasce compreendendo que os direitos naturais não se estendiam aos escravos, povos coloniais, mulheres e trabalhadores, como bem demonstra Losurdo (2006, p. 13-42; 2017, p. 179-211). Ao contrário da visão muito difundida, o liberalismo nasce organicamente conectado com a escravidão. Não só grandes pensadores liberais, como John Locke e Adam Smith, eram abertamente a favor do lucrativo negócio da escravidão colonial – sendo Locke acionista numa empresa de tráfico de escravos; como também a Revolução Gloriosa na Inglaterra e a Revolução Americana deram grande impulso ao negócio da escravidão[2].
O direito de voto também era negado aos trabalhadores. Immanuel Kant, Bernard Mandeville, Barão de Montesquieu, Alexis de Tocqueville e muitos outros justificavam, a partir de diversos argumentos, a restrição ao direito de voto para os operários. Um dos argumentos mais comuns era de que os operários são “instrumentos de trabalho falantes”, “máquinas bípedes”. Em suma, seres despidos da razão e das luzes e incapazes de participar do poder. Muitos pensadores liberais, como o Barão de Montesquieu, ainda sublinhavam que a participação do povo nos negócios políticos tinha potencial de criar o caos na República e ameaçar a propriedade privada... [ler mais]
Os limites do progressismo pós-moderno (Atilio Boron) 11-2019
«Por que desta vez os Estados Unidos não colocaram um ditador militar clássico na cabeça do golpe boliviano, como Barrientos, Banzer, García Meza ou Videla, Pinochet, Stroessner? Porque o complexo industrial militar dos EUA (Eisenhower dixit) e a Casa Branca decidiram converter as Forças Armadas da América Latina em uma polícia antinarcóticos interna muito mais dócil e administrável (sem abandonar as doutrinas contrainsurgentes), que já não se ocupe mais de exercer seu controle, mesmo despótico, sobre o mercado interno e o Estado nação. As velhas Forças Armadas doutrinadas e treinadas no Panamá, na Escola das Américas e em West Point poderiam desencadear, sem deixar de ser fascistas, genocidas nem dependentes, uma inesperada guerra das Malvinas ou produzir um Noriega que sairia do controle. Hoje as ditaduras que os Estados Unidos dirigem são civis, policiais e militares! É por isso surgem à frente que as marionetes e caricaturas de um tal Juan Guaidó ou Jeanine Añez. “Democratas” que se proclamam presidentes sem terem sido eleitos por ninguém. Sem poder real, exceto para abrir as portas à subordinação imperial e à entrega de recursos naturais. Simples fotocópias borradas de um Porto Rico oficial (não o independentista), com sonhos de se tornar filiais sulamericanas de Miami.
No caso específico da Bolívia, a esse condimento de fascismo dependente, mafioso e lumpen, acrescenta-se o racismo extremo, de origem colonial furiosamente anti-indígena, apenas comparável à ideologia neonazista em favor da “supremacia branca” dos bôeres e Afrikaners da África do Sul durante o Apartheid. Não por acaso, a Bolívia recebeu criminosos de guerra croatas em Santa Cruz de la Sierra após a Segunda Guerra Mundial, muitos deles ativos na política doméstica até hoje, assim como Klaus Barbie, outro criminoso nazista da SS que, ao chegar à Bolívia, dirigia os serviços de inteligência nativos, sendo recrutado ao mesmo tempo pela Estação da CIA. Esse racismo extremista ficou nu quando os conspiradores contra Evo Morales queimaram publicamente o Whipala, símbolo da bandeira dos povos originários e caráter plurinacional do Estado boliviano... [ler mais]
FMI (José Mário Branco) 11-2019
Cachucho não é coisa que me traga a mim
Mais novidade do que lagostim
Nariz que reconhece o cheiro do pilim
Distingue bem o Mortimore do Meirim
A produtividade, ora aí está, quer dizer
Há tanto nesta terra que ainda está por fazer
Entrar por aí a dentro, analisar, e então
Do meu 'attache case' sai a solução!

Fmi não há graça que não faça o Fmi
Fmi o bombástico de plástico para si
Fmi não há força que retorça o Fmi

Discreto e ordenado mas nem por isso fraco
Eis a imagem 'on the rocks' do cancro do tabaco
Enfio uma gravata em cada fato-macaco
E meto o pessoal todo no mesmo saco
A produtividade, ora aí está, quer dizer
Não ando aqui a brincar, não há tempo a perder!
Batendo o pé na casa e o espanador na mão
É só desinfectar em superprodução!

Fmi não há truque que não lucre ao Fmi
Fmi o heróico paranóico 'hara-quiri'
Fmi panegírico, pro-lírico daqui

Palavras, palavras, palavras e não só
Palavras para si e palavras para dó
A contas com o nada que swingar o sol-e-dó
Depois a criadagem lava o pé e limpa o pó
A produtividade, ora nem mais, célulazinhas cinzentas
Sempre atentas
E levas pela tromba se não te pões a pau
Num encontrão imediato do 3º grau!

Fmi não há lenha que detenha o Fmi
Fmi não há ronha que envergonhe o Fmi ... [ler mais]
PCPE: posição sobre o novo governo espanhol 11-2019
«A classe dominante na Espanha tem um novo governo. Tudo indica que, mais uma vez, a social-democracia se oferece como administradora da crise capitalista e tudo indica que ela pode alcançar a maioria parlamentar que o permita. Apesar da desconfiança que a UP – Unidade Popular – poderia gerar para os setores mais rançosos e franquistas da oligarquia e do nacionalismo periférico, a opção de gerenciamento de crises liderada por partidos de raiz operária e popular foi imposta. Na esperança de diminuir a reação que, sem dúvida, irá gerar sucessiva aplicação de cortes nos direitos trabalhistas e sociais impostos pela nova fase da crise que já bate à porta, o novo governo traz a confiança de que é uma opção menos reacionária e chauvinista que aquela representado pelo PP, Vox e Cidadãos e que pode abrir algumas alternativas para permitir reduzir o grau de confrontação territorial, especialmente na Catalunha.
PSOE, Podemos, Esquerda Unida – IU – e o Partido Comunista Espanhol – PCE – voltam a desempenhar seu papel de responsabilidade institucional com o Estado burguês e sobretudo os membros da UP recorrem à busca de legitimação no reconhecimento institucional. Longe estão dos céus a que seriam levados por assalto, agora é hora de gerenciar o que está aí.
O velho dilema Reforma ou Revolução que a antiga socialdemocracia que o PSOE representa hoje, na Espanha, foi resolvido há muitos anos. Agora, a nova socialdemocracia do Podemos e seus aliados IU e PCE resolvem o dilema adicionando-se definitiva e entusiasticamente ao carro da administração governamental com o Partido das contrarreformas trabalhistas, da Lei Corcuera, da OTAN, do GAL, do Tratado de Maastricht, Filesa, dos EREs, da contrarreforma das pensões, do desmantelamento industrial e do aumento dos gastos militares... [ler mais]
PC do México condena o golpe na Bolívia 11-2019
«O Partido Comunista do México condena o golpe de estado produzido na Bolívia, sob a liderança de forças reacionárias, policiais e militares, aproveitando os limites, concessões e contradições do governo boliviano, isto é, do progressismo.
Observamos que o fator externo, principalmente da OEA como instrumento de políticas imperialistas, foi fundamental para as forças reacionárias internas. A OEA é um instrumento do imperialismo contra todos os povos da América. É necessário pôr um fim à sua existência como uma instância supranacional que mina a soberania popular e a autodeterminação dos povos e nações. O PCM lutará pela saída do México da OEA, denunciando seu caráter de classe.
Condenamos a perseguição desencadeada contra organizações indígenas e populares, contra sindicatos e a classe trabalhadora. Expressamos nossa solidariedade ao Partido e à Juventude Comunista da Bolívia. Expressamos nossa solidariedade com a resistência popular apresentada nas cidades e campos da Bolívia, reiterando que a história é escrita pelos trabalhadores, pelos povos.
Acreditamos que, à luz dos últimos eventos continentais, ratifica-se que a chamada ordem constitucional – à qual várias forças políticas e especialmente as alinhadas ao progressismo e à social-democracia prestam culto fetichista sincero – não é senão uma variedade de opções legais e extralegais para resolver disputas entre vários grupos de poder da burguesia e os gerentes de turno da ditadura da classe dominante. Esta denominada ordem constitucional burguesa é complementada com as alternativas dos golpes de estado.
A social-democracia na América Latina, também definida como progressismo, aceitou as leis do jogo burguês e transformou seus esforços de exploração e pilhagem em ilusões de melhoria para a classe trabalhadora e os setores populares... [ler mais]
A verdadeira face desta democracia de opereta ou os hipócritas cá do sítio 11-2019
Este caso de jovem mãe que já foi condenada por uns e absolvida por outros, por razões diversas mais igualmente hipócritas, revela à saciedade que este regime de democracia de opereta é uma fraude por permitir que após 45 anos da dita “revolução dos cravos” possa acontecer, com a agravante, desenrolando-se debaixo dos olhos de toda a gente. A fotografia que mostra o local onde terá acontecido o “crime” é também significativa, um conjunto de tendas de campismo, fornecidas eventualmente por alguma organização ligada à igreja católica, e situado em torno de um quiosque abandonado, onde se venderia jornais, revistas e livros: a miséria está na rua ao pé do abandono da cultura. Os pobres e o saber são objectos da mesma atitude de desprezo pelas elites e pelo regime. A criança, ao que parece, vai ser entregue à Misericórdia, que irá receber cerca de 900 euros por mês - uma caridade que também é negócio!
No país que tem cerca de 10 mil pessoas a viver na rua, em situação de completo abandono, e desses 2500 estão na capital, que é apresentada com uma das principais atracões turísticas da Europa, não admira que a urgência pediátrica de um dos mais importantes hospitais da grande Lisboa fique encerrada todas as noites ou onde se tenha demolido um dos mais modernos quartéis de bombeiros, que terá custado 12 milhões de euros, para que um hospital privado, de propriedade chinesa, pudesse alargar as suas instalações, ou meter mais 700 milhões de euros num banco resultante de uma mega-fraude, cujos responsáveis abertamente criminosos se encontram em liberdade, e entregue a fundo especulativo americano, pouco ou nada nos poderá surpreender. Primeiro estão os negócios e os lucros de capitalistas e grupos económicos estrangeiros e, na maior parte das vezes, as comissões dos políticos que permitem tais crimes; estes sim são crimes cometidos contra o povo português. Temos um PS e um primeiro-ministro que se dizem “socialistas” mas que governam sempre a favor da burguesia e do capital – uns pulhas!... [ler mais]
Golpe de Estado en Bolivia para profundizar el saqueo capitalista (Cecilia Zamudio) 11-2019
Se consumó el Golpe de Estado contra el gobierno de Evo Morales en Bolivia. Ahora se viene lo más terrorífico contra el pueblo boliviano, particularmente contra la clase trabajadora, contra las organizaciones campesinas e indígenas de base, contra el pensamiento crítico, contra toda persona que se oponga al saqueo capitalista, a la depredación de la naturaleza, a la explotación. Se viene el fundamentalismo católico declarado y el racismo abyecto, la misoginia más brutal y la nostalgia del tiempo de las cruzadas (lo vienen anunciando las acciones y proclamas de los golpistas); se viene la intensificación del saqueo del Litio, del gas, de la plata, del oro, del estaño, del hierro, de los manantiales y demás riquezas naturales, se viene mayor explotación contra las y los trabajadores, hambre y exterminio contra el pueblo, montañas y ríos capitalizados por un puñado de multinacionales y latifundistas.
(...)
La burguesía local y transnacional quería quitarse a Evo de en medio para profundizar los niveles de saqueo capitalista: no toleraba ya a un gobierno que no estuviera dispuesto a serle funcional al 100%. Evo no colectivizó los medios de producción, es decir la economía boliviana no fue socialista, sino que siguió siendo capitalista. De haber hecho cambios estructurales, de haber colectivizado los medios de producción, se hubiera fortalecido Bolivia frente a las pretensiones imperialistas; y la burguesía boliviana, profundamente explotadora y hostil a todo lo que no sea gobernar Bolivia como si las y los trabajadores fueran su servidumbre semi esclavizada, no se hubiera quedado enroscada en el poder económico, mediático e incluso institucional. Es el debate de fondo que este tipo de tragedias ponen de manifiesto: los límites del Reformismo y la necesidad de cambios estructurales, revolucionarios. Es el debate que Rosa Luxemburgo ya planteaba en «Reforma o Revolución» y que la Historia, una y otra vez, se encarga de poner de manifiesto. El Reformismo es tolerado por la burguesía un tiempo, incluso le puede llegar a ser funcional en ciertas circunstancias, en tanto que le «quita presión a a olla» de las tensiones sociales inherentes a las injustas relaciones de producción del Capitalismo. En el caso de Bolivia, es innegable que el gobierno de Evo aportó grandes avances, pero también era totalmente vulnerable a la voluntad de la burguesía al no haberse producido la profundización revolucionaria... [ler mais]
Assim mataram Paulinho Guajajara (Thiago Domenici e Vasconcelo Quadros) 11-2019
«“A luta continua, não vamos parar. Mesmo que ele [Paulo Paulino] tenha morrido, mesmo que outros morram, enquanto tiver indígenas, enquanto tiver guerreiros, a luta vai continuar”, disse Laércio Guajajara ao cineasta Taciano Brito e à liderança indígena, Fabiana Guajajara. Ambos estiveram com ele entre sexta e sábado, após o indígena receber alta do hospital na cidade de Imperatriz do Maranhão.
À Pública eles contaram que Laércio, ferido, correu 10 quilômetros para escapar da emboscada que, na última sexta-feira à tarde, matou o indígena Paulo Paulino Guajajara, 26 anos, conhecido como “Lobo mau”. Os dois indígenas foram emboscados por cinco madeireiros dentro do território indígena Araribóia, no Maranhão.
Eles haviam partido da aldeia Lagoa Comprida, norte da TI, na região de Bom Jesus das Selvas, a 100 km do município de Amarante, para caçar. Naquele dia, eles não estavam fazendo o trabalho de guardiões da floresta, um grupo formado por mais de uma centena de indígenas que monitora o território Araribóia, onde vivem também os povos Awa-Guajá, para combater a retirada ilegal de madeira e focos de incêndio... [ler mais]
A violência política sexual: no Chile, mulheres como butim de guerra 11-2019
«Após semanas de mobilizações em todo o Chile, foram denunciados centenas de casos de violações de direitos humanos por parte do Estado chileno e das forças militares e policiais do país. Entre esses tipos de violações, há a violência política sexual praticada contra mulheres e dissidências sexuais, com crimes como estupros e abuso sexual, humilhação, desnudamentos forçados, apalpos e ameaças de estupros.
“Minha colega jornalista e eu nos obrigaram a ficar nuas e agachadas”, diz Estefani Carrasco, jornalista de La Estrella em Arica, logo após ser presa por Carabineros do Chile. Este é um dos testemunhos de mulheres que denunciaram publicamente a violência sexual realizada por agentes do Estado. Até agora, 18 são as queixas de violência sexual registradas pelo Instituto de Direitos Humanos (NHRI) no contexto das manifestações sociais e da repressão promovida pelas forças militares e de segurança no Chile nos últimos dias.
Testemunhos como os de Estefani denunciam a violência política sexual exercida nos corpos das mulheres e dissidentes sexuais nas últimas semanas. Compreende-se a violência política sexual como uma violação da integridade corporal e sexual, variando de abuso sexual e estupro a toque, desnudamento em detenção, humilhação com base no sexo e / ou orientação sexual da pessoa, ameaças de estupro, entre outras formas de violência praticadas por agentes do Estado... [ler mais]
Carta de Paris: 50 anos da execução de Marighella e a farsa da ''traição'' dos dominicanos (Leneide Duarte-Plon) 11-2019
«Na noite de 4 de novembro de 1969, o sinistro delegado Sérgio Fleury executou o líder revolucionário Carlos Marighella, fundador da Ação Libertadora Nacional (ALN) na Alameda Casa Branca, em São Paulo. Marighella estava desarmado e foi metralhado ao se aproximar de um fusca, onde o delegado colocara dois dominicanos, Ivo e Fernando, que haviam confirmado o encontro.
Marighella foi vítima de uma armadilha montada por Fleury, depois de ter sequestrado no Rio e torturado barbaramente aqueles frades, próximos do revolucionário. Na madrugada do dia 4, a «operação batina branca», dirigida por Fleury, invadira o convento das Perdizes e prendera outros frades, entre eles, Tito de Alencar Lima.
Logo depois da execução de Marighella, cujo corpo foi colocado dentro do carro depois de morto para compor a narrativa das fotos que a imprensa receberia, os órgãos de segurança da ditadura começaram uma sórdida campanha, bombardeando a mídia com «fake news», atribuindo aos dominicanos uma suposta « traição ». Eles teriam traído o antigo aliado, dando informações que permitiram a morte de Marighella.
O que hoje chamamos de «fake news» sempre existiu.
Os regimes totalitários desde sempre utilizaram a mentira para justificar invasões de territórios, prisões de dissidentes políticos ou mesmo para convencer a população que uma reforma traz benefícios quando, na verdade, representa perda de direitos. No Brasil de hoje, a mentira (fake news) é o combustível de toda ação governamental... [ler mais]
Bolivia: Un Cristo contra el indio (Juan Carlos Zambrana Marchetti) 11-2019
«En 1961, Estados Unidos desplegaba una poderosa campaña anticomunista en la región, que incluía propaganda, represión y la utilización de la fe cristiana. A pesar de que, en Santa Cruz, el comunismo era políticamente inexistente, esa campaña sirvió para reprimir al campesino que luchaba por integrarse a una sociedad de blancos que lo rechazaba. Eso desató una larga confrontación entre las milicias civiles del Movimiento Nacionalista Revolucionario (MNR), defensoras de la revolución de 1952, y las de la extrema derecha (Unión Juvenil Cruceñista), que al carecer de poder político se había reinventado como “cívica”.
El centro de la capital cruceña era el reducto inexpugnable de la élite que había estigmatizado como “elemento menos deseable de la sociedad” a la clase plebeya que vivía fuera del segundo anillo, marginada, pero luchando por ingresar. En medio de esa batalla, llegó a Santa Cruz una celebridad de nivel internacional, el cardenal Richard James Cushing, estadounidense, arzobispo de Boston, muy bien conectado con la clase alta bostoniana, amigo tan cercano de la familia Kennedy, que había celebrado el matrimonio de John y le había tomado el juramento presidencial.
El Cardenal era un conocido anticomunista, que llegó para celebrar un congreso eucarístico a partir del 9 de agosto de 1961, e inaugurar el monumento al Cristo Redentor, ubicado en plena vía pública, justo en la intersección del segundo anillo de circunvalación y la carretera al norte, donde estaban las colonias de campesinos “collas” que habían sido relocalizados del altiplano como mano de obra para la industria agropecuaria... [ler mais]
Um Governo gordo para o emagrecimento do povo português 10-2019
Assembleia da República está no segundo dia do debate do programa do governo PS/Costa, um debate que o governo quer que seja “digno” e numa casa, que dizem ser da “democracia”, que não uma “tabacaria”. O Costa não gostou do tom nem dos assuntos levantados pelo chefe da outra parte do bloco central de interesses, fugiu-lhe, outra vez, o tique para o autoritarismo quando se sente acossado, não escondendo que o seu programa não passa do mais do mesmo. Se um dos opositores foi mais agressivo, a chefe de outro partido da oposição não teve rebuço em manifestar a sua inteira receptividade para o acasalamento geringonço e o líder de uma das outras muletas apoiantes do anterior governo fez questão em manifestar-se manso nas críticas ao programa governamental.
As prioridades apresentadas pelo PS no governo são ao mesmo tempo vagas, ao contrário da linguagem em que são redigidas, e demagógicas porque o governo e o PS sabem bem que não são para ser cumpridas no sentido literal das ditas, a sua política será a de satisfazer os interesses da burguesia nacional rentista e obedecer aos ditames de Bruxelas, como ficou bem patente na aceitação das críticas feitas ao putativo “esboço” (será mais do que isso) da proposta de Orçamento de Estado para 2020, que terá apresentado riscos de “desvio significativo” face às regras europeias, tanto no défice estrutural como na despesa; Bruxelas exigiu de imediato que fossem feitos acertos de 1,4 mil milhões através de novas medidas austeritárias. As prioridades de reduzir as desigualdades sócio-económicas entre os portugueses, inverter a tendência demográfica, combater as alterações climáticas e a corrupção, são boas intenções que ficam exactamente por aí.
A distribuição do rendimento pouco ou nada tem a ver com o crescimento económico. Se há diferenças de riqueza entre os portugueses ou entre as diversas classes sociais em Portugal, isso deve-se ao sistema de produção e de distribuição dos rendimentos, nada tem a ver com o crescimento do PIB. E quando se fala de “crescimento económico”, está-se a fazer referência é ao aumento dos lucros das empresas, ou seja, à concentração do capital nas mãos de um pequeno punhado de capitalistas – nada mais... [ler mais]
Jorge de Sena (1919-1978) 10-2019

NO PAÍS DOS SACANAS

Que adianta dizer-se que é um país de sacanas?
Todos os são, mesmo os melhores, às suas horas,
e todos estão contentes de se saberem sacanas.
Não há mesmo melhor do que uma sacanice
para poder funcionar fraternalmente
a humidade de próstata ou das glandulas lacrimais,
para além das rivalidades, invejas e mesquinharias
em que tanto se dividem e afinal se irmanam.

Dizer-se que é de heróis e santos o país,
a ver se se convencem e puxam para cima as calças?
Para quê, se toda a gente sabe que só asnos,
ingénuos e sacaneados é que foram disso?

Não, o melhor seria aguentar, fazendo que se ignora.
Mas claro que logo todos pensam que isto é o cúmulo da sacanice,
porque no país dos sacanas, ninguém pode entender
que a nobreza, a dignidade, a independência, a
justiça, a bondade, etc., etc., sejam
outra coisa que não patifaria de sacanas refinados
a um ponto que os mais não são capazes de atingir.
No país dos sacanas, ser sacana e meio?
Não, que toda a gente já é e pelo menos dois.
Como ser-se então nesse país? Não ser-se?
Ser ou não ser, eis a questão, dir-se-ia.
Mas isso foi no teatro, e o gajo morreu na mesma... [ler mais]
Apoyar la lucha del pueblo catalan, un deber de las y los comunistas (Sugarra) 10-2019
«No dudamos en apoyar pueblo de Catalunya y por ello, llamamos a participar en todas las movilizaciones que con ese motivo se convoque en Euskal Herria.
La sentencia del Tribunal Supremo por la que condena a un total de 100 años de cárcel a los dirigentes nacionalistas catalanes y que se hizo público el pasado 14 de octubre, ha puesto en evidencia, por si hubiera alguna duda, la verdadera catadura de la “democracia” burguesa española.
Afortunadamente, como cabía esperar, la respuesta del pueblo catalán ha sido inmediata. La amplísima movilización de rechazo, se inició nada más haber tenido conocimiento de la sentencia. También en Euskal Herria se ha dejado sentir la repulsa a esta agresión injustificable contra un derecho básico de todos los pueblos y naciones, como es el DERECHO DE AUTODETERMINACIÓN. 
Independientemente de cuál sea, en estos momentos, el carácter de clase (burgués o pequeño burgués) de la dirección del movimiento popular, a pesar de que la clase obrera catalana no se encuentre todavía en condiciones de encabezar la lucha por la liberación nacional; los y las comunistas no podemos encontrar en ello un pretexto para inhibirnos y no apoyar la lucha por la autodeterminación de Catalunya... [ler mais]
Declaração final do XXI EIPCO 10-2019
«O 21º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários aconteceu novamente na Turquia, após quatro anos, desta vez em Izmir, sob a responsabilidade mútua do KKE e do TKP. Os 137 participantes, representando 74 partidos de 58 países, expressam sua gratidão comum a ambos os partidos por assumirem essa responsabilidade.
Este ano é o centésimo aniversário da fundação do Komintern. Testemunhamos inúmeras situações que nos provam repetidas vezes a importância da solidariedade e das lutas conjuntas dos partidos comunistas, assim como a união dos esforços revolucionários para a superação do capitalismo como um sistema mundial destrutivo e sem futuro.
Milhões de pessoas em todo o mundo veem seus direitos atacados e estão passando por um agravamento dos problemas – pobreza, desemprego, refugiados e migração; todos os quais são resultados de um sistema social historicamente ultrapassado. A intensificação das contradições de classe e as rivalidades interimperialistas são resultantes do desenvolvimento baseado nos critérios de garantia de lucro para os monopólios e exploração.
A contradição trabalho x capital está se aprofundando, juntamente com o caráter opressivo e agressivo explorador do capitalismo, e são as classes trabalhadoras que arcam com o fardo, como sempre... [ler mais]
O Programa Do Governo Para A Educação (Paulo Guinote) 10-2019
«Reestruturação da carreira docente com o objectivo de reduzir escalões acessíveis à generalidade dos docentes e reservando o topo (provavelmente restrito aos órgãos de chefia como o Arlindo publicou, de forma prematura, há uns meses) para uma minoria ainda mais escassa do que a prevista nos tempos dos titulares com justificações falaciosas como a seguinte, em que “estáveis” tem o significado de “estagnadas” anos a fio no mesmo escalão e “de desenvolvimento previsível” significa apenas que a progressão salarial será mais demorada e menor, com mecanismos de estrangulamento a manterem-se ou a agravar-se, pois “imprevisível” é estar agora anos à espera que desbloqueiem vagas para que quem cumpriu tudo possa progredir. Quem “instabilizou” a carreira foram os governantes do sector com as suas medidas. E reparem que o modelo de progressão nas “carreiras especiais” é apresentado como inibidor de se premiar a subserviência, desculpem, a excelência. 200 milhões de euros por ano é muito dinheiro? A sério?... [ler mais]
TKP: Seguimos o caminho de Lenine 10-2019
«O 21º Encontro de Partidos Comunistas e Operários é convocado no centenário da fundação da Internacional Comunista, uma organização cuja importância histórica para o movimento comunista é incontestável.
A Internacional Comunista foi fundada em uma época em que os bolcheviques pensavam que o processo iniciado com a Revolução de Outubro de 1917 continuaria em outros países e que a classe trabalhadora chegaria ao poder em pelo menos parte da Europa. Nesse sentido, a Internacional Comunista não era uma organização de solidariedade ou recomendações. A Internacional Comunista foi fundada para estabelecer a vontade comum, um centro revolucionário que o proletariado precisava para dar o golpe mortal ao capitalismo. Nesse sentido, não há erro em chamar a Terceira Internacional de Partido Mundial.
Camaradas, o poder que a Internacional Comunista alcançou em pouco tempo pode nos confundir. No entanto, embora tenhamos começado em março de 1919, não esqueçamos que a Internacional Comunista foi fundada com recursos extremamente escassos, que as delegações que vieram de diferentes países ao Congresso fundador não tinham muito poder de representação e que a maioria dos partidos membros não tinham muito peso em seus próprios países. Se deixarmos de lado os bolcheviques, que tomaram o poder na Rússia apenas um ano e meio antes, a Internacional Comunista foi fundada por partidos ou grupos com pouca efetividade... [ler mais]
XXI EIPCO: O lema do "Manifesto Comunista" ainda é oportuno: “proletários de todos os países, uni-vos!” (Discurso do Secretário Geral do KKE) 10-2019
«A análise leninista do imperialismo, a teoria do desenvolvimento desigual e do fraco “elo” em um país ou grupo de países e as tarefas de cada partido comunista com base nessa teoria, a própria experiência histórica do século passado, levam inequivocamente à conclusão de que o campo da luta nacional permanece dominante sem que isso seja finalmente interpretado como uma renúncia à necessidade de coordenação e a elaboração de uma estratégia e atividade conjuntas dos comunistas em todo o mundo. É uma necessidade que está ganhando importância ainda maior, uma vez que a internacionalização capitalista assumiu formas superiores, não apenas no campo da economia, mas também no nível político, também através da formação de organizações interestatais internacionais e regionais da OTAN, da UE, do FMI, etc.
Nosso Partido, desde sua fundação, está comprometido com os princípios do internacionalismo proletário. Por 100 anos, ele lutou de forma consistente e não abandonou esses princípios. Como uma seção da Internacional Comunista, ele recebeu grande ajuda em sua formação como Partido de Novo Tipo. Ao mesmo tempo, sofreu as consequências negativas dos problemas de imaturidade teórica e também de oportunismo que surgiram no Movimento Comunista Internacional, mas nunca negou a necessidade de uma estratégia única no movimento comunista contra o imperialismo, para o socialismo... [ler mais]
Chile: uma nova revolução dos centavos (Manuel Riesco) 10-2019
«Bem, a Terceira Revolução dos Centavos começou. É grande e vamos ver no que vai dar. As anteriores, em 1949 e 1957, se espalharam muito rapidamente. E tiveram um grande impacto, especialmente a segunda, que revogou a lei amaldiçoada e estabeleceu a cédula eleitoral única, que abriu caminho para os grandes eventos da década seguinte.
Um grande protesto contra o transporte público era inevitável, o estranho é que ele não explodiu antes. É uma tortura diária para milhões de trabalhadores, para cujo fim o sindicato do Metrô deu o slogan preciso: estatizar o Transantiago e iniciar imediatamente o grande plano de cobrir a cidade com corredores exclusivos, além de acelerar as novas linhas de metrô.
O sistema político deve dimensionar a magnitude do descontentamento acumulado por décadas. Isto não se resolve com repressão ou remendos, tentando reprimi-lo nas circunstâncias atuais apenas o agrava. A Oposição deve considerar aderir como está fazendo com as 40 horas, para apoiar decisivamente o protesto, exigir o fim da repressão e rejeitar a ideia de legislar reformas tributárias e previdenciárias que apenas agravam os abusos. Mas há pouco que eles possam fazer com o protesto, porque o slogan “que todos se vão” será ampliado e com razão. Somente trabalhadores, estudantes e organizações sociais em geral podem liderá-lo... [ler mais]
PCPE: Abaixo a repressão na Catalunha! 10-2019
«O Secretariado Político do PARTIDO COMUNISTA dos POVOS da ESPANHA (PCPE) e o Comitê Executivo do PARTIDO COMUNISTA do POVO da CATALUNYA (PCPC), diante da decisão do Supremo Tribunal em que foram julgados vários líderes políticos e sociais catalães, DECLARAM:
A sentença, conhecida hoje, é outra expressão da profunda crise do poder burguês no Estado espanhol atual. Como sempre, na história do domínio da burguesia, o atual bloco de poder responde com repressão às divergências políticas que questionam seu atual domínio. Nesse caso, implementando o aparato judicial, a serviço da ditadura da classe dominante.
Esta sentença não resolverá de maneira alguma o problema da alta instabilidade política que a oligarquia espanhola enfrenta, seu sistema político parlamentar e a monarquia Bourbon. Novamente, a repressão será mostrada como uma prática desesperada que, longe de resolver qualquer problema, apenas aumentará suas dimensões... [ler mais]
XXI EIPCO: A luta pela paz e o socialismo continua! (Documento do Partido Comunista da Venezuela) 10-2019
«O 21º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários ocorre em tempos de maiores ameaças aos povos e à classe trabalhadora do mundo. Como consequência do aprofundamento da crise geral do sistema capitalista em sua fase imperialista, intensifica-se a feroz competição entre capitais monopolistas pelo controle de matérias-primas, fontes de energia, desenvolvimentos técnico-científicos e mão de obra qualificada e batata, dos mercados ampliados, das rotas de comercialização de mercadorias e zonas geoestratégicas.
A deterioração da hegemonia econômica dos monopólios estadunidenses é expressa em uma política cada vez mais agressiva e hostil do governo dos EUA. Essa política consiste no uso do poder militar dos EUA, do protecionismo e da ainda maior preponderância na economia mundial, para obter pela força vantagens que não podem mais ser alcançadas pelo livre mercado, em virtude da defasagem competitiva de seus monopólios.
Nessa estratégia se inscreve sua política de confrontação no campo comercial, científico-técnico, militar, político e cultural com a República Popular da China; bem como as sanções contra a Rússia, o Irã e até as tarifas impositivas estabelecidas sobre as mercadorias da própria União Européia.
A agressividade imperialista se revela no aumento das políticas de interfervenção, ocupações e invasões militares, promoção de guerras locais e civis e aplicação de sanções ilegais e unilaterais contra países e povos.
A região mais afetada pela violência imperialista continua sendo o Oriente Médio... [ler mais]
Tirem as mãos da Síria! (TKP) 10-2019
«Há cerca de oito anos, começaram as manifestações antigovernamentais na Síria. Essas manifestações logo se transformaram em um levante armado e confrontos em certas cidades. Então, juntamente com o envolvimento de forças estrangeiras, começaram a guerra civil e a ocupação das potências imperialistas lideradas pelos EUA.
Naquela época, os planos do imperialismo estadunidense para o Oriente Médio estavam em vigor. O governo do AKP (Turquia) estava mais do que ansioso por desempenhar o papel de ator principal nesses planos. Os Estados Unidos e o AKP começaram a armar e treinar vários grupos contra o governo de Assad, na Síria. A OTAN, a MIT (Agência Nacional de Inteligência da Turquia) e a CIA se reuniram na Síria. Gangues jihadistas foram equipadas com as armas mais modernas. Exércitos foram estabelecidos além dessas gangues. A Turquia assumiu a responsabilidade pelo treinamento desses exércitos. Como se isso não bastasse, foram realizadas reuniões em Antália e Istambul com os representantes dessas quadrilhas. Os membros das gangues receberam salários da Turquia. O AKP, além de interferir nos assuntos internos do nosso vizinho, a Síria, assumiu o papel de provocar diretamente uma guerra civil naquele país. No entanto, o processo não se desenrolou como previsto pelos EUA e pelo AKP. O povo da Síria resistiu contra a ocupação imperialista e as gangues reacionárias... [ler mais]
TUDO O QUE VOS ESCONDEM SOBRE A OPERAÇÃO TURCA «FONTE DE PAZ» (Thierry Meyssan) 10-2019
«A unânime comunidade internacional multiplica as condenações sobre a ofensiva militar no Rojava e assiste, impotente, à fuga de dezenas de milhar de Curdos perseguidos pelo exército turco. Entretanto ninguém intervêm, considerando que um massacre é provavelmente a única saída possível para restabelecer a paz, tendo em conta a irresolúvel situação criada pela França e os crimes contra a humanidade cometidos pelos combatentes e os civis curdos.
Todas as guerras implicam um processo de simplificação: só há dois lados num campo de batalha e todos devem escolher o seu. No Médio-Oriente, onde existe uma quantidade incrível de comunidades e de ideologias, este processo é particularmente terrível uma vez que nenhuma das particularidades destes grupos encontra já espaço de expressão e todos devem aliar-se a outros que detestam.
Quando uma guerra termina, todos tentam apagar os crimes que cometeram, voluntariamente ou não, e por vezes fazer desaparecer os aliados incómodos que desejam esquecer. Muitos tentam reconstruir o passado para se atribuírem a si mesmos o papel de bons. É exactamente a isto que assistimos hoje com a operação turca «Fonte de Paz» na fronteira com a Síria e as reações inacreditáveis que ela suscita.
Para compreender o que se passa, não basta saber que toda a gente mente. É preciso também descobrir o que cada um esconde e aceitá-lo, mesmo quando se constata que aqueles que admirávamos até agora são, na realidade, os malandros... [ler mais]
XXI Encontro Internacional dos Partidos Comunistas e Operários (XXI EIPCO): Avançar a luta anticapitalista e anti-imperialista (PCB) 10-2019
«Em nome do Partido Comunista Brasileiro saúdo a todos a os partidos comunistas e operários presentes nesse XXI EIPCO, em especial os Partidos Comunistas da Turquia e da Grécia, que, além do exemplo de luta, firmeza ideológica e coerência política que apresentam, assumiram a organização deste encontro. Saudamos também especialmente o 70º aniversário de fundação da República Popular da China.
A conjuntura mundial revela incertezas quanto ao desenvolvimento do capitalismo no futuro próximo, com a possibilidade de manutenção de taxas de crescimento baixas nos Estados Unidos e na Europa ou de início de recessão. Na esfera política, a abertura do processo de impeachment contra o presidente Trump pode representar uma redução da força dos EUA no plano internacional, o que, dentre outros efeitos, tende a aliviar a pressão sobre a Venezuela, e reforça a candidatura democrata à presidência que, se vitoriosa, não alterará a natureza imperialista do Estado americano, mas poderá abrir algum espaço para maior organização e luta da classe trabalhadora em seu país.
Na Europa o Movimento Comunista enfrenta uma ofensiva ideológica da extrema-direita, materializada com a recente aprovação da resolução que criminaliza o comunismo no Parlamento Europeu... [ler mais]
Governo PS/Costa II, evolução na continuidade e… o povo continua a pagar 10-2019
É conhecido o novo governo que de “novo” somente tem o nome. Algumas caras novas que vêm do aparelho por promoção ou do círculo de amigos do partido, diversos carreiristas e arrivistas, embora sejam apresentados como “independentes”, um deles, por sinal, militante ainda há pouco tempo do PSD, o que poderá ter algum significado. Um outro, advogado de negócios, com a pasta da Economia já pôs os patrões a saltitar de contentes. É mais do mesmo, um governo aparentemente não geringonço, os parceiros escaldados pelo resultado eleitoral disponibilizam-se para affair pontual ou quanto muito uma união de facto serial que é, ao cabo e ao resto, uma união entre todos os deputados honrados da nação. O PS/Costa irá negociar todos os apoios com todos e com cada partido em separado e caso a coisa corra mal facilmente se apresentará como vítima e desencadeará eleições antecipadas, a fim de alcançar a maioria absoluta tão desejada. A situação económica do país nos próximos tempos levará a grandes dramatismos parlamentares, e não só.
O governo PS/Costa II será um governo ainda mais fiel representante e executor dos interesses e vontades da nossa burguesia rentista e inútil, sempre encostada ao Orçamento do Estado, bem como um servil lacaio dos ditames de Bruxelas, obedecendo aos critérios das contas públicas, com o “esboço” (será mais do que isso) do OE para 2020 já entregue e à espera da aprovação dos burocratas ao serviço da imperialista Alemanha... [ler mais]
La movilización en todo los Países Catalanes. El único camino es el ejercicio del derecho de autodeterminación (Endavant) 10-2019
«Ante la sentencia que condena a casi 100 años de prisión parte de la anterior presidenta del parlamento y el anterior gobierno autonómicos y los dirigentes de lo ANC y Òmnium, Endavant OSAN queremos hacer las siguientes valoraciones:
La sentencia es un nuevo montaje judicial para lanzar un mensaje amenazante contra el independentismo y demostrar hasta donde llega el poder del estado y  donde este es capaz de usarlo y de saltarse sus propias leyes. Y es, a la vez, una nueva demostración de la debilidad de un estado que, ante sus enormes contradicciones, solo tiene como salida reforzar su carácter autoritario y demostrar un golpe más que el estado español, como proyecto nacional y de clase, es irreformable.
Esta represión ha vivido hoy un nuevo episodio de una larga historia. El estado español solo ha podido sostener su proyecto nacional y de clase a través de un represión sistemática y generalizada contra todas aquellas personas que han osado cuestionar los cimientos sobre los cuales este estado se estaba construyendo... [ler mais]
Equador: diante da crise, rebelião popular! (PCP) 10-2019
«Saudamos o levante popular no Equador, ao mesmo tempo em que repudiamos com força a histórica atitude das patronais imperialistas e pró-imperialistas, responsáveis por agudizar os níveis de exploração e total indiferença para com a justiça social, em total detrimento das maiorias trabalhadoras que tudo produzem e que devem suportar o roubo diário da classe exploradora.
A crise política, econômica e social que vive hoje o Equador não pode ser entendida unicamente na raiz da imposição de medidas econômicas ordenadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) ao governo equatoriano de Lenin Moreno, como contrapartida à aprovação de um empréstimo de 4 bilhões e 200 milhões de dólares para se implementar por meio de um programa econômico de três anos. A saturação da classe trabalhadora equatoriana deve ser entendido como resultado dos sucessivos ataques aos direitos adquiridos através de históricas lutas, direitos que foram progressivamente pisoteados pelo aprofundamento da crise capitalista, uma crise que não é apenas econômica e financeira, mas também ecológica e – sobretudo – civilizatória... [ler mais]
A China, Hong Kong e a esquerda de que a direita gosta (Mário Maestri) 10-2019
«O projeto de Lei de extradição foi retirado, mas as manifestações prosseguiram ainda mais furiosas, desde então sem pauta de exigência, a não ser as fantasiosas reivindicações de independência do paraíso fiscal e bancário ou de sua volta ao status de colônia inglesa. Bandeiras estadunidenses e inglesas são levantadas nas manifestações, enquanto bandeiras chinesas são queimadas. Líderes do movimento conversam com políticos yankees e britânicos e foram recebidos por Trump. 
As manifestações mantêm-se por mais de meio ano. Elas dificultam a vida em Hong Kong e melaram a cuidadosamente organizada celebração dos 70 anos da Revolução Chinesa. Centros administrativos e o aeroporto internacional foram ocupados; mobiliário urbano, foi destruído; a polícia tem sido atacada, mesmo em seus quartéis; o valor da moeda local tem caído. Porém, jamais foi realizada repressão forte, que pusesse fim ao movimento, por parte das autoridades locais ou do governo chinês, que tem o direito legal de fazê-lo.
Hong Kong é peça central da partida de xadrez que o imperialismo estadunidense joga contra a China. Desde 1997, promoveram-se manifestações pela “democracia”, esperando que, ao espalharem-se pelo continente, contribuíssem para a ruína do poder central e para a explosão da unidade nacional chinesa, como aconteceu na URSS, em 1990... [ler mais]
Restauração Capitalista na China (Francisco Martins Rodrigues) 10-2019
«Acenar com os tremendos êxitos económicos da China e debater, como insistem em fazer alguns no campo da esquerda, se o regime chinês ainda cabe ou não no conceito de socialismo, se é um “socialismo de mercado”, ou um “socialismo com mercado”, susceptível de vir a sofrer uma evolução positiva, dado que o poder continua nas mãos do Partido Comunista – é uma utopia que dá a medida do abastardamento a que chegou ao longo do último século a noção de socialismo.
Aquilo a que se tem assistido na China ao longo da última década é ao florescimento com espantosa velocidade de uma classe capitalista apostada em expropriar os bens públicos por todos os meios possíveis – Yiching Wu chama-lhe mesmo “capitalismo gangster”.
Os mecanismos de mercado, introduzidos para criar algumas aberturas controladas na vida social, pôr a elite governante ao abrigo da insatisfação popular pela despolitização das decisões socioeconómicas, e assim ganhar tempo para enfrentar a competição capitalista global, vieram a transformar-se numa alavanca poderosa da transformação dos detentores do poder em proprietários de capital. Com a conversão em massa dos bens públicos em capital privado, nas mãos dos que controlam o poder político, a imensa riqueza apropriada e acumulada durante as décadas anteriores está a ser lançada no circuito da produção e distribuição capitalista.
E o facto de as alavancas centrais da economia continuarem estatizadas não é garantia de qualquer controle sobre os apetites da nova classe burguesa – pelo contrário, torna ainda mais virulenta a sua ofensiva. As prerrogativas burocráticas não são, ao contrário do que se supõe, antagónicas com o mercado mas coexistem com ele, reforçando-se mutuamente. O chamado neoliberalismo beneficia, no contexto da China, desta proliferação de grupos de interesses dentro do próprio Estado... [ler mais]
O Che e a economia mundial (Rémy Herrera) 10-2019
«As investigações quanto ao pensamento de Ernesto Che Guevara sobre a economia são numerosas, mas raras são aquelas que abordam a sua dimensão respeitante à economia mundial [1] . De facto, este aspecto é frequentemente deixado de lado, relegado a um plano secundário em relação às posições que ele exprimiu a propósito da política internacional e portanto também compreendido – até mesmo manipulado, tanto para opô-lo artificialmente a Fidel Castro como para virá-lo contra a URSS.
O Che não era economista (de formação académica); talvez tenha sido isto que lhe permitiu pensar tomando vias heterodoxas, recolocar em causa verdades estabelecidas em economia, aventurar-se em reflexões originais e corajosas na época. A realidade das suas responsabilidades no seio da direcção da revolução cubana (comandante militar, dirigente do Banco Central, ministro da Indústria, ...) obrigou-o a articular, nesta dimensão internacional, a dimensão nacional das questões estudadas. Seu pensamento sobre a política internacional não pode ser separado daquele sobre a economia mundial.
Comecemos por um ponto crucial: o Che apoia-se, nos seus raciocínios, sobre o aparelho teórico-prático do marxismo-leninismo. Ele era, agrade-se ou não, comunista... [ler mais]
Manifiesto Descolonicémonos: 12 de Octubre Nada Que Celebrar 2019 10-2019
«Cada 12 de octubre, parece que estuviéramos en un sueño extraño. Vemos aviones de combate en el cielo, desfiles militares en las avenidas, banderas en los balcones, gritos en las calles, programas en la televisión celebrando el Día de la Hispanidad, y no nos sentimos parte de esta película rancia que parece una nueva edición de Gran Hermano o el Cuento de la Criada.
Lo sentimos porque no olvidamos que el 12 de octubre de 1492 representa el inicio del mayor genocidio de la historia con más de 80 millones de seres humanos asesinados y al menos 20 millones esclavizados. 527 años después, continuamos reivindicando nuestras ancestralidades, afirmando cotidianamente la resistencia, la vida y el amor frente a las políticas de muerte y odio producidas por la colonización. Levantando la acción colectiva comunitaria como forma de organizarnos; aprendiendo y continuando el legado de los pueblos que se reconocen como parte de la Madre Tierra.
Y nos preguntan, ¿¡por qué seguir insistiendo si ya han pasado 5 siglos!? La respuesta es simple, porque este modo de colonización que pone a Europa como centro y modelo, se mantiene.
El saqueo continúa con la complicidad de las empresas extractivistas y de los Estados derivados de la colonización. Mientras, los pueblos originarios mantienen viva su forma de estar en el mundo y resisten protegiendo la naturaleza siendo acorralados, exterminados, criminalizados, ninguneados y silenciados... [ler mais]
Tempo de lamber as feridas 10-2019
O nosso primeiro Costa, actual e futuro primeiro-ministro, indicado pelo PR Marcelo, que não perdeu na tarefa premente, já procede aos contactos para geringonça 2.0, possivelmente uma mega-geringonça sem papel escrito. Várias hipóteses se colocam na mesa: geringonça PS/BE com a família bloquista a ocupar algumas secretarias de estado; geringonça mais alargada, incluindo PAN e/ou Livre; geringonça bloco central, com o PSD, nada de contra-natura e partindo do princípio que Rio aguenta a oposição interna; em todas estas hipóteses lá estará o PCP, sem papéis assinados, a apoiar pontualmente medidas e OE's, meio fora e meio dentro, tal está escaldado com o resultado das eleições, o segundo partido que mais deputados e votos perdeu em termos percentuais. Será mais do mesmo quanto a programa político de austeridade suave sobre os trabalhadores e o povo, e a chantagem já foi lançada, ou será assim ou haverá eleições daqui a dois anos; então, sim, talvez se obtenha a tão ambicionada, e embora não abertamente expressa, maioria absoluta para que Costa fique enfim com as mãos totalmente livres.
Nos entrementes, os partidos vão lambendo as feridas e tentar esquecer o desaire que, em diversos graus, atingiu todos os partidos do poder, uns mais do que outros. Se o PSD perdeu as eleições, ainda poderá alcançar geringonça a duo; o PS, embora tenha ganho as eleições, coisa que geralmente acontece quando se está no governo e a economia não descamba e o povo não se inquieta, mas longe da maioria absoluta. BE perde muitos votos mas não perde deputados e mantém posição para até participar em governo, poderá acontecer-lhe o que acabou por acontecer ao Syriza na Grécia, mas desta vez em companhia do PS que, inevitavelmente, será uma questão de tempo, imitará o congénere Pasok. Acontecerá logo a pretexto da crise do capitalismo europeu e global, que se anuncia pela estagnação industrial das principais potências económicas e da especulação imobiliária que atingiu já um grau quase inimaginável. O segundo governo PS/Costa terá um fim fácil de prever – tal como o resultado destas eleições... [ler mais]
PC do Equador: total repúdio ao pacotaço neoliberal! 10-2019
«Diante do decreto presidencial de aplicação imediata da reforma econômica implantada em 1º de outubro do presente ano de 2019, o Partido Comunista do Equador manifesta seu absoluto repúdio ao conteúdo reacionário e antipopular do decreto que pretende jogar sobre as costas do povo equatoriano todo o peso da grave crise econômica pela qual atravessa o país, tendo ainda por consequência a entrega das receitas fiscais e econômicas aos empresários e às oligarquias nacionais.
Com o pior descaramento, o Presidente Moreno inicia suas decisões econômicas com a suposta contribuição especial dos empresários em um lapso de três anos por um valor de 300 milhões de dólares, sob o argumento de que este valor irá para a seguridade, à educação e à saúde. Ninguém poderá lhe pedir explicações caso não cumpra esta proposta, pois ele já não estará na Presidência ou o dinheiro será devolvido, anulado como foram os quase 5 bilhões dólares perdoados em favor dos empresários meses atrás. O mesmo sucede com o valor agregado cujo imposto também se absolve.
A eliminação do subsídio aos combustíveis causa um aumento no valor da gasolina e do diesel que objetivamente encarecerá todos os produtos, especialmente os de primeira necessidade, que se transportam diariamente pelas estradas e ruas de nosso país. Grande parte dos veículos são de propriedade de médios e pequenos comerciantes, que serão prejudicados em seus ganhos, e os valores das mercadorias serão repassados ao povo consumidor. Sendo esta decisão de imediata aplicação, isto significa que o povo começará a pagar desde 03 de outubro a diferença dos empresários, que terão três anos e talvez muito mais. Termina com as tarifas tributárias aos empresários e abunda em benesses para o setor privado, como o pagamento antecipado dos impostos... [ler mais]
Comunistas italianos repudiam falsificação histórica 10-2019
«O secretário geral do Partido Comunista, Marco Rizzo, rasgou a moção que busca equiparar o comunismo ao fascismo.
Os comunistas italianos disseram “foda-se” à União Europeia no sábado, quando milhares de pessoas de toda Itália se reuniram em Roma contra a perigosa moção anticomunista aprovada pelo parlamento europeu no mês passado.
O secretário geral do Partido Comunista, Marco Rizzo, bradou seu pronunciamento enquanto rasgava uma cópia da resolução que iguala o comunismo ao fascismo, recebendo a aplausos das multidões reunidas na Piazza Santi Apostoli, na capital italiana.
Ele condenou a moção que pretende reescrever a história com a alegação de que o pacto Molotov-Ribbentrop de 1939 havia causado a segunda guerra mundial. A resolução também clama pelo apagamento de todos os memoriais do “totalitarismo” em toda a Europa, incluindo aqueles dedicados ao Exército Vermelho.
“Mas sem o Exército Vermelho”, ele disse à multidão, “estaríamos todos falando alemão hoje”, relembrando aos manifestantes que foram as forças do comunismo que derrotaram o fascismo na Europa.
Rizzo alertou que a legislação está sendo usada pela UE de forma a justificar os estados membros a proibirem partidos comunistas e símbolos comunistas.
Os únicos beneficiários dessa legislação seriam a extrema direita, que está crescendo em toda a UE, alertou Rizzo... [ler mais]
‘Clima'? Siga o dinheiro! (F. William Engdahl) 10-2019
«Clima. Quem diria? A próprias megaempresas e megabilionários por trás da globalização da economia mundial ao longo das últimas décadas, cuja ânsia para garantir alto valor para as ações e forte redução de custos causaram tantos danos ao nosso meio ambiente, seja no mundo industrial seja em economias subdesenvolvidas da África, Ásia, América Latina, são hoje financiadores chefes de movimentos ‘de base', de “descarbonização”, da Suécia à Alemanha e aos EUA e para além. São surtos de consciência culpada? Ou podemos estar diante de agenda mais profunda, da financialização do ar que se respira e muito mais?
Independente de que alguém acredite nos perigos do CO2 e riscos de o aquecimento global criar a catástrofe global de um aumento de 1,5 a 2 graus Celsius na temperatura média nos próximos 12 anos, sempre vale a pena examinar quem está promovendo a atual torrente de propaganda e de ativismo ‘climático'.
Vários anos antes de Al Gore e outros decidirem usar uma jovem sueca para ser o rosto do pôster que promove ação ‘climática' urgente, ou nos EUA a convocação de Alexandria Ocasio-Cortez para compelta reorganização da economia em torno de um New Deal Verde, os gigantes da finança já cerebravam esquemas para canalizar centenas de bilhões de dólares em fundos futuros para investimentos em sua empresas, quase sempre imprestáveis ‘de clima'... [ler mais]
Miles de personas se movilizaron en Catalunya con consignas de «ni olvido, ni perdón» y «lo hicimos y ganamos» 10-2019
«Manifiesto de los CDR en el segundo aniversario del 1-O:
Los CDR han difundido un comunicado este martes con motivo del segundo aniversario del 1-O en la que piden acabar con las «acusaciones» y construir «juntas» la república. «Basta acusaciones, bastante señalarnos. Sabemos construir juntas. Lo hemos demostrado un montón de veces», apuntaron los comités, que han apostado por «continuar alturas» y estar «dispuestos no sólo a no dar un paso atrás, sino a hacer un decidido paso adelante «. «Nacimos para defender un referéndum. Crecimos para defender una república, seremos quien hará temblar el enemigo y ganar, no tengáis ninguna duda. Los CDR recuerdan que el Estado es una «bestia malherida, dispuesta a manchar ferozmente aunque saberse perdedora de la batalla».
Los comités han defendido que cada uno construya república «desde su papel»: los que se manifiestan, los que cortan carreteras, los que asisten a asambleas y los que cargan carteles y pancartas en el coche. «Desde no permitir que se lleven nadie más, hasta conseguir que todo el mundo vuelva a casa libre», indicaron.
Los CDR recuerdan que este martes hace dos años que dos millones de personas votaron pero también que «más de 700.000 vieron secuestrado su derecho de votar». «Hoy hace dos años que culminàvem más de 300 años de lucha con un referéndum que defendimos de la violencia desatada del Estado», han continuado... [ler mais]
O apodrecimento do regime 10-2019
As alterações ao Código de Trabalho entram em vigor em plena campanha eleitoral, são gravosas para quem é obrigado a vender a sua força de trabalho e não possui outro recurso para poder sobreviver; os patrões esfregam as mãos de contentamento com esta medida que foi aprovada unicamente com os votos do partido do governo, o PS, com a abstenção dos partidos formalmente de direita (por desnecessário votar a favor!) e votos contra dos apoios de marcha do governo, PCP e BE; posição que não prejudicou nem a dita aprovação e muito menos a continuidade do governo. Só por esta, o governo PS/geringonça deveria ser derrubado, mas tal não aconteceu por pura cobardia daqueles dois partidos que se arrogam de “esquerda” (parlamentar).
O descontentamento dos trabalhadores, inevitável à medida que se agravam as suas condições de vida, e a “falta de confiança” (grande preocupação do ex-PR Sampaio), que progressivamente irão sentindo em relação a um regime que para se afirmar prometeu rodos de democracia e de salários condignos, promessa reforçada com a adesão de Portugal à então CEE, mais cedo ou mais tarde conduzirão ao seu apodrecimento.
Este estado de espírito que inicialmente se traduz por uma maior abstenção em actos eleitorais, mais tarde conduzirá ao surgimento de “populismos em qualquer lugar”, incluindo Portugal, e anunciados há pouco por guru internacional e que atemorizou políticos, comentadores e jornalistas arregimentados, mas é a História que nos diz e, entre nós, a experiência da I República não é assim tão longínqua.
Acontecimentos, como o já célebre “roubo das armas de Tancos” e a reacção dos diversos órgãos de poder da República e dos partidos que a sustentam, revelam bem que, em termos objectivos, o regime estará a entrar em estado de putrefacção, e, relembrando o que aqui já afirmámos, o actual PR, monárquico e beato convicto, armando-se as mais das vezes em rei Sidónio e um dos principais candidatos a salvador da Pátria, será ele, à semelhança do padrinho em relação ao regime anterior, que marcará o fim deste regime saído do 25 de Abril... [ler mais]
Caretas fuera: la Unión Europea aprueba una moción que equipara nazismo y comunismo (Frente Antiimperialista Internacionalista) 10-2019
«El Parlamento Europeo ha aprobado una resolución que equipara el comunismo y el nazismo. No hay necesidad de muchas palabras para definir esta infamia, que ofende a la inteligencia, la ética, la historia y los sentimientos de millones de personas, muchas de los cuales perdieron la vida, no solo entregándola en la lucha contra el III Reich durante la II Guerra Mundial, sino incluso para permitir que la eurocámara fuera una realidad. (Nota: Os deputados do PS votaram a favor)
SOLO 66 EURODIPUTADOS/AS VOTARON EN CONTRA DE ESTA RESOLUCIÓN QUE INSULTA LA MEMORIA DE LOS MÁS DE 27 MILLONES DE CIUDADANOS QUE, SOLO EN RUSIA, DIERON SU VIDA POR DERROTAR AL NAZISMO, SALVANDO AL MUNDO DE LA OPRESIÓN BRUTAL DEL III REICH
Al parecer, para este organismo continental, la batalla de Stalingrado fue solo un episodio marginal y Auschwitz fue liberado por los soldados estadounidenses, como en “La Vita é Bella“, la manipuladora película de Roberto Benigni.
Se aprueba, de forma sucia y anti histórica, una resolución que hiede a anticomunismo reaccionario, eurofascista y en última instancia, falsa y ridícula, como el general enloquecido de la película “Doctor Strangelove”, más conocida en España como “Teléfono rojo: volamos hacia Moscú”.
Ante ese desatino, la pregunta que debemos formularnos es: ¿Por qué?
El anticomunismo en Europa ha sido siempre protegido y promovido en los medios de comunicación, valorado social y políticamente como “correcto”, pero esta votación demuestra que la mayoría de esos/as eurodiputados/as jamás creyeron en la lucha contra el totalitarismo, sino que preferían “ese lado”, antes que pertenecer a las filas del marxismo-leninismo... [ler mais]
KKE: abrindo caminho para o novo, para o socialismo 10-2019
«Todo o jovem que sente aversão à barbárie de hoje tem seu próprio lugar em nossa luta, olhando para a mudança, para a nova sociedade de que precisamos. Porque, afinal, como o poeta de vanguarda da revolução, Vl. Maiakovsky escreveu: “Nós – cada um de nós – seguramos as correias de transmissão do mundo”.
Amigos e camaradas,
Dois meses após as eleições, não é exagero dizer que o ND assumiu apaixonadamente o controle, determinado a completar as pontas soltas das medidas antipopulares que o SYRIZA deixou para trás. Provando que as medidas antipopulares são infinitas, continuam a sobrecarregar o povo de novos encargos, porque isso é exigido pelos “lucros sagrados” dos grandes empreendedores, pela intensificação da exploração, pela abertura de novos campos para o “investimento”.
Do chamado “estado executivo”, ou seja, um estado que serve ao crescimento capitalista explorador, até a nova “lei do desenvolvimento” que abole os acordos coletivos setoriais, promove outro golpe nos direitos sindicais e concede, de maneira provocadora, novos privilégios aos grupos empresariais. Desta forma, o ND dá lições sobre políticas de classe.
Os novos planos de repressão ao movimento trabalhista e popular em que o ND está trabalhando, com os anúncios sobre a flagrante intervenção do Estado e dos empregadores nos sindicatos, provam que a política hostil ao povo anda de mãos dadas com a repressão e o terrorismo dos capitalistas, a fim de estabelecer um “silêncio mortal” nos locais de trabalho e de estudo... [ler mais]